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Malásia

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Malásia
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, paranoia ditatorial, hostilidade etno-religiosa
  • Capital: Kuala Lumpur
  • Região: Leste e Sudeste Asiático
  • Líder: Abdullah Sultan Ahmad Shah
  • Governo: Monarquia constitucional
  • Religião: Islamismo, budismo, cristianismo, hinduísmo, confucionismo, taoísmo e outras religiões tradicionais chinesas
  • Idioma: Bahasa malaio, inglês, chinês, tâmil, telugo, malabar, panjabi, tailandês e dialetos
  • Pontuação: 63


POPULAÇÃO
33,2 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
3 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos na Malásia? 

Espera-se que todo malaio nativo seja muçulmano de acordo com a Constituição do país. Aqueles que se convertem ao cristianismo violam a lei e enfrentam pressão severa da família e da comunidade. Convertidos são vistos como traidores de tudo que a sociedade malaia mais valoriza. Todos os grupos religiosos não muçulmanos são observados pelas autoridades, bem como organizações não governamentais. Porém, o grande foco está em grupos protestantes não tradicionais, já que esses geralmente testificam mais ativamente sobre a fé, o que é ilegal. 

Tumultos na política malaia nos últimos anos resultaram em uma maior ênfase no islamismo conservador e têm feito com que facções radicais sintam mais liberdade para declarar oposição a minorias étnicas e religiosas, incluindo os cristãos. Cristãos ex-muçulmanos experimentam mais pressão e hostilidade do que qualquer grupo no país. 

Vocês trouxeram cor à minha vida cinza, como a lua iluminando a noite. Vocês são uma bênção para mim. Eu sou invisível para meus vizinhos, mas, ainda assim, Deus me vê e ajuda por meio de pessoas como vocês.” 

Reina (pseudônimo), cristã perseguida na Malásia sobre a Bíblia digital que recebeu  

O que mudou este ano? 

A Malásia continua sendo um lugar difícil para os cristãos, principalmente ex-muçulmanos. Enquanto a o país se move profundamente em direção a prática de crenças radicais islâmicas, o potencial para a perseguição aos cristãos aumenta. Há menos tolerância ou mesmo esperança de tolerância com o novo governo do que nos últimos anos. Para manter a ordem, a contínua política de tratamento preferencial pela etnia malaia coloca qualquer um fora do islamismo sob um escrutínio rigoroso. 

Quem persegue os cristãos na Malásia? 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Malásia são: opressão islâmica, paranoia ditatorial, hostilidade etno-religiosa. 

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na Malásia são: líderes religiosos não cristãos, líderes de grupos étnicos, oficiais do governo, parentes, partidos políticos, grupos de pressão ideológica. 

Quem é mais vulnerável à perseguição na Malásia? 

Todos os não muçulmanos estão em risco na Malásia. Embora não haja pontos proeminentes em que a perseguição seja mais intensa, a pressão para se conformar é imensa. O trabalho missionário islâmico entre cristãos é encorajado, até mesmo planos de conversão para o islamismo apoiados pelo Estado foram publicados. 

Como as mulheres são perseguidas na Malásia? 

Embora a lei malaia dê às mulheres certos direitos, o código legal abre caminho para a lei islâmica. Quando a mulher deixa o islamismo para seguir o cristianismo na Malásia — um ato ilegal —, está vulnerável a estupro ou casamento forçado. Sob a lei familiar islâmica, uma menina cristã, mesmo menor de 16 anos, pode ser forçada a se casar, efetivamente voltando para o islamismo. Uma vez que essa menina seja registrada como muçulmana, ela não pode alterar esse registro e seus filhos serão considerados legalmente muçulmanos.  

Na Malásia, casamentos forçados de mulheres cristãs ocorrem muitas vezes quando a família concorda com o casamento como uma medida de assegurar apoio financeiro. A crise da COVID-19 aumentou a violência doméstica relatada — uma ameaça adicional a mulheres cristãs ex-muçulmanas. Em ocasiões raras, essas mulheres são detidas e interrogadas por autoridades e questionadas sobre redes cristãs e seus líderes. 

