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Gâmbia

GM
Gâmbia
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, hostilidade etno-religiosa, corrupção e crime organizado
  • Capital: Banjul
  • Região: Oeste Africano
  • Líder: Adama Barrow
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo, cristianismo
  • Idioma: Inglês, mandinka, wolof, fula, outros idiomas nativos
  • Pontuação: 44


POPULAÇÃO
2,2 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
104 MIL

[Atualizado em fevereiro de 2021. Em breve, esse conteúdo será atualizado conforme os dados da Lista Mundial da Perseguição 2022].

O domínio do islã está crescendo de várias maneiras. Por exemplo, mesquitas estão sendo construídas em cada instituição governamental e a religião é ensinada em todas as escolas. O governo do presidente deposto Jammeh promoveu o islã e fortaleceu o relacionamento de Gâmbia com a Arábia Saudita. O objetivo é promover o movimento sunita wahabi que existe no país do Oriente Médio. Embora o novo governo esteja tentando combater a influência islâmica radical na sociedade, não é fácil reverter o que foi feito sob o governo de Jammeh. A situação é muito difícil para cristãos ex-muçulmanos, especialmente em áreas remotas. 

Cristãos de famílias muçulmanas ou animistas não podem falar sobre a fé com os parentes. Nas áreas rurais, é comum que os seguidores de Jesus sejam isolados, sobretudo na parte oriental do país. Portanto, os convertidos têm o cuidado de não revelar a conversão em atos privados de adoração. Em algumas escolas, onde os líderes ou fundadores são muçulmanos, filhos de cristãos são frequentemente forçados a receber instrução religiosa não cristã. Quando o cristão é casado, a família costuma obrigar o divórcio.  

Os cristãos são às vezes ameaçados ou assediados na vida cotidiana, muitas vezes são forçados a participar de rituais tradicionais anuais para que sejam considerados parte da família e da comunidade. A pressão para renunciar à nova fé é forte, resultando em ameaça de rapto e casamento forçado. Além disso, é difícil obter registro ou status legal para igrejas.  

Há também um problema de corrupção no país. No Índice de Corrupção de 2019, a Gâmbia marcou 37 pontos em 100 e está no 96º lugar, de 180 posições. Mas há pontos positivos sobre o país: ele ainda não é alvo de ataques de militantes islâmicos, e o presidente tem apelado à liberdade de religião e tolerância entre os diferentes grupos religiosos.  

A pressão média permaneceu em 8,5 pontos, enquanto a pontuação de violência caiu de 1,1 pontos na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2020 para 0,6 pontos na LMP 2021. Os principais tipos de perseguição são opressão islâmica, hostilidade etno-religiosa e corrupção e crime organizado. 

“O Conselho Cristão da Gâmbia pede para ser incluído na Constituição final que a Gâmbia seja soberana e secular. Uma república com diversas comunidades de liberdade étnico-linguística e religiosa, com igualdade de oportunidades e garantia de liberdade interétnica, política e religiosa para a coesão social.”

PASTOR SEAL S. JAMMEH, EM CARTA AO GOVERNO DO PAÍS

Tendências 

A Gâmbia melhorou a imagem internacional e regional após a expulsão do ditador Yahya Jammeh 

Depois de sofrer sob o governo de Yahya Jammeh por mais de duas décadas, a Gâmbia agora tem um presidente que prometeu prosperidade e estabilidade para o país. Embora o primeiro presidente fosse autoritário, ele havia reprimido com sucesso os elementos islâmicos radicais que se desenvolveram na região. A esperança é que o novo presidente traga mais estabilidade e continue a lutar contra a radicalização que ameaça a vida de muitos cristãos. 

O país iniciou a reforma de muitas das instituições que foram debilitadas no antigo governo. Logo, os observadores acreditam que essas medidas ajudarão a consolidar os valores democráticos e as normas não apenas nas instituições governamentais, mas também na sociedade. 

