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Síria

SY
Síria
  • Tipo de Perseguição: Paranoia ditatorial, opressão islâmica, opressão do clã, corrupção e crime organizado, protecionismo denominacional
  • Capital: Damasco
  • Região: Oriente Médio
  • Líder: Bashar al-Assad
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo, cristianismo, druso
  • Idioma: Árabe, curdo, armênio, aramaico, circassiano, francês, inglês
  • Pontuação: 80


POPULAÇÃO
19,3 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
603 MIL

DOAR AGORA

R$

Como é a perseguição aos cristãos na Síria? 

Anos de conflito e instabilidade criaram um ambiente em que a perseguição floresce com impunidade. 

Em algumas áreas controladas por militantes islâmicos, líderes de igrejas históricas são principalmente alvo de sequestro ou ataques já que têm uma visibilidade pública maior. Isso é feito para intimidar a comunidade cristã. A maioria dos prédios de igrejas foram demolidos ou transformados em centros islâmicos. Expressões públicas da fé cristã são proibidas e prédios de igrejas não podem ser reformados ou restaurados. Mesmo em áreas controladas pelo governo, evangelismo e conversão do islamismo para o cristianismo são vistos como ameaça à estabilidade social e, portanto, fortemente suprimidos. 

Cristãos de origem muçulmana experimentam pressão principalmente da família e comunidade porque a conversão deles é vista como uma desfeita à honra da família. Convertidos correm o risco de serem expulsos da casa da família ou pior. 

No Norte da Síria, minorias religiosas (incluindo cristãos) são perseguidas por forças turcas e associados a milícias islâmicas. Eles são atacados, mortos, sequestrados e violentados sexualmente. Muitos locais religiosos também foram seriamente danificados. 

  

É uma crise prolongada, sem chegar a um fim. Nós tivemos experiências positivas e negativas. Houve situações dolorosas, pessoas foram mortas, feridas. Por outro lado, experimentamos a luz divina em meio às trevas.  

Pastor Edward, cristão perseguido que comanda um Centro de Esperança na Síria  

O que mudou este ano? 

A Síria subiu três posições na Lista Mundial da Perseguição principalmente por causa de um aumento na violência. No último ano, três cristãos foram mortos e pelo menos cinco foram sequestrados. Dezenas de igrejas, monastérios, cemitérios cristãos e outros prédios vitais para as comunidades cristãs foram atacados, danificados ou saqueados no Oeste e Norte do país, a maioria devido ao intenso bombardeio das forças turcas e oposição sustentada pelos turcos, ou por criminosos.  

Quem persegue os cristãos na Síria 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos da Síria são: paranoia ditatorial, opressão islâmica, opressão do clã, corrupção e crime organizado, protecionismo denominacional. 

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na Síria são: grupos religiosos violentos, oficiais do governo, grupos paramilitares, partidos políticos, parentes, cidadãos e quadrilhas, líderes de grupos étnicos, líderes religiosos não cristãos, redes criminosas, líderes religiosos cristãos. 

Quem é mais vulnerável à perseguição na Síria? 

Cristãos estão principalmente sob pressão na província de Idlib, no Noroeste, e na província de Hasakah, no Nordeste, onde o autoproclamado Estado Islâmico atacou civis e igrejas. O exército turco atua abertamente por todo o Norte do país, incluindo em Hasakah e Qamishli, o que torna essas áreas perigosas para cristãos. 

Deixar o islamismo é mais perigoso no Noroeste e no Nordeste do país. Convertidos são isolados pela família e comunidade e, em circunstâncias mais extremas, mortos a fim de restaurar a “honra” da família. 

Mulheres cristãs são vulneráveis a perseguição em áreas ocupadas por extremistas islâmicos. No Nordeste da Síria, onde a polícia religiosa do Estado Islâmico retornou, elas devem se cobrir completamente em espaços públicos senão sofrem violência.  

Como as mulheres são perseguidas na Síria? 

