Esquema anticristão piora

| 04/05/2004 - 00:00


Um cristão da região de Karakalpakstan, noroeste do país, tem sido publicamente pressionado para renunciar a sua fé em Cristo e sua irmã está sendo oficialmente expulsa da escola. Enquanto isso em Nukus, capital do país, mais cristãos estão sendo intimidados pela polícia secreta do Serviço de Segurança Nacional (NSS) e pela polícia comum, onde são pressionados a escreverem declarações admitindo que ele são membros de uma seita religiosa. Isso faz parte da medida de linha dura adotada para com os cristãos da região da Karakalpakstan.

Em meados de abril, convocou-se uma reunião com os residentes da região de Ornek em uma vila a trinta quilômetros ao norte de Nukus, na qual a administração desta região, assumindo agir em favor dos residentes, ordenou Murat Abatov a renunciar a sua fé em Jesus Cristo. Quando ele recusou a renunciar a sua crença, o diretor deste estado, Sapai Khalzanov o ameaçou de confiscar sua terra que fora alugada nesta região. Os idosos desta vila convocaram seus vizinhos para que não tenham nenhuma relação com Murat, ou até mesmo não cumprimentá-lo, pois ele foi considerado Wahhabi.

Em uma escola em Ornek, professores começaram a maltratar a irmã de Murat, Zulfya, e dizer a outros estudantes a não se associarem com Wahhabi.

Wahhabi é o termo amplamente usado na região da Ásia central para denotar muçulmanos fundamentalistas, e o Forum18 conhece bem esse termo para discriminar as testemunhas de Jeová.

Quando o Forum18 esteve em visita à Ornek no dia 29 de abril, o oficial Mukhtar Aidbekov esteve na residência de Murat e disse que debaixo da constituição, qualquer pessoa tem o direito de professar a sua fé, mas não pode se empenhar em proselitismo - converter pessoas de um crença para outra é proibido, Mukhtar também disse que pedi a Murat para mostrar me sua literatura religiosa e determinei para que ele não tivesse posse deste tipo de literatura. Eu não vejo qualquer atitude fora da lei nas ações de Murat.

Para a sua parte, Murat foi igualmente conciliatório. Não tenho nada contra Mukhtar - ele está agindo de acordo com a lei, disse ao Forum18. Mas alguém está deliberadamente espalhando boatos sobre min e fazendo com que essa vila passe a ficar contra mim. Por exemplo, já estou sendo chamado de Wahhabi, mesmo sabendo que criatãos não têm nada a ver com muçulmanos.

Sapai Khalzhanov recusou fazer qualquer comentário ao Forum18, dizendo que ele estava atrasado para uma reunião, mas insistiu em dizer que tinha ameaçado a confiscar a terra de Murat agindo na emoção do momento. Eu não pretendo tirar sua terra, ou estar envolvido nesta situação, disse ele ao Forum18.

O diretor da escola, Gulpara Akimova, negou que seus professores estivessem incitando seus estudantes a ficarem contra a irmã de Murat. Nós estávamos simplesmente preocupados com o fato de que uma menor estivesse freqüentando reuniões de uma seita religiosa disse Gulpara ao Forum18. Gostaríamos de falar com os pais desta aluna e certificar de que eles não têm nenhuma objeção à filha deles freqüentar uma seita.

Um cristão de Nukus, que preferiu não ter seu nome divulgado, disse ao Forum18 que ele tinha certeza que, na verdade, a campanha contra os cristãos em Ornek tinha sido iniciada pelas autoridades. Ultimamente as autoridades começaram a adotar uma nova tática: fazer com que as pessoas fiquem contra os cristãos aparentando fazer a vontade das pessoas.

A linha dura também continua em Nukus. No final de fevereiro, oficiais da polícia vieram ao apartamento do cristão Bakhadyr Prembetov com uma busca de mandato de prisão. Os oficiais abertamente admitiram que eles tinham recebido registros de vizinhos de Bakhadyr que membros de uma seita estavam se reunindo em sua residência. Eu me dou muito bem com os meus vizinhos mais próximos e eles não possuem qualquer objeção pelo fato de eu estar recebendo visitas com certa freqüência, mas a polícia insistiu que eles estavam mudando a vontade da vizinhança, disse ele ao Forum18 no dia 29 de abril em Nukus.

Ele ainda acrescentou que, a partir daquele dia, o chefe da administração começou a fazer com que os residentes ficassem contra ele. Ele ameaçou dizendo que, caso os cristãos não parassem de me visitar, ele iria atrás de assinaturas dos moradores e me retirariam do apartamento.

Piora desde ataques terroristas

Os cristãos em Karakalpakstan acreditam que a situação deles tem se deteriorado desde os ataques terroristas no Uzbequistão no final de março e início de abril. No dia cinco de abril, quatro oficiais da polícia entraram na residência de Valeri Adamiya, na cidade de Takhiatash, quinze quilômetros a sul de Nukus, dizendo a eles que tinham que fazer uma vistoria em sua residência como medida preventiva. Quando não foi encontrada nenhuma literatura proibida em sua residência, os oficiais pediram a ele para entregar qualquer livro com conteúdo religioso pois eles tinham que confiscar qualquer coisa como forma de rotina de trabalho. Finalmente, a polícia levou quatro hinos evangélicos dele.

Os cristãos acreditam que as autoridades têm adotado novas táticas para pressionar as comunidades evangélicas. A polícia comum e a secreta da NSS costumavam tentar deter evangélicos desavisados durante reuniões, mas agora eles estão sendo convocados um por um, pela NSS, a polícia e a promotoria pública, a assinar declarações admitindo que eles são membros de uma seita religiosa. Onze evangélicos foram convocados para comparecer à promotoria pública e a NSS de Karakalpakstan e foram alertados a assinarem documentos admitindo que violaram um Artigo 240 e o Artigo 241.

No início de abril, as pessoas que estiveram assistindo o filme Jesus em uma residência particular, foram convocadas pela polícia na cidade de Karauzyak, cem quilômetros a norte de Nukus. A polícia obteve depoimentos dos residentes locais e os ameaçou detê-los. Como que a polícia descobriu sobre a exibição desse filme ainda está totalmente incompreensível, disse ao Forum18 um cristão que preferiu não ter seu nome identificado. Os vídeos foram obtidos por evangélicos em Nukus para os seus parentes em Karauzyak e em Takhtakupir. Nos dois casos, o filme foi assistido na residência pela família.

Esses incidentes são os últimos de uma série de ataques aos evangélicos no Uzbequistão acontecendo no contexto de um a linha dura pós-ataques terroristas.


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