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Índia

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Índia
  • Tipo de Perseguição: Nacionalismo religioso, paranoia ditatorial, opressão do clã, hostilidade etno-religiosa
  • Capital: Nova Deli
  • Região: Sul da Ásia
  • Líder: Narendra Modi
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Hinduísmo, islamismo, cristianismo e religiões étnicas
  • Idioma: Hindi, inglês e mais de 20 outras línguas oficiais
  • Pontuação: 82


POPULAÇÃO
1,4 BILHÃO


POPULAÇÃO CRISTÃ
68,9 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos na Índia? 

A perseguição aos cristãos na Índia se intensifica, visto que extremistas hindus visam limpar o país da presença e influência deles. A força motora por trás disso é a hindutva, uma ideologia que não considera os cristãos indianos e outras religiões minoritárias como verdadeiros indianos. Como os cristãos geralmente têm alianças fora da Índia, a hindutva alega que o país deve ser purificado da presença deles. 

Isso tem levado cristãos e outras minorias religiosas a serem alvo sistêmico, muitas vezes de forma violenta e cuidadosamente orquestrada, incluindo o uso de mídias sociais para disseminar notícias falsas e espalhar ódio. 

A pandemia da COVID-19 ofereceu uma nova arma aos perseguidores. Em algumas áreas, cristãos têm sido deliberadamente negligenciados nos locais de distribuição de ajuda do governo e são acusados de espalhar o vírus. 

Se preciso, eu morrerei por Jesus, mas nunca o deixarei.    

Sumi (pseudônimo), cristã perseguida na Índia cujo marido foi assassinado por causa da fé 

O que mudou este ano? 

Embora tenha havido uma pequena redução nos níveis de violência contra os cristãos na Índia, no geral, a violência permanece em um nível extremo, e os níveis de pressão em todas as esferas permanecem muito altos ou extremos. 

Um fator-chave nisso é o uso da mídia social. Quando um grupo de extremistas hindus ataca cristãos, uma das primeiras coisas que ele faz é pegar os celulares das vítimas para interrompê-las de gravar o incidente. Entretanto, o grupo filmará a violência e colocará na mídia social para promover sua agenda extremista.  

Quem persegue os cristãos na Índia 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Índia são: nacionalismo religioso, paranoia ditatorial, opressão do clã, hostilidade etno-religiosa.

Já afontes de perseguição são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na Índia são: líderes religiosos não cristãos, grupos religiosos violentos, partidos políticos, oficiais do governo, líderes de grupos étnicos, cidadãos e quadrilhas, parentes.

Quem é mais vulnerável à perseguição na Índia? 

As regiões onde há mais perseguição são os estados onde o Partido do Povo Indiano (BJP, da sigla em inglês), um partido nacionalista hindu, é o principal fator no governo estadual — mas isso pode mudar a cada cinco anos por causa das eleições. 

Como as mulheres são perseguidas na Índia? 

A perseguição de meninas e mulheres cristãs muitas vezes toma forma de assédio ou violência sexual e, em alguns casos relatados, tráfico. As filhas, irmãs e esposas de pastores são particularmente vulneráveis. Convertidas ao cristianismo correm risco de prisão domiciliar, casamento ou divórcio forçado e expulsão de casa. 

Muitas mulheres da casta dalit (a mais baixa), assim como de comunidades tribais, têm se tornado cristãs, o que as torna um alvo duplo. Um especialista da Portas Abertas observa: “A sociedade patriarcal da Índia é possivelmente o pior inimigo de uma mulher, mais até do que a intolerância religiosa. Juntos, os dois fatores podem ser uma mistura fatal”. 

Como os homens são perseguidos na Índia? 

A maioria dos líderes das igrejas são homens, e ser pastor é uma das vocações mais arriscadas da Índia. Extremistas hindus têm como alvo líderes e suas famílias para incutir medo entre a comunidade cristã local. 

Enquanto isso, nos últimos cinco anos, vimos homens cristãos sofrer cada vez mais no local de trabalho. Ao descobrirem sua fé, eles podem perder o emprego, ser transferidos para lugares distantes, ter aumento das cargas de trabalho, enfrentar boicote de clientes e ser impulsionados a participar de práticas de adoração hindu. 

