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Paquistão

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Paquistão
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, paranoia ditatorial, corrupção e crime organizado, hostilidade etno-religiosa
  • Capital: Islamabad
  • Região: Sul da Ásia
  • Líder: Shehbaz Sharif
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Islamismo, cristianismo e hinduísmo
  • Idioma: Punjabi, pashto, sindhi, saraiki, urdu e inglês
  • Pontuação: 86


POPULAÇÃO
229,5 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
4,2 MILHÕES

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R$

Como é a perseguição aos cristãos no Paquistão?  

Cristãos no Paquistão são considerados cidadãos de segunda classe e enfrentam discriminação em cada aspecto da vida. Empregos que são vistos como baixos, sujos ou degradantes são reservados para os cristãos pelas autoridades, que continuam os levando para as margens da sociedade. Eles não possuem uma representação própria na política e, embora não tenha havido grandes ataques contra igrejas no último ano, há ataques quase que constantes contra indivíduos. Muitos deles não se sentem seguros para cultuar livremente. 

As notórias leis de blasfêmia do Paquistão têm como alvo minorias religiosas (incluindo minorias muçulmanas), mas afetam a minoria cristã em particular — aproximadamente um quarto de todas as acusações de blasfêmia visam cristãos, que são apenas 1,8% da população. O número de casos de blasfêmia está aumentando, como também o número de meninas cristãs (e de outras religiões minoritárias) sequestradas, abusadas e forçadas a se converterem ao islamismo. 

Além da hostilidade social, os cristãos também experimentam apatia das autoridades que deveriam protegê-los. A força policial está mais interessada em acalmar poderosos locais do que em implementar a lei e proteger as minorias. Tribunais tiveram um recorde ligeiramente melhor em fazer cumprir a lei de forma justa, mas grandes atrasos são algo comum. Cristãos muitas vezes definham na prisão por anos antes do veredito ser proferido, e então é tarde demais para trazer alguma mudança. 

A comunidade cristã se sente presa entre os grupos extremistas islâmicos que atuam no país e um governo que apazigua esses grupos. Os cristãos se sentem vulneráveis sem uma autoridade de confiança para proteger seus direitos. 

“Quando nossas mãos estão vazias de pão, descobrimos que é bom erguê-las ao céu. Deus provê. De alguma forma, ele está conduzindo a nós e a nossos filhos durante esse tempo.” 

Ruqia, cristã paquistanesa 

O que mudou este ano?  

O Paquistão continua sendo um dos países onde é mais difícil viver como cristão. Há um crescente número de meninas cristãs (e de outras minorias) sendo sequestradas, abusadas e forçadas a se converter ao islamismo. Um projeto de lei sobre conversão forçada foi rejeitado pelo parlamento, após estudiosos religiosos o considerarem como “anti-islâmico” e os políticos negarem sua necessidade. O número de casos de blasfêmia, que são punidos com morte, continua aumentando. 

Quem persegue os cristãos no Paquistão?  

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Paquistão são: opressão islâmica, paranoia ditatorial, corrupção e crime organizado, hostilidade etno-religiosa. 

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos no Paquistão são: líderes religiosos não cristãos, grupos religiosos violentos, grupos de pressão ideológica, cidadãos e quadrilhas, parentes, grupos paramilitares, partidos políticos, oficiais do governo, líderes de grupos étnicos, redes criminosas, organizações multilaterais. 

Quem é mais vulnerável à perseguição no Paquistão?  

Cristãos que se convertem do islamismo são os mais vulneráveis à perseguição por parte de grupos extremistas islâmicos (que os veem como apóstatas) e da família, amigos e vizinhos que veem a conversão como um ato vergonhoso para a família e a comunidade. 

Um alto número de cristãos vive na província de Punjab, que consequentemente experimenta maiores incidentes de discriminação e intolerância. A província de Sindh também é notória por ser um foco de trabalho forçado, que também afeta muitos cristãos. 

Como as mulheres são perseguidas no Paquistão?  

Há uma epidemia silenciosa de sequestros, casamentos e conversões forçados de meninas e mulheres cristãs no Paquistão. Meninas cristãs de 12 anos — principalmente de famílias pobres — são sequestradas, casadas à força, abusadas sexualmente e forçadas a se converter ao islamismo sob ameaça de morte. 

