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México

MX
México
  • Tipo de Perseguição: Corrupção e crime organizado, opressão do clã, intolerância secular
  • Capital: Cidade do México
  • Região: América Latina
  • Líder: Andres Manuel Lopez Obrador
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Cristianismo
  • Idioma: Espanhol, línguas indígenas
  • Pontuação: 65


POPULAÇÃO
135,4 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
129,6 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos no México? 

No México, há grupos criminosos que lutam pelo controle territorial. Os cristãos locais são contra as ações criminosas e violentas deles e, por isso, correm o risco constante de serem eliminados.  

Em comunidades indígenas rurais, qualquer pessoa que abandone as crenças religiosas tradicionais pode enfrentar rejeição e punição em forma de multa, prisão e deslocamento forçado. 

Já em cidades maiores, os cristãos que se apegam às visões bíblicas tradicionais sobre questões como aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo, direitos dos pais e liberdade religiosa são menos tolerados. As leis de não discriminação significam que quaisquer ligações entre a fé cristã e a política são submetidas a uma investigação jurídica muito rigorosa. 

“É difícil ver a situação dos cristãos deslocados das comunidades. Eles saem sem nada além do que estão vestindo, sem dinheiro ou ninguém para lutar por eles. Ver de perto a dor, a angústia e a privação me dão vontade de defendê-los.” 

María Hernandez, advogada de um líder cristão perseguido 

O que mudou este ano? 

A pandemia da COVID-19 aumentou a instabilidade sociopolítica e reforçou o domínio territorial dos grupos criminosos. Isso também aumentou a vulnerabilidade da população e a violência contra os cristãos.   

Além disso, as autoridades de comunidades indígenas se sentiram encorajadas a agirem contra os cristãos que se recusavam a aderir aos costumes tradicionais da comunidade. Está cada vez mais difícil para os seguidores de Jesus expressar a fé publicamente.  

Quem persegue os cristãos no México 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no México são: corrupção e crime organizado, opressão do clã e intolerância secular.  

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos no México são: redes criminosas, oficiais do governo, partidos políticos, líderes de grupos étnicos, líderes religiosos não cristãos, cidadãos e quadrilhas, parentes, grupos de pressão ideológica. 

Quem é mais vulnerável à perseguição no México? 

As igrejas mexicanas são vistas como ameaça pelas redes criminosas espalhadas pelo país. Os estados do Sul são as principais áreas onde há opressão do clã, violando os direitos dos cristãos dentro das comunidades indígenas. Muitos edifícios cristãos foram vandalizados por aqueles que têm um compromisso radical com o secularismo e se opõem a quaisquer valores do Reino de Deus.  

Como as mulheres são perseguidas no México? 

Embora nenhuma lei nacional específica coloque mulheres e meninas em risco, elas enfrentam desafios relacionados ao aumento da violência familiar, principalmente durante a crise de COVID-19.  

Nas comunidades indígenas, o casamento forçado ainda é uma tradição cultural, apesar dos esforços do governo para erradicá-lo. As meninas cristãs podem ser forçadas a se casar com homens indígenas não cristãos na tentativa de pressioná-las a renunciar à fé. A violência e o abuso também podem ser usados contra elas com o mesmo objetivo.  

O México tem a maior taxa de tráfico de pessoas do mundo e as mulheres são alvos fáceis para os grupos armados ilegais recrutarem ou sequestrarem. Em comunidades onde os seguidores de Jesus não são aceitos ou bem-vindos, as cristãs podem ter o acesso aos serviços de saúde negado. 

Como os homens são perseguidos no México? 

Por causa da violência contínua e do crime organizado, o risco de homens e meninos serem mortos no México é alto. Nas áreas controladas por grupos criminosos ou cartéis de drogas, os jovens são expostos a doutrinação e recrutamento forçado. Alguns aceitam isso como um destino inevitável devido as suas circunstâncias econômicas e sociais. 

