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Indonésia

ID
Indonésia
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Jacarta
  • Região: Leste e Sudeste Asiático
  • Líder: Joko Widodo
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo, cristianismo, hinduísmo
  • Idioma: Indonésio, inglês, holandês, dialetos locais
  • Pontuação: 63


POPULAÇÃO
272,2 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
33,1 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos na Indonésia? 

Na Indonésia, a situação dos cristãos vem se deteriorando nos últimos anos, com a sociedade indonésia assumindo um caráter islâmico mais conservador. Cristãos que cresceram em um lar muçulmano muitas vezes experimentam perseguição da família. No entanto, a intensidade da perseguição varia de acordo com a família e o local onde os cristãos vivem. Em muitas casas, as famílias abusam verbalmente dos familiares cristãos e os isolam por causa da fé. Apenas uma pequena porcentagem de convertidos enfrenta violência física por causa da fé cristã.  

O nível de perseguição também depende da região da Indonésia onde os cristãos vivem. Em certos pontos, como Java Ocidental ou Aceh, grupos islâmicos extremistas são fortes e influenciam a sociedade e a política. Se pegarem cristãos evangelizando, os cristãos podem ter problemas. Além disso, grupos de igrejas não tradicionais tendem a ter dificuldades para obter permissão para construir igrejas. Mesmo que consigam cumprir todos os requisitos legais (inclusive processos judiciais vencedores), as autoridades locais ainda os ignoram frequentemente.  

Houve alguns desenvolvimentos positivos na Indonésia. Como relatado pelo Jakarta Post, pela primeira vez desde que assumiu o cargo, o presidente Joko tem falado cautelosamente contra as dificuldades que os cristãos e outras religiões minoritárias enfrentam quando querem criar um novo local de adoração.  

“Vejo tristeza nos olhos desses moradores. Há muita tristeza no olhos de Kandi, que perdeu o pai e o marido durante o ataque. Mas, ao nos verem, os aldeões sorriram.” 

Parceiro local da Portas Abertas na Indonésia  

O que mudou este ano? 

A Indonésia subiu duas posições na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2021 em comparação com a LMP 2020. Isso se deve principalmente ao fato de que mais pressão contra os cristãos foi relatada, resultando em um aumento da pressão em quase todas as esferas. Não houve ataques a bombas contra igrejas pelo segundo ano consecutivo, mas os cristãos ainda podem ter dificuldade de se encontrar. Um pastor em Papua foi morto, supostamente por um soldado do governo, e mais de 50 pessoas foram despejadas de suas terras em East Nusa Tenggara. Dezenas de extremistas islâmicos foram presos pelas autoridades e os ataques foram frustrados.  

Quem persegue os cristãos na Indonésia? 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. O tipo de perseguição aos cristãos na Indonésia é: opressão islâmica.

Já as “fontes de perseguição são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na Indonésia são: grupos religiosos violentos, cidadãos e quadrilhas, parentes, líderes religiosos não cristãos, oficiais do governo, partidos políticos, grupos de pressão ideológica. 

Quem é mais vulnerável à perseguição na Indonésia? 

O principal foco de perseguição na Indonésia é a província de Aceh, na ponta noroeste de Sumatra – a única província governada pela sharia (conjunto de leis islâmicas). As igrejas foram fechadas em larga escala em outubro de 2015, e a construção de novas igrejas é impossível na região, e muito difícil em outras províncias. Os convertidos do islã correm o risco de enfrentar severa oposição em muitas partes da Indonésia, mas os cristãos ex-muçulmanos em Aceh provavelmente enfrentam a pressão mais forte. 

Como as mulheres são perseguidas na Indonésia? 

A desigualdade de gênero na Indonésia é uma questão em curso reconhecida pelo governo; no entanto, as normas patriarcais de gênero, o casamento infantil e as altas taxas de mortalidade materna permanecem em grande parte sem solução, e estima-se que um terço das mulheres indonésias sofreram abuso físico ou sexual.  

