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Indonésia

ID
Indonésia
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Jacarta
  • Região: Leste e Sudeste Asiático
  • Líder: Joko Widodo
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo, cristianismo, hinduísmo
  • Idioma: Indonésio, inglês, holandês, dialetos locais
  • Pontuação: 68


POPULAÇÃO
274,8 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
33,6 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos na Indonésia? 

A perseguição aos cristãos na Indonésia tem piorado nos últimos anos. Houve três ataques aos cristãos em um intervalo de seis meses entre 2020 e 2021, matando oito cristãos. A sociedade indonésia tem assumido um caráter islâmico mais conservador, colocando ainda mais pressão nos cristãos. 

Muitos cristãos ex-muçulmanos experimentam pressão das famílias para voltarem ao islamismo, embora a intensidade da pressão varie de acordo com o lugar e a família do indivíduo. Apenas alguns convertidos enfrentam violência física pela fé cristã. Também há convertidos do hinduísmo em Bali. 

Igrejas engajadas em trabalhos evangelísticos correm o risco de ser alvo de grupos extremistas islâmicos. Há certos locais, como Java Ocidental e Aceh, onde grupos extremistas são fortes e exercem uma forte influência na sociedade e na política. 

Em algumas regiões, grupos de igrejas enfrentam dificuldade em conseguir permissão para construir igrejas. Mesmo se eles trabalharem para conseguir todos os requisitos legais (incluindo vencer casos judiciais), as autoridades locais muitas vezes os ignoram. 

“Uma coisa que me deixa muito tocada é o amor dos meus amigos cristãos. Eu sinto como se eu tivesse uma nova família, agora que a minha família biológica me abandonou. Eu não me sinto sozinha na jornada da minha vida.” 

Wanda (pseudônimo), cristã ex-muçulmana na Indonésia   

O que mudou este ano? 

A perseguição aos cristãos na Indonésia piorou consideravelmente, tornando-a uma das maiores mudanças na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2022. O país subiu 19 posições em relação à LMP 2021. Enquanto a pressão aumentou nas esferas nação e igreja, a principal causa desse aumento é a crescente violência. 

Depois de dois anos sem bombardeios, ataques suicidas ocorreram em uma igreja em Makassar, em março de 2021; felizmente, ninguém foi morto. Entretanto, oito cristãos foram mortos em dois ataques em Sulawesi Central em novembro de 2020 e maio de 2021. O grupo terrorista Mujahideen da Indonésia Oriental — que tem ligação com o Estado Islâmico — é responsável pelos ataques. 

Quem persegue os cristãos na Indonésia? 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. O tipo de perseguição aos cristãos na Indonésia é: opressão islâmica. 

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na Indonésia são: cidadãos e quadrilhas, grupos religiosos violentos, oficiais do governo, líderes religiosos não cristãos, parentes, partidos políticos, grupos de pressão ideológica.  

Quem é mais vulnerável à perseguição na Indonésia? 

O principal foco de perseguição na Indonésia é a província de Aceh, na ponta noroeste de Sumatra, a única província governada pela sharia (conjunto de leis islâmicas). As igrejas foram fechadas em larga escala em outubro de 2015, e a construção de novas igrejas é impossível na região e muito difícil em outras províncias. Os cristãos ex-muçulmanos correm o risco de enfrentar severa oposição em muitas partes da Indonésia, mas os cristãos ex-muçulmanos em Aceh provavelmente enfrentam a pressão mais forte. 

Como as mulheres são perseguidas na Indonésia? 

A Indonésia permanece uma sociedade patriarcal, que deixa mulheres cristãs expostas à perseguição pela fé e pelo gênero. A ameaça mais comum enfrentada por mulheres cristãs ex-muçulmanas é o divórcio. Elas também podem ser atacadas. Dados os riscos, muitas mulheres escolhem manter a fé em segredo. Em raras ocasiões, mulheres solteiras convertidas são pressionadas a se casarem com homens muçulmanos. 