Aqueles que não o aceitam, por motivos de fé cristã ou outros, são ameaçados, sequestrados e até assassinados. As famílias também são intimidadas a forçar os filhos a obedecer às gangues.  

Os homens cristãos são o principal alvo de ameaças por cartéis e outros grupos violentos para que o medo atinja também as famílias e a comunidade e elas se sintam intimidadas. Os líderes religiosos nas igrejas são atacados pelo mesmo motivo. Alguns também são vítimas de extorsão porque se presume que eles tenham acesso a dinheiro arrecadado pela igreja. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos no México? 

A Portas Abertas está envolvida em pesquisa e comunicação para aumentar a conscientização sobre a Igreja Perseguida no México e ajudar os cristãos a lidar com a perseguição. Também encoraja a defesa de direitos para resolver as raízes da perseguição nos níveis local, federal e regional. Além de desenvolver treinamento com o objetivo de conscientizar e preparar a igreja mexicana para responder biblicamente à perseguição. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos no México? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente. 

Pedidos de oração do México 

  • Ore pelos cristãos que enfrentam escolhas difíceis quando confrontados com a violência de grupos criminosos onde moram. Peça que Deus dê sabedoria e coragem para enfrentá-las de uma forma que honre a Cristo. 
  • Clame pelos que seguem a Jesus e vivem excluídos em comunidades indígenas. Que eles sejam influência positiva para mudar o curso da perseguição. 
  • Interceda para que as pessoas respeitem e entendam os cristãos que se posicionam sobre questões sociais e para que os ouvintes sejam impactados e se acheguem a Deus.  

Um clamor pelo México 

Pai, a violência tem impactado a todos no México e mobiliza os cristãos a amar e orar pelo país. Dê-lhes clareza ao enfrentarem perseguição e proteja as famílias de ameaças. Que os cristãos indígenas tenham coragem de manter a fé em Jesus, mesmo quando as aldeias se voltarem contra eles. Fortaleça-os por meio da comunhão entre os irmãos, que sejam influentes por meio do testemunho ao seguirem os padrões bíblicos e sábios e persuasivos nas palavras. Em nome de Jesus, amém. 

Em 16 de setembro de 1810, o padre católico romano, Miguel Hidalgo, chamou os exércitos que desencadearam a guerra da independência mexicana. Em 27 de setembro de 1821, o Exército das Três Garantias entrou na Cidade do México e o Ato da Independência do Império Mexicano foi assinado no dia seguinte, mas não foi reconhecido pelo governo espanhol até 1836. Em outubro de 1824, Guadalupe Victoria foi declarado o primeiro presidente do México. 

Após o mandato de Enrique Peña Nieto, de 2012 a 2018, um dos governos pertencentes ao Partido Revolucionário Institucional (PRI) mais criticado na história republicana, uma nova liderança surgiu. Andrés Manuel López Obrador (AMLO) venceu as eleições presidenciais em julho de 2018, estabelecendo um marco na política mexicana. Ele é o primeiro presidente que não pertence ao PRI ou ao Partido de Ação Nacional (PAN), e foi eleito com o maior número de votos da história. Ele concorreu como líder da coalisão eleitoral Movimento Regeneração Nacional (MORENA) e desfruta de amplo apoio dos cristãos. Desde que AMLO assumiu a posição, ele prometeu combater a corrupção, mas tem enfrentado aumento na violência e uma tensa relação com os Estados Unidos devido principalmente à crise na migração da América Central. 

Em maio de 2021, uma reportagem do jornal El Financiero acusou a Guarda Nacional e o governo de ter uma aliança com os líderes do narcotráfico e de violar os direitos humanos. A consequência disso foi que o partido MORENA perdeu a maioria no Congresso nas eleições de julho de 2021.  

