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Níger

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Níger
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, hostilidade etno-religiosa, corrupção e crime organizado
  • Capital: Niamei
  • Região: Oeste Africano
  • Líder: Mahamadou Issoufou
  • Governo: República semipresidencialista
  • Religião: Islamismo, cristianismo, animismo
  • Idioma: Francês, hausa, djerma
  • Pontuação: 62


POPULAÇÃO
23,2 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
62,2 MIL

Apesar do aumento de dois pontos na pontuação, o país saiu do Top50. A pressão média aumentou minimamente, mas a pontuação de violência saltou de 9,3 em 2020 para 10,6 na Lista Mundial da Perseguição 2021. A principal razão por trás do aumento da pontuação é a atividade dos militantes islâmicos na região cuja influência está se tornando muito visível na sociedade. Os principais tipos de perseguição são opressão islâmica, hostilidade etno-religiosa e corrupção e crime organizado.

Clérigos muçulmanos do grupo Izala (um grupo islâmico radical originário do Norte da Nigéria) estão ativos no Níger e ameaçam a liberdade dos cristãos. Outros grupos de pressão islâmica, como o Tariqa (“o caminho” em árabe — a maneira sufi de se aproximar de Alá) estão ativos em certas partes do país, por exemplo, Maradi e a capital Niamey. Em Maradi, igrejas cristãs foram atacadas em várias ocasiões. Em Dolbel (perto da fronteira de Burkina Faso) igrejas cristãs foram atacadas pelos jihadistas.

Os grupos Izala e Tariqa criam pressão sobre as religiões minoritárias e sobre os muçulmanos que eles consideram estar se desviando do islã. A influência de grupos jihadistas na região é particularmente preocupante para os cristãos. Os jihadistas têm como alvo qualquer coisa que eles acham que tem ligações com o cristianismo. Por exemplo, em agosto de 2020, eles mataram seis trabalhadores franceses e seu guia. As restrições da COVID-19 também enfureceram os muçulmanos conservadores. Alguns analistas sugerem que, se não fosse pela presença de tropas americanas e francesas na região, o governo poderia facilmente ser desafiado por forças islâmicas radicais. 

Realizar atos de adoração é arriscado para os convertidos ao cristianismo. Os membros da família e a comunidade perseguem convertidos no nível privado, pois a conversão é demonizada. Outros cristãos não enfrentam essa forma de perseguição e geralmente são autorizados a praticar a fé em particular. A família estendida, parentes e familiares próximos do cristão ex-muçulmano tentam fazê-lo renunciar ao cristianismo por ameaças ou uso da força.  

Os cristãos têm sido impedidos de celebrar casamentos cristãos em áreas da região fronteiriça sob controle islâmico. A adoração comunitária e as reuniões de cristãos devem ser conduzidas com muita cautela nessas áreas devido à ameaça de violência de grupos militantes. Também é importante notar que o governo regula e controla a construção de locais de culto. 

O fato de o governo estar focado em combater a pandemia da COVID-19 também significa que os jihadistas são deixados sozinhos para expandir sua influência. Entende-se que a religião é um assunto privado e não politizado pelo Estado; na verdade, o Estado tenta manter a separação entre Estado e religião, mas essa separação está cada vez mais sob pressão. 

“Eles queimam nossas igrejas e propriedades por causa do Senhor. Isso aumentará nossa fé e nos encorajará a trabalhar fielmente.”

PASTOR NIGERINO

Tendências 

A presença do Boko Haram e da AQMI (Al-Qaeda no Magreb Islâmico) continua a ser uma ameaça constante 

Nos últimos cinco anos, a região do Sahel tem visto um enorme aumento nos ataques islâmicos. O governo do Níger perdeu muito território para os jihadistas. Voltar atrás pode levar algum tempo considerando o fato de que o país tem que lidar com a ameaça da COVID-19 também. Resumindo, a presença do Boko Haram e da AQMI continua a ser uma ameaça constante tanto para as autoridades estaduais quanto para os cristãos no país. 

O Níger tem apoio internacional militar para proteger suas fronteiras 

A parte considerável do terço sul do país é propensa a persistentes hostilidades islâmicas. A proximidade de grupos islâmicos radicais no Norte da Nigéria e no Norte do Mali está longe de ser reconfortante. O país não é uma democracia bem desenvolvida com instituições que podem lidar com crises.  

