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Bangladesh

BD
Bangladesh
  • Tipo de Perseguição: Paranoia ditatorial, opressão islâmica, nacionalismo religioso, hostilidade etno-religiosa
  • Capital: Daca
  • Região: Sul da Ásia
  • Líder: Abdul Hamid
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Islamismo, hinduísmo, budismo, cristianismo
  • Idioma: Bengali
  • Pontuação: 68


POPULAÇÃO
171,5 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
1,1 MILHÃO

Como é a perseguição aos cristãos em Bangladesh? 

Convertidos de origem muçulmana, hindu, budista ou étnica/tribal enfrentam restrições mais severas, discriminação e ataques em Bangladesh. Eles frequentemente se reúnem em pequenas igrejas ou grupos secretos devido ao medo de ataques. 

Os cristãos tribais, como os do povo santal, enfrentam dupla vulnerabilidade: por pertencerem a uma minoria étnica e também religiosa. Eles também lutam contra questões de grilagem de terras e violência dirigida contra eles. Outras igrejas são frequentemente ameaçadas, vigiadas e, às vezes, atacadas de forma violenta. 

Eu não posso ir para casa e dormir, senão sou atacado. Eu me escondo toda noite e durmo em qualquer lugar. Eu ainda sinto que alguém está atrás de mim.”    

Pastor cuja casa foi atacada 

O que mudou este ano? 

Ataques contra prédios de igreja continuam por todo o país e as autoridades frequentemente ignoram as reclamações apresentadas por cristãos. Nos últimos anos, Bangladesh tem subido significativamente na Lista Mundial da Perseguição. A violência também tem aumentado. 

Quem persegue os cristãos em Bangladesh? 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos em Bangladesh são: paranoia ditatorial, opressão islâmica, nacionalismo religioso e hostilidade etno-religiosa.  

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos em Bangladesh são: líderes religiosos não cristãos, parentes, oficiais do governo, cidadãos e quadrilhas, partidos políticos, grupos religiosos violentos, líderes de grupos étnicos, redes criminosas.  

Quem é mais vulnerável à perseguição em Bangladesh? 

Os cristãos não enfrentam perseguição apenas de extremistas islâmicos em Bangladesh, mas também de militantes pertencentes a outras fés. A região norte de Bangladesh e o distrito de Chittagong Hill Tracts são pontos negligenciados de perseguição aos cristãos nas mãos tanto da maioria muçulmana quanto da minoria budista.  

A chegada de 700 mil refugiados rohingya da vizinha Mianmar nos últimos quatro anos levou milhares de pessoas a viverem em campos de refugiados e os esforços de repatriação ou integração são constantemente impedidos. Há um grande risco de islamização radical nesses campos, o que é preocupante para os cristãos que vivem neles, assim como para a comunidade em geral. 

Como as mulheres são perseguidas em Bangladesh? 

Apesar do país ser conduzido por mulheres há muitos anos, Bangladesh ainda é um país onde é difícil e perigoso ser mulher. O país tem uma das taxas mais altas de casamento infantil no mundo, com 59% das meninas sendo casadas antes dos 18 anos. Nesse contexto, mulheres e meninas são mais vulneráveis à perseguição da família, amigos, vizinhos e comunidade. Isso é verdade principalmente para cristãs ex-muçulmanas, já que a conversão é vista como uma traição à religião e cultura. A violência, que inclui ataques com ácido, violência sexual, estupro, sequestro e casamento forçado são maneiras comuns de perseguição religiosa. Há relatos de que essa violência aumentou durante a pandemia da COVID-19. 

Como os homens são perseguidos em Bangladesh? 

Nessa sociedade patriarcal, espera-se que homens e meninos sejam líderes em suas famílias, o que significa que eles podem se converter ao cristianismo antes de outros membros da família e, assim, enfrentam perseguição primeiro. Eles são com frequência ameaçados e agredidos por “traírem sua cultura e religião”, e alguns precisam fugir de casa. Líderes de igrejas, em particular, enfrentam sempre falsas acusações de conversões forçadas. Como os homens são os principais provedores, se eles perderem o emprego por causa da fé, ou forem presos, isso afetará toda a família. Além disso, as dificuldades econômicas geradas pela crise de COVID-19 levaram muitas famílias a pobreza extrema.   