Como os homens são perseguidos na Malásia? 

Apesar da abolição da Lei de Segurança Interna de 1960 (ISA, da sigla em inglês) em 2012, qualquer pessoa suspeita de violar a segurança interna corre o risco de ser interrogada, independentemente de raça ou religião. Esse risco é alto para os cristãos devido ao medo latente de que eles estejam em uma missão para cristianizar a Malásia, uma alegação repetida diversas vezes pelos interessados. Esse risco de interrogatório afeta mais os homens do que as mulheres, já que as mulheres geralmente não são vistas como líderes na sociedade malaia. A perseguição típica que impacta os homens cristãos acontece na forma de bullying nas mãos da justiça ou monitoramento por autoridades religiosas. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Malásia? 

Dadas as restrições crescentes que o governo e a sociedade malaia colocam sobre as igrejas locais e os cristãos ex-muçulmanos, a Portas Abertas pede orações dos cristãos em todo o mundo em favor da Malásia. Orações são especialmente necessárias para novos convertidos que estão sedentos por crescimento espiritual e comunhão. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos na Malásia?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para projetos da Portas Abertas de apoios aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente.  

Pedidos de oração da Malásia 

  • Ore por cristãos que procuram se encontrar em segredo. Peça a Deus para lhes dar períodos significativos de adoração e comunhão — juntamente com a proteção que eles precisam para se reunir em segurança.   
  • Interceda pelos seguidores de Cristo malaios que deixaram o islã e são muitas vezes isolados pelos familiares por escolherem Jesus. Peça a Deus que lhes dê uma graça especial e que eles saibam e sintam que nunca estão sozinhos. 
  • Ore por sabedoria e ousadia para os líderes da igreja enquanto eles conduzem o povo em discipulado. Peça a Deus que dê aos cristãos malaios unidade e força para viver a fé em meio a cada provação que enfrentam.  

Um clamor pela Malásia 

Querido pai, pedimos que derrube as fortalezas que procuram conter as boas novas de Jesus na Malásia. Por favor, forneça uma maneira de mais pessoas ouvirem o evangelho, recebê-lo e encontrarem verdadeira esperança no Senhor. Fortaleça a igreja, Senhor, e prepare-a para o trabalho que o Senhor estabeleceu para ela fazer. Oramos para que seu Reino aumente na Malásia de uma maneira poderosa e mostre a muitos muçulmanos malaios quem Cristo é. Pedimos tudo isso em seu santo nome, Jesus. Amém.  

Em surpreendente eleição em 9 de maio de 2018, o partido no governo da Malásia desde a independência em 1957 (Organização Nacional de Malaios Unidos, UMNO) foi derrotado pela coalizão de oposição Pakatan Harapan (PH). Isso aconteceu apesar da definição controversa da área dos distritos eleitorais e decisões tomadas pelas autoridades eleitorais beneficiando a UMNO. A campanha do governo foi racista e étnica, tentando jogar também com questões religiosas, despertando o medo no eleitorado de que o partido de oposição tinha o objetivo escondido de cristianizar o país. 

Desde que o governo do PH entrou em colapso, em fevereiro de 2020, um novo governo Perikatan Nasional (PN) está agora no comando com uma maioria pequena. Assuntos como raça, etnia e religião são novamente temas importantes para conquistar eleitores e distraí-los das dificuldades que a COVID-19 trouxe. 

Depois que 2020 provou ser um ano turbulento para a política na Malásia, 2021 foi tumultuado. O novo governo do Perikatan Nasional (PN) conseguiu sobreviver até o fim de agosto, quando foi empossado um novo governo liderado por Ismail Sabri Yaacob, que não tem vice-primeiros-ministros. O estado de emergência iniciado em janeiro de 2021 significou a proibição de todas as reuniões nacionais, bem como as assembleias estaduais desde dezembro de 2020. Quando o rei finalmente declarou que o estado de emergência não seria prorrogado, ele teve que repetir duas vezes que isso também significava um rápido retorno do parlamento.  

