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Emirados Árabes Unidos

AE
Emirados Árabes Unidos
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, opressão do clã, paranoia ditatorial
  • Capital: Abu Dhabi
  • Região: Península Arábica
  • Líder: Khalifa bin Zayed al Nahyan
  • Governo: Federação de monarquias
  • Religião: Islamismo, cristianismo, hinduísmo, budismo e outras
  • Idioma: Árabe, inglês, hindi, malaiala, urdu, pashto, tagalog, persa
  • Pontuação: 62


POPULAÇÃO
9,7 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
1,1 MILHÃO

Cristãos ex-muçulmanos têm que suportar grande perseguição e enfrentam pressão da família e da comunidade local para retratar a fé cristã. Cristãos expatriados são livres para adorar sozinhos e em suas igrejas, mas o governo não permite que eles evangelizem ou orem em público. Muçulmanos expatriados que se convertem ao cristianismo experimentam pressões similares aos seus países de origem, já que eles vivem dentro de suas próprias comunidades nacionais ou étnicas. 

Por causa das possíveis consequências graves, é quase impossível aos convertidos revelar a conversão, e é por isso que dificilmente há quaisquer relatos de cristãos sendo mortos ou prejudicados pela fé. 

Os Emirados Árabes Unidos aumentaram a pontuação em dois pontos, mas caíram seis posições no ranking, ficando fora do Top50. A pressão média sobre os cristãos teve um aumento significativo em relação à Lista Mundial da Perseguição 2020. O aumento da pressão se deu especialmente na esfera nacional. Os principais tipos de perseguição são opressão islâmica, opressão do clã e paranoia ditatorial. 

“Prédios de igrejas nesta parte do mundo são vitalmente importantes. Ter um significa que você tem o selo de aprovação dos governantes.”

JOHN FOLMAR, PASTOR AMERICANO DE UMA IGREJA NOS EMIRADOS ÁRABES UNIDOS

Tendências 

Espera-se que a estabilidade política continue 

Olhando para o futuro, a estabilidade política pode ser esperada já que os governantes apoiam uns aos outros. Eleições nacionais não existem e partidos políticos são proibidos, o que impede os cidadãos de mudarem o governo. Os cargos do governo são preenchidos principalmente através de lealdades tribais e poder econômico. 

Há alguns apelos para uma maior representação política, mas essas demandas não são escutadas pelos governantes. Por enquanto, a maioria da população não está muito envolvida na política — as eleições para a instituição legislativa FNC em 2006, 2011 e 2015 tiveram baixa participação, especialmente nos maiores e mais ricos emirados. Uma boa distribuição de renda parece apaziguar a população no momento, embora os estados historicamente mais pobres do Norte, que têm uma demanda por mudança política, representem um certo risco. Uma pressão da população mais jovem e um processo de globalização que afrouxa o monopólio do Estado sobre a informação indicam que os Emirados Árabes Unidos precisarão reagir aos apelos por mais democracia no futuro. 

Os Emirados Árabes Unidos se apresentam como uma nação islâmica progressista 

Os Emirados Árabes Unidos continuam a ter estabilidade mesmo dentro de um contexto regional turbulento. Resta saber se uma postura mais assertiva dos Emirados na região (por exemplo em relação a Somália, Iêmen, Catar, Líbia e, em particular, Israel) levará a um reforço da influência do país como uma nação islâmica progressista, ou se tais incursões serão malsucedidas e, portanto, prejudiciais à “marca” do islã com a qual os Emirados Árabes Unidos estão procurando se identificar. Se não tiver sucesso, ou se o país ficar atolado em conflitos regionais, o país poderia enfrentar crescente descontentamento doméstico, e possivelmente o surgimento e crescente influência de facções religiosas mais conservadoras — embora isso não pareça uma perspectiva muito provável no momento.  

