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Como é a perseguição aos cristãos no Paquistão?
Os cristãos são uma minoria no Paquistão e por isso enfrentam muitos desafios, desde discriminação no dia a dia até ameaças de violência letal. As leis de blasfêmia do Paquistão são cada vez mais usadas para intimidar cristãos e outras minorias religiosas. Frequentemente, elas são aplicadas para prejudicar cristãos em disputas judiciais não relacionadas à religião, como conflitos por terras. Apenas a acusação de violar as leis de blasfêmia pode provocar a violência de multidões contra cristãos, suas famílias e a comunidade cristã em geral. A fragilidade do governo e a crescente influência de grupos extremistas islâmicos limitam a proteção legal dos cristãos, aumentando sua vulnerabilidade.
A maioria dos cristãos no Paquistão pertence a uma casta considerada “intocável”, conhecida como os varredores, e continua a enfrentar discriminação das autoridades e leis. Muitos deles vivem na pobreza, presos em um ciclo de trabalho forçado que os mantém à margem da sociedade paquistanesa.
Cristãos de origem muçulmana podem sofrer consequências severas por escolher seguir a Jesus. As ameaças vêm de familiares e grupos radicais islâmicos que veem a conversão ao cristianismo como um ato vergonhoso de traição. Embora incidentes violentos sejam relativamente raros, isso ocorre principalmente porque os cristãos foram forçados à clandestinidade, o que mostra os perigos que enfrentam por seguir a Jesus no Paquistão.
“Jesus permitiu esses ataques para nos aproximar dele. Em uma única noite, milhares de cristãos clamaram nas ruas, alguns de joelhos, outros com as mãos erguidas, outros com o rosto nos ombros uns dos outros. Mas todos clamaram a Jesus.”
Maliha (pseudônimo), professora universitária que experimentou os ataques em Jaranwala em 2023
Como as mulheres são perseguidas no Paquistão?
No Paquistão, mulheres e meninas cristãs correm sério perigo de perseguição por sua fé e gênero. Elas são vulneráveis a sequestro, violência sexual, casamento forçado e conversão forçada ao islamismo. Entre as vítimas há crianças de apenas sete anos e outras com deficiências. Muitas vezes, famílias nunca mais veem suas filhas quando submetidas a essas violências, e a polícia e os tribunais frequentemente falham em protegê-las. As que conseguem escapar dos perseguidores, enfrentam vergonha e estigma por causa da cultura de honra. Em locais de trabalho, como olarias, mulheres são vulneráveis a violência sexual e exploração.
Como os homens são perseguidos no Paquistão?
Homens cristãos vivem sob constante ameaça de acusações de blasfêmia, que podem levar à prisão, tortura e até mesmo morte. Famílias inteiras podem ser atingidas pelas consequências dessas acusações, mesmo que sejam frequentemente falsas. Homens e meninos cristãos são forçados a aceitar trabalhos perigosos e socialmente considerados degradantes, muitas vezes rotulados como “chura” (imundos, na língua urdu no Paquistão). Alguns ficam presos em sistemas de trabalho forçado, como em olarias, tentando quitar dívidas impagáveis, o que torna quase impossível para famílias cristãs saírem da pobreza. O abuso sexual de meninos tem aumentado, com vítimas silenciadas pelo medo e pela vergonha.
O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos no Paquistão?
A Portas Abertas apoia diversos parceiros na região que atuam por meio de igrejas para ajudar cristãos perseguidos. Esse trabalho inclui educação, cuidados médicos, ajuda emergencial, treinamento bíblico e de liderança e projetos de subsistência.
Como posso ajudar os cristãos perseguidos no Paquistão?
Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para o projeto da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos que enfrentam maiores necessidades.
Quem persegue os cristãos no Paquistão?
O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Paquistão são: opressão islâmica, paranoia ditatorial, opressão do clã e corrupção e crime organizado.
Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo.

Pedidos de oração do Paquistão
- Ore para que Deus livre cristãos acusados de blasfêmia de serem presos e agredidos por multidões.
- Peça a Deus que transforme o coração e a mente dos líderes no Paquistão em relação às leis de blasfêmia.
- Interceda para que os cristãos forçados a trabalhos humilhantes tenham sempre a provisão de que precisam e que saibam seu valor em Cristo.
- Clame por proteção das meninas e jovens cristãs submetidas a casamento e conversão forçados.
Mais informações sobre o país
HISTÓRIA DO PAQUISTÃO
A civilização do Vale Indo, uma das mais antigas do mundo, com mais de cinco mil anos, viveu durante muito tempo no território que conhecemos hoje como Paquistão. No segundo milênio a. C., essa região esteve sob sucessivas invasões de grandes civilizações como os persas, os gregos, os citas, os árabes (que levaram o islã para o país), os afegãos, os turcos e o Império Mongol.