Nesse contexto, a maioria dos relatos de perseguição enfrentada por mulheres e meninas cristãs tem a ver com a ameaça do divórcio, o que significa perder a segurança física e econômica, ainda mais nas áreas rurais. As mulheres cristãs que são as primeiras na casa a se converter ao cristianismo são mais vulneráveis ao divórcio forçado. Em um sistema patriarcal, é mais difícil para a esposa influenciar o marido.  

Além disso, as mulheres cristãs são marginalizadas através de códigos de vestimenta religiosos forçados. Em províncias como Aceh, as mulheres são obrigadas a usar hijab (véu islâmico), especialmente dentro do escritório do governo. No ano letivo de 2019/2020, surgiu uma nova questão de discórdia em torno do código de vestimenta imposto que afeta principalmente meninas cristãs: algumas escolas estatais agora querem implementar regulamentos para forçar as alunas a usar um hijab. 

Como os homens são perseguidos na Indonésia? 

Na Indonésia, muita perseguição é suportada igualmente por mulheres e homens; no entanto, os homens geralmente sofrem menos perseguição do que as mulheres nas áreas privadas da vida. Por outro lado, relatórios indicam que figuras masculinas proeminentes como pastores cristãos são os principais alvos da discriminação religiosa pública. Eles provavelmente enfrentarão violência física e prisão por parte das autoridades por acusações como incitar o ódio religioso. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Indonésia? 

Portas Abertas faz parceria com agências de missões locais na Indonésia para desenvolver tanto trabalhadores de campo quanto discipular novos convertidos e fortalecer a igreja. Nosso trabalho ajuda os seguidores de Cristo de origem muçulmanacom distribuição de Bíblias e outros materiais cristãos, microcrédito, discipulado e até mesmo casas seguras quando os cristãos estão em perigo. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, você contribui para que a igreja formada por cristãos ex-muçulmanos tenha líderes maduros que levem a igreja adiante, apesar dos custos. 



Pedidos de oração da Indonésia 

  • Ore pelos cristãos que deixam o islã e são fortemente pressionados pela família e comunidade para renunciar à nova fé em Jesus. Peça a Deus que lhes dê o apoio que precisam – bem como o acesso a uma Bíblia e ao treinamento para estudá-la e crescer.   
  • Interceda para que as igrejas que estão tentando obter locais para adoração alcancem a boa vontade do governo e tenham liberdade para se reunir e adorar em paz.  
  • Clame para que Deus dê aos líderes do ministério e voluntários a ousadia e perseverança que precisam para liderar e servir a igreja na Indonésia.  
  • Peça pelas crianças e adolescentes cristãos, que muitas vezes enfrentam discriminação e isolamento por causa da fé. Peça a Deus que lhes dê esperança, fortaleça a fé – e faça-os saber que não estão sozinhos em Cristo.    

Um clamor pela Indonésia 

Pai, dê aos cristãos indonésios a ousadia e força que eles precisam para servi-lo em um ambiente que procura excluí-los por acreditarem no Senhor. Esteja com os cristãos que enfrentam lutas diárias em suas casas e famílias muçulmanas. Dê-lhes graça para viver a fé como um exemplo de seu amor. E pai, dê aos nossos irmãos e irmãs mais liberdade para lhe adorar – e mais locais para se reunir em seu nome. Pedimos tudo isso em seu poderoso nome, Jesus. Amém. 

A Indonésia, que está espalhada por milhares de ilhas, lutou por sua independência dos Países Baixos em uma guerra de quatro anos que terminou em 1949, após ser ocupada pelo Japão na Segunda Guerra Mundial. Após anos de violência e corrupção, o país fez uma transição para a democracia, começando em 1998. As primeiras eleições presidenciais diretas foram realizadas em 2004. 