Os desafios mais imediatos são os econômicos, especialmente aqueles causados pela crise da COVID-19. Particularmente para Dubai, a necessidade de atrair mais investimento internacional ajuda a garantir uma abertura contínua à (e tolerância da) diversidade. 

A cooperação com o Ocidente está aumentando 

A participação dos Emirados Árabes Unidos nos Acordos de Abraão com Israel e os Estados Unidos é um passo significativo, mas surpreendente para mais cooperação com o Ocidente. Forçado pelos baixos preços do petróleo, que se espera que permaneçam baixos devido à crise da COVID-19, os Emirados Árabes Unidos devem diminuir sua dependência das receitas de hidrocarbonetos.  

São importantes para o futuro econômico dos Emirados Árabes Unidos: i) acesso às tecnologias; ii) sistemas de armas de última geração para combater a ameaça militar iraniana na região; e iii) crescimento do turismo e oportunidades de negócios. 

No entanto, sua normalização dos laços com Israel (sem qualquer real consideração pela causa palestina) poderia levar à alienação e uma reação tanto da população, bem como do mundo islâmico mais amplo. É provável que os Emirados Árabes Unidos tentem se ocidentalizar ainda mais para aumentar seus laços com o Ocidente. No entanto, o país também quer proteger sua identidade islâmica, o que torna improvável que dê mais liberdade aos convertidos do islã ao cristianismo. 

Os Emirados Árabes Unidos consistem em sete emirados que têm seus próprios governantes e que foram unidos em um Estado federal no início da década de 1970. A única tentativa bem-sucedida do mundo árabe de formar uma federação é considerada regionalmente como um modelo de sucesso e serviu de exemplo para o estabelecimento do Conselho de Cooperação do Golfo.

No entanto, existem algumas diferenças claras entre os vários emirados. Especialmente, Abu Dhabi (o maior emirado) e Dubai que são os emirados mais ricos e têm mais influência – o presidente Khalifa bin Zayed al Nahyan, dos Emirados Árabes Unidos, é o governante de Abu Dhabi. Os estados do Norte são mais pobres, por exemplo, Sharjah, que também é mais conservador. Todos os emirados têm um assento no "Conselho Supremo Federal" – a mais alta autoridade constitucional, executiva e legislativa.

A onda de levantamentos da Primavera Árabe em 2011 dificilmente parece ter afetado os Emirados Árabes Unidos. Isso é notável, especialmente porque a sociedade dos Emirados baseia-se mais na lealdade tribal do que nas normas democráticas. No entanto, a população parece confiar no governo e sua generosa distribuição de riqueza do petróleo, obviamente, desempenha um papel significativo no quarto Estado per capita mais rico do mundo.

No entanto, as autoridades tomaram medidas cautelares para manter a estabilidade: as restrições da internet foram implementadas em 2012 para evitar o uso das mídias sociais como forma de organizar protestos. Além disso, mais de 90 islâmicos foram presos no início de 2013, acusados de planejar um golpe. Desde então, não houve ameaças visíveis para a estabilidade do país.

Em julho de 2018, o Tribunal de Justiça Internacional, o principal órgão judiciário da ONU, julgou que os Emirados Árabes Unidos haviam violado os direitos de cidadãos do Catar, que foram expulsos do país quando os Emirados Árabes se juntaram a um boicote ao Catar.

O país tem sido muito influenciado pela Arábia Saudita nos últimos meses e anos. Além de estar ao lado da Arábia Saudita na crise do Catar, também se envolveu na guerra do Iêmen, duas situações que poderiam até mesmo desestabilizar o futuro da região. Entretanto, divisões começaram a aparecer após os Emirados anunciarem sua decisão de retirar suas tropas do Iêmen em julho de 2019.

O país também está envolvido na guerra civil na Líbia e é um dos conhecidos apoiadores das Forças Armadas da Líbia, do general Haftar. Em uma investigação das Nações Unidas, os Emirados são suspeitos de lançar um míssil em um centro de detenção de imigrantes na Líbia, em julho de 2019.

