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Colômbia

CO
Colômbia
  • Tipo de Perseguição: Corrupção e crime organizado, opressão do clã, intolerância secular
  • Capital: Bogotá
  • Região: América Latina
  • Líder: Iván Duque Marquez
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Cristianismo
  • Idioma: Espanhol
  • Pontuação: 68


POPULAÇÃO
50,6 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
48 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos na Colômbia? 

Embora a Colômbia tenha um alto percentual de cristãos, eles ainda enfrentam perseguição de gangues criminosas e grupos indígenas. Grupos de guerrilha ameaçam, assediam, extorquem e até mesmo matam líderes de igrejas que se tornam alvo por denunciarem a corrupção, defenderem direitos humanos e se oporem aos cartéis. Os filhos também podem se tornar alvo para desencorajar os líderes de igrejas a falar contra a corrupção e o crime organizado. Essas formas de perseguição são mais comuns, principalmente, nas áreas rurais e remotas da Colômbia. 

A crise humanitária na região da Costa do Pacífico continua piorando: a luta pelo controle de cultivos ilegais, tráfico de drogas e mineração ilegal intensificaram o conflito. Muitos cristãos são afetados e estão entre milhares de famílias deslocadas. 

Em comunidades indígenas, a perseguição tende a focar em cristãos que se converteram das crenças da tribo. Entre as formas de perseguição, eles enfrentam prisão, assédio, abuso físico, proibição de direitos básicos e uso de território ancestral, ou podem ser enviados para fazer trabalho forçado em um território diferente. Muitas vezes eles são alvo para se tornarem um exemplo, então o resto da comunidade fica com medo de se converter. 

Outro tipo de perseguição é a intolerância secular. Cada vez mais, cristãos enfrentam hostilidade, abuso verbal e discriminação por sua postura em questões como aborto, sexualidade e orientação de gênero. Como resultado, a participação de cristãos na esfera política diminuiu. 

“Esses pastores sabem o que significa ser um órfão, um viúvo, uma viúva. Eles conhecem as crises de fé profundas que uma família passa quando sofre as consequências por permanecer firme.” 

Jenny Rodriguez, parceira local da Portas Abertas na Colômbia  

O que mudou este ano? 

No último ano, ocorreram protestos na Colômbia, em parte contra a corrupção e as medidas controversas do governo. Líderes de igrejas estavam entre os que apoiaram os manifestantes, e isso levou a ameaças e violência. Além disso, houve um pequeno aumento na perseguição enfrentada pela comunidade geral e uma pequena queda em incidentes de violência, mas a perseguição não teve uma mudança significativa na Colômbia no último ano. A violência permanece alta, com sete cristãos mortos por causa da fé entre janeiro e setembro de 2021.    

Quem persegue os cristãos na Colômbia? 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Colômbia são: corrupção e crime organizado, opressão do clã, intolerância secular. 

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na Colômbia são: grupos paramilitares, redes criminosas, oficiais do governo, partidos políticos, líderes de grupos étnicos, líderes religiosos não cristãos, parentes, grupos religiosos violentos, cidadãos e quadrilhas, grupos de pressão ideológica. 

Quem é mais vulnerável à perseguição na Colômbia? 

Os cristãos que se converteram de uma religião indígena são os mais vulneráveis à perseguição em algumas áreas da Colômbia. Cristãos — e principalmente os líderes de igreja e suas famílias — correm mais em risco em áreas dominadas por gangues de guerrilheiros e cartéis de drogas. Além disso, a crescente intolerância secular significa que os cristãos estão cada vez mais vulneráveis a hostilidade, abuso verbal e discriminação por falar sobre certas questões. 

Como as mulheres são perseguidas na Colômbia? 

Em comunidades indígenas, mulheres cristãs podem ser forçadas a se casar com não cristãos — ou, se elas já forem casadas, podem ser abandonadas pelo marido e separadas dos filhos. Isso as torna vulneráveis a tráfico, exploração sexual e prostituição forçada. Em alguns casos, mulheres grávidas também são forçadas a realizar rituais com os bebês que vão contra a fé cristã. 

