TENDÊNCIAS DA PERSEGUIÇÃO

A COVID-19 foi um fator determinante para o aumento da perseguição no último ano


O novo fator da realidade que dominou o mundo em 2020 – o novo coronavírus – também afetou os países da Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2021, exercendo grande influência na vida dos cristãos que vivem sob pressão neles. A crise gerada pela pandemia da COVID-19 aumentou ainda mais a vulnerabilidade dos cristãos perseguidos.

A cada ano, a pesquisa da Lista Mundial da Perseguição nos permite analisar o contexto geral experimentado pelos cristãos perseguidos. Veja abaixo as tendências que moldaram a LMP 2021.

1. A COVID-19 aumentou vulnerabilidades sociais, culturais, econômicas e outras vulnerabilidades estruturais existentes.

2. A militância islâmica violenta explorou as restrições da COVID-19 para se espalhar na África Subsaariana.

3. A COVID-19 legitimou o aumento da vigilância e restrições por governos totalitários e autoritários.

4. O nacionalismo impulsionado pela identidade religiosa majoritária surgiu em países como Índia e Turquia.

5. A COVID-19 ajudou grupos criminosos organizados da América Central e América Latina a consolidar seu controle.


1. A COVID-19 exacerbou vulnerabilidades sociais, culturais, econômicas e outras vulnerabilidades estruturais existentes

A pandemia destacou e aumentou vulnerabilidades sociais, econômicas e étnicas existentes de milhões de cristãos em todo o mundo. Parece ser um catalisador para que atitudes de opressão e repressão, frequentemente ocultas, apareçam em atos ou expressões discriminatórias, como discurso de ódio on-line, por exemplo.

Na Índia, dos mais de 100.000 cristãos que recebem ajuda de parceiros da Portas Abertas, 80% relataram que foram dispensados ??dos pontos de distribuição de alimentos do governo. Alguns caminharam muito e esconderam a identidade cristã para conseguir comida em outro lugar. Outros 15% receberam ajuda alimentar, mas relataram discriminações, como a falta de trabalho diário do governo, proprietários de terras ou indústria. Antes da pandemia, uma pesquisa do governo (2017–2018) identificou que o desemprego é mais profundo entre os cristãos do que entre outros grupos religiosos, portanto, a recusa de ajuda alimentar deixou comunidades inteiras em situação de destituição.

Não foi apenas na Índia. Ao menos em Mianmar, Nepal, Vietnã, Bangladesh, Paquistão, Ásia Central, Malásia, Norte da África, Iêmen e Sudão, cristãos em áreas rurais tiveram ajuda negada. Às vezes, isso acontecia por parte de funcionários do governo, como chefes de aldeias e comitês ou outros. Alguns relataram que tiveram seus cartões de alimentos (cartão que dá direito a receber ajuda) rasgados, rejeitados ou simplesmente ignorados.

No sul de Kaduna, Nigéria, famílias de várias aldeias disseram ter recebido um sexto das comidas alocadas para famílias muçulmanas. Em Guiné-Bissau, quando o estado de emergência foi imposto, alguns cristãos disseram que os vizinhos muçulmanos “reclamaram” com o governo sobre eles; enquanto na Guiné, um líder disse que o fechamento de igrejas incentivou os seguidores das religiões tradicionais africanas a zombar de pastores.

Da mesma forma, a COVID-19 afetou a subsistência dos líderes da igreja. Muitos não recebem salários, mas esperam apoio financeiro das doações de suas comunidades. Quando as atividades da igreja pararam, as doações caíram em cerca de 40%, disseram líderes que vão do Egito à América Latina. Isso também afetou a assistência humanitária às próprias comunidades, tanto dentro como fora das igrejas.


Alguns cristãos, de áreas que vão desde a África Subsaariana à América Latina, disseram que a pandemia significou que havia menos pressão para participar ou contribuir com rituais e festivais locais. Ao mesmo tempo, porém, a maioria dos convertidos com origem em outras religiões disse que o confinamento ao lar os prendeu com seus maiores perseguidores. Essa vulnerabilidade doméstica afetou especialmente mulheres e crianças. Para milhões, trabalho, educação e outros interesses externos proporcionam uma trégua do escrutínio e do ataque, bem como do abuso físico, emocional, verbal e psicológico em casa. Entre os países do Top10 da Lista Mundial da Perseguição 2021, o número de mulheres que relataram violência psicológica aumentou, assim como a perda de contato com outros cristãos.

