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Afeganistão

AF
Afeganistão
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, opressão do clã, corrupção e crime organizado, hostilidade etno-religiosa
  • Capital: Cabul
  • Região: Sul da Ásia
  • Líder: Em transição
  • Governo: República islâmica presidencialista
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Pashto, dari
  • Pontuação: 98


POPULAÇÃO
38,9 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
MILHARES

Como é a perseguição aos cristãos no Afeganistão? 

É impossível viver abertamente como cristão no Afeganistão. Deixar o islamismo é considerado vergonhoso, e os cristãos ex-muçulmanos enfrentam terríveis consequências se a nova fé for descoberta. Eles têm que fugir do país ou serão mortos. Essa era a verdade antes da tomada do Talibã e a situação se tornou ainda mais perigosa para os cristãos este ano. O Talibã deixou claro que as leis e os hábitos islâmicos ultraconservadores estão implementados e serão mantidos. Cristãos ex-muçulmanos não têm nenhuma opção a não ser obedecê-los. 

Se a nova fé de um cristão é descoberta, sua família, clã ou tribo tem que salvar sua honra renegando o cristão ou até mesmo o matando. Isso é amplamente considerado justo. Uma alternativa é internar à força em um hospital psiquiátrico um cristão que se converteu do islamismo, já que deixar o islamismo é considerado um sinal de insanidade.  

Nós nunca permitiremos que a esperança seja silenciada. Por favor, continuem conosco. 

Sharifullah (pseudônimo), cristão secreto no Afeganistão que dedicou a vida ao cuidado do povo de Deus  

O que mudou este ano? 

A situação no Afeganistão se tornou manchete ao redor do mundo no último ano, enquanto o Talibã avançava pelo país até capturar a capital, Cabul, em 15 de agosto de 2021. Muitos afegãos fugiram do país, pois havia uma ampla expectativa de que a liberdade seria rapidamente reduzida. Embora, para cristãos, já não houvesse basicamente nenhuma liberdade para se perder. O Afeganistão foi o segundo país na Lista Mundial da Perseguição da Portas Abertas por muitos anos, e a perseguição aos cristãos permanece extrema em todas as esferas da vida pública e privada. O risco de ser descoberto aumentou já que o Talibã controla cada aspecto do governo. Isso se estende a documentação de propriedades  incluindo documentos de tropas internacionais  que pode ajudar a identificar cristãos. 

Quem persegue os cristãos no Afeganistão 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Afeganistão são: opressão islâmica, opressão do clã, corrupção e crime organizado, hostilidade etno-religiosa. 

Já afontes de perseguição são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos no Afeganistão são: oficiais do governo, líderes de grupos étnicos, líderes religiosos não cristãos, grupos religiosos violentos, grupos paramilitares, cidadãos e quadrilhas, parentes, redes criminosas.

Quem é mais vulnerável à perseguição no Afeganistão? 

Cristãos enfrentam perseguição extrema onde quer que estejam no Afeganistão. Controle e supervisão são mais rígidos em áreas rurais do que na maioria das cidades, mas espera-se que afegãos em todo o país sejam leais ao clã, à família e ao islamismo. 

Como as mulheres são perseguidas no Afeganistão? 

As mulheres cristãs no Afeganistão são altamente vulneráveis a todas as formas de abuso físico e têm pouquíssima autonomia social ou financeira. Desde a tomada do Talibã em 2021, a posição das mulheres se tornou ainda mais perigosa, e qualquer progresso feito com relação à liberdade das mulheres foi rapidamente desfeito. Casamentos forçados são comuns no Afeganistão e é amplamente aceito que o marido agrida a esposa. Se uma mulher se converte do islamismo para o cristianismo e a família não, ela provavelmente enfrentará prisão domiciliar, abuso sexual, violência, casamento forçado com um muçulmano ou até mesmo morte honrosa. Há pouca chance de conseguir justiça legal para mulheres. 

No Afeganistão, conversões ao cristianismo tendem a acontecer com toda a família, então muitas cristãs não enfrentam abuso de suas famílias. Porém, como todos os cristãos ex-muçulmanos no Afeganistão, elas manterão a fé em segredo para evitar a perseguição severa da comunidade mais ampla. 

Como os homens são perseguidos no Afeganistão? 

