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Índia

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Índia
  • Tipo de Perseguição: Nacionalismo religioso, opressão do clã, paranoia ditatorial, hostilidade etno-religiosa
  • Capital: Nova Deli
  • Região: Sul da Ásia
  • Líder: Ram Nath Kovind
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Hinduísmo, islamismo, cristianismo e religiões étnicas
  • Idioma: Hindi, inglês e mais de 20 outras línguas oficiais
  • Pontuação: 83


POPULAÇÃO
1,3 BILHÃO


POPULAÇÃO CRISTÃ
67,3 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos na Índia? 

Extremistas hindus acreditam que todos os indianos devem seguir o hinduísmo e que no país não deve haver cristãos nem muçulmanos. Eles usam muita violência para atingir esse objetivo, principalmente contra cristãos de origem hindu. Pois são acusados de seguir uma “fé estrangeira” e culpados pela “má sorte” que atinge as comunidades.  

É comum que cristãos ex-hindus sejam atacados fisicamente e às vezes mortos, além de estarem sob constante pressão da família e comunidade para retornar ao hinduísmo. Se eles não se “reconverterem”, podem ser boicotados pela comunidade, resultando em maior vulnerabilidade social. Muitos deles estão isolados e não conhecem nenhum outro cristão. 

Os cristãos são perseguidos em todas as áreas da vida pública e privada, e as leis anticonversão (vigentes em nove estados, com outros considerando a adoção) são utilizadas para assediar e intimidar os cristãos. Poucas pessoas são realmente condenadas sob essas leis, mas os casos podem se arrastar por anos. 

“Como estava no isolamento da quarentena, percebi que tinha mais tempo para a comunhão com o Senhor e esperava com paciência, orando e agradecendo a Deus por tudo.”    

Guarav, cristão perseguido na Índia 

O que mudou este ano? 

A perseguição na Índia aumentou de modo significativo nos últimos cinco anos e agora permaneceu relativamente inalterada desde o ano passado. A pandemia da COVID-19 ofereceu uma nova arma para os perseguidores, e os cristãos foram excluídos quando o governo distribuiu ajuda emergencial. Isso deixou muitos cristãos desesperados por comida, porque além de perderem as fontes de renda, muitos deles são dalits e, portanto, muito pobres 

Quem persegue os cristãos na Índia 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Índia são: nacionalismo religioso, opressão do clã, paranoia ditatorial, hostilidade etno-religiosa.

Já afontes de perseguição são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na Índia são: grupos religiosos violentos, líderes religiosos não cristãos, partidos políticos, cidadãos e quadrilhas, parentes, oficiais do governo, líderes de grupos étnicos.

Quem é mais vulnerável à perseguição na Índia? 

Os cristãos de origem hindu são os mais vulneráveis à perseguição na vida pública e privada. 

Como as mulheres são perseguidas na Índia? 

O estupro e outras formas de assédio sexual costumam ser usados para perseguir mulheres cristãs e também têm o objetivo de humilhar a família delasSegundo a Visão Mundial Índia, metade das crianças entre 12 e 18 anos são vítimas de agressão sexual, mas apenas um número insignificante de casos é relatado. 

Mulheres cristãs ex-hindus podem ser presas ou expulsas pelas famílias, ou forçadas a se casar com um homem da antiga fé. Muitas das que se tornam seguidoras de Jesus são dalitsda base do sistema de castas da Índia, o que as torna triplamente vulneráveis à perseguição: por causa da fé, do gênero e da classe social. 

Como os homens são perseguidos na Índia? 

Os homens cristãos têm maior probabilidade do que as mulheres de serem vítimas de violência física, bem como de abuso mental e emocional. É comum que sejam forçados a assistir os familiares serem torturados por extremistas.  

Pastores e pregadores também são falsamente acusados de estupro ou de violação das leis anticonversão. Além disso, os radicais hindus atacam especialmente os líderes da igreja e familiares, para que as demais pessoas que desejam seguir Jesus fiquem amedrontadas e desistam.  

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Índia? 

