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Bangladesh

BD
Bangladesh
  • Tipo de Perseguição: Paranoia ditatorial, opressão islâmica, nacionalismo religioso, hostilidade etno-religiosa
  • Capital: Daca
  • Região: Sul da Ásia
  • Líder: Abdul Hamid
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Islamismo, hinduísmo, budismo, cristianismo
  • Idioma: Bengali
  • Pontuação: 68


POPULAÇÃO
171,5 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
1,1 MILHÃO

Como é a perseguição aos cristãos em Bangladesh? 

Convertidos de origem muçulmana, hindu, budista ou étnica/tribal enfrentam restrições mais severas, discriminação e ataques em Bangladesh. Eles frequentemente se reúnem em pequenas igrejas ou grupos secretos devido ao medo de ataques. 

Os cristãos tribais, como os do povo santal, enfrentam dupla vulnerabilidade: por pertencerem a uma minoria étnica e também religiosa. Eles também lutam contra questões de grilagem de terras e violência dirigida contra eles. Outras igrejas são frequentemente ameaçadas, vigiadas e, às vezes, atacadas de forma violenta. 

Eu não posso ir para casa e dormir, senão sou atacado. Eu me escondo toda noite e durmo em qualquer lugar. Eu ainda sinto que alguém está atrás de mim.”    

Pastor cuja casa foi atacada 

O que mudou este ano? 

Ataques contra prédios de igreja continuam por todo o país e as autoridades frequentemente ignoram as reclamações apresentadas por cristãos. Nos últimos anos, Bangladesh tem subido significativamente na Lista Mundial da Perseguição. A violência também tem aumentado. 

Quem persegue os cristãos em Bangladesh? 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos em Bangladesh são: paranoia ditatorial, opressão islâmica, nacionalismo religioso e hostilidade etno-religiosa.  

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos em Bangladesh são: líderes religiosos não cristãos, parentes, oficiais do governo, cidadãos e quadrilhas, partidos políticos, grupos religiosos violentos, líderes de grupos étnicos, redes criminosas.  

Quem é mais vulnerável à perseguição em Bangladesh? 

Os cristãos não enfrentam perseguição apenas de extremistas islâmicos em Bangladesh, mas também de militantes pertencentes a outras fés. A região norte de Bangladesh e o distrito de Chittagong Hill Tracts são pontos negligenciados de perseguição aos cristãos nas mãos tanto da maioria muçulmana quanto da minoria budista.  

A chegada de 700 mil refugiados rohingya da vizinha Mianmar nos últimos quatro anos levou milhares de pessoas a viverem em campos de refugiados e os esforços de repatriação ou integração são constantemente impedidos. Há um grande risco de islamização radical nesses campos, o que é preocupante para os cristãos que vivem neles, assim como para a comunidade em geral. 

Como as mulheres são perseguidas em Bangladesh? 

Apesar do país ser conduzido por mulheres há muitos anos, Bangladesh ainda é um país onde é difícil e perigoso ser mulher. O país tem uma das taxas mais altas de casamento infantil no mundo, com 59% das meninas sendo casadas antes dos 18 anos. Nesse contexto, mulheres e meninas são mais vulneráveis à perseguição da família, amigos, vizinhos e comunidade. Isso é verdade principalmente para cristãs ex-muçulmanas, já que a conversão é vista como uma traição à religião e cultura. A violência, que inclui ataques com ácido, violência sexual, estupro, sequestro e casamento forçado são maneiras comuns de perseguição religiosa. Há relatos de que essa violência aumentou durante a pandemia da COVID-19. 

Como os homens são perseguidos em Bangladesh? 

Nessa sociedade patriarcal, espera-se que homens e meninos sejam líderes em suas famílias, o que significa que eles podem se converter ao cristianismo antes de outros membros da família e, assim, enfrentam perseguição primeiro. Eles são com frequência ameaçados e agredidos por “traírem sua cultura e religião”, e alguns precisam fugir de casa. Líderes de igrejas, em particular, enfrentam sempre falsas acusações de conversões forçadas. Como os homens são os principais provedores, se eles perderem o emprego por causa da fé, ou forem presos, isso afetará toda a família. Além disso, as dificuldades econômicas geradas pela crise de COVID-19 levaram muitas famílias a pobreza extrema.   

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos em Bangladesh? 

A Portas Abertas trabalha por meio de igrejas locais parceiras para fortalecer cristãos perseguidos em Bangladesh por meio de treinamento bíblico, distribuição de Bíblias, projetos de desenvolvimento socioeconômico, alfabetização e ajuda emergencial.  