Homens cristãos também encontram hostilidade de suas próprias famílias e comunidades, incluindo assédio verbal e perda de herança. 

Outra tendência comum são acusações falsas contra homens cristãos, principalmente pastores e pregadores. Isso inclui acusações de conversão forçada, assédio sexual e blasfêmia contra deuses e deusas hindus.  

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Índia? 

A Portas Abertas trabalha por meio de parceiros locais para fortalecer a igreja na Índia provendo Bíblias, ajuda emergencial, treinamento bíblico e discipulado, treinamento de subsistência e projetos de geração de renda. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos na Índia? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de maneira prática, doando para projetos que apoiam cristãos perseguidos. Ao fazer uma doação para esta campanha, você possibilita que pastores e líderes participem de seminários de preparação para perseguição. 


Pedidos de oração da Índia 

  • Louve a Deus porque muitos estão conhecendo Jesus após serem curados de doenças; ore para que isso continue.
  • Clame para que as empresas das mídias sociais façam mais para combater a disseminação de notícias falsas e ódio em suas plataformas.  
  • Ore por contínua proteção, fortalecimento e encorajamento de parceiros da Portas Abertas enquanto servem a igreja na Índia.  

Um clamor pela Índia 

Senhor Jesus, ajude nossos irmãos e irmãs perseguidos na Índia a permanecerem fortes na fé e brilharem como estrelas (Filipenses 2.15) em suas comunidades locais. Continue manifestando seu amor e poder por meio de curas e milagres. Guarde seus filhos do mal e os prepare para os desafios enfrentados. Leve as empresas de mídias sociais a fazerem mais para combater o uso de suas plataformas para espalhar notícias falsas e ódio. Suavize os corações de oficiais e líderes locais influentes em favor dos cristãos, para que uma melhor proteção seja dada a eles. Amém

A partir de 1920, o líder nacionalista, Mahatma Gandhi, liderou protestos não violentos contra o governo colonial britânico, o que acabou levando a Índia à independência, em 1947. Nessa ocasião, a maioria muçulmana que vivia no Norte do país se separou, fundando o Paquistão como uma nação muçulmana. Em 1971, a guerra contra o Paquistão Oriental originou outro país, Bangladesh. 

Desde a década de 1990, a Índia também assumiu um papel muito mais assertivo na política mundial e tentou se tornar uma das novas superpotências. A Índia é membro de um grupo de países chamado BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que busca se tornar uma alternativa à política e à economia global dominadas pelo Ocidente. A Índia possui tecnologia nuclear. Inclusive lançou a própria sonda Mars. 

Outra característica que mudou na Índia nas últimas décadas é a notável diminuição no nível de tolerância religiosa. Tradicionalmente, o hinduísmo e o budismo, ambos originários na Índia, costumavam ser considerados pacíficos. Mas, desde a década de 1990, o hinduísmo assumiu um caráter muito mais violento. Diminuiu a tolerância para a dissidência e as minorias e o respeito pela diversidade religiosa e cultural. Uma parte substancial da população simpatiza com a liderança autoritária. Essa liderança não hesita em impor sua vontade aos opositores por meios violentos. 

Desde maio de 2014, a Índia é governada pelo Partido do Povo Indiano (BJP), de linha-dura, sob a liderança do primeiro-ministro Narendra Modi. Modi, aliás, tem má reputação por ter ignorado atrocidades cometidas por extremistas hindus quando era ministro-chefe do Estado de Gujarat em 2002, onde centenas, senão milhares, de muçulmanos morreram em um ataque marcado pela violência. Desde maio de 2014, o nível de intolerância na Índia aumentou e centenas de incidentes violentos são registrados a cada ano. 

Nas eleições de maio de 2019, o BJP ganhou de forma ainda mais ampla a maioria no parlamento. Isso significa que o governo de Modi permanece no poder e que incidentes violentos contra cristãos continuam inalterados. 

