46

Malásia

MY
Malásia
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, paranoia ditatorial
  • Capital: Kuala Lumpur
  • Região: Leste e Sudeste Asiático
  • Líder: Abdullah Sultan Ahmad Shah
  • Governo: Monarquia constitucional
  • Religião: Islamismo, cristianismo, hinduísmo, budismo, confucionismo, taoísmo e outras religiões tradicionais chinesas
  • Idioma: Bahasa malaio, inglês, chinês, tâmil, telugo, malabar, panjabi, tailandês e dialetos
  • Pontuação: 63


POPULAÇÃO
32,8 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
2,9 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos na Malásia? 

Na Malásia, o governo e grupos religiosos monitoram igrejas, e é ilegal compartilhar o evangelho com muçulmanos malaios. Convertidos do islamismo ao cristianismo experimentam a maior perseguição, já que todos os malaios étnicos devem ser muçulmanos. Esses cristãos são frequentemente forçados a esconder a fé e se encontrar em segredo. Se descobertos, eles podem enfrentar o divórcio do cônjuge, a rejeição da família – ou até mesmo correr o risco de serem enviados para um campo de reeducação.   

É por isso que para os seguidores de Cristo malaios a pressão é mais extrema nas esferas da vida familiar e comunidade. Quem deixa o islã não está apenas indo contra a Constituição da Malásia, mas também contra a sociedade em geral – o que coloca os cristãos contra os próprios familiares e vizinhos.   

No entanto, além do sequestro de alguns cristãos nos últimos anos, a perseguição raramente tem sido violenta na Malásia. O pastor Joshua Hilmy e sua esposa Ruth estão desaparecidos há mais de três anos, depois que foram sequestrados em sua casa no estado de Selangor. O pastor Raymond Koh foi sequestrado enquanto dirigia em uma estrada movimentada na cidade de Petaling Jaya e está desaparecido desde fevereiro de 2017. Seu paradeiro ainda é desconhecido e, de acordo com as conclusões da Comissão de Direitos Humanos do país, o braço especial da polícia da Malásia estava envolvido no sequestro. 

“Quando era muçulmana, orava cinco vezes por dia durante minha adolescência para agradar meus pais. Lia e recitava o Alcorão e jejuava. Mas eu nunca tinha experimentado nada como [Cristo] antes.” 

Aina, cristã perseguida no Sudeste Asiático 

O que mudou este ano? 

Apesar da Malásia ter caído seis posições na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2021 em relação à LMP 2020, a realidade da perseguição no país permaneceu praticamente inalterada. Embora houvesse alguma esperança de uma nova abertura na Malásia após as eleições de 2018, em grande medida isso não aconteceu. As esperanças que vieram com o novo governo e o aparente compromisso com mais liberdade religiosa foram substituídas por decepção, e a perseguição contra os seguidores de Jesus não mudou muito.     

Quem persegue os cristãos na Malásia? 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Malásia são: opressão islâmica, paranoia ditatorial. 

Já as “fontes de perseguição são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na Malásia são: líderes de grupos étnicos, líderes religiosos não cristãos, parentes, grupos de pressão ideológica, oficiais do governo, partidos políticos. 

Quem é mais vulnerável à perseguição na Malásia? 

Não há focos de perseguição aos cristãos na Malásia. No entanto, existe um forte trabalho missionário islâmico entre os cristãos na Malásia Oriental – especialmente entre o povo bumiputra. À medida que o número de muçulmanos migrantes cresceu na região, especificamente no estado de Sabah, a afiliação religiosa da área deixou de ser de maioria cristã há vários anos.   

Como as mulheres são perseguidas na Malásia? 

