Volta dos cristãos para o Iraque ainda é difícil

Mesmo com a saída do Estado Islâmico, milícias muçulmanas e violência continuam a manter cristãos fora do país

Portas Abertas • 5 jun 2019


Cristãos locais experimentam milícias muçulmanas como a próxima ameaça após a saída do Estado Islâmico, que deixou o país destruído

Cristãos locais experimentam milícias muçulmanas como a próxima ameaça após a saída do Estado Islâmico, que deixou o país destruído

O Estado Islâmico (EI) pode não ter mais uma presença ativa no Iraque, porém as mudanças demográficas e divisões sectárias continuam a dificultar a volta dos cristãos. No começo deste mês, uma cristã idosa e sua filha foram agredidas em sua casa, em Bartella, uma cidade no nordeste do Iraque, na região da Planície de Nínive. Homens armados invadiram a casa e as agrediram.

A violência, em particular a sectária, atormentava o país mesmo antes da chegada do EI, em 2014. Atualmente, as milícias apoiadas pelo Irã, conhecidas como Forças de Mobilização Popular, estão entre os que patrulham as ruas e muitas vezes controlam a cidade toda. Essa presença é uma das razões pela qual cerca de 85% da população que fugiu de Mossul e da Planície de Nínive há cinco anos e ainda não está preparada para voltar, de acordo com Dindar Zebari, coordenador da ajuda internacional do Governo Regional do Curdistão, em janeiro.

Outra mudança significativa é a demográfica. A cidade de Bartella, por exemplo, já foi predominantemente siríaco cristã, porém, agora é de maioria muçulmana xiita. “A chegada do grupo sunita Estado Islâmico, em 2014, levou toda a população de siríacos e shabak (um grande grupo étnico xiita) a fugir para salvar suas vidas. Desde a derrota do Estado Islâmico, apenas algumas centenas de famílias cristãs voltaram e estão em muito menor número do que os regressos shabak”, explicou Henriette Kats, analista da unidade de pesquisa da Portas Abertas.

“Os shabak dominam as milícias xiitas que agora atuam como policiais e controlam várias barreiras nas ruas. Cristãos em Bartella agora relatam temer por sua segurança, em meio a relatos de assédio – incluindo sexual de mulheres cristãs – e intimidação”, diz. Segundo Henriette, a ameaça é séria: “Cristãos locais experimentam isso como a próxima ameaça após a saída do Estado Islâmico. Os que voltaram após a saída do EI agora deixam a área novamente para retornar ao Curdistão iraquiano e chegando até mesmo a deixar o país por causa desta milícia. Se a situação não mudar, mais cristãos podem partir”.

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A Portas Abertas é uma organização cristã internacional e interdenominacional, fundada pelo Irmão André, em 1955. Hoje, atua em mais de 60 países apoiando cristãos perseguidos por causa da fé em Jesus.

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