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos em Bangladesh? 

A Portas Abertas trabalha por meio de igrejas locais parceiras para fortalecer cristãos perseguidos em Bangladesh por meio de treinamento bíblico, distribuição de Bíblias, projetos de desenvolvimento socioeconômico, alfabetização e ajuda emergencial.  

Como posso ajudar os cristãos perseguidos em Bangladesh? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para projetos de apoio aos cristãos perseguidos. Ao doar para esta campanha, você ajuda a cobrir os custos de um poço artesiano para uma família cristã em Bangladesh. 

Pedidos de oração de Bangladesh 

  • Ore por sabedoria para parceiros locais da Portas Abertas enquanto apoiam cristãos perseguidos em Bangladesh e por energia e criatividade ao conduzirem seu trabalho. 
  • Clame para que cristãos bengalis encontrem formas de se encontrar para adorar juntos e edificarem uns aos outros em comunhão  
  • Peça a Deus para que os ataques acabem e as igrejas sejam lugares seguros de adoração ao Senhor.   

Um clamor por Bangladesh 

Querido Deus, nós oramos pedindo que proteja nossos irmãos e irmãs em Bangladesh. Que eles vejam sua bondade e misericórdia e tenham oportunidades para compartilhar com outros a alegria de conhecê-lo. Abençoe os parceiros da Portas Abertas que apoiam a Igreja Perseguidaque eles glorifiquem o seu nome em Bangladesh. Amém. 

Bangladesh tem uma longa história de agitação e é um Estado relativamente novo, tendo obtido independência do Paquistão em 1971, o que significa que celebrou seu 50º aniversário apenas em 2021. Desde então, governos civis e militares têm se revezado no poder. Eleições, no geral, são acompanhadas de violência, com a oposição denunciada como tendo fortes ligações com grupos extremistas islâmicos e em anos recentes quase não existindo mais. 

O país tomou uma direção de autoritarismo desde 2015 e não tem oposição parlamentar efetiva desde que o Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP) boicotou as eleições nacionais de 2014. Ao invés do debate parlamentar, em 2015, o BNP foi às ruas e o governo da líder da Liga Awami, Sheikh Hasina, reprimiu a livre expressão da sociedade civil. Líderes-chave de oposição foram presos, acusados de sérias ofensas, algumas das quais foram inventadas. Muitos permaneceram escondidos, temendo ser presos. A líder de oposição Khaleda Zia e seu filho foram presos e condenados em fevereiro e outubro de 2018. Em março de 2020, Zia foi temporariamente solta por questões de saúde e a soltura se estendeu por mais seis meses até setembro de 2020. Forças de segurança cometeram sérios abusos, inclusive mortes, “desaparecimentos” e prisões arbitrárias, com pouca investigação ou processo legal sendo realizados. 

As eleições de dezembro de 2018 não foram melhores — ao menos 17 pessoas foram mortas em todo o país e observadores reportaram incidentes de fraude eleitoral, prejudicando os resultados e a oposição. Consequentemente, Sheik Hasina ganhou seu terceiro mandato consecutivo como primeira-ministra e não precisou temer nenhum controle do parlamento, pois seu partido ganhou 96% dos votos. A oposição foi então efetivamente eliminada. 

Cristãos geralmente não são ativos na política e tentam não se envolver também em questões políticas, mas é claro que estão na mesma situação política polarizada e enfrentam a mão pesada das autoridades e dos serviços de segurança como ninguém mais. Como uma minoria religiosa, são cada vez mais vulneráveis devido à falta de recursos de apoio e ligações políticas; por isso, podem ser usados facilmente como bodes expiatórios. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Tradicionalmente, as relações entre a igreja e o governo têm sido boas. A primeira-ministra Sheikh Hasina até nomeou uma cristã como assistente pessoal em julho de 2014. Mas uma série de assassinatos de jornalistas seculares e membros de diferentes minorias religiosas assustou essas minorias e as fez agir com mais cautela. Embora a série de assassinatos tenha acabado no período de pesquisa da Lista Mundial da Perseguição 2022, alguns membros das minorias religiosas, incluindo cristãos, estão considerando deixar o país, se puderem arcar com os custos. A violência política continua, mas raramente afeta os cristãos. De acordo com organizações de direitos humanos, como a Odhikar, mortes extrajudiciais bem como linchamentos estão aumentando. Ameaças de morte contra ateístas ou blogueiros de direitos humanos continuam sendo relatadas.  

