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Bahrein

BH
Bahrein
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, opressão do clã, paranoia ditatorial
  • Capital: Manama
  • Região: Península Arábica
  • Líder: Hamad bin Isa Al-Khalifa
  • Governo: Monarquia constitucional
  • Religião: Islamismo, cristianismo, judaísmo, outras
  • Idioma: Árabe, inglês, farsi, urdu
  • Pontuação: 57


POPULAÇÃO
1,6 MILHÃO


POPULAÇÃO CRISTÃ
196 MIL

[Atualizado em fevereiro de 2021. Em breve, esse conteúdo será atualizado conforme os dados da Lista Mundial da Perseguição 2022].

Um número considerável de cristãos expatriados (principalmente do Sul da Ásia) trabalham e vivem no Bahrein e podem praticar a fé em locais privados de adoração, desde que não pratiquem proselitismo. Os cristãos ex-muçulmanos nativos enfrentam pressão da família e da comunidade local para renunciar à fé cristã, deixar a região ou ficar em silêncio sobre a nova fé. Em muitos casos, os convertidos são alienados de suas famílias como resultado da conversão. Os muçulmanos expatriados que se convertem ao cristianismo experimentam níveis semelhantes de pressão como em seus países de origem, pois muitas vezes vivem dentro de suas próprias comunidades nacionais ou étnicas. 

A situação de perseguição no país manteve-se estável, com a pressão média sobre os cristãos permanecendo muito alta. A pressão foi maior nas esferas da vida privada e familiar, indicando que os cristãos ex-muçulmanos enfrentam a maioria das dificuldades. Houve aumento de um ponto na Lista Mundial da Perseguição 2021, que foi causado principalmente pelo aumento da pressão na esfera da vida nacional. Os principais tipos de perseguição são opressão islâmica, opressão do clã e paranoia ditatorial. 

“Para cristãos no país, qualquer revolta adiciona
pressão ao que eles já enfrentam no país.”

YONAS DEMBELE, ANALISTA DE PERSEGUIÇÃO SOBRE O BAHREIN  

Tendências 

Tanto o Irã quanto a Arábia Saudita buscam influenciar a política no país 

O Bahrein é muito propenso a mudanças na política regional, já que tanto o Irã quanto a Arábia Saudita querem influenciar a política do país. Há três fatores que merecem ser notados a esse respeito: i) a família real do grupo minoritário sunita parece ter consolidado seu poder com a ajuda da Arábia Saudita. No entanto, o descontentamento entre a maioria xiita discriminada continua sendo uma ameaça iminente; ii) a crise do Catar ainda está acontecendo, assim como a guerra no Iêmen, na qual o Bahrein está lutando ao lado da Arábia Saudita; iii) a influência de grupos islâmicos radicais na região ainda está presente (mesmo após a derrota militar do Estado Islâmico no Iraque e na Líbia). Em suma, a região é instável e isso coloca em risco a estabilidade do Bahrein e ameaça ter um efeito adverso sobre a presença cristã. 

A minoria xiita é vista como uma ameaça potencial ao governo 

As principais questões internas em curso são a opressão da oposição política e de outros grupos considerados dissidentes. A maioria xiita oprimida é vista como uma ameaça interna que poderia ser influenciada pelo Irã, tornando o Bahrein potencialmente vulnerável à intensificação da instabilidade interna ou a correntes regionais imprevisíveis. Essas incertezas podem levar ao aumento da incerteza econômica. No entanto, isso pode ser vantajoso para os cristãos no país, já que o governo está atualmente mais interessado em lidar com dissidentes xiitas do que em restringir as atividades da igreja cristã. 

Os Acordos de Abraão são significativos, mas a conversão ao cristianismo continua a ser uma questão sensível  

O Bahrein seguiu os Emirados Árabes Unidos na assinatura dos Acordos de Abraão e, portanto, na normalização com Israel, apesar das críticas claras de alguns cidadãos do país. A assinatura do Bahrein é significativa porque tal passo não teria sido dado sem a aprovação prévia do principal benfeitor e protetor, a Arábia Saudita. Também é significativo no sentido de que o Bahrein se aliena do mundo islâmico mais amplo, ao mesmo tempo em que se volta mais para o Ocidente.