Anos de conflitos e extremismo na Síria criaram um ambiente em que a violência sexual floresce. Meninas e mulheres de grupos minoritários são principalmente vulneráveis a exploração e podem estar sujeitas a sequestro, assédio e violência sexual. 

Meninas e mulheres cristãs geralmente experimentam assédio e discriminação em público. Mulheres que são conhecidas por serem cristãs foram espancadas na rua e discriminadas no local de trabalho ou enquanto utilizavam serviços médicos. 

Mulheres que se convertem do islamismo ao cristianismo enfrentam violência e intimidação. Deixar o islamismo é considerado uma violação séria da honra da família e qualquer mulher que o faz corre o risco de enfrentar divórcio, violência doméstica, casamento forçado com um muçulmano ou, em circunstâncias mais extremas, morte. 

Se uma mulher se divorcia por causa da fé cristã, ela tem a custódia dos filhos negada, já que as leis islâmicas ditam que os direitos à guarda são dados para a parte muçulmana. Ser divorciada ou rejeitada pela família muitas vezes leva a extrema pobreza, já que mulheres na Síria geralmente são impedidas de trabalhar e estudar, então dependem do marido ou do pai para provisão financeira.  

Como os homens são perseguidos na Síria? 

A ameaça mais iminente para meninos e homens é o recrutamento forçado pelo exército sírio ou outra facção militar. O serviço militar é obrigatório para todos os homens maiores de 18 anos. A recusa resulta em uma multa alta. Homens cristãos enfrentam discriminação no exército. Eles são excluídos dos cargos mais altos e se a carreira militar continua, eles são forçados a se aposentar cedo.  

Os cristãos que não estão servindo no exército atualmente também enfrentam discriminação no local de trabalho. Os muçulmanos sempre têm prioridade nos empregos ou para promoções. Homens que se converteram do cristianismo para o islamismo experimentam bullying no local de trabalho. Eles também podem ser ameaçados pela família, expulsos de casa ou, em casos extremos, agredidos severamente. 

Líderes de igrejas vivem com uma ameaça constante de sequestro. Diversos líderes cristãos foram sequestrados por extremistas islâmicos durante a guerra por motivos políticos ou financeiros. Muitos ainda não foram encontrados ou resgatados. Isso tem um profundo impacto negativo nas comunidades cristãs. Uma vez que um líder desaparece ou emigra, a comunidade cristã se desintegra.  

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Síria? 

Parceiros da Portas Abertas fortalecem a igreja na Síria por meio de distribuição de Bíblias, treinamento de liderança e discipulado, aconselhamento pós-trauma, ajuda emergencial e apoio prático para deslocados internos, além de Centros de Esperança, que apoiam cristãos sírios e suas comunidades.   

Como posso ajudar os cristãos perseguidos na Síria? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a perseguição é extrema e a necessidade é mais urgente. 

QUERO AJUDAR 

Pedidos de oração da Síria 

  • Agradeça a Deus porque, apesar dos perigos, cristãos corajosos permanecem certos da fé em Jesus, e são sal e luz em suas comunidades.  
  • Ore por paz e estabilidade. Peça que o governo tenha sabedoria para estabilizar a economia e que a taxa de inflação caia.  
  • Clame para que os Centros de Esperança restaurem a esperança de pessoas cansadas da guerra. Interceda por provisão financeira contínua e que os trabalhadores sejam revitalizados para ajudar em compaixão aqueles que estão em necessidade.


    Um clamor pela Síria 

Deus todo-poderoso, derrame sua compaixão sobre as pessoas na Síria. Restaure essa terra em um lugar de paz e estabilidade. Aproxime-se de seus filhos que sofrem ameaças, intimidação e perseguição pela fé no Senhor. Conforte-os em sua angústia e cure as feridas feitas pela guerra em curso. Dê esperança às pessoas que perderam tanto e as ajude a encontrar comunidades solidárias. Intervenha nos corações dos membros de grupos militantes e um fim à violência. Amém.  

