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Guiné

GN
Guiné-Conacri
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, hostilidade etno-religiosa, paranoia ditatorial
  • Capital: Conacri
  • Região: Oeste Africano
  • Líder: Alpha Conde
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo, cristianismo, animismo
  • Idioma: Francês, pular, mandinka, susu, e mais de 40 outras línguas nativas
  • Pontuação: 47


POPULAÇÃO
13,4 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
465 MIL

As autoridades governamentais discriminam os cristãos, por exemplo, na alocação de terras para a construção de igrejas e na promoção de oportunidades para cargos estratégicos no governo. Cristãos ex-muçulmanos são pressionados pela família e comunidade, especialmente em áreas de maioria islâmica. Uma forte pressão econômica, social e cultural também é exercida contra cristãos em algumas partes do país.  

As tensões étnicas são altas entre os povos peul/fulani (40%) e os malinke (28%) e houve pouca paz desde a reeleição do presidente Alpha Conde em 2015. Em 2020, uma eleição presidencial e sua preparação criaram outro ciclo de violência que resultou na morte de 12 pessoas, conforme relatado pela organização Human Rights Watch. A identidade e as diferenças étnicas são particularmente importantes para alguns grupos.  

Como parte de um esforço para manter intactos as crenças e os rituais tradicionais de um grupo étnico, os cristãos ex-muçulmanos enfrentam pressão e violência. Também houve casos em que algumas etnias, nas quais o cristianismo é mais predominante, foram atacadas por outros grupos étnicos.  

Em algumas partes do país, os cristãos ex-muçulmanos não são livres para viver a fé e devem tentar permanecer anônimos na maior parte do tempo. Em áreas animistas e muçulmanas, o batismo de cristãos é combatido pela família. Em partes do país onde a influência de militantes islâmicos é sentida, os cristãos ex-muçulmanos são confrontados com perseguições e ameaças de morte.  

Perseguição semelhante também é sentida por convertidos de religiões tradicionais africanas. Quando os cristãos se recusam a participar dos ritos tradicionais, a comunidade os pressiona. Às vezes é muito difícil obter status legal ou registro para igrejas porque os administradores locais relutam em cooperar com os cristãos. Esse parece ser um problema principalmente para grupos de ex-muçulmanos e igrejas pentecostais.  

Existem alguns casos em que a construção de igrejas foi impedida em certas aldeias na Guiné Florestal e na área de Kankan e Labé. Às vezes, essa pressão e outras disputas relacionadas resultam em tumultos e ataques de multidões à igreja.  

A Guiné subiu dois pontos na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2021. A pressão média manteve-se estável em 8,2 pontos. A violência aumentou de 3,7 pontos na LMP 2020 para 5,9 pontos na LMP 2021. Houve um aumento de incidentes violentos contra cristãos na parte norte do país. Os principais tipos de perseguição são opressão islâmica, hostilidade etno-religiosa e paranoia ditatorial. 

Uma nota positiva é que a parceria entre o governo e o Fundo de População da ONU ainda está forte. Ele foi criado em 2018 para trabalhar no combate à radicalização islâmica.  

“Até hoje eu tenho pesadelos sobre aquelas horas horríveis. Meu corpo ainda treme quando penso nesses momentos.”

PASTOR ELIE, DA GUINÉ, QUE FOI AGREDIDO FISICAMENTE POR UM GRUPO DE MORADORES LOCAIS

Tendências  

O progresso em direção à democracia foi prejudicado por alianças políticas tribais

A história pós-independência da Guiné foi marcada por séria instabilidade política, mas desde as eleições de 2010, a estrutura política do país progrediu mais em direção à democracia. No entanto, esse progresso foi prejudicado por alianças políticas de base tribal, surtos de doenças graves e uma economia fraca. O país está lutando para consolidar sua transição para uma democracia multipartidária. Essa transição alimentou a divisão étnica e existe o risco de que, com a abertura do espaço democrático para vários atores, os muçulmanos radicais tentem explorar a situação. 

A militância islâmica na região pode representar perigo para os cristãos  

Dependendo da futura liderança, a Guiné pode ser capaz de consolidar a governança democrática e aproveitar seu histórico relativamente bom de tolerância para com as minorias religiosas. Mas, por outro lado, também existe o risco de que as coisas se deteriorem devido à fragilidade da situação política geral do país. A ascensão da militância islâmica na região como um todo é uma nuvem no horizonte que não indica nada de bom para o futuro dos cristãos no país. 