Meninas cristãs também são seduzidas como meio de convertê-las ao islamismo. Muitas famílias nunca mais veem essas meninas, já que as autoridades raramente levam os responsáveis à justiça. Se o caso for ao tribunal, meninas podem ser forçadas a testemunhar que se converteram voluntariamente. Isso coloca uma enorme pressão emocional nas famílias que constantemente temem retaliação dos criminosos e seus apoiadores. Para vítimas que são recuperadas, a vergonha do sequestro e violência sexual coloca uma grande vergonha sobre suas vidas por causa da cultura baseada na honra do Paquistão. 

Meninas e mulheres cristãs correm risco de violência sexual no local de trabalho e nas escolas. Muitas são empregadas domésticas ou faxineiras e são alvo de exploração sexual. Mulheres que estão presas em trabalho forçado, como em fábricas de tijolos, também estão expostas a violência sexual. 

Como os homens são perseguidos no Paquistão?  

Homens cristãos são principalmente vulneráveis por serem acusados falsamente sob as notórias leis de blasfêmia do Paquistão. Muitos vivem com medo constante de alegações de blasfêmia, acusações falsas, destruição de propriedade, prisão, detenção, agressão, tortura e execução. 

Meninos e homens cristãos são muitas vezes induzidos a aceitar empregos de baixo status como garis ou limpadores de esgoto. Referem-se a eles como “chura”, uma palavra pejorativa que significa “imundo”. Muitos estão presos em ciclos de trabalho forçado, como em fábricas de tijolos. Mesmo os cristãos de classe média são considerados socialmente inferiores e experimentam discriminação no local de trabalho. 

Líderes de igrejas podem ser presos se não obedecerem aos desejos das autoridades. Essas prisões são, muitas vezes, destinadas a funcionar como avisos para intimidar a minoria cristã. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos no Paquistão?  

A Portas Abertas está ativa nos países do Golfo Pérsico por meio de uma rede de igrejas parceiras, mas, por motivos de segurança, não é possível divulgar o trabalho realizado na região.  

Como posso ajudar os cristãos perseguidos no Paquistão?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a perseguição é extrema e a necessidade é mais urgente.  

QUERO AJUDAR 

Pedidos de oração do Paquistão 

  • Interceda para que as leis de blasfêmia do Paquistão sejam mudadas para que os cristãos estejam a salvo das falsas acusações.  
  • Ore por proteção para mulheres que sofrem violência doméstica e meninas que são forçadas a se casar. Peça a Deus que trabalhe no coração dos maridos para tratá-las com bondade e respeito.  
  • Clame a Deus por sabedoria e proteção para aqueles que foram ajudar comunidades de deslocados atingidos pelas enchentes do último ano. 


Um clamor pelo Paquistão
 

Ó Deus, olhe com misericórdia para seus filhos que sofrem opressão e injustiça no Paquistão e os atraia para um relacionamento mais próximo com o Senhor. Proteja nossos irmãos e irmãs que vivem sob a ameaça diária de violência ou hostilidade. Encoraje mulheres que se desesperam em relacionamentos sem amor ou abusivos. Dê a elas a sua paz e uma comunidade amorosa fora de casa. Conforte os cristãos que foram erroneamente presos e intervenha para assegurar a liberdade deles. Ajude a sua igreja no Paquistão a ser sal e luz em suas comunidades. Amém. 

A civilização do Vale Indo, uma das mais antigas do mundo, com mais de cinco mil anos, viveu durante muito tempo no território que conhecemos hoje como Paquistão. No segundo milênio a. C., essa região esteve sob sucessivas invasões de grandes civilizações como os persas, os gregos, os citas, os árabes (que levaram o islã para o país), os afegãos, os turcos e o Império Mongol. 

Os britânicos dominaram o Paquistão durante o século 18 e uniram o território como uma única colônia com a Índia. Em 1947, o Paquistão se tornou um estado independente da Índia, mas a separação nunca ficou muito bem resolvida. A questão religiosa também foi um fator impactante para a hostilidade entre os dois países, pois a maioria indiana é hindu e os paquistaneses, muçulmanos. Paquistão e Índia tiveram duas guerras entre si para disputar o território de Caxemira, na fronteira de ambos, e uma terceira em 1971 por conflitos étnicos relacionados aos bengalis, que resultou na independência de Bangladesh. 