No começo de 2017, no período das eleições para o cargo de governador de Jacarta, protestos em massa contra os chineses étnicos e contra o cristão Basuki Tjahaja Purnama (conhecido como Ahok), por suposta blasfêmia, levaram mais de 200 mil pessoas às ruas. Tendo ganhado a primeira rodada de eleições em fevereiro de 2017, Ahok perdeu a segunda rodada e foi condenado a dois anos de prisão. Ele decidiu não apelar contra o veredito e manter a situação política na Indonésia calma. É um sinal muito preocupante que os vencedores da eleição tenham jogado religiosamente, dependendo quase exclusivamente da retórica islâmica. As eleições regionais em junho de 2018 sofreram apenas de leve com as conotações sectárias, dependendo da região. 

As eleições simultâneas presidencial e parlamentar em 17 de abril de 2019, apresentadas como a maior eleição mundial de um dia, foram amplamente pacíficas e — apesar de serem contestadas diante da Corte Constitucional — tiveram um resultado claro, no qual o atual presidente, Joko Widodo, venceu com uma margem de 11%. Embora a religião tenha desempenhado um papel na campanha, foi menos do que temiam os observadores. 

Os ataques triplos contra três igrejas cristãs em 13 de maio de 2018 mostraram como os cristãos são vulneráveis para ataques violentos e quão difundidos os grupos islâmicos radicais são.  

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Enquanto os partidos políticos islâmicos não ganham muitos votos nas eleições, a sabedoria popular mais uma vez confirmou, nas eleições 2019, que o islamismo moderado está sendo muito desafiado e a sociedade continua conservadora em muitos aspectos. Até mesmo o atual presidente se sentiu persuadido a escolher o clérigo conservador Mar’ruf Amin como vice-presidente para combater alegações difamatórias sobre suas credenciais religiosas. O islã é, portanto, usado como uma ferramenta política efetiva e tem um lugar de destaque na agenda política. Os islâmicos cada vez mais moldam a política na Indonésia. 

Resta ver como o presidente Widodo planeja seu segundo e último mandato e em que tópicos dará ênfase, além do desenvolvimento econômico. Dado que seu primeiro mandato foi bastante desapontador no que diz respeito aos direitos humanos, ele pode agora dar mais atenção, já que não tem que reconsiderar a reeleição. Por outro lado, os partidos que o apoiam agora podem começar a campanha olhando para as próximas eleições, agendadas para 2024, já que os seus candidatos estão sendo considerados. 

O governo está tentando manter firme a bandeira de tolerância. Uma boa ilustração da prática do governo é a situação em torno da Igreja Yasmin em Bogor, Java Ocidental — uma igreja pertencente à denominação da Igreja Cristã Indonésia. Apesar de um julgamento aprovado pelo Supremo Tribunal, em dezembro de 2010, declarar que as autoridades da igreja haviam sido aprovadas em todos os requisitos estabelecidos por lei para obter uma licença de construção, o prefeito da cidade se recusa a cumprir essa decisão e o governo não tomou medidas contra ele, devido ao medo da agitação social. 

A igreja começou a adorar em frente ao palácio do presidente indonésio em Jacarta, mas isso não mudou a situação. Em fevereiro de 2017, quase sete anos após o julgamento, foi proposto um compromisso que o prédio da igreja fosse aberto se uma mesquita pudesse ser construída ao lado dele no terreno. Outro caso é o de uma igreja em Bekasi, Java Ocidental, em que a administração regente decidiu não reabrir a igreja devido ao medo de conflitos com muçulmanos locais. O ouvidor propôs que a igreja fosse completamente transferida. A forma como esses e outros casos parecidos serão resolvidos serve como dimensão para avaliar o segundo mandato de Joko. 

Ao mesmo tempo, não deve ser esquecido que a democracia foi estabelecida apenas em 1998 e, em 2019, foi apenas a quarta eleição presidencial na história do país. Apesar de todos os problemas de divisão e violência após as eleições, os indonésios exerceram o direito de voto e o país permanece uma das maiores democracias no mundo — e um dos poucos com maioria muçulmana. 

Esses desafios foram adequadamente ilustrados pela maior manifestação de jovens em Jacarta e outras grandes cidades, desde o fim do regime de Suharto, que ocorreram no país em outubro de 2019. Os estudantes que tomaram as ruas vieram de várias vertentes da sociedade, tanto secular como religiosa. 

