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República Centro-Africana

CF
República Centro-Africana
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, corrupção e crime organizado, opressão do clã
  • Capital: Bangui
  • Região: Oeste Africano
  • Líder: Faustin-Archange Touadera
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Cristianismo, islamismo, animismo
  • Idioma: Francês, sango, línguas étnicas
  • Pontuação: 68


POPULAÇÃO
5 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
3,8 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos na República Centro-Africana? 

Apesar de compreender três quartos da população da República Centro-Africana (RCA), os cristãos ainda são vulneráveis à perseguição. Desde 2013, a RCA está envolvida em conflitos e lutas, e a maior parte do país está ocupada por grupos de milícias armadas, que são responsáveis por uma série de abusos dos direitos humanos. Quando líderes cristãos denunciaram publicamente a violência, foram ameaçados e edifícios de igrejas foram queimados e saqueados. O conflito no país resultou no deslocamento de milhares de cristãos que perderam suas casas e meios de subsistência, e muitos continuam vivendo em campos de deslocados. 

Cristãos ex-muçulmanos enfrentam pressão de membros da família. Meninas e mulheres podem ser colocadas sob prisão domiciliar para evitar que elas se encontrem com outros cristãos ou forçadas a casar com um muçulmano muito mais velho. Há relatos de que algumas vezes uma mãe cristã é a única com permissão para participar de reuniões cristãs, desde que seus filhos sejam enviados para a mesquita. A comunidade local muitas vezes isola cristãos ex-muçulmanos e pode também tentar forçá-los a renunciar ao cristianismo por meio de violência. 

Igrejas continuam sendo afetadas pela violência e líderes de igrejas enfrentam muitas ameaças. O peso da situação cai sobre a igreja, com os membros sendo deslocados e empobrecidos. 

Dorcas (pseudônimo)porta-voz da Portas Abertas para o Oeste Africano

O que mudou este ano? 

A violência permanece extrema na República Centro-Africana, conforme ocorrem ataques direcionados, o que aumenta a pressão aos cristãos em todas as áreas da vida pública e privada. Isso é agravado pelo aumento da perturbação e oposição à igreja. Enquanto isso, a crise humanitária piora no país — o que torna a vida ainda mais difícil para cristãos vulneráveis. 

Quem persegue os cristãos na República Centro-Africana? 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na República Centro-Africana são: opressão islâmica, corrupção e crime organizado. 

Já as fontes de perseguição são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na República Centro-Africana são: grupos religiosos violentos, redes criminosas, líderes religiosos não cristãos, líderes de grupos étnicos, cidadãos e quadrilhas, parentes, organizações multilaterais.  

Quem é mais vulnerável à perseguição na República Centro-Africana? 

A perseguição aos cristãos é mais severa nas partes norte e leste do país, onde a população muçulmana domina, e grupos dissidentes do Seleka (uma aliança de grupos de milícias rebeldes) operam. Existem também dificuldades específicas para os cristãos na parte leste do país, que faz fronteira com o Sudão. 

Como as mulheres são perseguidas na República Centro-Africana? 

Os muitos anos de violência e instabilidade na RCA deixaram meninas e mulheres cristãs particularmente vulneráveis a estupros, deslocamento, sequestro, escravidão sexual e casamento forçado como formas de perseguição religiosa. Essas práticas são usadas para desestabilizar comunidades cristãs, e muitas meninas e mulheres são deixadas sofrendo um trauma extremo. Estudantes são principalmente vulneráveis, então muitos pais em áreas de alto risco impedem as filhas de frequentar a escola. 

Por causa do aumento da pobreza (RCA é um dos países mais pobres na África), alguns pais são tentados a vender as filhas cristãs para casamentos. Em outros casos, meninas e mulheres cristãs só descobrem depois de se casar com um muçulmano que não são livres para praticar sua fé e são forçadas a se converter. 

Em certas áreas de maioria muçulmana, mulheres cristãs enfrentam pressão para seguir o código de vestimenta islâmico. Algumas são assediadas ou multadas por não cobrir a cabeça de acordo com o código. 

Como os homens são perseguidos na República Centro-Africana? 

Extremistas islâmicos muitas vezes agridem, torturam ou matam homens e meninos por causa da fé. Principalmente pastores são alvo e, às vezes, mesmo durante os cultos. Meninos e homens podem ser recrutados a força por grupos militantes rebeldes e também enfrentam discriminação por causa da fé quando ingressam no serviço militar nacional.  