Forçado pelos baixos preços do petróleo, que devem permanecer baixos devido à crise da COVID-19, o Bahrein deve diminuir sua dependência das receitas de hidrocarbonetos. O acesso às tecnologias modernas, bem como aos sistemas de armas de última geração para combater a ameaça militar iraniana na região são importantes para o futuro do Bahrein.

Além disso, o crescimento do turismo (israelense) e as oportunidades de negócios ajudarão a sustentar a economia do Bahrein. No entanto, embora a população esteja ocidentalizando, também tentará proteger sua identidade islâmica. Assim, a conversão do islã para o cristianismo provavelmente continuará sendo uma questão muito sensível e permanecerá problemática para os cristãos ex-muçulmanos.

O Bahrein, um país onde Irã e Arábia Saudita exercem influência significativa, é governando por um regime autoritário. O atual cenário político na região foi moldado pela Primavera Árabe que varreu a região em 2010. Nenhum outro estado do Golfo foi tão atingido pelas revoltas como o Bahrein. 

A maioria xiita, 60% da população, foi discriminada por um longo tempo no pequeno reino da ilha, conduzido pela família real sunita do califa. Xiitas têm menos acesso a empregos e habitação, menos direitos políticos e sofrem de pobreza e falta de igualdade econômica. Inspiradas pela agitação política na região, essas frustrações sociais cresceram em grande escala em fevereiro de 2011. O governo temeu que o Irã usasse as manifestações para aumentar sua influência, por isso dispersou todas as manifestações violentamente, matando e ferindo muitos.  

Outros países do Golfo, conduzidos pela Arábia Saudita, todos com significativas minorias xiitas, apoiaram os governantes do Bahrein por meio de intervenção militar. A ação do Irã foi limitada a ameaças retóricas. Mais protestos seguiram e continuaram até o começo de 2013. O governo do Bahrein admitiu o uso excessivo de violência e prometeu investigar quanto ao abuso de prisioneiros, reformas e diálogo. 

Em fevereiro de 2013, o diálogo nacional entre grupos do governo e da oposição foi retomado após um ano e meio de impasse, sem qualquer resultado substancial. A nomeação do politicamente moderado príncipe herdeiro Salman como vice-primeiro-ministro em março de 2013 é considerada um desenvolvimento positivo. Entretanto, a esperança de que o progresso acontecesse não se materializou. 

Em junho de 2017, o Bahrein se uniu à Arábia Saudita, aos Emirados Árabes Unidos e ao Egito no bloqueio ao Catar, cortando todos os vínculos e fechando todas as fronteiras com o Catar. O governo barenita provavelmente não teve escolha, já que a Arábia Saudita é seu principal protetor. Até agora, o boicote não teve maiores consequências para o Bahrein. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

O Bahrein é uma monarquia constitucional e se tornou um reino apenas em 2002, quando o rei sunita, o xeique Hamad, mudou seu título de emir para rei. O rei e sua família estão no poder desde 1999 e mantêm um governo firme na política do país e nos postos militares. Como resultado, a Economist Intelligence Unit (EIU), que fornece pesquisa e análise sobre os países, classificou o reino como autoritário e o relatório de 2019 da organização não governamental Freedom House rotulou o país como “não livre”. Os governantes sunitas continuam mantendo o poder sobre a maioria da população muçulmana xiita. Isso causa tensões e conflitos entre manifestantes e governo. Grupos de direitos humanos consideram o país um lugar hostil para dissidentes, protestos políticos pacíficos e imprensa independente. 

De acordo com o Índice de Transformação Bertelsmann (BTI) 2018: “O Bahrein está assumindo características de um Estado policial. [...] O governo intensificou sua repressão aos dissidentes, defensores de direitos humanos, clérigos, manifestantes e forças opositoras. O Al-Wefaq, o maior partido da oposição que representa a predominante maioria xiita do Bahrein, foi banido e seu secretário-geral, Ali Salman, sentenciado a nove anos de prisão por tentativa de derrubar o regime. O governo também revogou a cidadania do líder espiritual do partido, o xeique Isa Qassim”. 

O governo se esforça para permanecer no poder a todo custo. Uma família sunita está governando uma maioria xiita com a ajuda da Arábia Saudita e outros países de maioria sunita na região. Liberdade de reunião e de associação e outros direitos fundamentais são constantemente violados pelo governo.  

