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El Salvador

SV
El Salvador
  • Tipo de Perseguição: Corrupção e crime organizado
  • Capital: San Salvador
  • Região: América Latina
  • Líder: Nayib Armando Bukele Ortez
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Cristianismo
  • Idioma: Espanhol, nawat
  • Pontuação: 42


POPULAÇÃO
6,4 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
5,5 MILHÕES

El Salvador entrou na categoria de Países em Observação ao aumentar a pontuação, marcando 41 pontos. A pressão média subiu de 5,8 pontos para 6,8 pontos na Lista Mundial da Perseguição 2021. O nível de violência ficou alto, com 7,8 pontos. O principal tipo de perseguição é corrupção e crime organizado. 

Cristãos que pregam e agem contra a influência de gangues criminosas enfrentam um ambiente hostil, que é aumentado pela impunidade dos agentes públicos corruptos (a nível estadual e local). Nesse contexto, os cristãos não podem circular livremente ou organizar as atividades da igreja sem pedir autorização ao líder criminoso local. Eles são forçados a pagar por proteção. Além disso, os líderes cristãos que trabalham para manter os jovens fora das gangues e os pais que tentam impedir que os filhos se filiem aos grupos tornam-se vítimas de represálias e às vezes precisam fugir da comunidade ou até mesmo o país. 

É importante destacar que alguns membros de gangue se consideram cristãos e apoiam certas denominações. Eles usam o entendimento da religião para justificar as atividades criminosas, incluindo o uso da violência. Assim, é possível a conversão cristã dentro das gangues se for para a denominação apoiada pelo grupo criminoso.  

Contudo, se for uma conversão a qualquer outra denominação cristã, o convertido é visto como traidor e sofrerá retaliação. Também é possível que uma conversão real motive um membro da gangue a abandoná-la. Nesse caso, o ex-membro e a família dele enfrentam monitoramento e ameaças, bem como os líderes cristãos que trabalham com ele. 

A intolerância secular também está aumentando na sociedade. Alguns grupos de pressão influenciam os cidadãos a rejeitarem e zombarem de qualquer pessoa que expresse uma compreensão bíblica de santidade na vida, casamento, família e ética sexual. 

“Eu sou um cristão, não um gangster mais. Deus sabe que um gangster pode mudar, mas as pessoas por aqui não acreditam, elas não são cristãs.”

CARLOS, CRISTÃO E EX-INTEGRANTE DE UMA GANGUE DE EL SALVADOR
Tendências

O novo governo gerou maior confiança no combate à insegurança cidadã

O governo de Bukele dá sinais de uma gestão mais eficiente no combate à corrupção nas polícias e à presença de gangues no país. Embora o programa especial de segurança tenha gerado muitas críticas devido às suas medidas radicais, até agora nenhuma melhoria significativa foi observada.

As gangues aumentaram seu controle territorial e seu nível de pressão sobre a população

Apesar da postura agressiva do governo contra as atividades criminosas, a instabilidade social gerada pela crise da COVID-19 tem sido um cenário vantajoso para as gangues. Visto que a extorsão é sua principal atividade ilícita, os cristãos que vivem ou trabalham para a igreja nas áreas cooptadas por gangues são particularmente vulneráveis e têm sido vítimas frequentes de corrupção e crime organizado.

Em El Salvador, democracia e paz foram consolidadas com o fim da guerra civil em 1992. Desde então, ocorreram cinco eleições presidenciais consecutivas com transições pacíficas de poder. Entretanto, a crise causada pelo alto nível de corrupção levou os dois partidos, a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) e a Aliança Republicana Nacionalista (ARENA), a perderem apoio. Isso permitiu o surgimento de um partido novo e independente de direita, a Grande Aliança para Unidade Nacional (GANA), liderado por Nayin Bukele, que assumiu o cargo de presidente após receber aproximadamente 54% dos votos em 2019. 

El Salvador, como Guatemala e Honduras, trabalha juntamente com os Estados Unidos como uma parte importante da Operação Escudo Regional (ORS) para combater o crime organizado transnacional. Violência e insegurança causadas por gangues continuam sendo um dos maiores problemas no país. De acordo com a agência de refugiados da ONU, a violência de gangues e a falta de proteção têm forçado dezenas de milhares a fugir internamente desde 2006. Na primeira metade de 2020, o Alto-comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) providenciou o cuidado para mais de 13 mil deslocados internos ou aqueles em risco de deslocamento forçado devido a extorsão, ameaças e outros fatores causados principalmente por gangues. 