Homens cristãos enfrentam zombaria, prisão, torturas que levam à deficiência, ameaças, abuso sexual de colegas e possível morte por causa da fé. Eles enfrentam essa perseguição da família, da comunidade mais ampla e do Talibã. Se um membro da família é identificado como convertido, é comum que toda a família enfrente perseguição. Os convertidos do sexo masculino muitas vezes precisam encontrar fontes alternativas de renda se quiserem evitar a exposição ao não participarem de práticas religiosas comuns. Se descobertos, eles experimentarão discriminação severa das autoridades competentes. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos no Afeganistão? 

A Portas Abertas promove apoio espiritual por meio de campanhas de oração em favor dos cristãos secretos no Afeganistão. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos no Afeganistão? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio a cristãos perseguidos. Doando para essa campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente.

Pedidos de oração do Afeganistão 

  • Ore pelos cristãos secretos no Afeganistão, para que sejam protegidos da violência do Talibã. 
  • Interceda para que os líderes do Talibã defendam e preservem a vida humana e que Deus transforme o ódio em seus corações em amor. 
  • Clame para que os parceiros da Portas Abertas que apoiam os refugiados afegãos sejam cheios com graça e amor. 


Um clamor pel
o Afeganistão 

Senhor Deusnós sabemos que o Senhor chora quando vê seus filhos chorando. Sabemos que o Senhor se importa mais do que podemos expressar com a nação afegã. Por favor, Senhor, aja milagrosamente no país. Proteja seus filhos e todos os outros que enfrentam terríveis abusos de direitos humanos no país. Que essa nação se transforme de um país de desespero e crueldade em um que ressoa louvor ao seu nome. Amém. 

Não é com frequência que uma única data se torna um divisor de águas para todo o país, mas o Afeganistão experimentou tal data no período de pesquisa da Lista Mundial da Perseguição 2022. O dia 15 de agosto de 2021 marcou a data em que o Talibã assumiu o poder após o governo eleito ter fugido do país. A tomada foi surpreendentemente rápida e quando esse relatório foi escrito, no começo de novembro de 2021, a poeira ainda tinha que se assentar. Entretanto, é possível que no final, nada mude muito. O Afeganistão não sabe o que é paz há mais de 40 anos. Em 1996, o Talibã assumiu o controle de Cabul e impôs a sharia (conjunto de leis islâmicas) radical até 2001, quando foi expulso do poder pela invasão militar liderada pelos Estados Unidos. Há sinais de que muitas políticas dos anos 1990 do Talibã estão reaparecendo agora. 

Em 2004, Hamid Karzai ganhou as primeiras eleições presidenciais e, no ano seguinte, aconteceram as primeiras eleições parlamentares em mais de 30 anos. Em 2014, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) terminou formalmente sua missão de combate no Afeganistão. Entretanto, tropas internacionais mantiveram bases no país e o Talibã continuou controlando certas áreas. Conversas entre o governo dos Estados Unidos e o Talibã acabaram em setembro de 2019, mas os Estados Unidos assinaram um acordo com o Talibã em 29 de fevereiro de 2020 e retiraram quase um terço de suas tropas no final de junho de 2020. 

O anúncio da nova administração dos Estados Unidos, em abril de 2021, quanto à retirada de todas as suas tropas em 11 de setembro de 2021, no fim, foi um verdadeiro divisor de águas. O apressado e confuso processo de retirada no final de agosto de 2021 danificou a imagem dos Estados Unidos muito além do Afeganistão. Um ataque-bomba duplo no lotado aeroporto de Cabul, reivindicado pelo Estado Islâmico (EI), pode ser visto como um prenúncio das dificuldades que o novo governo do Talibã e o povo afegão estão enfrentando. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

O anúncio (e implementação) de uma completa retirada das tropas estrangeiras mudou fundamentalmente o cenário político, embora todos os autores ainda estejam no lugar. Antes do anúncio dos Estados Unidos sobre a retirada militar, as “conversas de paz” em Doha fizeram pouco progresso tangível. Ficou muito claro, mesmo na época, que o Talibã não tinha intenção real de priorizar questões como direitos humanos e das mulheres se retornasse ao poder, como pôde ser visto em sua “Constituição”.  

