Índia: 75 anos de independência

Entenda como esse fato histórico afetou o quadro religioso da região 

| 15/08/2022 - 08:00

Observar a história da independência da Índia ajuda a compreender porque cristãos ainda são tão perseguidos no país

Observar a história da independência da Índia ajuda a compreender porque cristãos ainda são tão perseguidos no país


Ao abordarmos a perseguição aos cristãos, o enfoque geralmente vai para os que são vítimas por causa da fé ou para os perseguidores que não aceitam o cristianismo. Porém, muitas vezes também é possível compreender melhor a perseguição por meio de fatos históricos. Esse é o caso da Índia e do Paquistão, que eram um único país. Nos dias 14 e 15 de agosto completam-se 75 anos que Paquistão e Índia, respectivamente, obtiveram independência do domínio britânico que durou séculos.  


Como foi a independência da Índia?

Após séculos de domínio britânico, o subcontinente indiano finalmente alcançou a independência. Em fevereiro de 1947, pouco após o final da Segunda Guerra Mundial, por falta de recursos, o governo britânico anunciou a decisão de se retirar da Índia. Quando líderes britânicos e indianos deram início às negociações políticas, um dos assuntos foi religião, já que havia duas predominantes, o islamismo e o hinduísmo. Alguns pediam por uma pátria muçulmana, enquanto outros defendiam uma Índia unificada com diferentes religiões.  


Em meio ao impasse, os britânicos adiantaram a data de sua saída, o que apressou as decisões. Entre elas, uma divisão deveria ocorrer nas províncias de Bengal, no Leste, e Punjab, no Noroeste do país. O responsável seria um britânico, Sir Cyril Radcliff, que teria apenas seis semanas para determinar as novas fronteiras da Índia e do recém-criado Paquistão. Dessa forma, áreas de maioria muçulmana se tornaram o Paquistão, e de maioria hindu, a Índia. 


Quais foram as consequências da independência da Índia?


Porém, a falta de conhecimento de Radcliff sobre a população local fez com que ignorasse que houve uma coexistência pacífica entre hindus, muçulmanos, sikhs, cristãos e outras religiões durante séculos. Com apenas um traço de caneta, famílias e comunidades descobriram que, da noite para o dia, se tornaram minorias religiosas que viviam do “lado errado” da nova fronteira.


Acreditando que deveriam voltar para “casa”, muitos deixaram suas casas e bens para trás ao fazer as malas apenas com as coisas essenciais. Hindus e sikhs fugiram para a Índia, enquanto muçulmanos foram para o Paquistão. Mais de 15 milhões de refugiados fizeram essa jornada. Muitos outros não conseguiram.


A independência da Índia foi pacífica?


Por todo o subcontinente, comunidades que coexistiram por quase um milênio começaram a atacar umas às outras, com hindus e sikhs de um lado e muçulmanos do outro. O que era para ser um momento de triunfo após anos de lutas anticoloniais foi marcado por uma violência inimaginável e derramamento de sangue, resultando em um genocídio mútuo sem precedentes. Nas províncias divididas, a carnificina foi intensa, com massacres, incêndios criminosos, conversões forçadas, sequestros em massa e violência sexual.  


Pessoas comuns suportaram o peso da violência. Elas foram atacadas e mortas em casa, na vizinhança e enquanto viajavam para cruzar a fronteira. Cerca de 25 mil mulheres foram violentadas sexualmente, agredidas, sequestradas em grande número e muitas foram desfiguradas ou desmembradas. Já os homens faziam dos corpos das mulheres o campo de batalha. Vilas inteiras foram executadas e os mortos alinhados ao lado das estradas. Entre um e dois milhões de pessoas foram mortas.  


Apesar disso, do ponto de vista dos colonizadores que se retiravam, o processo se deu de uma forma bastante bem-sucedida. Mesmo com o domínio britânico na Índia sendo marcado por revoltas violentas e repressões brutais, o exército britânico se retirou do país com apenas um tiro disparado e sete vítimas.


O que a independência da Índia tem a ver com os cristãos? 

No total, entre um e dois milhões de pessoas foram mortas no processo de independência da Índia (imagem representativa)

A divisão é central para a identidade moderna nos países, assim como o Holocausto é para a identidade entre judeus, marcada dolorosamente pelas memórias de uma violência quase inimaginável. Ainda hoje a divisão continua relevante já que, seja no Paquistão, que ocupa o 8º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2022, ou na Índia, que está na 10º posição, a religião predominante continua oprimindo as minorias ao redor. É assim que a violência, que marcou a época da divisão dos países, continua afetando a vida de milhões de cristãos que vivem no território até hoje.



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