Parece que há pactos em vigor entre governo e gangues em algumas áreas. Entretanto, até recentemente, não havia provas concretas. A polícia e as Forças Armadas foram acusadas repetidamente de usarem força excessiva e detenções arbitrárias sob a desculpa de “controlar” a disseminação da COVID-19. Durante a pandemia da COVID-19, as tempestades tropicais Amanda e Cristobal atingiram El Salvador em maio e junho de 2020. Uma emergência nacional foi emitida devido à severidade das tempestades, as quais danificaram as casas de quase 30 mil famílias e causaram 154 deslizamentos de terra, causando 27 mortes. 

Em setembro de 2020, o Supremo Tribunal da Espanha sentenciou o ex-coronel do Exército de El Salvador, Inocente Orlando Montano Morales, a um total de 133 anos de prisão por assassinar, entre outros, cinco padres espanhóis na Central American University em El Salvador em 1989, durante a guerra civil entre 1979 e 1992.

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

O partido do presidente Nayib Bukele tem apenas dez deputados dos 84 assentos da Assembleia Legislativa, o que torna muito difícil introduzir qualquer reforma significativa. Isso tem causado medidas desesperadas e controversas. Em fevereiro de 2020, ele foi acusado de preparar uma “tentativa de golpe” após entrar na Assembleia Legislativa acompanhado de um policial armado e soldados exigindo que a Assembleia aprovasse um empréstimo de 109 milhões de dólares para financiar a terceira fase do seu plano de segurança chamado “Plano de Controle Territorial”. Bukele também desafiou os votos do Congresso e decisões judiciais constitucionais quanto às medidas de aplicação de lockdown relacionadas à crise da COVID-19. 

Enquanto a maioria dos salvadorenhos aprovou as ações de Bukele, figuras de liderança no país e no exterior aumentaram as preocupações sobre as falhas na administração de Bukele para cumprir suas obrigações e prover informações quanto a orçamentos e despesas, a abordagem cada vez mais autoritária do governo e os repetidos ataques contra jornalistas independentes e meios de comunicação. Bukele considera a maioria das críticas a ele como sendo corrupção ou apoio a gangues. 

Quanto às relações exteriores do país, em novembro de 2019, o presidente Nayib Bukele expulsou diplomatas venezuelanos que serviam o presidente Nicolás Maduro, mas disse que receberia diplomatas enviados pelo líder da oposição, Juan Guaidó. Ele criticou abertamente a erosão da democracia e direitos humanos em Honduras e Nicarágua e fortaleceu relações com a administração Trump em questões relacionadas a migração. Ao lidar com a crise de desabrigados e refugiados, o governo salvadorenho se uniu ao Quadro Regional de Proteção e Soluções (MIRPS, da sigla em inglês) em 2019 junto com Belize, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México e Panamá. El Salvador assumiu a presidência temporária do MIRPS em 2020. 

Líderes de igreja, em mais de uma ocasião, expressaram preocupação quanto à situação policial no país, apontando, por exemplo, que o Congresso ainda não aprovou a lei de reconciliação que garante justiça às vítimas de violações de direitos humanos que ocorreram durante a guerra civil. 

CENÁRIO RELIGIOSO 

El Salvador é um país de maioria cristã católica. A Igreja Católica Romana tem sido privilegiada historicamente e isso tem causado tensão com outras comunidades cristãs, o que tem às vezes levado a acusações de um tratamento desigual. Com o passar dos anos, o protestantismo tem crescido significativamente no país. Um projeto de lei foi proposto para reformar a Constituição, para reconhecer legalmente a Igreja Cristã Evangélica de El Salvador e outras denominações não cristãs. Entretanto, alguns oficiais e grupos seculares estão dizendo que o reconhecimento legal de qualquer corpo religioso na Constituição contradiz a natureza secular do Estado. 

Devido a insegurança geral e violência causadas pelas gangues (às vezes operada em cumplicidade com as autoridades), muitos se voltam para o trabalho das igrejas de proteger pessoas jovens da influência de grupos criminosos. Historicamente, a resposta do Estado, incluindo a atual administração, ao problema das gangues tem sido uma política de punho de ferro. Em contraste, principalmente grupos evangélicos têm trabalhado no nível popular nas comunidades para ajudar jovens a evitarem recrutamento e ajudar qualquer um que deseje deixar a vida criminosa. 