A Guiné foi um dos primeiros países africanos a obter independência das potências coloniais europeias, tornando-se independente da França em 1958. Sékou Touré, que liderou o movimento pela independência, tornou-se o primeiro presidente do país e seguiu uma política de socialismo e contato próximo com Rússia e China. Ele estabeleceu uma ditadura de partido único a favor de políticas socialistas e foi proclamado presidente vitalício. Toda oposição política ao regime foi brutalmente reprimida. Não havia mídia livre e muitos jornalistas que tentaram criticar o governo foram presos ou forçados ao exílio. 

O governo seguiu um programa chamado “africanização radical”, no qual o país tentou se isolar do passado colonial rejeitando os valores ocidentais. O presidente Touré falhou na tentativa de substituir o francês pelo dialeto africano e o francês continuou sendo a língua dominante no país. Devido à política de africanização e socialismo de Touré, a Guiné se tornou um dos países mais isolados da África. O governo continuou a política socialista expropriando terras dos chefes tribais. 

Em 1984, Touré morreu de insuficiência cardíaca e o primeiro-ministro, Louis Beavogui, o substituiu como presidente interino. No entanto, o coronel Lansana Conté derrubou o governo em um golpe sem sangue antes de Beavougui tomar o poder. Conté reverteu a maioria das políticas de Touré, mas, embora o novo regime fosse menos opressivo que o regime anterior e prometesse inúmeras reformas, o controle de Conté permaneceu rígido. Ele permaneceu no poder até a morte, em 2008. Moussa Camara, então, tomou o poder através de um golpe logo após a morte de Conté. Agitação política seguiu-se a esse golpe, forçando Camara a realizar eleições democráticas em 2010. No mesmo ano, Alpha Condé se tornou o primeiro presidente democraticamente eleito da Guiné. 

Alpha Condé venceu as eleições de 2015 e, em outubro de 2020 foi proclamado definitivamente presidente da Guiné pelo terceiro mandato consecutivo, aos 82 anos. Antes das eleições houve meses de protestos que levaram à morte dezenas de civis. 

Em 5 de fevereiro de 2018, foram realizadas as primeiras eleições locais desde o fim da ditadura militar. Houve um atraso de oito anos devido à falta de fundos, disputas políticas e à crise do Ebola entre 2013 e 2016. Estava programado para a Guiné realizar eleições legislativas e um referendo para alterar a Constituição, boicotado pela oposição, em 1 de março de 2020, mas dois dias antes, um novo adiamento foi anunciado, para 22 de março. 

O partido do presidente guineense Alpha Condé conquistou mais de dois terços dos assentos nas eleições legislativas realizadas em 22 de março, que foram boicotadas pela principal oposição, informou a comissão eleitoral do país. O Rally do Povo da Guiné (RPG) conquistou 79 dos 114 assentos na Assembleia Nacional. 

As alterações na Constituição da Guiné, votadas na mesma data, foram aprovadas por mais de 90% dos votos. As condições da votação foram criticadas pelos Estados Unidos, pela França, pela diplomacia europeia e pela Rússia. 

Com as alterações na Constituição, o ensino obrigatório ficou fixado até os 16 anos e a idade legal para contração de matrimônio foi 18 anos. A mutilação genital e o trabalho escravo e infantil ficaram proibidos, e a pena de morte foi abolida. As mudanças garantem direitos iguais às mulheres em caso de divórcio e a atribuição às mulheres de, pelo menos, um terço dos lugares parlamentares. 

As eleições foram marcadas por confrontos, sobretudo na cidade de NZérékoré, onde igrejas e mesquitas foram atacadas e saqueadas. Os manifestantes queimaram pneus e montaram barricadas no centro de Labé, a principal cidade do Norte do país, após o anúncio dos resultados. Dezenas de postos de votação foram saqueados e, segundo a oposição, dezenas de pessoas mortas. 

Os grupos de oposição alegam que o referendo foi uma conspiração para possibilitar que o presidente Condé, de 82 anos, estendesse o controle sobre o país da África Ocidental, podendo concorrer a um terceiro mandato nas eleições presidenciais marcadas para outubro de 2020. Os Estados Unidos e a União Europeia duvidaram da credibilidade do voto, e a oposição exigiu um inquérito da ONU sobre a violência policial. A proposta de Condé de mudar a Constituição foi extremamente controversa, estimulando manifestações em massa. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

De acordo com a Constituição de 2010, o país segue um sistema presidencialista. O presidente é eleito a cada cinco anos e só pode concorrer a dois mandatos. A Guiné segue um sistema legislativo unicameral, tendo a Assembleia Nacional como seu corpo. A Assembleia Nacional é composta por 114 membros. As eleições locais anteriores foram realizadas em fevereiro de 2018, em que prefeitos e líderes comunitários foram eleitos e nomeados chefes de distrito.  