Os primeiros registros pré-históricos de habitação humana encontrados na Síria são do período Paleolítico Médio. No meio do terceiro milênio antes de Cristo, vários povos semitas migraram para a Síria-Palestina e Babilônia. Perto do fim do século 13 a.C. estava ocorrendo o êxodo das tribos israelitas do Egito. Enquanto os israelitas estabeleceram um reino centrado em Jerusalém no final do século 11 a.C, os arameus estabeleceram seu reino principal em Damasco; as guerras entre os reis de Israel e os reis de Arã formaram muito das histórias do Antigo Testamento. 

Em 605 a.C., Nabucodonosor II, príncipe herdeiro da Babilônia, finalmente derrotou a tentativa de resgate da Assíria por Neco II, rei do Egito, e aniquilou seu exército em Carquemis. Em 597 a.C., ele capturou Jerusalém e levou seu povo para o exílio. Depois disso, a Síria esteve por meio século sob o domínio dos sucessores de Nabucodonosor no trono da Babilônia.  

Mas outro grande poder — dos persas — veio à tona. Sob a liderança de Ciro II eles estenderam suas conquistas pela Ásia Menor e vieram a um confronto final com a Babilônia, que Ciro ocupou em 539 a.C. Ele mandou de volta a comunidade de judeus exilados para Jerusalém, encorajando-os a reconstruírem seu templo. Na grande organização dos domínios persas de Dário I, a Síria, junto com a Palestina e Chipre, eram a quinta sátrapa, levando o nome de “Além do Rio” (o Eufrates). 

Após a morte de Alexandre, o Grande, que havia conquistado a região dos persas, seus oficiais lutaram pelo controle do país. Entre 64 e 63 a.C., a Síria se tornou uma província romana. Depois ela foi dividida por Sétimo Severo em duas províncias — Celessíria no Norte e Síria Fenícia. No início do quinto século, ela foi dividida em pelo menos cinco províncias. O país permaneceu essencialmente rural, com as classes médias e altas urbanas sendo helenizadas e as classes mais baixas ainda falando aramaico e outros dialetos semitas. 

Durante três séculos, a Síria foi administrada de Constantinopla e sua vida econômica e cultural permaneceu ativa. A ameaça persa diminuiu durante o século 5, mas aumentou novamente no século 6, quando os árabes também acrescentaram riscos. Já na primeira metade do século 7, a Síria foi absorta pelo califado. Forças muçulmanas árabes apareceram na fronteira ao Sul mesmo antes da morte do profeta Maomé em 632, mas a invasão real ocorreu em 633 e 634. 

Outros conquistadores dominaram o país, até que no século 15, o Império Otomano chegou e manteve a área por 400 anos.  

Século 20 e invasão do Estado Islâmico 

Apenas após o colapso do Império Otomano a Síria obteve independência, em 1946, porém não conseguiu manter uma estabilidade política e enfrentou vários golpes militares. Em 1958, a Síria uniu-se ao Egito para formar a República Árabe Unida. Os dois países se separaram três anos e meio depois e a República Árabe da Síria foi restabelecida. 

A Síria perdeu a região das Colinas de Golã para Israel durante a Guerra de Seis Dias ou Guerra Árabe-Israelense de 1967. A estabilidade política ocorreu quando Hafiz al-Assad, do partido socialista Baath, assumiu o poder em 1970 e governou como presidente até sua morte em 2000. Seu filho, Bashar al-Assad, foi então nomeado presidente pelo referendo popular, e novamente para um segundo mandato em 2007. 

Em março de 2011, começaram os protestos contra o governo que se transformaram em uma guerra civil. As raízes do conflito são complexas e incluem combate de classe, divisões rurais/urbanas e liberdade política reprimida. 

Isso explica por que a situação se espalhou tão rapidamente e evoluiu para um conflito de identidade sectária. O governo respondeu à agitação inicialmente com concessões; no entanto, em pouco tempo, recorreu à força militar que se deparou com uma ampla atividade de oposição armada. A batalha atraiu jihadistas estrangeiros e, em junho de 2014, o grupo radical muçulmano Estado Islâmico (EI) estabeleceu seu califado em grandes regiões da Síria e Iraque, com Raca, na Síria, como sua capital. Em 2016 e 2017, o EI perdeu a maioria de seu território devido à intervenção militar do Ocidente e da Rússia.  

