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Como é a perseguição aos cristãos no Níger?
A situação dos cristãos no Níger piorou significativamente desde o golpe de 2023, que desestabilizou a nação já frágil. A instabilidade encorajou militantes islâmicos, incluindo aqueles que juraram lealdade ao grupo Estado Islâmico e à Al-Qaeda. Em algumas partes do Níger, esses grupos operam sem muita resistência; a lei islâmica rigorosa é imposta e aplicada.
Em outras regiões, prédios de igrejas são destruídos e cristãos são mortos. As fronteiras do país com Mali e Burkina Faso são porosas e fáceis para os militantes atravessarem, permitindo que ganhem mais território com facilidade.
Qualquer cristão que viva em locais dominados por esses grupos extremistas será alvo. Os seguidores de Jesus de origem muçulmana devem adorar em segredo, vivendo sob constante ameaça de violência, sequestro e morte.
Além disso, a falta de Estado de direito no Níger significa que ideologias islâmicas radicais podem se espalhar pela sociedade, tornando a vida mais perigosa para os cristãos, mesmo em locais onde os militantes islâmicos não estão ativos.
“Quando as cabanas começaram a pegar fogo, as pessoas saíram e começaram a correr, e foi aí que os jihadistas começaram a disparar contra os homens.”
Hakuri (pseudônimo), viúva cristã do Níger
Como as mulheres são perseguidas no Níger?
As mulheres e meninas são vulneráveis a sequestro e abuso sexual por grupos extremistas e outros. As famílias frequentemente não denunciam a violência sexual por medo de que isso afete as perspectivas de casamento da vítima.
Cristãs de origem muçulmana podem ser privadas da guarda dos filhos, forçadas a se casar com um homem muçulmano e agredidas sexualmente. Muitas mulheres perderam seus direitos de herança após se converterem ao cristianismo.
Notavelmente, o Níger tem a maior taxa de casamento infantil do mundo, tornando o casamento forçado um risco mesmo para meninas pequenas.
Como os homens são perseguidos no Níger?
Cristãos de origem muçulmana correm risco de serem rejeitados pela família, expulsos de casa ou colocados em prisão domiciliar. Eles também podem enfrentar demissão no trabalho ou boicote por parte de muçulmanos aos seus negócios, deixando a família vulnerável.
Meninos correm risco de sequestro e recrutamento forçado por grupos militantes. Qualquer cristão do sexo masculino pode ser alvo de assassinato por extremistas. Um aumento nos ataques por militantes forçou muitos homens, especialmente líderes de igrejas, a fugir de suas casas e comunidades para locais mais seguros.
O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos no Níger?
A Portas Abertas atua por meio de igrejas locais no Níger para fornecer capacitação econômica, treinamento de preparação para perseguição e discipulado.
Como posso ajudar os cristãos perseguidos no Níger?
Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para o projeto da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos que enfrentam maiores necessidades.
Quem persegue os cristãos no Níger?
O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Níger são: opressão islâmica, corrupção e crime organizado, opressão do clã.
Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentos ou não violentos, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo.

Pedidos de oração do Níger
- Interceda para que os militares governem com justiça e permitam que os cidadãos escolham seus representantes por meio de eleições diretas.
- Em algumas partes do Níger, cristãos vivem sob risco de ataques por militantes islâmicos. Ore por proteção aos deslocados devido à insegurança da região.
- Clame por provisão aos seguidores de Jesus hostilizados pela família, comunidade e governo.
- Coloque os extremistas nas mãos de Deus e peça por conversão, arrependimento e transformação deles.
Mais informações sobre o país
HISTÓRIA DO NÍGER
No século 14 (possivelmente também antes e depois), o reino de Takedda, controlado pelos tuaregues, desempenhou um papel de destaque no comércio a longa distância principalmente pela importância de suas minas de cobre. A conquista do território por parte França começou de fato apenas em 1899. Foi apenas em 1922, após a severa seca e fome de 1913 a 1915 e a revolta tuaregue de 1916-1917, que os franceses se sentiram seguros o suficiente para estabelecer uma administração regular sob controle civil.