Curiosamente, muitos membros de gangues se consideram religiosos ou, pelo menos, respeitam a fé cristã como algo aceitável. As gangues permitem que as atividades das igrejas ocorram livremente, aquelas que têm afinidade e algum tipo de arranjo econômico. A maioria são de grupos pentecostais. Em alguns casos, até mesmo um antigo membro de gangue que lidera a igreja também influencia jovens “mareros” a se unirem à igreja. Há também casos em que líderes de gangues pressionam membros da comunidade local, e os próprios membros da gangue, a se unirem a igrejas evangélicas de sua escolha.  

Toda essa dinâmica influencia o aumento nos números de grupos pentecostais em todo o país. Entretanto, tais igrejas estão sujeitas às regras das gangues, o que ficou mais evidente durante a crise da COVID-19: líderes de igrejas têm que respeitar a agenda das gangues, ceder suas instalações para atividades de várias gangues e solicitar autorização para viajar para outras áreas; líderes cristãos não podem fazer trabalho evangelístico livremente, eles não fazem visita domiciliar ou conduzem atividades que afetem diretamente o processo de recrutamento de jovens. O grau de intimidação, pressão ou violência contra uma igreja em particular depende de quão complacente ela é. Alguns pastores são conhecidos por enfrentarem extorsão e assassinatos. 

No caso de antigos membros, embora eles não deixem de ser membros das gangues, eles têm permissão para se “acalmar” e não são requisitados para as atividades dos grupos criminosos enquanto adotarem a fé evangélica de forma aprovada. Entretanto, apesar da simpatia das gangues com certas igrejas, há também casos em que os grupos criminosos não permitem ninguém de deixar o grupo. Isso é feito para contrariar a política mais agressiva do governo que deseja erradicar a presença do crime organizado: as gangues precisam do máximo de membros possíveis. Devido às duras políticas anticrime do governo, algumas igrejas podem ser vistas como coniventes com as gangues ou perigosas por fazer trabalho pastoral com membros das gangues. 

Como na maioria dos países latino-americanos, há grupos de pressão ideológica, como LGBTI e grupos feministas radicais, buscando influenciar a sociedade por meio das redes sociais e pressionando partidos políticos. Seu desejo é erradicar gradualmente a presença de todos os cristãos na esfera pública. Atualmente, suas demandas nos campos da saúde e da educação não são aceitas sem críticas. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

De acordo com a atualização do Banco Mundial sobre o país, antes da crise da COVID-19, o país tinha registrado uma redução na pobreza moderada. O índice de pobreza, baseado na linha de pobreza de 5,5 dólares por pessoa por dia caiu de 39% em 2007 para 29% em 2017. A extrema pobreza, de 3,2 dólares por pessoa por dia, também caiu de 15% para 8,5% no mesmo período. Entretanto, a crise da COVID-19 impactou negativamente a redução da pobreza e o crescimento econômico, já que esperava-se a redução do PIB de El Salvador em 8,7% em 2020 devido à diminuição da atividade econômica, diminuição da demanda agregada nos mercados internacionais e redução das remessas enviadas às famílias principalmente vindas dos Estados Unidos. Um crescimento econômico de 4,9% é esperado em 2021. 

A Organização Internacional do Trabalho declarou que haverá um impacto na economia salvadorenha devido à diminuição do repasse de fundos e exportações, como resultado da redução na atividade econômica e o aumento do desemprego nos Estados Unidos (principal parceiro comercial). Estima-se que, desde que os repasses são usados principalmente para consumo, sua diminuição tenha um forte impacto no aumento da pobreza. De acordo com uma pesquisa conduzida pela Câmara do Comércio e Indústria de El Salvador em outubro de 2020, 75% das empresas pararam de operar durante o lockdown da COVID-19. 

Além disso, o contexto de violência tem um efeito negativo na economia de El Salvador, como pode ser visto no aumento dos orçamentos planejados para Defesa Nacional e Segurança Pública em 2021. O orçamento da Defesa Nacional deverá aumentar de 220,4 milhões para 248 milhões (12,5% a mais comparado a 2020) e o orçamento da Segurança Pública aumentará de 554,7 milhões para 655,3 milhões (18% a mais comparado a 2020).  