A pandemia de COVID-19 também resultou em uma das maiores crises políticas, sociais e econômicas e destacou a fragilidade do governo nesse momento crucial. Ao contrário de outros países latino-americanos, AMLO decidiu priorizar a economia em detrimento da saúde. Em nível estadual, as igrejas tiveram que seguir as regras impostas pelas autoridades que às vezes incluía o cancelamento dos cultos da igreja. Mesmo assim, as comunidades cristãs tornaram-se agentes de solidariedade aos mais necessitados, apesar dos riscos, especialmente em áreas não alcançadas pelas autoridades e muitas vezes dominadas por grupos criminosos. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

O presidente AMLO assumiu o cargo em 2018. Em novembro de 2021, a pesquisa do MITFSKY sobre aprovação presidencial revelou que o índice de aprovação dele era de 65%. O partido de AMLO tem sido criticado pela ineficiência no trabalho para combater a pandemia de COVID-19 e ações para minimizar as crises econômicas e de segurança.  

De acordo com o Índice do Estado de direito 2021, a pior pontuação do México foi na categoria “ausência de corrupção”. Outras áreas problemáticas são a de justiça, segurança e aplicação regulatória, segundo o Rule of Law Index 2021, do World Justice Project. 

A vitória de AMLO em 2018 e maioria do MORENA (Movimento de Regeneração Nacional) na Câmara dos Deputados e Senadores resultou em um nível alto de poder que levou a um aprofundamento do controle e uma perda de autonomia para algumas instituições, especialmente o poder judiciário. No entanto, após as eleições legislativas de meio de mandato realizadas em junho de 2021, o partido de AMLO perdeu muitos assentos no Câmara dos Deputados e (apesar de manter a maioria) conta agora com o apoio dos aliados políticos em maior grau. Além disso, o MORENA perdeu força nos distritos capitais, mas ganhou 11 dos 15 escritórios estaduais do governo. 

Segundo o Human Rights Watch, as eleições de junho de 2021 foram marcadas por uma forte polarização em torno da figura do presidente, uma escalada de violência política contra candidatos, funcionários e ex-funcionários do governo e tentativas de restringir a liberdade de expressão da mídia mais crítica ao governo. 

Isso fez com que alguns setores da sociedade civil passassem a classificar as medidas políticas adotadas por AMLO como ditadura, pois ele está tentando acabar com a autonomia de agências independentes projetadas para verificar o poder presidencial. AMLO concentrou o poder no Executivo, assumiu o controle das agências de energia e implementou medidas restritivas de concorrência no mercado, além de tentar implementar reformas constitucionais radicais que enfraquecem instituições autônomas como o Instituto Nacional Eleitoral (INE) ou o Instituto Nacional de Acesso à Informação (INAI). Ele ampliou as responsabilidades das Forças Armadas, eliminando a aplicação da lei civil e estabelecendo uma “nova” força de segurança chamada Guardia Nacional (Guarda Nacional). 

A perda de representantes do MORENA no Poder Legislativo é vista como positiva pelos preocupados com a estabilidade democrática no país. Isso é uma advertência a AMLO caso deseje manter seus aliados políticos, continuar com a reformas e vencer as eleições de 2024. A vitória das eleições de 2024 não parece ser uma opção para partidos com muito apoio social, devido à natureza radical de algumas de suas propostas. É o caso, por exemplo, do Partido Encuentro Solidário (PES), que comanda a maioria do “voto evangélico” e que aparentemente encerrará sua aliança com o MORENA devido a divergências sobre a atual forma de governo. 

A igreja não foi alheia ao processo eleitoral e à tensão política que existe no país. Em mais de uma ocasião, as autoridades governamentais tentaram impedir que os líderes da igreja fizessem um apelo público aos eleitores para que respeitem a democracia e a preservação dos valores cristãos ao eleger novos representantes. As autoridades argumentam que tais recursos violam a separação entre igreja e Estado, uma vez que os líderes da igreja estão interferindo na cena política. Apesar das críticas, das acusações do governo e das tentativas de manipulação da linguagem religiosa por parte de alguns atores políticos, a igreja manteve-se firme em seu apelo a diálogo, unidade, respeito ao Estado de direito e em sua condenação de todas as formas de violência. 

