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Ruanda

RW
Ruanda
  • Tipo de Perseguição: Paranoia ditatorial, protecionismo denominacional
  • Capital: Kigali
  • Região: Sul e Leste da África
  • Líder: Paul Kagame
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Cristianismo, islamismo
  • Idioma: Kinyaruanda, francês, inglês, suaíli
  • Pontuação: 50


POPULAÇÃO
13,3 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
12,2 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos em Ruanda?

Após o genocídio que aconteceu no país nos anos 1990, a legislação estatal e a regulação da vida em sociedade foram elaboradas para garantir que situações como essas não ocorram novamente. Entretanto, o governo atual usa as leis como pretexto para suprimir a liberdade de associação, reunião e religião.  

Como resultado, a palavra do governo é lei e ninguém pode contestá-la. De acordo com o Observatório dos Direitos Humanos, muitos agentes da sociedade civil e jornalistas pararam de trabalhar em questões políticas ou de direitos humanos por causa de ameaças das autoridades. Logo, não se comenta sobre perseguição aos cristãos no país, mas essa é uma realidade na vida da população.  

“Os esforços do governo para que as igrejas tenham melhor estrutura são bem-vindos.”

ESRON MANIRAGABA, UM DOS LÍDERES DA ALIANÇA EVANGÉLICA DO PAÍS

O que mudou este ano? 

Houve um aumento do nível de pressão nas esferas da vida privada e nação e um crescimento menor nos níveis de violência. A legislação estatal e a regulamentação da sociedade visam garantir que o governo tenha um controle rígido. Como resultado, o processo de solicitação de licenças e registro de novas igrejas tornou-se muito complicado.  

O governo impôs requisitos rigorosos aos cristãos, como por exemplo a necessidade dospastores terem um diploma universitário, que não são apenas difíceis, mas também irreais de cumprir em um curto período de tempo.  

Além disso, denominações tradicionais, como a Igreja Católica, apoiam o governo em colocar mais pressão sobre igrejas novas e menores. As igrejas tradicionais, no entanto, também enfrentam altos níveis de interferência, por exemplo, quando se trata de escolher líderes e o conteúdo do ensino religioso. O governo quer o apoio de todas as igrejas do país. Mas caso isso não ocorra, elas podem ser acusadas de distorcer a realidade.  

Quem persegue os cristãos em Ruanda? 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos em Ruanda são: paranoia ditatorial e protecionismo denominacional. 

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos em Ruanda são: oficiais do governo, partidos políticos, líderes religiosos cristãos, cidadãos e quadrilhas e parentes 

Quem é mais vulnerável à perseguição em Ruanda? 

Nos últimos anos, a perseguição tem acontecido com frequência na capital Kigali, particularmente a grupos cristãos evangélicos e pentecostais. 

Como as mulheres são perseguidas em Ruanda? 

Apesar de Ruanda ostentar a maior representação parlamentar feminina do mundo, as atitudes patriarcais continuam a dominar a cultura. Conforme observado em uma revisão periódica da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW, da sigla em inglês) de 2017, “há uma falta geral de aceitação das mulheres em cargos de tomada de decisão e relutância em implementar as decisões tomadas por elas”. Essas normas culturais podem ser exploradas para fins de perseguição religiosa contra as mulheres. 

Em um país onde o casamento forçado, o rapto e a mutilação genital feminina são comuns na maioria das regiões, alguns casamentos forçados acontecem por motivação religiosa. Os pais de mulheres convertidas do islã são conhecidos por casá-las com muçulmanos para tentar restaurá-las à fé islâmica. Um especialista do país explicou: “As cristãs de origem muçulmana vivem sempre sob a ameaça de serem forçadas a se casar”. As convertidas também são vulneráveis a ataques físicos, sexuais e verbais. O abuso sexual é amplamente citado por especialistas regionais como o principal desafio enfrentado pelas mulheres convertidas

Se elas já são casadas quando se tornam cristãs, as mulheres de origem muçulmana ou animista provavelmente se divorciarão e, posteriormente, terão a custódia de seus filhos negadas. Além disso, as seguidoras de Jesus geralmente têm seus direitos de herança negados. 

Como os homens são perseguidos em Ruanda? 

A perseguição específica de gênero contra homens e meninos ruandeses por motivos religiosos não é amplamente divulgada. Quando ocorre, geralmente assume a forma de violência física ou prisão. Os pastores, em particular, são vulneráveis a detenção. A pressão sobre os líderes da igreja em Ruanda e as dificuldades em registrar igrejas levaram muitos líderes a migrar para Uganda e Tanzânia. 

Os convertidos de origem muçulmana também estão expostos à perseguição; eles podem ser discriminados pela família, no trabalho, ou até mesmo perdem o emprego. Se o homem for perseguido, seu papel de provedor da família pode ficar comprometido e seus dependentes também sofrerão. Da mesma forma, se os convertidos forem forçados a deixar a casa de sua família por causa da fé, ficarão vulneráveis economicamente. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos em Ruanda?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente. 