A Assembleia Legislativa alterou a lei orçamentária para incorporar 389 milhões de dólares de financiamento rápido com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para suprir as necessidades das emergências da COVID-19 e da Tempestade Tropical Amanda. O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (WFP, da sigla em inglês) também alertou que a combinação da Tempestade Amanda e da COVID-19 aumentará o número de pessoas em situação de insegurança alimentar. O WFP requisitou 8 milhões de dólares para oferecer assistência emergencial de comida por dois meses para 153,5 mil pessoas em grave insegurança alimentar. Esse pedido de fundos é complementar aos 19 milhões requisitados para ajudar o governo de El Salvador em resposta à COVID-19.  

A crise econômica também atingiu as igrejas no país, já que o número de pessoas pedindo ajuda aumentou e o nível de doações diminuiu. O governo aprovou um pedido feito pela Associação Evangélica para tornar possível fundos governamentais para idosos evangélicos em áreas vulneráveis. Entretanto, muitos pastores e cristãos expressaram descontentamento com essa medida. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Com a crise da COVID-19, a desigualdade se tornou mais notável principalmente nos setores da educação e da saúde. Como o relatório da situação social 2019-2020 da Fundação Salvadorenha para o Desenvolvimento Econômico e Social aponta, muitas famílias não têm renda suficiente ou estável para prover uma nutrição adequada para os filhos, serviços básicos como água potável, eletricidade, ferramentas digitais (rádio, computador, internet) para apoiar o aprendizado e acessar serviços de saúde. Os grupos da população que são especialmente sensíveis a esses efeitos são trabalhadores, jovens e mulheres. 

Gangues e outros grupos criminosos continuam controlando comunidades inteiras. Em muitas vizinhanças, grupos armados e gangues fazem certos indivíduos de alvo e interferem na vida privada e familiar. Em algumas áreas de El Salvador, as gangues impuseram ou reforçaram medidas de confinamento e tomaram o controle de todas as atividades humanitárias em seus territórios.  

Embora a violência tenha caído no país e a taxa de assassinatos anuais seja muito baixa comparada a anos anteriores, as razões para isso são unânimes. A organização Human Rights Watch declara que as forças de segurança, incluindo as Forças Armadas, ainda cometem abusos contra cidadãos, não apenas na luta contra gangues, mas também sob a proteção das medidas contra COVID-19.  

Oficiais de segurança conduziram medidas de execução abusivas no lockdown, incluindo uso de força excessiva. De acordo com a organização Repórteres Sem Fronteiras, as autoridades ameaçaram os jornalistas que tentaram investigar a corrupção e o presidente também expressou hostilidade quanto a críticas da mídia independente. 

A violência de gangues, pobreza e violência cometida pelas forças de segurança são as principais razões para a fuga do país. De acordo com a ACNUR, no final de 2019 havia 71,5 mil deslocados internos no país e uma estimativa de 41,85 mil refugiados salvadorenhos ao redor do mundo; 7.783 salvadorenhos voltaram, principalmente dos Estados Unidos e do México, em julho de 2020. 

As igrejas estão envolvidas em muitas formas de provisão espiritual e cuidado humanitário. 

De acordo com a Oxford Reference, “o cristianismo chegou a El Salvador com os espanhóis que conquistaram os índios pipil nos anos 1520. O país era parte da Capitania Geral da Guatemala até 1821, uma constituinte da Confederação Centro-Americana (1823-1839), e se tornou um estado independente em 1839. A diocese de San Salvador foi reconhecida pelo papado como independente da Guatemala em 1842”. 

O primeiro padre foi Francisco Hernández, que chegou em 1525. Depois um leigo, Pedro Ximenez, se tornou muito conhecido pelo trabalho missionário entre os índios. 

As primeiras leis anticlericais foram estabelecidas pelo governo liberal de El Salvador em 1824. Em 1871, o governo proclamou liberdade de pensamento e religião, removendo a administração de cemitérios do clérigo, legalizando casamentos civis e formando educação não baseada na igreja. 

O protestantismo chegou a El Salvador nos anos 1880, a maioria presbiterianos dos Estados Unidos. Adventistas do Sétimo Dia começaram o trabalho em 1915. 

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