Além disso, as mulheres cristãs são marginalizadas por meio de códigos de vestimenta religiosos forçados. Em províncias como Aceh, as mulheres são obrigadas a usar hijab (véu islâmico), especialmente dentro do escritório do governo. Aquelas que não o fazem podem enfrentar interrogatório e serem rotuladas como imorais. 

Como os homens são perseguidos na Indonésia? 

Homens cristãos que são proeminentes na esfera pública, como pastores e ativistas, correm o risco de ser acusados falsamente de “incitar ódio religioso”. Um desses incidentes ocorreu com um ativista acusado sob a controversa “lei do discurso de ódio” por relatar o banimento de cristãos nas celebrações em Sumatra Ocidental. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Indonésia? 

A Portas Abertas trabalha por meio de parceiros locais que apoiam os cristãos perseguidos na Indonésia com treinamento de preparação para perseguição e discipulado, distribuição de Bíblias e literatura cristã, projetos de desenvolvimento socioeconômico, ajuda emergencial, advocacy e encontros entre diferentes igrejas. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos na Indonésia?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para projetos da Portas Abertas de apoios aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente.  

Pedidos de oração da Indonésia 

  • Ore pelo conforto e pela cura de Deus para todos aqueles que foram afetados pelos ataques recentes aos cristãos, em que oito cristãos foram mortos.  
  • Interceda para que Cristo dê sabedoria e ousadia aos que seguem a Jesus em uma sociedade que está assumindo um caráter islâmico cada vez mais conservador. 
  • Clame para que a influência de grupos islâmicos extremistas seja extinta; peça ao Senhor para se revelar àqueles que se opõem a ele.   

Um clamor pela Indonésia 

Senhor Jesus, como o Senhor sofreu tanto para nos salvar, é a melhor pessoa para caminhar junto com aqueles que sofrem hoje. Que todos aqueles que foram afetados pelos ataques recentes a nossos irmãos e irmãs na Indonésia conheçam a profundidade do seu conforto. Dê a seus filhos sabedoria e ousadia ao compartilharem a fé em uma sociedade que está levando o islamismo ao extremo. Revele-se àqueles que perseguem cristãos e intervenha para acabar com a influência de grupos extremistas. Amém.

A Indonésia está espalhada por mais de 17 mil ilhas e mais de cinco mil quilômetros de leste a oeste e 1,7 mil de norte a sul. O país lutou por sua independência dos Países Baixos em uma guerra de quatro anos que terminou em 1949, após ser ocupado pelo Japão na Segunda Guerra Mundial. Depois de anos de violência e corrupção, o país fez uma transição para a democracia, começando em 1998. As primeiras eleições presidenciais diretas foram realizadas em 2004. 

No começo de 2017, no início das eleições para o cargo de governador de Jacarta (a capital e maior cidade da Indonésia), protestos em massa surgiram, levando mais de 200 mil pessoas para as ruas. Essas manifestações foram contra os chineses étnicos e contra o cristão Basuki Tjahaja Purnama (conhecido como Ahok), por suposta blasfêmia. Tendo ganhado a primeira rodada de eleições em fevereiro de 2017, Ahok perdeu a segunda rodada e foi condenado a dois anos de prisão. Ele decidiu não apelar contra o veredito e manter a situação política na Indonésia calma. Ele foi solto e agora é o presidente comissionado da empresa petrolífera do estado, Pertamina. 

As eleições simultâneas presidencial e parlamentar em 17 de abril de 2019, apresentadas como a maior eleição mundial de um dia, foram amplamente pacíficas e — apesar de serem contestadas diante da Corte Constitucional — tiveram um resultado claro vendo o atual presidente, Joko Widodo, vencer com uma margem de 11%. Embora a religião tenha desempenhado um papel na campanha, foi menos do que temiam os observadores. 

