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Brunei

BN
Brunei
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, paranoia ditatorial
  • Capital: Bandar Seri Begawan
  • Região: Leste e Sudeste Asiático
  • Líder: Hassanal Bolkiah
  • Governo: Monarquia absolutista
  • Religião: Islamismo, cristianismo, budismo e outras
  • Idioma: Malaio, inglês e dialetos chineses
  • Pontuação: 64


POPULAÇÃO
450 MIL


POPULAÇÃO CRISTÃ
42,6 MIL

Como é a perseguição aos cristãos em Brunei? 

O sultão é visto como protetor e defensor da fé muçulmana e deixar o islamismo é ilegal. Cristãos ex-muçulmanos podem ser punidos de acordo com a lei, e famílias e comunidades exercerão grande pressão para “trazê-los de volta” à fé original. Entretanto, cristãos não tendem a enfrentar violência direta. 

Comunidades cristãs não tradicionais não podem ser registradas como igrejas, mas precisam ser registradas como empresas, organizações ou centros familiares. Assim, elas são tratadas como entidades empresariais seculares e são obrigadas a submeter anualmente seus relatórios financeiros e operacionais ao governo. A sharia (conjunto de leis islâmicas) continua sendo introduzida no país e implementada de maneira mais ampla. 

“Deus nunca desistiu de mim.” 

Elora (pseudônimo), cristã perseguida em Brunei   

O que mudou este ano? 

A implementação da sharia (conjunto de leis islâmicas) aumentou a insegurança e o medo entre a população cristã em Brunei e a pressão sentida por cristãos na vida pública e privada. 

Quem persegue os cristãos em Brunei? 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos em Brunei são: opressão islâmica, paranoia ditatorial.  

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos em Brunei são: parentes, oficiais do governo, líderes religiosos não cristãos, líderes de grupos étnicos. 

Quem é mais vulnerável à perseguição em Brunei? 

Os cristãos ex-muçulmanos são os mais vulneráveis à perseguição.  

Como as mulheres são perseguidas em Brunei? 

As leis islâmicas estão sendo implementadas de forma muito rígida em Brunei. Com isso, as mulheres são forçadas a usar o hijab (véu islâmico) e punidas pelas autoridades religiosas quando se recusam a usá-lo. Enquanto famílias cristãs tradicionais são geralmente isentas disso (exceto em posições no governo), é muito mais difícil para mulheres que se converteram do islamismo.

Mulheres e meninas são geralmente repudiadas pela família quando a conversão se torna conhecida; elas podem ser forçadas a frequentar programas de reabilitação espiritual islâmica ou até mesmo forçadas a se casar com um homem muçulmano. Mães que se convertem ao cristianismo podem ter os filhos tirados delas com objetivo de garantir que sejam criados como muçulmanos. 

Como os homens são perseguidos em Brunei? 

Homens e meninos geralmente são renegados pela família quando se convertem e forçados a deixar a casa da família. Eles também enfrentam agressões, humilhação e tratamento mais severo quando perseguidos por autoridades religiosas. Estudantes também podem experimentar discriminação e abuso verbal em ambientes educacionais. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos em Brunei? 

A Portas Abertas promove apoio espiritual por meio de campanhas de oração em favor dos cristãos perseguidos em Brunei. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos em Brunei? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente.

Pedidos de oração de Brunei 

  • Ore para que os pastores sejam fortalecidos e preparados para servir e liderar suas congregações.  
  • Interceda para que os jovens cristãos resistam à tentação de se converter ao islamismo para poderem se casar. Peça a Deus para encorajá-los a permanecerem no país em favor da sobrevivência da igreja a longo prazo. 
  • Louve a Deus porque ele é mais poderoso do que a sharia (conjunto de leis islâmicas) e não é enfraquecido por leis rígidas.   

Um clamor por Brunei 

Deus pai, obrigado porque seu poder não é impedido pelas restrições à liberdade religiosa. Por favor, rompa os obstáculos legais e mostre seu amor e graça às pessoas de Brunei. Oramos por proteção para nossos irmãos e irmãs e por um fim a pressões e perseguição que enfrentam. Amém. 

Brunei foi um protetorado britânico de 1888 a 1984 e atualmente é o único sultanato politicamente independente no mundo. O sultão atual é o 29° e a linhagem real data de 1363. Em 1 de janeiro de 1984, o Dia da Independência, o sultão no poder oficialmente proclamou Melayu Islam Beraja (MIB) como a filosofia nacional de Brunei. O MIB é uma mistura de valores culturais malaios e islâmicos guardados pelo sistema monárquico e se opõe ao conceito do secularismo. 

