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Paquistão

PK
Paquistão
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, paranoia ditatorial, hostilidade etno-religiosa, corrupção e crime organizado
  • Capital: Islamabad
  • Região: Sul da Ásia
  • Líder: Arif Alvi
  • Governo: República islâmica parlamentarista
  • Religião: Islamismo, cristianismo e hinduísmo
  • Idioma: Punjabi, sindhi, saraiki, pashto, urdu e outras
  • Pontuação: 87


POPULAÇÃO
212,1 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
4 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos no Paquistão? 

Os cristãos são considerados cidadãos de segunda classe e enfrentam discriminação em todos as esferas da vida. Os líderes da igreja podem ser presos se não cumprirem os desejos das autoridades — essa é uma ferramenta de intimidação à minoria no país. Durante a pandemia de COVID-19, os cristãos só eram ajudados se se convertessem ao islã.  

As leis de blasfêmia continuam a ser utilizadas para acusar não muçulmanos de insultar o profeta Maomé ou o Alcorão. Além disso, uma epidemia silenciosa de sequestros, casamentos e conversão forçada de meninas e mulheres cristãs continua a ocorrer no Paquistão. 

Embora tenhamos saudades do nosso país, estamos felizes por finalmente estar em um lugar seguro. Temos esperança de que as leis de blasfêmia no Paquistão serão abolidas em breve, para que outros não tenham o mesmo destino que Shagufta e eu.” 

Shafqat, cristão paquistanês que foi preso e sentenciado à morte, juntamente com a esposa, por falsa acusação de blasfêmia  

O que mudou este ano? 

A perseguição permaneceu estável no Paquistão, pois a pressão e a violência contra os cristãos continuam a acontecer em níveis extremos. Extremistas islâmicos vincularam a ajuda durante a pandemia à conversão ao islã, e funcionários cristãos de hospitais eram enviados para enfermarias de tratamento de COVID-19 sem equipamento de proteção adequada.  

Os cristãos podem ser insultados por usarem símbolos como a cruz, acusados de blasfêmia por postagens em redes sociais e vistos como apóstatas por deixarem o islamismo para seguir a Jesus. 

Quem persegue os cristãos no Paquistão? 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Paquistão são: opressão islâmica, paranoia ditatorial, hostilidade etno-religiosa, corrupção e crime organizado. 

Já as fontes de perseguição são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos no Paquistão são: oficiais do governo, líderes religiosos não cristãos, grupos religiosos violentos, grupos paramilitares, grupos de pressão ideológica, partidos políticos, parentes, cidadãos e quadrilhas, líderes de grupos étnicos, redes criminosas, organizações multilaterais.

Quem é mais vulnerável à perseguição no Paquistão? 

A maioria dos cristãos vive na província de Punjab. Como consequência, muitos incidentes de violência, discriminação e intolerância ocorrem nessa região. No entanto, a província de Sindh também é famosa por ser um centro de trabalho forçado, o que atinge os seguidores de Jesus também. 

Todos os cristãos no Paquistão são vítimas em potencial de abuso e discriminação, mas os ex-muçulmanos enfrentam a perseguição mais pesada. Mesmo as igrejas estabelecidas estão sob pressão e vigilância do governo. 

Como as mulheres são perseguidas no Paquistão? 

Mulheres e meninas cristãs são sequestradas, forçadas a se casar com os raptores e se converter ao islamismo, além de enfrentar violência física e sexual. Os “casamentos” são usados para controlar meninas menores de idade e enfraquecer as comunidades religiosas minoritáriasTambém houve relatos de mulheres e meninas traficadas para trabalho forçado e prostituição no país e na China. 

Como os homens são perseguidos no Paquistão? 

Os homens cristãos no Paquistão estão sujeitos a acusações de blasfêmia, destruição de propriedade, prisão, agressão física e morte. Também há relatos de seguidores de Jesus que foram agredidos sexualmente. 

A maioria dos homens cristãos são obrigados a aceitar empregos de status inferior e considerados impuros. Eles também ficam presos em ciclos de trabalho forçado, geralmente em fábricas de tijolos. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos no Paquistão? 

A Portas Abertas está ativa nos países do Golfo Pérsico por meio da rede ALIVE. Mas, por razões de segurança, não podemos dizer o que é feito e nem a localização dos trabalhos. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos no Paquistão? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente. 


