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Eritreia

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Eritreia
  • Tipo de Perseguição: Paranoia ditatorial, protecionismo denominacional, corrupção e crime organizado, opressão islâmica
  • Capital: Asmara
  • Região: Sul e Leste da África
  • Líder: Isaias Afewerki
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo, cristianismo
  • Idioma: Tigrinya, árabe, inglês, tigre, kunama, afar e outras línguas cushitas
  • Pontuação: 88


POPULAÇÃO
5,5 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
2,6 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos na Eritreia? 

Apesar de quase metade da população se identificar como cristã, os cristãos na Eritreia continuam enfrentando perseguição extrema. O país continua sendo um dos lugares mais difíceis do mundo para seguir a Jesus. 

O governo reconhece apenas três denominações — ortodoxa, católica e luterana. Aqueles que não fazem parte desses grupos estão em risco de perseguição severa nas mãos do Estado. Reuniões são invadidas e cristãos presos. As condições enfrentadas por cristãos nas prisões podem ser desumanas. Alguns pastores estão encarcerados há mais de uma década e enfrentam confinamento solitário. Possivelmente, há mais de mil cristãos presos na Eritreia, sem nenhuma acusação formal. Enquanto alguns são soltos, muitos desses são transferidos para o serviço militar — que não significa ser livre de fato — ou prisão domiciliar. A contínua detenção de cristãos mostra que o governo não tem intenção de relaxar suas políticas repressivas. 

Cristãos não reconhecidos pelo Estado são principalmente vulneráveis a vigilância diária imposta pelo Estado, com celulares monitorados, banda larga mantida lenta e uma rede de cidadãos encarregados de espiar os vizinhos. Esse nível de monitoramento invasivo leva a Eritreia a manter o título de “Coreia do Norte da África”. 

Enquanto isso, convertidos do islamismo e da Igreja Ortodoxa Eritreia enfrentam maus-tratos das famílias e das comunidades.  

A igreja na Eritreia permanece em grande necessidade de oração. O governo ainda tem a mesma ideologia que o leva a reprimir os cristãos. Vimos a pressão aumentar sobre a igreja em 2021. A pandemia ofereceu uma desculpa ao governo para ser mais controlador do que nunca. A igreja permanece sob intensa vigilância e a situação tem piorado desde o início da Guerra do Tigré [no Norte da Etiópia, perto da fronteira com a Eritreia].” 

Yasin A (pseudônimo)diretor da Portas Abertas no Oeste Africano

O que mudou este ano? 

Muito pouco mudou, exceto por um leve aumento na pressão às igrejas. O país permanece em 6º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2022, ainda sendo um dos lugares mais difíceis no mundo para seguir a Jesus. 

Quem persegue os cristãos na Eritreia? 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Eritreia são: paranoia ditatorial, protecionismo denominacional, corrupção e crime organizado, opressão islâmica.

Já afontes de perseguição são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na Eritreia são: oficiais do governo, partidos políticos, redes criminosas, líderes religiosos cristãos, parentes, cidadãos e quadrilhas, líderes religiosos não cristãos. 

Quem é mais vulnerável à perseguição na Eritreia? 

Considerando que a perseguição pelo Estado afeta cristãos por toda a Eritreia, outras formas de oposição são mais localizadas. As partes oeste e leste do país são de maioria muçulmana, enquanto as áreas centrais são de cristãos ortodoxos. Cristãos de origem muçulmana ou ortodoxa que vivem principalmente nessas regiões são mais suscetíveis à perseguição.  

Como as mulheres são perseguidas na Eritreia? 

Cristãs ex-muçulmanas podem enfrentar sequestro, prisão domiciliar, casamento forçado, divórcio ou separação dos filhos. Aquelas que vêm de contexto ortodoxo também podem enfrentar pressão e perseguição, embora com menor extensão. 

Considerando que em muitos países mulheres são isentas do serviço militar, na Eritreia, mulheres também são sujeitas ao treinamento militar obrigatório e ao serviço militar. Recrutas mulheres são vulneráveis a várias formas de violência de gênero, incluindo de carcereiros e comandantes. Muitas escolhem fugir do país para evitar tal destino. 

