Sudão sai da lista de violadores de liberdade religiosa

Apesar da aparente abertura aos cristãos, com ministro pedindo perdão a eles, a nação ainda precisa agir mais em favor da igreja

Após 30 anos de perseguição durante o regime de Omar al-Bashir, os cristãos do Sudão celebraram as vitórias anunciadas durante o governo de transição neste último mês do ano. Algumas das decisões comemoradas foram a declaração do dia 25 de dezembro como feriado e a permissão à Igreja Evangélica Bahri de fazer uma Marcha para Jesus, no dia 23 de dezembro.

Outro ponto de destaque foi um discurso durante o Natal feito pelo ministro de Assuntos Religiosos, Nasredin Mofreh. O líder pediu desculpas aos cristãos pelas “políticas injustas” que atingiram a todos que professam a fé em Cristo durante o regime do ditador Bashir, deposto em abril de 2019. No pronunciamento, ele reconheceu alguns dos prejuízos enfrentados como opressão e dano infligido aos cristãos, destruição dos templos, roubo de propriedades e pelas prisões, acusações e confisco de prédios da igreja. Ressaltou ainda a importância da liberdade religiosa, já que os objetivos gerais das crenças são preservar a dignidade e a vida e defender os valores de justiça, paz e amor.

No dia 27 de dezembro, o governo dos Estados Unidos retirou o Sudão da lista de países envolvidos em violação de liberdade religiosa, gerada pela Comissão de Liberdade Religiosa Internacional dos Estados Unidos (USCIRF, na sigla em inglês). A punição para as nações listadas envolve sanções e ações diplomáticas contra os governos e autoridades do país. Porém, nunca houve uma medida consistente para reprimir os violadores das leis internacionais. O país ainda está na “Lista de Observação Especial”, que indica que já foi envolvido ou consentiu com a intolerância religiosa.

Apesar das notícias otimistas, os líderes da igreja sudanesa estão cuidadosos com as expectativas, pois desejam ver ações concretas de liberdade religiosa. Já em relação à retirada do país da lista de violadores de liberdade religiosa, alguns acharam a ação prematura. Isso porque o país ainda não provou que as minorias religiosas recebem igual proteção, respeito popular e reconhecimento oficial. Há batalhas legais de igrejas com o governo por propriedade, e outras que tiveram os prédios confiscados ainda não foram compensadas.

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