Os britânicos dominaram o Paquistão durante o século 18 e uniram o território como uma única colônia com a Índia. Em 1947, o Paquistão se tornou um estado independente da Índia, mas a separação nunca ficou muito bem resolvida. A questão religiosa também foi um fator impactante para a hostilidade entre os dois países, pois a maioria indiana é hindu e os paquistaneses, muçulmanos. Paquistão e Índia tiveram duas guerras entre si para disputar o território de Caxemira, na fronteira de ambos, e uma terceira em 1971 por conflitos étnicos relacionados aos bengalis, que resultou na independência de Bangladesh.
Além das raízes históricas compartilhadas com a Índia, o Paquistão também divide muitos momentos históricos e traços culturais com os países vizinhos Irã e Afeganistão e já esteve em disputas com outro vizinho, a China, pelo território da Caxemira. O território da Caxemira continua disputado até hoje por Paquistão e Índia.
Desde o atentado da Al-Qaeda em setembro de 2001, muitos militantes islâmicos fugiram para o Norte do Paquistão, criando insegurança e movimentos extremistas em território paquistanês.
O Paquistão sofreu com um sistema de governo instável com três fases prolongadas de ditadura militar, com a última fase terminada em 2008. Os ataques a uma escola do exército em Peshawar, em dezembro de 2014, deixando 141 mortos, levaram a uma rápida reforma da Constituição, reintroduzindo a pena de morte e estabelecendo tribunais militares especiais para casos relacionados ao terrorismo, cumprindo as exigências antigas do exército. Exército e governo ainda estão executando um plano supostamente dirigido a militantes islâmicos.
O exército foi acusado de estar por trás da queda e condenação do primeiro-ministro Nawaz Sharif devido à corrupção nos anos 1990, bem como de se intrometer na eleição de 2018, na qual a antiga estrela do críquete, Imran Khan, foi vencedor. Devido ao relacionamento cada vez mais tenso com os Estados Unidos, esse recusou-se a socorrer o país como fez antes. Como resultado, Khan teve que aceitar a oferta do FMI (Fundo Monetário Internacional) que vem com controles muito rígidos e dificuldades esperadas, especialmente para a classe média. Outra tensão com os Estados Unidos foi causada pela tomada do Talibã no vizinho Afeganistão, que foi apoiada por grupos com base no Paquistão.
O governo tem em geral trabalhado para manter grupos islâmicos violentos sob controle. Mas enquanto o exército (e com isso, o governo) tentar usar certos grupos radicais islâmicos para seus próprios propósitos e rotular alguns como “bons”, tais grupos continuarão ganhando influência e comandando mais que apenas as ruas.
Hoje, o país é governado pelo primeiro-ministro Shebaz Sharif, depois que Khan foi destituído do cargo por denúncias de corrupção. O novo governo não apresentou novas medidas ou avanços significativos na defesa da liberdade de religião e controle dos grupos extremistas no país.
CONTEXTO DO PAQUISTÃO
O Paquistão é um país populoso, com uma das maiores populações do mundo, e multiétnico do Sul da Ásia. As duas maiores cidades do país são Islamabad, a capital que fica na base do Himalaia, e Karachi, que fica na costa do Mar Arábico, ao Sul. A nação conta com diversas paisagens, de montanhas, como a famosa Cordilheira do Himalaia, a planaltos desérticos, e faz fronteira com o Irã a Oeste, Afeganistão e China a Norte e Índia a Leste.
A parte do Himalaia que fica no Paquistão ocupa uma faixa de 320 km no Norte e concentra a precipitação das monções (grande volume de chuva que atinge o Sul da Ásia em determinados períodos) que, somadas à água do derretimento das geleiras no Himalaia causam inundações frequentes no país.
O território paquistanês também é sujeito a abalos sísmicos recorrentes. Nas cidades, a falta de acesso a saneamento básico, ou seja, falta de água potável e esgoto encanado, faz com que doenças como a malária e a tuberculose sejam uma das maiores causas de morte no país.
No aspecto político e cultural, o Paquistão também tem dificuldade em encontrar sua identidade. O país estabeleceu uma democracia parlamentar que foi sucedida por repetidos golpes militares. A influência da comunidade islâmica sunita tem sido o padrão pelo qual as decisões políticas são tomadas.
Por causa dos conflitos étnico-religiosos, várias partes do país estão fora do controle do governo central, onde atos de violência às minorias religiosas são frequentes. O número de refugiados e deslocados gerados pelos conflitos também impactou a sociedade e a organização do Paquistão e da Índia.
