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Paquistão

PK
Paquistão
  • Tipo de Perseguição: Paranoia ditatorial, opressão islâmica, hostilidade etno-religiosa, corrupção e crime organizado
  • Capital: Islamabad
  • Região: Sul da Ásia
  • Líder: Arif Alvi
  • Governo: República islâmica parlamentarista
  • Religião: Islamismo, cristianismo e hinduísmo
  • Idioma: Punjabi, sindhi, saraiki, pashto, urdu e outras
  • Pontuação: 88


POPULAÇÃO
208,3 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
4 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos no Paquistão? 

Os cristãos no Paquistão enfrentam extrema perseguição em todas as áreas da vida, mas os que se converteram do islamismo enfrentam maiores níveis de hostilidade. Porém, todos os cristãos são considerados cidadãos de segunda classe no país de maioria islâmica. Eles recebem empregos considerados inferiores, sujos e desonrosos e podem até ser vítimas de trabalho forçado. Existem alguns cristãos entre as classes médias, mas ainda são considerados piores que os muçulmanos e, muitas vezes, enfrentam grave discriminação no local de trabalho. 

As igrejas cristãs existem, mas as que são ativas no evangelismo enfrentam severa perseguição da sociedade. Até os mais jovens enfrentam a hostilidade por amor a Cristo. As meninas cristãs correm o risco de sequestro e abuso sexual e, muitas vezes, são forçadas a se casarem com os agressores e a se converterem ao islã. 

As notórias leis de blasfêmia do Paquistão são usadas para atingir os cristãos, e grupos extremistas islâmicos "defendem" essas leis veementemente. Em muitas situações, os grupos extremistas islâmicos chegam a atacar ou matar aqueles que acreditam que as infringiram. 

“Nós estamos cansados, fracos e feridos. Ver o Irmão André e os amigos dele nos lembra de que não somos esquecidos nem estamos sozinhos; somos muito amados pelo corpo de Cristo.” 

Líder cristão no Sul da Ásia  

O que mudou este ano? 

O Paquistão continua sendo um dos lugares mais difíceis para se viver como cristão, e a perseguição violenta contra cristãos e ataques às igrejas continuam acontecendo. 

Quem persegue os cristãos no Paquistão? 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Paquistão são: paranoia ditatorialopressão islâmicahostilidade etno-religiosa, corrupção e crime organizado.

Já as fontes de perseguição são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos no Paquistão são: oficiais do governo, grupos religiosos violentos, líderes religiosos não cristãos, grupos paramilitares, partidos políticos, parentes, grupos de pressão ideológica, cidadãos e quadrilhas, líderes de grupos étnicos, redes criminosas, organizações multilaterais.

Quem é mais vulnerável à perseguição no Paquistão? 

Todos os cristãos correm o risco de perseguição no Paquistão, principalmente os ex-muçulmanos. 

Como as mulheres são perseguidas no Paquistão? 

Mulheres e meninas cristãs são particularmente vulneráveis no Paquistão. Elas são frequentemente sequestradas, abusadas sexualmente, forçadas a se casar com o sequestrador e convertidas à força. As autoridades não protegem as mulheres e meninas e, com frequência, se aliam ao agressorElas também são forçadas a testemunhar em tribunal que se converteram voluntariamente ao islamismo. As famílias cristãs que tentam desafiar o casamento forçado são frequentemente acusadas de assediar a outra família muçulmana. Uma vez casada, a mulher cristã não tem proteção contra a família do marido.  

Também  relatos de tráfico de meninas cristãs para trabalho forçado e uma rede de prostituição que envia meninas cristãs para a China. 

Como os homens são perseguidos no Paquistão? 

Existem centenas de casos de homens cristãos acusados de infringir as leis de blasfêmia do país. Esse argumento é usado para atingir os cristãos durante disputas relacionadas a trabalho ou arrendamento de terras. Os cristãos vivem em constante medo de acusação de blasfêmia, destruição dpropriedade particular, prisão, agressão física e execução. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos no Paquistão? 

A Portas Abertas promove apoio espiritual por meio de campanhas de oração em favor dos cristãos perseguidos no Paquistão. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente. 



Pedidos de oração do Paquistão 

  • Ore para que os cristãos no Paquistão tenham sabedoria e coragem para falar sobre Jesus, apesar do temor de que as palavras sejam usadas contra eles.  
  • Interceda por proteção às igrejas do Paquistão, especialmente em feriados como o Natal e a Páscoa, quando ataques terroristas aconteceram no passado. 
  • Peça por proteção às jovens mulheres e meninas cristãs que já foram sequestradas e forçadas a se converter e se casar. Que Deus as console com o amor dele e lhes dê forças.  

