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República Centro-Africana

CF
República Centro-Africana
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, corrupção e crime organizado, hostilidade etno-religiosa
  • Capital: Bangui
  • Região: Oeste Africano
  • Líder: Faustin-Archange Touadera
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Cristianismo, islamismo, animismo
  • Idioma: Francês, sango, línguas étnicas
  • Pontuação: 66


POPULAÇÃO
4,9 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
3,6 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos na República Centro-Africana? 

A República Centro-Africana tem enfrentado conflitos e combates quase constantes desde 2013. Grande parte do país é ocupada por vários grupos de milícias armadas, que são responsáveis por uma série de abusos dos direitos humanos. Muitos desses grupos – sejam extremistas islâmicos ou não – visam especificamente os cristãos, de modo que a vida é constantemente incerta para os cristãos nas áreas sob controle de milícias. 

Líderes cristãos que denunciaram publicamente a violência foram ameaçados; edifícios de igrejas foram queimados e saqueados. O conflito resultou no deslocamento de milhares de cristãos que perderam as casas e meios de subsistência, agora forçados a viver em campos de deslocados. 

Além da insegurança e da violência que todos os cristãos enfrentam, os convertidos do islamismo ao cristianismo também enfrentam perseguição por parte de familiares próximos. A comunidade local frequentemente rejeita os cristãos ex-muçulmanos e também pode tentar forçá-los a renunciar ao cristianismo por meio da violência. 

“Se um dia eu conhecer o muçulmano que atirou as granadas em minha igreja, não ficarei zangado. Eu vou sorrir. Eu nem tenho coragem de machucá-lo. Acho que ele realmente não sabe o quão terrível é o que ele fez. Vou cumprimentá-lo e dizer: ‘Deus o perdoa e quer que eu também o perdoe. Você não sabe o que fez comigo, mas eu te perdoo’. E uma vez que eu disser isso a ele, nunca vou ficar com raiva dele.” 

Jeovani, cristão perseguido na República Centro-Africana  

O que mudou este ano? 

A República Centro-Africana caiu 10 posições em relação à Lista Mundial da Perseguição 2020. Muito disso se deve à diminuição da pressão sobre os cristãos na vida privada. Isso pode ser porque muitos dos grupos rebeldes que têm como alvo os cristãos também lutam entre si. Mas isso não significa que os cristãos estão protegidos da perseguição e discriminação no paísA violência contra os seguidores de Jesus permanece extrema, tornando a fé em Cristo uma perspectiva perigosa para muitos. 

Quem persegue os cristãos na República Centro-Africana? 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na República Centro-Africana são: opressão islâmica, corrupção e crime organizado, hostilidade etno-religiosa.

Já as fontes de perseguição são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na República Centro-Africana são: grupos religiosos violentos, redes criminosas, parentes, cidadãos e quadrilhas, líderes de grupos étnicos, líderes religiosos não cristãos, organizações multilaterais, grupos paramilitares  

Quem é mais vulnerável à perseguição na República Centro-Africana? 

A perseguição é mais severa nas partes norte e leste do país, onde a população muçulmana domina, e grupos dissidentes do Seleka (uma aliança de grupos de milícias rebeldes) estão operando. Existem também dificuldades específicas para os cristãos na parte oriental do país que faz fronteira com o Sudão. Além disso, os cristãos que se convertem do islamismo são duplamente vulneráveis por causa da violência geral contra os cristãos, bem como da intensa pressão da família e da comunidade.  

Como as mulheres são perseguidas na República Centro-Africana? 

Na República Centro-Africana, as mulheres e meninas cristãs estão particularmente sujeitas a abuso sexual, deslocamento, rapto e casamento forçado, como formas de perseguição religiosa. Às vezes, os pais são induzidos a dar as filhas cristãs em casamento em troca de presentes significativos. Em outros casos, garotas cristãs que pensavam que estariam livres para praticar a fé depois de se casarem com um homem muçulmano descobrem que, em vez disso, são forçadas a se converter.  