Além disso, outras ações governamentais que entraram em vigor incluíram a criação de uma unidade policial para a comunidade LGBTQIA+ e a obrigação de incluir representantes LGBTQIA+ nas listas eleitorais. 

Devido à falta de garantias no processo eleitoral na Nicarágua e ameaças contra políticos da oposição, o governo mexicano decidiu chamar seu embaixador de volta para consulta. O México não havia participado anteriormente da resolução da Organização dos Estados Americanos (OEA) condenando as ameaças contra a democracia na Nicarágua. 

Os “Protocolos de Proteção à Migração” (MPP) frequentemente chamados de “Permanecer no México”, implementados em 2019, ainda estão em vigor e significa que os requerentes de asilo que chegam às portas de entrada na fronteira EUA-México serão devolvidos ao México para aguardar os procedimentos de imigração. As organizações católicas enviaram cartas aos presidentes do México e dos Estados Unidos instando-os a acabar com essa política. 

Os Estados Unidos trabalham em estreita colaboração com o governo mexicano e parceiros internacionais para combater a COVID-19 e reduzir os efeitos econômicos secundários em ambos os países. O governo dos Estados Unidos enviou um total de 5,82 milhões de doses de vacina da COVID-19 para o México até agosto de 2021, segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos. 

O cenário legal no México continua restritivo para as mulheres em várias áreas. Enquanto os homens e as mulheres têm direitos amplamente iguais em relação ao divórcio e tutela sob a Lei Federal do México (Código Civil, Art 156 e 263). Os processos de divórcio diferem de estado para estado e as práticas culturais permanecem predominantes. Nas comunidades indígenas, por exemplo, os anciãos da comunidade muitas vezes decidem se uma mulher pode se separar do marido. Filhos e casamentos continuam a prevalecer, impulsionados pela pobreza, práticas tradicionais prejudiciais e redes de tráfico. De acordo com o movimento Girls Not Brides, 26% das meninas se casam aos 18 anos. Para combater isso, o governo mexicano removeu todas as exceções à idade mínima de casamento por meio de uma alteração no Código Civil Federal em junho de 2019. 

O México tem legislação que trata da violência doméstica e estupro (Código Penal, Art. 265) e tem feito esforços para combater a violência contra a mulher, que é amplamente reconhecida como endêmica no país. De acordo com a Human Rights Watch, no entanto, a proteção é inadequada. As vítimas muitas vezes hesitam em denunciar crimes devido à falta de confiança no sistema de justiça e ao medo de serem estigmatizadas.   

CENÁRIO RELIGIOSO 

Embora os cristãos sejam 95,7% da população do país, uma estimativa de 3% da população se identifica como agnóstico ou ateísta. Porém, o Instituto Nacional de Estatística e Geografia (INEGI) garante que o número de pessoas que não creem em Deus aumentou para 8,1% da população. Esse fenômeno é resultado das fortes tendências seculares conduzidas por antigas políticas do governo. O México não tem uma religião oficial e nenhuma aula de religião é ensinada em escolas estaduais. O Estado permanece exclusivamente secular e, até 1992, o governo mexicano não tinha relações formais com igrejas e não reconhecia oficialmente qualquer igreja. Em 1992, o governo de Salinas modificou a Constituição a fim de dar reconhecimento às várias religiões que existem no México. 

Hoje, mexicanos têm o direito de exercer qualquer religião que quiserem. O governo federal coordena assuntos religiosos por meio da Secretaria de Governo (SEGOB, da sigla em espanhol) que, com a Direção Geral para Associações Religiosas (DGAR, da sigla em espanhol), promove tolerância religiosa, conduz a mediação de conflitos e investiga casos de intolerância religiosa. De acordo com o Departamento de Estado dos Estados Unidos, no Relatório Internacional de Liberdade Religiosa 2019, cada um dos 32 estados tem escritórios responsáveis pelos assuntos religiosos. 