O presidente busca deixar um legado (já que esse é seu último mandado no cargo) e faz isso por meio da realocação da capital para um lugar geograficamente mais central, mas em quase todos os outros aspectos mais remota, na província de Kalimantan Oriental. A chegada da COVID-19 frustrou esses esforços e manifestações contra a chamada Lei do Ônibus, se tornaram violenta em alguns momentos, desregulamentando o trabalho. Muitas outras leis têm sido um desafio ainda maior para o governo, principalmente com grupos islâmicos tentando capitalizá-las também. 

A Indonésia foi muito afetada pela crise da COVID-19, o que significa que encontros em massa e manifestações estavam fora de questão. Os cristãos foram afetados pelos eventos recentes na Indonésia tanto quanto todos os outros cidadãos. Entretanto, o ataque suicida contra a catedral em Makassar abriu feridas e memórias dos ataques contra três igrejas cristãs em 2018. A morte e decapitação de cristãos em Sulawesi aumentaram o sentimento de insegurança, embora as autoridades tenham investigado a questão e tomado providências. As forças de segurança da Indonésia confirmaram a morte de Ali Kalora. Ele era o líder do grupo Mujahideen da Indonésia Oriental, que foi responsabilizado pelos ataques. Os cristãos permanecem vulneráveis a ataques violentos e o pensamento islâmico radical tem se espalhado. Alguns grupos e indivíduos também o colocam em prática. As ondas de choque pelos ataques ainda são sentidas por cristãos e outras minorias religiosas. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Enquanto os partidos políticos islâmicos não ganham muitos votos nas eleições, a sabedoria popular mais uma vez confirmou, nas eleições de 2019, que o islamismo moderado está sendo muito desafiado por influências radicais e a sociedade continua se tornando mais conservadora em muitos aspectos. Até mesmo o atual presidente, Joko Widodo, se sentiu persuadido a escolher o clérigo conservador Mar’ruf Amin como vice-presidente para combater alegações difamatórias sobre suas credenciais religiosas. O islã é, portanto, usado como uma ferramenta política efetiva e tem um lugar de destaque na agenda política. Os islâmicos cada vez mais moldam a política na Indonésia. 

O fato de que o oponente de Joko na candidatura à presidência, Prabowo Subianto, se tornou o ministro de Defesa desapontou grupos islâmicos radicais, mas ilustra o estilo das políticas indonésias e javanesas muito bem. As eleições também mostraram como o país se tornou dividido: enquanto minorias religiosas votaram quase que exclusivamente em Joko Widodo e a maioria da ilha de Java também votou nele, na maioria das outras províncias, o candidato Prabowo Subianto ganhou a maioria. 

O segundo e último mandado do presidente Widodo até agora foi ofuscado pela chegada da COVID-19. A necessidade da imposição de lockdowns foi diretamente contra a principal prioridade do governo de fortalecer a economia e fazer com que os mais jovens estivessem empregados, ao invés de melhorar sua educação. Consequentemente, os lockdowns nunca foram implementados com rigidez, o que ficou mais acentuado na tradição do mudik (ir para a cidade natal após o Ramadã) e no fato de que a nação teve uma das mais baixas taxas de testes de COVID-19 no mundo. Mas como as contaminações aumentaram, o governo decidiu impor um lockdown mais rígido em Java e Bali em julho de 2021. 

Dado que seu primeiro mandato foi bastante desapontador no que diz respeito aos direitos humanos, não se esperou que Widodo fizesse disso sua prioridade no segundo, mas a esperança aumentou quando ele finalmente levantou sua voz em fevereiro de 2020 em apoio à liberdade religiosa e contra a proibição de prédios e renovação para lugares de adoração. Entretanto, no período de análise da Lista Mundial da Perseguição 2022, nenhuma mudança política foi observada. Lugares de adoração foram fechados devido às medidas da COVID-19 de qualquer forma.  