Relatórios de sequestro, conversão e casamento forçados de mulheres e meninas aumentaram. Um caso típico é o da cristã egípcia Rania Abdel-Masih, 39 anos, mãe de três filhas, que se ofereceu como voluntária para um conhecido projeto cristão-muçulmano. Depois de desaparecer em abril, no caminho para encontrar a irmã, ela apareceu em vídeos on-line ligados à Irmandade Muçulmana vestindo o niqab (véu que cobre o rosto, usado por grande parte das mulheres muçulmanas no Egito), dizendo que ela era muçulmana havia anos. Parecendo ansiosa, ela estava claramente falando sob pressão. Três meses depois, após a cobertura da mídia e da diplomacia da Igreja Copta, ela pôde retornar para a família, insistindo que nunca havia se convertido ao islã.

2. A militância islâmica violenta explorou as restrições da COVID-19 para se espalhar na África Subsaariana

Sahel Africano

Na região do Sahel, imediatamente ao sul do deserto do Saara, o extremismo islâmico é alimentado pela injustiça e pela pobreza. Os jihadistas exploram as falhas de governos frágeis; espalhando propaganda, recrutamento e ataques. Alguns grupos se comprometeram a travar a jihad contra os “infiéis” porque, dizem eles, é por causa deles que “Alá pune a todos” com a pandemia.

Em toda a África Subsaariana, a igreja enfrentou níveis de violência até 30% mais altos do que no ano passado – ao contrário de outras partes do mundo, onde as restrições e toques de recolher significaram uma queda na violência contra os cristãos. Várias centenas de aldeias nigerianas em sua maioria cristãs foram ocupadas ou saqueadas por pastores de cabra fulanis armados; às vezes, campos e plantações foram destruídos em uma aparente estratégia de "terra queimada" (estratégia militar que visa destruir qualquer coisa que possa ser útil ao inimigo).



Um funcionário da ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados, disse que o Sahel Central – Mali, Burkina Faso e Níger – é o epicentro da crise de deslocamento e proteção que mais cresce no mundo. Em Burkina Faso, 1 milhão de pessoas – 1 em cada 20 da população – foram deslocadas (e milhões mais passam fome) como resultado da seca, bem como da violência. O conflito impediu os cristãos em mais de 1.000 aldeias de votarem na eleição de novembro. Em 2020, Burkina Faso entrou na Lista Mundial da Perseguição (LMP) pela primeira vez. No período de pesquisa da LMP 2021*, extremistas islâmicos continuaram a visar igrejas (14 mortos em um ataque, 24 em outro). No Mali, reféns cristãos ocidentais ainda são mantidos e mortos.

O impacto da COVID-19 ajudou a convencer jovens desempregados a explorar conflitos étnicos, tribais e religiosos sobre terras, recursos e política. O tráfico humano e de armas é comum. O Observatório de Direitos Humanos relatou que, apesar dos bloqueios da COVID-19, houve mais de 85 ataques a estabelecimentos de ensino em Burkina Faso, Mali e Níger entre janeiro e julho de 2020. Como resultado, as milícias de autodefesa proliferaram, mesmo com a fragmentação dos grupos jihadistas.

No entanto, o líder do Boko Haram, grupo extremista islâmico baseado na Nigéria, Abubakar Shekau, continua a construir sinergias entre suas facções, militantes fulanis extremistas e gangues criminosas, explorando falhas de governança em todo o Norte da Nigéria. O Boko Haram e seu grupo dissidente, o Estado Islâmico da África Ocidental (ISWAP, da sigla em inglês), foram responsáveis ??por cerca de 400 incidentes violentos no Extremo Norte de Camarões – um aumento de 90% em relação aos 12 meses anteriores; 234 incidentes foram contra civis.

África Oriental

Na África Oriental, Moçambique enfrenta a violência de uma ramificação do Estado Islâmico da África Central, popularmente chamada de al-Shabaab, mas diferente do grupo somali. Esse grupo de Moçambique quer impor a sharia (conjunto de leis islâmicas) entre as províncias do Norte ricas em minerais, mas menos desenvolvidas, que fazem fronteira com a Tanzânia. A província Cabo Delgado enfrentou desde 2017 mais de 1.150 mortes em 600 ataques, com mais de 300.000 desabrigados. No país, o grupo Anwar al Sunna é inspirado pela mente dominante por trás dos atentados às embaixadas dos EUA em Nairóbi e Dar-as-Salaam. O Anwar al Sunna também já atacou aldeias cristãs na fronteira da Tanzânia, onde o presidente Magufuli obteve uma vitória eleitoral esmagadora em outubro.

