O agir incomum de Deus

Nesta Páscoa, além do plano da redenção, podemos ver os caminhos diferenciados de Deus por meio das experiências dos cristãos da Igreja Perseguida

| 12/04/2020 - 06:00

Ao olhar para trás, Gyeong Ju Son vê a mão de Deus em todos os lugares (foto representativa)

Ao olhar para trás, Gyeong Ju Son vê a mão de Deus em todos os lugares (foto representativa)


“Os discípulos voltaram para casa. Maria, porém, ficou à entrada do sepulcro, chorando. Enquanto chorava, curvou-se para olhar dentro do sepulcro e viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e o outro aos pés. Eles lhe perguntaram: ‘Mulher, por que você está chorando?’ ‘Levaram embora o meu Senhor’, respondeu ela, ‘e não sei onde o puseram’. Nisso ela se voltou e viu Jesus ali, em pé, mas não o reconheceu. Disse ele: ‘Mulher, por que está chorando? Quem você está procurando?’ Pensando que fosse o jardineiro, ela disse: ‘Se o senhor o levou embora, diga-me onde o colocou, e eu o levarei’. Jesus lhe disse: ‘Maria!’ Então, voltando-se para ele, Maria exclamou em aramaico: ‘Rabôni!’ (que significa Mestre). Jesus disse: ‘Não me segure, pois ainda não voltei para o Pai. Vá, porém, a meus irmãos e diga-lhes: Estou voltando para meu Pai e Pai de vocês, para meu Deus e Deus de vocês’. Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: ‘Eu vi o Senhor!’ E contou o que ele lhe dissera.” João 20.10-18

Deus cumpre seus propósitos e promessas de formas incomuns. Em Isaías 55.8-9, ele deixa isso claro: “’Pois os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, nem os seus caminhos são os meus caminhos’, declara o Senhor. ‘Assim como os céus são mais altos do que a terra, também os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos e os meus pensamentos mais altos do que os seus pensamentos’”. Ele não trabalha de acordo com a nossa lógica ou linha de raciocínio. E isso fica claro com a ressurreição de Jesus naquele domingo de Páscoa.

Ron Boyd-MacMillan, colaborador da Portas Abertas, compartilha sobre uma vez, quando estava na cidade de Da Lat, no Vietnã. Era domingo de Páscoa e ele levantou bem cedo para dar uma volta pela vila. Passou por uma igreja e ouviu todo mundo rindo. Achou isso bastante incomum e pensou o que fazia todos rirem. Ele não estava habituado a isso. Além disso, era uma risada estranha. O líder da igreja dizia certas palavras e as pessoas riam de forma rítmica. Não saía de dentro, não era real, mas mesmo assim era alegre.

Depois do culto, ele perguntou o que tinha acontecido. O líder local não falava uma palavra em inglês, mas dizia repetidamente a mesma frase: “Risus Paschalis”. A frase está em latim e quer dizer, literalmente, “Riso de Páscoa”. MacMillan percebeu que ele pertencia a uma igreja em que, a cada Páscoa, realizavam um culto do “Riso de Páscoa”. Essa é uma teologia original do período patrístico que afirma que o inimigo foi enganado. Ele coloca Jesus na cruz e pensa: “É isso. Me livrei do filho do homem”. Mas, na verdade, o inimigo foi enganado. Deus o fez de tolo. Quando Cristo ressuscita, o inimigo percebe que foi enganado, ajudando no plano da expiação dos pecados. É por isso que vale a pena rir. Essa é a representação do Riso da Páscoa: perceber que Deus usa até mesmo o mal para tornar algo em bem.

A mão de Deus em todos os lugares
Isso também é percebido em testemunhos de cristãos perseguidos. No Terceiro Congresso de Lausanne sobre a Evangelização Mundial, na Cidade do Cabo, na África do Sul, em outubro de 2010, a norte-coreana, Gyeong Ju Son, compartilhou sua história de vida. No final do testemunho, ela contou que, ao ficar no consulado coreano em Pequim, esperando para ir para a Coreia do Sul, sua vida foi drasticamente transformada quando Deus apareceu a ela em sonho.

"Ele tinha lágrimas nos olhos. Caminhou em minha direção e perguntou: Gyeong Ju, quanto tempo vai me deixar esperando? Caminhe comigo. Sim, você perdeu seu pai terreno, mas eu sou o seu pai celeste e o que quer que tenha acontecido com você foi porque amo você." Orando a Deus pela primeira vez, ela lhe deu o coração, alma, mente e força, pedindo que fosse usada para fazer a vontade dele. Um profundo amor pelas pessoas perdidas na Coreia do Norte e a necessidade de levar o amor de Jesus a elas, tornou-se o propósito de vida para ela.

“Eu olho para trás e vejo a mão de Deus em todos os lugares. Seis anos na Coreia do Norte, 11 anos na China e agora na Coreia do Sul. Tudo o que sofri, toda tristeza e luto, tudo o que vivenciei e aprendi, quero entregar a Deus e usar minha vida para o seu reino. Dessa forma, espero também trazer honra a ele”, explicou.

Ainda estudante, a intenção da jovem e vibrante seguidora de Cristo era ir para a universidade a fim de estudar ciência política e diplomacia, e depois trabalhar nos direitos dos que não têm voz na Coreia do Norte. “Peço a vocês que orem para que a mesma luz da graça e misericórdia de Deus que alcançou meu pai e minha mãe, e agora me alcançou, possa brilhar em breve sobre o povo da Coreia do Norte”, concluiu.

Deus trabalha de formas incomuns. O inimigo não esperava ser usado no plano de redenção. Gyeong Ju Son não esperava dedicar sua vida a Deus, mas o fez após encontrar em sonho o Cristo ressurreto. Maria foi ao sepulcro para ungir o corpo de Jesus, mas não o encontrou. Assustada ao ver a pedra removida, pensou que haviam roubado o corpo do amado mestre. E como Deus trabalha de formas incomuns, Maria jamais imaginaria que aquele homem que pensou ser o jardineiro fosse Cristo após a ressurreição. Quem imaginaria que a primeira pessoa com quem Jesus se encontraria após ter vencido a morte fosse uma mulher? Mas Deus trabalha de maneiras que muitas vezes não conseguimos entender.

Que nesta Páscoa, nossa busca não seja por entender o agir de Deus, mas que nossa mente seja renovada para sermos capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. E também para que, assim como Maria, após termos um encontro com o Cristo que venceu a morte, anunciemos que vimos o Senhor, compartilhando e vivendo de forma prática o que ele nos ensinou. Faça a diferença na vida de cristãos que foram vítimas dos ataques no domingo de Páscoa em 2019 no Sri Lanka. Seja #UmComEles.


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