Homens cristãos também experimentam discriminação no local de trabalho. Líderes islâmicos ocupam todos os lugares no mercado, controlam o comércio e impõem altas taxas nos negócios de cristãos. Eles chegam até a saquear lojas de cristãos para mantê-los na pobreza. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na República Centro-Africana? 

A Portas Abertas trabalha por meio de parceiros locais para apoiar cristãos na República Centro-Africana com treinamento para sobreviventes da perseguição, projetos de empoderamento econômico e cuidados pós-trama. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos na República Centro-Africana? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, você oferece socorro a cristãos na República Centro-Africana e Oeste Africano atingidos pela violência. 

Pedidos de oração da República Centro-Africana 

  • Ore para que Deus permita uma paz duradoura e estabilidade para a RCA. 
  • Peça por proteção para os cristãos que compartilham seu testemunho sobre Cristo, principalmente pastores e suas famílias que enfrentam as piores consequências. 
  • Clame para que Deus encoraje e proteja os parceiros da Portas Abertas que trabalham para capacitar a igreja enquanto enfrentam muitos dos mesmos riscos. 

Um clamor pela República Centro-Africana 

Deus paioramos por nossos irmãos e irmãs na República Centro-Africana. Por favor, ponha um fim aos anos de conflito e pobreza e troque isso por paz e estabilidade. Proteja seus filhos que buscam viver rendidos ao Senhor e fale por meio de sonhos e visões aos extremistas islâmicos para que o encontrem e transformem violência e ódio em amor. Amém. 

A República Centro-Africana (RCA) era uma colônia francesa conhecida como Ubangi-Shari, que ganhou independência em 1960. Desde então, o país está mergulhado em ciclos de violência. Esses ciclos foram impulsionados por tensões sobrepostas entre grupos armados, religiosos, étnicos, criadores de gado e agricultores. Como resultado, a RCA tem suportado focos repetidos de conflitos, desabrigamento da população, insegurança alimentare acesso limitado a serviços básicos e oportunidades econômicas. 

O general François Bozizé assumiu o poder em 2003 apoiado pelo vizinho Chade. Os anos seguintes viram uma luta intermitente entre o governo e vários grupos rebeldes. Em 2013, uma milícia chamada Seleka, amplamente percebida como uma coalizão de combatentes muçulmanos, assumiu o controle da capital Bangui, e seu líder, Michel Djotodia, tornou-se o primeiro presidente muçulmano na história da RCA. Entretanto, naquele mesmo ano, Djotodia renunciou ao cargo devido à intensa pressão da comunidade internacional e foi substituído por Catherine Samba-Panza, que atuou como presidente interina entre 2013 e 2014, até as eleições. 

Depois de muita demora, em fevereiro de 2016, o governo interino conseguiu realizar uma eleição que deveria ser um marco significativo na história do país.  Faustin-Archange Touadera venceu a eleição e foi empossado como presidente. Ele imediatamente fez a paz e a reconciliação suas prioridades, mas ainda existem confrontos e conflitos em algumas partes do país que envolvem principalmente os grupos Seleka e os grupos de autodefesa, como Anti-Balaka. Embora esses sejam com frequência citados como cristãos, eles são na maioria de fé animista e de igrejas que se desassociaram fortemente deles. Devido ao caráter religioso óbvio do conflito, civis cristãos e muçulmanos são vítimas da violência perpetrada pelos militantes Seleka e Anti-Balaka.  

Tentativas de pacificadores da ONU e forças do governo falharam em pôr fim aos conflitos, que continuam com ataques contra civis, trabalhadores humanitários e forças pacificadoras. Em fevereiro de 2019, outro acordo, o Acordo Político de Paz e Reconciliação, foi assinado com mais de uma dúzia de grupos rebeldes. Isso dá esperança de que haja um fim na crise. 

De acordo com o Relatório do Conselho de Segurança da ONU de 31 de janeiro de 2020, desde a assinatura do Acordo Político de Paz e Reconciliação em 6 de fevereiro de 2019, “houve uma notável diminuição, comparada ao ano anterior, nos confrontos militares entre grupos armados, forças de segurança da RCA, Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA) e nas violações dos direitos humanos relacionados ao conflito. Entretanto, o relatório final do grupo de especialistas que auxilia o Comitê de Sanções da RCA 2127, que foi apresentado ao comitê em 2 de dezembro de 2019, determinou que a implementação do acordo de paz ‘permanece limitada’”. 