Estudantes, especialmente as mulheres, enfrentam o risco de sequestro e violência sexual durante o trajeto de ida e volta para a escola – um crime que desencoraja os pais que vivem em áreas de alto risco de mandar as filhas à escola. As meninas que são abusadas e engravidam têm probabilidade de abandonar a escola. 

Além disso, as táticas empregadas para islamizar a população agora estão assumindo formas mais sutis do que nos anos anteriores. Em algumas áreas do país, sob o pretexto de lutar contra a promiscuidade ou obter o registro de nascimento, as cristãs não têm escolha a não ser se casar por um imã ou ter o registro do nascimento de uma criança negado. 

No Norte do país, famílias cristãs pobres são pressionadas a permitir que as filhas sejam empregadas domésticas de famílias não cristãs ricas, de modo que as meninas passem meses em servidão sem receber pagamento. Também há relatos de estratégias de longo prazo para aumentar a população islâmica. Uma dessas estratégias envolve um homem muçulmano engravidar uma mulher cristã, abandoná-la com os filhos, e então retornar quando os filhos estiverem crescidos para reivindicá-los como muçulmanos. 

Como a República Centro-Africana é um dos países mais pobres da África, a necessidade financeira pode levar mulheres cristãs com muitos filhos a concordar em se converter ao islamismo simplesmente para sobreviver. Há relatos de que às vezes uma mãe cristã pode ficar com um membro da igreja, sob a condição de que os filhos sejam enviados à mesquita local. 

Como os homens são perseguidos na República Centro-Africana? 

Quando as famílias cristãs são alvos de milícias extremistas, as mulheres cristãs na República Centro-Africana geralmente são abusadas sexualmente e deixadas vivas, enquanto os homens são mortos ou detidos pela milícia. Nos últimos meses, o país viu dezenas de mortes em muitas cidades e vilas diferentes. Os pastores são especialmente visados e, às vezes, falsas acusações são usadas como pretexto. 

Meninos e homens são, às vezes, recrutados à força por grupos rebeldes militantes; eles também são alvo de tortura e agressão. Raptos, ameaças e empobrecimento tático de homens afetam muito as famílias cristãs, bem como a separação das famílias quando vivem em acampamentos de deslocados. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na República Centro-Africana? 

A Portas Abertas está envolvida com a igreja na África Central há vários anos. A partir de 2013, nossos programas foram direcionados ao apoio à igreja em crise após um golpe por um grupo de maioria islâmica. Temos trabalhado não apenas para destacar a situação difícil da igreja no país, mas também para ajudar a igreja a fornecer alívio emocional e físico aos cristãos que são alvo de violência. Apoiamos a igreja na República Centro-Africana por meio de treinamento, assistência emergencial e médica, suporte financeiro, reconstrução de igrejas e ajuda em empreendimentos comerciais. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente. 



Pedidos de oração da República Centro-Africana 

  • Ore pelos cristãos na República Centro-Africana enquanto eles enfrentam a violência e os conflitos que parecem não ter fim. Ore para que tenham a coragem de permanecer firmes na fé e trabalhar para ser luz e paz nas comunidades. 
  • Ore pelos seguidores de Jesus que são alvo de vários grupos em ataques violentos. Sejam extremistas islâmicos, milícias do crime organizado ou seguidores radicais de religiões animistas, todos esses grupos escolhem os cristãos para o ataque. Ore para que Deus os proteja e os mantenha seguros. 
  • Ore pela paz no país e para que Deus toque os corações dos líderes de cada grupo radical. 
  • Ore pelos cristãos ex-muçulmanos, para que eles sejam protegidos da opressão nas mãos da família e comunidade. Ore para que eles encontrem cristãos que os ajudem a crescer e amadurecer na fé. 