Na Malásia, os direitos legais das mulheres e meninas são minados por disposições que fazem exceções à sharia. Organizações da sociedade civil afirmaram em um relatório da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres de fevereiro de 2018 que as mulheres muçulmanas agora gozam de muito menos direitos no casamento, divórcio, tutela dos filhos e herança do que seus parceiros não muçulmanos. O relatório também afirmou: Outras áreas de discriminação grosseira contra mulheres sob as Leis da Família Islâmica incluem divórcio, poligamia e casamento infantil 

Essas leis abrem caminhos para vulnerabilidade das mulheres que se convertem do islamismo ao cristianismo, sendo a mais prevalente a ameaça de abuso sexual e/ou casamento forçado com um muçulmano. Uma vez que a idade mínima legal para o casamento nas Leis da Família Islâmica (16 anos para mulheres) pode ser reduzida com o consentimento de um juiz da sharia, é possível que crianças se casem. Essa lei pode tornar as meninas que se convertem ao cristianismo muito mais vulneráveis. O governo federal tentou agir contra casamentos infantis, mas encontrou a resistência dos estados federais muçulmanos conservadores. Em alguns casos, jovens cristãs são sequestradas e registradas como muçulmanas.  

Essa é uma tática eficaz porque uma vez que as mulheres cristãs são registradas como muçulmanas, não há mecanismo para reverter isso, mesmo em caso de divórcio. Além disso, todas as crianças nascidas como resultado desse chamado casamento também são legalmente consideradas muçulmanas. Acredita-se que um pequeno número de convertidos tenha fugido ou se escondido para evitar esse tipo de retaliação familiar religiosamente motivada.  

Como os homens são perseguidos na Malásia? 

Apesar da abolição da Lei de Segurança Interna de 1960 (ISA, da sigla em inglês) em 2012, qualquer pessoa suspeita de violar a segurança interna corre o risco de ser interrogada, independentemente de raça ou religião. Esse risco é alto para os cristãos devido ao medo latente de que eles estejam em uma missão para cristianizar a Malásia, uma alegação repetida diversas vezes pelos interessados. Esse risco de interrogatório afeta mais os homens do que as mulheres, já que as mulheres geralmente não são vistas como líderes na sociedade malaia. A perseguição típica que impacta os homens cristãos vem na forma de bullying nas mãos da justiça ou monitoramento por autoridades religiosas.  

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Malásia? 

Dadas as restrições crescentes que o governo e a sociedade malaia colocam sobre as igrejas locais e cristãos ex-muçulmanosa Portas Abertas pede orações dos cristãos em todo o mundo em favor da Malásia. Orações são especialmente necessárias para novos convertidos que estão sedentos por crescimento espiritual e comunhão. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente.  



Pedidos de oração da Malásia 

  • Ore por cristãos que procuram se encontrar em segredo. Peça a Deus para lhes dar períodos significativos de adoração e comunhão – juntamente com a proteção que eles precisam para se reunir em segurança.   
  • Clame pela liberdade religiosa em toda a Malásia. Hoje, é ilegal compartilhar o evangelho com muçulmanos malaios – e também é ilegal que os muçulmanos malaios se convertam do islamismo para o cristianismo.  
  • Interceda pelos seguidores de Cristo malaios que deixaram o islã e são muitas vezes isolados pelos familiares por escolherem Jesus. Peça a Deus que lhes dê uma graça especial e que eles saibam e sintam que nunca estão sozinhos.   
  • Ore por sabedoria e ousadia para os líderes da igreja enquanto eles lideram o povo em discipulado. Peça a Deus que dê aos cristãos malaios unidade e força para viver a fé em meio a cada provação que enfrentam.  

Um clamor pela Malásia 

Querido pai, pedimos que derrube as fortalezas que procuram conter as boas-novas de Jesus na Malásia. Por favor, forneça uma maneira de mais pessoas ouvirem o evangelho, recebê-lo e encontrarem verdadeira esperança no Senhor. Fortaleça a igreja, Senhor, e prepare-a para o trabalho que o Senhor estabeleceu para ela fazer. Oramos para que seu reino aumente na Malásia de uma maneira poderosa e mostre a muitos muçulmanos malaios quem Cristo é. Pedimos tudo isso em seu santo nome, Jesus. Amém.   