Um clamor pelo Paquistão 

Pai, parece quase impossível segui-lo no Paquistão, mas sabemos que para o Senhor todas as coisas são possíveis. Por favor, aproxime-se de homens, mulheres e crianças que estão sofrendo extrema perseguição por causa da fé em Jesus, mostrando-lhes seu amor, cuidado e poder. 

O Paquistão tornou-se uma nação independente da Índia no final do domínio colonial britânico, em 1947. Isso tornou a situação para a minoria cristã mais complicada, uma vez que o Paquistão se definiu oficialmente como um Estado muçulmano. Em 1971, a parte leste do Paquistão se tornou o país independente Bangladesh. O território da Caxemira continua disputado até hoje por Paquistão e Índia e, em fevereiro de 2019, ambos os países se envolveram em um violento conflito pela não oficial (mas aceita na prática) “Linha de Controle”. O conflito eclodiu quando militantes paquistaneses do Jaish-e-Mohammed, que assumiu a responsabilidade, atacaram um comboio militar indiano em 14 de fevereiro de 2019, matando 40 pessoas. A Índia retaliou, mas ambos os lados pararam antes que o conflito tomasse proporções maiores. 

O Paquistão sofreu com um sistema de governo instável com três fases prolongadas de ditadura militar, com a última fase terminada em 2008. Em 2013, Nawaz Sharif tornou-se primeiro-ministro pela terceira vez depois que seu partido, Liga Muçulmana, ganhou as eleições parlamentares. Os ataques a uma escola do exército em Peshawar, em dezembro de 2014, deixando 141 mortos, levaram a uma rápida reforma da Constituição, reintroduzindo a pena de morte e estabelecendo tribunais militares especiais para casos relacionados ao terrorismo, cumprindo as exigências antigas do exército. Exército e governo ainda estão executando um plano supostamente dirigido a militantes islâmicos. 

O exército foi acusado de estar por trás da queda e condenação do primeiro-ministro Nawaz Sharif devido à corrupção nos anos 1990, bem como de se intrometer nas eleições mais recentes do país, em 25 de julho de 2018. As eleições tiveram o ex-jogador de críquete Imran Khan como vencedor, embora ele tenha dificuldades para manter o Paquistão nos trilhos no que diz respeito ao desenvolvimento econômico. 

Devido ao relacionamento cada vez mais tenso com os Estados Unidos, esse recusou-se a socorrer o país como fez antes. Como resultado, Khan teve que aceitar a oferta do FMI (Fundo Monetário Internacional) que vem com controles muito rígidos e dificuldades esperadas, especialmente para a classe média. Consequentemente, seu primeiro ano no comando foi avaliado como tendo resultados mistos, na melhor das hipóteses. 

A decisão muito corajosa da Suprema Corte em 31 de outubro de 2018, de negar provisão ao caso de blasfêmia contra a cristã Asia Bibi e absolvê-la da pena de morte, levou a um clamor dos grupos radicais islâmicos, com o Tehreek-e-Labbaik Pakistan (TLP) à frente. Como tinham feito antes, eles bloquearam os maiores cruzamentos nas grandes cidades e exigiram a reversão da conclusão. No entanto, em 8 de maio de 2019, Asia Bibi pôde finalmente deixar o país, indo para o Canadá. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

No Paquistão, o islamismo tem um papel dominante em todos os aspectos da vida. Por exemplo, de acordo com a Constituição, todo cidadão tem o direito de liberdade de expressão, o que é, no entanto, sujeito a restrições necessárias de acordo com o interesse da “glória do islã”. O Paquistão tem uma longa história de tentar distinguir entre “bons” e “maus” jihadistas. Ele combate os últimos, mas corteja os primeiros. 

Nos protestos contra a absolvição de Asia Bibi, os grupos radicais islâmicos, encabeçados pelo Tehreek-e-Labbaik Pakistan (TLP), cometeram um erro (embora provavelmente não seja letal, pois esses grupos têm o poder de hibernar, se reestruturar e ressurgir depois de um tempo): eles poderiam ter sido perdoados por exigir a queda do governo e a morte dos juízes. Entretanto, eles também convocaram uma revolta contra o exército e seu chefe. O exército é visto como o quarto poder no Paquistão (ou quinto, se a mídia for contada) e é sem dúvida o mais forte. Consequentemente, o governo não libertou Asia Bibi de imediato, mas a colocou sob custódia protetiva e ainda concedeu um apelo extrajudicial contra a decisão final da Corte, sendo ouvida pela mesma bancada. 