Um clamor pela República Centro-Africana 

Deus, nos apresentamos para pedir-lhe que sustente e poupe nossa família - seus filhos - na República Centro-Africana. Oramos contra a violência e as ferramentas do inimigo. Pedimos que traga sua paz ao país e que todas as pessoas que lutam vejam a paz que o Senhor oferece. Oramos pelos cristãos que são forçados a manter a fé em segredo, para que o Senhor aumente a fé deles, mesmo enquanto eles o seguem a portas fechadas. Por Jesus Cristo, que vive e reina agora e para sempre, amém. 

A República Centro-Africana (RCA) era uma colônia francesa conhecida como Ubangi-Shari. Em 1960, Ubangi-Shari ganhou independência da França. Depois de uma série de golpes, o general François Bozizé assumiu o poder em 2003. Após vários anos de luta intermitente, em que o governo foi desafiado por vários grupos rebeldes, um grupo de milícias chamado Seleka, amplamente percebido como uma coalizão de combatentes muçulmanos, assumiu o controle da capital Bangui em 2013 e seu líder, Michel Djotodia, tornou-se o primeiro presidente muçulmano na história da RCA. Devido à intensa pressão da comunidade internacional, o presidente Djotodia renunciou ao cargo e foi substituído por Catherine Samba-Panza, que atuou como presidente interina de 2013 a 2014, até as eleições. 

O governo interino, depois de muita demora, finalmente conseguiu realizar uma eleição que deveria ser um marco significativo no processo de transição na República Centro-Africana. Na eleição presidencial realizada em fevereiro de 2016, Faustin-Archange Touadera chegou à presidência. Embora o presidente Touadera tenha feito da paz e da reconciliação sua prioridade desde o início do mandato, ainda existem confrontos e conflitos em algumas partes do país que envolvem os grupos Seleka e os grupos de autodefesa, como Anti-Balaka. Devido ao caráter religioso óbvio do conflito, civis cristãos e muçulmanos são vítimas da violência perpetrada pelos militantes Seleka e Anti-Balaka. Nem os pacificadores da ONU, nem o governo conseguiram pôr fim aos conflitos e o país continua mergulhado em anarquia. 

A República Centro-Africana está envolvida em conflitos desde 2013, quando a coalizão Seleka tomou o poder do presidente François Bozize, provocando violenta instabilidade no país. Após as eleições de março de 2016, havia uma esperança renovada de que a paz estava retornando ao país, pois houve uma pausa inicial no conflito. No entanto, mais combates eclodiram no final de 2016 e no início de 2017 entre grupos armados.  

Atualmente, facções ex-Seleka e militantes Anti-Balaka ocupam e controlam grandes áreas de território nas partes norte e oeste do país, respectivamente. A situação é instável e os vários grupos de milícias armadas foram responsáveis por uma série de violações dos direitos humanos. A RCA faz fronteira com outros países frágeis e voláteis (Sudão, Sudão do Sul e República Democrática do Congo), o que torna o conflito ainda mais desafiador. As tensões dentro e entre as comunidades, a competição por recursos (terra, financeiro, político e administrativo), a destruição dos laços tradicionais e a falta de confiança nas autoridades impediram as tentativas de resolver o conflito. 

Em 8 de junho de 2018, as Câmaras de Julgamento de Apelações do Tribunal Penal Internacional (TPI) absolveram Jean-Pierre Bemba Gombo, nacional congolês e ex-vice-presidente da República Democrática do Congo, acusado perante o TPI de crimes de guerra e crimes contra a humanidade por seu envolvimento no violento conflito na República Centro-Africana. Em novembro e dezembro de 2018, dois ex-oficiais da RCA supostamente envolvidos na coordenação e comando dos grupos armados Anti-Balaka foram presos ou se entregaram sob um mandado emitido pelo TPI, sinalizando que ninguém pode cometer atrocidades sob o direito internacional com impunidade. Em 17 de novembro de 2018, Alfred Yekatom, um suposto ex-comandante Anti-Balaka, foi transferido para o TPI e compareceu perante o tribunal seis dias depois. E, em 12 de dezembro de 2018, Patrice Edouard Ngaissona, um ex-ministro do governo e coordenador autoproclamado do grupo armado Anti-Balaka, foi preso por um mandado emitido pelo TPI uma semana antes. 