Em áreas sob controle de criminosos, algumas meninas são “compradas” dos pais, que enfrentam ameaças de morte se não aceitarem. As filhas de famílias cristãs são alvo por sua pureza e obediência aparente, enfrentando abuso sexual e casamento forçado com líderes de cartéis. Os filhos de líderes de igrejas são especialmente vulneráveis. 

Como os homens são perseguidos na Colômbia? 

Os homens cristãos sempre enfrentaram um nível mais alto de ameaça e violência, em parte porque são vistos como chefes da família — ou da igreja, se são pastores. Homens e meninos estão em perigo particular em regiões de conflito armado. Como provedores da família, homens enfrentam extorsão para prover recursos para grupos armados, enquanto líderes de igreja podem ser agredidos fisicamente, extorquidos para ganhos financeiros, forçados a deixar sua região ou até mesmo mortos. 

Grupos armados ilegais continuam atuando como uma das maiores ameaças a meninos e homens cristãos, que enfrentam sequestro, recrutamento forçado e violência em suas mãos. Qualquer cuidado pós-trauma ou programas de ressocialização oferecidos pelo governo não são sempre garantidos.

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Colômbia? 

A Portas Abertas fortalece a Igreja Perseguida na Colômbia por meio da distribuição de Bíblias, treinamento, cuidados pós-trauma, projetos de desenvolvimento comunitário, ajuda emergencial e abrigo e educação para crianças.    

Como posso ajudar os cristãos perseguidos na Colômbia? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio a cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente. 

Pedidos de oração da Colômbia 

  • Ore por proteção para pastores e comunidades que são alvo de grupos do crime organizado. 
  • Interceda por sabedoria e pela presença do Espírito Santo para que cristãos colombianos indígenas permaneçam firmes no evangelho. 
  • Peça que Deus capacite os parceiros locais da Portas Abertas para servirem e permanecerem juntos à Igreja Perseguida na Colômbia. 

Um clamor pela Colômbia 

Deus pai, obrigado por ser mais forte do que qualquer grupo criminoso. Oramos para que frustre os planos das gangues de guerrilheiros e proteja líderes das igrejas e outros que falam contra os guerrilheiros. Dê resiliência e alegria aos cristãos que se converteram de fés indígenas, que eles conheçam cada vez mais seu amor e presença. Amém. 

A Colômbia se tornou independente da Espanha depois de um longo período de dificuldade entre 1810 e 1819. O ato de independência de Santa Fé foi assinado em 1810 e se seguiram seis batalhas na guerra pela independência. A mais famosa foi a Batalha de Boyacá, ocorrida em 7 de agosto de 1819 e vencida pelas forças revolucionárias sob comando de Simón Bolívar. 

O atual presidente, Iván Duque, do Partido Centro Democrático, venceu as eleições em junho de 2018, e tem a tarefa de lidar com muitos desafios em torno da implementação do Acordo para o Término Final de Conflito entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Acordo assinado em 24 de novembro de 2016, durante a presidência de Juan Manuel Santos. Grupos de guerrilha, como o Exército Nacional de Libertação (ELN) e antigos membros das FARC, continuam dificultando o processo de paz. 

A migração em massa de refugiados da Venezuela para a Colômbia tem um grande impacto na economia, educação e serviços básicos no país. Aproximadamente 1,8 milhões de venezuelanos vivem na Colômbia desde dezembro de 2019, de acordo com estatísticas oficiais do governo. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Duas questões são as mais importantes na política colombiana e contexto legal: a implementação do acordo de paz e a luta contra a corrupção. Quanto ao primeiro ponto, embora tenha havido algum progresso, apenas cerca de 23% dos compromissos estabelecidos no acordo de paz foram completamente cumpridos. A principal mudança é que as FARC foram transformadas de grupo de guerrilha em partido político. 

Com relação ao segundo ponto, o contexto legal e as políticas para combater a corrupção são fracas. De acordo com o Relatório de Direitos Humanos da Colômbia 2019, forças de segurança do governo foram acusadas de colaborar ou tolerar as atividades de gangues criminosas, que incluem alguns antigos membros de grupos paramilitares. 

A implementação do acordo de paz tem sido um processo lento. As dificuldades persistem para a completa implementação nos níveis social, político e econômico. Isso tem resultado em um retorno ao contexto de violência e insegurança para todos os colombianos, mas especialmente por aqueles nas áreas mais pobres e negligenciadas do país.  