Ao mesmo tempo, o governo pôs dois líderes do TLP em custódia protetiva e, junto com eles, outros 5 mil de seus combatentes, que tinham obstruído a infraestrutura e danificado milhares de itens de propriedade particular. Essa “repressão” foi algo novo e enviou um alerta claro para outros grupos islâmicos também. Em maio de 2019, Khadim Hussein Rizvi, o líder do TLP, e seu vice foram libertados da custódia protetiva. É muito cedo para afirmar se é correto ou não falar de uma queda do TLP. Enquanto o exército e, junto com ele, o governo tentarem usar grupos radicais islâmicos para seus próprios propósitos e vê-los como “bons”, mais grupos como esse surgirão. 

O exército tem sido desafiado de forma diferente também. O juiz da Suprema Corte, Qasi Faex Isa, apresentou suas conclusões sobre uma investigação relativa a um bloqueio anterior do TLP, em 2017, e abertamente acusou não só o exército por apoiar e até mesmo orquestrar o evento, mas também o intocável Serviço de Inteligência do Paquistão (ISI, da sigla em inglês). Ele convocou os chefes militares e o ministro da Defesa a agirem contra todos os funcionários envolvidos em politicagem. Um desafio tão direto nunca tinha sido visto e, como esperado, as conclusões foram enviadas de volta para revisão. No entanto, de acordo com a lei, essa revisão será vista pelos mesmos juízes. O fato de que uma acusação de corrupção tenha sido feita contra o juiz Isa no meio tempo é visto por muitos no Paquistão como uma tentativa de se livrar dele antes que a revisão seja ouvida.  

No começo de seu governo, o primeiro-ministro Imran Khan cedeu duas vezes aos grupos e partidos islâmicos radicais, principalmente às demandas do TLP. Em setembro de 2018, um membro da minoria ahmadi foi removido da posição de conselheiro econômico do alto escalão. Como especialistas internacionais reconheceram amplamente, Atif Mian é um dos mais conceituados especialistas em questões econômicas do Paquistão. No entanto, ele é um membro do Ahmadiyya, uma seita muçulmana não reconhecida como muçulmana no Paquistão, principalmente pelos grupos radicais sunitas. O TLP foi bem-sucedido em sua política de manter o país cativo as suas exigências mais uma vez. 

Mas o exemplo mais ilustrativo foi o bloqueio em todo o país depois que a Suprema Corte absolveu Asia Bibi das acusações de blasfêmia. Os grupos e partidos radicais islâmicos não apenas exigiram que os juízes e advogados fossem responsabilizados, mas também pediram motim quando concluíram — com razão — que tal veredito não seria emitido sem antes ser verificado com o poderoso exército paquistanês. 

O exército paquistanês, por sua vez, permaneceu surpreendentemente em silêncio, diferente de Imran Khan. Em sua primeira reação, em um discurso na TV, ele publicamente desafiou os grupos radicais, mas nos bastidores seu ministro da Religião logo forjou um acordo com eles e prometeu verificar se Asia Bibi poderia ser incluída na lista de proibição, até que outro recurso — extraordinário — contra sua absolvição pudesse ser decidido pela Suprema Corte. Entretanto, a exigência dos radicais de até mesmo atacar e desobedecer ao exército foi obviamente longe demais. Em um esforço de recuperar a vantagem, o governo colocou um dos líderes do TLP, Khadim Hussein Rizvi, sob custódia protetiva em 24 de novembro de 2018, além de mais de 5 mil membros do partido que tinham danificado e destruído uma grande quantidade de propriedade privada. 

Enquanto isso, o primeiro-ministro Imran Khan enfrenta enormes desafios para manter a economia sem afundar. Ele tem dificuldades políticas também. Isso pode ser visto pelo fato de que de seus 48 ministros, apenas cinco são de seu partido, o PTI. A maioria do governo no parlamento é pequena e o Paquistão parece pronto para permanecer um país volátil. Além disso, o primeiro-ministro Imran Khan já reconheceu em vários discursos que o Paquistão tem ligações oficiais com grupos militantes islâmicos. É a primeira vez que um líder do Paquistão menciona essas ligações oficialmente, o que inclui o treinamento de grupos jihadistas. 