Ao longo de 2018, os combates e os ataques de grupos armados forçaram o deslocamento de dezenas de milhares de pessoas de suas casas. O número total de pessoas deslocadas internamente na República Centro-Africana subiu para mais de 642.800, e o número total de refugiados foi para 574.600, os números mais altos desde 2014. 

Houve várias intervenções governamentais e internacionais para conter o conflito, mas até agora não conseguiram produzir grandes melhorias. A situação de segurança em todo a RCA permanece volátil, com ataques contínuos contra civis, trabalhadores humanitários e forças de manutenção da paz. Em fevereiro de 2019, outro acordo, o Acordo Político de Paz e Reconciliação, foi assinado com mais de uma dúzia de grupos rebeldes.  Um novo governo foi formado com diversos membros de grupos da oposição mantendo posições chave. Após a assinatura do acordo de paz, embora tenha havido uma diminuição notável, comparado ao ano anterior, nos confrontos militares entre grupos armados, forças de segurança da República Centro-Africana e da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana e nos direitos humanos, grupos armados continuaram a cometer sérias violações. A violência entre grupos armados continuou na capital, Bangui, e em várias províncias em meio a esforços para desarmar, desmobilizar e reintegrar combatentes das forças rebeldes. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

A Constituição garante liberdade de religião sob as condições estabelecidas por lei e proteção igualitária sob a lei, independentemente de religião, o que é de modo geral respeitado na prática. A maioria dos analistas concorda que as linhagens familiares, as políticas étnicas locais e a militância rebelde têm sido fundamentais para moldar a política na República Centro-Africana (RCA). Várias tribos têm travado guerra umas contra as outras, irritadas pela política, economia e questões sociais. As tribos do Norte têm forte dominação muçulmana e, antes do golpe de Estado de Bozizé, em 2003, elas lutavam entre si pelo poder, mas juntaram forças sob o guarda-chuva da Seleka antes de encenar o golpe de 2013. Em todo o país, as relações têm sido tensas entre as várias tribos, e os conflitos entre elas levaram a uma perda considerável de pessoas ao longo dos anos. 

A maior parte do país está ocupada por milícias armadas, responsáveis por uma variedade de abusos de direitos humanos. Os líderes cristãos que denunciavam a violência foram ameaçados e as igrejas foram queimadas e saqueadas. O conflito resultou no deslocamento de milhares de cristãos, que foram forçados a viver em campos de descolados internos e a perder suas casas e meios de subsistência. Além da insegurança e da violência que todos os cristãos enfrentam, os cristãos ex-muçulmanos também lidam com a perseguição que vem de seus familiares mais próximos. A comunidade local, muitas vezes, os rejeita e tenta forçá-los a renunciar à fé por meio da violência.  

A Constituição reformada de 2015 designou poderes entre os diferentes ramos do governo: “O presidente, eleito a cada seis anos, é o chefe de Estado, enquanto o primeiro-ministro é o chefe de governo. O presidente é eleito por voto popular. O primeiro-ministro é nomeado pelo presidente. O conselho de ministros é nomeado pelo presidente. O Supremo Tribunal confirma a Constituição através de tomada de decisão. O Supremo Tribunal é formado por juízes nomeados pelo presidente. Eles servem por períodos não renováveis de 7 anos. A Assembleia Nacional tem o poder de nomear o primeiro-ministro e aprovar leis. A Assembleia Nacional é eleita para mandatos de cinco anos usando o sistema de duas rodadas”. 

A milícia Seleka (que se dividiu em várias facções) tem sido um dos principais atores da guerra civil que engoliu a RCA e é composta por combatentes da parte norte do país, predominantemente muçulmana. As facções que surgiram desde então têm uma composição semelhante e a maioria de seus combatentes são muçulmanos. Os ramos da Seleka são grupos militantes, como a União das Forças Democráticas pela Unidade, a Convenção dos Patriotas pela Justiça e Paz (CPJP), a Convenção Patriótica para a Salvação de Kodro, a União das Forças Republicanas e a Aliança pelo Renascimento e Reconstrução. 