Pedidos de oração do Paquistão 

  • Interceda pelos cristãos que têm empregos insalubrespara que Deus os mantenha saudáveis e seguros, apesar das más condições de trabalho. Peça por todos os irmãos na fé acusados de blasfêmia, para que sejam mantidos a salvo e livres de mentiras.  
  • Ore pelo governo e pelos líderes religiosos do Paquistão. Peça a Deus que toque o coração deles para estenderem a mão aos cristãos e trabalharem pela liberdade religiosa. 
  • Clame pelas mulheres e meninas que são sequestradas, forçadas a se converter ao islã e se casar com homens muçulmanos. Que elas sejam curadas dos traumas e libertas para adorar a Deus.  

Um clamor pelo Paquistão 

Ó Deus, pedimos que esteja com nossos irmãos e irmãs no Paquistão. Eles se arriscam para segui-lo e precisam de sua proteção e sustento. Que sejam inundados pela paz e amor do Senhor e lembrem-se de que não estão sozinhos. Em nome de Jesus, amém. 

O Paquistão tornou-se uma nação independente, separada da Índia, no final do domínio colonial britânico, em 1947.  Em 1971, o Paquistão Oriental se tornou o país independente Bangladesh. O território da Caxemira continua disputado até hoje por Paquistão e Índia e, em fevereiro de 2019, ambos os países se envolveram em um violento conflito pela não oficial (mas aceita na prática) “Linha de Controle”. O conflito eclodiu quando militantes paquistaneses do Jaish-e-Mohammed, que assumiu a responsabilidade, atacaram um comboio militar indiano em 14 de fevereiro de 2019, matando 40 pessoas. A Índia retaliou, mas ambos os lados pararam antes que o conflito tomasse proporções maiores. 

Entretanto, em agosto de 2019, o governo indiano revogou uma condição especial de Jammu e Caxemira, retirando sua condição de estados indianos e os tornando territórios da União sob o governo direto de Delhi. Esse passo irou e provocou o Paquistão, mas, até agora, nenhuma atitude foi tomada. 

O Paquistão sofreu com um sistema de governo instável com três fases prolongadas de ditadura militar, com a última fase terminada em 2008. Os ataques a uma escola do exército em Peshawar, em dezembro de 2014, deixando 141 mortos, levaram a uma rápida reforma da Constituição, reintroduzindo a pena de morte e estabelecendo tribunais militares especiais para casos relacionados ao terrorismo, cumprindo as exigências antigas do exército. Exército e governo ainda estão executando um plano supostamente dirigido a militantes islâmicos. 

O exército foi acusado de estar por trás da queda e condenação do primeiro-ministro Nawaz Sharif devido à corrupção nos anos 1990, bem como de se intrometer na eleição maia recente do país, em 25 de julho de 2018, na qual a antiga estrela do críquete, Imran Khan, foi vencedor. Ele enfrenta o enorme desafio de manter o Paquistão no trilho quanto ao desenvolvimento econômico, principalmente com o resultado da devastadora crise da COVID-19.  

Devido ao relacionamento cada vez mais tenso com os Estados Unidos, esse recusou-se a socorrer o país como fez antes. Como resultado, Khan teve que aceitar a oferta do FMI (Fundo Monetário Internacional) que vem com controles muito rígidos e dificuldades esperadas, especialmente para a classe média. Outra tensão com os Estados Unidos tem sido causada pela tomada do Talibã no vizinho Afeganistão, que foi apoiada por grupos com base no Paquistão.  

O segundo ano do primeiro-ministro Khan foi ofuscado pela chegada da COVID-19, que não apenas trouxe estragos para uma economia já em dificuldades, mas novamente mostrou que o governo é inapto e pouco disposto a manter grupos religiosos radicais sob controle, mesmo quando reuniões deviam supostamente ser limitadas ou impedidas por razões de saúde pública. Na frente política, o governo do primeiro-ministro Khan enfrentou alguns desafios, mas após algumas surpreendentes vitórias nas eleições, a coalizão da oposição desmoronou em março de 2021. 