Em surpreendente eleição em 9 de maio de 2018, o partido no governo da Malásia desde a independência em 1957 (Organização Nacional de Malaios Unidos, UMNO) foi derrotado pela coalizão de oposição Pakatan Harapan. Isso aconteceu apesar da definição controversa da área dos distritos eleitorais e decisões tomadas pelas autoridades eleitorais beneficiando a UMNO. A campanha do governo foi racista e étnica, tentando jogar também com questões religiosas, despertando o medo no eleitorado de que o partido de oposição tinha o objetivo oculto de cristianizar o país. 

Mesmo os insultos feitos pela UMNO contra porta-vozes de políticos cristãos não tiveram sucesso para prevenir que a UMNO não fosse eliminada. O novo governo tem dificuldade para entregar as promessas e enfrenta uma oposição malaia-muçulmana unificada, já que a UMNO e o Partido Islâmico da Malásia (PAS, da sigla em inglês) decidiram unir forças formalmente. Resta ver se esse acordo se manterá a longo prazo. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Depois que a oposição ganhou as eleições, em maio de 2018, o ex-primeiro-ministro Najib Razak foi detido, acusado de envolvimento em um dos maiores casos de corrupção do mundo e aguarda processo judicial. 

O novo governo anunciou sua intenção de rever a Lei de Sedição e Segurança Nacional, que tem sido usada contra qualquer um que critique o governo de Najib Razak, em particular. O primeiro passo foi tentar revogar a “lei de fake news”, em agosto de 2018. Entretanto, apenas em outubro de 2019, o governo conseguiu revogar a controversa lei. 

Vozes radicais islâmicas ainda rodeiam e a sociedade malaia está definitivamente se islamizando mais, mas o governo tem outras prioridades a serem trabalhadas. O atual governo está focando em questões econômicas e orçamentárias e em resolver os casos de corrupção. 

Embora o lema do governo seja “uma Malásia”, a maioria dos observadores concorda que não há apenas “uma Malásia” na prática. A antiga prática de discriminação contra minorias étnicas não malaias continua. Devido a políticas que continuam a favorecer a maioria étnica malaia, os cidadãos chineses e indianos enfrentam desvantagens explícitas nos escritórios públicos, na burocracia estatal, nas empresas públicas e nas Forças Armadas. É necessário um programa político que promova a unidade, mas é difícil de implementar. No entanto, o novo governo enviou um claro sinal ao nomear dois cristãos para altos cargos judiciais e um chinês como ministro das Finanças. 

Nota-se que a Malásia é uma monarquia singular no mundo: ela não é baseada em uma pessoa, mas é um ofício que é compartilhado entre os nove sultões regionais, revezando o poder entre eles a cada cinco anos. Esses líderes islâmicos detêm uma posição de muito poder. Em princípio, eles devem respeitar as decisões dos órgãos eleitorais, mas na verdade eles podem influenciar todas as decisões, já que nas questões relativas ao islamismo eles também têm poder de veto. Até agora, eles escolheram uma posição moderada na maioria dos casos e têm se oposto a demandas por mais islamização. 

Legislação e governo  

Em uma longa espera pela decisão, a Corte Federal decidiu que a conversão de crianças menores de 18 anos precisa do consentimento de ambos os pais. O governo anterior, entretanto, decidiu estabelecer um departamento especial chamado “Divisão de Justiça da Sharia e Harmonização” para resolver questões pertencentes ao islamismo e à sharia, que ocorre em níveis federais e internacionais. Como o novo governo irá lidar com essa questão altamente política pode dar uma indicação da direção que será garantida às minorias. 