As descobertas arqueológicas mostram que o cristianismo era bastante difundido na região do Golfo antes do surgimento do islamismo. Na Antiguidade, a área que agora forma os Emirados Árabes Unidos ficou aos cuidados da diocese nestoriana, conhecida como Beth Mazunaye, com uma catedral em Sohar, no lado da fronteira de Omã. Em 1992, ruínas de um monastério e a igreja nestoriana foram encontradas na ilha de Sir Bani Yas, na costa de Abu Dhabi. O monastério foi usado entre 600 e 750 d.C., aproximadamente. Artefatos encontrados no local mostram que as pessoas comiam peixe e tinham gado. Objetos de vidro e cerâmica indicam que os habitantes faziam comércio no Golfo Árabe e Oceano Índico. Outro monastério nestoriano e a igreja foram descobertos próximo à ilha de Marawah, datados do mesmo período. Isso indica que o cristianismo na região floresceu mesmo depois do islamismo ter se tornado dominante na área. O cristianismo na região era forte devido ao trabalho missionário dos nestorianos siríacos do Iraque e Pérsia, e devido à presença de tribos cristãs árabes se estabelecendo na área.

Sob pressão do islamismo, o cristianismo desapareceu até uma presença cristã ser reestabelecida com colonos portugueses, através de padres católicos romanos que se estabeleceram no século 16 em Khor Fakkan.

Em 1797, a primeira de uma série de batalhas marítimas ocorreu entre a Grã-Bretanha e algumas áreas de sheiks. Com início em 1820, Londres assinou acordos com essas áreas que deram a eles direitos de comércio exclusivo. Isso significou o começo do novo contato com cristãos para a região.

Sob a proteção dos britânicos, o trabalho missionário pôde ser realizado nessas áreas. Missionários ocidentais começaram no início do século 19 construindo hospitais missionários. Já em 1841, um sacerdote católico romano percorreu a região. Em 1889, o vicariato da Arábia foi erguido em Áden. O Iêmen do Sul expulsou o vicariato, que se mudou para Abu Dhabi, em 1973. Na década de 1970, o vicariato tinha 11 paróquias e 15 capelas, duas das quais estavam nos Emirados Árabes Unidos. Ambas as paróquias foram fundadas em 1960 e serviram para estrangeiros.

O protestantismo entrou na região em 1890 na pessoa de Samuel M. Zwemer (1867-1952) da Igreja Reformada na América; ele finalmente se instalou no Bahrein. A Igreja da Inglaterra estabeleceu o trabalho uma vez que os britânicos adquiriram alguma hegemonia no Golfo. Paróquias na região emergiram apenas na década de 1960 e foram limitadas aos estrangeiros das Ilhas Britânicas. A paróquia primária anglicana, a Igreja de Santo André em Abu Dhabi, está agora anexada à Diocese de Chipre e do Golfo, uma diocese dentro da Igreja Episcopal de Jerusalém e Oriente Médio.

Outros ministérios religiosos protestantes/livres incluem os Irmãos Cristãos, a Missão da Aliança Evangélica (TEAM), a Igreja Presbiteriana Reformada e o Sínodo Evangélico. O pequeno trabalho da Igreja Adventista do Sétimo Dia é anexado à Seção do Golfo na Missão da União do Oriente Médio. Além disso, membros de várias igrejas ortodoxas se mudaram para os Emirados Árabes Unidos.

O petróleo foi descoberto em 1958. Depois do auge nos preços do produto, em 1973, o número de cristãos expatriados cresceu rapidamente. Estrangeiros são predominantemente da Ásia e Oriente Médio. Do total da população, cerca de 11% é cristã. A maior parte das denominações das igrejas realizam encontros de adoração nos Emirados Árabes Unidos. As igrejas de estrangeiros têm que ser cuidadosas ao aceitar convertidos em suas congregações.

O evangelismo é proibido, mas grupos não muçulmanos podem adorar em edifícios próprios ou casas particulares

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