Combates que se seguiram a partir de 2018 

Em março de 2018, cerca de 25 mil combatentes do Exército Sírio Livre, muitos dos quais são islâmicos endurecidos pela batalha, estavam lutando ao lado de tropas regulares turcas e forças especiais quando tomaram as áreas em torno da cidade de Afrin para forçar a saída de rebeldes curdos que dominavam a área. A analista e defensora da liberdade religiosa internacional, Elizabeth Kendal, relata no Boletim da Liberdade Religiosa e Oração de março de 2018: “Centenas de civis foram mortos e feridos; muitos milhares estão, agora, deslocados do que há muito tempo era um dos grandes portos seguros da Síria. Fontes locais relatam que jihadistas aliados à Turquia estão caçando minorias religiosas [cristãos e outros] para matá-los no Noroeste da Síria [e] ao longo de sua fronteira’”. 

Em janeiro de 2019, os jihadistas assumiram o controle da cidade estratégica de Idlib, no Noroeste. Os combates se intensificaram ao longo de 2019, matando centenas de civis e deslocando centenas de milhares. Enquanto isso, o grupo Estado Islâmico (EI) continuou atacando alvos civis no Nordeste, mesmo depois que seu último bastião no Leste foi tomado pelas forças lideradas pelos curdos, em março de 2019. A maior parte do país está agora sob controle do governo, com exceção da província de Idlib, a província de Alepo Ocidental, a região norte da província de Hama e o Nordeste. Atualmente, essas áreas restantes são controladas pelas forças turcas, pela Coalizão Global, grupos islâmicos ou autoridades curdas. 

Os acontecimentos mais recentes são uma incursão liderada pela Turquia no Norte da Síria em outubro de 2019 após a retirada das tropas norte-americanas das linhas de frente. Esse movimento foi fortemente condenado pela Organização Democrática Assíria, que registrou que 160 famílias cristãs foram deslocadas pelo conflito. Desenvolvimentos subsequentes em 2019 foram a retomada da região semiautônoma da região do Curdistão pelo exército sírio e o acordo de 22 de outubro de 2019 feito entre Turquia e Rússia sobre uma zona de segurança no Norte da Síria. 

Os principais desenvolvimentos mais recentes foram as operações bem-sucedidas do governo e forças russas para capturar território de rebeldes na província de Idlib no final de 2019 e começo de 2020. Um cessar-fogo foi acordado entre Rússia e Turquia em março após o agravamento dos conflitos em fevereiro de 2020, que deteve o avanço dos militares do regime em direção à cidade de Idlib. O acordo frágil foi abalado por ataques jihadistas, bem como por ataques aéreos no Noroeste nos meses seguintes, mas resistiu. 

Em julho de 2020, o presidente Bashar al-Assad venceu as eleições parlamentares apesar dos protestos contra as severas condições econômicas. Assad também venceu as eleições presidenciais em maio de 2021 por uma esmagadora maioria, assegurando o quarto mandato de sete anos. Enquanto isso, o acordo de cessar-fogo Sochi 2.0 entre Turquia e as forças aliadas ao governo na província de Idlib está sob pressão, com o combate entre o grupo jihadista Hay’at Tahrir al-Sham (HTS) e grupos jihadistas rivais, ataques aéreos russos e ataques dos militantes do Estado Islâmico, na maioria em áreas centrais desérticas, mas também em outras regiões do país. Também houve confrontos em áreas do Sudoeste e Nordeste entre forças do governo e antigos grupos rebeldes, bem como entre curdos e forças afiliadas ao governo. Em setembro de 2021, forças do governo fizeram um acordo com rebeldes para acabar com conflitos no Sudoeste. 

