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Brunei

BN
Brunei
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, paranoia ditatorial
  • Capital: Bandar Seri Begawan
  • Região: Leste e Sudeste Asiático
  • Líder: Hassanal Bolkiah
  • Governo: Monarquia absolutista
  • Religião: Islamismo, cristianismo, budismo e outras
  • Idioma: Malaio, inglês e dialetos chineses
  • Pontuação: 64


POPULAÇÃO
445 MIL


POPULAÇÃO CRISTÃ
52 MIL

Como é a perseguição aos cristãos em Brunei? 

Em Brunei, deixar o islã por outra religião é ilegal – então os convertidos do islã que seguem Jesus encontram perseguição significativa de fontes locais e nacionais. Os cristãos ex-muçulmanos podem ser renegados pela família e forçados a se divorciar do cônjuge e deixar a casa da família. Cristãos ex-muçulmanos casados também perdem a custódia dos filhos.   

Comunidades cristãs não tradicionais não podem ser registradas como igrejas e, em vez disso, geralmente precisam ser registradas como empresas, organizações ou centros familiares. Assim, elas são tratadas como entidades empresariais seculares e são obrigadas a submeter anualmente seus relatórios financeiros e operacionais ao governo.   

Todos os níveis da sociedade em Brunei são afetados pela introdução da sharia (conjunto de leis islâmicas). A implementação completa da sharia em 2019 levantou preocupação internacional sobre o que isso significaria para Brunei. Mesmo um ano depois, o significado da lei para os cristãos ainda é um pouco incerto, embora pareça que não tenha sido implementada contra os cristãos. 

“Os cristãos não estão dispostos a correr riscos. Os pais também optam por não mandar os filhos para eventos públicos da igreja. Alguns dos meus amigos até disseram que não veem mais um lugar para eles na igreja.” 

Elora, cristã perseguida em Brunei   

O que mudou este ano? 

A classificação de Brunei na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2021 é duas posições abaixo da LMP 2020. E, ainda assim, na verdade a perseguição aumentou ligeiramente neste pequeno reino. A pressão aumentou na maioria das áreas da vida para os cristãos. Embora a violência aberta continue sendo um risco remoto para a maioria dos seguidores de Jesus, muitos sentem discriminação intensa e abuso diariamente. 

Quem persegue os cristãos em Brunei? 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos em Brunei são: opressão islâmica, paranoia ditatorial.  

Já a“fontes de perseguição são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos em Brunei são: oficiais do governo, parentes, líderes religiosos não cristãos, líderes de grupos étnicos.

 

Quem é mais vulnerável à perseguição em Brunei? 

Uma vez que o reino é tão pequeno, não há diferenças geográficas reais ou qualquer tipo de divisão rural/urbana para perseguição. Os cristãos ex-muçulmanos são particularmente visados, especialmente porque estão infringindo a lei. Eles podem ter os direitos negados e às vezes preferem ir para o exterior em vez de viver onde experimentam pressão constante e forte. 

Como as mulheres são perseguidas em Brunei? 

Devido à implementação das leis islâmicas, as mulheres são forçadas a usar um hijab (véu islâmico) em escolas e locais de trabalho e são punidas pelas autoridades religiosas quando se recusam a usá-lo. Mulheres e meninas são geralmente repudiadas pela família quando a conversão se torna conhecida. A família muitas vezes as isola, imãs são chamados para fazê-las se retratar e às vezes as famílias as ameaçam com casamento forçado com homens muçulmanos. As mulheres casadas que se convertem ao cristianismo provavelmente terão os filhos tirados delas. 

Como os homens são perseguidos em Brunei? 

Homens e meninos geralmente são renegados pela família quando se convertem ou, se casados, são forçados a se divorciar e deixar a casa da família. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos em Brunei? 

O anúncio da sharia em maio de 2014 – e sua implementação completa em abril de 2019 – aumentou os temores dos seguidores de JesusA Portas Abertas organiza campanhas de oração para os cristãos em Brunei e para as igrejas locais, à medida que enfrentam pressão crescente do governo. Mobilizamos oração também pelos líderes da igreja que precisam muito de conhecimento bíblico, particularmente para lidar com as crescentes restrições religiosas. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente.



Pedidos de oração de Brunei 

  • Os cristãos em Brunei enfrentam muitos desafios para viver a fé em Cristo. As muitas leis islâmicas no país têm pressionado a igreja por décadas, tornando-a ineficaz no avanço do reino de Deus. Ore para que Deus quebre esse aperto e liberte a igreja para ser uma bênção para a nação. À medida que o islã cresce, peça que Deus fortaleça a igreja em Brunei 
  • O país parece fechado ao evangelho. Existem leis para impedir que alguém alcance o povo de Brunei com a mensagem de salvação. Clame para que Deus abra as portas do país para que muitos venham à fé em Cristo, pois só ele pode operar tal milagre.   
  • Ore também pela igreja em Brunei, para que Deus a abençoe e a use para seu reino. Clame por sabedoria para pastores e líderes da igreja, para que encontrem maneiras de encorajar os membros a serem fiéis a Deuse também como ser sal e luz para a nação.    