Enquanto cristãos foram encorajados pela decisão final de absolver Asia Bibi e permitir que ela finalmente deixasse o país em maio de 2019, essa decisão não tem feito a conversão deles mais fácil. Cristãos enfrentam discriminação em todos os lugares. Eles – como outras minorias religiosas (até mesmo minorias muçulmanas) — continuam sendo acusados, presos e julgados por blasfêmia. Jovens meninas cristãs e de outras minorias continuam sendo sequestradas, convertidas à força e casadas. O governo tem em geral trabalhado para manter grupos islâmicos violentos sob controle enquanto nenhum grande ataque contra cristãos ocorreu no período de pesquisa da Lista Mundial da Perseguição 2022. Entretanto, o governo continuou sua política pacificadora com relação a grupos radicais islâmicos. Já que muitos cristãos conquistam sua renda dos salários diários, eles são particularmente vulneráveis ao estrago causado pelas medidas introduzidas no combate à pandemia da COVID-19. Enfermeiras cristãs também foram alvo de alegações de blasfêmia. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

No Paquistão, o islamismo tem um papel dominante em todos os aspectos da vida. Por exemplo, de acordo com a Constituição, todo cidadão tem o direito de liberdade de expressão, o que é, no entanto, sujeito a restrições necessárias de acordo com o interesse da “glória do islã”. O governo tem uma longa história de tentar distinguir entre os “bons” e “maus” jihadistas. Ele combate os últimos, mas corteja os primeiros. Em diversos discursos, o primeiro-ministro Khan reconheceu que o Paquistão tem ligação oficial com grupos militantes islâmicos. É a primeira vez que os líderes do país mencionaram oficialmente a ligação, que inclui o treinamento de grupos jihadistas. 

Desde a introdução das leis de blasfêmia em 1986, cristãos foram colocados sob uma crescente pressão e são vítimas de aproximadamente um quarto de todas as acusações de blasfêmia. Nos protestos contra a absolvição de Asia Bibi, em novembro de 2018, os grupos radicais islâmicos, encabeçados pelo TLP, cometeram um erro (embora provavelmente não seja letal, pois esses grupos têm o poder de hibernar, se reestruturar e ressurgir depois de um tempo): eles poderiam ter sido perdoados por exigir a queda do governo e a morte dos juízes. Entretanto, eles também convocaram uma revolta contra o exército e seu chefe. O exército é visto como o quarto poder no Paquistão (ou quinto, se a mídia for contada) e é sem dúvida o mais forte.  

O governo pôs dois líderes do TLP em custódia protetiva e, junto com eles, outros 5 mil de seus combatentes, que tinham obstruído a infraestrutura e danificado milhares de itens de propriedade particular. Essa “repressão” foi algo novo e enviou um alerta claro para outros grupos islâmicos também. Em maio de 2019, Khadim Hussein Rizvi, o líder do TLP, e seu vice foram libertados da custódia protetiva. Ele morreu em 19 de novembro de 2020, mas seu movimento radical continuou crescendo no período de pesquisa da Lista Mundial da Perseguição 2022.  

O primeiro-ministro Khan tem histórico de ceder aos grupos e partidos islâmicos radicais, principalmente às demandas do TLP. Imediatamente após ele assumir o governo, cedeu a algumas demandas, mas o período de pesquisa da Lista Mundial da Perseguição 2022 viu ainda mais disso. O contexto foi quando as charges de Charlie Hebdo foram publicadas na França em 2020. Houve manifestações violentas no Paquistão a respeito disso, e o TLP apenas cancelou os protestos após o governo “prometer expulsar o embaixador francês”. No final, o governo não tinha prometido realmente a expulsão, mas sim debater no parlamento sobre a questão. Após o aumento da pressão dos partidos e grupos radicais islâmicos, esse debate aconteceu em abril de 2021 e, por causa da atmosfera violenta, a França orientou seus cidadãos a deixarem o Paquistão. 

Ao mesmo tempo, o governo baniu o TLP como “grupo terrorista”. Em uma demonstração de força, o TLP convocou outra marcha pela capital, o governo cedeu a suas demandas mais uma vez e libertou mais de 800 membros do TLP em outubro de 2021. Enquanto o exército (e com isso, o governo) tentar usar certos grupos radicais islâmicos para seus próprios propósitos e rotular alguns como “bons”, tais grupos continuarão ganhando influência e comandando mais que apenas as ruas. 