A organização Human Rights Watch relata: “O clima dos direitos humanos no Bahrein continua sendo terrível. Cortes condenam e aprisionam relevantes defensores dos direitos humanos e líderes da oposição por seu ativismo pacífico e apresentam queixas abusivas contra seus parentes. As forças de segurança usam força excessiva para dispersar reuniões pacíficas. As forças policiais e os oficiais da Agência de Segurança Nacional maltratam, ameaçam e coagem supostos suspeitos a assinarem confissões. As autoridades falham em responsabilizar oficiais pela tortura. Os tribunais destituem a cidadania de centenas de cidadãos e deportam dezenas deles, incluindo dissidentes, jornalistas e advogados, como punição por ofensas que, na realidade, incluem críticas pacíficas ao governo. Em 2017, as autoridades fecharam o único jornal independente que restava no país e, antes das eleições parlamentares em novembro de 2018, o parlamento proibiu de concorrer às eleições membros de extintos partidos de oposição”. 

Os indicadores do Fragile States Index (FSI), que medem a fragilidade, risco e vulnerabilidade em 178 países, são estáveis, mas alguns, como o Group Grievance, que mostra divisões baseadas em características políticas e sociais em grupos da sociedade, têm pontuação muito alta, seguido por tensões entre xiitas e sunitas, o que significa que a situação pode facilmente levar a conflitos. A Economist Intelligence Unit (EIU) prevê que “o cenário político do Bahrein permanecerá instável enquanto protestos, principalmente da maioria xiita, continuarem contra o governo da família real de al-Khalifa. O governo tomará uma abordagem cada vez mais severa ao lidar com as agitações, tentando eliminar a oposição política predominante”. 

Um exemplo da pressão existente do governo à sociedade barenita pode ser encontrada na ratificação do rei Hamad de uma alteração na Constituição no começo de abril de 2017. Ela empoderava as cortes militares para julgarem civis se esses estivessem envolvidos “em atos de terrorismo ou crimes violentos”. De acordo com o governo, essa medida foi necessária para combater o terrorismo, mas de acordo com a organização não governamental Anistia Internacional, o texto da emenda é tão vago que pode ser facilmente usado contra qualquer oposição identificada, o que pode incluir cristãos. 

A estrutura legal é a manifestação de uma visão conservadora islâmica. A Constituição prevê liberdade de consciência, inviolabilidade de lugares de adoração, liberdade para realizar rituais religiosos e liberdade para realizar manifestações e encontros religiosos, desde que estejam “de acordo com os costumes observados no país”. Devido ao fato de a Constituição também declarar que a religião do Estado é o islamismo e que a sharia (conjunto de leis islâmicas) é a principal fonte da legislação, isso realmente significa que a liberdade de religião é limitada. A situação é, portanto, similar a outros países do Golfo: cristãos são livres para praticarem suas crenças, desde que façam isso de forma privada.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

A principal população islâmica xiita é governada por um governo conduzido pela minoria sunita. O Bahrein tem uma população de 1,3 milhão, dos quais apenas metade são cidadãos nativos. Os cidadãos geralmente pertencem ao islamismo (99%), o 1% restante são cristãos, hindus, bahais e judeus. A outra metade da população consiste em trabalhadores imigrantes, dos quais um número considerável, cerca de 25%, são cristãos. Não há estatísticas disponíveis quanto à representação xiita e sunita entre trabalhadores imigrantes muçulmanos, entretanto, pode-se presumir que os xiitas representam a maioria. A maioria dos trabalhadores imigrantes vêm do Sul da Ásia e das Filipinas. 

O relatório Freedom of Thought considera o Bahrein como tendo graves violações com relação aos direitos humanos e à liberdade religiosa. A provisão constitucional quanto à liberdade religiosa é contraditória. Por um lado, oferece liberdade religiosa, e por outro, declara que o islamismo é a religião oficial e a principal fonte da legislação. Desde que o número de lugares previstos para adoração é limitado, diferentes congregações usam o mesmo prédio. Elas não têm permissão de divulgar os cultos em árabe, mas podem fazê-lo em inglês. Em outubro de 2016, o reino doou terra para a construção de uma segunda igreja copta. Em julho de 2018, o prédio do complexo de uma nova igreja fora da capital Manama foi anunciado. 