Como posso ajudar os cristãos perseguidos em Bangladesh? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para projetos de apoio aos cristãos perseguidos. Ao doar para esta campanha, você ajuda a cobrir os custos de um poço artesiano para uma família cristã em Bangladesh. 

Pedidos de oração de Bangladesh 

  • Ore por sabedoria para parceiros locais da Portas Abertas enquanto apoiam cristãos perseguidos em Bangladesh e por energia e criatividade ao conduzirem seu trabalho. 
  • Clame para que cristãos bengalis encontrem formas de se encontrar para adorar juntos e edificarem uns aos outros em comunhão  
  • Peça a Deus para que os ataques acabem e as igrejas sejam lugares seguros de adoração ao Senhor.   

Um clamor por Bangladesh 

Querido Deus, nós oramos pedindo que proteja nossos irmãos e irmãs em Bangladesh. Que eles vejam sua bondade e misericórdia e tenham oportunidades para compartilhar com outros a alegria de conhecê-lo. Abençoe os parceiros da Portas Abertas que apoiam a Igreja Perseguidaque eles glorifiquem o seu nome em Bangladesh. Amém. 

Bangladesh tem uma longa história de agitação e é um Estado relativamente novo, tendo obtido independência do Paquistão em 1971. Desde então, governos civis e militares têm se revezado no poder. Eleições, no geral, são acompanhadas de violência, com a oposição denunciada como tendo fortes ligações com grupos extremistas islâmicos. 

O país tomou uma direção de autoritarismo desde 2015 e não tem oposição parlamentar efetiva desde que o Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP) boicotou as eleições nacionais de 2014. Ao invés do debate parlamentar, em 2015, o BNP foi às ruas e o governo da líder da Liga Awami, Sheikh Hasina, reprimiu a livre expressão da sociedade civil. Líderes-chave de oposição foram presos, acusados de sérias ofensas, algumas das quais foram inventadas. Muitos permaneceram escondidos, temendo ser presos. A líder de oposição Khaleda Zia e seu filho foram presos e condenados em fevereiro e outubro de 2018. Forças de segurança cometeram sérios abusos, inclusive mortes, “desaparecimentos” e prisões arbitrárias, com pouca investigação ou processo legal sendo realizados. 

As eleições de dezembro de 2018 não foram melhores — ao menos 17 pessoas foram mortas em todo o país e observadores reportaram incidentes de fraude eleitoral, prejudicando os resultados e a oposição. Consequentemente, Sheik Hasina ganhou seu terceiro mandato consecutivo como primeira-ministra e não precisou temer nenhum controle do parlamento, pois seu partido ganhou 96% dos votos. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Tradicionalmente, as relações entre a igreja e o governo têm sido boas. A primeira-ministra Sheikh Hasina até nomeou uma cristã como assistente pessoal em julho de 2014. Mas uma série de assassinatos de jornalistas seculares e membros de diferentes minorias religiosas assustou essas minorias e as fez agir com mais cautela. Embora a série de assassinatos tenha acabado, em 11 de junho de 2018, um blogueiro comunista que era contra fundamentalistas religiosos foi morto a tiros por supostos extremistas islâmicos que estavam em uma motocicleta em Sirajdhikan, na região central do país. 

O governo luta para combater os grupos radicais que se fortalecem, aumentando a insegurança geral. Antes das eleições nacionais de dezembro de 2018, a política de oposição, Khaleda Zia, foi condenada a dois anos adicionais na prisão acusada de corrupção em outubro do mesmo ano. Em sua campanha eleitoral, a primeira-ministra Sheikh Hasina foi firmemente contra opositores do islã. Ao mesmo tempo, ela afirmou que não há lugar para a militância islâmica em Bangladesh. Está para ser visto como o governo dela caminhará nessa corda bamba nos anos que virão, principalmente com essa declaração tendo sido feita antes da associação com as conservadoras madraças Qawmi, cuja graduação é reconhecida pelo governo como um mestrado. 