O governo luta para combater os grupos radicais que se fortalecem, aumentando a insegurança geral. Antes das eleições nacionais de dezembro de 2018, a política de oposição, Khaleda Zia, foi condenada a dois anos adicionais na prisão acusada de corrupção em outubro do mesmo ano. Em sua campanha eleitoral, a primeira-ministra, Sheikh Hasina, foi firmemente contra opositores do islã. Ao mesmo tempo, ela afirmou que não há lugar para a militância islâmica em Bangladesh. Pode-se ver como o governo dela caminhará nessa corda bamba nos anos que virão, principalmente com essa declaração tendo sido feita antes da associação com as conservadoras madraças Qawmi, cuja graduação é reconhecida pelo governo como um mestrado. 

A morte do líder da organização islâmica Hefazat-e-Islami fez o grupo mudar suas alianças políticas, assumindo uma postura mais radical contra o governo. Uma linha vermelha foi cruzada quando o Hefazat-e-Islami convocou manifestações contra a visita do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que ia em uma visita oficial de honra para as celebrações do 50º aniversário de Bangladesh, em março de 2021. Milhares enfrentaram a polícia em todo o país e a primeira-ministra Sheikh Hasina anunciou que o Estado deveria lidar severamente com todos os grupos que pedissem por violência. Como resultado, as autoridades prenderam quase mil membros do Hefazat-e-Islami, entre eles 21 líderes. Ao mesmo tempo, é muito improvável que o governo reavive planos para retornar à Constituição puramente secular de 1972, embora um ministro tenha se referido a planos de fazê-lo. 

A luta contra o Hefazat também pode ter um cunho pessoal para a primeira-ministra Sheikh Hasina, já que o grupo declarou que todas as estátuas erguidas em Bangladesh são consideradas “não islâmicas”. Para o 50º aniversário do país, houve diversas estátuas do fundador de Bangladesh (e pai real de Sheikh Hasina), Sheikh Mujibur Rahman, erguidas por todo o país. Embora a luta do Estado contra grupos radicais islâmicos continue e tenha tido alguns sucessos, novos grupos emergem enquanto outros acabam. A complicada situação de segurança deixa os cristãos como uma minoria religiosa vulnerável e a morte surpresa de uma mulher cristã e sua filha em maio de 2020 mostram que ataques podem acontecer sem qualquer aviso ou razão aparente. 

Apesar de ter uma liderança feminina, as leis de Bangladesh permanecem amplamente discriminatórias com relação a mulheres e meninas. Sob leis muçulmanas e hindus, mulheres e homens não desfrutam dos mesmos direitos matrimoniais. Por exemplo, a poligamia é permitida para homens, mas não para mulheres. O casamento infantil é uma área de preocupação específica, com 59% das meninas já casadas aos 18 anos. mesmo a idade mínima legal para casamento sendo de 18 anos para meninas. 

A lei de restrição de casamento infantil de 2017 inclui brechas que permitem o casamento infantil em “casos especiais”. Em um relatório periódico de 2016, o Comitê para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW) critica Bangladesh por falhar em banir o abuso sexual dentro do casamento e por não prover caminhos adequados de justiça para vítimas de crimes. As leis de divórcio (que variam de acordo com a lei civil ou religiosa sob a qual o casamento ocorre) favorecem amplamente os homens, mantendo mulheres em relacionamentos abusivos. Sob a lei da sharia (conjunto de leis islâmicas), homens podem se divorciar de suas mulheres por repúdio, enquanto as mulheres devem ir ao tribunal. Não há possibilidade de divórcio sob a lei hindu.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

Lar de quase 150 milhões de muçulmanos de maioria sunita, até recentemente Bangladesh conseguiu manter-se livre do tipo de radicalismo que atormentava outras partes do mundo e Sul da Ásia. Mas, infelizmente, há fortes sinais de que isso está mudando. A decisão do governo, em janeiro de 2017, de tornar os livros didáticos mais ajustados aos grupos islâmicos conservadores é um sinal nesse sentido. Nos livros didáticos da primeira série está impressa a letra “o”, representando o orna, que é o véu usado na cabeça a partir do início da puberdade por uma menina muçulmana devota — isso é apenas um exemplo de uma tendência ao islamismo. 

