Cristão absolvido conta como foram os anos na cadeia

| 29/12/2010 - 00:00


A Missão Portas Abertas está em férias coletivas entre os dias 22 de dezembro e 2 de janeiro.

Nesse período, o site terá um conteúdo especial, com testemunhos que podem ser usados nas igrejas, em pequenos grupos ou em qualquer situação, para a edificação do Corpo de Cristo.

O cristão paquistanês Ranjha Masih, que foi absolvido pela Suprema Corte das acusações de blasfêmia, no dia 10 de novembro, revelou, após sua soltura, ao Centro para Ajuda Legal e Assentamento (CLAAS, sigla em inglês), que algumas autoridades da prisão e muitos muçulmanos de várias partes do país tentaram convertê-lo ao islamismo. (Leia sobre a absolvição de Ranjha Masih)

 "A administração da cadeia, a polícia e outros prisioneiros constantemente me pressionavam para eu me converter ao islamismo. Eles me disseram que eu poderia sair da prisão se recitasse a shahadat (principal declaração de fé no islamismo)", afirmou Ranjha Masih em seu testemunho.

Ranjha, que alega ter permanecido leal à fé cristã, contou: "Um dia, um oficial trouxe o Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos, e disse para eu pegar e recitar a shahadat."

A autoridade disse a Ranjha que ele poderia evitar futuras detenções se convertendo ao islamismo, afirmou o cristão. "Eu disse a ele que, se para ser solto da prisão eu teria que negar Jesus Cristo, então eu não queria ser solto", acrescentou.

"Muitas pessoas de diferentes regiões do país entraram em contato comigo e me convidaram para me converter ao islamismo, prometendo que me tirariam da prisão, mas eu, fielmente, recusei a todos os convites", afirmou Ranjha.

"Durante esse tempo de tentativas, apareceram centenas de cartas e cartões de todas as partes do mundo fortalecendo a minha fé e me encorajando a lutar e a resistir ao mal. Sou grato a Jesus por todo fortalecimento e amor", disse ele.

Graça para permanecer fiel

Descrevendo a perseguição que sofreu durante os oito anos e sete meses em que esteve preso, ele disse em seu testemunho: "Durante a minha detenção, eu apanhava todos os dias. Eles me vendavam, amarravam as minhas mãos nas minhas costas, amarravam meus pés e depois me batiam com tacos, bastões, me chutando e me esbofeteando. Eles me tratavam pior do que um animal".

"Quando fui levado à prisão, o diretor de lá avisou que ninguém tinha permissão para falar comigo. Várias vezes, eles me trancaram em uma cela o dia todo", informou. "Eu tinha que subornar os guardas para que me deixassem sair da minha cela por uma ou duas horas. Eles, frequentemente, me davam trabalho pesado para fazer. O amor e a graça de Deus me ajudaram a permanecer fiel durante essa experiência", acrescentou em seu testemunho.
 
"Os guardas me pediram nomes de outros cristãos para que pudessem prendê-los e importuná-los. Em uma ocasião, eles me levaram para uma área afastada e me mandaram fugir. Eu me recusei e disse que eles teriam de me matar e dizer ao mundo que eu tinha sido morto pela polícia."
 
"Numa outra vez, eles me bateram, até eu quase perder os sentidos, tentando arrancar de mim o nome de outro amigo cristão. Eles insistiam para que eu dissesse, mas permaneci em silêncio. Enquanto eles estavam me espancando, eu comecei a cantar um hino cristão. Quando eles me ordenaram que eu explicasse o que eu estava falando, eu respondi: "Vocês estão me espancando para me fazer falar. Agora que eu estou falando, vocês reclamam."

Ranjha, que chamou sua absolvição de "um grande milagre", acrescentou: "Durante os últimos oito anos, minha esposa e filhos sofreram muito, mas eles demonstraram uma imensa coragem, paciência e perseverança. Sou grato a Jesus pela minha família maravilhosa".
 
"Um dia minha neta foi me visitar na prisão. Ela me consolou com as ternas palavras de que Jesus iria me tirar de lá no momento certo."

Saúde abalada

Ranjha também agradeceu ao CLAAS e a Wasim Muntizar, que o ajudaram durante a sua prisão.

"Eles trabalharam incansavelmente para me tirar da prisão. Quando fui preso, minha esposa pediu ajuda a todos que conhecíamos para ajudarem em meu caso, incluindo alguns cristãos influentes. O CLAAS se dispôs a assumir meu caso e, por essa razão, sou muito grato a Deus por eles", afirmou Ranjha Masih .

Um informativo do CLAAS divulgou que Ranjha está com a saúde muito comprometida devido "às condições atrozes da prisão e dos repetidos espancamentos que Ranjha sofreu." O boletim também também afirma: "Ele sofre de hemorróidas, dores severas nas juntas do joelho por causa da artrite reumática, insônia e diabetes. Na cadeia lhe foi negada a atenção médica devida. Como resultado disso, muitas de suas dores pioraram progressivamente. No dia 23 de novembro ele deu entrada em um hospital particular para fazer tratamento. Sua esposa está com ele, assim como um membro da CLAAS."

O boletim também pede aos cristãos que orem pela saúde de Ranjha, para que ele se recupere rapidamente. O informativo descreve a situação na cidade paquistanesa de Faisalabad como tensa, alegando que muçulmanos se enfureceram com a absolvição de Ranjha e ameaçaram fazer protestos.
 
O jornal "Daily Khabrain" publicou um artigo dizendo que Ranjha foi solto sob ordens especiais do Inspetor Geral de Prisões, como um gesto de boa vontade por ocasião da chegada de Tony Blair, o primeiro-ministro britânico.

*Texto publicado em 07/12/2006


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