O rei da Malásia tem um papel em grande parte cerimonial, mas tem autoridade para conferir poder a qualquer político no parlamento que ele acredite estar comandando a maioria. Ele havia concordado tanto com a instalação do novo governo, como do estado de emergência. Porém, só se declarou depois que os parlamentares insistiram para que aceitasse essas decisões. No entanto, a pressão política cresceu quando foi descoberto que os responsáveis pelo estado de emergência não estavam trabalhando para reduzir as infecções de COVID-19. Após consultar os líderes políticos de todos os partidos e seus companheiros sultões (o Conselho de Governantes), o rei declarou publicamente que era a favor de encerrar o estado de emergência e chamar de volta o parlamento o mais rápido possível. Na verdade, os dois últimos governos não foram eleitos pelo rei, mas os primeiros-ministros foram nomeados por ele. 

Essa turbulência política ocorreu em um momento em que havia um pico de infecções por COVID-19, que começou em maio de 2021, com mais de 7.000 infecções relatadas diariamente e culminou em meados de setembro, quando mais de 20.000 casos foram relatados todos os dias, apesar de todos os bloqueios rigorosos, superando outros países da região.  

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

O partido de maioria malaia, UMNO, atingiu uma baixa histórica em suas pesquisas de popularidade em 2016, o que serviu como um sinal de alerta precoce, mas o governo queria permanecer no poder, apesar do ex-primeio-ministro, Najib Razak, se envolver em um dos maiores casos de corrupção do mundo. Depois da oposição vencer em maio de 2018, Razak foi detido e, em 28 de julho de 2020, foi condenado em um primeiro processo judicial e considerado culpado de todas as acusações. Esse veredito poderia ter grandes consequências de alcance político, se as marés políticas não tivessem mudado novamente. Esse é apenas o primeiro de muitos outros casos potenciais contra Razak, que recorreu da sentença no primeiro caso. No entanto, os procedimentos são lentos e foram prejudicados pela crise da COVID-19. 

O Partido Islâmico Pan-Malaio (PAS) de linha extremista foi bem-sucedido nas eleições de 2018 e conseguiu recuperar o controle do governo sobre três estados como Terengganu, Kedah e Kelantan). Também está em coalizão o governo em Johor, Pahang, Perak e Perlis. Em nível nacional, derrotou o UMNO e concentrou-se nos medos malaios-muçulmanos de perder benefícios econômicos e sociais. 

Quando o primeiro-ministro Mahathir renunciou, em 24 de fevereiro de 2020, UMNO e PAS aproveitaram a oportunidade para convencer o rei de que eles comandavam a maioria no parlamento. Como resultado, o novo primeiro-ministro, Muhyiddin Yassin, conseguiu estabelecer um novo gabinete. Três cargos no gabinete são agora ocupados por islâmicos membros do PAS. Efetivamente, o que aconteceu é que o Partido dos Povos Indígenas Unidos da Malásia (PPBM) se dividiu e vários políticos mudaram de lado para apoiar o novo governo do Perikatan Nasional (PN).  

Em um desenvolvimento raro, o rei e chefe de Estado da Malásia repreendeu publicamente o primeiro-ministro e insinuou que ele tinha mentido ao público, quando as sessões do parlamento deixaram de ser suspensas. Em vez do primeiro-ministro pedir um voto de confiança do parlamento, em que tinha apoio da maioria, ele fez com que o deputado presidente suspendesse o último dia de sessões. No final, ele declarou que o rei concordaria com sua decisão quando ficou claro (e declarado oficialmente) que ele não concordava. Isso levou a uma enorme pressão adicional sobre o primeiro-ministro, cujo governo lutava para conter os altos níveis de contaminação pela COVID-19. Em 16 de abril de 2021, Muhyiddin Yassin renunciou.  
 