Uma boa ilustração da prática do governo é a situação em torno da Igreja Yasmin em Bogor, Java Ocidental — uma igreja pertencente à denominação da Igreja Cristã Indonésia. Apesar de um julgamento aprovado pelo Supremo Tribunal, em dezembro de 2010, declarar que as autoridades da igreja haviam sido aprovadas em todos os requisitos estabelecidos por lei para obter uma licença de construção, o prefeito da cidade se recusa a cumprir essa decisão, e o governo não tomou medidas contra ele devido ao medo da agitação social. 

A igreja começou a adorar em frente ao palácio do presidente indonésio em Jacarta, mas isso não mudou a situação. Em dezembro de 2021, autoridades da cidade de Bogor, ainda não respeitando a decisão da Suprema Corte, realizaram uma cerimônia de inauguração de um novo prédio em outro lugar, uma opção que foi recusada pela igreja.  

Ao mesmo tempo, não deve ser esquecido que a democracia foi estabelecida apenas em 1998 e, em 2019, foi apenas a quarta eleição presidencial na história do país. Apesar de todos os problemas de divisão e violência após as eleições, os indonésios exerceram seus votos e o país permanece uma das maiores democracias no mundo — e um dos poucos com maioria muçulmana.    

CENÁRIO RELIGIOSO 

De acordo com as estimativas do World Christian Database, 79,5% da população é muçulmana. Também há milhões de ateístas/agnósticos e seguidores de religiões étnicas, hinduísmo (principalmente em Bali), religião tradicional chinesa e budismo. 

Enquanto o cristianismo se torna uma das principais religiões na Indonésia oriental, o islamismo se torna mais forte nas partes centrais e ocidental, principalmente na ilha mais populosa, Java. O governador Ahok foi o primeiro governador cristão em Jacarta depois de cinco décadas, então sua sentença de prisão por blasfêmia e a campanha eleitoral carregada emocionalmente (e motivada religiosamente) talvez tenham o poder de oferecer uma reviravolta para os cristãos no país. 

Outro choque foram os bombardeios contra três igrejas em Surubaya, em maio de 2018. No período de pesquisa da Lista Mundial da Perseguição 2022 (1 de outubro de 2020 a 30 de setembro de 2021), houve outro ataque suicida contra a catedral em Makassar e dois massacres por parte do grupo islâmico Mujahideen da Indonésia Oriental. Pesquisas revelam que um crescente número de muçulmanos mantém uma visão negativa quanto a minorias religiosas, como os cristãos. 

A influência das organizações islâmicas radicais está crescendo. Nem o governo federal nem o local se atrevem a ignorar suas demandas, temendo a agitação pública. Uma das ações mais radicais e claras de tais organizações é a “Front Pembela Islam”, que atuou em um importante papel nas eleições presidenciais e apoiou o rival de Joko, Prabowo Subianto, um antigo general. Ele foi banido pelo governo e reagiu simplesmente copiando o que outros grupos radicais já fizeram antes; ele atendeu o conselho de Rizieq para “relaxar e apenas criar um novo veículo”, agora criando a Frente Unida Islâmica, que leva o mesmo acrônimo em indonésio, como a antiga organização. O governo indonésio tomou medidas para barrar um grupo islâmico radical chamado Hizb-ut-Tahrir Indonesia em 2017, mas esse é apenas um dos menores grupos ativos na Indonésia. 

A Indonésia é e permanece — junto com as Filipinas — o país “mais religioso” no mundo, de acordo com uma pesquisa publicada em julho de 2020: 98% dos entrevistados disseram que a religião é muito importante em sua vida. De longe, o maior desafio é que toda a sociedade mantém cada vez mais visões religiosas conservadoras. Um estudo, publicado em maio de 2018, descobriu que um número crescente de estudantes mantém visões islâmicas, ao todo, 39% foram expostos a ideologia radical islâmica. A ONG local Setara Institute publicou um estudo realizado em dez universidades públicas na Indonésia em junho de 2019, mostrando como radicais islâmicos usam as estruturas das universidades para conseguir seguidores. Assim, a próxima geração está sendo educada para manter visões conservadoras. Isso provavelmente levará a um aumento na discriminação social e até mesmo violência contra os cristãos no futuro — e não apenas em Aceh e outros locais delicados. De acordo com a Agência de Inteligência do Estado da Indonésia, 85% de todos os millennials (termo que se refere à geração nascida após o início da década de 1980 até, aproximadamente, o final do século 20) no país foram expostos ao radicalismo — principalmente por meio de mídias sociais. 