A extensão e a implementação do princípio de separação entre igreja e Estado continua a ser um desafio para os grupos religiosos do país. Por um lado, AMLO declarou-se cristão apenas dois dias antes das últimas eleições, por outro lado, o partido e outras autoridades governamentais tentaram repetidamente impedir a igreja de falar sobre assuntos públicos, especialmente durante o período de campanha eleitoral, sob o argumento de que se trata de uma interferência na vida política e uma violação da separação entre igreja e Estado. 

No entanto, após receber um aviso do governo, a arquidiocese da Cidade do México emitiu um comunicado em maio de 2021 defendendo o direito da igreja de falar sobre questões públicas. Vale a pena mencionar que organizações de sociedade civil têm criticado medidas governamentais sem punição, mas assim que os líderes da igreja falam em apoio aos mais necessitados da sociedade, são imediatamente acusados de apoiar a oposição. 

Muitos grupos cristãos que inicialmente apoiaram o presidente, como a CONFRATERNICE (Aliança das Igrejas Evangélicas), desde então se tornaram menos interessados no assunto. Isso foi consequência dos interesses políticos do partido no poder a favor do aborto, eutanásia, censura de líderes religiosos, casamento entre pessoas do mesmo sexo, modificação da Lei de Assuntos Religiosos etc., e fez com que algumas igrejas retirassem seu apoio ao partido de AMLO.  

As igrejas no país têm contribuído ativamente para reduzir a propagação da pandemia de COVID-19 e ajudar os necessitados. As comunidades cristãs também enfatizaram a importância do programa de vacinação e distribuíram ajuda humanitária aos mais vulneráveis, especialmente os migrantes. No entanto, o funcionamento e a manutenção de igrejas foram fortemente afetados pela crise econômica. A partir de setembro de 2021, a estratégia de semáforos (ou fases) de risco epidêmico ainda estava em vigor para determinar quais atividades são permitidas ou não, incluindo atividades religiosas. 

Grupos de pressão ideológica continuaram a visar os valores cristãos, tentando oficialmente marginalizar visões baseadas na fé. Eles exigiram que os líderes das igrejas não se envolvessem em debates públicos sobre questões relacionadas a aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo, educação sexual abrangente etc. Houve até tentativas de censurar políticos que dão seus pontos de vista baseados na fé ou que defendem publicamente os valores cristãos. Ações de grupos ideológicos têm se tornado cada vez mais agressivas, como pode ser visto nos incidentes envolvendo vandalismo de propriedade cristã, que tornou a manutenção de locais de culto ainda mais difícil. Diante de atos de vandalismo de grupos feministas radicais, os líderes cristãos viram a necessidade de apresentar queixas às autoridades. Durante os anos de 2020 e 2021, alguns estados mexicanos aprovaram reformas para criminalizar “terapias de conversão” por considerá-las como atividades que vão contra a livre autodeterminação em questões de gênero. Isso significa que os líderes da igreja ou grupos cristãos podem enfrentar ações legais se oferecerem apoio a qualquer pessoa que — mesmo de boa vontade — deseje lidar com questões de identidade de gênero ou orientação sexual de uma perspectiva cristã. 

No período de pesquisa da Lista Mundial da Perseguição, um deputado do MORENA (Movimento de Regeneração Nacional) apresentou, em outubro de 2020, um projeto de lei que visa reformar o inciso IV do artigo 29, correspondente ao capítulo sobre infrações e sanções da Lei das Associações Religiosas e Cultos Públicos. A proposta buscava sancionar expressamente as associações religiosas e líderes de igrejas cujos ensinamentos ou expressões discriminassem a identidade ou a expressão de gênero das pessoas. Além disso, instituições governamentais, como o Conselho Nacional para Prevenir a Discriminação (CONAPRED) continuaram a chamar a atenção de cristãos e líderes cristãos, pedindo-lhes para evitar discurso de ódio ou qualquer coisa que limite os direitos das mulheres quando fazem declarações públicas baseadas em valores bíblicos sobre a vida desde a concepção ou casamento.  