A Síria é um país majoritariamente muçulmano: de acordo com o CIA World Factbook, 74% de todos os muçulmanos são sunitas e 13% são alawitas, ismaili e xiitas. Uma das principais características da população cristã na Síria é a sua identidade étnica e religiosa complicada. A concentração geográfica dos cristãos em áreas estratégicas também tem sido um fator importante para sua vulnerabilidade: áreas como Alepo e Damasco e suas circunvizinhanças e áreas do Sul, em Homs, perto da fronteira do Líbano, foram vitais para o governo e os esforços de guerra da oposição. 

O Middle East Concern relata: “As comunidades cristãs da Síria enfrentam vários desafios no contexto do conflito atual. Na maior parte do país que está sob controle do governo, os cristãos gozam de boa reputação na sociedade, embora algumas restrições se apliquem às comunidades cristãs reconhecidas, especialmente às atividades que podem ser interpretadas como proselitismo. A concessão de maiores poderes ao Ministério de Doações Religiosas, em outubro de 2018, para impedir o extremismo e promover a moderação, levou alguns líderes cristãos a expressarem preocupação de que um maior alcance das autoridades islâmicas ameace outros grupos religiosos”. 

Dos que fugiram de áreas controladas pelo governo, incluindo cristãos, muitos o fizeram para evitar o recrutamento militar. Uma suposição comum de que os cristãos são pró-governo (geralmente correta, principalmente por causa do medo de alternativas) contribui para a tolerância nas áreas do governo, mas aumenta a vulnerabilidade dos cristãos nas áreas controladas por grupos de oposição. Poucos cristãos permanecem em áreas controladas pela oposição, onde a violência incluiu ataques contra cristãos, propriedades e igrejas. O deslocamento em massa de cristãos não foi revertido após a derrota militar do Estado Islâmico em seus redutos em Raca e Deir ez-Zour no final de 2017, e cinco líderes cristãos sequestrados por grupos islâmicos radicais em 2013 permanecem desaparecidos. 

Nas áreas predominantemente curdas, as comunidades cristãs nativas têm condições de vida razoáveis, embora alguns líderes da igreja tenham manifestado preocupação de que a afirmação agressiva da identidade curda às vezes tenha sido marginalizada ou coercitiva em relação às comunidades cristãs. 

Como resultado da crise na Síria, muitas pontes foram construídas entre comunidades de igrejas históricas e grupos não tradicionais. Essas pontes foram construídas por meio de interação pessoal entre padres e pastores. No entanto, a liderança mais velha de várias igrejas históricas é resistente a essas pontes com igrejas não tradicionais. Ela acusa alguns cristãos não tradicionais de trair a nação ao se unir às agendas políticas do Ocidente, tornando-os suspeitos aos olhos das autoridades. Além disso, houve relatos de muitos líderes de igrejas históricas não reconhecerem cristãos de contexto muçulmano de forma oficial ou não. 

Em todas as áreas há forte pressão familiar e social contra aqueles que optam por deixar o islã e, em casos extremos, essas respostas são violentas. Os considerados apóstatas podem enfrentar sanções nos tribunais de status pessoal da sharia (conjunto de leis islâmicas), como divórcio forçado e perda da guarda dos filhos. Aqueles que optam por deixar o islã são especialmente vulneráveis em áreas controladas pela oposição. 

Devido à exposição pública, os líderes das igrejas históricas são particularmente alvo de ataques e sequestros em áreas onde militantes islâmicos são ativos. As congregações batistas, evangélicas e pentecostais também estão em uma posição vulnerável, pois são conhecidas pela orientação ocidental, direção missionária, fragmentação, falta de liderança forte e a falta de um porta-voz estrangeiro, como um bispo, que possa falar em seu nome. 

Em áreas controladas por grupos islâmicos radicais, a maioria das igrejas históricas foi demolida ou usada como centro islâmico. As expressões públicas da fé cristã são proibidas e os prédios da igreja não podem ser reparados ou restaurados, independentemente de o dano ter sido colateral ou intencional. Nas áreas controladas pelo governo, há menos monitoramento de cristãos devido às circunstâncias da guerra, mas as autoridades reconquistaram o poder, então têm o controle sobre potenciais dissidentes e outros que possam prejudicar a estabilidade social, como convertidos do islamismo para o cristianismo. A reputação política das denominações, das igrejas e dos líderes locais desempenha um papel importante no nível de perseguição ou opressão que enfrentam de grupos que estão lutando contra o presidente Assad. 