A Portas Abertas trabalha com parceiros locais para fortalecer a igreja indiana por meio do fornecimento de ajuda emergencial (equipes de resposta rápida geralmente são as primeiras a chegar no local após ataques violentos), treinamento de sobrevivência à perseguição, distribuição de Bíblias, programas de subsistência e desenvolvimento socioeconômico, apoio jurídico. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de maneira prática, doando para projetos que apoiam cristãos perseguidos. Ao fazer uma doação para esta campanha, você oferece apoio aos cristãos que enfrentam extrema perseguição na Índia por meio de ajuda emergencial, atendimento médico, abrigo, assistência jurídica, entre outros. 



Pedidos de oração da Índia 

  • Louve a Deus porque muitos estão chegando à fé na Índia por meio de curas milagrosas e do corajoso testemunho dos cristãos indianos. Ore para que isso continue e muitos mais conheçam Jesus.
  • Clame por proteção para nossos irmãos e irmãs, especialmente aqueles que são novos convertidos, e aqueles que vivem em áreas rurais e estão particularmente isolados. Peça que Deus ajude as famílias e comunidades a aceitarem a nova fé deles.  
  • Ore a Deus pela continuação do trabalho dos parceiros da Portas Abertas. Que sejam protegidos e inspirados pelo Espírito Santo a oferecer apoio prático e encorajamento para aqueles que mais precisam de ajuda.  

Um clamor pela Índia 

Senhor, obrigado porque a fé em Jesus está crescendo na Índia, apesar de tanta oposição enfrentada pelos cristãos na vida pública e privada. Continue trazendo novos cidadãos à fé e dê força e resistência aos que se converteram do hinduísmo. Frustre os planos dos extremistas hindus que querem livrar o país de outras religiões e mude o coração dos que estão no poder. 

A partir de 1920, o líder nacionalista Mahatma Gandhi liderou protestos não violentos contra o governo colonial britânico, o que acabou levando a Índia à independência em 1947. Nessa ocasião, a maioria muçulmana que vivia no Norte do país se separou, fundando o Paquistão como uma nação muçulmana. Em 1971, a guerra contra o Paquistão Oriental originou outro país, Bangladesh. 

Desde a década de 1990, a Índia também assumiu um papel muito mais assertivo na política mundial e tentou se tornar uma das novas superpotências. A Índia é membro de um grupo de países chamado BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que busca se tornar uma alternativa à política e à economia global dominadas pelo Ocidente. A Índia possui tecnologia nuclear – inclusive lançou a própria sonda Mars. 

Outra característica que mudou na Índia nas últimas décadas é a diminuição do nível de tolerância. Tradicionalmente, o hinduísmo e o budismo, ambos originários da Índia, eram considerados pacíficos. Mas desde a década de 1990, o hinduísmo assumiu um caráter muito mais violento. Diminuiu a tolerância para dissidentes e minorias, bem como o respeito pela diversidade religiosa e cultural. Uma parte substancial da população simpatiza com a liderança autoritária. Essa liderança não hesita em impor sua vontade aos opositores por meios violentos. 

Desde maio de 2014, a Índia é governada pelo Partido do Povo Indiano (BJP), de linha-dura, sob a liderança do primeiro-ministro Narendra Modi. Modi, aliás, tem má reputação por ter ignorado atrocidades cometidas por extremistas hindus quando era ministro-chefe do Estado de Gujarat em 2002, quando centenas, senão milhares, de muçulmanos morreram em um ataque marcado pela violência. Desde maio de 2014, o nível de intolerância na Índia aumentou e centenas de incidentes violentos são registrados a cada ano. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

A Índia é uma entidade política complexa. É uma federação com um governo central em Nova Deli que tem poderes relativos a assuntos estrangeiros, exército e economia. O país é composto por 29 estados e sete territórios sindicais (áreas administradas pelo governo central). 

A Constituição da Índia declara que o país é um Estado secular. Os radicais hindus se mobilizam para mudar isso, declarando o hinduísmo como a religião nacional. Eles também querem impor uma legislação anticonversão a nível nacional, mas para isso é necessário uma maioria de dois terços no parlamento. Apesar da postura secular oficial na política e no exército, o hinduísmo muitas vezes funciona como a religião padrão. Cristãos e muçulmanos estão em clara desvantagem. 