O governo de Sheikh Hasina minimizou a ameaça de grupos terroristas transnacionais repetidas vezes, culpando os radicais nacionais ligados à oposição política. É verdade que a oposição teve vínculos estreitos com os islâmicos de direita no passado. No entanto, o trágico ataque ao restaurante Holey Artisan Bakery em 1° de julho de 2016 trouxe uma mudança para essa atitude. Localizado no próspero distrito de Daca em Gulshan, lar de bengaleses, estrangeiros e embaixadas estrangeiras ricas, o ataque foi cuidadosamente escolhido por sua clientela internacional. Ele marcou o ponto de partida para uma enxurrada de ataques do governo a redes islâmicas radicais, embora não fique sempre claro se o alvo são só os grupos radicais ou a oposição também. As forças de segurança anunciaram, em setembro de 2019, que militantes islâmicos adotaram sua estratégia, recorrendo a ataques de lobos solitários, visando principalmente postos policiais.  

O governo fez somente um progresso limitado em conter grupos islâmicos radicais e não está apenas perdendo apoio de algumas partes da sociedade, mas também enfrenta o desafio de um influxo de muçulmanos radicais internacionais e tem que lidar com seus afiliados locais. Enquanto o partido no poder continuar a ligar toda militância islâmica ao partido de oposição e a cortejar grupos islâmicos radicais para ganhar votos, será difícil encontrar uma solução.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

Lar de quase 150 milhões de muçulmanos de maioria sunita, até recentemente Bangladesh conseguiu manter-se livre do tipo de radicalismo que atormentava outras partes do mundo. Mas, infelizmente, há fortes sinais de que isso está mudando. A decisão do governo, em janeiro de 2017, de tornar os livros didáticos mais ajustados aos grupos islâmicos conservadores é um sinal nesse sentido. Nos livros didáticos da primeira série está impressa a letra “o”, representando o orna, que é o véu usado na cabeça a partir do início da puberdade por uma menina muçulmana devota — isso é apenas um exemplo de uma tendência ao islamismo. 

Um livro didático da sexta série substituiu um relatório de viagem ao Norte da Índia (país vizinho) por um relatório sobre o rio Nilo, no Egito. Outros livros também foram alterados, como por exemplo não mais usando nomes que soam como hindus ou cristãos. No entanto, essa nova tendência não apoia a violência — o governo decidiu banir os capítulos que falavam sobre jihad (guerra santa) dos livros didáticos do Ensino Fundamental 2. Entretanto, em maio de 2018, o partido no poder, Liga Awami, aceitou um pacote de um bilhão de dólares da Arábia Saudita para construir 560 mesquitas em todo o país. 

Cerca de 9% da população é hindu e sofre ataques de muçulmanos radicais. Em fevereiro de 2016, um líder hindu foi esfaqueado até a morte. Os cristãos são uma pequena minoria, experimentam marginalização e, se pertencem a minorias étnicas também, enfrentam dupla vulnerabilidade. 

Os cristãos ex-muçulmanos, ex-hindus, ex-budistas ou de origem tribal enfrentam a perseguição mais severa em Bangladesh. Eles frequentemente se reúnem em igrejas domésticas pequenas ou em grupos secretos devido ao medo de ataques. Igrejas evangelísticas — muitas delas pentecostais — que trabalham entre a maioria muçulmana enfrentam perseguição, mas mesmo igrejas históricas como a Igreja Católica Romana são cada vez mais confrontadas com ataques e ameaças de morte.  

Os cristãos tribais, como os da tribo santal, enfrentam dupla vulnerabilidade; pertencentes a uma minoria étnica e religiosa, vivenciam constante violência contra eles. Os cristãos ex-muçulmanos rohingya, que fugiram para Bangladesh, enfrentam intimidação e forte pressão da comunidade também.  

Os cristãos ex-muçulmanos vivem sob pressão de grupos islâmicos radicais ou da cultura islâmica em seus bairros. Eles enfrentam muita violência. As igrejas e todas as religiões minoritárias se esforçam para se manter afastadas da política, embora notem um crescente conservadorismo islâmico no país. As minorias cristãs e outras estão gerando vários grupos de lobby. 

Famílias e comunidades são fontes de perseguição e monitoram as atividades dos convertidos, sobretudo nas áreas rurais, isso restringe a vida cotidiana deles mais do que os grupos radicais. O fato de o governo estar combatendo grupos islâmicos que são conhecidos por ter conexões com o partido da oposição não ajuda a acalmar a situação política volátil.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

Bangladesh é densamente povoado: é a oitava nação mais populosa do mundo, com cerca de 168 milhões de pessoas, e a terceira nação muçulmana mais populosa, depois da Indonésia e do Paquistão. Está entre os países mais pobres do mundo e é frequentemente classificado como um dos lugares mais corruptos. Seu sistema político é instável. O território é profundamente vulnerável aos efeitos das alterações climáticas. E, no entanto, ao longo de tudo isso, Bangladesh também tem sido uma fonte de notícias positivas.  