A sociedade síria é etnicamente diversa, mas era caracterizada pela presença de uma classe média significativa. Essa classe foi bastante diminuída, juntamente com seus valores culturais e estilo de vida. A vida diária agora é dominada pela sobrevivência, e a guerra em curso leva a uma tensão emocional considerável na sociedade, alcançando altos níveis de medo, insônia, depressão, agressão nas famílias e abuso de drogas. Os cristãos locais relataram o colapso dos relacionamentos normais nas famílias e a necessidade de cuidados pós-trauma e apoio social.  

Cristãos de origem muçulmana são especialmente pressionados pela família, pois a conversão lhes traz uma grande desonra. Isso é particularmente verdadeiro em boa parte das áreas sunitas, onde os convertidos correm o risco de serem expulsos das casas de seus familiares. A pressão da família é menor nas áreas curdas, pois os curdos sunitas são geralmente menos radicais. De fato, no Norte de Alepo, há comunidades cristãs curdas reconhecidas. 

O tribalismo é caracterizado pela lealdade à própria tribo ou família e pelas antigas normas e valores que elas incorporam. Como em muitos países do Oriente Médio, o tribalismo na Síria está muito misturado com o islã e afeta especialmente os cristãos de origem muçulmana. A força e a existência desse mecanismo variam de acordo com a região e o tamanho das cidades. O tribalismo é especialmente forte nas áreas curdas no Norte e nas áreas desérticas no Centro da Síria. 

Nas áreas curdas, a etnia é um fator importante na luta entre os turcos e os curdos. As forças turcas que tomaram as áreas noroeste e principalmente curdas em torno de Afrin, em março de 2018, supostamente usaram “jihadistas de linha-dura, incluindo militantes do Estado Islâmico e da Al-Qaeda, para eliminar a presença de curdos e outras minorias étnicas e religiosas ao longo de sua fronteira”. Essas minorias religiosas incluem cristãos, a maioria dos quais são armênios e assírios.  

Crise econômica que afeta todas as áreas da sociedade 

Há aproximadamente 2,4 milhões de crianças sírias deslocadas fora da escola — cerca de 40% são meninas além de 1,6 milhão que devem abandonar os estudos. De acordo com a UNICEF, “esse número aumentou em 2020 devido ao impacto da pandemia da COVID-19, que ampliou a interrupção da educação síria. Uma em cada três escolas na Síria não pode mais ser usada porque está destruída, danificada ou é usada com propósitos militares. Crianças que podem frequentar a escola sempre aprendem em salas superlotadas e em prédios sem água suficiente e sem instalações sanitárias, eletricidade, aquecimento ou ventilação”. As crianças cristãs são particularmente vulneráveis, pois muitas escolas cristãs foram fechadas ou danificadas, e as crianças precisam frequentar escolas governamentais islâmicas. 

Jovens, principalmente homens, estão deixando o país. Como consequência, a diferença de idade emergente está contribuindo para a crise econômica. A geração jovem está partindo não apenas na esperança de encontrar melhores perspectivas para o futuro, mas também para evitar o serviço militar obrigatório. 

Os cristãos locais relatam que a proporção de homens e mulheres na Síria é de um para sete e no contexto da igreja a diferença pode ser ainda maior. Além da pobreza e da falta de homens jovens disponíveis para o trabalho, as mulheres cristãs estão sob pressão para encontrar trabalho e são vulneráveis a exploração e abuso. Nas áreas mais conservadoras, geralmente, as mulheres não têm a oportunidade de preencher essa lacuna na força de trabalho. 

Além disso, a escassez de água e o saneamento precário ameaçam a vida de milhões de crianças e adultos sírios. De acordo com o relatório das Necessidades Humanitárias da ONU da Síria, cerca de 13,4 milhões de pessoas ainda precisam de assistência humanitária — um aumento de quase dois milhões de pessoas , tornando essa uma das maiores crises humanitárias no mundo. 