Apesar da disposição constitucional de que a Índia tem liberdade religiosa, cada estado define a própria política em relação à religião. Nove deles (Orissa, Himachal Pradesh, Gujarat, Madhya Pradesh, Chhattisgarh, Jharkhand, Uttarakhand, Rajastão e Arunachal Pradesh) implementaram a chamada legislação anticonversão, enquanto os demais testemunham um amplo mau uso de um tipo de lei de blasfêmia do Código Penal indiano 295-A. No entanto, mesmo nos estados em que a lei não foi implementada, a polícia prendeu cristãos por atividades evangelísticas. 

Os cristãos não têm um grande partido político, exceto algumas tentativas em Andhra Pradesh e pelo menos uma em Uttar Pradesh. Os cristãos só podem se juntar em festas tradicionais. Pode ser uma surpresa alguns desses irmãos terem se juntado ao BJP. De fato, muitos cristãos votaram por Modi porque gostaram da sua agenda econômica e esperavam que ele acabasse com a inércia que caracterizava a era de Manmohan Singh. Os cristãos também não estão presentes no corpo judicial. 

Em maio de 2019, a Índia realizou eleições parlamentares e o apoio a Modi cresceu ainda mais com o BJP ganhando com maioria absoluta. Isso significa que Modi permanecerá no poder pelos próximos anos e não será mais necessário para o partido fazer coalizões com outros partidos (e assim ceder às exigências). Portanto, é esperado que cristãos e muçulmanos não vejam melhorias em sua situação; é mais provável que as coisas piorem para eles. Sendo assim, hindus radicais continuarão a atacar muçulmanos e cristãos impunemente, e é provável que o nível de violência permaneça extremo. 

A administração do primeiro-ministro Modi se recusa a falar contra essa violência, o que resulta em um aumento constante do nível de impunidade. Os policiais locais têm a má reputação de serem corruptos. Nos estados e muitas áreas onde o BJP forma o governo, os policiais são conhecidos por não serem neutros e muitas vezes estarem ao lado de radicais hindus. Eles revistam reuniões cristãs, emitem ameaças aos cristãos, se recusam a registrar queixas relatadas por cristãos e dão asilo a extremistas hindus. Quando nossos irmãos querem registrar uma queixa, em 90% dos casos a polícia local se recusa a fazê-lo. Os policiais também têm uma reputação de brutalidade, batendo e maltratando cristãos sob custódia. 

Em agosto de 2019, o governo de Modi decidiu retirar o artigo 370 do estado de Jammu e Caxemira — esse artigo prevê a isenção do estado da Constituição indiana. O governo decidiu fazer isso para pôr fim a uma rebelião muçulmana que acontece em Jammu e Caxemira há duas décadas. A decisão de colocar um fim à posição especial foi um evento importante na história da Índia. O artigo 35-A foi removido também, o que permitiu ao estado ter prerrogativa sobre a cidadania. O processo foi conduzido com pesada força militar no estado. Depois que a lei foi aprovada no parlamento, Jammu e Caxemira foram rearranjados: perderam a condição de estado e foram separados em dois “territórios da União” denominados Jammu & Caxemira e Leh & Ladakh. O governo central em Nova Deli tem muito mais poder em territórios da união do que em estados. Como resultado, a Índia agora tem 28 estados. 

CENÁRIO RELIGIOSO 

A Índia é o segundo país mais populoso do mundo, ficando atrás somente da China. De acordo com o World Christian Database (WCD), a maior religião do país é o hinduísmo, com 72,5% da população. O hinduísmo domina a Índia há séculos (começou a se desenvolver entre 500 e 300 a.C.). A segunda maior religião na Índia é o islamismo, com 14,4% da população. Isso pode parecer uma minoria sem importância até se perceber que a Índia é o país com a segunda maior população muçulmana na Terra — apenas a Indonésia tem mais muçulmanos. A Índia é o lar de mais muçulmanos do que os vizinhos Paquistão e Bangladesh.  

O cristianismo é a terceira maior religião na Índia, com 4,8% da população. O grupo cristão que mais cresce na Índia é o de comunidades cristãs não tradicionais, o que inclui convertidos de outras religiões ao cristianismo, ou seja, que não são descendentes de cristãos.  