De acordo com uma pesquisa, 84,3% dos malaios sentem que a relação entre o governo e as pessoas é semelhante à que existe entre um pai e uma criança. Portanto, é certo dizer que os cidadãos malaios preferem o paternalismo à abertura do país. Esse desejo de ser protegido e seguro se reflete na eleição do ex-primeiro-ministro Mohamed Mahathir, que se tornou o chefe de governo eleito mais velho do mundo, aos 93 anos de idade. Estamos longe de saber agora se ele está disposto e será capaz de parar o unilateralismo dos políticos malaios e evitar usar a etnia ou a religião como trunfos no jogo político. 

O novo governo enfrenta desafios em diversas frentes e a maior tarefa, sem dúvida, será cumprir as expectativas econômicas, apesar do orçamento restrito. Já que o novo governo colocou em seus escalões mais não muçulmanos (incluindo cristãos) que nunca antes, eles podem ser usados como bodes expiatórios se a situação ficar difícil. 

O ano de 2018 sempre será lembrado como o momento em que o eleitorado descobriu seu poder na Malásia. Entretanto, há pelos menos duas razões por que pouco deve mudar para a minoria cristã com o novo governo no poder. A primeira é que, apesar de Mahathir se opor aos políticos que introduziram a lei da sharia no estado de Kelantan, ele mesmo foi responsável por introduzir a “política de ação afirmativa” para malaios e não mudará isso. Em segundo, ele anunciou que quer limitar a influência econômica chinesa, o que também afetará a população cristã.  

Pela lei, muçulmanos malaios não têm permissão de se converter a outra religião em nenhum estado, exceto Sarawak. O Partido Islâmico Malaio (PAS) quer que haja pena de morte por apostasia, mas até agora não foi bem-sucedido em seus esforços. Os cristãos ex-muçulmanos não podem participar de nenhuma atividade pública da igreja, porque se o fizerem correm o risco de serem pegos pelas autoridades e a igreja enfrentará sérias consequências por recebê-los. Portanto, cristãos ex-muçulmanos se reúnem secretamente em diferentes casas, longe dos olhos do governo, da comunidade e das igrejas registradas. 

Os cristãos e o islamismo  

Consequentemente, eles têm que ser muito cuidadosos no modo como adoram, principalmente se são os únicos cristãos na família. Bíblias e outros materiais cristãos têm que ser escondidos cuidadosamente e só podem ser lidos com muita precaução, pois famílias muçulmanas devotas não aceitam isso. Como os cristãos ex-muçulmanos são considerados apóstatas, é muito arriscado para eles revelarem a fé, pois serão punidos ou enviados para um centro de purificação islâmica, onde são pressionados a retornar ao islã. Sabe-se que convertidos desapareceram de uma hora para outra sem que ninguém saiba seu paradeiro. 

Basicamente, essa política exclui os cidadãos com origem chinesa ou indiana (a maior parte dos cristãos vem das minorias não malaias). A Constituição proíbe os malaios de se converterem a outras religiões e limita a propagação de religiões não muçulmanas.  

A Malásia carrega a imagem de ser um dos melhores modelos mundiais de país islâmico liberal e tolerante. No entanto, essa imagem tem se desgastado ao longo dos anos. Um exemplo disso é o esforço contínuo do governo em introduzir a sharia (conjunto de leis islâmicas) no estado de Kelantan. O partido muçulmano conservador, PAS, que governa o estado, pediu, novamente, a implementação da lei imediatamente após as eleições de maio de 2018. 

De acordo com a Constituição, a sharia não tem o mesmo pé de igualdade que a lei civil, mas na prática esse regulamento não vigora mais, o que é claramente visto em casos de divórcio e custódia. Às vezes, as decisões dos tribunais induzem os pais a se converterem ao islã, pois se pedirem a custódia de acordo com a sharia, ela será concedida a eles. A polícia prefere implementar a última decisão para ter menos problema. 