Como vários grupos radicais tiveram candidatos nas recentes eleições, levando observadores a afirmar que a política convencional se radicalizou, parece justo dizer que o exército está interessado em estender sua política de distinguir entre bons e maus jihadistas à política nacional. O exército age contra grupos insurgentes afiliados ao Estado Islâmico (EI), o qual observadores dizem ter uma presença crescente no Paquistão, como ilustrado por um ataque suicida no dia das eleições em julho de 2018. A crescente presença de grupos militantes nomeando diretamente os cristãos como alvo piorou a situação dos cristãos na região. Exemplos são grupos internacionalmente conhecidos, como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico em Khorasan, mas também grupos locais como Lashkar-e-Taiba, Jaish-e-Mohammed e outros. 

Grupos islâmicos radicais proibidos não se dissolvem facilmente; na maioria dos casos, eles simplesmente mudam de nome e constroem frentes de caridade ou ficam on-line. Ou, no que diz respeito às eleições, eles se juntam a outros partidos radicais existentes, se os que eles escolheram ou fundaram forem proibidos de participar. Eles atraem a população em geral com serviços sociais e os jovens com a oferta de boas perspectivas para o futuro, que faltam no país. A maioria da população tem menos de 25 anos de idade e quase um terço está abaixo de 14 anos, portanto, há uma grande necessidade de o Estado poder oferecer a essa geração mais jovem boas perspectivas de futuro. 

Em outro movimento inesperado, a Suprema Corte questionou a extensão do mandato do chefe do exército pelo governo em uma decisão de 28 de novembro de 2019 e só concedeu uma extensão de seis meses para o parlamento redigir leis sobre uma possível extensão e decidir sobre isso. 

Além disso, a jurisdição sobre as áreas tribais administradas em nível federal (FATA, da sigla em inglês) é limitada. Essa região volátil de fronteira com o Afeganistão ainda é governada de acordo com uma lei colonial chamada “Frontiers Crime Regulation” datada de 1901, que efetivamente proíbe a intervenção da polícia e dos tribunais e aumenta a condição alienada do povo local. Nessa região, a Constituição do Paquistão parece ser efetivamente anulada. No entanto, em maio de 2018, o governo decidiu misturar as FATA com a província vizinha de Khyber Pakhtunkhwa (KP). Eleições foram realizadas em julho de 2019, mas ainda é muito cedo para saber se essa é mais uma tentativa frustrada do governo de obter um controle mais pesado nessa província sem lei. Já está claro, entretanto, que essa decisão foi tomada devido à pressão popular e será cheia de desafios. 

CENÁRIO RELIGIOSO 

Os muçulmanos formam mais de 96% da população total, sendo a maioria de tradição sunita. Os xiitas são menos de 10% e os ahmadi cerca de 0,2%. Pastores cristãos podem até mesmo ser presos quando não se submetem aos desejos das autoridades. Isso envia um alerta à minoria cristã e a intimida. Os cristãos são considerados cidadãos de segunda classe e são discriminados em todos os aspectos da vida. 

Todos os cristãos enfrentam discriminação institucionalizada, o que pode ser exemplificado pelo fato de que os trabalhos considerados como baixos, sujos ou depreciativos são oficialmente reservados aos cristãos. Muitos cristãos são pobres e vítimas de trabalho forçado. 

Um novo censo foi realizado em 2017 depois de 19 anos. O censo incluiu afiliação religiosa na pesquisa, mas os detalhes dos resultados ainda não foram publicados. A questão de religião é muito delicada e política também. Uma decisão conectada ao censo é se e até que ponto a representatividade política das minorias religiosas será elevada ao nível estadual e nacional. As eleições mais recentes, em julho de 2018, ainda foram feitas de acordo com o sistema antigo, com pouca representatividade. Grupos radicais islâmicos se oporão a qualquer mudança no status quo, assim como eles já se opuseram violentamente a todos os esforços por discussões abertas sobre a revisão das notórias leis de blasfêmia do país. Desde a introdução das leis de blasfêmia, em 1986, os cristãos têm estado sob crescente pressão e são vítimas de cerca de um quarto de todas as acusações de blasfêmia.  

Em 2017, o governo anunciou um novo foco no combate à blasfêmia ocorrida nos blogs de redes sociais. Consequentemente, houve um número crescente de prisões de pessoas acusadas de terem cometido blasfêmia nas redes sociais. Isso parece contrariar os esforços do governo para limitar o impacto devastador das leis de blasfêmia sobre as minorias religiosas em particular. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

Economicamente, o país depende cada vez mais da China, que está disposta a investir no Paquistão, em sua estrutura da Nova Rota da Seda e “Um Cinturão, Uma Estrada”. 