Freedom House (ONG norte-americana que publica um ranking sobre a liberdade democrática nos países) coloca a situação da seguinte maneira: “Desde que a Guiné voltou ao domínio civil em 2010, após um golpe militar de 2008 e décadas de governança autoritária, as eleições foram atormentadas por violência, atrasos e outras falhas. O governo usa leis criminais restritivas para desencorajar a dissidência, e as divisões étnicas e a corrupção generalizada exacerbam disputas políticas. O abuso regular de civis por forças militares e policiais reflete uma cultura profunda de impunidade”.  

O governo desempenha um papel na perseguição aos cristãos, restringindo o espaço para a vida da igreja. O partido no poder teme que alguns grupos (grupos religiosos organizados) estejam trabalhando contra o partido e, por isso, monitora as atividades da igreja às vezes. O relatório de Liberdade Religiosa de 2018 do Departamento de Estado dos EUA descreveu o sistema que está sendo usado pelo governo para reduzir a liberdade de religião: “Os grupos devem fornecer um pedido por escrito à Secretaria de Assuntos Religiosos (SRA), juntamente com endereço e uma taxa de 250 mil francos guineenses (cerca de 28 dólares). Em seguida, a SRA envia os documentos ao Ministério da Administração Territorial e Descentralização para aprovação e assinatura finais. Uma vez aprovado, o grupo se torna oficialmente reconhecido. A cada seis meses, cada grupo religioso registrado deve apresentar um relatório de suas atividades ao governo. O governo autoriza os grupos religiosos à isenção do imposto sobre valor agregado nas remessas recebidas e os torna elegíveis para subsídios relacionados à energia”.  

Às vezes, é muito difícil obter status legal ou registro para as igrejas porque os administradores locais relutam em cooperar com os cristãos. A Aliança de Igrejas está ajudando a facilitar as coisas para as igrejas nesse sentido. Isso parece ser um problema principalmente para grupos formados por cristãos ex-muçulmanos e igrejas pentecostais. Existem alguns casos de impedimentos para a construção de igrejas em certas aldeias da Guiné Florestal e na área de Kankan e Labé.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

Muçulmanos e cristãos misturam a fé com várias práticas religiosas africanas tradicionais. Os muçulmanos são dominantes em quase todas as regiões do país. A maioria dos cristãos vive nas cidades, como Conacri. Boa parte dos muçulmanos é sunita e a maioria dos cristãos, católicos romanos. 

Os comerciantes soninke de Gana foram responsáveis pela propagação do islã por toda a Guiné durante o século 11. A região norte do país fazia parte do grande império do Mali durante os séculos 13 e 14. A maioria das tribos nativas se converteu ao islã durante esse período. Os missionários franceses foram os primeiros europeus a levar o cristianismo para o país. 

Após a independência, em 1958, o governo de Sékou Touré seguiu uma política de socialismo e secularismo. O regime tentou reduzir a influência de várias figuras islâmicas poderosas, também fechou as escolas católicas francesas e expulsou a maioria dos missionários franceses do país. Os regimes consecutivos depois de Touré tentaram diminuir o controle do governo em assuntos religiosos e promover a tolerância entre os diferentes grupos religiosos. 

A Constituição do país mantém explicitamente os princípios de liberdade de religião e separação entre religião e Estado. Também fornece o direito das pessoas de praticar a religião abertamente, sem interferência. No entanto, o governo tenta restringir a influência de certos grupos islâmicos por meio da Secretaria de Assuntos Religiosos. Os inspetores da Secretaria estão presentes na maioria dos serviços religiosos de igrejas e mesquitas para monitorar o conteúdo dos sermões pregados. 

A maioria dos cristãos e muçulmanos vive lado a lado sem grandes problemas. No entanto, houve alguns incidentes violentos relacionados à conversão do islã ao cristianismo e ao casamento entre muçulmanos e cristãos. Também há relatos de violência entre grupos minoritários muçulmanos e sunitas. Como em vários outros países africanos, a Guiné está enfrentando uma proliferação de grupos islâmicos radicais que são intolerantes com outras religiões, inclusive o cristianismo. 

Em algumas partes do país, os cristãos ex-muçulmanos não são livres para viver a fé e devem tentar permanecer anônimos a maior parte do tempo. Nesse contexto, não é possível que um convertido seja visto com uma Bíblia ou qualquer coisa que demonstre a fé cristã. Nas áreas animistas e muçulmanas, o batismo dos cristãos é contra a família (animista ou muçulmana).  