Depois da independência, em 1947, mais de dez milhões de muçulmanos saíram da Índia para o Paquistão buscando refúgio, e quase a mesma quantidade de hindus e sikhs saíram do Paquistão para a Índia pelo mesmo motivo.
Os refugiados afegãos que chegaram nos anos 1980 promoveram a criação de madraças, escolas tradicionais islâmicas conhecidas por disseminar a influência de extremistas islâmicos associados à Al-Qaeda e ao Talibã. Enquanto algumas madraças alfabetizam os alunos e lhes ensinam matemática, muitas apenas oferecem leitura do Alcorão, estudos islâmicos e nada mais. Como não são registradas e supervisionadas, as autoridades não têm ideia real do que acontece nelas.
Grupos étnicos e como vive a população
Atualmente o Paquistão é dividido em cinco grupos étnicos principais: os punjabis, que correspondem à metade da população; os pashtuns, uma das maiores minorias do mundo sem um Estado próprio e que também está presente no país vizinho Afeganistão; os sindis, os muhajirs e os balochs, sendo esses dois últimos compostos pelos muçulmanos que fugiram da Índia.
No aspecto linguístico, o Paquistão é heterogêneo e não tem uma língua comum usada em todo o país. Cada região fala línguas próprias. A maioria delas surgiu durante o domínio mongol e apenas a língua urdu, a mais recente, não é nativa do Paquistão e, apesar de pouco usada, é considerada uma das línguas oficiais paquistanesas. Para assuntos do governo e nas escolas, o inglês é a língua franca.
Aproximadamente dois terços da população paquistanesa vive na zona rural, onde as comunidades são organizadas de modo que cada complexo de casas fique protegido, como verdadeiras fortalezas. Mais da metade da população vive na região de Punjab. Baluquistão, uma das maiores regiões, é a mais inabitada.
A extração do petróleo e de gás natural é parte dos recursos econômicos da nação. Além disso, o exército é uma carreira privilegiada, para a qual muitos jovens vão voluntariamente. O exército paquistanês é um dos maiores e mais bem treinados do mundo, por isso muitos escolhem seguir a carreira militar.
Quase todos os paquistaneses são muçulmanos ou ao menos seguem as tradições islâmicas, a maioria segue a linha sunita do islã. Há também um pequeno, mas significativo, número de cristãos no país. Ataques violentos contra cristãos aumentaram durante o regime de Zia ul-Haq, uma tendência que permanece no contexto religioso restrito do país.
HISTÓRIA DA IGREJA NO PAQUISTÃO
De acordo com os registros de Eusébio de Cesareia no século 4, tido como o pai da história da igreja, os apóstolos Tomé e Bartolomeu foram designados para Parthia (Irã moderno) e Índia. No momento do estabelecimento do Segundo Império Persa (226 d.C.), havia bispos da Igreja do Oriente no Noroeste da Índia, Afeganistão e Baluquistão (Paquistão), incluindo partes do Irã e outras regiões do Afeganistão e Paquistão, com leigos e clérigos envolvidos na atividade missionária.
O trabalho missionário católico romano decolou no continente indiano com a chegada dos portugueses no século 16 e se estabeleceu em Lahore a partir de 1579. Em tempos mais modernos, o cristianismo foi estabelecido por meio do trabalho missionário protestante no final do século 18 e início do século 19 e continuou a crescer desde então. No entanto, devido à crescente pressão em anos recentes, muitos cristãos fugiram para o exterior, para países como Sri Lanka e Tailândia.
O Paquistão experimenta uma cultura cada vez mais islâmica e é o lar de uma infinidade de grupos islâmicos radicais. É difícil rastrear os diferentes grupos islâmicos de tamanho, nome e influência variados, ao se dividirem, unirem e reaparecerem conforme precisam. O mais recente entrando na esfera pública e reivindicando as manchetes é o Tehreek-e-Labaik. A comunidade cristã sente-se cada vez mais presa entre esses grupos radicais e a cultura islâmica da sociedade paquistanesa.
Pastores cristãos podem até mesmo ser presos quando não se submetem aos desejos das autoridades. Isso envia um alerta à minoria cristã e a intimida. Os cristãos são considerados cidadãos de segunda classe e são discriminados em todos os aspectos da vida. Jovens cristãs são vítimas de abusos e casamentos forçados.
Todos os cristãos enfrentam discriminação institucionalizada, o que pode ser exemplificado pelo fato de que os trabalhos considerados como baixos, sujos ou depreciativos são oficialmente reservados aos cristãos.
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