Para onde vão os refugiados do Afeganistão?
Publicado em 29 out 2021

Com o retorno do Talibã ao poder no Afeganistão, milhares de pessoas fugiram do país. São 2,2 milhões de refugiados afegãos que estão em outras regiões. Os parceiros da Portas Abertas na Ásia Central compartilharam como os eventos recentes afetaram seus países e como podemos orar pela situação na região. Leia a seguir os relatos.
Basim*
“A situação noAfeganistãocausa muitas preocupações em nosso país. A maioria das pessoas têm medo, mas também há aquelas que querem que oislã radical seja a ideologia dominanteaqui. Não há informações oficiais, é por isso que há muitos rumores. Disseramque o presidente organizou secretamente conversas como Talibã e até enviou algum apoio humanitário, apesar da situaçãodifícilcom comida em nossopaís.”
“Sobre os refugiados — sabemos que nossas autoridades não os deixam entrar, mas há alguns que entram e permanecem ilegalmente.Organizamos uma corrente de oração paraassituaçõesnoAfeganistãoeem nosso país também.Pedimos aproteção de Deus.”
Hamad*
“Infelizmente, a situação perto da fronteira com oAfeganistãoestá piorando. O número de pessoas cruzando ilegalmente para o nosso país é enorme. Alguns foram pegos pelos guardas da fronteira e enviados de volta, alguns se escondem.Como cristãos, acho que devemos estar abertos a aceitar pessoas que sofrem, mas e se os radicais vierem entre eles? Precisamos de sabedoriadeDeus. Como cristãos, não rejeitamos os refugiados, masosaceitamos e servimos.”
“Além disso, a situação econômica do nosso país é muito ruim, muitas pessoas são extremamente pobres e famintas. A situação noAfeganistãopiora as coisas. Não há uma posição oficial clara do nosso governo sobreissoeneminformações suficientes, apenas rumores, o que deixa as pessoas com medo e preocupação.”

Cristãos de países da Ásia Central pedem oração pelos refugiados vindos do Afeganistão
Nazim*
“Recentemente, traficantes de drogasafegãosque cruzaram a fronteira ilegalmente mataram um guarda de fronteira. Nosso governo não deixa osrefugiadosdo Afeganistãoentrarem, incluindo cristãos, e eles são enviadosde volta para seu país, oque significamorte para eles porqueo Talibãmataos quetentam fugir, especialmente os cristãos.”
“Meu amigo mora nessa parte do país, ele é pastor. Ele compartilha que todos os dias as pessoas doAfeganistãonadam através do rio e se escondem em campos. Os guardas de fronteira procuram por essas pessoas naquela área, as encontram e enviam de volta. E sabemos que há refugiadosafegãosem nossa capital e outras cidades, não temos ideia de como eles chegaram até aqui, mas eles estão aqui e estão se escondendo para que não sejam descobertos pela polícia e enviados de volta.”
“Também apoiamos outras famíliascristãs e não cristãs nessa área com alguns pacotes de alimentos e água, pois quase não há água limpa lá há cerca de três anos. Os rios estão secando e estão fortemente poluídosao pontodaspessoas tiraremágua de valas sujas ederios residuais.”
Ammin*
“A situação noAfeganistãoé motivo de crescente preocupação para nosso povo. Sabemos que oficialmente nosso governo apenas permite um número limitado de pessoas em um campo especial de refugiados, mas também podemos ver o crescente número de refugiados nas cidades. Como líder da igreja e missionário, viajo muito e realmente vejo isso.”

Em muitas partes dos países, falta água limpa para a população
“Há rumores de queo Talibãquer aumentar a influência para todos os países vizinhos da Ásia Central, por isso é possível que eles enviem agentes entre os refugiados para realizar as atividades. É tão triste que o alto nível de corrupção em nosso país seja a razão pela qual tais planos terríveis do Talibãpoderiam se tornar possíveis.”
“Sabemos quenossa resposta cristã a tais mudanças tristes é a oração. Fazemos deste tema um dos principais em nossa igreja e reuniões domiciliares. Por favor,intercedaconosco por essa situação.”
*Nomes alterados por segurança.
A Redação Portas Abertas Brasil é a equipe editorial com mais de 40 anos de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco de segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.
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