Nos locais onde a influência dos extremistas islâmicos é sentida, os cristãos ex-muçulmanos são confrontados com assédio e ameaça de morte. Perseguições semelhantes também são sentidas pelos convertidos das religiões tradicionais africanas. Quando os cristãos se recusam a participar de ritos tradicionais, a comunidade os pressiona. Essa situação ocorre regularmente na Guiné Central (Fouta Djallon) e em Labé. Os cristãos são considerados estrangeiros na comunidade.  

Há pressão sobre cristãos ex-muçulmanos por parte da família estendida e comunidade, particularmente em áreas dominadas por muçulmanos. Uma forte pressão econômica, social e cultural também é exercida contra outros cristãos em algumas partes do país. 

Na região de Fouta-Djalon, uma pessoa que deseja se converter ao cristianismo enfrenta forte pressão social e corre o risco de ser rejeitada pela comunidade. Uma pessoa que se converte do islamismo ao cristianismo provavelmente será banida e terá os filhos levados. Além da forte pressão contra a saída do islamismo, a comunidade islâmica pressiona também outras religiões para garantir que a prática não seja visível ao público. Houve algumas indicações de que o governo reforçou essa pressão em nível local. Esse apoio do governo vem principalmente através do Ministério de Assuntos Islâmicos.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

A Guiné é um dos países menos desenvolvidos do mundo, com mais de 35,3% da população vivendo abaixo da linha de pobreza, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano 2020. Os franceses estabeleceram uma economia dependente de mineração durante o período colonial, com base na exportação de ouro, minério de alumínio e petróleo bruto, que continuou sendo a principal fonte de receita de exportação. Em 2014, a Guiné foi abalada pelo surto do vírus Ebola, que teve um grande impacto no desenvolvimento econômico do país. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

A identidade e as diferenças étnicas são particularmente importantes para os grupos tribais. Como parte de um esforço para manter intactas as crenças e rituais tradicionais de um grupo étnico, os convertidos ao cristianismo são perseguidos. Também houve casos em que alguns grupos étnicos, nos quais os cristãos predominam, foram atacados por outros grupos étnicos.  

O país possui cerca de 24 grupos étnicos distintos, sendo os fulanis o maior deles, constituindo 41% da população. Os fulanis são dominantes na região do Sahel da África Ocidental, incluindo países como Nigéria, Burkina Faso e Gana. Na Guiné, a maioria dos fulanis vive na parte norte do país, na região de Futa Djallon. Os fulanis são predominantemente muçulmanos e pastores de cabra, com alguns agricultores.  

O povo mandinka compõe aproximadamente 33% da população. Ele pertence ao grupo étnico-familiar maior chamado mande. O povo mande é o grupo tribal que formou o império do Mali no século 13. Ele é predominantemente muçulmano, com alguns cristãos tradicionais, e segue um sistema econômico agrícola.  

O terceiro maior grupo étnico (constituindo 12% da população) é o susu. O restante da população é composto por vários grupos étnicos menores. As relações tribais desempenham um papel importante na política. Por exemplo, o atual presidente Alpha Condé é apoiado por seu grupo étnico mandinka, enquanto a maioria da oposição é dos fulanis. 

O Índice de Desenvolvimento Humano é de 0,477, classificando o país na 178ª posição, entre 189 países. A expectativa de vida é de 61,6 anos. A taxa de alfabetização de adultos é de 32%.

O cristianismo na Guiné tem mais de 500 anos de história. Os portugueses chegaram ao longo da costa em 1462, mas o principal interesse era estabelecer um centro comercial e não espalhar o catolicismo romano. Nenhum esforço foi feito para evangelizar no país até 1877. A partir de 1877, os missionários católicos romanos começaram a chegar. Os protestantes só entraram no país em 1918. Após a independência da França, em 1958, o governo de Sékou Touré seguiu uma política de socialismo e secularismo. O regime tentou reduzir a influência ocidental, fechou as escolas católicas francesas e expulsou a maioria dos missionários franceses do país. 

  • Ore por estabilidade política e pelas eleições presidenciais em outubro de 2020. Clame para que venha o reino de Deus e a vontade dele seja feita.
  • Clame por paz e boa convivência entre os diferentes grupos étnicos e para que todos eles sejam alcançados com as boas-novas do evangelho.
  • Interceda pela igreja no país, para que seja fortalecida e os cristãos perseguidos desenvolvam seu papel de sal e luz na sociedade, com atitudes sábias e amorosas.

Guiné está enfrentando uma proliferação de grupos islâmicos radicais que são intolerantes com outras religiões, inclusive o cristianismo

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