Também ficou claro que os extremistas islâmicos não tinham nenhum interesse em proteger minorias religiosas, como cristãos, que, de acordo com o governo, de qualquer forma são inexistentes no país. O fato de o Talibã ter escolhido um de seus principais clérigos como negociador chefe, que tem a “reputação de ser um linha-dura dedicado à continuidade da jihad até que um emirado islâmico seja reestabelecido no Afeganistão”, mostrou em retrospecto que acordos foram difíceis ou até mesmo impossíveis de serem alcançados. 

O rápido progresso do Talibã, assumindo o país em poucas semanas, e a resistência quase inexistente das autoridades de Cabul, chocaram analistas, mas também mostraram que o desenvolvimento estatal no Afeganistão não estava forte o suficiente. Também provou o que foi dito por muitos anos, ou seja, que a lealdade dos afegãos é primeiramente para com aqueles da família, clã ou tribo, não para com o país ou nação. Um movimento de resistência emergiu no Norte montanhoso, amparado pelos remanescentes da Força de Defesa Nacional Afegã. Entretanto, o Talibã assumiu o controle de todo o Afeganistão após um ofensiva militar bem-sucedida na província montanhosa de Panjshir, a 100 km ao Norte de Cabul. Forças opositoras anunciaram que a resistência continua. 

Enquanto os primeiros dias do governo do Talibã foram chamados de “uma vertiginosa variedade de abordagens a civis e populações afiliadas ao governo em áreas recém-capturadas”, um desafio mais temível surgiu quase que imediatamente. Os ataques suicidas no aeroporto de Cabul, em 26 de agosto de 2021, mostraram que há outro personagem radical a ser reconhecido, o Estado Islâmico. O EI esteve por perto desde 2015 e cometeu alguns dos ataques mais violentos nos últimos anos, muitas vezes contra a minoria hazara. É difícil que tenha menos de cinco mil combatentes e apenas um território operacional limitado. Os últimos ataques, entretanto, mostram que pode cometer atrocidades em larga escala. 

Não houve nenhuma surpresa quando, no dia 7 de setembro de 2021, o Talibã anunciou os nomes de diversos oficiais cuja tarefa é formar um novo governo interino. É válido lembrar que o governo anterior do Talibã foi chamado de “interino” durante seu tempo no poder, entre 1996 e 2001. Todos os pedidos por um governo inclusivo não foram ouvidos. Não foi surpresa que nenhum dos que atuavam no antigo governo do presidente Ghani foram incluídos no governo Talibã (com a possível exceção do inistro da Saúde — em reconhecimento à difícil situação da COVID-19 no país). Além disso, nenhuma mulher foi incluída.  

O fato de que a configuração étnica é quase que exclusivamente pashtun — dos 33 ministérios apenas dois são tajiques e um uzbeque — mostra que a consolidação do poder e a unidade com o movimento Talibã foram os motivos dominantes. A inclusão de ministros que ainda aparecem como “procurados” em listas de terroristas internacionais e a forte representação da rede Haqqani (que tem vínculos fortes com o Paquistão) mostra que outra das principais metas pode ser compartilhar os espólios da vitória. A formação final do governo Talibã não adicionou nada substancial para torná-lo mais inclusivo no que diz respeito a minorias étnicas ou mulheres. Também não foi uma surpresa que oficiais desejam reintroduzir punições mais severas da sharia (conjunto de leis islâmicas) — que incluem amputações e execuções — mas essas não seriam realizadas em público. 

A pequena comunidade cristã enfrenta um futuro difícil. Observadores veem uma pequena chance de uma negociação de paz se materializar. E mesmo que ocorra, não está claro como os combatentes insatisfeitos do Talibã, outros insurgentes e senhores da guerra regionais podem ser impedidos de continuar lutando. As fileiras do Talibã estão sendo impulsionadas por um fluxo contínuo de novos recrutas, principalmente da zona rural do Afeganistão. Uma das tendências mais preocupantes que poderia ser presenciada no período de pesquisa da LMP 2022 (1 de outubro de 2020 a 30 de setembro de 2021) foi que grupos étnicos e religiosos se armaram e enviaram a clara mensagem para o Talibã de que pretendem defender seu povo e seus territórios. A minoria cristã pode facilmente se encontrar no meio de tais confrontos. 