Um ponto de contenção tem sido as novas restrições atribuídas na Comissão de Erradicação da Corrupção do país. Essa comissão tem usufruído de altos níveis de confiança na sociedade indonésia e está em ação contra políticos, parlamentares e empresários de todos os escalões. Outro ponto tem sido a revisão da lei criminal do país. Essa agora inclui acusações criminais para certos tipos de críticas visando o presidente e para assuntos como relações extraconjugais. 

Vários partidos políticos muçulmanos conservadores são conhecidos por impulsionar sua agenda para uma nação islâmica. Muitas vezes, seus representantes estão por trás da elaboração e aprovação de políticas inspiradas na sharia (conjunto de leis islâmicas), inclusive no campo da educação.   

CENÁRIO RELIGIOSO 

De acordo com as estatísticas do World Christian Database, 79,5% da população é muçulmana. Também há milhões de ateístas/agnósticos, seguidores de religiões étnicas, hinduísmo (principalmente em Bali), religiões chinesas e budismo. 

A influência das organizações islâmicas radicais está crescendo. Nem o governo federal nem o local se atrevem a ignorar suas demandas, temendo a agitação pública. O governo indonésio tomou medidas para barrar um grupo islâmico radical chamado Hizb-ut-Tahrir Indonesia, mas esse é apenas um dos menores grupos ativos na Indonésia. 

O maior desafio é que toda a sociedade mantém cada vez mais visões religiosas conservadoras. Um estudo publicado em maio de 2018 descobriu que um número crescente de estudantes mantém visões islâmicas, sendo que 39% foram expostos a ideologia radical islâmica. A ONG local Setara Institute publicou um estudo realizado em dez universidades públicas na Indonésia em junho de 2019, mostrando como radicais islâmicos usam as estruturas das universidades para conseguir seguidores. Assim, a próxima geração está sendo educada para manter visões conservadoras ou até mesmo extremistas. Isso provavelmente levará a um aumento na discriminação social e até mesmo violência contra os cristãos no futuro. 

Uma das grandes incógnitas no momento é como as maiores organizações muçulmanas no país, Nadhlatul Ulama (NU) e Muhammadiyah, combaterão a crescente radicalização. Tradicionalmente, elas eram vistas como moderadas e tolerantes em relação a outros grupos religiosos, mas especialmente a organização juvenil da NU tem levantado a voz pedindo uma compreensão mais conservadora do islamismo. 

A religião nas províncias 

Frequentemente os alvos são as minorias religiosas, como os ahmadis e os cristãos. Mas a Indonésia ainda é diversificada. Uma província, Aceh, na ponta ocidental de Sumatra, é governada pela sharia (conjunto de leis islâmicas) e ainda está impondo suas regras; várias outras províncias também introduziram os estatutos da sharia, deixando os cristãos, em particular, em uma situação difícil. Mas, ao mesmo tempo, também existem evidências de maioria cristã e de maioria hindu. No entanto, as manifestações maciças contra o governador de Jacarta, Ahok, causaram temor aos cristãos e outras minorias religiosas na Indonésia, por conta dos grupos islâmicos radicais se tornarem mais francos e, obviamente, ganharem cada vez mais terreno público. 

O foco da perseguição na Indonésia é a província de Aceh, no Noroeste de Sumatra, a única que é governada pela sharia (conjunto de leis islâmicas). Muitas igrejas foram fechadas em outubro de 2015 e é muito mais difícil ter prédios para novas igrejas ali do que em outras províncias, na realidade, é praticamente impossível. Convertidos do islamismo correm o risco de enfrentar severa oposição em muitas partes da Indonésia, mas convertidos em Aceh provavelmente enfrentarão a pressão mais forte.   

Enquanto o cristianismo se tornou uma grande religião no Leste da Indonésia, o islã tornou-se forte nas partes ocidental e central. O maior grupo islâmico na Indonésia, denominado Islam Nusantara, sempre foi moderado e tolerante com outras religiões. Pesquisas revelam que um número crescente de muçulmanos mantém opiniões contra outras minorias religiosas, incluindo cristãos. 