Em maio de 2021, centenas de corpos, muitos suspeitos de serem vítimas da COVID-19, foram encontrados deixados ao longo da margem de rios no Norte da Índia. Moradores apontaram que o medo da doença e a falta de fundos para cremação foram provavelmente a razão para as famílias deixarem seus mortos. Os corpos abandonados descobertos perto do Ganges, nos estados de Uttar Pradesh e Bihar, levantaram sérias questões sobre a precisão das estatísticas oficiais da COVID-19. Também são uma indicação clara da disseminação da pandemia em áreas rurais, onde a infraestrutura de saúde é extremamente fraca, e os esforços para contenção são prejudicados pela capacidade limitada de testagem, estigma e baixos índices de vacinação. De acordo com o que a plataforma de notícias Matters India relatou em 2 de junho de 2021, estima-se que 1,21 milhão de indianos tenham morrido de causas relacionadas à COVID-19.

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

A Índia é o sétimo maior país no mundo e o segundo mais populoso. Ela fica no Sudeste Asiático. Oficialmente conhecida como República da Índia, é uma entidade política complexa. É uma federação com um governo central em Nova Deli que tem poderes relativos a assuntos estrangeiros, exército e economia. O país é composto por 28 estados e nove territórios sindicais (áreas administradas pelo governo central com efeito a partir de 31 de outubro de 2019). 

A atmosfera política da Índia é multifacetada, bem como sua atmosfera religiosa. O quadro político da Índia tem muitas cadeiras ao seu redor, onde políticos comunistas, socialistas, hindus nacionalistas e seculares se sentam juntos. Em várias ocasiões, diversos adversários políticos se uniram para formar uma coalizão de governo a nível central ou estatal. Atualmente, os nacionalistas hindus são muito poderosos. 

A Constituição garante liberdade de consciência e o direito de todos os indivíduos professarem, praticarem e propagarem religião livremente; determina um estado secular; exige que o Estado trate todas as religiões imparcialmente; e proíbe discriminação baseada em religião. Ela também declara que cidadãos devem praticar a fé de uma forma que não afete negativamente a ordem pública, a moralidade ou a saúde. 

A Constituição da Índia declara que o país é um Estado secular. Os radicais hindus se mobilizam com muita força para mudar isso, declarando o hinduísmo como a religião nacional. Eles também querem impor uma legislação anticonversão a nível nacional, mas para isso é necessário uma maioria de dois terços no parlamento.  

Os Atos de Liberdade Religiosa da Índia ou as leis “contra conversões forçadas” são normas a nível estadual que foram aprovadas para regulamentar conversões religiosas. As leis anticonversão existem em nove estados: Orissa (1967), Madhya Pradesh (1968), Arunachal Pradesh (1978), Chhattisgarh (2000), Gujarat (2003) Himachal Pradesh (2006/2019), Jharkhand (2017), Uttarakhand (2018) e Uttar Pradesh (2020). A lei anticonversão em Arunachal Pradesh não foi completamente implementada devido à falta de regras subsidiárias; e o estado de Rajasthan aprovou um decreto anticonversão, mas ainda não foi assinado pelo presidente da Índia para torná-lo lei. Há também a seção 295-A do Código Penal Indiano, uma lei usada indevidamente contra cristãos. Enquanto há algumas variações entre as leis estaduais, há muitas semelhanças no conteúdo e na estrutura. Todas as leis buscam evitar que qualquer um tente ou faça outra pessoa mudar de religião por meio de formas “forçadas” ou “fraudulentas”, ou por “sedução” ou “indução”. No entanto, mesmo nos estados em que a lei não foi implementada, a polícia prendeu cristãos por atividades evangelísticas. 

Em maio de 2019, a Índia realizou eleições parlamentares e o apoio a Modi cresceu ainda mais com o BJP ganhando com maioria absoluta. Isso significa que não será mais necessário para o partido fazer coalizões com outros partidos (e assim ceder às exigências). Portanto, é esperado que cristãos e muçulmanos não vejam melhorias em sua situação; é mais provável que as coisas piorem para eles.  