Como a região está vendo uma proliferação de grupos islâmicos radicais, a ONU e os países ocidentais têm apoiado o governo com assistência militar. Há forças dos EUA, França, Alemanha, Mali e de outros países da região que auxiliam ativamente. No entanto, é improvável que isso seja suficiente se não for associado a mudanças profundas no país, tanto de forma política quanto econômica. Com o impacto da COVID-19, é improvável que essas mudanças sejam possíveis no curto prazo. 

O Níger declarou independência da França em 1960. Desde então o país tem atravessado numerosos altos e baixos, incluindo, ao menos, quatro golpes militares. Apesar das melhorias desde que Mahamadou Issoufou chegou ao poder, em 2011, há preocupações sobre a “secularização” das políticas estrangeiras e domésticas do Níger. O país está lutando contra vários grupos militantes islâmicos: a Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQIM, da sigla em inglês) e o Movimento para a Unidade e a Jihad na África Ocidental (MUJWA, da sigla em inglês) na fronteira com o Mali, e o Boko Haram na fronteira com a Nigéria. 

Islâmicos são por sua própria ideologia opostos à natureza secular do governo. A maioria dos imãs dão sermões opostos ao Boko Haram e outros grupos militantes, especialmente os xiitas que são minoria. Esses líderes islâmicos não querem ver o que aconteceu na Nigéria se repetir no Níger e, por isso, apoiam os Estados Unidos na luta contra o terrorismo. Entretanto, nos últimos anos, houve um aumento na adesão às práticas religiosas mais rígidas em cidades do Níger, especialmente em lugares como Zinder, Maradi e Diffa, que têm comunidades ligadas a comunidades islâmicas no Nordeste da Nigéria. 

Há, portanto, preocupação sobre a difusão de mais grupos islâmicos militantes como o Boko Haram por causa da proximidade de cidades como Zinder, Diffa e Maradi da principal área de operação do Boko Haram, no Nordeste da Nigéria. Alguns líderes religiosos locais têm sido forçados a tomar uma postura pública contra o grupo, enquanto outros têm medo de prováveis reações ao fazerem algo. Apesar de nenhum movimento radical islâmico dentro do Níger ter surgido para desafiar o governo, a possibilidade de isso acontecer em um futuro próximo não pode ser descartada, especialmente dadas as pressões externas em imãs e líderes locais vulneráveis influenciados pelo Boko Haram e outros grupos, como o MUJWA. 

Nos últimos anos, houve um aumento nos níveis de violência. Em narço de 2018 houve ataques repetidos conduzidos por militantes do Boko Haram contra deslocados internos e refugiados do Sudoeste do Níger. Foram 88 mortos e cerca de 18,5 mil pessoas tiradas de suas casas. Houve também um grande incidente político doméstico em 2018, um confronto do governo com defensores e ativistas de direitos humanos, envolvendo amplamente o uso de medidas repressivas do governo. Eles foram arbitrariamente detidos e permaneceram presos por cerca de quatro meses. Depois disso, autoridades nigerinas abriram processos contra um grupo de defensores dos direitos humanos na tentativa de silenciar vozes discordantes e banir demonstrações pacíficas. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Nos últimos anos, houve uma melhora nos direitos políticos e liberdades civis no Níger. O ponto de virada ocorreu entre 2009 e 2010, quando o presidente em questão, Tandja, anunciou sua intenção de alterar a Constituição da Quinta República do Níger por meio de um referendo, que incluía o aumento do mandato presidencial para três anos. Entretanto, os principais grupos de oposição foram contra e boicotaram o referendo. Em fevereiro de 2010, em meio à pressão da comunidade internacional, o exército derrubou o governo em um golpe. No outono de 2010, uma nova Constituição foi aprovada por meio de um referendo nacional e, em 31 de janeiro de 2011, Mahamadou Issoufou, do Partido para Democracia e Socialismo venceu as eleições presidenciais contra o antigo primeiro-ministro Seyni Oumarou, do Movimento Nacional para o Desenvolvimento da Sociedade. 

O novo governo do presidente Issoufou assumiu o poder em abril de 2011. Desde então, grupos políticos e civis podem se reunir pacificamente, a situação para jornalistas e a liberdade de imprensa foi melhorada, e o Níger está a caminho de formar uma democracia multipartidária. Esse desenvolvimento é muito importante para os cristãos no país, especialmente desde que a região é muito influenciada por atividades do Boko Haram e AQIM.  