Uma das grandes incógnitas no momento é como as maiores organizações muçulmanas no país, Nadhlatul Ulama (NU) e Muhammadiyah, combaterão a crescente radicalização. Tradicionalmente, elas eram vistas como moderadas e tolerantes em relação a outros grupos religiosos, mas especialmente a organização juvenil da NU tem levantado a voz pedindo uma compreensão mais conservadora do islamismo. 

As minorias religiosas, como os ahmadis (uma minoria muçulmana) e os cristãos são alvos frequentes de discriminação e atos de violência, mas a Indonésia ainda é diversificada: uma província, Aceh, na ponta ocidental de Sumatra, é governada pela sharia (conjunto de leis islâmicas) e ainda está impondo suas regras; várias outras províncias também introduziram os estatutos da sharia, deixando os cristãos, em particular, em uma situação difícil; mas, ao mesmo tempo, também existem provas de maioria cristã e de maioria hindu. Muitos cristãos ex-muçulmanos experimentam pressão de seus familiares. No entanto, a intensidade da perseguição varia e é principalmente na forma de isolamento, abuso verbal, etc. Somente uma pequena porcentagem de cristãos ex-muçulmanos tem de enfrentar violência física pela fé cristã. O nível de perseguição também depende da região da Indonésia. Existem certos pontos quentes como Java Ocidental ou Aceh, onde os grupos islâmicos radicais são presentes e exercem uma forte influência na sociedade e na política.  

Uma vez que uma igreja é vista como proselitista (como acontece principalmente com igrejas evangélicas e pentecostais), logo se depara com problemas com grupos islâmicos radicais. Dependendo novamente da região, os grupos não tradicionais da igreja também têm dificuldades em obter permissão para construir igrejas. Mesmo se eles conseguirem cumprir todos os requisitos legais, incluindo processos judiciais, as autoridades locais ainda os ignoram. Também houve relatos de igrejas católicas com dificuldades para obter permissão de construção.   

CENÁRIO ECONÔMICO 

Como o Banco Mundial resumiu bem em sua visão geral: “Hoje, a Indonésia é a quarta nação mais populosa do mundo, a décima maior economia do mundo em termos de paridade no poder de compra e um membro do G-20. Além disso, a Indonésia teve ganhos enormes na redução da pobreza, cortando a taxa de pobreza em mais da metade desde 1999, para 9,78% em 2020. Antes da crise da COVID-19, a Indonésia foi capaz de manter um crescimento econômico consistente, qualificando o país recentemente a alcançar a condição de classe média alta”. Entretanto, a recessão econômica que chegou com a COVID-19 eliminou esse sucesso, já que a Indonésia voltou ao nível de classe média baixa. 

A Indonésia permanece a maior economia do Sudeste Asiático e está se desenvolvendo rapidamente considerando seu desafio geográfico único de ser constituída por 17 mil ilhas. O governo coloca uma forte ênfase no desenvolvimento de infraestrutura, como aeroportos, portos, conexões ferroviárias e pedágios em estradas. Para isso, a Indonésia depende da ajuda chinesa e empréstimos, mas a China é apenas um país de um grupo inteiro de parceiros e a Indonésia tem tomado cuidado para não se tornar dependente da China, como outros países do Sudeste Asiático fizeram. O Japão tem sido outro importante parceiro na infraestrutura.  

