Batizar ex-muçulmano não foi ato hostil do papa, alega Vaticano

| 26/03/2008 - 00:00


O papa Bento 16 não cometeu um ato hostil ao batizar um ex-muçulmano italiano no sábado de Aleluia, escreveu o jornal do Vaticano ontem, reagindo às críticas do mundo islâmico que interpretaram o gesto como um ato de provocação.

Para surpresa geral, o papa batizou o conhecido jornalista de origem egípcia Magdi Allam, crítico contumaz do radicalismo islâmico, durante a vigília da Páscoa na basílica de São Pedro, uma cerimônia transmitida para o mundo todo na noite de sábado.

Analistas islâmicos disseram que os escritos hostis de Allam e sua midiática conversão estremeceram as relações entre os muçulmanos e a Igreja Católica, a despeito do recém-anunciado diálogo entre as duas religiões ( leia sobre a ameaça que isso representa aos cristãos em geral, incluindo os protestantes).

O "L"Osservatore Romano", jornal do Vaticano, escreveu editorial de capa argumentando que o batismo foi um gesto de liberdade religiosa, e certamente não foi voltado contra o islã.

"Não há intenção hostil frente a uma religião tão importante quanto o islã", escreveu o editor-chefe Gian Maria Vian na terça-feira. "Há décadas a Igreja Católica mostra sua disposição em dialogar com o mundo islâmico, apesar de milhares de dificuldades e obstáculo."
Mas críticos questionam o destaque dado pelo papa à conversão de um jornalista conhecido por seus ataques ao islã. Reservadamente, especialistas cristãos manifestam temor de um novo abalo nas relações entre as duas religiões.

Polêmica

Em artigo na edição de domingo do "Corriere della Sera", do qual é vice-diretor, Allam disse que "a raiz do mal é inata num islã que é fisiologicamente violento e historicamente conflituoso".

Aref Ali Nayed, acadêmico muçulmano que participa de uma iniciativa de diálogo com os cristãos, disse na segunda-feira que o Vaticano transformou a conversão em "uma ferramenta triunfalista para marcar pontos".

"Todo o espetáculo provoca dúvidas genuínas sobre os motivos, intenções e planos de alguns dos assessores do papa para o islã", disse Nayed, subdiretor do Real Centro de Estudos Estratégicos Islâmicos, em Amã.

As relações entre muçulmanos e católicos foi estremecida em 2006 por um discurso do papa em que ele citava uma frase que sugeria um caráter violento do islã. Houve protestos, e Bento 16 afirmou ter sido mal-entendido.

Neste mês, o Vaticano anunciou um diálogo formal e permanente com personalidades islâmicas para melhorar as relações.


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