Centenas de mulheres também experimentam violência de gênero enquanto são mantidas em centros de detenção. 

Como os homens são perseguidos na Eritreia? 

Na Eritreia, embora qualquer pessoa que for descoberta frequentando uma igreja doméstica secreta provavelmente seja presa, os homens cristãos são mais propensos a espancamentos, trabalhos forçados e até mesmo morte. 

Como a maioria das posições de liderança nas igrejas não registradas são ocupadas por homens, a prisão deles causa um vazio na liderança, bem como problemas econômicos para a família na qual eles são o provedor. O impacto se estende às escolas, onde os filhos de pastores podem ser insultados e rotulados como “pente” (cristão de uma igreja pentecostal), uma classificação considerada vergonhosa e que pode colocar a vítima em perigo  

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Eritreia? 

A Portas Abertas trabalha por meio de igrejas parceiras locais na Eritreia para fornecer treinamento de discipulado, projetos de empoderamento econômico e treinamento para sobreviventes da perseguição.  

Como posso ajudar os cristãos perseguidos na Eritreia? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, você leva alimentos, remédios e outras necessidades essenciais para um cristão eritreu vítima de perseguição violenta.

Pedidos de oração da Eritreia 

  • Ore para que os cristãos presos e suas famílias sejam sustentados pela graça e pela presença de Deus. 
  • Clame por sabedoria, discernimento e ousadia para cristãos enquanto buscam estar juntos apesar das ameaças de vigilância. 
  • Interceda para que cristãos de contexto islâmico e ortodoxo sejam encorajados e empoderados para permanecerem firmes na fé.  

Um clamor pela Eritreia 

Pai celestial, oramos por todos os nossos irmãos e irmãs que estão aprisionados por causa fé. Que eles e suas famílias encontrem força hoje em sua paz “que excede todo o entendimento” (Filipenses 4.7). Obrigado porque alguns cristãos foram libertos nos últimos meses; intervenha poderosamente para libertar outros. Conceda comunhão para todos os cristãos e proteja as reuniões dos olhos atentos do Estado. Trabalhe no coração do presidente Afewerki para trazê-lo ao arrependimento e mostrá-lo o valoroso papel que os cristãos desempenham na sociedade eritreia. Amém

O presidente Isaias Afewerki governou a Eritreia desde que se tornou um país independente em 1993. Sua Frente Popular para a Democracia e a Justiça (PFDJ) é o único partido político e enfrenta uma forte pressão da comunidade internacional devido a seu histórico de desrespeito aos direitos humanos. 

A economia do país está estagnada e milhares estão fugindo. Isso levou a um golpe fracassado em janeiro de 2013, quando um grupo de oficiais militares tentou assumir o controle das mídias estatais. Ultimamente, o país vem tentando modificar seu relacionamento com a comunidade internacional. 

O ano de 2018 abriu um período de mudanças significativas na Eritreia internacionalmente, se não domesticamente. No início de julho de 2018, a Eritreia assinou um acordo de paz com a vizinha Etiópia para acabar com um conflito de duas décadas e trabalhar para a promoção de cooperação estreita nas áreas política, econômica, social, cultural e de segurança. O evento dramático em Asmara foi seguido pela histórica visita do presidente Isaias Afewerki a Addis Ababa, na Etiópia, uma semana depois para continuar o fortalecimento das relações pacíficas entre dois países culturalmente ligados. De forma complementar, como uma evidência da rápida melhora nas relações, a Eritreia reabriu sua embaixada em Addis Ababa e nomeou um embaixador para representá-la. 

A paz no Chifre da África foi consolidada quando a Eritreia encerrou a hostilidade com Djibuti e Somália assinando acordos de paz com os dois países após o degelo diplomático nas relações entre Addis-Asmara. Em novembro de 2018, a ONU deixou as sanções que tinha imposto a Eritreia cerca de uma década antes. Mas esses gestos de paz não foram compatíveis a melhorias nos direitos humanos no país. Em 17 de setembro de 2018, um antigo ministro das Finanças da Eritreia foi preso quase uma semana depois de ter publicado um livro que criticava o atual sistema político do país sob o comando de Isaias Afewerki. Eritreus têm fugido do país para a Etiópia como refugiados (tirando vantagem da abertura da fronteira entre os dois países), temendo que essa porta para a liberdade seja fechada novamente. Mais de dois anos após o acordo de paz com a Etiópia já se passaram, e as condições de direitos humanos não melhoraram em nada na Eritreia. Na verdade, o acordo de paz parece ter mais fortalecido a posição atual do governo eritreu do que o encorajado a melhorar seu fraco desempenho na violação de direitos humanos, na transparência do governo e na prestação de contas. 