Desenvolvimentos recentes 

A proibição de usar a palavra “Alá” para Deus na língua bahasa-malaia — implementada contra um jornal cristão — que foi sancionada pela Alta Corte em janeiro de 2015 está sendo seguida em outros casos. Depois de 13 anos decidindo se os não muçulmanos, especialmente os cristãos que vivem no Leste da Malásia, podem usar a palavra “Alá” como referência a Deus, a Alta Corte da Malásia decidiu que os cristãos em todo o país estão agora autorizados a usar a palavra “Alá” e três outras palavras árabes: baitullah (casa de Deus), kaabah (o lugar mais sagrado do islã em Meca) e salat (oração), em publicações religiosas para fins educacionais. 

O novo governo permitiu a Comissão de Direitos Humanos da Malásia, Suhakam, atuar como órgão consultivo e preparar um relatório sobre o desaparecimento do pastor Raymond Koh, que foi sequestrado em plena luz do dia por desconhecidos em 13 de fevereiro de 2017. De acordo com relatos da mídia, esse sequestro poderia ser vinculado a alegações de que ele estava ativo na conversão de muçulmanos. Entretanto, um informante da polícia se recusou a testemunhar em público depois de alegar, em maio de 2018, que as forças especiais da polícia tinham cuidado do sequestro. 

A Suhakam publicou suas conclusões e decisões finais sobre o assunto dizendo que o júri teve a opinião unânime de que o pastor Raymond Koh foi vítima de desaparecimento forçado e que provavelmente foi sequestrado por agentes do Estado. Após essa decisão, o Ministério do Interior da Malásia estabeleceu uma força-tarefa especial para investigar o desaparecimento forçado do pastor. Porém, o governo não levou em consideração as sugestões da família de incluir um membro da Comissão Anticorrupção da Malásia (Bar Council) e um representante de uma ONG na força-tarefa. Ao invés disso, a força-tarefa é composta por antigos e atuais policiais, um dos quais participou da audiência da Suhakam. 

Além disso, o Ministério também anunciou que investigaria o caso do ativista Amri Che Mat primeiro e retardaria o caso do pastor Koh, devido a um caso pendente contra Lam Chang Nam, acusado de extorquir o filho do pastor Koh. Segundo os advogados, os casos não estão relacionados e deveriam ser analisados paralelamente.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

A Constituição da Malásia define “malaio” como um seguidor do islamismo. Todo cidadão da etnia malaia é, portanto, entendido como muçulmano. Diante disso, os cristãos ex-muçulmanos são o grupo que enfrenta a perseguição mais forte, pois quem se afasta do islã não está indo apenas contra a Constituição, mas também contra a sociedade em geral e, claro, contra a família e a comunidade. Na verdade, todos os cristãos são observados tanto pelas autoridades como pelas ONGs, mas o foco mais forte é contra grupos protestantes não tradicionais, pois esses tendem a ser mais ativos em testemunhar sobre a fé.  

Quando a conversão ao cristianismo se torna conhecida na Malásia, o cristão é geralmente denunciado às autoridades islâmicas ou simplesmente expulso da comunidade. Cristãos ex-muçulmanos são excluídos da ordem hereditária e é um problema para o cônjuge não muçulmano requerer a custódia dos filhos. No entanto, há casos em que cristãos ex-muçulmanos são aceitos pela família, que se converte a Cristo também. Para os cristãos ex-hindus e ex-budistas, a pressão vem mais da família, pois o governo está mais preocupado com a conversão de muçulmanos.  

Para as minorias religiosas, um ponto de tensão acontece na reivindicação de custódia em casos de divórcio entre religiões diferentes. A fim de reivindicar a custódia com sucesso, o parceiro que geralmente a perde (quase sempre o marido), converte-se rapidamente para o islamismo e apresenta um pedido aos tribunais que seguem a sharia (conjunto de leis islâmicas), que confiam a custódia à parte muçulmana. Em teoria, os tribunais civis estão acima dos tribunais islâmicos, mas, na prática, casos de divórcio com frequência não são decididos pela corte civil, mas pela da sharia (se um dos pais se converter ao islã), já que a polícia considera mais fácil deixar a decisão por conta deles. O governo prometeu encontrar uma solução para esse problema, mas falhou em conseguir. 

