Cristãos são presos sob falsas acusações feitas por extremistas

| 18/08/2011 - 00:00


Um tribunal de Bangladesh exonerou dois cristãos e seus quatro amigos muçulmanos, acusando-os de “ferir a sensibilidade religiosa do país.” Nurul Islam  e seus amigos muçulmanos foram liberados sem nenhuma condenação, depois que a polícia não forneceu a documentação contra eles.

Em março, cristãos do movimento Caminho da Paz tinham organizado um campo de saúde de dois dias, oferecendo tratamento gratuito aos moradores pobres da área, no distrito de Damurhuda Chuadanga, a noroeste de Daca.

Cerca de 100 moradores participaram do acampamento para tratamentos gratuitos no primeiro dia, tendo sido tratados por um médico japonês. Mas dois dos organizadores cristãos e seus amigos foram presos com base no artigo 54 do código penal do país, segundo o qual a polícia tem poder para prender qualquer suspeito.

Eles foram libertados três dias depois de ter sido presos, pois a polícia não possuía provas suficientes para detê-los. Em 13 de abril, no entanto, a polícia os acusou de “ferir os sentimentos religiosos”, dizendo que eles estavam distribuindo material cristão aos pacientes durante o tratamento de saúde.

O médico voluntário japonês ofereceu folhetos cristãos e bíblias aos pacientes, dizendo-lhes que não eram obrigados a aceitar a literatura, segundo os cristãos. O médico estrangeiro não foi nominalmente identificado em nenhum dos casos.

O advogado Aksijul Islam disse à Compass que a polícia havia assediado seus clientes desde o início. “Foi um caso muito complicado”, disse Aksijul. “Mas as acusações do governo contra os cristãos eram infundadas, de modo que o Tribunal honrosamente os liberou.”

“Os cristãos foram acusados de distribuir panfletos para converter os muçulmanos pobres, portanto eles supostamente estavam ferindo os sentimentos religiosos das pessoas na área, o que não é verdade”, disse o advogado.

A constituição prevê liberdade para propagar assuntos religiosos em Bangladesh, mas as autoridades e as comunidades muitas vezes veem isso como uma forma de forçar as pessoas a se converterem ao cristianismo, segundo dados do relatório de Liberdade Religiosa de 2010.


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