Um livro didático da sexta série substituiu um relatório de viagem ao Norte da Índia (país vizinho) por um relatório sobre o rio Nilo, no Egito. Outros livros também foram alterados, como por exemplo não mais usando nomes que soam como hindus ou cristãos. No entanto, essa nova tendência não apoia a violência — o governo decidiu banir os capítulos que falavam sobre jihad (guerra santa) dos livros didáticos do Ensino Fundamental 2. Entretanto, em maio de 2018, o partido no poder, Liga Awami, aceitou um pacote de um bilhão de dólares da Arábia Saudita para construir 560 mesquitas em todo o país. Como o fundo não se materializou, o Estado de Bangladesh interveio, um fato que levou líderes católicos a pedir por fundos iguais para todos os prédios e instituições religiosas. 

Cerca de 9% da população é hindu e sofre ataques de muçulmanos radicais. Budistas e religiões étnicas completam a mistura de religiões em Bangladesh, e apesar de pequeno em número, convertidos dessas religiões podem estar sob forte pressão de suas famílias e comunidades. Os cristãos são uma pequena minoria, experimentam marginalização e, se também pertencem a minorias étnicas, enfrentam dupla vulnerabilidade. 

Os cristãos ex-muçulmanos vivem sob pressão de grupos islâmicos radicais ou da cultura islâmica em seus bairros. Eles enfrentam muita violência. As igrejas e todas as religiões minoritárias se esforçam para se manter afastadas da política, embora notem um crescente conservadorismo islâmico no país. As minorias cristãs e outras estão gerando vários grupos de lobby. 

Os cristãos ex-muçulmanos, ex-hindus, ex-budistas ou de origem tribal enfrentam a perseguição mais severa em Bangladesh. Eles frequentemente se reúnem em igrejas domésticas pequenas ou em grupos secretos devido ao medo de ataques. Igrejas evangelísticas — muitas delas pentecostais — trabalhando entre a maioria muçulmana enfrentam perseguição, mas mesmo igrejas históricas como a Igreja Católica Romana são cada vez mais confrontadas com ataques e ameaças de morte.  

Os cristãos tribais, como os da tribo santal, enfrentam dupla vulnerabilidade, pertencentes a uma minoria étnica e religiosa, vivenciam constante violência contra eles. Os cristãos ex-muçulmanos rohingya, que fugiram para Bangladesh, estão enfrentando intimidação e forte pressão da comunidade também.  

Famílias e comunidades são fontes de perseguição e monitoram as atividades dos convertidos, sobretudo nas áreas rurais, isso restringe a vida cotidiana deles mais do que os grupos radicais no momento. O fato de o governo estar combatendo grupos islâmicos que são conhecidos por ter conexões com o partido da oposição não ajuda a acalmar a situação política volátil.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

Bangladesh está classificado como um dos lugares mais corruptos do mundo, ocupando o 146º de 198 lugares no Índice de Percepção da Corrupção 2020. Seu sistema político é instável. Ainda assim, o país poderá se tornar a única economia de classe média-alta no Sul da Ásia em 2024. Um dos principais condutores é a indústria de roupas do país, de 26 bilhões de dólares, que representa cerca de 80% das exportações. Como em outros países com uma situação parecida, Bangladesh aceitou projetos de infraestrutura e outras assistência da China, entretanto, como pode ser visto, ainda sem se tornar economicamente dependente do país. 

À medida que a economia cresceu, o número de bengaleses que vivem na pobreza caiu e os indicadores sociais melhoraram, com o governo colocando dinheiro em iniciativas para capacitar as mulheres e melhorar a segurança alimentar. 