Cinco dias depois, Ismail Sabri Yaacob tornou-se primeiro-ministro sem votação em parlamento, pois foi estabelecido pela UMNO. Ele deixou o governo inalterado e sua principal tarefa foi lidar com um número crescente da população testando positivo para COVID-19. Em geral, a população malaia, principalmente os jovens, acredita que a política de distinguir malaios e não malaios é ultrapassada. Os verdadeiros confrontos na sociedade acontecem por causa da desigualdade social. Embora esse sentimento seja compartilhado pela maioria dos cristãos, resta saber se isso muda alguma coisa nas limitações e níveis de discriminação que eles enfrentam.  

A política da Malásia está repleta de questões subjacentes de raça e religião. Um exemplo da escalada de manifestações aconteceu por dois dias em torno do Dia Internacional dos Direitos Humanos, em dezembro de 2018, envolvendo cerca de 55.000 manifestantes e organizado pelos partidos malaios-muçulmanos PAS e UMNO. O objetivo era protestar contra a planejada adesão do país à ICERD (Convenção Internacional da ONU sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial) – essa foi uma ilustração dos desafios que o governo do Pakatan Harapan (PH) enfrentou. A proteção especial dos privilégios malaios não é novidade e está de acordo com a Constituição do país.  

Um outro sinal de islamização é que o PAS, governante no estado de Kelantan, anunciou que faria a tradicional cerimônia e dança folclórica, Main Puteri, compatível com a sharia. O estado de Kelantan alterou o Código Penal, fez proselitismo e tornou a conversão do islamismo punível por lei. Um membro do parlamento do PAS chamou publicamente a Bíblia de “um livro distorcido” em agosto de 2020 e se recusou a retirar a declaração ou pedir desculpas. 

Outro membro do parlamento do PAS felicitou a nova liderança talibã no Afeganistão pela “independência” e “libertação” do país. O lema do novo governo “Keluarga Malaysia” (família Malásia) não está tão longe do lema do antigo governo “One Malaysia”, refletindo que as partes atuantes e até mesmo a maioria dos políticos são os mesmos. Apesar da mudança do lema do país, a antiga prática de discriminação contra minorias étnicas não malaias continua inabalável, dando prioridade para os bumiputra — ou seja, a população malaia ou, literalmente, “filho do solo”. Com políticas continuando a favorecer os bumiputra, todos os cidadãos não malaios enfrentam desvantagens explícitas em emprego e outras áreas.  

Nota-se que a Malásia é uma monarquia singular no mundo: ela não é baseada em uma pessoa, mas é um ofício que é compartilhado entre os nove sultões regionais, revezando o poder entre eles a cada cinco anos. Esses líderes islâmicos detêm uma posição de muito poder. Em princípio, eles devem respeitar as decisões dos órgãos eleitorais, mas na verdade eles podem influenciar todas as decisões, já que nas questões relativas ao islamismo eles também têm poder de veto. Até agora, eles escolheram uma posição moderada na maioria dos casos e têm se oposto a demandas por mais islamização. 

Em uma longa espera pela decisão, a Corte Federal decidiu que a conversão de menores de 18 anos precisa do consentimento de ambos os pais. O governo anterior, entretanto, decidiu estabelecer um departamento especial chamado “Divisão de Justiça da Sharia e Harmonização” para resolver questões pertencentes ao islamismo e à sharia, que ocorre em níveis federais e internacionais. Como o novo governo lidará com essa questão altamente política pode dar uma indicação da direção que será garantida às minorias. 

Pela lei, muçulmanos malaios não têm permissão de se converter a outra religião em nenhum estado, exceto Sarawak. O Partido Islâmico Malaio (PAS) quer que haja pena de morte por apostasia, mas até agora não foi bem-sucedido em seus esforços. Os cristãos de origem muçulmana não podem participar de nenhuma atividade pública da igreja, porque se o fizerem correm o risco de serem pegos pelas autoridades e a igreja enfrentará sérias consequências por recebê-los. Portanto, cristãos ex-muçulmanos se reúnem secretamente em diferentes casas, longe dos olhos do governo, da comunidade e das igrejas registradas. 

