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Bangladesh

BD
Bangladesh
  • Tipo de Perseguição: Paranoia ditatorial, opressão islâmica, hostilidade etno-religiosa, nacionalismo religioso
  • Capital: Daca
  • Região: Sul da Ásia
  • Líder: Abdul Hamid
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Islamismo, hinduísmo, budismo, cristianismo
  • Idioma: Bengali
  • Pontuação: 67


POPULAÇÃO
169,7 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
903 MIL

Como é a perseguição aos cristãos em Bangladesh? 

Os cristãos em Bangladesh enfrentam a maior pressão na comunidade  e na vida privada. A sociedade de Bangladesh está crescendo cada vez mais islâmica, com o governo fazendo mais para apaziguar as preocupações dos extremistas islâmicos, que pressionam todos os grupos de cristãos. Igrejas evangélicas, muitas delas pentecostaisque trabalham entre a maioria muçulmana, enfrentam a maior perseguição. Mas mesmo igrejas históricas, como a Igreja Católica Romana, são cada vez mais confrontadas com ataques e ameaças de morte. 

Convertidos de origem muçulmana, hindu, budista ou étnica/tribal enfrentam as restrições mais severas, discriminação e ataques em Bangladesh. Eles frequentemente se reúnem em pequenas igrejas ou grupos secretos devido ao medo de ataques.  

Os cristãos tribais, como os do povo santal, enfrentam dupla vulnerabilidade, por pertencerem a uma minoria étnica e religiosa. Eles também lutam contra questões de grilagem de terras e violência dirigida contra eles. Cristãos entre os rohingya de maioria muçulmana, que fugiram de Mianmar para Bangladesh, também enfrentam assédio e forte pressão da comunidade. No período de pesquisa (1 de outubro de 2019 a 30 de setembro de 2020), eles foram alvo de um ataque violento de grupos extremistas islâmicos nos campos de refugiados 

“Na minha família, meu pai foi o primeiro cristão, então meus irmãos se tornaram cristãos e, depois disso, eu aceitei Jesus Cristo. Eu tinha um pouco de medo de que os aldeões muçulmanos não quisessem fazer nada comigo. [E agora] ninguém quer falar, se comunicar ou se associar conosco.”  

Badol, cristão perseguido em Bangladesh 

O que mudou este ano? 

Em 31º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2021, Bangladesh subiu duas posições, principalmente por causa de um ligeiro aumento em muitas áreas de perseguição. Em muitos aspectos da vida cotidiana, a pressão aumentou para os cristãos de Bangladesh, e eles enfrentam discriminação e perseguição. Também houve ataques violentos contra cristãos em 2020. Na primavera, houve um incidente violento contra a pequena comunidade cristã entre os refugiados rohingya que fugiram de Mianmar para Bangladesh. O acesso a melhores relatórios, particularmente de áreas rurais, mostra o aumento da pressão da vida na igreja. Finalmente, em muitas situações, os cristãos foram deixados de fora do auxílio do governo devido à pandemia da COVID-19, muitas vezes enfrentando fome ou graves problemas de saúde. 

Quem persegue os cristãos em Bangladesh? 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos em Bangladesh são: paranoia ditatorial, opressão islâmica, hostilidade etno-religiosa, nacionalismo religioso. 

Já as “fontes de perseguição são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos em Bangladesh são: líderes religiosos não cristãos, parentes, cidadãos e quadrilhasoficiais do governo, grupos religiosos violentos, partidos políticos, líderes de grupos étnicos, redes criminosas. 

Quem é mais vulnerável à perseguição em Bangladesh? 

A região norte de Bangladesh, com o distrito de Chittagong Hill Tracts e suas muitas minorias étnicas, é um ponto negligenciado de perseguição contra os cristãos nas mãos tanto da maioria muçulmana quanto da minoria budista.  

Nos últimos três anos, outro ponto se desenvolveu quando Bangladesh recebeu mais de 700.000 refugiados rohingya da vizinha Mianmar. Bangladesh luta para cuidar deles, com a ajuda da comunidade internacional. Quanto mais tempo os refugiados ficam nos campos, maior o risco de que alguns estejam sujeitos à radicalização islâmica, afetando Bangladesh também. Uma vez que os esforços para voltar para casa têm sido constantemente adiados, esse é um risco real. Os campos também abrigam uma pequena minoria de cristãos rohingya – a maioria convertidos do islã – que estão enfrentando uma pressão crescente sem opções para sair.   