A República Democrática do Congo (RDC) é atormentada por seu próprio grupo ligado ao Estado Islâmico, as Forças Democráticas Aliadas (ADF, da sigla em inglês). Anteriormente, o grupo tentou derrubar o governo de Uganda, mas assim que foi empurrado para a RDC, estabeleceu-se na província de Kivu do Norte. Ali, a ADF tem controle quase total sobre vastas áreas rurais, onde por anos atacou escolas e clínicas dirigidas por cristãos, incendiou igrejas e matou líderes comunitários. Um relatório da ONU de 2020 estima que a ADF – que matou mais de 1.000 civis na RDC desde o início de 2019 – pode ter cometido crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

A Etiópia (60% cristã e 34% muçulmana) está sob pressão de grupos étnico-políticos com conotações religiosas e vulnerável ao islã político, enquanto potências como Turquia, Arábia Saudita e Irã disputam influência regional no país.

3. A COVID-19 legitimou o aumento da vigilância e restrições por governos totalitários e autoritários

A China insiste que se moveu assertivamente para conter a COVID-19, mas para seus 976 milhões de cristãos, o custo de pesadas restrições – com a possibilidade de vigilância alcançando suas casas, rastreando a interação on-line e off-line e até mesmo digitalizando seus rostos no banco de dados de Segurança Pública – é alto.

Das cerca de 570 milhões de câmeras de segurança internas da China, milhões têm sistemas avançados de reconhecimento facial, muitas vezes ligados a delegacias de polícia e autoridades locais. O país planeja construir um Sistema de Crédito Social (SCS), que será capaz de monitorar a atividade antigovernamental percebida no domínio público e qualquer dissensão do credo comunista.

Relatórios de condados nas províncias de Henan e Jiangxi dizem que essas câmeras estão agora em todos os locais religiosos aprovados pelo Estado. Muitas dessas câmeras de reconhecimento facial foram instaladas próximas a câmeras de segurança padrão, mas elas se conectam ao Departamento de Segurança Pública, o que significa que a inteligência artificial pode se conectar instantaneamente a outros bancos de dados governamentais.

Em fevereiro, no auge da epidemia, o Departamento de Assuntos Religiosos da província de Jilin, no Nordeste do país, exigiu que os departamentos religiosos de toda a província investigassem as igrejas domésticas. Incentivadas pelo sucesso no controle da COVID-19, as autoridades locais querem vincular os aplicativos de saúde para incorporar pontos de crédito social. Como temia-se, os créditos sociais já estão, em alguns lugares, ligados à religião.

Funcionários do Partido Comunista em Shanxi, Henan, Jiangxi, Shandong e outras províncias ameaçaram retirar os benefícios de bem-estar social, incluindo pensões, se os cristãos se recusassem a substituir as imagens cristãs, como cruzes, por fotos do presidente Xi Jinping.

As igrejas que recorrem a cultos on-line são vulneráveis ??ao monitoramento; até mesmo as igrejas afiliadas ao Movimento Patriótico das Três Autonomias e ao Conselho Cristão da China foram obrigadas a interromper os cultos on-line. "O governo monitora pessoas em todo o país", disse o diretor de uma igreja aprovada pelo governo na província oriental de Shandong.

A "sinização" do cristianismo foi ampliada e estendida em 1 de fevereiro de 2020 por novas regras que governam a organização da religião, a seleção de líderes e a contratação de funcionários. Cada vez mais, tanto igrejas das Três Autonomias quanto as "igrejas domésticas" não registradas experimentam o confisco de propriedades e materiais cristãos, inclusive Bíblias, bem como a apreensão, multas e prisões de líderes religiosos.

Em Shandongand, e cada vez mais em outros lugares também, as igrejas devem exibir pôsteres preparados pelo governo com versículos bíblicos ilustrando os 12 princípios: prosperidade, democracia, civilidade, harmonia, liberdade, igualdade, justiça, Estado de direito, patriotismo, dedicação, integridade e amizade.

Essa chamada "retificação" da religião resultou em uma mudança distorcida de um incidente do Novo Testamento, quando líderes religiosos arrastaram uma mulher na frente de Jesus, antes de pretenderem apedrejá-la por adultério. Ele os desafiou e eles partiram. Mas em um livro oficial de ética, Jesus espera que seus acusadores saiam e depois apedreja a própria mulher, dizendo: “Eu também sou um pecador. Mas se a lei só pudesse ser executada por homens sem mancha, a lei estaria morta”.