Os radicais hindus ganharam impulso desde o início da década de 1990. Seu objetivo final é transformar a Índia de um país laico, conforme definido pela Constituição do país, em um país onde o hinduísmo é a religião do Estado. Ao longo dos anos, radicais hindus realizaram numerosos ataques violentos contra todas as minorias religiosas não hindus. Houve pouca ou nenhuma proteção das autoridades locais, estaduais ou nacionais contra esses ataques.  

Esses radicais consideram tanto o islamismo quanto o cristianismo religiões estrangeiras que devem ser removidas do país. Portanto, muçulmanos experimentam um tratamento parecido nas mãos dos militantes hindus. Budistas e siques são muito mais aceitos pelos radicais hindus, pois essas religiões se originaram em território indiano. 

Dessa forma, todos os cristãos passam por perseguição na Índia, uma vez que os radicais hindus os veem como alienados à nação. Eles querem limpar o país do islamismo e do cristianismo e não se esquivam de usar a violência para isso. Converter-se ao cristianismo — quando se vem de uma família hinduísta — é suportar o peso da perseguição na Índia e estar constantemente sob pressão para retornar ao hinduísmo. Muitas vezes, os cristãos ex-hindus são agredidos fisicamente e até mortos. 

Apenas falar sobre a fé cristã para um grupo maior de familiares é agora considerado como uma forma de evangelismo aos olhos dos radicais hindus. A intolerância cresceu nos últimos cinco anos. A crescente hostilidade contra cristãos é cada vez mais expressa no uso das redes sociais, embora não limitada a esse meio. 

A burocracia e a corrupção são fatores bastante conhecidos em toda a Índia. Por um lado, se os cristãos tentam construir uma nova igreja, ou reformar uma existente, encontrarão muita burocracia e oposição. A única maneira de ignorar o obstáculo da burocracia é o pagamento de subornos. Muitos dos funcionários de baixos níveis da administração pública, cuja renda é baixa, alegam precisar desse dinheiro extra da corrupção para sobreviver. Os cristãos na Índia enfrentam esses obstáculos em quase todos os aspectos da vida. 

Depois do cristianismo, estão as chamadas etno-religiões, com 3,8% da população, que são religiões tribais tradicionais anteriores à chegada do hinduísmo e do budismo no país. Por último, está o budismo, com 0,7% da população, que se originou na Índia Antiga em algum momento entre os séculos 4 e 6 a.C., de onde se espalhou por grande parte da Ásia. 

Cada vez mais, os convertidos tribais estão sendo ameaçados, boicotados socialmente, expulsos, tendo o acesso a água negado, violentados e até assassinados. Em vários casos, as construções de igrejas foram interrompidas à força pelos moradores. A hostilidade etno-religiosa e a opressão do clã estão rapidamente se tornando uma séria ameaça para a igreja na Índia. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

A Índia era considerada um país em desenvolvimento nas primeiras décadas após a independência, em 1947, o que foi reforçado pela adesão da liderança da Índia aos princípios socialistas inicialmente. Isso mudou completamente devido às políticas liberais na década de 1990: agora a Índia tem uma das economias de crescimento mais rápido do mundo, mesmo a crise econômica de 2008-2014 afetando esse crescimento de forma marcante. 

De acordo com a atualização do Banco Mundial, em outubro de 2019, o PIB (Produto Interno Bruto) era de 2,873 bilhões de dólares e o país foi considerado a 7ª maior economia por taxa de câmbio do mercado. Mas a nova riqueza não é distribuída igualmente: a distância entre os muito ricos e os muito pobres aumenta rapidamente. A pobreza ainda é alta, atingindo 30% da população. Os cristãos tendem a estar em uma posição ainda mais desfavorável, pois muitas vezes não têm acesso à educação e, portanto, se encontram nas camadas mais baixas da sociedade. 