O governo da Eritreia permanece um dos mais repressivos do mundo. O recrutamento militar obrigatório continua (apesar do pretexto de uma ameaça existente por parte da Etiópia ter sido removida por conta do recente acordo de paz); não há anistia para prisioneiros políticos; a prisão de cristãos pertencentes a denominações cristãs banidas continua; e há até mesmo evidências de um fechamento gradativo de todas as fronteiras para a Etiópia. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

A dinâmica sociopolítica da Eritreia, as liberdades civis e o sistema político estão dominados pelo presidente Isaias Afewerki. Pelo tempo que a Eritreia existe — desde 1991 (de fato) — ele foi o único governante do país. O partido de Afewerki — Frente Popular para Democracia e Justiça (PFDJ) — é a única entidade política legal no país e mantém uma ideologia política não democrática. 

Essa plataforma ideológica militarista baseia-se tanto na “luta de libertação” da Eritreia contra a Etiópia — que se estendeu de 1961 a 1991 — quanto no culto à personalidade de Afewerki, levando a uma das ditaduras mais persistentes na África. Nesse contexto, muitos eritreus, incluindo muçulmanos e cristãos, percebem a identidade nacional da Eritreia como mais importante do que os direitos individuais e a etnia. 

A promoção do governo dessa ideologia nacional ajudou a canalizar potenciais conflitos sociais e étnicos em harmonia social e, assim, ajudou a evitar grandes agitações sociais e conflitos. No entanto, a elite governante é principalmente do grupo étnico tigrinya. 

Em termos de liberdades civis, os governos ocidentais e as organizações de direitos humanos consideram a Eritreia como um dos países mais repressivos do mundo, como a Coreia do Norte, o Turcomenistão e o Irã. Por exemplo, o protesto político não é permitido e a imprensa é restrita ao ponto de não haver organizações de mídia independentes no país. 

Aqueles percebidos como pertencentes à oposição ou como uma ameaça para a estabilidade da Eritreia são detidos e tratados com dureza. Consistente com isso, também não há eleições livres e justas no país, ou outros direitos civis ou políticos. Em uma das entrevistas mais longas que já realizou com os principais meios de transmissão, o presidente Afewerki disse a um repórter da Al-Jazeera (rede de televisão do Catar) em julho de 2012: “Não existe uma mercadoria chamada democracia na Eritreia”. 

Essas restrições aos direitos humanos internacionalmente reconhecidas, incluindo a liberdade de religião, são justificadas pelo governo com a alegação de que esses direitos constituem uma ameaça à harmonia social e religiosa do país. Isso significa que a introdução de tipos não nativos de cristianismo, ou seja, protestantes não tradicionais, como os pentecostais, ou certas formas do islamismo, como o salafismo, será vista como uma potencial ameaça para a sociedade eritreia. Além disso, parece que especialmente os tigrinya étnicos aceitam o sacrifício de direitos civis e políticos em função da estabilidade interna e da proteção contra a Etiópia. 

Porém, a surpresa da década, também ocorrida no ano de 2018, foi quando se constatou que o novo primeiro-ministro da Etiópia tinha visitado a Eritreia. Em 9 de julho, os dois países assinaram um acordo de paz, oficialmente acabando com décadas de conflito armado e diplomático. Em 1998, uma dura guerra surgiu entre os dois países em que mais de 70 mil pessoas perderam suas vidas e famílias foram separadas. Agora, 20 anos depois, os dois países retomarão a cooperação econômica e diplomática, a companhia aérea Ethiopia Airlines começará a voar para Asmara e a Etiópia começará a usar o porto de Assab de novo. 