Consequentemente, eles têm que ser muito cuidadosos no modo como adoram, principalmente se são os únicos cristãos na família. Bíblias e outros materiais cristãos têm que ser escondidos cuidadosamente e só podem ser lidos com muita precaução, pois famílias muçulmanas devotas não aceitam isso. Como os cristãos de origem muçulmana são considerados apóstatas, é muito arriscado para eles revelarem a fé, pois serão punidos ou enviados para um centro de purificação islâmica, onde são pressionados a retornar ao islã. Sabe-se que convertidos desapareceram de uma hora para outra sem que ninguém saiba seu paradeiro. 

Basicamente, essa política exclui os cidadãos com origem chinesa ou indiana (a maior parte dos cristãos vem das minorias não malaias). A Constituição proíbe os malaios de se converterem a outras religiões e limita a propagação de religiões não muçulmanas.  

A Malásia carrega a imagem de ser um dos melhores modelos mundiais de país islâmico liberal e tolerante. No entanto, essa imagem tem se desgastado ao longo dos anos. Um exemplo disso é o esforço contínuo do governo em introduzir a sharia (conjunto de leis islâmicas) no estado de Kelantan. O partido muçulmano conservador, PAS, que governa o estado, pediu, novamente, a implementação da lei imediatamente após as eleições de maio de 2018. 

De acordo com a Constituição, a sharia não tem o mesmo pé de igualdade que a lei civil, mas na prática esse regulamento não vigora mais, o que é claramente visto em casos de divórcio e custódia. Às vezes, as decisões dos tribunais induzem os pais a se converterem ao islã, pois se pedirem a custódia de acordo com a sharia, ela será concedida a eles. A polícia prefere implementar a última decisão para ter menos problema.   

CENÁRIO RELIGIOSO 

A Constituição da Malásia define “malaio” como um seguidor do islamismo. Todo cidadão da etnia malaia é, portanto, entendido como muçulmano. 

Para as minorias religiosas, um ponto de tensão acontece na reivindicação de custódia em casos de divórcio entre religiões diferentes. A fim de reivindicar a custódia com sucesso, o parceiro que geralmente a perde (quase sempre o marido), converte-se rapidamente para o islamismo e apresenta um pedido aos tribunais que seguem a sharia (conjunto de leis islâmicas), que confiam a custódia à parte muçulmana. Em teoria, os tribunais civis estão acima dos tribunais islâmicos, mas, na prática, casos de divórcio com frequência não são decididos pela corte civil, mas pela da sharia (se um dos pais se converter ao islã), já que a polícia considera mais fácil deixar a decisão por conta deles. O governo prometeu encontrar uma solução para esse problema, mas falhou em conseguir. 

A islamização da sociedade está aumentando, embora essa questão não seja necessariamente uma questão política. Há também mais restrições que afetam os não muçulmanos. Por exemplo, durante o Ramadã (período de oração e jejum para os muçulmanos), as cantinas não servem comida a não muçulmanos. 

Os convertidos são o grupo que enfrenta a perseguição mais forte, já que todos os malaios étnicos são considerados muçulmanos. Quem se afasta disso não está indo apenas contra a Constituição, mas também contra a sociedade em geral e, claro, contra a família e a comunidade. Na verdade, todos os cristãos são observados tanto pelas autoridades como pelas ONGs, mas o foco mais forte é contra grupos protestantes não tradicionais, pois esses tendem a ser mais ativos em testemunhar sobre a fé.  

Quando a conversão ao cristianismo se torna conhecida na Malásia, o cristão é geralmente denunciado às autoridades islâmicas ou simplesmente expulso da comunidade. Cristãos de origem muçulmana são excluídos da ordem hereditária e é um problema para o cônjuge não muçulmano requerer a custódia dos filhos. No entanto, há casos em que cristãos ex-muçulmanos são aceitos pela família, que vem a conhecer Cristo também. Para os cristãos ex-hindus e ex-budistas, a pressão vem mais da família, pois o governo está mais preocupado com a conversão de muçulmanos.  

Há avisos frequentes de organizações e políticos muçulmanos malaios contra uma suposta agenda de cristianização. Um e-book com o título “Exposing the Christian Agenda” foi publicado na Malásia no período de pesquisa da LMP 2022 (1 de outubro de 2020 a 30 de setembro de 2021). O livro foi originalmente publicado em formato impresso em 2014. O texto dele simplesmente repete as velhas acusações de que os cristãos têm uma agenda missionária oculta. 