Em agosto de 2019, o governo de Modi decidiu retirar o artigo 370 do estado de Jammu e Caxemira — esse artigo prevê uma isenção do estado da Constituição indiana. O governo decidiu fazer isso para pôr fim a uma rebelião muçulmana que está acontecendo em Jammu e Caxemira há décadas. A decisão de colocar um fim à posição especial foi um evento importante na história da Índia. O artigo 35-A foi removido também, o que permitiu ao estado ter prerrogativa sobre a cidadania. O processo foi conduzido com pesada força militar no estado. Depois que a lei foi aprovada no parlamento, Jammu e Caxemira foram rearranjados: perderam a condição de estado e foram separados em dois “territórios da União” denominados Jammu & Caxemira e Leh & Ladakh. O governo central em Nova Deli tem muito mais poder em territórios da união do que em estados. Como resultado, a Índia agora tem 28 estados. 

Em setembro de 2020, a Rajya Sabha, a câmara alta do parlamento, aprovou duas leis agrícolas entre protestos de membros da oposição e agricultores. A aprovação da nova lei agrícola significa um grande golpe aos princípios da estrutura federal da Constituição. Os estados não foram consultados e suas preocupações foram ignoradas.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

O hinduísmo domina a Índia há séculos (começou a se desenvolver entre 500 e 300 a.C.). A segunda maior religião na Índia é o islamismo, com 14,6% da população. Isso pode parecer uma minoria sem importância até se perceber que a Índia é o país com a terceira maior população muçulmana na Terra — apenas a Indonésia e o Paquistão têm mais cidadãos muçulmanos.  

O cristianismo é a terceira maior religião na Índia. O grupo cristão que mais cresce na Índia é o de comunidades cristãs não tradicionais, o que inclui convertidos de outras religiões ao cristianismo, ou seja, que não são descendentes de cristãos.  

Radicais hindus consideram tanto o islamismo quanto o cristianismo religiões estrangeiras que devem ser removidas do país. Portanto, muçulmanos experimentam um tratamento parecido nas mãos dos militantes hindus. Budistas e siques são muito mais aceitos pelos radicais hindus, pois essas religiões se originaram em território indiano. 

Os direitos de todas as categorias de comunidades cristãs são violados na Índia já que radicais hindus os veem como alienados à nação. Eles querem limpar o país do islamismo e do cristianismo e não se esquivam de usar a violência para isso. Converter-se ao cristianismo — quando se vem de uma família hinduísta — é suportar o peso da perseguição na Índia e estar constantemente sob pressão para retornar ao hinduísmo. Muitas vezes, os cristãos ex-hindus são agredidos fisicamente e até mortos. 

A burocracia e a corrupção são fatores bastante conhecidos em toda a Índia. Por um lado, se os cristãos tentam construir uma nova igreja, ou renovar uma existente, encontrarão muita burocracia e oposição. A única maneira de ignorar o obstáculo da burocracia é o pagamento de subornos. Muitos dos funcionários de baixos níveis da administração pública, cuja renda é baixa, alegam precisar desse dinheiro extra da corrupção para sobreviver. Os cristãos na Índia constantemente enfrentam esses obstáculos, em quase todos os aspectos da vida. 

Depois do cristianismo, estão as chamadas religiões étnicas. Elas são religiões tribais tradicionais anteriores à chegada do hinduísmo e do budismo no país. Os siques (que vivem principalmente no estado de Punjab no Nordeste da Índia) são o próximo maior grupo. O budismo compõe 0,8% da população do país. O budismo se originou na Índia Antiga em algum momento entre os séculos 4 e 6 a.C., de onde se espalhou por grande parte da Ásia. 

Cada vez mais, os convertidos tribais estão sendo ameaçados, boicotados socialmente, expulsos, negados a beber água, violentados sexualmente e até assassinados. Em vários casos, as construções de igrejas foram interrompidas à força pelos moradores. A hostilidade etno-religiosa está rapidamente se tornando uma séria ameaça para a igreja na Índia. 

De acordo com o World Christian Database (WCD), 1,01 bilhão dos cidadãos são hindus (72,3% da população), 204 milhões são muçulmanos (14,6% da população), 68,9 milhões são cristãos (4,9% da população), 50 milhões são seguidores religiões étnicas (3,6% da população), 25,8 milhões são siques (1,8% da população) e 10,7 milhões são budistas (0,8% da população).   