Empresas chinesas, como Huawei, fornecem tecnologia de vigilância para 63 países, alguns conhecidos por violações de direitos humanos e segmentação de minorias étnicas e religiosas, como Mianmar, Laos, Irã, Arábia Saudita e Venezuela.

4. O nacionalismo impulsionado pela identidade religiosa majoritária surgiu em países como Índia e Turquia

Índia

Em meio a uma onda de nacionalismo hindu, os cristãos indianos são constantemente pressionados pela propaganda. O primeiro-ministro Narendra Modi, agora em seu segundo mandato, reforçou a mensagem nacionalista de que "para ser indiano, você deve ser hindu", o que, na prática, significa que multidões continuam a atacar e perseguir cristãos, bem como muçulmanos. A Índia também continua a bloquear o fluxo de fundos estrangeiros para muitos hospitais, escolas e organizações religiosas administradas por cristãos.

Funcionários do Partido Comunista em Shanxi, Henan, Jiangxi, Shandong e outras províncias ameaçaram retirar os benefícios de bem-estar social, incluindo pensões, se os cristãos se recusassem a substituir as imagens cristãs, como cruzes, por fotos do presidente Xi Jinping.

As igrejas que recorrem a cultos on-line são vulneráveis ao monitoramento; até mesmo as igrejas afiliadas ao Movimento Patriótico das Três Autonomias e ao Conselho Cristão da China foram obrigadas a interromper os cultos on-line. "O governo monitora pessoas em todo o país", disse o diretor de uma igreja aprovada pelo governo na província oriental de Shandong.

A "sinização" do cristianismo foi ampliada e estendida em 1 de fevereiro de 2020 por novas regras que governam a organização da religião, a seleção de líderes e a contratação de funcionários. Cada vez mais, tanto igrejas das Três Autonomias quanto as "igrejas domésticas" não registradas experimentam o confisco de propriedades e materiais cristãos, inclusive Bíblias, bem como a apreensão, multas e prisões de líderes religiosos.

Em Shandongand, e cada vez mais em outros lugares também, as igrejas devem exibir pôsteres preparados pelo governo com versículos bíblicos ilustrando os 12 princípios: prosperidade, democracia, civilidade, harmonia, liberdade, igualdade, justiça, Estado de direito, patriotismo, dedicação, integridade e amizade.

Essa chamada "retificação" da religião resultou em uma mudança distorcida de um incidente do Novo Testamento, quando líderes religiosos arrastaram uma mulher na frente de Jesus, antes de pretenderem apedrejá-la por adultério. Ele os desafiou e eles partiram. Mas em um livro oficial de ética, Jesus espera que seus acusadores saiam e depois apedreja a própria mulher, dizendo: “Eu também sou um pecador. Mas se a lei só pudesse ser executada por homens sem mancha, a lei estaria morta”.

Empresas chinesas, como Huawei, fornecem tecnologia de vigilância para 63 países, alguns conhecidos por violações de direitos humanos e segmentação de minorias étnicas e religiosas, como Mianmar, Laos, Irã, Arábia Saudita e Venezuela.

4. O nacionalismo impulsionado pela identidade religiosa majoritária surgiu em países como Índia e Turquia

Índia

Em meio a uma onda de nacionalismo hindu, os cristãos indianos são constantemente pressionados pela propaganda. O primeiro-ministro Narendra Modi, agora em seu segundo mandato, reforçou a mensagem nacionalista de que "para ser indiano, você deve ser hindu", o que, na prática, significa que multidões continuam a atacar e perseguir cristãos, bem como muçulmanos. A Índia também continua a bloquear o fluxo de fundos estrangeiros para muitos hospitais, escolas e organizações religiosas administradas por cristãos.

Turquia

Na Turquia, o presidente Erdogan também atendeu às expectativas de seus eleitores sobre o principal local religioso do país. Hagia Sophia, a maior estrutura do mundo quando construída como uma catedral cristã ortodoxa para o imperador romano Justiniano, foi transformada em uma mesquita após a tomada de Constantinopla pelos turcos em 1453. O fundador da Turquia secular, Ataturk, decretou que o lugar deveria ser um museu, em 1934. Mas em julho de 2020, Erdogan convenceu um tribunal a transformá-la novamente em mesquita, fortalecendo o nacionalismo turco. Um mês depois, muito menos divulgada, outra igreja considerada Patrimônio Mundial da UNESCO, Chora, foi transformada de museu em mesquita.

A influência turca se espalha além de suas fronteiras, principalmente em seu apoio ao Azerbaijão no conflito com a Armênia sobre o enclave cristão de Nagorno-Karabakh. Durante o conflito, armênios e cristãos caldeus na capital turca, Ancara, foram espancados enquanto outros em Istambul foram ameaçados por multidões de direita, mostrando como a animosidade inter-religiosa de um século pode ser desencadeada.