Em maio de 2014, foi introduzido o Código Penal da Sharia, cuja implementação só foi oficialmente anunciada emé 2018, com a introdução do Código de Procedimentos Criminais. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

O sultão atual, Hassanal Bolkiah, que governa como monarca absoluto, é Chefe de Estado, mas também primeiro-ministro, ministro das Finanças, do Interior, das Relações Exteriores e do Comércio, da Defesa e Chefe de Religião. Sendo assim, todo o poder está concentrado em suas mãos. As pessoas o reverenciam, o respeitam e não há exigência por mais participação política. 

Os sultões mantêm o poder absoluto no país há mais de 600 anos. Qualquer crítica é impensável e, de fato, não é muito provável, pois os cidadãos o valorizam e não o culpam pela situação econômica. O sultão Hassanal Bolkiah favoreceu a democratização do governo de Brunei e se autodeclarou primeiro-ministro e presidente, embora o país ainda esteja longe de qualquer democratização real. Brunei quer ser um centro de excelência islâmica: a sharia (conjunto de leis islâmicas) foi totalmente implementada em assuntos civis e religiosos para todos os muçulmanos, mesmo antes da independência do país em 1984 e o governo segue um plano de islamização entre os povos tribais em parte cristãos, em parte animistas, com um movimento chamado dawah (evangelismo islâmico).  

O sultão introduziu estudos religiosos islâmicos obrigatórios em todas as escolas. Mas, mais importante ainda, ele anunciou a introdução da sharia no direito penal, a chamada lei “Hudud”, em outubro de 2013. O Código Penal é também aplicável aos não muçulmanos e inclui delitos que levam à pena de morte. A segunda fase deveria ser implementada em 2015, mas foi adiada. Em março de 2018, a implementação da segunda fase foi finalmente anunciada. Controle, monitoramento e espionagem sobre os cristãos são considerados mais importantes para as autoridades do que o exercício da força. 

Em um movimento surpreendente, o ministro da Religião de Brunei declarou que 3 de abril de 2019 seria a data de início para a implementação do Código Penal da Sharia. O anúncio foi publicado apenas 10 dias antes da implementação. Após um período de cinco anos em que essa lei esteve pendente, a publicação repentina pareceu uma tentativa do sultão e seu governo para evitar muitos protestos internacionais e possíveis pressões. A julgar pelo protesto público posterior à publicação, os esforços não tiveram sucesso. A mídia internacional foi rápida em destacar sérias e imediatas consequências para a população, inclusive para os cristãos ex-muçulmanos. Como reação, houve convocação para boicotes a todos os hotéis luxuosos que pertencem a um fundo de propriedade do sultão. 

Apesar do boicote provavelmente não ser efetivo, já que o sultão é visto como um dos homens mais ricos do mundo, ele reagiu publicamente à crítica anunciando que o país não tem intenção de implementar a pena de morte, como previsto no Código Penal da Sharia. É excepcional que o sultão tenha respondido à crítica e também incomum que uma tradução oficial em inglês do seu discurso fosse publicada. Isso mostra o que uma forte defesa internacional pode alcançar. 

CENÁRIO RELIGIOSO 

De acordo com o World Christian Database 2019, muçulmanos (a maioria sunita) são 57,9% da população. O sultão governante é chefe de religião: o que ele quer torna-se lei e se ele decide que o islamismo continuará em um caminho mais conservador, todos, incluindo as igrejas, devem aceitar isso. Os cristãos são livres para adorar, mas foram advertidos a não fazê-lo “de forma excessiva e aberta”. O Código Penal da Sharia inclui diversas determinações que limitam a liberdade de religião, não apenas para cristãos ex-muçulmanos, mas também para a minoria cristã. 

Os convertidos do islamismo enfrentam perseguição, já que a conversão é considerada ilegal e tudo será feito para trazê-los de volta à fé original. As comunidades cristãs não tradicionais não podem ser registradas como igrejas, mas devem ser registradas como empresas, sociedades ou centros familiares. Dessa forma, elas são tratadas como organizações seculares e obrigadas a enviar relatórios financeiros e operacionais ao governo todos os anos. Toda a sociedade, inclusive os cristãos, é afetada pela introdução contínua das leis islâmicas da sharia, bem como pelo aperto da situação econômica, o que impede que as autoridades sejam generosas com pagamentos para atenuar a insatisfação.  