As perspectivas para a minoria cristã melhoraram 

Desde que o presidente Barrow assumiu o cargo após vencer a eleição em dezembro de 2016, as perspectivas para a minoria cristã na Gâmbia melhoraram. Os exemplos foram a retirada imediata do nome República Islâmica da Gâmbia e o incentivo à participação da comunidade na melhoria dos espaços cívicos. 

O político enfrenta a resistência de muçulmanos radicais que foram favorecidos na administração do presidente anterior. Porém, o futuro do país depende muito da determinação e da capacidade do atual presidente de implementar as reformas que prometeu. Em um curto período, o país saiu de um dos regimes mais repressivos para um estado parcialmente livre, de acordo com a classificação da Freedom House. 

Gâmbia é um pequeno Estado do Oeste da África totalmente cercado pelo Senegal, exceto pelo litoral atlântico a oeste. Os portugueses chegaram à costa da Gâmbia em 1455 e estabeleceram um posto comercial, mas em 1618 os portugueses venderam Gâmbia aos britânicos, efetivamente fazendo da Gâmbia o ponto de partida da presença da Grã-Bretanha no Oeste Africano. Sua atual fronteira foi estabelecida por meio de um acordo entre a Grã-Bretanha e a França em 1889. O país se tornou um protetorado britânico em 1894. O inglês continua sendo o idioma oficial, apesar das declarações em contrário do presidente. Banjul é a capital. 

A Grã-Bretanha concedeu o status autônomo a Gâmbia em 1963 e, em 1965, o país se tornou independente. Sob a liderança do Partido Progressista do Povo, Gâmbia estabeleceu com sucesso uma forma democrática de governo parlamentar, e o Partido Progressista do Povo venceu as eleições realizadas em 1966, 1972, 1977, 1982, 1987 e 1992. Um ano após uma tentativa de golpe em 1981, Gâmbia e Senegal formaram uma confederação e a nomearam Senegâmbia. A intenção era “integrar as forças militares e de segurança; formar uma união econômica e monetária; coordenar as políticas e comunicações externas; e estabelecer instituições confederativas. O parceiro maior, Senegal, dominaria essas instituições, controlando a presidência da confederação e dois terços das cadeiras de seu parlamento”. No entanto, a crescente preocupação de Gâmbia com a autonomia futura e o medo de ser engolida por Senegal levaram à dissolução da confederação em 1989. 

Depois de governar o país por 22 anos, Yahya Jammeh perdeu a eleição presidencial em dezembro de 2016. Embora inicialmente tenha resistido a ceder o poder, a pressão da comunidade internacional o forçou a sair. Em dezembro de 2017, o ex-presidente Yahya Jammeh foi oficialmente acusado de violações dos direitos humanos. 

Adama Barrow assumiu o cargo e melhorou a condição de direitos humanos do país. Alguns analistas acreditam que o novo presidente fez promessas irrealistas — por exemplo, o novo presidente chegou ao poder com a promessa de servir apenas por três anos, o que já cria um problema para ele. Alguns ativistas pediram que ele honrasse a promessa e renunciasse. Isso levou a protestos e duras repressões.  

Segundo dados da Anistia Internacional (AI) em janeiro de 2020, a polícia prendeu mais de cem manifestantes. A AI declarou que a “repressão aos manifestantes teve ecos alarmantes do passado brutal de Gâmbia. Houve algumas melhorias significativas no histórico de direitos humanos do país desde que o presidente Adama Barrow chegou ao poder, mas o uso de força excessiva pelas forças de segurança para dispersar os manifestantes corre o risco de abastecer tensões e direcionar Gâmbia de volta aos dias sombrios de repressão”. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Gâmbia é uma república multipartidária, onde o presidente é o chefe de Estado e de governo. O corpo legislativo tem somente uma câmara com 53 membros. A Suprema Corte é o órgão judiciário mais alto do país. A Constituição permite que tribunais da sharia (conjunto de leis islâmicas) assumam jurisdição sobre questões familiares. 