Os desafios mais severos permanecem: o território de Bangladesh é profundamente vulnerável às forças da natureza, como pôde ser visto pelo ciclone Amphan, que devastou partes do país em maio de 2020, e a subsequente enchente que inundou um terço do país. Apesar de ser um país em desenvolvimento, acolheu quase um milhão de refugiados rohingya em um período de tempo muito curto (a partir de 2017), tornando o Cox’s Bazar o maior campo de refugiados no mundo. Isso trouxe muitos desafios sociais e econômicos adicionais, como pôde ser visto quando partes do campo pegaram fogo em janeiro de 2021. 

A crise da COVID-19 colocou todo o progresso econômico em risco e Bangladesh pode levar um tempo maior do que outros países para se recuperar. Milhões de trabalhadores na indústria têxtil e de fábricas estatais têm sido demitidos e redes de segurança são quase que inexistentes, embora o Estado tenha oferecido assistência financeira. A chegada de desastres naturais logo após um lockdown de três meses, em maio de 2020, aumentou ainda mais o desafio. Cristãos, que sempre pertenceram a partes mais pobres da sociedade, sentiram esses difíceis tempos socioeconômicos ainda mais, principalmente aqueles que pertencem a minorias étnicas. 

Em meio a esse cenário econômico frágil, mulheres permanecem as mais vulneráveis economicamente, parte devido aos baixos índices educacionais, leis de herança por parte paterna e menos oportunidades de trabalho. Enquanto cada vez mais mulheres têm sido empoderadas por ingressarem no mercado trabalho e gradualmente ganhado alguma independência, desde 2016 houve uma queda significativa no emprego de mulheres, principalmente já que a indústria do vestuário, que é dominada por mulheres, foi severamente afetada pela pandemia.  

Uma melhor paridade tem sido alcançada no contexto da educação, com o aumento de matrículas de meninas em escolas secundárias de 39% em 1998 para 67% em 2017. Isso contribui para reduzir a dependência econômica das mulheres com relação aos homens, embora especialistas notem que essa dinâmica pode ser explorada, com parentes homens tomando os ganhos e as pressionando a ganhar mais. Enquanto mulheres cristãs têm dificuldade para ganhar independência econômica, homens cristãos (tipicamente os principais provedores financeiros) podem ter dificuldade em não conseguir prover, no caso de perda do emprego. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Bangladesh é densamente povoado: é a oitava nação mais populosa do mundo, com cerca de 171 milhões de pessoas, e a terceira nação muçulmana mais populosa, depois da Indonésia e do Paquistão. Ele continua entre os países mais pobres do mundo, apesar de um progresso notável nos últimos anos.  

Apesar de todo crescimento econômico, a distribuição de renda é desigual e a pobreza ainda é um grande problema. Essa desigualdade já existia antes da crise da COVID-19 chegar, mas as consequências da pandemia podem ter levado mais de 16 milhões de pessoas de volta à categoria da pobreza em 2020. Embora os números ainda sejam difíceis de encontrar, milhões de trabalhadores da indústria do vestuário e outras perderam o emprego. Isso coloca as áreas rurais sob um problema duplo: famílias em áreas rurais conseguiam sobreviver devido ao recebimento de dinheiro enviado por membros da família que trabalham nas cidades, entretanto, esse dinheiro não está mais disponível. E o plano B de voltar para as áreas rurais para trabalhar nas plantações foi severamente limitado pelos desastres naturais que atingiram o país em 2020. É provável que os 38,6% dos trabalhadores da agricultura tenham dificuldade para pagar as contas. 

Alfabetização e educação continuam sendo os maiores desafios para Bangladesh e mesmo o número de matrículas estando alto, assim também é o número de desistências, mesmo se tratando de nível primário (18%). A taxa de desistência é de 30% no nível secundário. E enquanto, por um lado, o Banco Mundial está louvando esse progresso, por outro, é preciso lembrar que ainda há muito a ser feito. 