Os direitos das mulheres no Afeganistão sempre foram frágeis, mesmo antes da tomada do Afeganistão em agosto de 2021. Refletindo isso, o Afeganistão teve um desempenho fraco no Women, Peace and Security Index 2019/2020 do Instituto Georgetown, classificando-se em 166º lugar de 167 países. Desde o início do processo de paz, o Talibã consistentemente alegou que garantiria a segurança das mulheres no Afeganistão.  

Após a tomada do país, os extremistas islâmicos declararam publicamente que permitiriam que as mulheres continuassem sendo ativas na sociedade e se beneficiassem de seus direitos, trabalhando de “igual para igual” com o Talibã dentro da sharia. Nos meses após a tomada do Talibã, organizações de direitos humanos condenaram o tratamento às mulheres pelo grupo. Direitos legais, sociais e educacionais foram todos restringidos, com meninas sendo proibidas de retornarem para a escola secundária na maioria das áreas, e mulheres sendo excluídas do mercado de trabalho. O Talibã nomeou um governo todo masculino, e substituiu o Ministério de Assuntos das Mulheres pelo Ministério do Moralismo e da Virtude, um conselho que é notório por algumas das piores violações contra mulheres no antigo reinado de poder do Talibã.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

A Portas Abertas estima que o número de cristãos no Afeganistão seja de “milhares”. De acordo com as estatísticas do World Christian Database de abril de 2021, mais de 99% da população é muçulmana e há pequenos grupos de hindus, bahai e budistas (entre outros). Noventa por cento dos muçulmanos seguem o islamismo sunita, enquanto 9,7% aderem ao islamismo xiita. O povo hazara é predominantemente xiita, enquanto o principal grupo étnico, o pashtun, é sunita. Os pashtun dominam a paisagem política, mas precisam de minorias como os uzbeques e os tajiques para exercer o poder. 

Oficialmente, não há cristãos no país além de militares internacionais, diplomatas e trabalhadores de ONGs. Após a retirada das tropas internacionais e do êxodo de outras equipes internacionais, o número de cristãos realmente diminuiu. Os cristãos nativos, em especial ex-muçulmanos, se escondem ao máximo. 

Com esse contexto religioso, a vida diária é desafiadora para homens e mulheres cristãos, que são forçados a viverem a fé em segredo. A conversão do islamismo para o cristianismo é inaceitável sob a lei islâmica. Mulheres convertidas podem ser forçadas a se casar com um muçulmano ou confinadas dentro de casa. Elas também podem ser vendidas como escravas ou para prostituição, serem privadas de comida, água e assistência médica, trancadas em quartos, agredidas, queimadas ou maltratadas sexualmente. Homens enfrentam abuso verbal, aprisionamento, tortura, abuso sexual e até mesmo ameaça de morte. Membros das famílias de convertidos também podem ser perseguidos, sendo suspeitos por associação. 

A violência está em um nível muito alto e há relatos de cristãos afegãos mortos pela fé e de afegãos mortos apenas pela suspeita de serem cristãos. Famílias, com frequência, escondem a fé dos próprios filhos. Como eles nunca sabem quem em seu clã foi recrutado pelo Talibã ou pelo Estado Islâmico, eles se preocupam sobre em quem podem confiar com relação à fé. 

O controle social é alto e é difícil esconder a fé recém-obtida por um longo período de tempo, especialmente se o convertido tem filhos. Além disso, convertidos estão em uma encruzilhada quando não querem mandar o filho para uma escola islâmica, mas não podem compartilhar sobre a nova fé para a criança porque é muito perigoso. Se descobrem que afegãos se tornaram cristãos, seus filhos automaticamente serão tomados e dados para adoção por famílias muçulmanas. Essas crianças serão perseguidas na nova família e na escola.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

O Afeganistão é um país sem litoral e enfrenta múltiplos desafios em sua economia. Talvez o mais óbvio seja que, devido a décadas de guerra civil, o país sofre ampla destruição. Sua infraestrutura está em uma condição muito ruim e limitada em capacidade. Ele também tem uma geografia desafiadora, com altas montanhas e difíceis condições climáticas. O país não tem condições de usufruir de seus minerais ricos e, provavelmente, petróleo e gás, pois é necessário investimento estrangeiro, o que, por sua vez, precisa de estabilidade política. 