O Níger declarou sua independência da França em 1960. Desde então, o país passou por pelo menos quatro golpes militares. Apesar das melhorias desde que Mahamadou Issoufou chegou ao poder, em 2011, há preocupações sobre a “secularização” das políticas estrangeiras e domésticas do Níger. O país está lutando contra vários grupos militantes islâmicos: a Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQIM, da sigla em inglês), o Movimento para a Unidade e a Jihad na África Ocidental (MUJWA, da sigla em inglês) na fronteira com o Mali, e o Boko Haram na fronteira com a Nigéria.
Islâmicos são por sua própria ideologia opostos à natureza secular do governo. A maioria dos imãs dão sermões opostos ao Boko Haram e outros grupos militantes, especialmente os xiitas que são minoria. Esses líderes islâmicos não querem ver o que aconteceu na Nigéria se repetir no Níger e, por isso, apoiam os Estados Unidos na luta contra a militância islâmica. Entretanto, nos últimos anos, houve um aumento na adesão às práticas religiosas mais rígidas em cidades no Níger, especialmente em lugares como Zinder, Maradi e Diffa, que têm comunidades ligadas a comunidades islâmicas no Nordeste da Nigéria.
Há, portanto, preocupação sobre a difusão de mais grupos islâmicos militantes como o Boko Haram. Por causa da proximidade das cidades mencionadas da principal área de operação do Boko Haram, no Norte da Nigéria, alguns líderes religiosos locais têm sido forçados a tomar uma postura pública contra o grupo, enquanto outros têm medo de prováveis reações por fazerem algo. Apesar de nenhum movimento radical islâmico dentro do Níger ter surgido para desafiar o governo, a possibilidade de isso acontecer em um futuro próximo não pode ser descartada. Especialmente dadas as pressões externas a imãs e líderes locais vulneráveis influenciados pelo Boko Haram e outros grupos, como o MUJWA.
Houve grandes incidentes políticos domésticos em 2018 resultantes de confrontos entre o governo e os ativistas e defensores dos direitos humanos, envolvendo amplamente o uso de medidas repressivas do governo. Ao deter arbitrariamente um grupo de defensores dos direitos humanos por cerca de quatro meses em março de 2018, as autoridades nigerinas abriram os procedimentos de acusação contra o grupo na tentativa de silenciar as vozes dissidentes e proibir manifestações pacíficas. Um caso similar ocorreu novamente quando ativistas foram presos enquanto protestavam em março de 2020.
Desde 2018, houve um aumento nos níveis de violência. Em 2019 e 2020, o país enfrentou diversos ataques jihadistas. Desde o início de 2021, o Níger testemunhou um aumento na violência jihadista, principalmente na região da fronteira entre Níger, Mali e Burkina Faso, com uma estimativa de 300 pessoas mortas em ataques nos primeiros três meses. Os grupos militantes estão constantemente expandindo suas operações e o governo parece não ter uma maneira efetiva para controlar a situação.
HISTÓRIA DA IGREJA NO NÍGER
Embora houvesse expedições missionárias ao longo do rio Níger no século 19, o cristianismo só se estabeleceu no país no século 20. O Servindo em Missão começou seu trabalho no Níger em 1923, e a Missão Batista Evangélica em 1929. A Igreja Católica Romana foi para o país em 1931, vinda de suas principais bases missionárias em Daomé, atual Benin, e desde então estabeleceu duas dioceses.
CONTEXTO DO NÍGER
O Níger é uma nação de maioria muçulmana, onde uma estimativa de 96,5% da população segue o islamismo. A maioria dos muçulmanos no Níger são membros da ordem Tijaniya ou da sunita Qadiriya, embora os islâmicos busquem desassociar a população do sufismo e encorajar o salafismo. Além disso, há grupos islâmicos menores no Níger, incluindo o Kalikato, que tem um sistema de crenças semelhante à do Boko Haram, em rejeição a todas as influências do Ocidente. De fato, a influência do Boko Haram parece estar se espalhando do Norte da Nigéria para o Níger.