Perseguição por pressão 

Muitos convertidos do islamismo são perseguidos por seus familiares. No entanto, a intensidade da perseguição varia e é principalmente na forma de isolamento, abuso verbal etc. Somente uma pequena porcentagem de cristãos ex-muçulmanos tem de enfrentar violência física pela fé cristã. O nível de perseguição também depende da região da Indonésia. Existem certos pontos, como Java Ocidental ou Aceh, onde os grupos islâmicos radicais são presentes e exercem uma forte influência na sociedade e na política.  

Uma vez que uma igreja é vista como proselitista, as muitas igrejas evangélicas e pentecostais logo se deparam com problemas com grupos islâmicos radicais. Normalmente, os grupos não tradicionais da igreja também têm dificuldades em obter permissão para construir igrejas. Mesmo se eles conseguirem cumprir todos os requisitos legais, incluindo processos judiciais, as autoridades locais ainda os ignoram. Também houve relatos de igrejas católicas com dificuldades para obter permissão de construção.  

Um fator desconhecido que a Indonésia enfrenta é a questão de como o retorno dos islâmicos endurecidos pela batalha da Síria e do Iraque afetará os grupos islâmicos radicais do país. Quão perigoso seu retorno pode ser é claramente ilustrado na captura da cidade de Marawi, na vizinha Mindanao, Filipinas, que foi apoiada por combatentes islâmicos indonésios. 

Os ataques às minorias religiosas não só ocorrem com frequência, mas também são deixados impunes regularmente, especialmente quando são considerados insignificantes pelas autoridades. Isso leva a um clima crescente de medo e desespero. Assim, a nação está começando a perder a característica de um país democrático, que abriga uma forma tolerante do islamismo.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

A Indonésia é a maior economia do Sudeste Asiático e está se desenvolvendo rapidamente considerando seu desafio geográfico único de ser constituída de 17 mil ilhas. O governo coloca uma forte ênfase no desenvolvimento de infraestrutura, como aeroportos, portos, conexões ferroviárias e pedágios em estradas. Para isso, a Indonésia depende da ajuda chinesa e empréstimos, mas a China é apenas um dos países dentre um grupo de parceiros e a Indonésia tem tomado cuidado para não se tornar dependente da China, como outros países do Sudeste Asiático fizeram. Em 2019, o primeiro trecho da rede de trens de alta velocidade foi aberto em Jacarta e existem planos para sua rápida expansão. 

O crescimento da classe média, que predomina nas áreas urbanas, levou à crescente prosperidade que fortalece a sociedade como um todo. Entretanto, ao mesmo tempo, a Indonésia é uma das sociedades mais desiguais do Sudeste Asiático. Enquanto a taxa de desemprego se mantém em cerca de 5%, três quartos de todos os empregos são no setor informal e por isso enfrentam condições de insegurança social. De acordo com o Banco Mundial, cerca de 21% da população sobrevive apenas um pouco acima da linha da pobreza. 

A Indonésia é um dos países que espera se beneficiar com a guerra comercial entre China e Estados Unidos e tem potencial para se tornar a sétima maior economia do mundo em 20 anos. O país depende bastante das exportações de mercadorias, incluindo petróleo e gás. O presidente Joko anunciou sua intenção de colocar uma forte ênfase na “economia islâmica”, como a exportação de produtos islâmicos e a expansão de produtos financeiros e turismo que estejam de acordo com a sharia (conjunto de leis islâmicas). 

Um dos desafios que atormentam o desenvolvimento indonésio é a corrupção enraizada. O país está em 85° lugar no Corruption Persception Index, uma classificação de transparência internacional e, quase semanalmente, novos casos de corrupção são descobertos, afetando a política nacional e local de todos os partidos e companhias públicas e privadas. Muitos cidadãos estão cansados da corrupção contínua dos políticos e não estão interessados na política, mas isso não ajudou um político de ficha limpa como Ahok. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

A Indonésia é um país abençoado e desafiado por sua diversidade. Ela possui a maior população muçulmana do mundo, cujo tipo predominante de islamismo é tradicionalmente muito tolerante, garantindo às minorias algum espaço. 