Um clamor por Brunei 

Pai, oramos pelo seu povo em Brunei. Pedimos que o abençoe e fortaleça, e lhe dê sabedoria e ousadia em igual medida. Clamamos para que abençoe o sultão e amoleça seu coração em relação aos cristãos do paísIntercedemos especialmente pelos cristãos ex-muçulmanos, que o Senhor os proteja e lhes dê força para continuar quando parecer impossível. Em nome de Jesus, amém. 

Brunei foi um protetorado britânico de 1888 a 1984 e atualmente é o único sultanato politicamente independente no mundo. O sultão atual é o 29° e a linhagem real data de 1363. Em 1 de janeiro de 1984, o Dia da Independência, o sultão no poder oficialmente proclamou Melayu Islam Beraja (MIB) como a filosofia nacional de Brunei. O MIB é uma mistura de valores culturais malaios e islâmicos guardados pelo sistema monárquico e se opõe ao conceito do secularismo. 

Em maio de 2014, foi introduzido o Código Penal da Sharia, cuja implementação só foi oficialmente anunciada emé 2018, com a introdução do Código de Procedimentos Criminais. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

O sultão atual, Hassanal Bolkiah, que governa como monarca absoluto, é Chefe de Estado, mas também primeiro-ministro, ministro das Finanças, do Interior, das Relações Exteriores e do Comércio, da Defesa e Chefe de Religião. Sendo assim, todo o poder está concentrado em suas mãos. As pessoas o reverenciam, o respeitam e não há exigência por mais participação política. 

Os sultões mantêm o poder absoluto no país há mais de 600 anos. Qualquer crítica é impensável e, de fato, não é muito provável, pois os cidadãos o valorizam e não o culpam pela situação econômica. O sultão Hassanal Bolkiah favoreceu a democratização do governo de Brunei e se autodeclarou primeiro-ministro e presidente, embora o país ainda esteja longe de qualquer democratização real. Brunei quer ser um centro de excelência islâmica: a sharia (conjunto de leis islâmicas) foi totalmente implementada em assuntos civis e religiosos para todos os muçulmanos, mesmo antes da independência do país em 1984 e o governo segue um plano de islamização entre os povos tribais em parte cristãos, em parte animistas, com um movimento chamado dawah (evangelismo islâmico).  

O sultão introduziu estudos religiosos islâmicos obrigatórios em todas as escolas. Mas, mais importante ainda, ele anunciou a introdução da sharia no direito penal, a chamada lei “Hudud”, em outubro de 2013. O Código Penal é também aplicável aos não muçulmanos e inclui delitos que levam à pena de morte. A segunda fase deveria ser implementada em 2015, mas foi adiada. Em março de 2018, a implementação da segunda fase foi finalmente anunciada. Controle, monitoramento e espionagem sobre os cristãos são considerados mais importantes para as autoridades do que o exercício da força. 

Em um movimento surpreendente, o ministro da Religião de Brunei declarou que 3 de abril de 2019 seria a data de início para a implementação do Código Penal da Sharia. O anúncio foi publicado apenas 10 dias antes da implementação. Após um período de cinco anos em que essa lei esteve pendente, a publicação repentina pareceu uma tentativa do sultão e seu governo para evitar muitos protestos internacionais e possíveis pressões. A julgar pelo protesto público posterior à publicação, os esforços não tiveram sucesso. A mídia internacional foi rápida em destacar sérias e imediatas consequências para a população, inclusive para os cristãos ex-muçulmanos. Como reação, houve convocação para boicotes a todos os hotéis luxuosos que pertencem a um fundo de propriedade do sultão. 

Apesar do boicote provavelmente não ser efetivo, já que o sultão é visto como um dos homens mais ricos do mundo, ele reagiu publicamente à crítica anunciando que o país não tem intenção de implementar a pena de morte, como previsto no Código Penal da Sharia. É excepcional que o sultão tenha respondido à crítica e também incomum que uma tradução oficial em inglês do seu discurso fosse publicada. Isso mostra o que uma forte defesa internacional pode alcançar. 

CENÁRIO RELIGIOSO 

De acordo com o World Christian Database 2019, muçulmanos (a maioria sunita) são 57,9% da população. O sultão governante é chefe de religião: o que ele quer torna-se lei e se ele decide que o islamismo continuará em um caminho mais conservador, todos, incluindo as igrejas, devem aceitar isso. Os cristãos são livres para adorar, mas foram advertidos a não fazê-lo “de forma excessiva e aberta”. O Código Penal da Sharia inclui diversas determinações que limitam a liberdade de religião, não apenas para cristãos ex-muçulmanos, mas também para a minoria cristã. 

Os convertidos do islamismo enfrentam perseguição, já que a conversão é considerada ilegal e tudo será feito para trazê-los de volta à fé original. As comunidades cristãs não tradicionais não podem ser registradas como igrejas, mas devem ser registradas como empresas, sociedades ou centros familiares. Dessa forma, elas são tratadas como organizações seculares e obrigadas a enviar relatórios financeiros e operacionais ao governo todos os anos. Toda a sociedade, inclusive os cristãos, é afetada pela introdução contínua das leis islâmicas da sharia, bem como pelo aperto da situação econômica, o que impede que as autoridades sejam generosas com pagamentos para atenuar a insatisfação.  