De acordo com o livro, que foi publicado sob a recomendação do Conselho Religioso Islâmico de Selangor, os muçulmanos não devem ser amigos dos cristãos porque os seguidores de Jesus são “inimigos do islã, sempre têm intenções maliciosas e são portadores de mentiras”. A igreja cristã é retratada como um movimento altamente astuto e organizado. Ao mesmo tempo em que esse e-book foi publicado, o arcebispo de Kuala Lumpur e um político cristão foram acusados ??de “cristianização”. 

Embora haja um departamento federal encarregado de promover a harmonia religiosa e proteger os direitos das minorias, como os cristãos, a diferença no tratamento dos assuntos é evidente. Como o Departamento de Estado dos Estados Unidos declara em relatório de 2020: “Muitas organizações religiosas, no entanto, continuaram a afirmar que nenhuma entidade tinha o poder e a influência dos assuntos islâmicos regulamentados, e elas citaram um grande orçamento para JAKIM, o órgão responsável pelo abate de animais conforme os preceitos muçulmanos, em comparação com o financiamento mais limitado para o Departamento de Unidade e Integração Nacional, cujo orçamento anual foi de aproximadamente 275 milhões de ringgit (68,41 milhões de dólares), enquanto 1,4 bilhões de ringgits (348,3 milhões de dólares) foram empregados para o desenvolvimento do islã apenas no JAKIM”.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

Em julho de 2015, o jornal americano Washington Post publicou um artigo alegando que cerca de 700 milhões de dólares foram transferidos para a conta privada do primeiro-ministro, em nome de um fundo estatal acusado de corrupção. Embora ele tenha conseguido efetivamente encerrar as investigações no país demitindo um deputado e o procurador-geral, as investigações internacionais na Suíça e outros países continuam há mais de dois anos. O novo governo decidiu retomar o caso e em algumas semanas registrou um caso contra Najib Razak e a esposa. Bens e quantias em dinheiro no valor de aproximadamente 273 milhões de dólares foram encontrados em várias propriedades pertencentes a Razak, quando houve uma busca por evidências, em junho de 2018.  

Razak foi considerado culpado de todas as sete acusações no julgamento SRC, em 28 de julho de 2020. Esse processo judicial foi amplamente visto como um teste decisivo (de alto nível) de quão seriamente a Malásia está lutando contra a corrupção. As consequências políticas desse processo judicial continuam a ser vistas, já que Razak ainda é uma figura central no partido UMNO, que está de volta ao poder. No entanto, a coalizão de governo do Perikatan Nasional (PN) pode perder sua pequena maioria, se Razak realmente for para a prisão (para se juntar a muitos outros membros e líderes do UMNO já atrás das grades). O progresso do caso foi adiado pela pandemia de COVID-19, que atrasou consideravelmente o sistema judiciário. Há um prenúncio de que a decisão do tribunal pode ser a devolução dos bens apreendidos em junho de 2018.  

Em termos de economia, a Malásia é conhecida como um dos “Tigres Asiáticos” e foi um estado rápido em crescimento e modernização. Ainda é um dos países econômica e politicamente mais estáveis do Sudeste Asiático, mas a crise de COVID-19 interrompeu grande parte do progresso e trouxe grandes desafios. A queda de 6,8% no PIB em 2020 atesta isso. Antes mesmo da chegada da pandemia, o custo de vida para muitas pessoas, incluindo a classe média, tornou-se muito alto. Consequentemente, o novo governo do PN tem tentado concentrar os esforços na abordagem do bem-estar dos 40% mais pobres da população.  

Esses esforços tiveram resultados mistos. Como o Banco Mundial diz em sua análise geral sobre o país: “A desigualdade de renda na Malásia continua alta em relação a outros países do Leste Asiático, mas está diminuindo gradualmente. Na última década, a diferença de renda absoluta entre os grupos sociais aumentou, contribuindo para a percepção generalizada de que os pobres são deixados para trás”. Deve-se notar que muitas das famílias mais pobres são de povos tribais que vivem no Leste da Malásia.  