As eleições de 27 de dezembro de 2020 ocorreram com violência, já que rebeldes pertencentes à Coalizão de Patriotas pela Mudança (CPC, da sigla em inglês) tentou interromper o processo em todo o país queimando as urnas e intimidando eleitores. Em aproximadamente uma dúzia de cidades, incluindo Bossangoa, reduto de Bozizé, moradores não puderam votar. Diversos candidatos presidenciais da oposição pediram que os resultados fossem anulados, alegando fraude generalizada.  

Apesar disso, o líder do Órgão de Fiscalização Nacional das Eleições declarou que o presidente em exercício, Touadera, venceu a reeleição, ganhando a maioria absoluta de 53,9% dos votos no primeiro turno. A onda de violência que precedeu as eleições continuou e piorou desde o início de 2021. O período pós-eleitoral viu uma onda de ataques por parte dos grupos armados que buscavam a saída do presidente Touadera. À luz do aumento da violência, em 21 de janeiro de 2021, um estado de emergência foi anunciado após as forças da CPC tentarem bloquear a capital do país, Bangui. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

A Constituição de 2016 garante liberdade de religião sob as condições estabelecidas por lei e proteção igualitária sob a lei, independentemente de religião, o que é geralmente respeitado na prática. A maioria dos analistas concorda que as linhagens familiares, as políticas étnicas locais e a militância rebelde têm sido fundamentais para moldar a política na RCA. Várias tribos têm travado guerra umas contra as outras, agravadas pela situação política e econômica e questões sociais. As tribos do Norte têm forte dominação muçulmana e, antes do golpe de Estado de Bozizé, em 2003, elas lutaram entre si pelo poder, mas juntaram forças sob o guarda-chuva da Seleka antes de encenar o golpe de 2013. Em todo o país, as relações têm sido tensas entre as várias tribos, e os conflitos entre elas levaram a uma perda considerável de pessoas ao longo dos anos. 

A RCA está envolvida em um conflito desde 2013 e a maior parte do país está ocupada por milícias armadas, responsáveis por uma variedade de abusos de direitos humanos. Líderes cristãos que denunciaram a violência publicamente foram ameaçados e as igrejas foram queimadas e saqueadas. O conflito resultou no deslocamento de milhares de cristãos, que foram forçados a viver em campos de deslocados interno e perderam suas casas e meios de subsistência. Além da insegurança e violência que todas as categorias de comunidades cristãs enfrentam, os cristãos ex-muçulmanos também lidam com a perseguição que vem de seus familiares mais próximos. A comunidade local, muitas vezes, os rejeita e também tenta forçá-los a renunciar à fé por meio da violência.  

Partidos políticos são legalmente capazes de se formar e operar. Entretanto, membros de partidos que conduzem atividades políticas correm risco de intimidação e violência em áreas controladas por grupos armados irregulares. De acordo com relatório da organização Freedom House, “existem diversos partidos de oposição no parlamento. Entretanto, políticos correm risco de intimidação, assédio ou violência em áreas controladas por grupo armados, e partidos de oposição estão limitados em sua capacidade de reunir apoio nessas áreas. Cidadãos também são vulneráveis a pressão e intimidação de grupos armados não estatais. Eleitores de fora da capital são amplamente incapazes de participar de processos políticos por motivos de segurança. A insegurança permanente e a falta de acesso ao processo político impedem grupos de minoria de conseguir representação política”.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

A República Centro-Africana (RCA) é um país predominantemente cristão; apesar das relações entre muçulmanos e cristãos parecerem superficialmente boas em anos anteriores, a tensão vinha crescendo sob a superfície. Em particular, os cristãos ex-muçulmanos sempre enfrentaram perseguição. A maioria dos homens convertidos experimenta violência física, enquanto mulheres convertidas correm risco de serem casadas à força com muçulmanos. Os cristãos que vivem em áreas dominadas por muçulmanos nas regiões norte, leste e oeste relataram discriminação e outras formas de pressão social. Muitos cristãos (e muçulmanos) misturam a fé com várias práticas etnorreligiosas, inclusive feitiçaria e bruxaria. 

De acordo com as estimativas do World Christian Database 2021, os cristãos constituem 75,3% da população e os muçulmanos 13,2%. O islã mostrou um crescimento significativo na última década — passando de 5% para mais de 13% — e foi fortalecido por grupos que se estabeleceram no Chade e no Sudão. A insatisfação com a percepção de marginalização dos muçulmanos do Norte foi uma das principais causas do golpe de março de 2013, que deu origem a um conflito mortal ao longo de linhas religiosas e étnicas. A comunidade cristã está muito preocupada com as incursões islâmicas que estão sendo estabelecidas no país e os líderes da igreja apontaram repetidamente que a rebelião que levou ao golpe tinha uma agenda religiosa. 