Como as mulheres são perseguidas em Bangladesh? 

Mulheres e meninas são mais vulneráveis à perseguição da família nuclear, família estendida, amigos, vizinhos e comunidade local. Porque mulheres e meninas são principalmente dependentes de homens. Agressão sexual, estupro e casamento forçado são formas comuns de perseguição religiosa. Elas não são apenas abusadas fisicamente, mas também mentalmente. 

Mulheres e meninas também são propensas à discriminação no local de trabalho e nas escolas. Relatos de estupros e assédio sexual, mesmo em escolas governamentais, são cada vez mais comuns, embora esses incidentes sejam subnotificados devido ao estigma social. 

O Relatório Internacional de Liberdade Religiosa de 2018 do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirma que líderes comunitários da aldeia, muitas vezes juntamente com líderes religiosos locais, continuam a usar fátuas (pronunciamento legal islâmico) extrajudiciais para punir indivíduos. Na maioria das vezes são as mulheres que são punidas por transgressões morais, como adultério e outras relações sexuais ilícitas. Isso acontece apesar de ordens governamentais antigas contra a prática. 

Por outro lado, as mulheres estão cada vez mais sendo capacitadas a ingressar no mercado de trabalho e, portanto, gradualmente ganhando mais independência. Além disso, mesmo em um país com leis conjugais muito complicadas, alguns progressos estão sendo feitos para garantir mais proteção às mulheres de todas as religiões. Muçulmanos, hindus e cristãos têm leis separadas sobre casamento, separação e divórcio. 

Como os homens são perseguidos em Bangladesh? 

Um resultado das normas culturais patriarcais em Bangladesh é que os homens geralmente se tornam cristãos primeiro, seguidos por suas famílias. Como líderes dentro da família, homens e meninos muitas vezes enfrentam perseguição primeiro. Além disso, os homens cristãos casados com não cristãs são excluídos de reivindicar a custódia dos filhos, levando à separação dos homens cristãos de seus filhos.  

Homens e meninos estão particularmente sujeitos a todo tipo de violência física, tortura, falsas acusações e prisão por causa dfé. A violência vem de muitas formas – homens cristãos podem ser espancados, presos, monitorados, abusados, ameaçados de morte, encontrar a casa e os bens demolidos ou confiscados, e serem assediados por funcionários do governo local e nacional. 

Como os homens são os principais provedores das famílias bengalis, inclusive em famílias cristãs, perder o emprego por causa da fé afetará toda a família. O mesmo acontece com os donos de lojas que enfrentam boicote da comunidade ao redor.  

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos em Bangladesh? 

Em Bangladesh, a Portas Abertas funciona equipando e treinando cristãos e líderes cristãos. Há um foco particular na formação de novos líderes e cristãos que se converteram do islã – esses últimos também são particularmente treinados em como se preparar para a perseguição, uma vez que os cristãos ex-muçulmanos são mais visados quanto à perseguiçãoA Portas Abertas também fornece Bíblias e outras literaturas cristãs, especialmente em áreas rurais, onde o acesso à Bíblia pode ser difícil. A Portas Abertas também ajuda a treinar os cristãos em alfabetização e por meio de desenvolvimento socioeconômico, para melhor equipar a igreja em Bangladesh para a grande comissão. Por fima Portas Abertas responde às necessidades emergenciais – em 2020, isso significou ajudar os seguidores de Cristo que tiveram a ajuda negada durante a pandemia da COVID-19 ou que precisavam desesperadamente de ajuda emergencial após o ciclone Amphan. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para projetos que apoiam cristãos perseguidos. Ao doar para esta campanha, você fornece alimentos, remédios e outras necessidades urgentes para os cristãos mais vulneráveis em Bangladesh. 



Pedidos de oração de Bangladesh 

  • Ore pelos treinamentos para cristãos de diferentes tribos e culturas, que eles sejam equipados para absorver e transmitir o que aprenderam para fortalecer suas comunidades. 
  • Clame pelos cristãos que são discriminados na distribuição de ajuda do governo durante a pandemia de COVID-19 e ciclones. Muitas vezes, os trabalhadores pobres enfrentam perda de renda e fome. Ore para que eles sejam capazes de se recuperar, física e emocionalmente.  
  • Peça a Deus pelo pequeno grupo de cristãos rohingya enquanto eles procuram seguir Jesus nos campos de refugiados em Bangladesh. Ore para que sejam mantidos seguros e andem com Jesus, não importa o que aconteça.  