A cidade portuária de Gwadar é um dos polos que os chineses estão usando e que foi arrendada pelo governo paquistanês por 40 anos em 2017, enquanto a China investe 57 bilhões de dólares no chamado “Corredor Econômico China-Paquistão”. 

Recentemente, as dúvidas aumentaram, uma vez que o Paquistão pode muito bem acabar endividado e tornar-se dependente da China devido a essa iniciativa. Além disso, o assassinato de dois cristãos chineses no Paquistão perto do local de construção do Corredor ilustra quão volátil e desafiadora é a situação. 

O Paquistão buscou ajuda econômica, ou seja, crédito, de vários países depois que os Estados Unidos se recusaram a intervir para salvar seu aliado de longa data. No final, o governo se voltou para o FMI, buscando uma injeção de liquidez de 6,6 bilhões de dólares sob duros termos de reforma doméstica. Isso levou observadores a questionar se o Paquistão um dia será capaz de pôr fim ao ciclo de repetidas injeções de liquidez e aceitar a demanda por uma genuína reforma. 

O Paquistão tem um forte crescimento populacional, mais recentemente refletido no censo de 2017, que colocou o crescimento anual em 2,4%. Isso vem com grandes desafios, como por exemplo, para os jovens, que não têm nenhuma perspectiva econômica. Embora a taxa de desemprego entre os jovens não seja particularmente alta, 6%, a porcentagem de jovens entre 15 e 24 anos que não estudam nem trabalham permanece em 31%. Isso afeta principalmente as minorias religiosas e étnicas. O trabalho infantil é desenfreado, embora seja difícil estabelecer os números. Uma ONG dá o número de 12,5 milhões, mas não é possível verificar. 

Toda a população sofre com essas condições precárias, mas os grupos minoritários, como os cristãos, ainda mais. Muitos deles são pessoas que trabalham por dia (por exemplo, na fabricação de tijolos), com tratamento arbitrário ou violento por parte dos empregadores. Mulheres e crianças são grupos especialmente vulneráveis. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Embora a questão étnica não seja um problema tão grande no Paquistão, como em muitos outros países da região, essa não deve ser ignorada. Isso fica óbvio quando o Paquistão é visto em conjunto com o Afeganistão: a minoria pashtun, em particular, abrange grandes áreas em ambos os lados da fronteira. Os pashtuns são uma das maiores minorias do mundo sem um Estado próprio. Costuma-se afirmar que o povo curdo — com menos de 40 milhões de pessoas — é o maior grupo sem uma nação. Porém, os pashtuns são cerca de 45 milhões de pessoas. 

De acordo com o relatório do Paquistão publicado pela UNICEF em julho de 2019, o Paquistão ainda tem o segundo maior índice de crianças fora da escola no mundo, embora os números estejam melhorando. Cerca de 5 milhões de crianças no Paquistão não recebem educação primária, das quais 60% são meninas. O índice sobe para mais de 17,7 milhões de crianças fora da escola na idade entre 10 e 16 anos, 51% das quais são meninas. 

O índice de alfabetização do país, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), está em 57%. O baixo investimento do Estado em educação nas últimas décadas levou a um crescimento no número de madraças (escolas islâmicas). Onze mil dessas madraças, de um total de cerca de 35 mil, seguem os ensinamentos do islamismo ultraconservador. Os números de seus estudantes exatos não são contabilizados. Enquanto algumas madraças alfabetizam os alunos e lhes ensinam matemática, muitas apenas oferecem leitura do Alcorão, estudos islâmicos e nada mais. Como não são registradas e supervisionadas, as autoridades não têm ideia real do que acontece nelas. 

Vários governos tentaram ao menos registrá-las no passado, mas encontraram dura oposição. O governo de Khan também publicou um plano para registrar as madraças. O ministro da Educação, Shafqat Mahmood, aparentemente fez um acordo com uma organização guarda-chuva de madraças chamada Wafaq-ul-madaris, que permite que as madraças mantenham plena responsabilidade por toda a instrução religiosa. Mas não está claro como o governo espera impedir que ensinamentos radicais islâmicos e suas consequências, cujos efeitos são sentidos pelos cristãos e outras minorias, continuem. 