A vida normal da igreja é muito difícil, pois as reuniões dos cristãos estão sempre sob a ameaça de ataque; grupos de ex-Seleka atacam igrejas em áreas do país dominadas por muçulmanos e, principalmente, visam igrejas que estão mais envolvidas na integração aberta de convertidos da comunidade muçulmana. Grupos rebeldes Anti-Balaka também atacam igrejas e qualquer cristão que se oponha a suas atividades. Ambos os grupos rebeldes têm envolvimento em atividades criminosas. Os cristãos também são frequentemente assediados nas grandes cidades — especialmente em Bangui, perto do bairro PK5 — e na região nordeste.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

De acordo com o Banco Mundial, a atividade econômica reduziu em 2020, mas se manteve positiva em cerca de 0,8%, mais de 2 pontos percentuais abaixo de seu nível em 2019. Essa queda é primeiramente devido à COVID-19 e as medidas de restrição relatadas que afetaram o comércio entre a República Centro-Africana e o resto do mundo, e está interferindo nas cadeias de entrada e abastecimento alimentar. Entretanto, o desempenho do setor agrícola ajudou a reduzir a recessão na atividade econômica em 2020. 

Espera-se que as disputas pós-eleitorais e as ondas de insegurança relacionadas desacelerem a economia em 2021, devido, entre outras coisas, ao bloqueio do corredor Bangui-Douala, que afetou negativamente a atividade econômica e as receitas fiscais. 

Os principais desafios permanecem a restauração da paz duradoura e segurança, além da implementação da agenda de uma reforma ambiciosa para promover uma recuperação econômica sustentável; um crescimento econômico mais inclusivo; gestão sólida e prudente das finanças públicas; diversificação econômica; a criação de empregos melhores; melhoria no capital humano; promoção e melhoria do ambiente de negócios; e o fortalecimento da capacidade agrícola. 

Segundo o Índice de Liberdade Econômica 2021, a RCA marcou 48,8 pontos, classificando-se como o 166º país mais livre na lista de 2021. É uma queda na pontuação geral de 1,9 pontos (comparado a 2020), primeiramente por causa de um declínio nos direitos de propriedade. A República Centro-Africana está classificada em 44ª entre 47 países na região da África Subsaariana, e sua pontuação geral está abaixo das médias regional e mundial.  

CENÁRIO SOCIOLCULTURAL 

A República Centro-Africana (RCA) é fortemente moldada por normas patriarcais; homens são amplamente mantidos como chefes da família e espera-se que a mulher lidere a esfera doméstica. De acordo com o relatório da agência cristã Tearfund, estupro conjugal e violência doméstica não estão apenas no lugar comum, mas são amplamente aceitos. O estudo revela que homens e mulheres acreditam que há momentos em que a mulher merece ser agredida ou disciplinada, como por exemplo, ao recusar ter relações sexuais com o marido ou ser considerada agressiva. Muitas escolhem não relatar incidentes de abuso devido ao estigma, além do medo de perder os filhos. De acordo com o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, publicado em 15 de julho de 2020, a violência baseada em gênero aumentou quando as restrições da COVID-19 foram introduzidas. Apesar de a estratégia nacional visar a redução desse tipo de violência, as estatísticas pré-COVID já eram preocupantes.

Como a maioria dos países africanos, a sociedade da República Centro-Africana (RCA) foi dominada por várias religiões africanas tradicionais praticadas por diferentes tribos. A maioria das religiões tradicionais na região era dependente da tradição animista. Embora essas práticas religiosas sejam semelhantes, elas diferem de uma tribo para outra. A tradição africana animista dominava mais no Sul e Centro do país. Comerciantes muçulmanos do Norte do país introduziram o islã na região.  

O cristianismo tornou-se dominante na RCA depois que os colonos franceses assumiram o poder na década de 1880 e se tornou a religião de escolha para muitos, devido a sua estreita associação com poderosos e respeitados funcionários coloniais. Enquanto os missionários católicos romanos chegaram já na segunda metade do século 19, os missionários protestantes, por exemplo, enviados pelos batistas americanos, só começaram a operar no país em 1921.  

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