Pedidos de oração de Ruanda 

  • Clame para que o Senhor se manifeste aos cristãos perseguidos em Ruanda. Que eles sejam fortalecidos pelo amor de Cristo e supridos nas diversas necessidades.  
  • Interceda para que os líderes de igrejas sejam protegidos e cheios de sabedoria de Deus para lidar tanto com os cristãos como com o governo. 
  • Ore para que as autoridades ruandesas se voltem para Jesus e governem o país com sabedoria e justiça.  

Ruanda era um território centralizado que foi cedido ao Império Alemão durante a?Conferência de Berlim?em?1885, mas só foi entregue em?1890. Após a derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial, o território foi entregue à Bélgica a mando da Liga das Nações. O domínio belga foi duro como o dos alemães, além disso, utilizou a Igreja Católica para manipular a população. Somente em primeiro de julho de 1962, Ruanda tornou-se independente, mas permaneceu sob tutela da ONU. 

Aproximadamente 84% da população é hutu e 14% tutsi. Em 6 de abril de 1994, um avião que transportava o presidente ruandês Habyarimana e o presidente de Burundi, Cyprien Ntaryamira, — ambos hutus — foi abatido e os dois políticos foram mortos. Por consequência, as Forças Armadas de Ruanda (FAR) e a milícia hutu (Interahamwe) foram de casa em casa matando tutsis e políticos hutus moderados, o que ficou conhecido como massacre de Ruanda.  

Em 13 de maio de 1994, o Conselho de Segurança da ONU concordou em enviar 5.500 soldados, principalmente da Organização da Unidade Africana. No entanto, como houve um desacordo sobre quem deveria cobrir o custo, a implantação foi adiada. O grupo radical hutu continuou o massacre. 

Então, em 4 de julho de 1994, a Frente Patriótica de Ruanda (RPF, da sigla em inglês) capturou Kigali e o governo hutu fugiu para o Zaire (atual República Democrática do Congo). A comunidade internacional se envergonhou de sua incapacidade de salvar milhares de vidas. Em 2013, o presidente dos EUA, Clinton, disse que “se os EUA tivessem intervindo em Ruanda, cerca de 300.000 vidas poderiam ter sido salvas”. O então secretário-geral da ONU, Kofi Anan, também se juntou ao presidente Clinton para estender um pedido de desculpas ao parlamento ruandês. 

O genocídio ruandês de 1994 é considerado um dos momentos mais sombrios da segunda metade do século 20. Ele tirou a vida de mais de 800 mil pessoas. Essa história sombria criou um ambiente de medo, e o governo está usando a memória dessas atrocidades a seu favor. Paul Kagame ainda lidera o país desde o fim do genocídio em 1994. Infelizmente, alguns líderes da Igreja Católica Romana também tiveram implicações no genocídio.  

Como em muitos outros países africanos, os primeiros missionários cristãos a chegar em Ruanda foram os padres brancos da Ordem de Nossa Senhora da África, que adquiriram uma vantagem decisiva no território ruandês em relação ao exército alemão, construindo sete estações missionárias. Quando os alemães foram forçados a deixar o país durante a Primeira Guerra Mundial, dez estações missionárias foram abertas. 

Em 1907, chegaram os primeiros missionários protestantes, luteranos alemães da Missão Betel. Esses luteranos alemães fundaram oito estações missionárias, juntamente com dois comércios para competir com os comerciantes muçulmanos. Antes de também serem forçados a deixar o país, os luteranos conseguiram editar uma tradução dos quatro evangelhos e um livro didático na língua ruandesa.  

Depois que os belgas assumiram o controle do país, eles permitiram a entrada de outros missionários da Igreja Adventista do Sétimo Dia dos Estados Unidos (1916), dos anglicanos da Sociedade Missionária da Igreja (1921), dos batistas dinamarqueses (1938), dos pentecostais suecos (1940) e da Igreja Metodista Livre americana (1942). Nesse período, foram construídos escolas e hospitais.  

Ruanda tem sido um país de maioria católica desde os dias coloniais sob a Bélgica. Alguns líderes católicos se opõem abertamente ao crescimento de grupos religiosos não tradicionais. 

 

A maioria dos muçulmanos em Ruanda é sunita, com um pequeno número de xiitas (200-300), garante a Comunidade Muçulmana de Ruanda (RMC, da sigla em inglês). Embora geralmente não haja concentrações de grupos religiosos em determinadas áreas geográficas, um número significativo de muçulmanos vive no bairro Nyamirambo em Kigali. 

P A lei estipula que os pregadores devem possuir licenciatura em estudos religiosos de uma instituição de ensino superior ou qualquer outro grau com um certificado válido em estudos religiosos emitido por uma instituição reconhecida. Além disso, há a lei que regulamenta as reuniões públicas e estabelece que quem fizer reunião ou manifestação em local público sem autorização prévia está sujeito a oito dias a seis meses de prisão e deve pagar uma multa entre 110 e 1.100 dólares. 

O país recebeu muitos refugiados em maio de 2021. Um total de 127.557 pessoas e solicitantes de refúgio vieram de Burundi (38,7%) e da República Democrática do Congo (50,1%). Mulheres e crianças representavam 75% da população. Além disso, há cerca de 8 mil refugiados congoleses deslocados em Ruanda após a erupção do vulcão Nyiragongo, em 22 de maio de 2021.  

Ruanda é um país de maioria católica desde os dias coloniais da Bélgica

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