Um clamor por Bangladesh 

Deus, clamamos pelos cristãos de Bangladesh, vindos de tantas tribos, línguas e nações. Sabemos que o Senhor é o Deus de todas as pessoas e nos une como uma igreja. Conforte o seu povo em Bangladesh. Mantenha-os seguros e os ajude a crescer na fé, esperança e amor enquanto buscam a face do Senhor. Oramos por todas essas coisas em nome de seu filho, nosso Salvador, Jesus Cristo. Amém.   

Bangladesh tem uma longa história de agitação e é um Estado relativamente novo, tendo obtido independência do Paquistão em 1971. Desde então, governos civis e militares têm se revezado no poder. Eleições, no geral, são acompanhadas de violência, com a oposição denunciada como tendo fortes ligações com grupos extremistas islâmicos. 

O país tomou uma direção de autoritarismo desde 2015 e não tem oposição parlamentar efetiva desde que o Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP) boicotou as eleições nacionais de 2014. Ao invés do debate parlamentar, em 2015, o BNP foi às ruas e o governo da líder da Liga Awami, Sheikh Hasina, reprimiu a livre expressão da sociedade civil. Líderes-chave de oposição foram presos, acusados de sérias ofensas, algumas das quais foram inventadas. Muitos permaneceram escondidos, temendo ser presos. A líder de oposição Khaleda Zia e seu filho foram presos e condenados em fevereiro e outubro de 2018. Forças de segurança cometeram sérios abusos, inclusive mortes, “desaparecimentos” e prisões arbitrárias, com pouca investigação ou processo legal sendo realizados. 

As eleições de dezembro de 2018 não foram melhores — ao menos 17 pessoas foram mortas em todo o país e observadores reportaram incidentes de fraude eleitoral, prejudicando os resultados e a oposição. Consequentemente, Sheik Hasina ganhou seu terceiro mandato consecutivo como primeira-ministra e não precisou temer nenhum controle do parlamento, pois seu partido ganhou 96% dos votos. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Tradicionalmente, as relações entre a igreja e o governo têm sido boas. A primeira-ministra Sheikh Hasina até nomeou uma cristã como assistente pessoal em julho de 2014. Mas uma série de assassinatos de jornalistas seculares e membros de diferentes minorias religiosas assustou essas minorias e as fez agir com mais cautela. Embora a série de assassinatos tenha acabado, em 11 de junho de 2018, um blogueiro comunista que era contra fundamentalistas religiosos foi morto a tiros por supostos extremistas islâmicos que estavam em uma motocicleta em Sirajdhikan, na região central do país. 

O governo luta para combater os grupos radicais que se fortalecem, aumentando a insegurança geral. Antes das eleições nacionais de dezembro de 2018, a política de oposição, Khaleda Zia, foi condenada a dois anos adicionais na prisão acusada de corrupção em outubro do mesmo ano. Em sua campanha eleitoral, a primeira-ministra Sheikh Hasina foi firmemente contra opositores do islã. Ao mesmo tempo, ela afirmou que não há lugar para a militância islâmica em Bangladesh. Está para ser visto como o governo dela caminhará nessa corda bamba nos anos que virão, principalmente com essa declaração tendo sido feita antes da associação com as conservadoras madraças Qawmi, cuja graduação é reconhecida pelo governo como um mestrado. 

O governo de Sheikh Hasina minimizou a ameaça de grupos terroristas transnacionais repetidas vezes, culpando os radicais nacionais ligados à oposição política. É verdade que a oposição teve vínculos estreitos com os islâmicos de direita no passado. No entanto, o trágico ataque ao restaurante Holey Artisan Bakery em 1° de julho de 2016 trouxe uma mudança para essa atitude. Localizado no próspero distrito de Daca em Gulshan, lar de bengaleses, estrangeiros e embaixadas estrangeiras ricas, o ataque foi cuidadosamente escolhido por sua clientela internacional. Ele marcou o ponto de partida para uma enxurrada de ataques do governo a redes islâmicas radicais, embora não fique sempre claro se o alvo são só os grupos radicais ou a oposição também. As forças de segurança anunciaram, em setembro de 2019, que militantes islâmicos adotaram sua estratégia, recorrendo a ataques de lobos solitários, visando principalmente postos policiais.  

