A história da fé cristã na Índia
Publicado em 06 ago 2024

A fé cristã possui uma longa história na Índia. De acordo com a tradição, o apóstolo Tomé foi à Índia no primeiro século e fundou as primeiras igrejas locais. Nos séculos seguintes, missionários de várias nacionalidades e denominações trabalharam no país, o que permitiu o surgimento de muitas denominações cristãs, como a Ortodoxa Síria, a Católica Romana e diversas igrejas protestantes, como luteranas e batistas.
Algumas igrejas, cujas raízes na Índia são antigas, possuem porções de terra considerável e dirigem escolas e hospitais cristãos. Por conta de seu serviço social e altos padrões de qualidade, eram tidas em alta estima pela população indiana. Porém, desde que o Partido do Povo Indiano (BJP, da sigla em inglês) ascendeu ao poder, os nacionalistas hindus tentam expulsar instituições cristãs e gerar desconfiança contra elas.
A partir do século 19, ocorreram massivas ondas de conversão entre os dalits e os adivasi, população tribal da Índia. Esse movimento foi apoiado por missionários estrangeiros, mas também veio da própria população indiana. Os cristãos recém-convertidos compartilharam sobre Jesus até que o evangelho se propagou. Nos estados da região nordeste, tribos inteiras aceitaram a fé cristã, de modo que os cristãos são maioria nos estados de Meghalaya (75%), Nagaland (88%) e Mizoram (87%).
As comunidades cristãs que surgiram dessas ondas de conversão enfrentam pressão severa desde a ascensão do nacionalismo hindu. Recentemente, houve repetidos tumultos semelhantes a “pogrom”, ou seja, perseguição. Além disso, campanhas de reconversão em larga escala são realizadas para levá-los de volta ao hinduísmo.
Motivo para perseguição
Indianos, especialmente das classes sociais mais baixas, continuam encontrando a fé em Jesus
No entanto, a violência não consegue impedir a propagação do evangelho. Indianos, especialmente das classes sociais mais baixas, continuam encontrando a fé em Jesus. O fato de tantos indianos se tornarem cristãos é um espinho na carne dos nacionalistas hindus, que cometem atos de violência contra convertidos e igrejas ativas.
O aumento da perseguição aos cristãos pode ser visto como uma reação natural ao crescimento da igreja nos últimos anos. “Toda vez que alguém decide seguir a Jesus, há resistência. É impossível ter ciência de todos os ataques, afinal muitas pessoas aceitam a Cristo”, explica Zebulon*, um parceiro da Portas Abertas.
Ao mesmo tempo, presume-se que ataques semelhantes a pogrom aumentarão. “Nós cristãos temos que ser fortes para não sermos atacados por uma ou duas pessoas, mas sempre haverá uma multidão para nos esmagar. Precisamos nos manter firmes na fé e confiar em Deus em cada situação”, afirma Rajesh Singh*, outro parceiro da Portas Abertas.
*Nomes alterados por segurança.
A Redação Portas Abertas Brasil é a equipe editorial com mais de 40 anos de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco de segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.
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