O exército tem sido desafiado em uma frente muito diferente também. O juiz da Suprema Corte, Justice Qasi Faez Isa, apresentou suas descobertas de uma investigação relativa a um bloqueio anterior feito pelo TLP em 2017 e acusou abertamente não apenas o exército de apoiar e até mesmo orquestrar o evento, mas também o intocável Serviço Secreto do Paquistão. Ele convocou os chefes militares e o ministro da Defesa a tomarem ação contra todos os envolvidos em atividades políticas. Tal desafio direto foi inédito e, sem surpresas, as descobertas foram envidas para revisão. Entretanto, de acordo com a lei, essa revisão será ouvida pelos mesmos juízes. O fato que uma acusação de corrupção foi preenchida contra Justice Isa no meio tempo, é visto por muitos no Paquistão como uma tentativa de se livrar dele. O caso estava pendente há dois anos, mas em abril de 2021, ele foi inocentado de toda injustiça e o caso arquivado. 

Enquanto isso, o primeiro-ministro Khan enfrenta enormes desafios para manter a economia sem afundar, ainda mais com a crise da COVID-19. O partido de Khan, o PTI, mantém 46% dos assentos no parlamento, e parceiros em sua coalizão ou pararam de trabalhar ou anunciaram publicamente sua insatisfação com ele. Passado mais de um ano de seu mandato, ele tem dificuldades políticas também. Isso pode ser visto pelo fato de que de seus 48 ministros, apenas cinco são de seu partido, o PTI.   

 A maioria da população tem menos de 25 anos de idade e quase um terço está abaixo de 14 anos. Portanto, há uma grande necessidade de o Estado oferecer a essa geração mais jovem boas perspectivas de futuro, principalmente no momento da crise quanto à pandemia da COVID-19, que deu um forte golpe na economia.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

Os muçulmanos formam mais de 96% da população total, sendo a maioria de tradição sunita. Os xiitas são menos de 10% e os ahmadi cerca de 0,2%. Pastores cristãos podem até mesmo ser presos quando não se submetem aos desejos das autoridades. Isso envia um alerta à minoria cristã e a intimida. Eles são considerados cidadãos de segunda classe e são discriminados em todos os aspectos da vida. 

Todos os cristãos enfrentam discriminação institucionalizada, o que pode ser exemplificado pelo fato de que os trabalhos considerados como baixos, sujos ou depreciativos são oficialmente reservados aos cristãos. Um novo censo foi realizado em 2017 depois de 19 anos. O censo incluiu afiliação religiosa na pesquisa, e em junho de 2021, o governo finalmente liberou as estatísticas religiosas. O censo mostra uma queda no percentual da população de cristãos comparado a 1998. De acordo com o censo de 2017, 1,27% de todos os cidadãos paquistaneses são cristãos, caindo de 1,59% do censo de 1998. Em comparação, o censo mostra que a minoria hindu cresceu no mesmo período de 1,6% para 1,73%.  

Esses resultados vêm como um desapontamento para a minoria cristã e causaram diversas questões a serem levantadas. A questão mais óbvia é: por que levou mais de três anos para o Serviço de Estatísticas publicar resultados de um censo que ocorreu em 2017? Também foi questionado quão bem os recenseadores foram treinados para explicar o censo e a seção da afiliação religiosa para os entrevistados. Deve-se notar que muitos cristãos são pobres e analfabetos e muitos podem ter sido deixados completamente de fora do censo. Muitos desses cristãos não veem um motivo para obter um Cartão Nacional de Identidade ou para registrar os filhos. Finalmente, também é possível que o percentual tenha sido mantido baixo por questões políticas como pôde ser visto acontecer por cristãos em outros países asiáticos, como em Mianmar. Por outro lado, há uma onda de imigração em busca de uma melhor educação para cristãos, o que reduziu o número de cristãos no Paquistão. O World Christian Database, que usa censos do governo como uma entre várias outras fontes, dá o percentual de cristãos no Paquistão como 1,9% em 2021. 

A questão de religião é muito delicada e política também. Uma decisão conectada ao censo é se, e até que ponto, a representatividade política das minorias religiosas será elevada ao nível estadual e nacional. As eleições mais recentes, em julho de 2018, ainda foram feitas de acordo com o sistema antigo, com pouca representatividade. Grupos radicais islâmicos se oporão a qualquer mudança no status quo, assim como eles já se opuseram violentamente a todos os esforços por discussões abertas sobre a revisão das notórias leis de blasfêmia do país.   