No Norte do Iraque, a Turquia continuou a atacar o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, que é considerado uma organização terrorista. Pelo menos 25 aldeias cristãs foram esvaziadas como resultado de tais ataques desde o início de 2020. Muitos cristãos, que fugiram da Planície de Nínive e Mosul durante o controle do Estado Islâmico, mudaram-se para a área de Dohuk, mas acabaram enfrentando os ataques da Turquia. Isso tornou a situação deles ainda mais vulnerável. A subsistência e a segurança continuam sendo fundamentais para os cristãos que agora retornaram à Planície de Nínive.

O fato de a Turquia realocar seus refugiados vindos de outras partes da Síria enviando-os de volta para o Nordeste da Síria continua a mudar a demografia da região. Isso deixa os cristãos curdos ex-muçulmanos especialmente vulneráveis, bem como as comunidades de fé históricas. Em outubro de 2019, ataques aéreos e bombardeios turcos, assim como ataques por forças turcas junto com grupos islâmicos sírios mercenários, forçaram centenas de cristãos a fugir.

Em 2020, a Comissão de Inquérito da ONU sobre a Síria disse: “O Exército Nacional Sírio, apoiado pela Turquia, pode ter cometido crimes de guerra como tomada de reféns, tratamento cruel, tortura e estupro” e exortou a Turquia a interromper as violações cometidas por grupos armados sob seu controle, incluindo assassinatos, sequestros, transferências ilegais, apreensão de propriedades e despejos forçados. (Há relatos de que as propriedades dos cristãos foram marcadas com um “N”, da mesma forma que o Estado Islâmico fez em 2014, para discriminar os cristãos como “nazarenos”).

A Turquia também tem fortes interesses geoestratégicos na Líbia – especialmente em suas reservas marítimas de petróleo e gás – pois é a chave para a expansão regional com base nas ambições de um ressurgente Império Otomano. A Turquia é conhecida por apoiar facções jihadistas locais, bem como por levar para seu país mais de 4.000 jihadistas sírios.

5. A COVID-19 ajudou grupos criminosos organizados da América Central e América Latina a consolidar seu controle

No México, a luta para conter o coronavírus prejudicou a capacidade das instituições nacionais e locais de lidar com o crime organizado. Em quatro regiões, grupos de narcotráfico impuseram seus próprios toques de recolher relacionados à COVID-19. Bispos católicos, padres e pastores protestantes que os desafiam podem ser extorquidos, emboscados, roubados, fuzilados e até mortos. Para piorar a situação, muitos grupos de narcotráfico construíram capital político e social ao suprir a lacuna nos serviços governamentais de alimentação, educação e empregos.

Na Colômbia, em vários lugares onde guerrilheiros e paramilitares controlam áreas rurais, pastores cristãos foram obrigados a vigiar os pontos de entrada e saída para evitar a transmissão do vírus. Isso afetou a credibilidade dos pastores com suas congregações.

El Salvador e Honduras estão fora do Top50, mas registraram alto nível de perseguição este ano, estando entre os Países em Observação. Em ambos os países, antes da pandemia, grupos ilegais governavam territórios. Em El Salvador, grupos como o MS13 são conhecidos por usar o estupro como arma. Este ano, houve relatos de filhas de pastores cristãos abusadas sexualmente como estratégia para destruir as famílias.

Por fim, algumas boas notícias

O Sudão aboliu a pena de morte por apostasia, ou seja, renúncia ao islã. A nova constituição garante liberdade de religião, omite a sharia como fonte primária de lei e não especifica mais o islã como religião oficial – embora após 30 anos ainda haja muita resistência a tais mudanças radicais; mudar a constituição é mais fácil do que mudar a mentalidade cultural. Mas a vida dos 6% de cristãos do Sudão está melhorando, como quando um tribunal declarou oito líderes da igreja inocentes das acusações que pairavam sobre eles por três anos.

No Iraque, depois de sobreviver à ocupação de Mosul por militantes do Estado Islâmico, desde 2017, um grupo de jovens voluntários muçulmanos vem limpando constantemente igrejas e casas destruídas, dizendo que querem encorajar os cristãos desabrigados a voltar e ficar, porque sua história está enraizada naquela parte do Oriente Médio.

* O período de pesquisa da Lista Mundial da Perseguição foi 1 de outubro de 2019 a 30 de setembro de 2020.

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