As marcas da prisão na Eritreia

Conheça a história de um cristão que até hoje lida com traumas após a prisão

| 29/06/2021 - 16:30

Shiden passou mais de dez anos em prisões na Eritreia por não abrir mão do evangelho (foto representativa)

Shiden passou mais de dez anos em prisões na Eritreia por não abrir mão do evangelho (foto representativa)


Shiden*, um cristão eritreu de 30 anos, se converteu no final da adolescência e sabia os riscos de seguir a Cristo na Eritreia. Quando ele tinha 20 anos, foi pego em culto secreto e preso com cerca de 40 outros cristãos. Ele passou mais de dez anos em cerca de três prisões diferentes. Desde 2002, quando o governo proibiu a adoração fora do islã sunita e das igrejas ortodoxa, católica e luterana, milhares de cristãos foram presos por desafiar essa lei.

Durante esse tempo, Shiden enfrentou exposição a temperaturas severas, viveu em situações precárias e com falta de saneamento, e provocações para renunciar à fé. Ele se recusou a ceder , por isso, suportou um confinamento solitário regular e prolongado em um espaço que se assemelhava a um caixão, por ser tão pequeno.

Uma vez que ele foi brevemente “libertado” para o serviço nacional, mas quando espiões encontraram algumas passagens da Bíblia com ele, foi colocado de volta na solitária por mais três meses. Ele não viu ninguém. Uma vez por dia, uma xícara de chá e uma fatia de pão apareciam através de uma brecha na porta. Ele se perguntava se alguém sabia se ele estava vivo e se sentia ridicularizado pelo conhecimento de que alguns dos amigos tinham conseguido escapar e fugir através da fronteira. 

Marcas da prisão

Shiden acabou sendo enviado para casa inesperadamente e sem qualquer explicação. A família ficou encantada por tê-lo de volta, mas logo percebeu que tinha algo de errado com o cristão. “Quando ele foi solto, ele estava muito magro. Ele gaguejava muito ao falar”, contou a mãe idosa do eritreu.

Shiden lutou para lidar com o fato de que ele tinha perdido muitas coisas em seu período de cárcere: educação, carreira, casamento, paternidade. “Desde sua libertação vimos Shiden mudar diante de nossos olhos dia após dia. Ele caiu em profunda depressão, e há momentos em que ele é completamente irracional. Temos que observá-lo o tempo todo, mesmo à noite, para garantir que ele não se machuque”, compartilha John*, irmão do cristão.

Recentemente, os parceiros da Portas Abertas na Eritreia estiveram com a mãe de Shiden e ela compartilhou sobre o filho: “Glória a Deus. Meu filho está muito melhor. Agora, quando eu dou comida para ele comer, ele come”. Mesmo com a melhora de Shiden, John continua encorajando o irmão a não desistir. “Ele se sente muito solitário. Tento encorajá-lo dizendo a ele: ‘Deus vai fortalecê-lo. Deus está aqui; não desista. Você é um herói da fé. Ele recompensará o seu amor’”, conta.

*Nome alterado por segurança.

Ajude cristãos a crescer na fé

Assim como Shiden, muitos cristãos lidam com traumas causados pelo período em que ficaram presos. Ao assinar a Revista Portas Abertas, você pode fazer parte do que Deus está fazendo na igreja global e ser um com a parte do corpo que enfrenta perseguição por amor a ele. Na campanha deste mês, você leva apoio aos cristãos eritreus para que sobrevivam e cresçam na fé.


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