CENÁRIO ECONÔMICO 

Embora os percalços no relacionamento com a China provavelmente significarão mais um reequilíbrio da dependência econômica, não um corte completo de laços com a China ou Estados Unidos, está claro que o Paquistão não pode continuar economicamente sozinho. O país tem procurado ajuda econômica, ou seja, crédito, de vários países depois que os Estados Unidos se recusaram a intervir para salvar seu aliado de longa data. No final, o governo se voltou para o FMI, buscando uma injeção de liquidez de 6,6 bilhões de dólares sob duros termos de reforma doméstica. Isso levou observadores a questionar se o Paquistão um dia será capaz de pôr fim ao ciclo de repetidas injeções de liquidez e aceitar a demanda por uma genuína reforma. 

A COVID-19 quase atrapalhou todas as atividades econômicas, qualquer que fosse a rota que se esperava para recuperar o Paquistão. As estatísticas econômicas mais recentes começam a parecer mais positivas novamente, embora o país ainda continue com um déficit de 6,3% para o ano fiscal de 2021-2022 e benefícios de suspensão do serviço da dívida internacional até dezembro de 2021. Mesmo que isso seja confiável, não significa que a situação econômica para paquistaneses comuns melhorará – e é ainda menos provável para as minorias do país. 

O Paquistão tem um forte crescimento populacional, mais recentemente refletido no censo de 2017, que colocou o crescimento anual em 2,4%. Isso é principalmente verdade para áreas urbanas, ilustrada por Lahore, a segunda maior cidade do país, que cresceu em população 53% em 20 anos. Se essas taxas de crescimento continuarem, a população do país pode dobrar novamente nas próximas décadas. Isso vem com grandes desafios, como por exemplo, para os jovens, que não têm nenhuma perspectiva econômica. Embora a taxa de desemprego entre os jovens não seja particularmente alta, 4,7%, a porcentagem de jovens entre 15 e 24 anos que não estudam nem trabalham é de 31%. Isso afeta principalmente as minorias religiosas e étnicas. O trabalho infantil é desenfreado, embora seja difícil estabelecer os números. Uma ONG dá o número de 12,5 milhões, mas não é possível verificar. 

Recentemente, estimativas no país falam sobre cerca de quatro milhões de trabalhadores forçados, mas as crianças não estão inclusas. Toda a população sofre com essas condições precárias, mas os grupos minoritários, como os cristãos, ainda mais. Muitos deles são pessoas que trabalham por dia (por exemplo, na fabricação de tijolos), com tratamento arbitrário ou violento por parte dos empregadores. Mulheres e crianças são grupos especialmente vulneráveis.  

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Embora a questão étnica não seja um problema tão grande no Paquistão, como em muitos outros países da região, essa não deve ser ignorada. Isso fica óbvio quando o Paquistão é visto em conjunto com o Afeganistão: a minoria pashtun, em particular, abrange grandes áreas em ambos os lados da fronteira. A decisão das autoridades paquistanesas de cercar os mais de 2,5 mil quilômetros de fronteira junto ao Afeganistão afetou fortemente os pashtuns de ambos os lados, já que os laços familiares e comerciais dos dois lados foram cortados. Os pashtuns são uma das maiores minorias do mundo sem um Estado próprio. Costuma-se afirmar que o povo curdo — com menos de 40 milhões de pessoas — é o maior grupo sem uma nação. Porém, os pashtuns são cerca de 45 milhões de pessoas. Sua forte reação à decisão indiana de tirar os estados de Jammu e Caxemira de sua soberania indica que as motivações étnica e religiosa são sempre parte de decisões políticas. 

De acordo com o relatório do Paquistão publicado pela UNICEF em julho de 2019, o Paquistão ainda tem o segundo maior índice de crianças fora da escola no mundo, com 22,8 milhões de crianças entre 5 e 16 anos sem estudar, o que representa 44% de todas as crianças nesse grupo etário. Cerca de 5 milhões de crianças no Paquistão não recebem educação primária, das quais 60% são meninas. As disparidades são baseadas em gênero, condição socioeconômica e geográfica, como pode ser visto por exemplo Baloquistão, onde 78% de todas as meninas não frequentam a escola.  