Ameaça jihadista
Apesar das tentativas do governo de controlar o que é ensinado em muitas madraças do país, há a preocupação de que isso tenha um papel na radicalização da juventude. É provável que tal radicalização torne a vida dos cristãos no país mais difícil, principalmente já que toda a região do Sahel está sob séria ameaça jihadista.
O governo tenta manter a separação do Estado e da religião, mas essa separação está cada vez mais sob pressão. Líderes religiosos muçulmanos do Izala, um grupo islâmico radical originado no Nordeste da Nigéria, são ativos no Níger e ameaçam a liberdade dos cristãos. O país tem um histórico de boas relações entre a maioria muçulmana e as fés minoritárias. No entanto, a batalha do Níger contra o Boko Haram tem animado as tensões locais entre as comunidades e minado a segurança e a liberdade dos cristãos no país.
Famílias de cristãos de origem muçulmana tentam fazê-los renunciar ao cristianismo com ameaças ou usando a força. Cristãos são impedidos de celebrar casamentos cristãos em regiões da fronteira sob controle islâmico. Adoração conjunta e encontros de cristãos devem ser conduzidos com cuidado nessas áreas devido às ameaças de violência de grupos militantes. Cristãos não são tratados como os demais no setor público. Eles raramente conseguem empregos em serviços públicos e têm promoções negadas com frequência. Cristãos geralmente são impedidos de se reunir para encontros, e o processo legal para registro das igrejas é muito longo e difícil.
As igrejas têm dificuldade com o aumento da militância islâmica no Níger e, nos últimos anos, houve ataques de grupos armados, como o Boko Haram, próximo à fronteira com a Nigéria. Pastores e líderes de igrejas de tais vilas são forçados a fugir para cidades maiores temendo por sua segurança.
Em alguns casos, a pressão a cristãos de origem muçulmana é particularmente clara, especialmente na vida privada, família e comunidade. Pais e parentes podem se opor a conversão de membros da família ao cristianismo mais que o governo. Imãs radicais islâmicos e professores influenciam muçulmanos comuns a atacar e perseguir cristãos de origem muçulmana e qualquer cristão que inicia ministérios para ex-muçulmanos. Portanto, fora das grandes cidades e em áreas próximas à fronteira sudeste do país, cristãos de origem muçulmana são ameaçados como forasteiros pela comunidade local e, às vezes, enfrentam ataques violentos.
Povos e línguas do Níger
Apesar de a língua oficial do país ser o francês, cada tribo e grupo étnico tem sua própria língua e cultura. Oito de nove presidentes desde a independência, em 1960, eram descendentes de hausa ou zarma. Essas duas tribos dominaram o país e, por isso, não deveria surpreender que os tuaregues tenham dado início às duas maiores rebeliões desde os anos 1990 e início dos 2000. As tribos songhai foram os principais alvos do recrutamento do grupo islâmico MUJWA. As áreas mais férteis do Níger também estão na região de Zarma, ao sul da capital Niamei e, portanto, os zarma são a tribo mais rica no país.
Os hausa são descendentes dos estados de Hausa que antigamente ocupavam a região das jihads do século 19, então eles têm uma tradição de estarem no poder. Os tuaregues do Nordeste do Níger vivem na região mais árida do país e são a mais pobre das principais tribos. Apesar de a educação não ser garantida em nenhuma parte do país, os níveis são particularmente baixos na região dos tuaregues, especialmente para mulheres.
Líderes étnicos de grupos como os fulanis estão tentando alcançar a antiga linhagem islâmica de seu grupo étnico limpando suas comunidades de cristãos. Em Tunga, no estado de Dosso, nenhuma presença cristã é tolerada por religiosos e líderes tribais que têm grande influência nessas áreas.
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