Quanto à geografia, assim como na religião, a Indonésia é um dos países mais descentralizados do mundo. Embora a Constituição da Indonésia garanta liberdade religiosa, várias regiões e territórios da Indonésia são governados por um estatuto social islâmico, o que inclui a sharia na província de Aceh. Apesar de alguns grupos islâmicos radicais e até mesmo violentos estarem banidos oficialmente, eles continuam exercendo uma influência significativa. As autoridades estão aprendendo uma lição aprendida por governos de todo o mundo: simplesmente banir grupos radicais islâmicos não os faz ir embora. Eles sempre reaparecem com um nome diferente. 

As universidades da Indonésia são conhecidas como focos de radicalização islâmica. A Arábia Saudita aplica dinheiro na Indonésia para propósitos educacionais, com o efeito de levar a ideologia wahabi ao país.  

Os debates no parlamento são vivos e abertos, deixando espaço para discussão e questionamento do governo. A mídia também cresceu, tornando-se uma quarta fonte de poder ao lado dos poderes legislativo, executivo e judiciário. Seja o problema dos ataques às minorias religiosas, principalmente rotulados como “conflitos sectários”, ou corrupção desenfreada, a mídia (jornais, TV, rádio e mídia social) não se afasta dos relatos agressivos. Um número crescente de organizações não governamentais completa essa imagem. 

No entanto, na realidade, ninguém realmente está ouvindo esses relatos. Os grupos islâmicos radicais que vão às ruas são muito mais eficazes para influenciar o ponto de vista da sociedade e a ação do governo, o que foi recentemente mostrado no caso da blasfêmia contra o governador cristão de Jacarta. 

Mais de 50% da população vive em um ambiente urbanizado; entretanto, isso continua significando que cerca de 120 milhões de pessoas vivem em áreas rurais. O que significa que somente metade da população exerce sua opinião na prática. 

Em algumas partes da Indonésia, engenheiros desenvolvem um complexo imobiliário para residentes muçulmanos, e os não muçulmanos estão proibidos de alugar ou comprar uma casa nesse complexo. 

Procurando itens como especiarias exóticas no novo mundo, comerciantes portugueses foram para a Indonésia em 1511, chegando às Ilhas Molucas, na parte oriental do país. Os portugueses trouxeram consigo o catolicismo romano como as primeiras sementes do cristianismo na Indonésia. 

De acordo com um estudo de W. Frederick e R. Worden: “O cristianismo tinha uma longa história nas ilhas, com jesuítas portugueses e dominicanos operando nas Ilhas Molucas, Celebes Meridional e Timor no século 16. Quando os holandeses derrotaram Portugal em 1605, no entanto, os missionários católicos foram expulsos e a Igreja Reformada Holandesa calvinista foi praticamente a única influência cristã na região há 300 anos”. 

“O século 20 testemunhou o influxo de muitos novos grupos missionários protestantes, bem como o crescimento contínuo do catolicismo e das grandes igrejas luteranas regionais e reformadas. Após a tentativa de golpe de Estado de 1965, todas as pessoas não religiosas foram rotuladas como ateias e, portanto, eram vulneráveis a acusações de serem simpáticas ao comunismo. Naquela época, as igrejas cristãs de todas as variedades experimentaram um crescimento explosivo de membros, particularmente entre aqueles que se sentiam desconfortáveis com as aspirações políticas dos partidos islâmicos.” 

“Na década de 1990, a maioria dos cristãos na Indonésia era protestante de uma afiliação ou outra. As congregações católicas cresceram menos na década de 1980, em parte devido à forte dependência da igreja em relação aos europeus. Esses europeus sofreram restrições crescentes sobre suas atividades missionárias impostas pelo Departamento de Assuntos Religiosos dominado pelos muçulmanos.” 

A maior manifestação de jovens em Jacarta e outras grandes cidades desde o fim do regime de Suharto, ocorreu em outubro de 2019

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