Não há grupos extremistas ativos em Brunei e, ao contrário dos vizinhos do Sudeste Asiático, os muçulmanos do país parecem não ter se juntado ao grupo do Estado Islâmico para lutar em países como a Síria e o Iraque. No entanto, o islamismo está se tornando cada vez mais conservador, limitando o espaço para cidadãos não muçulmanos. Portanto, a falta de grupos extremistas não significa que os cristãos não estejam sob pressão. A coesão social é alta e o potencial para tumultos é muito limitado. Brunei pode ser um dos países mais seguros para se viver no Sudeste Asiático.  

Como a conversão do islamismo é ilegal, os convertidos ao cristianismo são separados de seu cônjuge e filhos e forçados a se divorciar. Se os convertidos forem identificados pelo Departamento de Segurança, são ameaçados a retornarem à antiga fé. 

Alguns cristãos e membros de outros grupos minoritários não têm permissão para serem oficialmente cidadãos de Brunei. Isso leva a um grande grupo de residentes sem nacionalidade e em desvantagem em muitos aspectos. Especialmente os jovens estão deixando o país à medida que não têm perspectivas para o futuro. Isso também afeta as igrejas, pois as potenciais lideranças da próxima geração estão se tornando escassas.  

Pais convertidos também não ousam criar os filhos de acordo com a fé. Nenhuma escola, particular ou pública, tem permissão para ensinar matérias cristãs e todos os alunos nas escolas de educação infantil ou fundamental são obrigados por lei a estudar o islamismo. Por decreto, a importação de Bíblias e a celebração pública do Natal foram banidas. Pastores cristãos e trabalhadores enfrentam diversas limitações devido à islamização e à dominante ideologia islâmica. Além disso, cristãos, nativos ou estrangeiros, têm sido alvo de islamização severa. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

Brunei viu um crescimento no PIB de 3,9%. No entanto, o país tenta diversificar a economia para dar uma boa perspectiva de futuro para os cidadãos, especialmente a geração mais jovem. Embora tenha sido publicado o plano de desenvolvimento “Visão Brunei 2035” com objetivo de expandir vários setores econômicos, pouco foi mostrado até agora. Em vez de se concentrar nos esforços para fortalecer setores além do petróleo e gás, Brunei optou por produzir ainda mais petróleo, apesar da produção ter atingido o pico e parecer estar em declínio nos últimos anos. 

Com cerca de 70-80% dos cidadãos do país empregados pelo governo ou instituições ligadas ao governo (conforme relatado pela FT Confidential Research), há uma esperança limitada para uma expansão econômica impulsionada internamente. Esse é o principal motivo por que a geração mais nova procura cada vez mais oportunidades no exterior. 

O governo de Brunei precisa fazer algumas escolhas difíceis. Os dias confortáveis devem acabar em breve, mesmo se o preço do petróleo subir. Até agora, o governo forneceu serviços médicos gratuitos e bons subsídios, como arroz e moradia. Não há mensalidades para escolas estaduais e os cidadãos não pagam imposto de renda. Mas já que as reservas de petróleo e gás podem durar apenas por mais uma geração ou menos, o governo precisa começar a pensar em alternativas. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Restrições são gradualmente estabelecidas e impostas a toda a população. Por exemplo, durante o Ramadã todos os restaurantes, incluindo estabelecimentos não muçulmanos, devem fechar. Além disso, todos os restaurantes, incluindo hotéis, devem fechar todas as sextas-feiras, das 12h às 14h, durante as orações islâmicas. E, todos os dias, às 5h, todo o país está parado. Muçulmanos e não muçulmanos devem parar o que estão fazendo durante o tempo do ritual de oração islâmica. 

As atividades missionárias aleatórias dos comerciantes portugueses no século 16 falharam e foi somente em 1846 que a Missão da Igreja de Bornéu foi fundada e uma congregação da Igreja Anglicana estabelecida. A Igreja Católica Romana está presente no país há mais de um século e as igrejas protestantes independentes chegaram mais tarde, quando trabalhadores imigrantes entraram no país. A maioria dessas igrejas está ligada a organizações e igrejas em seus países de origem. 

Também é importante notar que existe uma lei em Brunei que proíbe a reunião não autorizada de mais de cinco pessoas. Por isso, se encontrar com outros irmãos é muito difícil para cristãos ex-muçulmanos. Além disso, líderes cristãos ficam sob vigilância permanente das autoridades. 

As igrejas registradas também enfrentam problemas. Na capital, Bandar Seri Begawan, o governo proíbe acesso a certas ruas aos domingos e todas as estradas que conduzem às igrejas registradas são fechadas para fins “recreativos” das 6h às 13h. Somente quem tem permissões válidas podem entrar na área perto das duas principais igrejas. 

A conversão do islamismo para o cristianismo é considerada ilegal

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