A Malásia tem vastos recursos – inclusive petróleo. Como muito petróleo e gás se encontram nas águas próximas ao Leste do país, especialmente em Sarawak, espera-se para ver como uma divisão justa das receitas será alcançada.  

O novo governo do PN também pode usar isso como um penhor. Como primeiro passo, a petrolífera estatal da Malásia, Petronas, concordou em compartilhar uma receita maior para o estado de Sarawak. Sarawak é o único estado com população cristã majoritária. Outra mercadoria que os estados de Sarawak e Sabá estão exportando é madeira, um negócio cheio de corrupção, devastação ambiental e danos aos povos indígenas. 

Depois da Indonésia, a Malásia é o segundo maior exportador mundial de óleo de palma e tem sido significativamente desafiado pelos esforços europeus para reduzir e potencialmente proibir o uso da mercadoria por questões ambientais. Essa disputa deve ser analisada pela Organização Mundial do Comércio (OMC). 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Embora o Estado seja secular por definição, o islamismo tem uma forte influência na vida cotidiana. O sistema legal e as instituições políticas do país são fortemente influenciados pelo islamismo. Essa influência está crescendo, o que significa grande desvantagem para a minoria não muçulmana. 

Além disso, todas as crianças em escolas primárias são obrigadas a receber a educação islâmica. Nas escolas estaduais, apenas estudantes muçulmanos, incluindo cristãos ex-muçulmanos, devem participar de aulas islâmicas. 

Um pouco mais da metade da população é etnicamente malaia, cerca de um quarto é de origem chinesa, 11% são indígenas e cerca de 7% têm ascendentes indianos. O país viveu sérios conflitos étnicos em 1969, que ainda estão vivos na memória da população. A maioria dos malaios étnicos são muçulmanos e, juntamente com os povos indígenas (que muitas vezes não têm educação e vivem no Leste da Malásia), gozam de uma política que dá vantagens nas decisões relativas a cotas, subsídios, empréstimos e benefícios fiscais. 

As estatísticas em torno da questão da pobreza na Malásia são motivo de debate. Houve uma disputa em agosto de 2019, quando o Relator Especial da ONU afirmou que o nível da pobreza estava mais próximo de 16-20% em vez de 0,4% como alegado pelo governo. Quase um ano depois disso, o Relator Especial voltou a enfatizar suas críticas, afirmando que, de acordo com os números revistos do governo, uma família de quatro pessoas ainda precisa sobreviver com oito dólares por dia, o que é praticamente impossível, especialmente nas cidades.  

Em reação a isso, o governo do Perikatan Nasional (PN) adaptou os critérios e assim elevou a taxa de pobreza de 0,4% para 5,6%. Para 2020, e sob a influência da crise de COVID-19, o governo anunciou que a taxa aumentou para 8,4%. 

A COVID-19 aumentou o nível de pobreza mais nas regiões indígenas da Malásia Oriental do que na península, embora o impacto econômico seja fortemente sentido lá também. Não é, portanto, surpreendente que a Malásia tem o terceiro maior coeficiente GINI (que mede a desigualdade de renda), depois das Filipinas e Papua Nova Guiné, segundo dados do Banco Mundial. Há também uma taxa surpreendentemente alta de crianças desnutridas e atrofiadas. A maioria delas é da etnia bumiputra que vive no Leste da Malásia. A visão geral do Banco Mundial conclui: “A Malásia precisará avançar ainda mais em educação, saúde e nutrição e resultados de proteção. As principais áreas prioritárias incluem melhorar a qualidade da educação para melhorar os resultados da aprendizagem, repensar as intervenções nutricionais para reduzir atraso no crescimento e fornecer proteção social adequada para investimentos familiares em formação de capital humano”.  