Aproximadamente um milhão de refugiados muçulmanos rohingya do vizinho Mianmar têm colocado a estrutura social e econômica do país sob um enorme estresse desde 2018, principalmente no distrito de Cox’s Bazar. Em um desenvolvimento muito positivo, as autoridades de Bangladesh anunciaram, no fim de janeiro de 2020, que ofereceriam educação formal para crianças refugiadas rohingya, em colaboração com a UNICEF. Porém, esses programas foram afetados pelas restrições da COVID-19 e o processo de realocação voluntária de refugiados para um campo localizado em uma ilha chamada Bhashan Char, que observadores descrevem como “propensa à inundação”, criou muita ansiedade na comunidade de refugiados. Entretanto, o local foi visitado por oficiais da ONU em maio de 2021 que endossaram a realocação de mais de 100 mil pessoas. 

Conforme estimativas de abril de 2021 do World Christian Database (WCD), um pouco mais de 89% da população é muçulmana. Apesar de ser etnicamente homogêneo em grande proporção, com 98% da população sendo bengalesa, também existem minorias em Bangladesh, como o povo chakma. Além disso, há os chamados “povos tribais do monte” em Chittagong Hill Tracts, como os garo e os shantal, povos que incluem um grande número de cristãos. Os povos tribais do monte são negligenciados e discriminados pelas autoridades e intimidados pela comunidade majoritária, por exemplo, com apropriação de terras. Os cristãos entre eles enfrentam dupla vulnerabilidade, por serem tribais e cristãos. Eles podem experimentar uma certa quantidade de proteção com relação à disseminação do vírus da COVID-19 por estarem em uma área remota, mas também podem ser discriminados ou até excluídos de apoio e assistência do governo. 

Bangladesh é uma sociedade profundamente patriarcal na qual espera-se que homens e mulheres assumam papéis de gênero tradicional; como reflexo disso, mais de 50% dos homens em Bangladesh pensam que é inaceitável que uma mulher tenha um trabalho assalariado. É extremamente desafiador para homens e mulheres cristãos encontrarem aceitação em suas famílias e comunidades; a conversão é vista como uma traição a cultura e religião nacional. Devido às normas do patriarcado, homens sempre se convertem primeiro e são agredidos por traição a sua religião e cultura. Mulheres também enfrentam violência física e são comumente violentadas sexualmente. Há uma ampla aceitação na sociedade para a violência baseada em gênero. De acordo com o Human Rights Watch, 70% das mulheres casadas experimentam alguma forma de abuso do parceiro íntimo. Apenas 3% das vítimas exigem ações legais, o que reflete como é notoriamente difícil para as vítimas obterem justiça e o estigma social vinculado à violência sexual.

O cristianismo fez suas primeiras incursões definidas na região, agora chamada Bangladesh, no final do século 16 e início do século 17. Os comerciantes portugueses e os missionários católicos romanos alcançaram suas costas perto da cidade de Chittagong, no que foi chamado de “Sultanato de Bengala” e construíram suas primeiras igrejas. 

O missionário batista William Carey chegou a Serampore de Bengala Ocidental em 1793. Esse inglês anunciou uma nova era missionária em Bengala, traduzindo e imprimindo a Bíblia em bengali e o primeiro dicionário da língua bengali. Ele também ajudou a desenvolver fontes tipográficas bengali para imprimir e estabelecer a Serampore Mission and College (primeira organização missionária e faculdade teológica no país), além de publicar jornais e periódicos. O sistema escolar em Bangladesh se deve ao trabalho de William Carey. 

Com ele veio a Sociedade Missionária Batista (britânica) em 1793, seguida pela Sociedade Missionária da Igreja (britânica) em 1805, Conselho para a Missão Mundial (presbiteriano britânico) em 1862, Missão Batista Australiana em 1882, Missão Batista da Nova Zelândia em 1886, Missão de Oxford (britânica anglicana) em 1895, Igreja de Deus (americana) em 1905, Adventista do Sétimo Dia em 1919, Assembleia de Deus em 1945, Missão de Santal (luterana) em 1956, Missão de Bangladesh da Convenção Batista do Sul (americana) em 1957 e Associação de Batistas para Evangelismo Mundial (americana) em 1958. Após a Guerra da Independência em 1971, houve influxo de mais sociedades missionárias protestantes em Bangladesh. 

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