CENÁRIO ECONÔMICO 

A Índia é a 7ª maior economia do mundo por taxa de câmbio do mercado. Mas a nova riqueza não é distribuída igualmente e a distância entre os muito ricos e os muito pobres aumenta rapidamente. Apesar do crescimento econômico, a pobreza ainda é muito alta.  

A economia se baseia em quatro pilares: agricultura, setor informal, setor formal e micro, pequenas e médias empresas. Juntos, os quatro setores contribuem com mais de 90% para o PIB da Índia.  

Em 8 de novembro de 2016, o governo da Índia anunciou a desmonetização de todas as notas de 500 e 1.000 rúpias da série de Mahatma Gandhi. Também anunciou o lançamento de novas notas de 500 e 2.000 rúpias em troca pelas notas desmonetizadas. A decisão foi promulgada por decisão unilateral do primeiro-ministro Modi. Isso resultou em um forte declínio em todos os setores da economia indiana; entretanto, o setor informal (que compõe 42% do PIB) sofreu mais. Milhões de empregos foram perdidos e a recessão atingiu a nação. Isso deixou 520 milhões de pessoas “abaixo da linha da pobreza”. A maioria dos cristãos rurais já está abaixo da linha da pobreza. No final de agosto de 2019, a mídia publicou relatórios baseados em um estudo da agência de notícias Reuters, mostrando que a economia indiana continua a se retrair e atingiu o nível mais baixo registrado nos últimos cinco anos. De acordo com especialistas, entre abril e junho de 2019, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi de “apenas 5,7%: bem mais baixo que o mesmo período em 2018, quando o crescimento foi de 8%, portanto perdendo sua posição como a economia que mais cresce no mundo”. 

A crise em torno da pandemia da COVID-19 também teve um grande impacto na economia indiana em 2020. Com a sociedade ficando em lockdown, muitos empresários tiveram que parar seu trabalho, causando a perda de emprego e renda de muita gente. A economia indiana encolheu 23,9% em relação ao ano anterior no segundo quadrimestre de 2020, muito pior do que as previsões de mercado de uma queda de 18,3%. É a maior redução registrada. Como a Índia impôs o lockdown no final de março de 2020 e o estendeu diversas vezes, impediu a maioria das atividades econômicas. O PIB da Índia contrairá cerca de 10,3% neste ano fiscal, de acordo com projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI). 

A comunidade cristã na Índia é a segunda mais alfabetizada, mas, ao mesmo tempo, é o maior grupo de desempregados entre todas as minorias no país. Os cristãos enfrentam os desafios diários de discriminação, pobreza, analfabetismo, cuidados inadequados de saúde pública e desnutrição. Muitas igrejas não têm recursos financeiros para fazer algo sobre isso. Elas precisam de assistência do exterior para realizar projetos sociais, mas as restrições governamentais tornam isso praticamente impossível. O trabalho das ONGs cristãs sofreu com isso.  

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

A característica social mais destacada da Índia é o sistema de castas — uma estratificação hierárquica da sociedade indiana que remonta a muitos séculos. De acordo com a tradição chamada Varna, existem quatro castas (brahmins, kshatriyas, vaishyas e shudras), além de uma lista de grupos, agora conhecidos como dalits, que foram historicamente excluídos do sistema Varna e ainda são condenados ao ostracismo como “intocáveis”. O sistema de castas é onipresente na Índia, com castas superiores governando o país. 

Pode ser surpreendente que o sistema de castas também permeie a igreja na Índia. A maioria dos cristãos vem das castas inferiores ou mesmo dos dalits. Eles se convertem do hinduísmo querendo escapar da situação de “intocáveis”, mas descobrem que existem as mesmas barreiras dentro da igreja. Muitos ficam desapontados, o que faz parte da explicação de por que a campanha Ghar Wapsi dos radicais hindus foi efetiva (Ghar Wapsi — “volta para casa”, em tradução livre, um termo que descreve o esforço de reconverter aqueles que abandonaram o hinduísmo). A abolição do sistema de castas dentro da igreja é um grande desafio que terá de ser tratado no futuro. 

Outra grande questão social na Índia é o enorme nível de violência física e a falta de respeito pela vida humana. Homicídios de honra, ataques com ácido, linchamentos por multidões, execuções e muitas outras atrocidades acontecem todos os dias e em todo o país. Os cristãos são muitas vezes vítimas dessas práticas, o que as longas listas de incidentes violentos publicados anualmente testificam. 