O crescimento da classe média, que predomina nas áreas urbanas, levou à crescente prosperidade que fortalece a sociedade como um todo. Entretanto, ao mesmo tempo, a Indonésia é uma das sociedades mais desiguais do Sudeste Asiático. Mesmo antes de uma grande onda de infecção da COVID-19 atingir o país em junho de 2021, o Banco Mundial estimou em um relatório que 1,8 milhão a mais de pessoas ficaram desempregadas e 2,8 milhões caíram na pobreza. Mas os números podem ser enganosos: enquanto a taxa de desemprego se mantém em cerca de 5%, impressionantes três quartos de todos os empregos são no setor informal, principalmente na situação da pandemia. Isso explica pelo menos parcialmente porque o governo estava hesitante em forçar um lockdown rígido.  

A Indonésia é a 16ª maior economia do mundo em termos absolutos e o crescimento anual está na casa de mais de 5%. A crise da COVID-19 fez o país entrar em sua primeira recessão desde 1998 e testemunhar uma taxa de crescimento negativa de 3,1%. A Indonésia pode se tornar um dos países a se beneficiar com a guerra comercial entre China e Estados Unidos e tem potencial para se tornar a sétima (alguns dizem até mesmo a quinta) maior economia do mundo em 20 anos. O país depende bastante das exportações de mercadorias, incluindo petróleo e gás.  

O presidente Joko anunciou sua intenção de colocar uma forte ênfase na “economia islâmica”, como a exportação de produtos islâmicos e a expansão de produtos financeiros e turismo que estejam de acordo com a sharia (conjunto de leis islâmicas). 

Um dos desafios que atormentam o desenvolvimento indonésio é a corrupção enraizada. O país está em 102° lugar no Corruption Perception Index, uma classificação de transparência internacional e, quase semanalmente, novos casos de corrupção são descobertos, afetando a política nacional e local de todos os partidos e companhias públicas e privadas.   

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

O país é o quarto mais populoso do mundo, com mais de 40% da população com menos de 25 anos. Ele tem, portanto, um excedente na força de trabalho e uma estimativa de 4,8 milhões de pessoas trabalhando no exterior. Desses trabalhadores, 70% são mulheres que trabalham principalmente como empregadas domésticas e babás, enquanto os homens trabalham em plantações ou construções — muitos deles na vizinha Malásia. A maioria desses trabalhadores migrantes estão sem suas famílias, o que leva a estresse emocional e muitos outros desafios compartilhados por trabalhadores migrantes em todo o mundo. O governo está em busca de aumentar a produção, e o setor de serviços e a educação são vistos como uma chave para esse progresso. 

A Indonésia é um país abençoado e desafiado por sua diversidade. Ela possui a maior população muçulmana do mundo, cujo tipo predominante de islamismo é tradicionalmente muito tolerante, garantindo às minorias algum espaço. 

Quanto à geografia, assim como na religião, a Indonésia é um dos países mais descentralizados e diversos no mundo. Embora a Constituição da Indonésia garanta liberdade religiosa, várias regiões e territórios da Indonésia são governados por um estatuto social islâmico, que inclui a sharia na província de Aceh. Apesar de alguns grupos islâmicos radicais e até mesmo violentos estarem banidos oficialmente, eles continuam exercendo uma influência significativa. As autoridades estão aprendendo uma lição aprendida por governos de todo o mundo: simplesmente banir grupos radicais islâmicos não os faz ir embora. Eles sempre reaparecem com um nome diferente. 

As universidades da Indonésia são conhecidas como focos de radicalização islâmica, então não é surpresa que um estudo publicado pelo governo indonésio em maio de 2018 tenha revelado que um crescente número de estudantes mantém visões islâmicas. A Arábia Saudita aplica dinheiro na Indonésia para propósitos educacionais, com o efeito de levar a ideologia wahhabi ao país.  