Esse acordo traz uma pergunta legítima a se fazer: o que isso significa para os cristãos que têm enfrentado a prisão por décadas na Eritreia? Não há indicações que as centenas de cristãos atualmente na prisão sejam soltos em breve. Qualquer acordo de paz que não compreenda direitos humanos e liberdade religiosa como princípio fundamental não se manterá. Em 2019 e 2020, não houve progresso a esse respeito. 

A Eritreia é um dos países mais corruptos do mundo. De acordo com um relatório divulgado em 2020 pela Transparency International, o país ocupa a 160ª posição entre 180 países. Isso envolve principalmente o exército que controla muitos aspectos da vida no país.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

Para entender o cenário religioso de hoje é necessário olhar para a história da Eritreia. O cristianismo dominou a vida dos eritreus por muitos séculos. O islamismo foi introduzido pelos árabes nas áreas costeiras do Mar Vermelho durante o século 7. 

O estabelecimento de uma guarnição em torno de Maçuá pelos turcos em 1557 tornou, efetivamente, a Eritreia uma colônia do Império Otomano. Na década de 1860, os governantes egípcios compraram o porto de Maçuá dos turcos e o tornaram sede do governo local.  

Em 1890, a Itália reivindicou a propriedade da Eritreia como uma colônia. A presença de turcos e egípcios tornou os muçulmanos na área costeira muito poderosos. Os escoceses (cristãos), porém, ganharam algum terreno quando a Eritreia se tornou uma colônia italiana. A Itália foi derrotada na Segunda Guerra Mundial e a Grã-Bretanha assumiu o controle da Eritreia em 1941. 

Em 1952, as Nações Unidas decidiram fazer da Eritreia uma componente federal da Etiópia. A estrutura federal foi posteriormente abolida pelo rei etíope para tornar a Eritreia parte da Etiópia (forma de governo unitária), declarando a Eritreia como uma das províncias, não um Estado federal. Isso levou à formação do movimento de libertação eritreu. 

Conduzido de forma excessiva pelos muçulmanos das terras baixas, o movimento de libertação declarou sua intenção de formar uma república. Como a maioria dos cristãos ortodoxos da Eritreia tinha um forte relacionamento com a Igreja Ortodoxa Etíope, eles viram o movimento dos muçulmanos como perigoso. Alguns dos muçulmanos fundamentalistas também consideravam os cristãos ortodoxos como uma grande ameaça à causa da independência. Desde então, ambos são desconfiados um do outro. No entanto, a maioria dos líderes do fronte que ajudaram a Eritreia a se tornar uma nação independente eram cristãos ortodoxos. Esses líderes, então, se tornaram cada vez mais hostis com relação a cristãos de outras denominações. 

Aproximadamente metade da população eritreia é muçulmana. Uma vez que os muçulmanos residem principalmente nas terras baixas ao longo da costa do Mar Vermelho e na fronteira com o Sudão, os muçulmanos eritreus estão mostrando uma tendência ao radicalismo, em parte devido ao aumento da militância islâmica na região. Isso significa que os cristãos que vivem nessas áreas são particularmente vulneráveis, especialmente os convertidos do islã. Os muçulmanos eritreus são “primeiro muçulmanos” e “segundo da Eritreia”. A conversão ao cristianismo é vista como uma traição à fé comunitária, familiar e islâmica. 

A Igreja Ortodoxa da Eritreia tem uma longa presença histórica no país e, às vezes, pressiona cristãos de diferentes contextos, os observando como recém-chegados. Grupos pentecostais, em particular, não são considerados legítimos. A ironia é que essa denominação também enfrenta violência, intolerância e discriminação conduzidas pelo governo e fontes de opressão islâmica.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

O partido no poder e os militares são atores cruciais no sistema econômico que a Eritreia adotou. Possuem fazendas, bancos e outros estabelecimentos comerciais. Os cidadãos comuns podem ganhar algum dinheiro como agricultores e pastores de subsistência, ou vendendo gado para os interessados no Iêmen e na Arábia Saudita. As ONGs não podem operar de forma independente, pois suas finanças precisam ser canalizadas por meio do governo, que enfrenta altos níveis de corrupção. 