A milícia Anti-Balaka começou como unidades locais de autoproteção e grupos de vigilantes, mais tarde se tornando um ator importante na guerra civil. A princípio, a Anti-Balaka foi rotulada pela mídia ocidental como uma “milícia cristã”. Não era esse o caso, pois a maioria sempre foi animista. Apesar disso, alguns cristãos se uniram as suas fileiras no início devido ao desapontamento com a inação das forças da ONU e a impunidade da Seleka na época. No entanto, a maioria dos Anti-Balaka agora se transformou efetivamente em gangues criminosas. As atividades criminosas dessas quadrilhas resultam na perseguição de cristãos em Bangui, visto que muitas vezes atacam líderes religiosos, além dos ataques violentos e horríveis que cometem contra muçulmanos. 

Com pelo menos 70% do território sob o controle de vários grupos militantes, o governo e as forças de manutenção da paz da ONU têm muito pouco controle na maior parte do país. O International Crisis Group (ICG) lista a RCA como um país em observação quanto à crise.  

O conflito nos últimos anos mudou fundamentalmente o relacionamento entre cristãos e muçulmanos. A menos que haja um processo de reconciliação e uma tentativa de pôr fim ao ciclo de impunidade, há um grave risco de que a polarização continue e se transforme em um conflito religioso. Apesar das eleições em 2015 e 2016, que muitos esperavam que trariam uma nova chance de reconciliação, a ex-milícia Seleka não parece disposta a baixar as armas e ainda há um sério risco de uma recaída em um conflito violento com conotações religiosas. A igreja, o Estado e a sociedade na RCA estão envolvidos em uma experiência dramática. Líderes cristãos das principais denominações têm condenado a violência do grupo Anti-Balaka.   

O presidente Faustin Archange Touadera, foi reeleito no primeiro turno das eleições presidenciais de 27 de dezembro de 2020, com 53,92% dos votos, como anunciado no começo de janeiro de 2021. Essas eleições, realizadas em conjunto com as legislativas, ocorreram sob a ameaça de uma nova ofensiva por uma coalizão rebelde. O país vive uma guerra civil e tem dois terços de seu território controlados por grupos armados. 

CENÁRIO RELIGIOSO 

A República Centro-Africana (RCA) é um país predominantemente cristão; as relações entre muçulmanos e cristãos eram boas no passado, mas a tensão vinha crescendo sob a superfície. Em particular, os convertidos do islamismo ao cristianismo sempre enfrentaram perseguição. Os cristãos que vivem em áreas dominadas por muçulmanos nas regiões norte, leste e oeste relataram perseguição sob a forma de discriminação e outras formas de pressão social. Muitos cristãos (e muçulmanos) também acreditam nas religiões africanas tradicionais e misturam a fé com várias práticas tradicionais, inclusive feitiçaria e bruxaria. 

De acordo com as estimativas do World Christian Database, os cristãos constituem 74,6% da população e os muçulmanos 13,3%. O islã mostrou um crescimento significativo na última década — passando de 5% para mais de 13% — e foi fortalecido por grupos que se estabeleceram no Chade e no Sudão. A insatisfação com a percepção de marginalização dos muçulmanos do Norte foi uma das principais causas do golpe de março de 2013, que deu origem a um conflito mortal ao longo de linhas religiosas e étnicas. Os cristãos locais estão muito preocupados com as incursões islâmicas que estão sendo estabelecidas no país e os líderes da igreja apontaram que a rebelião que levou ao golpe tinha uma agenda religiosa. 