O governo fez somente um progresso limitado em conter grupos islâmicos radicais e não está apenas perdendo apoio de algumas partes da sociedade, mas também enfrenta o desafio de um influxo de muçulmanos radicais internacionais e tem que lidar com seus afiliados locais. Enquanto o partido no poder continuar a ligar toda militância islâmica ao partido de oposição e a cortejar grupos islâmicos radicais para ganhar votos, será difícil encontrar uma solução.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

Lar de quase 150 milhões de muçulmanos de maioria sunita, até recentemente Bangladesh conseguiu manter-se livre do tipo de radicalismo que atormentava outras partes do mundo. Mas, infelizmente, há fortes sinais de que isso está mudando. A decisão do governo, em janeiro de 2017, de tornar os livros didáticos mais ajustados aos grupos islâmicos conservadores é um sinal nesse sentido. Nos livros didáticos da primeira série está impressa a letra “o”, representando o orna, que é o véu usado na cabeça a partir do início da puberdade por uma menina muçulmana devota — isso é apenas um exemplo de uma tendência ao islamismo. 

Um livro didático da sexta série substituiu um relatório de viagem ao Norte da Índia (país vizinho) por um relatório sobre o rio Nilo, no Egito. Outros livros também foram alterados, como por exemplo não mais usando nomes que soam como hindus ou cristãos. No entanto, essa nova tendência não apoia a violência — o governo decidiu banir os capítulos que falavam sobre jihad (guerra santa) dos livros didáticos do Ensino Fundamental 2. Entretanto, em maio de 2018, o partido no poder, Liga Awami, aceitou um pacote de um bilhão de dólares da Arábia Saudita para construir 560 mesquitas em todo o país. 

Cerca de 9% da população é hindu e sofre ataques de muçulmanos radicais. Em fevereiro de 2016, um líder hindu foi esfaqueado até a morte. Os cristãos são uma pequena minoria, experimentam marginalização e, se pertencem a minorias étnicas também, enfrentam dupla vulnerabilidade. 

Os cristãos ex-muçulmanos, ex-hindus, ex-budistas ou de origem tribal enfrentam a perseguição mais severa em Bangladesh. Eles frequentemente se reúnem em igrejas domésticas pequenas ou em grupos secretos devido ao medo de ataques. Igrejas evangelísticas — muitas delas pentecostais — que trabalham entre a maioria muçulmana enfrentam perseguição, mas mesmo igrejas históricas como a Igreja Católica Romana são cada vez mais confrontadas com ataques e ameaças de morte.  

Os cristãos tribais, como os da tribo santal, enfrentam dupla vulnerabilidade; pertencentes a uma minoria étnica e religiosa, vivenciam constante violência contra eles. Os cristãos ex-muçulmanos rohingya, que fugiram para Bangladesh, enfrentam intimidação e forte pressão da comunidade também.  

Os cristãos ex-muçulmanos vivem sob pressão de grupos islâmicos radicais ou da cultura islâmica em seus bairros. Eles enfrentam muita violência. As igrejas e todas as religiões minoritárias se esforçam para se manter afastadas da política, embora notem um crescente conservadorismo islâmico no país. As minorias cristãs e outras estão gerando vários grupos de lobby. 

Famílias e comunidades são fontes de perseguição e monitoram as atividades dos convertidos, sobretudo nas áreas rurais, isso restringe a vida cotidiana deles mais do que os grupos radicais. O fato de o governo estar combatendo grupos islâmicos que são conhecidos por ter conexões com o partido da oposição não ajuda a acalmar a situação política volátil.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

Bangladesh é densamente povoado: é a oitava nação mais populosa do mundo, com cerca de 168 milhões de pessoas, e a terceira nação muçulmana mais populosa, depois da Indonésia e do Paquistão. Está entre os países mais pobres do mundo e é frequentemente classificado como um dos lugares mais corruptos. Seu sistema político é instável. O território é profundamente vulnerável aos efeitos das alterações climáticas. E, no entanto, ao longo de tudo isso, Bangladesh também tem sido uma fonte de notícias positivas.  