Corruption Perception Index 2019 classifica a Colômbia em 96° lugar de 180 países, com 37 de 100 pontos, sendo 0 muito corrupto e 100 muito honesto. Apesar de certo progresso na implementação do acordo de paz das FARC, os dissidentes do grupo, membros do ELN e outros grupos de guerrilha lutam por controle de regiões inteiras com objetivo de conduzir suas atividades ilegais. Esse contexto tem levado líderes de igrejas e grupos cristãos a enfrentarem perseguição implacável, ameaças, extorsão e mortes, bem como ataques a prédios cristãos.  

Essas medidas são principalmente direcionadas para quem discorda ativamente de suas práticas, discursa em defesa dos direitos humanos, prega para combatentes e civis, conduz orações em áreas violentas ou previne jovens de entrarem para os grupos dissidentes. Grupos criminosos também retalham antigos membros da guerrilha que decidiram abandonar a vida criminosa como resultado de conversão à fé cristã. Tudo isso é possível devido à corrupção e impunidade causadas pelas alianças estabelecidas entre líderes desses grupos e algumas autoridades do Estado.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

A Constituição garante, no artigo 19, a liberdade de religião e declara que toda pessoa desfruta do direito de professar a própria crença individual ou coletiva. O governo não possui uma religião oficial, mas reconhece o setor religioso como sendo um elemento importante em estabelecer a paz e tem chamado à participação ativa de igrejas e organizações com base religiosa. O papel significativo desempenhado por igrejas as tem colocado em um perigo particular. 

Líderes de igrejas estão sendo ameaçados, assediados, extorquidos e até mesmo mortos como resultado da violência cometida por guerrilhas ou outros grupos criminosos. Na maioria dos casos, essa violência é resultado direto de cristãos que trabalham pela defesa dos direitos humanos, com jovens, e que estão envolvidos em qualquer atividade que diz respeito à implementação do acordo de paz. Se isso compromete as atividades ilegais dos grupos, especialmente nas áreas mais negligenciadas do país, eles são perseguidos.  

De acordo com o relatório International Religious Freedom 2019 da Colômbia, entidades sem registro devem continuar realizando atividade sem punição, mas não podem arrecadar fundos ou receber doações. A situação implica uma desvantagem para essas igrejas já que não usufruem dos mesmos benefícios garantidos às igrejas reconhecidas. 

Em comunidades indígenas, cristãos enfrentam oposição quando rejeitam as práticas sincréticas e padrões dessas comunidades. Isso tem levado os líderes indígenas a verem o cristianismo como um elemento desestabilizador. Às vezes, entidades ou autoridades locais não protegem a liberdade religiosa de indígenas já que diz respeito a uma religião diferente da tradicional. 

Como resultado, missionários cristãos e convertidos indígenas enfrentam prisão, abuso físico e confisco de propriedades, entre outras formas de punição. Além disso, como consequência da intolerância secular, opiniões cristãs são com frequência silenciadas em debates públicos – especialmente sobre questões relativas à vida, família, casamento e liberdade religiosa.  

Como em muitas comunidades indígenas da América Latina, as práticas religiosas estão principalmente relacionadas às práticas sincréticas católicas e não ao catolicismo tradicional. Embora não possam ser identificados como católicos romanos (no sentido real da palavra), há uma tendência dos líderes da comunidade serem mais tolerantes com a Igreja Católica Romana do que com os cristãos de outras igrejas. No entanto, isso não significa que os católicos indígenas que abandonam essas práticas não serão perseguidos e se tornarão vítimas do antagonismo étnico. 

Já que há uma forte presença religiosa nessas comunidades devido à influência da visão de mundo indígena na vida diária, a introdução de uma ideia ou tradição contrária a essas crenças antigas é vista como uma ameaça às tradições culturais e religiosas. A consequência é o banimento por autoridades locais e a maioria dos líderes comunitários indígenas. Medidas contra os convertidos indígenas, e também suas famílias e missionários, podem ser prisão, abuso físico, falta de acesso a necessidades básicas e confisco de propriedade. É muito difícil para cristãos indígenas perseguidos pedir proteção para o governo já que as autoridades indígenas, que são quase sempre tendenciosas contra cristãos, comumente são as únicas autoridades com jurisdição na região.  