Em 22 de julho de 1994, Lieutenant Yahya Jammeh liderou um golpe sem sangue que depôs o presidente Dawda Jawara, que havia sido democraticamente eleito e estava no poder desde 1970. Jawara tinha sobrevivido a uma tentativa de golpe em 1981 com a ajuda do exército senegalês. Desde 1996, o partido dominante é a Aliança para Reorientação e Construção Patriótica, sob Yahya Jammeh. Outros partidos são ativos no país, como o Partido Progressista do Povo. 

Jammeh não trouxe prosperidade como prometeu. Ele e os companheiros soldados não retornaram ao quartel, como ele havia prometido inicialmente. Em vez disso, permaneceu no poder até a derrota nas eleições de dezembro de 2016. Ele costumava recorrer à ideia do pan-africanismo para manter o apoio dos cidadãos. Em 2014, ele prometeu abandonar o inglês como idioma oficial e se retirou da associação britânica Commonwealth, dizendo que o país “nunca seria membro de nenhuma instituição neocolonial”. Em 2015, Jammeh declarou que o país deveria ser chamado de República Islâmica da Gâmbia: “De acordo com a identidade e os valores religiosos do país, proclamo a Gâmbia como um Estado islâmico. Como os muçulmanos são a maioria no país, a Gâmbia não pode arcar com as despesas de continuar o legado colonial”. 

A influência do islã radical tornou-se cada vez mais visível em instituições educacionais, mídia e outros setores. O governo de Jammeh promoveu o islamismo agressivamente e Gâmbia fortaleceu seu relacionamento com a Arábia Saudita com o objetivo de replicar em solo nacional o conservadorismo existente naquele país. Embora o novo governo tenha tentado reduzir a influência islâmica radical na sociedade desde que chegou ao poder, em 2017, a situação permanece difícil para os convertidos do islã e para os cristãos em geral, especialmente em áreas remotas. O crescente domínio do islã está ocorrendo de várias maneiras. Por exemplo, uma mesquita é construída em todas as instituições governamentais e o islamismo é ensinado em todas as escolas.  

Em dezembro de 2014, houve um golpe fracassado enquanto Jammeh estava fora do país e todos os soldados envolvidos foram presos. O presidente Adama Barrow, que assumiu o cargo em janeiro de 2017, prometeu reverter algumas das decisões tomadas por Yahya Jammeh. Por exemplo, o país voltou à Commonwealth britânica e mudou o nome do país de República Islâmica da Gâmbia para República da Gâmbia. As eleições para o governo local foram realizadas em abril e maio de 2018 sem grandes incidentes. Em outubro de 2018, a Comissão da Verdade, Reconciliação e Reparações foi criada para investigar os abusos dos direitos humanos cometidos durante a era Jammeh. Essas e muitas outras melhorias elevaram o país na classificação da Freedom House (ONG norte-americana que publica um ranking sobre a liberdade democrática nos países) de “não livre” para “parcialmente livre”. 

Apesar do fato de o país ter se afastado do sonho do ex-presidente Yahya Jammeh de construir uma república islâmica, a vida cristã no país ainda enfrenta muitas restrições. Os convertidos enfrentam perseguição da família e da comunidade. O registro para novas igrejas é um procedimento longo e complicado.  

Gâmbia é usada como um local para redes de tráfico de drogas que canalizam drogas da América Latina para a Europa via África Ocidental.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

Gâmbia é um país de maioria muçulmana com 89,1% da população, a maioria da população é sunita. A comunidade cristã está localizada principalmente no Oeste do país. A maioria dos cristãos é católica romana; mas anglicanos, metodistas, batistas e adventistas do sétimo dia também estão presentes. 

Os cristãos convertidos de famílias muçulmanas ou animistas não podem falar sobre a fé com familiares imediatos. Algumas famílias nas áreas rurais podem bater nos convertidos ou marginalizá-los, especialmente na parte oriental do país. Portanto, os convertidos têm o cuidado de não revelar a conversão por meio de atos particulares de adoração. Em algumas escolas onde os funcionários seniores ou os fundadores são muçulmanos, os filhos de cristãos são forçados a receber instrução religiosa não cristã.  