Entretanto, as eleições de 2016 não avançaram na consolidação da regra democrática e a corrupção permanece endêmica. Apesar desses contratempos, o resultado eleitoral foi aceito por todos os partidos políticos. O principal desafio permanece a luta contra a militância islâmica na região de Diffa. O confronto militar entre tropas do governo e do Boko Haram tem causado um grande número de deslocados internos e desastres humanitários. Muitos cristãos que escaparam do conflito vivem em campos de deslocados em Bosso, Yebbi, Maiduguri e Yola, na Nigéria. 

O presidente Issoufou tornou o combate à corrupção no governo uma de suas principais prioridades. Medidas anticorrupção se tornaram lei com foco em oficiais do governo, membros de suas famílias e todos os partidos políticos. Da mesma forma, agora há leis que contêm o conflito de interesse na concessão de contratos. O suborno de oficiais públicos por companhias privadas é oficialmente ilegal. Entretanto, a corrupção é um problema no judiciário e a impunidade é um sério desafio enfrentado no país. Funcionários públicos que infringem a lei e mantêm práticas corruptas atraem publicidade desfavorável, mas não são processados. Essa situação afeta a sociedade negativamente, incluindo a população cristã.  

Em 2017, a situação dos direitos humanos no país se deteriorou devido à preocupações de segurança quanto às atividades do Boko Haram. O governo declarou estado de emergência em algumas partes do país e até mesmo prendeu diversos jornalistas ligados a ameaças do Boko Haram. Como as coisas estão, parece que o país está seguindo em frente após as divisões políticas internas que levaram ao golpe de 2010, mas a presença de grupos radicais islâmicos permanece uma constante ameaça às autoridades do Estado e aos cristãos no país e região. O Níger precisa de ajuda militar para segurança nas fronteiras. Há forças ativas dos Estados Unidos, França, Alemanha, Mali e outros países na região.  

Uma parte considerável do Sudeste, que equivale a um terço do país, parece sujeita a persistentes hostilidades islâmicas. A proximidade de grupos islâmicos radicais no extremo Norte da Nigéria e Nordeste do Mali está longe de ser reconfortante. O país não é uma democracia bem desenvolvida com instituições que podem lidar com a crise. Pelo fato de a região enfrentar a proliferação de grupos islâmicos radicais, a Organização das Nações Unidas (ONU) e países ocidentais têm apoiado o governo com ajuda militar. Entretanto, isso provavelmente não será suficiente se não for combinado com mudanças políticas e econômicas profundas.  

Muitos oficiais do governo do Níger são muçulmanos e alguns gostariam de buscar políticas e agendas que são discriminatórias contra cristãos e os excluiriam da vida pública. O então presidente Issoufou prometeu conter a expansão radical de ensinamentos islâmicos que promovem a violência. Entretanto, sua administração não tomou medidas concretas.  

Issoufou foi presidente do Níger de 7 de abril de 2011 até 2 de abril de 2021. Foi eleito em 2011 e reeleito em março de 2016. Na eleição presidencial de 21 de fevereiro de 2021, Mohamed Bazoum, de 61 anos, foi eleito no segundo turno com mais de 55% dos votos contra o ex-presidente Mahamane Ousmane, que não reconheceu sua derrota e pediu "manifestações pacíficas". 

CENÁRIO RELIGIOSO 

O Níger é uma nação de maioria muçulmana, com mais de 96% de população islâmica, dos quais cerca de 5% são xiitas. Apesar do alto percentual de muçulmanos, a religião é entendida como um assunto particular e não é politizada pelo Estado. Sendo assim, o governo tenta manter a separação entre Estado e religião, mas essa separação está cada vez mais sob pressão.  

Líderes religiosos muçulmanos do Izala, um grupo islâmico radical originado no Nordeste da Nigéria, são ativos no Níger e ameaçam a liberdade dos cristãos. O país tem um histórico de boas relações entre a maioria muçulmana e as fés minoritárias. No entanto, a batalha do Níger contra o Boko Haram tem animado as tensões locais entre as comunidades e minado a segurança e a liberdade dos cristãos no país. 

Famílias de cristãos ex-muçulmanos tentam fazê-los renunciar ao cristianismo com ameaças ou usando a força. Outros cristãos não enfrentam essa forma de perseguição e geralmente têm permissão para praticar a fé em particular. Cristãos são impedidos de celebrar casamentos cristãos em regiões da fronteira sob controle islâmico. Adoração conjunta e encontros de cristãos devem ser conduzidos com cuidado nessas áreas devido às ameaças de violência de grupos militantes. Cristãos não são tratados como os demais no setor público. Eles raramente conseguem empregos em serviços públicos e têm promoções negadas com frequência. Cristãos geralmente são impedidos de se reunir para encontros, e o processo legal para registro das igrejas é muito longo e difícil.  