A Indonésia desfruta de uma democracia e de uma forte mídia independente, apesar dos desafios. Os debates no parlamento são vivos e abertos, deixando espaço para discussão e questionamento do governo. Entretanto, o governo mais recente recrutou quase todos os partidos para o governo, então não há uma oposição forte. A mídia cresceu em influência também, tornando-se uma quarta fonte de poder ao lado dos poderes legislativo, executivo e judiciário. Seja o problema dos ataques às minorias religiosas, principalmente rotulados como “conflitos sectários”, ou corrupção desenfreada, a mídia (jornais, TV, rádio e mídia social) não se afasta dos relatos detalhados. Um número crescente de organizações não governamentais completa essa imagem. No entanto, na realidade, ninguém realmente está ouvindo esses relatos. Os grupos islâmicos radicais que vão às ruas são muito mais eficazes para influenciar o ponto de vista da sociedade e a ação do governo. Outro fator é a forte influência que a mídia social tem, principalmente entre os jovens. 

Um fator social particularmente forte é a tendência contínua à urbanização. Cidadãos das ilhas vão para as cidades maiores em busca de trabalho e uma vida melhor. Essa tendência pode ser sentida em muitas cidades, mas tem se tornado mais evidente na região metropolitana de Jacarta, com uma estimativa de 30 milhões de habitantes, que o governo decidiu realocar para a capital. Mais de 55% da população vive em um ambiente urbanizado, entretanto, isso continua significando que cerca de 120 milhões de pessoas vivem em áreas rurais.  

Procurando pelo mundo novo e por especiarias exóticas, comerciantes portugueses foram para a Indonésia em 1511, primeiro para as Ilhas Molucas, na parte oriental do país. Os portugueses trouxeram consigo o catolicismo romano como as primeiras sementes do cristianismo na Indonésia. 

De acordo com um estudo de W. Frederick e R. Worden: “O cristianismo tinha uma longa história nas ilhas, com jesuítas portugueses e dominicanos operando nas Ilhas Molucas, Celebes Meridional e Timor no século 16. Quando os holandeses derrotaram Portugal em 1605, no entanto, os missionários católicos foram expulsos e a Igreja Reformada Holandesa calvinista foi praticamente a única influência cristã na região há 300 anos. Deve-se considerar que a União da Companhia das Índias Orientais foi primeiramente uma iniciativa secular e não religiosa, e que o calvinismo era uma variedade rígida, austera e intransigente do cristianismo. Por demandar uma compreensão completa do que, para os indonésios, eram escrituras estrangeiras, o cristianismo avançou pouco na Indonésia até o século 19. Apenas poucas comunidades resistiram em Java, Maluku, Norte de Sulawesi e Nusa Tenggara (primariamente Roti e Timor). Após a dissolução da União da Companhia das Índias Orientais em 1799, e a adoção de uma visão mais compreensiva de sua missão no arquipélago, a Holanda permitiu o proselitismo no território. Essa liberdade evangélica foi colocada em uso pelos mais tolerantes luteranos alemães, que começaram o trabalho entre os batak de Sumatra, em 1861”. 

“O século 20 testemunhou o influxo de muitos novos grupos missionários protestantes, bem como o crescimento contínuo do catolicismo e das grandes igrejas luteranas regionais e reformadas. Após a tentativa de golpe de Estado de 1965, todas as pessoas não religiosas foram rotuladas como ateias e, portanto, eram vulneráveis a acusações de serem simpáticas ao comunismo. Naquela época, as igrejas cristãs de todas as variedades experimentaram um crescimento explosivo de membros, particularmente entre aqueles que se sentiam desconfortáveis com as aspirações políticas dos partidos islâmicos.” 

“Na década de 1990, a maioria dos cristãos na Indonésia era protestante, de uma afiliação ou outra, com grandes concentrações encontradas principalmente no Norte de Sumatra, Irian Jaya, Maluku, Kalimantan Central, Sulawesi Central e Norte de Sulawesi. As congregações católicas cresceram menos na década de 1980, em parte devido à forte dependência da igreja em relação aos europeus. Esses europeus sofreram restrições crescentes sobre suas atividades missionárias impostas pelo Departamento de Assuntos Religiosos dominado pelos muçulmanos.” 

A maior manifestação de jovens em Jacarta e outras grandes cidades desde o fim do regime de Suharto, ocorreu em outubro de 2019

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