A perseguição acontece também dentro de comunidades indígenas, pois a religião é um componente importante da cultura e da identidade e molda as relações entre as pessoas e o cuidado dos recursos naturais. Como em muitas comunidades indígenas na América Latina, as práticas religiosas estão relacionadas principalmente às práticas sincretistas adaptadas dos ritos católicos romanos. Em alguns casos, eles se identificam como católicos e as lideranças indígenas tendem a ser mais receptivas à presença da Igreja Católica Romana. No entanto, qualquer tipo de pregação ou atividade religiosa requer permissão dos líderes. Qualquer coisa que vá contra os costumes do grupo étnico será punida. Devido à aceitação geral das tradições da Igreja Católica dentro das comunidades indígenas, a maioria das “formas não aceitas de cristianismo” são de origem protestante ou evangélica. 

Nas comunidades indígenas, os cristãos enfrentam oposição porque rejeitam as práticas religiosas e costumes da etnia a que pertencem. Isso fez com que os líderes indígenas muitas vezes vejam as influências cristãs como um elemento desestabilizador. Uma vez que os líderes étnicos são aqueles que administram a justiça em seus territórios, a liberdade religiosa dos povos indígenas não é devidamente garantido pelas autoridades locais (estatais) quando se trata de uma religião diferente da comunidade.    

CENÁRIO ECONÔMICO 

Como na maioria dos países da região, o México procurou conter a propagação do vírus da COVID-19 por meio de medidas de isolamento social e restrições de viagens. Essas decisões impactaram as cadeias produtivas e de comercialização, causaram o fechamento e falência de empresas e geraram enormes cortes de pessoal e diminuição de remunerações. De acordo com informações oficiais fornecidas pelo INEGI, até março de 2021, a crise em torno da pandemia afetou 85% das empresas mexicanas, 73,8% das quais sofreram uma diminuição significativa em seus rendimentos. No entanto, especialistas atribuem parte dessa desaceleração à má gestão da administração de AMLO nos últimos três anos e classificam 2020 como a pior situação econômica do México em 86 anos. 

O Banco Mundial relata que a incidência da taxa de pobreza corresponde a 41,9% da população. O crime e a violência inibem a produção de bens e serviços e constituem um sério impedimento para o crescimento econômico. De acordo com o Índice de Paz do México 2021, o impacto econômico da violência foi de 4,71 bilhões de pesos ou 221 milhões de dólares, o equivalente a 22,5% do PIB nacional. Em termos per capita, o impacto econômico da violência foi de 36,89 pesos, duas vezes a média salarial mensal de um trabalhador mexicano. 

Apesar das dificuldades econômicas, os grupos cristãos conseguiram ser um canal confiável para a distribuição de alimentos, medicamentos e ajuda aos necessitados. De acordo com a pesquisa da Portas Abertas, 35% das igrejas fechadas durante 2020 não tiveram meios para pagar as despesas das instalações que ocupavam. Em muitas igrejas rurais, os pastores não tinham renda, pois não havia ofertas ou dízimos devido à crise econômica consequente da pandemia de COVID-19.  

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Em relação às comunidades indígenas, a Pesquisa Intercensitária 2015 informou que 12 milhões de pessoas vivem aldeias indígenas — 10,6% da população (CDI, 2015) e 21,5% da população se identifica como indígena (INEGI, 2015). A população indígena que compõe cerca de 68 comunidades, está localizada principalmente em áreas rurais ao longo da fronteira sul do país (Oaxaca, Yucatan e Chiapas) e região centro-oeste (Hidalgo, Guerrero, Puebla e Jalisco).  