Como comunidades indígenas são com frequência as mais afetadas pelas organizações criminosas, já que seus territórios comumente são apropriados por traficantes de drogas e guerrilhas, alguns líderes indígenas confiam em criminosos para intimidar convertidos indígenas e forçá-los a voltar para as práticas sincretistas da comunidade. Além disso, o nível de violência em tais lugares também é muito alto como resultado de lutas entre tropas do governo e grupos criminosos, e combates entre grupos criminosos.  

Embora os cristãos cheguem a 94,8% da população do país, é importante notar que uma estimativa de 3,3% da população se identifica como agnóstica ou ateísta, o que reflete a tendência secular que emergiu nos últimos anos. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

Desde junho de 2018, o presidente Duque tem pressionado por austeridade e responsabilidade no gerenciamento de recursos públicos. Nesse contexto, de acordo com o Centro de Estudos da América Latina (CESLA, da sigla em inglês), a atividade econômica do país teceu uma fase de ascensão durante 2019. O crescimento foi conduzido por setores como mineração e distribuição, enquanto a construção permanece estagnada desde 2017. Embora em termos gerais a economia esteja se recuperando, não houve aumento nos empregos. O aparente crescimento econômico não está refletido na geração de novos empregos ao passo que a economia exige. A dimensão econômica da situação pós-conflito também é algo significativo. A despesa na implementação do acordo de paz implica em um grande desafio para a política fiscal. O governo optou por um corte no orçamento, mas há complicações devido aos efeitos da crise de refugiados venezuelanos.   

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

As dificuldades com o processo de paz afetam a economia básica, saúde, educação e até mesmo as necessidades de infraestrutura. A falta de atenção dada pelas autoridades para o remanescente dos grupos armados e traficantes de droga nos territórios mais negligenciados levou a um aumento acentuado nos números de assassinatos. A maioria dos incidentes ocorreram no Norte de Santander, Antioquia, Nariño e Chocó e foram causados por confrontos armados. 

Outra questão preocupante é o perigo para os líderes comunitários. As organizações Indepaz, Marcha Patriótica e Cumbre Agraria declararam em um relatório conjunto, publicado em setembro de 2019, que 155 ativistas dos direitos humanos foram mortos apenas entre 1 de janeiro e 8 de setembro de 2019. Também, como mencionada na Missão de Verificação na Colômbia 2019, das Nações Unidas, economias ilícitas, incluindo drogas e mineração ilegal permanecem uma fonte de violência no país e uma ameaça ao processo de paz. 

A Colômbia é um dos países com o maior número de vítimas de deslocamento interno, como destacado pela Agência de Refugiados da ONU em 2019. Entre 2015 e 2018, 8 milhões de deslocados forçados foram registrados (98% dentro do país), sendo 118.100 registrados apenas no ano de 2018.  

O cristianismo chegou na Colômbia através da conquista e colonização da Espanha no período posterior a 1492. A Igreja Católica Romana conseguiu se estabelecer como a única denominação. Depois que a Colômbia ganhou independência em 1810, o Vaticano em Roma estabeleceu relações formais com o novo Estado em 1835. 

A Igreja Católica Romana assumiu uma crescente presença política no país, o que causou muito atrito com os líderes políticos da época. Como resultado, a igreja foi perseguida e comunidades religiosas, como os jesuítas, foram expulsas do país em 1851 e 1861. 

Em 1877, as tentativas do governo radical de estabelecer um sistema educacional “neutro” degeneraram em guerra civil com a participação ativa de vários bispos e clérigos. Em 1886, a relação entre igreja e Estado foi estabelecida em uma nova Constituição que reconheceu a Igreja Católica como base para a unidade nacional. 

A perda da hegemonia católica começou com a chegada da Igreja Presbiteriana em meados do século 19. No início do século 20, chegaram os batistas e outros protestantes. 

Na década de 1960, a paisagem religiosa começou a mudar visivelmente devido a mudanças sociais, econômicas e culturais causadas pela modernização, urbanização e alfabetização. O pentecostalismo veio dos Estados Unidos e tornou-se muito popular e essa nova diversidade cristã foi reconhecida em 1991 na nova Constituição da Colômbia. 

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