Não há grupos extremistas ativos em Brunei e, ao contrário dos vizinhos do Sudeste Asiático, os muçulmanos do país parecem não ter se juntado ao grupo do Estado Islâmico para lutar em países como a Síria e o Iraque. No entanto, o islamismo está se tornando cada vez mais conservador, limitando o espaço para cidadãos não muçulmanos. Portanto, a falta de grupos extremistas não significa que os cristãos não estejam sob pressão. A coesão social é alta e o potencial para tumultos é muito limitado. Brunei pode ser um dos países mais seguros para se viver no Sudeste Asiático.  

Como a conversão do islamismo é ilegal, os convertidos ao cristianismo são separados de seu cônjuge e filhos e forçados a se divorciar. Se os convertidos forem identificados pelo Departamento de Segurança, são ameaçados a retornarem à antiga fé. 

Alguns cristãos e membros de outros grupos minoritários não têm permissão para serem oficialmente cidadãos de Brunei. Isso leva a um grande grupo de residentes sem nacionalidade e em desvantagem em muitos aspectos. Especialmente os jovens estão deixando o país à medida que não têm perspectivas para o futuro. Isso também afeta as igrejas, pois as potenciais lideranças da próxima geração estão se tornando escassas.  

Pais convertidos também não ousam criar os filhos de acordo com a fé. Nenhuma escola, particular ou pública, tem permissão para ensinar matérias cristãs e todos os alunos nas escolas de educação infantil ou fundamental são obrigados por lei a estudar o islamismo. Por decreto, a importação de Bíblias e a celebração pública do Natal foram banidas. Pastores cristãos e trabalhadores enfrentam diversas limitações devido à islamização e à dominante ideologia islâmica. Além disso, cristãos, nativos ou estrangeiros, têm sido alvo de islamização severa. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

Brunei viu um crescimento no PIB de 3,9%. No entanto, o país tenta diversificar a economia para dar uma boa perspectiva de futuro para os cidadãos, especialmente a geração mais jovem. Embora tenha sido publicado o plano de desenvolvimento “Visão Brunei 2035” com objetivo de expandir vários setores econômicos, pouco foi mostrado até agora. Em vez de se concentrar nos esforços para fortalecer setores além do petróleo e gás, Brunei optou por produzir ainda mais petróleo, apesar da produção ter atingido o pico e parecer estar em declínio nos últimos anos. 

Com cerca de 70-80% dos cidadãos do país empregados pelo governo ou instituições ligadas ao governo (conforme relatado pela FT Confidential Research), há uma esperança limitada para uma expansão econômica impulsionada internamente. Esse é o principal motivo por que a geração mais nova procura cada vez mais oportunidades no exterior. 

O governo de Brunei precisa fazer algumas escolhas difíceis. Os dias confortáveis devem acabar em breve, mesmo se o preço do petróleo subir. Até agora, o governo forneceu serviços médicos gratuitos e bons subsídios, como arroz e moradia. Não há mensalidades para escolas estaduais e os cidadãos não pagam imposto de renda. Mas já que as reservas de petróleo e gás podem durar apenas por mais uma geração ou menos, o governo precisa começar a pensar em alternativas. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Restrições são gradualmente estabelecidas e impostas a toda a população. Por exemplo, durante o Ramadã todos os restaurantes, incluindo estabelecimentos não muçulmanos, devem fechar. Além disso, todos os restaurantes, incluindo hotéis, devem fechar todas as sextas-feiras, das 12h às 14h, durante as orações islâmicas. E, todos os dias, às 5h, todo o país está parado. Muçulmanos e não muçulmanos devem parar o que estão fazendo durante o tempo do ritual de oração islâmica. 

As atividades missionárias aleatórias dos comerciantes portugueses no século 16 falharam e foi somente em 1846 que a Missão da Igreja de Bornéu foi fundada e uma congregação da Igreja Anglicana estabelecida. A Igreja Católica Romana está presente no país há mais de um século e as igrejas protestantes independentes chegaram mais tarde, quando trabalhadores imigrantes entraram no país. A maioria dessas igrejas está ligada a organizações e igrejas em seus países de origem. 

Também é importante notar que existe uma lei em Brunei que proíbe a reunião não autorizada de mais de cinco pessoas. Por isso, se encontrar com outros irmãos é muito difícil para cristãos ex-muçulmanos. Além disso, líderes cristãos ficam sob vigilância permanente das autoridades. 

As igrejas registradas também enfrentam problemas. Na capital, Bandar Seri Begawan, o governo proíbe acesso a certas ruas aos domingos e todas as estradas que conduzem às igrejas registradas são fechadas para fins “recreativos” das 6h às 13h. Somente quem tem permissões válidas podem entrar na área perto das duas principais igrejas. 

Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

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