A islamização da sociedade está aumentando, embora essa questão não seja necessariamente uma questão política. Há também mais restrições que afetam os não muçulmanos. Por exemplo, durante o Ramadã (mês de oração e jejum para os muçulmanos), os restaurantes não servem comida a não muçulmanos. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

Em julho de 2015, o jornal americano Washington Post publicou um artigo alegando que cerca de 700 milhões de dólares foram transferidos para a conta privada do primeiro-ministro, em nome de um fundo estatal acusado de corrupção. Embora ele tenha conseguido efetivamente encerrar as investigações no país demitindo um deputado e o procurador-geral, as investigações internacionais na Suíça e outros países continuam. 

O novo governo decidiu retomar o caso e em algumas semanas registrou um caso contra Najib Razak e a esposa. Bens e quantias em dinheiro no valor de aproximadamente 273 milhões de dólares foram encontrados em várias propriedades pertencentes a Razak quando houve uma busca por evidências, em junho de 2018. A nova oposição e a liderança da UMNO também estão enfrentando acusações de corrupção e, enquanto as investigações continuam, detalhes estão sendo revelados. 

Em termos de economia, a Malásia é um Estado de rápido crescimento e modernização. É um dos países econômica e politicamente mais estáveis do Sudeste Asiático, embora o novo governo enfrente vários desafios. O custo de vida se tornou muito alto, inclusive para a classe média, então a taxa de bens e serviço foi abolida, fazendo um buraco no orçamento do país. Grandes projetos de infraestrutura foram pausados ou cancelados, dificultando as relações com os vizinhos Singapura e China. 

A Malásia tem vastos recursos — inclusive petróleo. Como muito petróleo e gás se encontram nas águas próximas ao Leste do país, especialmente em Sarawak, espera-se para ver como uma divisão justa das receitas será alcançada. 

A crise da COVID-19 trouxe o objetivo do país de alcançar o status de “alta renda”, como classificado pelo Banco Mundial, para uma suspensão temporária e espera-se que a economia decline.

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Embora o Estado seja secular por definição, o islamismo tem uma forte influência na vida cotidiana. O sistema legal e as instituições políticas do país são fortemente influenciados pelo islamismo. Essa influência está crescendo, o que significa grande desvantagem para a minoria não muçulmana. 

Além disso, todas as crianças em escolas primárias são obrigadas a receber educação islâmica. Nas escolas estaduais, apenas estudantes muçulmanos, incluindo cristãos ex-muçulmanos, devem participar de aulas islâmicas. 

Um pouco mais da metade da população é etnicamente malaia, cerca de um quarto é de origem chinesa, 11% são indígenas e cerca de 7% têm ascendentes indianos. O país viveu sérios conflitos étnicos em 1969, que ainda estão vivos na memória da população. A maioria dos malaios étnicos são muçulmanos e, juntamente com os povos indígenas (que muitas vezes não têm educação e vivem no Leste da Malásia), gozam de uma política que dá vantagens nas decisões relativas a cotas, subsídios, empréstimos e benefícios fiscais. 

Há uma classe média crescente e a pobreza foi reduzida e agora está em um dos níveis mais baixos de todos os países do Sudeste Asiático. As chances de aumentar a prosperidade parecem promissoras. Entretanto, deve-se notar que a pobreza está muito mais concentrada em regiões indígenas no Leste da Malásia do que na península. 

Os comerciantes nestorianos e persas introduziram o cristianismo nas ilhas de Malaca no século 7, mas o cristianismo só começou a se espalhar com a chegada dos missionários católicos portugueses em 1511. Os britânicos assumiram Malaca em 1795 e a Sociedade Missionária de Londres foi fundada a partir de 1815. As igrejas foram estabelecidas principalmente para servir expatriados britânicos.  