A vida normal da igreja é muito difícil, pois as reuniões dos cristãos estão sempre sob a ameaça de ataque; grupos de ex-Seleka atacam igrejas que são encontradas nas áreas dominadas por muçulmanos do país e, principalmente, visam igrejas que estão mais envolvidas na integração aberta de convertidos da comunidade muçulmana. Grupos rebeldes Anti-Balaka também atacam igrejas e qualquer cristão que se oponha a suas atividades. Ambos os grupos rebeldes têm envolvimento em atividades criminosas. Os cristãos também são frequentemente assediados nas grandes cidades — especialmente em Bangui, perto do bairro PK5 — e na região nordeste. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

Apesar das grandes riquezas naturais, os motins e um histórico de golpes mergulharam o país em uma pobreza adversa. Como resultado de décadas de instabilidade política, uma posição geográfica sem litoral e a prevalência da agricultura de subsistência, a RCA é um dos países menos desenvolvidos do mundo. No relatório do Desenvolvimento Humano de 2020, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) colocou a RCA na categoria “baixo desenvolvimento humano”, classificando-a em 188º entre os 189 países incluídos no estudo, com um índice de 0,397. 

CENÁRIO SOCIOLCULTURAL 

Além de ser um dos países de menor ranking no Índice de Desenvolvimento Humano, a República Centro-Africana (RCA) também possui uma das mais baixas expectativas de vida, 53,3 anos, segundo o World Factbook da CIA. Isso se deve, em parte, à instabilidade da década passada que levou a uma deterioração da situação socioeconômica no país. 

Havia numerosos mercadores de escravos muçulmanos operando no país durante o século 19, vindos do Norte e do Chade, o que levou ao crescimento do islamismo nas regiões mais ao norte do país. Até recentemente, a sociedade multirreligiosa da RCA não sofria tensões substanciais. No entanto, há uma instabilidade crescente no país desde 2013, depois que grupos militantes se mobilizaram ao longo das linhas religiosas. A principal queixa expressada pela maioria dos militantes Seleka é a negligência e a marginalização de longa data das regiões predominantemente muçulmanas no Norte. 

 A Human Rights Watch resumiu os eventos de 2018 da seguinte forma: “Os grupos armados continuaram a cometer graves violações dos direitos humanos, expandindo seu controle para cerca de 70% do país, enquanto o governo central, liderado pelo presidente Faustin-Archange Touadera, controlava a capital Bangui e arredores a oeste”. 

A RCA foi afetada com instabilidade crônica como resultado de vários grupos rebeldes que se opõem ao governo central. A maioria desses rebeldes usa armas como resultado de uma suposta exclusão sectária e marginalização. A instabilidade da RCA e a fraqueza de seus sucessivos governos, bem como a falta de legitimidade, significaram que o ex-colonizador da RCA, França, ainda desempenha um papel muito decisivo no país. Houve muitas intervenções militares diretas pela França em apoio aos governos e, às vezes, para proteger o próprio povo francês que vive na RCA.  

Enquanto os rebeldes e aqueles que lideram os golpes militares, muitas vezes, alegam que estão motivados pelo desejo de erradicar a corrupção ou a discriminação étnica ou religiosa, na maioria das vezes parece que eles são motivados pelas recompensas materiais do poder político e pelas oportunidades financeiras que a corrupção oferece. Os padrões recorrentes de conflito transformaram a RCA em um Estado falido. 

Como a maioria dos países africanos, a sociedade da República Centro-Africana (RCA) foi dominada por várias religiões africanas tradicionais praticadas por diferentes tribos. A maioria das religiões tradicionais na região era dependente da tradição animista. Embora essas práticas religiosas sejam semelhantes, elas diferem de uma tribo para outra. A tradição africana animista dominava mais no Sul e Centro do país.  

Comerciantes muçulmanos do Norte do país introduziram o islã na região. O cristianismo tornou-se dominante na RCA depois que os colonos franceses assumiram o poder na década de 1880 e se tornou a religião de escolha para muitos, devido a sua estreita associação com poderosos e respeitados funcionários coloniais. Enquanto os missionários católicos romanos chegaram já na segunda metade do século 19, os missionários protestantes, por exemplo, enviados pelos batistas americanos, só começaram a operar no país em 1921. Os católicos romanos são de longe o maior grupo cristão. 

Crianças pequenas são sequestradas e forçadas a lutar por grupos rebeldes

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