O baixo investimento do Estado em educação nas últimas décadas levou a um crescimento no número de madraças (escolas islâmicas). Onze mil dessas madraças, de um total de cerca de 35 mil, seguem os ensinamentos estritos do islamismo de Deobandi. Os números de seus estudantes exatos não são contabilizados. Enquanto algumas madraças alfabetizam os alunos e lhes ensinam matemática, muitas apenas oferecem leitura do Alcorão, estudos islâmicos e nada mais. Como não são registradas e supervisionadas, as autoridades não têm ideia real do que acontece nelas. 

Vários governos tentaram ao menos registrá-las no passado, mas encontraram dura oposição. Enquanto o atual governo tentou registrar as madraças logo após assumir, não há relatos de sucesso quanto a esses esforços. Parece que o governo de Khan está islamizando escolas estaduais, introduzindo mudanças no currículo fazendo com que todos os alunos tenham que ler o Alcorão inteiro com tradução, aprender as orações islâmicas e o hádice (registo escrito de comunicações orais do profeta do islã, Maomé).  

Enquanto a expectativa de vida não é muito alta, de 67,1 anos, a taxa total de fertilidade é de 2,62. Embora esses números estejam mudando lentamente, eles ilustram enormes desafios sociais. Se a taxa de fertilidade permanecer nesse nível, o Paquistão se tornará o maior país muçulmano do mundo, ultrapassando a Indonésia; isso deve acontecer em 2030. Essa estrutura social significa que haverá um grande número de jovens saindo da escola, sonhando com um futuro melhor. Mas, à medida que o país luta para dar esperança a bons jovens, mesmo a jovens instruídos, é provável que se agite socialmente, o que abre caminho para os militantes islâmicos atraírem jovens para seus grupos, nos quais eles têm um sentimento de valor que nunca tiveram antes. 

O Paquistão experimenta uma cultura cada vez mais islâmica e é o lar de uma infinidade de grupos islâmicos radicais. É difícil rastrear os diferentes grupos islâmicos de tamanho, nome e influência variados, ao se dividirem, unirem e reaparecerem conforme precisam. O mais recente entrando na esfera pública e reivindicando as manchetes é o Tehreek-e-Labaik. A comunidade cristã sente-se cada vez mais presa entre esses grupos radicais e a cultura islâmica da sociedade paquistanesa. Há políticos, juízes e líderes religiosos que estão considerando (ou mesmo defendendo) uma emenda às notórias leis de blasfêmia do país.  

No entanto, todas essas tentativas bem-intencionadas são abertamente ameaçadas por aqueles que mantêm uma perspectiva radical baseada na ideologia wahabi e continuam a adotar a teologia do califado e o tratamento dos “infiéis”, identificando-se firmemente com os apoiadores do Estado Islâmico (EI) e talibãs. Grupos islâmicos radicais estão florescendo — apesar de uma repressão continuada a alguns deles pelo exército — e são usados por vários grupos políticos como aliados. Seu poder de mobilizar centenas de milhares de jovens e levá-los às ruas continua a ser uma ferramenta política e oferece uma forte influência para o cumprimento de objetivos políticos. 

De acordo com os registros de Eusébio de Cesareia no século 4, tido como o pai da história da igreja, os apóstolos Tomé e Bartolomeu foram designados para Parthia (Irã moderno) e Índia. No momento do estabelecimento do Segundo Império Persa (226 d.C.), havia bispos da Igreja do Oriente no Noroeste da Índia, Afeganistão e Baluquistão (Paquistão), incluindo partes do Irã e outras regiões do Afeganistão e Paquistão, com leigos e clérigos envolvidos na atividade missionária. 

O trabalho missionário católico romano decolou no continente indiano com a chegada dos portugueses no século 16 e se estabeleceu em Lahore a partir de 1579. Em tempos mais modernos, o cristianismo foi estabelecido por meio do trabalho missionário protestante no final do século 18 e início do século 19 e continuou a crescer desde então. No entanto, devido à crescente pressão em anos recentes, muitos cristãos fugiram para o exterior, para países como Sri Lanka e Tailândia. 

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