Por acordo silencioso entre as autoridades britânicas e o sultão, o trabalho missionário entre os muçulmanos não era permitido. Assim, os missionários concentraram-se em tribos animistas. Devido a uma mudança de política do governo, a maioria dos missionários teve que deixar o país até o final da década de 1970, mas a igreja continuou a crescer, especialmente no Leste da Malásia. 

Para entender melhor o cristianismo na Malásia, é necessária uma explicação adicional. Nesse país, é mais útil fazer distinções de acordo com a distribuição e origem geográfica da população. A maioria dos cristãos vem da etnia bumiputra, que significa “filho do solo”. Portanto, eles pertencem ao país e provêm de uma população tribal indígena. Do ponto de vista do governo, eles se qualificam para benefícios estatais, como casas com desconto, bolsas de estudo etc., mas na prática isso só se aplica enquanto os bumiputra não são cristãos. Se eles se tornam cristãos, seus privilégios são rapidamente retirados. 

Os cristãos não bumiputra vêm principalmente das minorias étnicas chinesas e indianas e são divididos em diferentes denominações, variando em tamanho, de igrejas domésticas a mega igrejas. A distribuição geográfica também é importante. A maioria dos cristãos bumiputra vive nos estados de Sabá e Sarawak; o último ainda mantém uma maioria cristã. Esses estados estão no Leste da Malásia e estão situados na Ilha de Bornéu, que é compartilhada com Brunei e Indonésia. Para complicar a situação, muitos bumiputra estão migrando para o Oeste da Malásia por razões educacionais ou econômicas, onde é especialmente difícil para eles permanecerem fiéis à fé cristã. 

Os cristãos malaios ex-muçulmanos completam a imagem da igreja na Malásia. Esses cristãos enfrentam um alto nível de perseguição, pois essa decisão é vista como traição contra a própria etnia e nação. 

Cada malaio tem uma carteira de identidade emitida pelo Departamento Federal de Registro na qual a religião é marcada. Uma vez que um cidadão é registrado como muçulmano, isso só pode ser mudado após longos processos judiciais — com poucas chances de sucesso. A Malásia parece ser o único país no mundo onde conversão religiosa altera a etnicidade também.  

Há relatos de casos de filhos de nativos convertidos que repentinamente professaram ser malaios muçulmanos, sendo que sua etnia real é outra. Quando perguntados por que fizeram isso, responderam: “Porque nossos professores muçulmanos nos falaram para fazer”. O Departamento de Registro também emite certificado de óbito. Se a carteira de identidade do morto o identifica como muçulmano, as autoridades informam os líderes muçulmanos. Se os ritos de velório não são realizados em conformidade com o islã, as autoridades muçulmanas têm o direito de tirar o corpo da família não muçulmana para que rituais islâmicos sejam realizados. 

Cristãos ex-muçulmanos podem ser forçados a se divorciar e assim perderem seus direitos. Fazer um batismo, casamento ou funeral cristãos pode ser muito difícil ou mesmo impossível. Os cristãos ex-muçulmanos podem ser isolados das famílias, expulsos de casa ou enviados para campos de purificação (ou reeducação) islâmica. Filhos de convertidos precisam participar das aulas de islamismo na escola e há relatos de que são pressionados a se converter ao islã. 

Alguns cristãos de tribos indígenas voltam ao islamismo porque são enganados. Para receber ajuda financeira do governo, alguns deles entregaram a carteira de identidade e assinaram um formulário sem saber que era uma declaração de conversão ao islamismo. Quando receberam seu documento de volta, perceberam que a religião havia sido mudada. Quanto tentaram reverter isso, o Departamento Federal de Registro disse que só poderia mudar com aprovação dos tribunais da sharia (conjunto de leis islâmicas), o que seria impossível de obter. 

Em termos de economia, a Malásia é um Estado de rápido crescimento e modernização

Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

Instagram

© 2021 Todos os direitos reservados

INÍCIO
LISTA MUNDIAL
DOE