Os pais muçulmanos e animistas também tentam forçar os membros da família a se separarem se casados com cristãos. Convertidos ao cristianismo vindos de qualquer religião podem enfrentar assédio na vida diária e são forçados a participar de rituais tradicionais anuais para continuarem sendo considerados parte da família e da comunidade. A pressão para renunciar à nova fé é forte. Às vezes, eles são ameaçados de sequestro e casamento forçado. Por causa de seu status minoritário, as comunidades cristãs são impedidas de construir ou reformar edifícios da igreja e às vezes é difícil obter registro ou status legal para as igrejas.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

A economia de Gâmbia depende principalmente do turismo e da exportação de nozes. Devido à crise do Ebola, o crescimento econômico se contraiu. Segundo o Banco Mundial, o crescimento anual do PIB do país em 2019 foi de 6%. Com a chegada da COVID-19 no território, a entrada de turistas caiu pela metade, especialmente da Europa. Isso afeta gravemente o setor de turismo e outros como indústrias. As dificuldades comerciais e menores remessas atrasarão o projeto de implantação e construção. Porém, os preços mais baixos do petróleo melhorariam os termos de troca, visto que a Gâmbia é um importador líquido de petróleo. Portanto, espera-se que o crescimento diminua para 3,1% em 2020. 

A inflação deve permanecer elevada em 2020 e deverá chegar a 5,5% em 2022. A taxa de pobreza permanece em 8,4 por cento em 2020, enquanto o número de pobres aumentará devido ao rápido crescimento populacional.  

Em seu relatório de 2019, a Heritage Foundation (instituição norte-americana de pesquisa e educação que publica ranking baseado na liberdade econômica dos países) classificou o status de liberdade econômica do país como “maioria não livre”, com corrupção, direitos de propriedade e liberdade de negócios sendo as principais áreas de preocupação. O relatório também afirma que o governo de Barrow está “cortejando os investimentos chineses e assinou um acordo de livre comércio com a China. A receita depende muito das exportações de amendoim, deixando a economia vulnerável a flutuações de preços e choques de mercado”. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Gâmbia é um país multiétnico. Wolof e mandinka são os principais grupos étnicos, além dos fula, jola e serahule. Os wolof vivem principalmente na capital, Banjul. Os mandinka são o maior grupo étnico do país. Além disso, existem mauritanos, marroquinos e libaneses residentes em Gâmbia. Esses grupos são principalmente comerciantes e lojistas. A maioria da população é sunita, mas outras comunidades muçulmanas também existem. 

Parte da população de Gâmbia ainda mistura crenças religiosas. As religiões tradicionais africanas e o tribalismo continuam influentes. Os seguidores dessas religiões se opõem ao cristianismo, especialmente onde as igrejas estão envolvidas na evangelização.  

O Índice de Desenvolvimento Humano do país está em 0,496, o que o coloca entre os 20 países menos desenvolvidos do planeta (ranking 172/189). A taxa de alfabetização de adultos é de 50,8%, com um índice de educação de 0,406. A população que vive abaixo da linha de pobreza é de 10,1%. A expectativa de vida é de 62 anos. 

O cristianismo chegou a Gâmbia com marinheiros portugueses em 1456, quando eles navegaram rio acima e desembarcaram na Ilha James. No entanto, a Igreja Católica Romana só começou a criar raízes em meados do século 19. No início do século 19, escravos libertos que eram cristãos chegaram a se estabelecer em Gâmbia após a fundação da cidade de Bathurst, na ilha de Santa Maria. Em 1849, uma missão católica foi estabelecida no assentamento. 

Os metodistas chegaram ao país pela primeira vez em 1821. A primeira igreja missionária anglicana foi estabelecida em 1855. As primeiras missões de igrejas nessa época foram estabelecidas pelos Parceiros da Sociedade Unida no Evangelho e pela Sociedade Missionária da Igreja. A Cruzada Evangélica Mundial (WEC, da sigla em inglês) entrou no país em 1957. A Associação Batista de Evangelismo chegou ao país em 1978, seguida pela Convenção Batista do Sul em 1982. 

Os cristãos às vezes são forçados a participar de rituais não cristãos que violam seus princípios religiosos

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