Além das raízes históricas compartilhadas com a Índia, o Paquistão também divide muitos momentos históricos e traços culturais com os países vizinhos Irã e Afeganistão e já esteve em disputas com outro vizinho, a China, pelo território da Caxemira. O território da Caxemira continua disputado até hoje por Paquistão e Índia. 

Desde o atentado da Al-Qaeda em setembro de 2001, muitos militantes islâmicos fugiram para o Norte do Paquistão, criando insegurança e movimentos extremistas em território paquistanês.  

O Paquistão sofreu com um sistema de governo instável com três fases prolongadas de ditadura militar, com a última fase terminada em 2008. Os ataques a uma escola do exército em Peshawar, em dezembro de 2014, deixando 141 mortos, levaram a uma rápida reforma da Constituição, reintroduzindo a pena de morte e estabelecendo tribunais militares especiais para casos relacionados ao terrorismo, cumprindo as exigências antigas do exército. Exército e governo ainda estão executando um plano supostamente dirigido a militantes islâmicos. 

O exército foi acusado de estar por trás da queda e condenação do primeiro-ministro Nawaz Sharif devido à corrupção nos anos 1990, bem como de se intrometer na eleição de 2018, na qual a antiga estrela do críquete, Imran Khan, foi vencedor. Devido ao relacionamento cada vez mais tenso com os Estados Unidos, esse recusou-se a socorrer o país como fez antes. Como resultado, Khan teve que aceitar a oferta do FMI (Fundo Monetário Internacional) que vem com controles muito rígidos e dificuldades esperadas, especialmente para a classe média. Outra tensão com os Estados Unidos foi causada pela tomada do Talibã no vizinho Afeganistão, que foi apoiada por grupos com base no Paquistão.  

O governo tem em geral trabalhado para manter grupos islâmicos violentos sob controle. Mas enquanto o exército (e com isso, o governo) tentar usar certos grupos radicais islâmicos para seus próprios propósitos e rotular alguns como “bons”, tais grupos continuarão ganhando influência e comandando mais que apenas as ruas. 

Hoje, o país é governado pelo primeiro-ministro Shebaz Sharif, depois que Khan foi destituído do cargo por denúncias de corrupção. O novo governo não apresentou novas medidas ou avanços significativos na defesa da liberdade de religião e controle dos grupos extremistas no país.  

O Paquistão é um país populoso, com uma das maiores populações do mundo, e multiétnico do Sul da Ásia. As duas maiores cidades do país são Islamabad, a capital que fica na base do Himalaia, e Karachi, que fica na costa do Mar Arábico, ao Sul. A nação conta com diversas paisagens, de montanhas, como a famosa Cordilheira do Himalaia, a planaltos desérticos, e faz fronteira com o Irã a Oeste, Afeganistão e China a Norte e Índia a Leste.  

A parte do Himalaia que fica no Paquistão ocupa uma faixa de 320 km no Norte e concentra a precipitação das monções (grande volume de chuva que atinge o Sul da Ásia em determinados períodos) que, somadas à água do derretimento das geleiras no Himalaia causam inundações frequentes no país.  

O território paquistanês também é sujeito a abalos sísmicos recorrentes. Nas cidades, a falta de acesso a saneamento básico, ou seja, falta de água potável e esgoto encanado, faz com que doenças como a malária e a tuberculose sejam uma das maiores causas de morte no país.  

No aspecto político e cultural, o Paquistão também tem dificuldade em encontrar sua identidade. O país estabeleceu uma democracia parlamentar que foi sucedida por repetidos golpes militares. A influência da comunidade islâmica sunita tem sido o padrão pelo qual as decisões políticas são tomadas.  

Por causa dos conflitos étnico-religiosos, várias partes do país estão fora do controle do governo central, onde atos de violência às minorias religiosas são frequentes. O número de refugiados e deslocados gerados pelos conflitos também impactou a sociedade e a organização do Paquistão e da Índia. 

Depois da independência, em 1947, mais de dez milhões de muçulmanos saíram da Índia para o Paquistão buscando refúgio, e quase a mesma quantidade de hindus e sikhs saíram do Paquistão para a Índia pelo mesmo motivo.   