Devido à localização geográfica, eles são mais vulneráveis à ineficácia da ação do Estado e abuso pelo crime organizado, que às vezes obriga os membros dessas comunidades a fugir e isso aumenta as dificuldades deles. As comunidades indígenas gozam de autonomia e são regidas por seus próprios costumes, e isso causa situações de intolerância religiosa. 

De acordo com o CIA Factbook a população do México é composta pelos seguintes grupos étnicos:  62% mestiços (espanhóis e ameríndios), 21% predominantemente de ameríndios, 7% de ameríndios e 10% de europeus. Outro dado é que 81% da população vive em centros urbanos. Já 95,2% da população é alfabetizada, 96,1% dos homens e 94,5% das mulheres.  

O México não experimentou uma forte redução na desigualdade ao longo do século 20. Na verdade, a desigualdade de renda é extrema ao longo dos séculos passados ??e presentes. No setor de saúde, as deficiências de infraestruturas, materiais e recursos tornaram-se evidentes. No setor da educação, a lacuna digital tornou-se visível. A vulnerabilidade aumentou em empregos informais, especialmente para as comunidades indígenas e migrantes, que mais sofreram com as consequências econômicas das medidas de bloqueio. 

Diante desse cenário, o presidente do México anunciou perante o Conselho de Segurança da ONU que seu país pretende propor à Assembleia Geral um Plano Mundial de Fraternidade e Bem-estar. A iniciativa busca garantir o direito a uma vida digna para os 750 milhões de pessoas que sobrevivem com menos de dois dólares por dia. 

As igrejas mexicanas se concentraram em ajudar as comunidades mais carentes do país que foram afetadas durante a crise do COVID-19. Além disso, os líderes da igreja continuaram a pedir respeito pelos direitos dos migrantes e pela proteção internacional. Grupos eclesiásticos realizaram campanhas de informação sobre protocolos de segurança, assistência espiritual e distribuição gratuita de alimentos e remédios. Em muitos casos, esse trabalho humanitário colocou os cristãos em risco. 

No contexto patriarcal do México, espera-se que homens e mulheres assumam papéis tradicionais, especialmente em áreas rurais e comunidades indígenas. Pesquisas de opinião recentes indicam que atitudes em relação ao gênero estão mudando, à medida que os mexicanos mais jovens adotam visões mais igualitárias. Refletindo isso, a agitação social em relação à violência de gênero aumentou nos últimos anos.  

Em março de 2020, milhões de mulheres saíram às ruas para protestar contra os níveis crescentes de violência de gênero. A representação feminina no parlamento também melhorou, o que foi recebido como um desenvolvimento positivo. No entanto, a violência doméstica e a violência contra as mulheres continuam elevadas e teriam sido exacerbadas no contexto da pandemia de COVID-19.

O cristianismo chegou ao México durante a conquista espanhola da população nativa asteca (1519-1521). Foi parte da estratégia militar converter os moradores nativos da Nova Espanha para a fé católica romana. Da época até aproximadamente 1872, a Igreja Católica Romana foi a única denominação cristã presente no México e ainda é uma maioria no país. Entretanto, o México permite liberdade para adoração desde o meio do século 18 e, desde então, denominações tradicionais protestantes se estabeleceram. O governo não reconhecia igrejas e associações religiosas como entidades legais até 1992. Isso só foi possível por meio de reformas no Artigo 130 da Constituição e a implementação da Lei das Associações Religiosas e Adoração Pública. 

A maior denominação cristã no México é a Igreja Católica Romana, representando 89,9% de todos os cristãos de acordo com as estimativas do World Christian Database 2021, perdendo 0,2% de afiliação em comparação com os dados de 2020. As igrejas protestantes estão ganhando força, principalmente nas áreas rurais do país e as pentecostais estão se tornando mais influentes, especialmente no contexto político. 

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