As igrejas têm dificuldade com o aumento da militância islâmica no Níger e, nos últimos anos, houve ataques de grupos armados, como o Boko Haram, próximo à fronteira com a Nigéria. Pastores e líderes de igrejas de tais vilas são forçados a fugir para cidades maiores temendo por sua segurança.  

Em alguns casos, a pressão a cristãos ex-muçulmanos é particularmente clara, especialmente na vida privada, família e comunidade. Pais e parentes podem se opor à conversão de membros da família ao cristianismo mais que o governo. Imãs radicais islâmicos e professores influenciam muçulmanos comuns a atacar e perseguir cristãos ex-muçulmanos e qualquer cristão que inicia ministérios para ex-muçulmanos. Portanto, fora das grandes cidades e em áreas próximas à fronteira sudeste do país, cristãos ex-muçulmanos são ameaçados pela comunidade local e, às vezes, enfrentam ataques violentos.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

O Níger é um dos países mais pobres da África. Como um país sem litoral e de maioria desértica que é assolado por seca e fome, o Níger sempre se classifica perto do final do Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas. A única grande exportação do país é urânio não refinado. Com exceção de uma refinaria de petróleo em Zinder, que abriu em novembro de 2011, o Níger é um país inteiramente dependente de recursos externos. Linhas para energia elétrica e internet vêm da Nigéria e Benin, respectivamente. Além disso, os países também fornecem a maior parte do petróleo, produtos agrícolas e comerciais. O setor agrícola contribui com cerca de 40% do PIB e provê sustento para aproximadamente 80% da população. Há planos na comunidade de desenvolvimento internacional de conduzir o Níger para energia solar e outras fontes de energia inovadoras que utilizam soluções indígenas. 

No Níger, 60% da economia vem de ajuda internacional e a perspectiva de futuro é que isso continue, especialmente porque a comunidade internacional teme que a economia do Níger falhe, o que permitiria a militantes islâmicos explorarem a situação e se tornarem ainda mais poderosos. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Apesar da língua oficial do país ser o francês, cada tribo e grupo étnico tem sua própria língua e cultura. Oito de nove presidentes desde a independência, em 1960, eram descendentes de hausa ou zarma. Essas duas tribos dominaram o país e, por isso, não deveria surpreender que os tuaregues deram início às duas maiores rebeliões desde os anos 1990 e início dos 2000. As tribos songhai foram os principais alvos do recrutamento do grupo islâmico MUJWA. Eles usaram o simbolismo tradicional dos songhai em seus vídeos de recrutamento. As áreas mais férteis do Níger também estão na região de Zarma, ao sul de Niamei e, portanto, os zarma são a tribo mais rica no país. 

Os hausa são descendentes dos estados de Hausa que antigamente ocupavam a região das jihads do século 19, então eles têm uma tradição de estarem no poder. Os tuaregues do Nordeste do Níger vivem na região mais árida do país e são a mais pobre das principais tribos. Enquanto a educação não é garantida em nenhuma parte do país, os níveis são particularmente baixos na região de Tuareg, especialmente para mulheres. 

A maioria dos muçulmanos no Níger é membro das ordens Sufi Tijaniya ou Qadiriyya, apesar de islâmicos buscarem se desassociar do sufismo e encorajar os salafistas. Além disso, há grupos islâmicos menores no Níger, incluindo Kalikato, que tem um sistema de crenças como o Boko Haram: rejeitar tudo que é ocidental. Na verdade, a influência do Boko Haram parece ter se espalhado do Nordeste da Nigéria para o Níger. 

Líderes de grupos étnicos, como os fulanis, estão tentando alcançar a antiga linhagem islâmica de seu grupo étnico limpando suas comunidades de cristãos. Em Tunga, no estado de Dosso, nenhuma presença cristã é tolerada por religiosos e líderes tribais que têm grande influência nessas áreas. 

Embora houvesse expedições missionárias ao longo do rio Níger no século 19, o cristianismo  se estabeleceu no país no século 20. O Servindo em Missão começou seu trabalho no Níger em 1923, e a Missão Batista Evangélica em 1929. A Igreja Católica Romana foi para o país em 1931, com as principais bases missionárias em Daomé, atual Benin, e desde então estabeleceu duas dioceses.

Nos últimos dois anos, houve um aumento nos níveis de violência contra cristãos no Níger

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