Os refugiados afegãos que chegaram nos anos 1980 promoveram a criação de madraças, escolas tradicionais islâmicas conhecidas por disseminar a influência de extremistas islâmicos associados à Al-Qaeda e ao Talibã. Enquanto algumas madraças alfabetizam os alunos e lhes ensinam matemática, muitas apenas oferecem leitura do Alcorão, estudos islâmicos e nada mais. Como não são registradas e supervisionadas, as autoridades não têm ideia real do que acontece nelas. 

Grupos étnicos e como vive a população 

Atualmente o Paquistão é dividido em cinco grupos étnicos principais: os punjabis, que correspondem à metade da população; os pashtuns, uma das maiores minorias do mundo sem um Estado próprio e que também está presente no país vizinho Afeganistão; os sindis, os muhajirs e os balochs, sendo esses dois últimos compostos pelos muçulmanos que fugiram da Índia.  

No aspecto linguístico, o Paquistão é heterogêneo e não tem uma língua comum usada em todo o país. Cada região fala línguas próprias. A maioria delas surgiu durante o domínio mongol e apenas a língua urdu, a mais recente, não é nativa do Paquistão e, apesar de pouco usada, é considerada uma das línguas oficiais paquistanesas. Para assuntos do governo e nas escolas, o inglês é a língua franca.  

Aproximadamente dois terços da população paquistanesa vive na zona rural, onde as comunidades são organizadas de modo que cada complexo de casas fique protegido, como verdadeiras fortalezas. Mais da metade da população vive na região de Punjab. Baluquistão, uma das maiores regiões, é a mais inabitada. 

A extração do petróleo e de gás natural é parte dos recursos econômicos da nação. Além disso, o exército é uma carreira privilegiada, para a qual muitos jovens vão voluntariamente. O exército paquistanês é um dos maiores e mais bem treinados do mundo, por isso muitos escolhem seguir a carreira militar.  

Quase todos os paquistaneses são muçulmanos ou ao menos seguem as tradições islâmicas, a maioria segue a linha sunita do islã. Há também um pequeno, mas significativo, número de cristãos no país. Ataques violentos contra cristãos aumentaram durante o regime de Zia ul-Haq, uma tendência que permanece no contexto religioso restrito do país.  

De acordo com os registros de Eusébio de Cesareia no século 4, tido como o pai da história da igreja, os apóstolos Tomé e Bartolomeu foram designados para Parthia (Irã moderno) e Índia. No momento do estabelecimento do Segundo Império Persa (226 d.C.), havia bispos da Igreja do Oriente no Noroeste da Índia, Afeganistão e Baluquistão (Paquistão), incluindo partes do Irã e outras regiões do Afeganistão e Paquistão, com leigos e clérigos envolvidos na atividade missionária. 

O trabalho missionário católico romano decolou no continente indiano com a chegada dos portugueses no século 16 e se estabeleceu em Lahore a partir de 1579. Em tempos mais modernos, o cristianismo foi estabelecido por meio do trabalho missionário protestante no final do século 18 e início do século 19 e continuou a crescer desde então. No entanto, devido à crescente pressão em anos recentes, muitos cristãos fugiram para o exterior, para países como Sri Lanka e Tailândia.   

O Paquistão experimenta uma cultura cada vez mais islâmica e é o lar de uma infinidade de grupos islâmicos radicais. É difícil rastrear os diferentes grupos islâmicos de tamanho, nome e influência variados, ao se dividirem, unirem e reaparecerem conforme precisam. O mais recente entrando na esfera pública e reivindicando as manchetes é o Tehreek-e-Labaik. A comunidade cristã sente-se cada vez mais presa entre esses grupos radicais e a cultura islâmica da sociedade paquistanesa.  

Pastores cristãos podem até mesmo ser presos quando não se submetem aos desejos das autoridades. Isso envia um alerta à minoria cristã e a intimida. Os cristãos são considerados cidadãos de segunda classe e são discriminados em todos os aspectos da vida. Jovens cristãs são vítimas de abusos e casamentos forçados. 

Todos os cristãos enfrentam discriminação institucionalizada, o que pode ser exemplificado pelo fato de que os trabalhos considerados como baixos, sujos ou depreciativos são oficialmente reservados aos cristãos. 

Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

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