A Constituição afirma o princípio de não discriminação, incluindo com base religiosa, e garante a “inviolabidade da adoração”, incluindo liberdade para realizar rituais religiosos, desde que esses estejam de acordo com as tradições nacionais. A difamação pública de um grupo religioso oficialmente reconhecido ou de suas práticas é crime. As igrejas devem ser registradas no Ministério do Desenvolvimento Social e, na prática, uma liberdade considerável é dada a indígenas e expatriados cristãos. 

Um número considerável de expatriados cristãos, principalmente do Sul da Ásia, trabalha e vive no Bahrein e pode praticar a fé em lugares privados de adoração, desde que não haja proselitismo muçulmano. Cristãos ex-muçulmanos locais enfrentam pressão da família e comunidade para abandonarem a fé cristã, deixarem a região ou ficarem em silêncio sobre a nova fé. Em muitos casos, convertidos são alienados das famílias como resultado da conversão. Expatriados muçulmanos convertidos ao cristianismo experimentam pressões similares às de seus países de origem, já que, com frequência, vivem com a própria comunidade étnica ou nacional.  

 

CENÁRIO ECONÔMICO 

O Bahrein foi o primeiro país do Golfo a produzir petróleo e agora enfrenta a diminuição das reservas. Isso levou o governo a começar um programa de diversificação econômica. O Bahrein se tornou um centro de serviços bancários e financeiros, e sua economia é menos dependente do petróleo do que a maioria dos outros estados do Golfo. Com a economia mais livre do Oriente Médio, o Bahrein está agora focando principalmente em tecnologia da informação, cuidado médico e educação. O Banco Mundial considera que o Bahrein está no grupo de “alta renda”. 

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mostra uma taxa de alfabetização de 97,5% e de emprego de 72,8%. O indicador do Fragile States Index mostra estabilidade econômica, mas de acordo com Índice de Transformação BTI 2020: “Apesar dos consideráveis esforços do reino em cortarem o déficit de orçamento, o desempenho fiscal do Bahrein permanece fraco no período de análise enquanto as vulnerabilidades aumentavam. O atual saldo chegou ao mais baixo de todos os tempos em 2017 com um déficit de 1,6 bilhões de dólares. O déficit do orçamento se manteve em 13,2% do PIB em 2017, uma leve redução da sua maior baixa de todos os tempos em 2015 com 18,4%. Entretanto, as reservas totais diminuíram para 2,44 bilhões de dólares em 2016, caindo 6 bilhões de 2014. Débitos públicos aumentaram consideravelmente e se mantiveram em 90,6% do PIB em 2017, subindo dos apenas 29,7% do PIB em 2010. No entanto, o governo continua enfrentando o déficit estrutural do orçamento, e implementando diversas reformas para consolidar e mudar os gastos públicos”. 

Um recém-encontrado campo de petróleo oferece esperança para o futuro. Entretanto, o país ainda depende da assistência financeira de seus parceiros do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, da sigla em inglês). 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Socialmente, o Bahrein é um país islâmico conservador, apesar da população pluralista e uma economia moderna. O Índice de Desenvolvimento Humano enumera a expectativa de vida em 77,3 anos e o tempo de educação prevista é de mais de 16 anos de estudo. As lutas e os conflitos étnicos continuam ocorrendo por baixo dos panos, e há considerável injustiça social em meio aos direitos e liberdades dos imigrantes que vivem no país.  

As mulheres continuam sendo vistas em papéis tradicionais, embora tenham cada vez mais permissão para participar da vida pública. Por exemplo, uma cristã barenita, Alice Samaan, foi indicada como embaixadora no Reino Unido pelo período de 2010 a 2015. Os indicadores sociais do Fragile States Index estão estáveis, indicando pouca tensão de pressões demográficas ou deslocados internos.   

O tribalismo continua desempenhando o principal papel na sociedade barenita, apesar da incorporação da tecnologia moderna e arquitetura, as normas e os valores antigos continuam sendo aplicados. Esse tribalismo é misturado com o islamismo e afeta principalmente convertidos. Como no resto do Oriente Médio, a religião está ligada à identidade familiar. Portanto, deixar o islamismo é interpretado como traição da pessoa à família. Em geral, famílias aplicam forte pressão a convertidos para fazê-los voltar ao islamismo, deixar a região ou ficar calado sobre a nova fé. Em muitos casos, convertidos são isolados das famílias como resultado da conversão.  