Os comerciantes nestorianos e persas introduziram o cristianismo nas ilhas de Malaca no século 7, mas o cristianismo só começou a se espalhar com a chegada dos missionários católicos portugueses em 1511. Os britânicos assumiram Malaca em 1795 e a Sociedade Missionária de Londres foi fundada a partir de 1815. As igrejas foram estabelecidas principalmente para servir expatriados britânicos. Por acordo silencioso entre as autoridades britânicas e o sultão, o trabalho missionário entre os muçulmanos não era permitido. Assim, os missionários concentraram-se em tribos animistas. Devido a uma mudança de política do governo, a maioria dos missionários teve que deixar o país até o final da década de 1970, mas a igreja continuou a crescer, especialmente no Leste da Malásia. 

Para entender melhor o cristianismo na Malásia, é necessária uma explicação adicional. Nesse país, é mais útil fazer distinções de acordo com a distribuição e origem geográfica da população. A maioria dos cristãos vem da etnia bumiputra, que significa “filho do solo”. Portanto, eles pertencem ao país e provêm de uma população tribal indígena. Do ponto de vista do governo, eles se qualificam para benefícios estatais, como casas com desconto, bolsas de estudo, etc., mas na prática isso só se aplica enquanto os bumiputra não são cristãos. Se eles se tornam cristãos, seus privilégios são rapidamente retirados. 

Os cristãos não bumiputra vêm principalmente das minorias étnicas chinesas e indianas e são divididos em diferentes denominações, variando em tamanho, de igrejas domésticas a mega igrejas. A distribuição geográfica também é importante. A maioria dos cristãos bumiputra vive nos estados de Sabá e Sarawak; o último ainda mantém uma maioria cristã. Esses estados estão no Leste da Malásia e estão situados na Ilha de Bornéu, que é compartilhada com Brunei e Indonésia. Para complicar a situação, muitos bumiputra estão migrando para o Oeste da Malásia por razões educacionais ou econômicas, onde é especialmente difícil para eles permanecerem fiéis à fé cristã. 

Os cristãos malaios ex-muçulmanos completam a imagem da igreja na Malásia. Esses cristãos enfrentam um alto nível de perseguição, uma vez que eles não apenas deixam a fé, pois essa decisão é vista como traição contra a própria etnia e nação. 

Cada malaio tem uma carteira de identidade emitida pelo Departamento Federal de Registro na qual a religião é marcada. Uma vez que um cidadão é registrado como muçulmano, isso só pode ser mudado após longos processos judiciais – com poucas chances de sucesso. A Malásia parece ser o único país no mundo onde conversão religiosa altera a etnicidade também. Há relatos de casos de filhos de nativos convertidos que repentinamente professaram ser malaios muçulmanos, sendo que sua etnia real é outra. Quando perguntados por que fizeram isso, responderam: “Porque nossos professores muçulmanos nos falaram para fazer”. O Departamento de Registro também emite certificado de óbito. Se a carteira de identidade do morto o identifica como muçulmano, as autoridades informam os líderes muçulmanos. Se os ritos de velório não são realizados em conformidade com o islã, as autoridades muçulmanas têm o direito de tirar o corpo da família não muçulmana para que rituais islâmicos sejam realizados. 

Cristãos ex-muçulmanos podem ser forçados a se divorciar e assim perderem seus direitos. Fazer um batismo, casamento ou funeral cristãos pode ser muito difícil ou mesmo impossível. Os convertidos podem ser isolados das famílias, expulsos de casa ou enviados para campos de purificação (ou reeducação) islâmica. Filhos de convertidos precisam participar das aulas de islamismo na escola e há relatos de que são pressionados a se converter ao islã. 

Alguns cristãos de tribos indígenas voltam ao islamismo porque são enganados. Para receber ajuda financeira do governo, alguns deles entregaram a carteira de identidade e assinaram um formulário sem saber que era uma declaração de conversão ao islamismo. Quando receberam seu documento de volta, perceberam que a religião havia sido mudada. Quanto tentaram reverter isso, o Departamento Federal de Registro disse que só poderia mudar com aprovação dos tribunais da sharia (conjunto de leis islâmicas), o que seria impossível de obter. 

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