Bangladesh tem sido uma história de sucesso com um desenvolvimento positivo constante de muitos indicadores sociais e econômicos. Até 2024, Bangladesh poderá se tornar a única economia de classe média-alta do Sul da Ásia, de acordo com o Banco Mundial.  

Entretanto, a crise da COVID-19 tem colocado esse progresso em risco e pode levar mais tempo para Bangladesh se recuperar do que outros países. Milhões de trabalhadores na indústria do vestuário e de fábricas estatais foram demitidos e redes de segurança são praticamente inexistentes. O momento de desastres naturais ocorrendo logo após um lockdown de três meses foi acrescentado ao desafio. Cristãos, que sempre pertenceram as partes mais pobres da sociedade, sentirão esses tempos socioeconômicos mais difíceis ainda mais, principalmente os que pertencem as minorias étnicas. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Apesar de todo crescimento econômico, a distribuição de renda é desigual e a pobreza ainda é um grande problema. De acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) 16,7% da população em pobreza multidimensional. O índice de alfabetização é de 72,9%, a taxa de desemprego é baixa, 4,2%. Em Bangladesh, mais 860 mil refugiados Rohingya estão vivendo apenas no distrito de Cox’s Bazar.  

Conforme estimativas do World Christian Database (WCD), um pouco mais de 89% da população é muçulmana. Apesar de ser etnicamente homogêneo em grande proporção, com 98% da população sendo bengalesa, também existem minorias em Bangladesh, como o povo chakma. Além disso, há os assim chamados “povos tribais do monte” em Chittagong Hill Tracts, como os garo e os shantal, povos que incluem um grande número de cristãos. Os povos tribais do monte são negligenciados e discriminados pelas autoridades e intimidados pela comunidade majoritária, por exemplo, com apropriação de terras. Os cristãos entre eles enfrentam dupla vulnerabilidade, por serem tribais e cristãos. 

Um crescente desafio será o número de refugiados predominantemente muçulmanos de Mianmar. Enquanto o governo incialmente esperava começar a repatriação para o vizinho Mianmar em 2019, a repatriação planejada dos primeiros refugiados rohingya de Bangladesh para Mianmar parou antes de começar, visto que garantir a segurança daqueles que voltam continua sendo um grande desafio. Bangladesh anunciou que adiaria o programa de repatriação até depois das eleições de dezembro de 2018, mas muitos meses depois a repatriação não havia começado. 

Há o perigo de uma radicalização entre a população de refugiados, visto que futuras perspectivas tanto voltando para Mianmar quanto ficando em Bangladesh parecem sombrias. O fato de que o grupo insurgente radical ARSA (Arakan Rohingya Salvation Army) continua a atacar forças de segurança em Mianmar, como em abril de 2019, não ajuda no processo de repatriação. 

O cristianismo fez suas primeiras incursões definidas na região, agora chamada Bangladesh, no final do século 16 e início do século 17. Os comerciantes portugueses e os missionários católicos romanos alcançaram suas costas perto da cidade de Chittagong, no que foi chamado de “Sultanato de Bengala”, e construíram suas primeiras igrejas. 

O missionário batista William Carey chegou a Serampore de Bengala Ocidental em 1793. Esse inglês anunciou uma nova era missionária em Bengala, traduzindo e imprimindo a Bíblia em bengali e o primeiro dicionário da língua bengali. Ele também ajudou a desenvolver fontes tipográficas bengali para imprimir e estabelecer a Serampore Mission and College (primeira organização missionária e faculdade teológica no país), além de publicar jornais e periódicos. O sistema escolar em Bangladesh se deve ao trabalho de William Carey. 

Com ele veio a Sociedade Missionária Batista (britânica) em 1793, seguida pela Sociedade Missionária da Igreja (britânica) em 1805, Conselho para a Missão Mundial (presbiteriano britânico) em 1862, Missão Batista Australiana em 1882, Missão Batista da Nova Zelândia em 1886, Missão de Oxford (anglicana britânica) em 1895, Igreja de Deus (americana) em 1905, Adventista do Sétimo Dia em 1919, Assembleia de Deus em 1945, Missão de Santal (luterana) em 1956, Missão de Bangladesh da Convenção Batista do Sul (americana) em 1957 e Associação de Batistas para Evangelismo Mundial (americana) em 1958. Após a Guerra da Independência em 1971, houve o influxo de mais sociedades missionárias protestantes em Bangladesh. 

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