Apesar de diálogo com a Etiópia, nada mudou na Eritreia

Um ano após a visita do primeiro-ministro etíope ao país vizinho, além da retomada dos voos e ligações, tudo continua igual

Há pouco mais de um ano, , em 8 de julho de 2018, o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, fez uma visita pacífica histórica à Eritreia. Mas as esperanças de verdadeira transformação após a visita foram frustradas por uma série de situações, incluindo a recente ação contra cristãos, provavelmente em resposta a uma carta pastoral pedindo por uma mudança duradoura.

Cristãos têm alertado que as coisas não mudaram em nada para eles, o que pode ser percebido claramente após as numerosas prisões de cristãos no último ano, incluindo uma de cerca de 140 cristãos há cerca de um mês. Mas outras coisas não mudaram, como listado em um artigo do jornal The Economist, em 11 de julho: “A questão mais irritante do acordo de paz, a demarcação física da fronteira, parece ter acabado em um grande gramado. Áreas disputadas, como Badme, a vila onde a guerra começou, permanecem sob a administração etíope. Tropas se olham em lados opostos da fronteira”.

Para a Etiópia, um dos benefícios do acordo de paz era o potencial uso do porto de Massawa, na Eritreia. De acordo com o jornal, a Etiópia enviou um projeto de acordo comercial para Asmara no último ano, mas fontes internas dizem que não ouviram mais nada desde então. Apesar das linhas telefônicas e voos entre Etiópia e Eritreia terem sido retomados e eritreus poderem deixar o país, a Eritreia, mais uma vez, fechou a fronteira com a Etiópia sem nenhuma explicação. Como resultado, os preços dos alimentos subiram e mercados em Asmara estão novamente sem movimento devido à interrupção do comércio fronteiriço.

Governo eritreu
O governo não deixou claro se o alistamento será limitado a 18 meses novamente. Além disso, alguns oficiais pararam de trabalhar. Departamentos como comércio e educação, permanecem aparentemente vazios. Ao que tudo indica, o presidente da Eritreia, Isaias Afewerki, realizou apenas um encontro de gabinete no ano passado. De acordo com o artigo, as pessoas começaram a reclamar abertamente contra o presidente, mesmo que isso signifique a perda de seus mantimentos.

Em Asmara, há novas pichações que pedem pelo fim do alistamento. Panfletos rebeldes impressos na Etiópia, bem como dois novos canais televisivos ligados à oposição exilada, estão provocando ira. “Protestos silenciosos estão crescendo”, um oficial do exército disse ao veículo de comunicação. Possivelmente por medo, o presidente bloqueou as mídias sociais por semanas, fechou alguns cafés com internet e prendeu pessoas aleatórias. Ele também tem aparecido em público com menos frequência. Com isso, apesar da fronteira estar fechada desde setembro, mais de 60 mil eritreus encontraram uma forma de deixar a Eritreia e se registrarem como refugiados na Etiópia.

Pedidos de oração

Ore por sabedoria para que o primeiro-ministro etíope continue construindo laços diplomáticos e pressione por mudanças.