Bangladesh tem sido uma história de sucesso com um desenvolvimento positivo constante de muitos indicadores sociais e econômicos. Até 2024, Bangladesh poderá se tornar a única economia de classe média-alta do Sul da Ásia, de acordo com o Banco Mundial.  

Entretanto, a crise da COVID-19 tem colocado esse progresso em risco e pode levar mais tempo para Bangladesh se recuperar do que outros países. Milhões de trabalhadores na indústria do vestuário e de fábricas estatais foram demitidos e redes de segurança são praticamente inexistentes. O momento de desastres naturais ocorrendo logo após um lockdown de três meses foi acrescentado ao desafio. Cristãos, que sempre pertenceram as partes mais pobres da sociedade, sentirão esses tempos socioeconômicos mais difíceis ainda mais, principalmente os que pertencem as minorias étnicas. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Apesar de todo crescimento econômico, a distribuição de renda é desigual e a pobreza ainda é um grande problema. De acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) 16,7% da população em pobreza multidimensional. O índice de alfabetização é de 72,9%, a taxa de desemprego é baixa, 4,2%. Em Bangladesh, mais 860 mil refugiados Rohingya estão vivendo apenas no distrito de Cox’s Bazar.  

Conforme estimativas do World Christian Database (WCD), um pouco mais de 89% da população é muçulmana. Apesar de ser etnicamente homogêneo em grande proporção, com 98% da população sendo bengalesa, também existem minorias em Bangladesh, como o povo chakma. Além disso, há os assim chamados “povos tribais do monte” em Chittagong Hill Tracts, como os garo e os shantal, povos que incluem um grande número de cristãos. Os povos tribais do monte são negligenciados e discriminados pelas autoridades e intimidados pela comunidade majoritária, por exemplo, com apropriação de terras. Os cristãos entre eles enfrentam dupla vulnerabilidade, por serem tribais e cristãos. 

Um crescente desafio será o número de refugiados predominantemente muçulmanos de Mianmar. Enquanto o governo incialmente esperava começar a repatriação para o vizinho Mianmar em 2019, a repatriação planejada dos primeiros refugiados rohingya de Bangladesh para Mianmar parou antes de começar, visto que garantir a segurança daqueles que voltam continua sendo um grande desafio. Bangladesh anunciou que adiaria o programa de repatriação até depois das eleições de dezembro de 2018, mas muitos meses depois a repatriação não havia começado. 

Há o perigo de uma radicalização entre a população de refugiados, visto que futuras perspectivas tanto voltando para Mianmar quanto ficando em Bangladesh parecem sombrias. O fato de que o grupo insurgente radical ARSA (Arakan Rohingya Salvation Army) continua a atacar forças de segurança em Mianmar, como em abril de 2019, não ajuda no processo de repatriação. 

O cristianismo fez suas primeiras incursões definidas na região, agora chamada Bangladesh, no final do século 16 e início do século 17. Os comerciantes portugueses e os missionários católicos romanos alcançaram suas costas perto da cidade de Chittagong, no que foi chamado de “Sultanato de Bengala”, e construíram suas primeiras igrejas. 

O missionário batista William Carey chegou a Serampore de Bengala Ocidental em 1793. Esse inglês anunciou uma nova era missionária em Bengala, traduzindo e imprimindo a Bíblia em bengali e o primeiro dicionário da língua bengali. Ele também ajudou a desenvolver fontes tipográficas bengali para imprimir e estabelecer a Serampore Mission and College (primeira organização missionária e faculdade teológica no país), além de publicar jornais e periódicos. O sistema escolar em Bangladesh se deve ao trabalho de William Carey. 

Com ele veio a Sociedade Missionária Batista (britânica) em 1793, seguida pela Sociedade Missionária da Igreja (britânica) em 1805, Conselho para a Missão Mundial (presbiteriano britânico) em 1862, Missão Batista Australiana em 1882, Missão Batista da Nova Zelândia em 1886, Missão de Oxford (anglicana britânica) em 1895, Igreja de Deus (americana) em 1905, Adventista do Sétimo Dia em 1919, Assembleia de Deus em 1945, Missão de Santal (luterana) em 1956, Missão de Bangladesh da Convenção Batista do Sul (americana) em 1957 e Associação de Batistas para Evangelismo Mundial (americana) em 1958. Após a Guerra da Independência em 1971, houve o influxo de mais sociedades missionárias protestantes em Bangladesh. 

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