A Eritreia não recebe praticamente nenhuma ajuda internacional do Ocidente principalmente por causa da condição de abusadora de direitos humanos. Dito isso, é política do governo não confiar em fontes externas, ser autossuficiente em termos econômicos e moldar a própria fortuna econômica. 

No entanto, os países do Golfo (incluindo o Irã) e a China investem no país e complementam o orçamento nacional. Por meio do investimento estratégico no estabelecimento de infraestrutura-chave, como usinas de energia, barragens, estradas e serviços sociais (escolas, clínicas médicas e água limpa), a Eritreia experimentou um crescimento de 7% a 10%, após sua independência. Esse investimento foi sufocado após a guerra de 1998-2000 com a Etiópia, uma vez que muito de seus recursos foram direcionados para a defesa nacional.  

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

De acordo com o site Every Country: “O termo Eritreia deriva de Sinus Erythraeus, nome que um comerciante grego deu no século 3 ao corpo de água entre a Península Arábica e o continente africano (agora conhecido como Mar Vermelho). Depois, durante o Império Romano, os romanos chamaram de Mare Erythraeum, que literalmente significa “o mar vermelho”. Quando a Itália colonizou a faixa de terra junto ao Mar Vermelho, em 1890, deu o nome de Eritreia. 

O cenário sociocultural na Eritreia é marcado por regras patriarcais, bem como controle rigoroso e escrutínio das forças do governo. Regras sociais discriminatórias e estereótipos muito enraizados quanto ao papel e a responsabilidade de mulheres e homens persistem, deixando as responsabilidades domésticas principalmente com as mulheres e o poder para tomar decisões com os homens. A violência doméstica permanece uma questão preocupante, sobretudo porque os responsáveis raramente são levados à justiça. 

O governo eritreu está investindo na melhoria da educação para meninas. Em um relatório de 2018, o Ministério da Educação destacou a necessidade de mais professoras e materiais de treinamento sobre conscientização de gênero. Enquanto tais desenvolvimentos são bem recebidos, a organização Human Rights Watch nota que o sistema do Ensino Médio permanece um canal para recrutar de forma forçada pessoas para o serviço nacional, exigindo que elas gastem o último ano de seus estudos em acampamento militar. 

A Eritreia tem muitos agentes complexos de perseguição, assim como de perseguidos. Jovens cristãos são forçados a se juntar às forças armadas segundo a lei do país, mas sem manter o direito de objeção de consciência. Isso se intensificou durante a guerra no Norte da Etiópia, em que a Eritreia lutou ao lado do governo etíope contra a Frente Popular de Libertação do Tigré. De modo especial, os manifestantes enfrentam sérios problemas no acesso aos recursos comunitários, principalmente os serviços sociais prestados pelas autoridades do Estado. 

O cristianismo entrou na Eritreia há mais de mil anos. A Igreja Ortodoxa Tewahedo Eritreia traça a história em direção à fundação da Igreja Copta Ortodoxa e sua separação, no século 5, do maior corpo do cristianismo ortodoxo oriental. Como os etíopes, a igreja da Eritreia reconhece Frumêncio (4º século) como seu primeiro bispo e segue as crenças e práticas dos etíopes [ortodoxos]. 

Em 1864, o protestantismo entrou na Eritreia por três missionários pertencentes à Missão Evangélica Sueca, que representa o luteranismo. Como o plano original de ir para a Etiópia foi impedido, os missionários decidiram permanecer na Eritreia e começaram a trabalhar com o povo kunama — um grupo étnico nilótico (natural ou habitante das margens ou terras banhadas pelo rio Nilo), cuja maioria vive na Eritreia, mas também na Etiópia. 

Na era moderna, muitas outras partes da igreja protestante e livre entraram na Eritreia. Após a Segunda Guerra Mundial, a Igreja Presbiteriana Ortodoxa e as Missões de Fé Evangelística (uma agência de envio norte-americana) iniciaram o trabalho na Eritreia. Essa estabeleceu o que se tornou a Igreja Evangélica da Eritreia. Um ano após a Declaração de Independência, em 1993, a Convenção Batista do Sul iniciou o trabalho no país. Todos esses grupos, agora, trabalham fora dos regulamentos oficiais.

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