De acordo com o PNUD, 21,5% da população vive em pobreza multidimensional severa, outros 12,9% estão vulneráveis a isso, enquanto 24,3% da população vive abaixo da linha da pobreza nacional. Enquanto a expectativa de vida não é muito alta, em 67,3 anos, a taxa total de fertilidade permanece em 2,62. Embora esses números estejam mudando lentamente, eles ilustram enormes desafios sociais. Se a taxa de fertilidade permanecer nesse nível, o Paquistão se tornará o maior país muçulmano do mundo, ultrapassando a Indonésia, isso deve acontecer em 2030. 

Essa estrutura social significa que haverá um grande número de jovens saindo da escola, sonhando com um futuro melhor. Mas, à medida que o país luta para dar esperança a bons jovens, mesmo a jovens instruídos, é provável que se agite socialmente, o que abre caminho para os militantes islâmicos atraírem jovens para seus grupos, nos quais eles têm um sentimento de valor que nunca tiveram antes. 

O Paquistão experimenta uma cultura cada vez mais islâmica e é o lar de uma infinidade de grupos islâmicos radicais. Um especialista do país contou 65 grupos islâmicos de tamanho e influência variados, o mais recente entrando na esfera pública e reivindicando as manchetes como Tehreek-e-Labaik. A comunidade cristã sente-se cada vez mais presa entre esses grupos radicais e a cultura islâmica da sociedade paquistanesa. Há políticos, juízes e líderes religiosos que estão considerando (ou mesmo defendendo) uma emenda às notórias leis de blasfêmia do país.  

No entanto, todas essas tentativas bem-intencionadas são abertamente ameaçadas por aqueles que mantêm uma perspectiva radical baseada na ideologia wahabi e continuam a adotar a teologia do califado e o tratamento dos “infiéis”, identificando-se firmemente com os apoiadores do Estado Islâmico (EI) e talibãs. Grupos islâmicos radicais estão florescendo — apesar de uma repressão continuada a alguns deles pelo exército — e são usados por vários grupos políticos como aliados. Seu poder de mobilizar centenas de milhares de jovens e levá-los às ruas continua a ser uma ferramenta política e oferece uma forte influência para o cumprimento de objetivos políticos.

De acordo com os registros de Eusébio de Cesareia no século 4, tido como um dos pais da história da igreja, os apóstolos Tomé e Bartolomeu foram designados para Parthia (Irã moderno) e Índia. No momento do estabelecimento do Segundo Império Persa (226 d.C.), havia bispos da Igreja do Oriente no Noroeste da Índia, Afeganistão e Baluchistão (Paquistão), incluindo partes do Irã e outras regiões do Afeganistão e Paquistão, com leigos e clérigos envolvidos na atividade missionária. 

O trabalho missionário católico romano decolou no continente indiano com a chegada dos portugueses no século 16 e se estabeleceu em Lahore em 1570. Em tempos mais modernos, o cristianismo foi estabelecido por meio do trabalho missionário protestante no final do século 18 e início do século 19 e continuou a crescer desde então. No entanto, devido à crescente pressão em anos recentes, muitos cristãos fugiram para o exterior, para países como Sri Lanka e Tailândia.  

REDE ATUAL DE IGREJAS 

A Igreja Católica Romana e a Igreja Anglicana são exemplos de comunidades cristãs históricas no Paquistão. Elas enfrentam crescente hostilidade e experimentam dificuldades em obter permissões para determinados encontros. Elas têm que lidar com forte controle e monitoramento. 

Os cristãos ex-muçulmanos carregam o peso da perseguição, tanto de grupos radicais islâmicos, que os veem como apóstatas, como da família, amigos e vizinhos, que veem a conversão como um ato vergonhoso e traição à família e comunidade. 

Reconhecer-se como cristão não é possível na esfera familiar nem na esfera de nação. Enquanto a prisão domiciliar imposta pelas famílias aos convertidos é uma forma de castigo, uma forma mais suave é submetê-los à vigilância, o que os leva a se esconder ainda mais. 

A comunidade cristã não tradicional é formada pelos evangélicos em geral. Eles são frequentemente hostilizados e atacados, principalmente quando são ativos em evangelismo entre muçulmanos. 

Igrejas históricas desfrutam de relativa liberdade, no entanto, são estritamente monitoradas e frequentes alvo de ataques a bomba. Um dos grandes ataques a bomba recentes ocorreu em 17 de dezembro de 2017, em Quetta. 

Os cristãos são oprimidos pela maioria islâmica do país

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