Em 8 de novembro de 2016, o governo da Índia anunciou a desmonetização de todas as notas de 500 e 1.000 rúpias da série de Mahatma Gandhi. Também anunciou o lançamento de novas notas de 500 e 2.000 rúpias. A decisão foi promulgada por decisão unilateral do primeiro-ministro Modi, que tornou as notas de 500 e 1.000 rúpias ilegais de uma só vez. A decisão levou à devastação do setor informal (45% da economia indiana), deixando uma grande população das classes baixa e média-baixa abaixo da linha da pobreza, sem emprego e com um futuro econômico incerto. O recente declínio da economia indiana se deve a essa decisão, pois a desmonetização deixou 12 milhões de indianos sem emprego. O movimento foi um golpe significativo para a igreja, porque um grande número de cristãos da igreja doméstica pertence às categorias afetadas. 

No final de agosto de 2019, a mídia relatou que a economia continua a se retrair e atingiu o nível mais baixo registrado nos últimos cinco anos, de acordo com um estudo da Reuters sobre o crescimento do país. De acordo com especialistas, entre abril e junho de 2019, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi de “apenas 5,7%: bem mais baixo que o mesmo período em 2018, quando o crescimento foi de 8%, portanto perdendo sua posição como a economia que mais cresce no mundo”. 

Receber apoio financeiro do exterior tornou-se muito difícil na Índia. Todas as ofertas e apoios precisam ser reportados ao escritório de impostos. O trabalho das ONGs cristãs sofreu com isso. A maioria dos cristãos pertence às camadas sociais mais baixas e pobres. Eles enfrentam os desafios diários de discriminação, pobreza, analfabetismo, cuidados inadequados de saúde pública e desnutrição. Muitas igrejas não têm recursos financeiros para fazer algo sobre isso. Elas precisam de assistência do exterior para executar projetos sociais, mas as restrições governamentais tornam isso praticamente impossível. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

A Índia tem mais de dois mil grupos étnicos e todas as principais religiões são representadas. Somente o continente africano ultrapassa a diversidade linguística, genética e cultural da nação indiana. A maioria dos idiomas usados são: hindi (43,6%); bengali (8%); marathi (6,9%); telugu (6,7%); tamil (5,7%); gujarati (4,6%); urdu (4,2%); e kannada (3,6%). 

A característica social mais destacada da Índia é o sistema de castas — uma estratificação hierárquica da sociedade indiana que remonta a muitos séculos e é de fundo religioso. De acordo com a tradição chamada Varna, existem quatro castas (brahmins, kshatriyas, vaishyas e shudras), além de uma lista de grupos, agora conhecidos como dalits, que foram historicamente excluídos do sistema Varna e ainda são condenados ao ostracismo como “intocáveis”. O sistema de castas é onipresente na Índia, com castas superiores governando o país. 

Pode ser surpreendente que o sistema de castas também permeie a igreja na Índia. A maioria dos cristãos vem das castas inferiores ou mesmo dos dalits. Eles se convertem do hinduísmo querendo escapar da situação de “intocáveis”, mas descobrem que existem as mesmas barreiras dentro da igreja. Muitos ficam desapontados, o que faz parte da explicação de porque a campanha de Ghar Wapsi dos radicais hindus foi efetiva (Ghar Wapsi — “volta para casa”, em tradução livre, um termo que descreve o esforço de reconverter aqueles que abandonaram o hinduísmo). A abolição do sistema de castas dentro da igreja é um grande desafio que terá de ser tratado no futuro. 

Outra grande questão social na Índia é o enorme nível de violência física e a falta de respeito pela vida humana. Homicídios de honra, ataques com ácido, linchamentos por multidões, execuções e muitas outras atrocidades acontecem todos os dias e em todo o país. Os cristãos são muitas vezes vítimas dessas práticas, o que as longas listas de incidentes violentos publicados anualmente testificam. 

Mulheres e meninas na Índia ainda são negligenciadas e percebidas como inferiores. Elas têm taxas mais baixas de alfabetização e educação. A preferência da sociedade por meninos leva ao aborto seletivo de meninas e ao infanticídio feminino. A Índia tem um crescente déficit populacional feminino de 35 milhões de mulheres. A mídia na Índia traz relatos de estupros de mulheres todos os dias. As forças policiais muitas vezes não mostram interesse real em ajudar as vítimas ou fazer justiça sobre os criminosos. Não há diferença na situação de mulheres e meninas se elas são cristãs. 