Mulheres e meninas na Índia ainda são negligenciadas e percebidas como inferiores. Elas têm taxas mais baixas de alfabetização e educação. A preferência da sociedade por meninos leva ao aborto seletivo de meninas e ao infanticídio feminino. A Índia tem um crescente déficit populacional feminino de 35 milhões de mulheres. A mídia na Índia traz relatos de estupros de mulheres todos os dias. As forças policiais muitas vezes não mostram interesse real em ajudar as vítimas ou levar justiça sobre os criminosos. Não há diferença na situação de mulheres e meninas se elas são cristãs. 

Em 2020, a pandemia da COVID-19 teve um grande impacto na sociedade, com muitos comerciantes sendo forçados a parar de trabalhar, o que causou a perda de emprego e renda de um grande número de funcionários. Cerca de 21 milhões de empregos assalariados foram perdidos entre abril e agosto de 2020, enquanto a taxa de desemprego na Índia subiu para 8,4% em agosto de 2020. Como confirmado por uma pesquisa conduzida pela organização não governamental Caritas Índia nos 18 estados mais afetados pela pandemia, 95,2% dos migrantes perderam o emprego e a renda. Milhões de pessoas foram levadas a extrema pobreza e fome, não por causa da doença, mas por causa do impacto econômico do lockdown. 

Os cristãos são o maior grupo desempregado entre todas as minorias da Índia, sem incluir o número da população de novos convertidos, que oficialmente mantêm o status hindu devido a razões socioeconômicas. Se esse número de cristãos não oficiais fosse incluído, o número de cristãos desempregados seria ainda maior. Muitos cristãos vivem em periferias onde muitas pessoas se tornam totalmente dependentes de programas de distribuição de alimentos conduzidos pelo governo e organizações humanitárias. Os cristãos muitas vezes são ignorados propositalmente quando a ajuda é distribuída.

De acordo com a tradição mais antiga, o apóstolo Tomé foi à Índia no século 1 e estabeleceu as primeiras igrejas na região — principalmente em Kerala. Assume-se que os primeiros convertidos eram em grande parte prosélitos judeus de Cochin — acredita-se que chegaram à Índia em torno de 562 a.C., após a destruição do Primeiro Templo em Jerusalém. Outra tradição menciona que Bartolomeu visitou a Índia no século 2. 

No século 4, vários cristãos do Oriente Médio foram para a Índia a fim de evangelizar. A colônia dos cristãos sírios estabelecidos em Kodungallur pode ser a primeira comunidade cristã no Sul da Índia sobre a qual há um registro escrito contínuo. O líder mais importante desses cristãos era Tomás de Cana. 

O missionário dominicano Jordanus Catalani foi o primeiro europeu católico a chegar na Índia em 1320 e iniciou um trabalho missionário na cidade de Surat. O século 15 viu o surgimento do colonialismo. Para a Índia, isso significou a chegada dos portugueses em Goa e outras cidades, e com eles missionários das diferentes ordens (franciscanos, dominicanos, jesuítas, agostinianos etc.) que começaram imediatamente a construir igrejas ao longo dos distritos costeiros, onde o poder português se estabeleceu. 

Os primeiros missionários protestantes a pisar na Índia foram dois luteranos da Alemanha, Bartholomäus Ziegenbalg e Heinrich Plütschau, que começaram a trabalhar em 1705 no assentamento dinamarquês de Tranquebar (agora conhecido como Tharangambadi em Tâmil Nadu). Em 1793, William Carey, um ministro batista inglês foi para a Índia como missionário. Ele trabalhou em Serampore, Calcutá e outros lugares. Ele traduziu a Bíblia para bengali, sânscrito e inúmeras outras línguas e dialetos. Carey trabalhou na Índia até sua morte em 1834. 

Durante o século 19, vários missionários batistas norte-americanos evangelizaram no Nordeste da Índia. Ainda hoje, as maiores concentrações de cristãos na Índia continuam sendo no Nordeste, entre os grupos de nagas, khasis, kukis e mizos.

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