De acordo com especialistas, ser cristão é uma vulnerabilidade extra no Bahrein e pode levar a altos índices de discriminação ou abuso. Entretanto, a cor da pele e o contexto étnico com frequência desempenham um papel ainda mais importante. Assim, expatriados cristãos ocidentais (brancos) estão mais distantes de experimentar assédio do que expatriados cristãos asiáticos ou africanos. Além disso, expatriados bem qualificados enfrentarão menos problemas do que os com pouca qualificação. Por isso, um imigrante africano cristão com poucas qualificações será o mais vulnerável no Bahrein. 

De acordo com as tradições da igreja ancestral, foi o apóstolo Bartolomeu que levou o cristianismo para a Arábia. Muitos acreditam que a referência a “árabes” no Novo Testamento (Atos 2.11) aponta para o substancial crescimento nas regiões orientais como os primeiros passos da igreja. 

Em meados do século 3, uma diocese cristã foi estabelecida nas ilhas do Bahrein. Durante o século 4, o número de cristãos começou a crescer significativamente. Isso pode ter sido devido à perseguição aos cristãos na Pérsia, que começou com o reinado de Shahpur em 339 d.C. O Bahrein foi um atrativo e seguro refúgio, já que tinha um importante papel no comércio de pérolas da região. Aqueles que trouxeram o cristianismo para o Bahrein foram os nestorianos, um ramo do cristianismo que floresceu no Sudeste do Iraque e Pérsia. 

Fundações de um monastério do século 4 foram encontradas na vila costeira de Samaheej. Outro monastério pode ter existido em uma vila chamada al-Dair, já que essa é a palavra em aramaico para monastério. Registros nestorianos mostram uma consistente presença cristã na região entre os séculos 5 e 7, como evidenciado pela participação regular de bispos barenitas nos concílios. Por exemplo, os registros do Concílio de Niceia, em 325 d.C., incluem a menção a bispos árabes que estavam presentes. Quando os exércitos árabes conquistaram o Bahrein, em 633 d.C., preparando o caminho para a introdução do islamismo, o Bahrein tinha dois bispos. Isso sugere que muitos nas ilhas adotaram a fé cristã. As duas dioceses sobreviveram até 835 d.C. 

No final do século 19, a Grã-Bretanha transformou o Bahrein em um protetorado. Isso tornou possível para o cristianismo voltar para o Bahrein, inicialmente por meio do trabalho missionário da Missão Árabe de Samuel Zwemer. A fundação do Hospital Missionário Americano, em 1901, é apreciada pelo governo e pela sociedade ainda hoje. 

O petróleo foi descoberto em 1930 e a crescente economia resultante, especialmente após a expansão do petróleo, resultou em um grande fluxo de trabalhadores estrangeiros de 1950 em diante. Milhares de cristãos expatriados foram ao Bahrein e uma comunidade cristã muito diversa e florescente passou a existir.  

O teólogo Hrayr Jebejian escreveu: “A Catedral Anglicana de St. Christopher, fundada em 1953, por exemplo, abriga mais de 40 grupos étnicos e línguas diferentes”. Outros exemplos são a Igreja Evangélica Nacional, que em 1906 se tornou a primeira igreja a realizar cultos públicos no Bahrein, e a Igreja do Sagrado Coração, construída em 1940, que é considerada o principal centro de adoração em Manama. É a maior igreja do país e atende cerca de 140 mil pessoas, principalmente indianos, filipinos, paquistaneses, bengaleses e cingaleses. 

Atualmente, cerca de 12% da população do Bahrein é cristã, quase todos trabalhadores expatriados. Mas o cristianismo no Bahrein também tem raízes históricas já que a nação, diferente de outros países do Golfo, também possui uma comunidade cristã nativa com cerca de 500 a mil pessoas. Isso torna o Bahrein o único país, junto com o Kuwait, no Conselho de Cooperação do Golfo, com uma população cristã de cidadãos locais, de acordo com o serviço de notícias Al Arabiya English. Concluindo com as palavras do Hrayr Jebejian: “Do século 4 em diante, o cristianismo floresceu no Golfo e, mesmo quando não floresceu, mas apenas sobreviveu, permaneceu uma força cultural e espiritual no Golfo, desde então até os dias atuais”. 

O Bahrein tem uma população de 1,6 milhão, dos quais apenas metade são cidadãos

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