Os cristãos são o maior grupo desempregado entre todas as minorias da Índia, sem incluir o número da população de novos convertidos, que oficialmente mantêm o status hindu devido a razões socioeconômicas. Se esse número de cristãos não oficiais fosse incluído, o número de cristãos desempregados seria ainda maior. 

De acordo com a tradição mais antiga, o apóstolo Tomé foi à Índia no século 1 e estabeleceu as primeiras igrejas na região — principalmente em Kerala. Pressupõe-se que os primeiros convertidos eram em grande parte prosélitos judeus de Cochin — acredita-se que chegaram à Índia em torno de 562 a.C., após a destruição do Primeiro Templo em Jerusalém. Outra tradição menciona que Bartolomeu visitou a Índia no século 2. 

No século 4, vários cristãos do Oriente Médio foram para a Índia a fim de evangelizar. A colônia dos cristãos sírios estabelecidos em Kodungallur pode ser a primeira comunidade cristã no Sul da Índia sobre a qual há um registro escrito contínuo. O líder mais importante desses cristãos era Tomás de Cana. 

O missionário dominicano Jordanus Catalani foi o primeiro europeu católico a chegar na Índia em 1320 e iniciou um trabalho missionário na cidade de Surat. O século 15 viu o surgimento do colonialismo. Para a Índia, isso significou a chegada dos portugueses em Goa e outras cidades, e com eles missionários das diferentes ordens (franciscanos, dominicanos, jesuítas, agostinianos, etc.) que começaram imediatamente a construir igrejas ao longo dos distritos costeiros, onde o poder português se estabeleceu. 

Os primeiros missionários protestantes a pisar na Índia foram dois luteranos da Alemanha, Bartholomäus Ziegenbalg e Heinrich Plütschau, que começaram a trabalhar em 1705 no assentamento dinamarquês de Tranquebar (agora conhecido como Tharangambadi, em Tâmil Nadu). Em 1793, William Carey, um ministro batista inglês foi para a Índia como missionário. Ele trabalhou em Serampore, Calcutá e outros lugares. Ele traduziu a Bíblia para bengali, sânscrito e inúmeras outras línguas e dialetos. Carey trabalhou na Índia até sua morte em 1834. 

Durante o século 19, vários missionários batistas norte-americanos evangelizaram no Nordeste da Índia. Ainda hoje, as maiores concentrações de cristãos na Índia continuam sendo no Nordeste, entre os grupos de nagas, khasis, kukis e mizos. 

REDE ATUAL DE IGREJAS 

Há vários grupos de estrangeiros ativos na Índia, não apenas de ocidentais que moram no país, que têm as próprias congregações, mas também refugiados. Um exemplo é a comunidade afegã que tem uma congregação em Nova Deli. Na maioria das vezes, essas congregações não atraem a ira dos extremistas hindus na Índia por duas razões: 1) eles têm uma associação étnica muito distinta; 2) não são ativos na evangelização dos cidadãos indianos. 

As comunidades cristãs históricas estão na Índia há muitos séculos, como a Igreja Ortodoxa Kerala Mar Thoma, que data do século 3 d.C. Essas igrejas não crescem muito porque não são ativas na evangelização. Mesmo assim, até mesmo esse grupo é atacado por extremistas hindus que vandalizam igrejas e objetos religiosos. 

As comunidades de convertidos para o cristianismo são o primeiro alvo de extremistas hindus. Os convertidos do hinduísmo carregam o peso da perseguição na Índia e enfrentam assédio diariamente e são constantemente pressionados para voltar ao hinduísmo. Os convertidos são agredidos fisicamente, hospitalizados e, algumas vezes, mortos. Eles vivem majoritariamente no interior, onde enfrentam pressão social não apenas da família, amigos, comunidade e sacerdotes hindus locais, mas também de radicais hindus. 

Quanto às comunidades cristãs não tradicionais, depois dos cristãos convertidos de outras religiões, os evangélicos são considerados o segundo principal alvo dos radicais hindus. Isso por causa do envolvimento com atividades evangelísticas e conversões — por isso enfrentam ataques regularmente. 

Uma grande questão social na Índia é o enorme nível de violência física e a falta de respeito pela vida humana

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