China proíbe conteúdo religioso na internet

As publicações com informações religiosas precisarão de autorização

| 06/02/2022 - 08:00

Os cristãos confiam na internet como fonte de informação na China (foto: Johnny Li)

Os cristãos confiam na internet como fonte de informação na China (foto: Johnny Li)


A partir de primeiro de março, novas medidas para serviços de informação religiosa na internet entrarão em vigor na China. As regras administrativas exigem que qualquer pessoa que deseja publicar conteúdo religioso na internet tenha uma permissão do Estado.  

A licença está disponível apenas para as cinco instituições religiosas aprovadas pelo Estado. O objetivo é limitar ainda mais o compartilhamento público de fé e forçar todas as religiões a se alinharem ao socialismo chinês. Em dezembro, o presidente Xi Jinping instituiu a proibição do uso da internet e redes sociais como ferramentas de propaganda religiosa.  

Para os cristãos chineses, a medida significa que serviços online de sermões, estudos bíblicos ou qualquer outra mensagem religiosa na forma de textos, fotos, áudios e vídeos só poderão ser acessados por meio de canais aprovados pelo Estado. Todo conteúdo será primeiramente verificado pelas autoridades para certificar de que esteja em concordância com os valores socialistas e em apoio ao Partido Comunista da China. 

Instituições religiosas, como seminários, poderão treinar os alunos usando apenas plataformas e aplicativos aprovados. O contato com o mundo exterior só pode ser feito através de redes especializadas, em que a identidade dos participantes é verificada.  

Devido à pandemia da COVID-19, os cristãos na China confiam na internet como fonte de informação, conexão e encorajamento mais do que nunca. “As reuniões de igrejas online tornaram-se o novo normal. Essa nova lei faz com que o uso extensivo da internet pela igreja para o evangelismo e a nutrição espiritual parem. Como resultado, os cristãos serão cortados do acesso a recursos espirituais online”, contou um cristão local a um parceiro da Portas Abertas.  

“Com a pressão aumentando e sem saber como os regulamentos serão implementados, alguns membros das igrejas subterrâneas da China começaram a deixar grupos de bate-papo”, disse a fonte local. A aplicação da lei em toda a China é variável, influenciada pelas condições locais. 

Os líderes da igreja que estão sob suspeita podem ser convidados para “tomar chá” com as autoridades locais, o que tende a um nível moderado de interrogatório. Eles também podem receber advertências, além de enfrentar detenção administrativa e outras formas de pressão.  

Assim que as novas regulamentações foram anunciadas e mesmo antes de serem implementadas, alguns parceiros locais da Portas Abertas foram contatados pelas autoridades para remover conteúdo religioso que haviam postado anteriormente e interromper as atividades religiosas online.  

A vigilância na China está entre as mais opressivas e sofisticadas do mundo. A participação nas igrejas é rigorosamente monitorada e muitas igrejas estão sendo fechadas. 


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