Mesmo a China, que tem fome de mercadorias e está disposta a assumir mais riscos do que a maioria dos outros investidores, permanece cautelosa. Os desafios de governar o gasoduto TAPI (que entrega petróleo do Turcomenistão para Afeganistão, Paquistão e Índia) é um exemplo claro. Apesar do desejo de Pequim de ver a inciativa “Um Cinturão, Uma Estrada” fazer progresso, a China está consciente da reputação do Afeganistão de ser um “cemitério de impérios”. 

O Afeganistão é classificado como uma economia “em busca de renda”, o que significa que uma grande parte de sua renda vem de doadores internacionais. De acordo com relatório publicado em maio de 2020, 48% do atual orçamento do governo depende de ajuda internacional. Mas esses são os números oficiais: o relatório estima que a atual porcentagem esteja perto de 75% — e nos últimos anos provavelmente tenha alcançado 90%. Esses fundos secaram amplamente com a retirada das tropas e muitas ONGs internacionais. A maioria dos doadores ocidentais têm dificuldade para encontrar formas de manter a ajuda humanitária sem reconhecer ou mesmo apoiar o governo Talibã. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

O Afeganistão enfrenta diversos desafios além da recuperação de décadas de guerras e de ataques contínuos do Estado Islâmico. O país também se encontra dividido entre diversos grupos étnicos que são fortes em diferentes partes do país. Parece que todos visam garantir a própria posição e não estão interessados no bem-estar do Afeganistão como um todo. Os pashtun são frequentemente considerados dominantes, mas mesmo dentro da comunidade pashtun, divisões também ocorrem entre as linhas tribais. Essas divisões também se tornaram aparentes nos diálogos de paz em Doha. O Talibã é um movimento pashtun e é claramente dominado por esse grupo étnico. Um famoso ditado afegão ilustra isso: “Primeiro minha tribo, depois meu povo e depois o país”. A cooperação política é constantemente afetada pela desconfiança e é preocupante que grupos étnicos vejam a necessidade de se armarem e declararem publicamente que defenderão seu povo contra insurgentes.  

O termo “sociedade civil” é praticamente desconhecido no Afeganistão, de modo que os grupos de pressão que cuidam do desenvolvimento social, das questões das mulheres, das minorias ou dos direitos humanos influenciarão pouco o desenvolvimento político do país e podem se tornar alvos de ataques. 

Os grupos que apoiam o Estado de direito, a participação no processo político ou a responsabilidade governamental são rapidamente suspeitos de serem agentes da comunidade internacional, promovendo a agenda do Ocidente. Essas acusações não são apenas do governo, mas também da sociedade. 

Essa mentalidade torna mais fácil para qualquer tipo de insurgente mobilizar um grande número da população a se opor a “ocupantes estrangeiros”, que são rotulados como “não fiéis”. Isso parece aplicar-se também às organizações não governamentais ocidentais que trabalham no país, incluindo os poucos cristãos. 

O cristianismo pode ter chegado ao Afeganistão no século 2. De acordo com tradições transmitidas por Eusébio de Cesareia — tido como o pai da história da igreja, porque seus escritos trazem relatos da igreja primitiva — os apóstolos Tomé e Bartolomeu levaram o evangelho para Parthia e Bactria, que hoje inclui o Noroeste do Afeganistão. 

Congregações cristãs que se desenvolveram na igreja nestoriana e em cidades afegãs como Herat, Candaar e Balkh se tornaram dioceses. No século 13, um governante cristão se converteu ao islamismo e se tornou um sultão, levando a um declínio do cristianismo, a ponto de quase ser extinguido completamente pelo reinado de Timur, em 1405. 

Já no século 17, comerciantes armênios chegaram a Cabul e, com o tempo, uma pequena comunidade cristã se desenvolveu, porém, foi forçada a abandonar o país em 1871. Tentativas de construção de uma igreja protestante, também em Cabul, chegaram ao fim em 1973. Hoje, o cristianismo é completamente clandestino e os cristãos, secretos. Afirma-se que, no porão da embaixada italiana, ainda há uma igreja legalmente reconhecida — a única no país — mas não é publicamente acessível e, portanto, só serve cristãos estrangeiros. O líder da pequena comunidade de católicos expatriados no Afeganistão alertou sobre a guerra civil diante da retirada das tropas internacionais. 

Os cristãos não podem manifestar a fé publicamente, tornando-se cristãos secretos

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