A igreja está presente na Síria desde o tempo do Novo Testamento, quando a conversão de Saulo/Paulo é mencionada no caminho de Damasco (em Atos 9). O apóstolo Paulo foi inicialmente parte da igreja em Antioquia, onde os discípulos de Jesus foram chamados cristãos pela primeira vez. Ao longo dos séculos seguintes, o cristianismo se espalhou por todas as partes da Síria. 

O Novo Testamento confirma que as cidades sírias de Damasco e Antioquia tinham comunidades cristãs. A fé cristã se espalhou rapidamente e no Concílio de Nicéia, em 325 d.C., 22 bispos sírios estavam presentes. Houve também perseguição: o bispo Inácio de Antioquia (que morreu em 115 d.C. em Roma) é apenas um exemplo de muitos mártires. 

O idioma do cristianismo na Síria era siríaco (aramaico). Muitos cristãos sírios seguiram a forma jacobita do cristianismo, que foi condenada como herética no Conselho de Calcedônia (451), mas a igreja “grega” também permaneceu popular na Síria. 

Foi no século 7, quando o cristianismo ainda era a religião majoritária na Síria, que o califa Omar demitiu funcionários cristãos e seu sucessor obrigou-os a se vestir de forma diferente dos outros. Um século depois, o califa Abbasid al-Mahdi forçou os cristãos árabes da tribo tannukh a se converterem ao islamismo. Em Homs, os cristãos se revoltaram em 855 d.C. e seus líderes foram crucificados nos portões da cidade. No século 9, o islã ganhou vantagem, muitas igrejas se tornaram mesquitas e, por volta de 900 d.C., aproximadamente metade da população síria era muçulmana. 

Os séculos 12 e 13 foram marcados por problemas que os cristãos experimentaram em áreas controladas alternadamente por exércitos dos cruzados e muçulmanos. Em 1124, a catedral de Alepo foi transformada em uma mesquita. Em 1350, o cristianismo tornou-se uma religião minoritária: de uma população de um milhão, apenas 100 mil eram cristãos. A queda de Constantinopla e a ocupação otomana da Síria foram obstáculos para reunir a igreja no século 15. No entanto, no século seguinte, os cristãos ortodoxos, jacobitas e armênios foram reconhecidos pelo sultão otomano como comunidades independentes com seus próprios tribunais e leis. 

Em 1516, a região tornou-se parte do Império Otomano e permaneceu assim até a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), quando tropas árabes e britânicas finalmente derrotaram os governantes turcos na região. Isso terminou com um século de grandes incidentes de perseguição aos cristãos. Em 1860, 25 mil cristãos foram mortos em Damasco em três dias. Naquela época, os primeiros missionários protestantes americanos estavam trabalhando na Síria, com foco na criação de escolas, ministérios médicos e distribuição de literatura. Cerca de meio século depois, a partir de 1915, um grande número de armênios fugiu, ou foi deportado, para a Síria durante os massacres generalizados de aproximadamente 1,5 milhão de armênios e meio milhão de cristãos assírios na Turquia. 

Em 1920, a Síria se tornou um território sob domínio francês. Naquela época, recebeu seu nome e fronteiras atuais, exceto as Colinas de Golã. Tornou-se totalmente independente em 1946. Politicamente, o país foi marcado por instabilidade. Um problema da Síria é que é formada por uma colcha de retalhos de grupos religiosos. Hafiz al-Assad governou a Síria de 1970 a 2000 com braço de ferro, forçando-a a se tornar secular e modernizar a economia. Em 2011, levantes em massa, exigindo direitos humanos e igualdade, levaram a uma guerra civil, com milhões de sírios incluindo cristãos fugindo como refugiados para Turquia, Jordânia, Iraque, Egito, Norte da África e Europa.  

Ao longo dos séculos, a igreja cristã na Síria enfrentou — e ainda enfrenta — níveis consideráveis de perseguição. Devido aos níveis de perseguição, conversão forçada e emigração, os cristãos formam agora menos de 4% da população. 

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