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Tanzânia

TZ
Tanzânia
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, paranoia ditatorial
  • Capital: Dodoma
  • Região: Sul e Leste da África
  • Líder: Samia Suluhu Hassan
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Cristianismo, islamismo, religiões étnicas
  • Idioma: Suaíli, inglês, árabe e várias línguas locais
  • Pontuação: 58


POPULAÇÃO
60,9 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
34,3 MILHÕES

Embora a perseguição afete todos os tipos de cristianismo no país, em áreas predominantemente islâmicas, os cristãos ex-muçulmanos são os mais afetados. Convertidos ao cristianismo de tribos indígenas podem enfrentar pressão da família e da comunidade para aderir às práticas tradicionais. O que está se tornando mais preocupante é que o grupo jihadista em Moçambique começou os ataques entre fronteiras, aterrorizando alguns cristãos. O governo também fecha igrejas dizendo que “não estão registradas”. Há sempre medo entre os cristãos no país de a igreja ser fechada pelo governo.

Em 2017, o país ameaçou fechar qualquer igreja que criticasse o presidente. Esse sentimento permaneceu em 2019 e 2020, especialmente durante a campanha eleitoral de outubro de 2020. Relatar sobre a situação da Tanzânia tem sido difícil, pois o espaço para a liberdade de expressão continua fechado no país.

A ameaça de grupos islâmicos violentos na ilha de Zanzibar já não existe, por assim dizer, mas o fato de que a atual administração está se tornando autoritária está levando algumas seções da sociedade muçulmana a se ressentir das autoridades governamentais. Esse é particularmente o caso, pois vinte e dois membros da Associação para Mobilização e Propagação Islâmica (UAMSHO), um grupo islâmico que defende a autonomia total de Zanzibar, permanecem sob custódia sem julgamento desde sua prisão, em 2013, por acusações de terrorismo. 

Embora a pressão média tenha permanecido a mesma na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2020 e 2021, com 9,5 pontos, a pontuação da violência subiu de 7 para 10,2 pontos. O aumento da pontuação no período de pesquisa da LMP 2021 (1/10/2019 a 30/9/2020) deve-se ao aumento da opressão islâmica em algumas áreas do país e à pressão sobre algumas igrejas do governo. Os principais tipos de perseguição são opressão islâmica e paranoia ditatorial. Com mais de 250 tribos no país, a opressão do clã também é um fator visível. 

Aqueles que pensam que nossas reuniões vão parar por conta desse incêndio estão muito enganados. A igreja ficava ao lado de uma grande árvore, e vamos nos reunir debaixo dela por enquanto.

SABAS KAFUBA, LÍDER DE IGREJA INCENDIADA EM 2016 NA TANZÂNIA

Tendências 

O aumento da tensão entre cristãos e muçulmanos é motivo de preocupação entre a elite política do país 

Apesar de a Tanzânia ser uma nação de maioria cristã e a tensão entre cristãos e muçulmanos ser mais ou menos limitada às áreas costeiras e Zanzibar, se não for tratada de forma abrangente, pode causar séria instabilidade. 

O presidente está mostrando sinais de crescente autoritarismo  

A ação autoritária do presidente está começando a criar dificuldades para os cidadãos em geral — e para a comunidade cristã em particular. Igrejas foram fechadas e o espaço para a liberdade de expressão está diminuindo. 

A militância islâmica tem sido contida até agora 

Como em outros países da região, a radicalização islâmica através de militantes locais e financiamento estrangeiro criou desafios para o país em geral e para os cristãos em particular. O presidente tem agido para enfraquecer qualquer radicalização crescente no país. No entanto, se a resposta pesada do presidente não for complementada por reformas políticas para abordar questões relevantes, é provável que a UAMSHO e seus apoiadores ressurjam. Também houve ataques de militantes islâmicos em Moçambique entre fronteiras. 

A Tanzânia declarou independência da Grã-Bretanha em 1961. O primeiro presidente do país, Julies Nyerere, adotou um modelo econômico socialista. Desde então, o país vem passando por diferentes modelos sociais e políticos. O país realizou eleições gerais e presidenciais em outubro de 2015 e John Magufuli e o partido venceram com 58% dos votos. Em Zanzibar, onde a perseguição aos cristãos está em um nível consideravelmente mais alto, os resultados das eleições de 2015 para o parlamento e presidente da ilha foram anulados devido a irregularidades.

O país não conseguiu realizar um referendo constitucional que estava agendado para abril de 2015 (com os partidos da oposição e a Igreja Católica dizendo que fariam campanha contra o referendo). Em 2019, o projeto de Constituição ainda não havia sido apresentado ao público para votação. Ele incorpora uma disposição que permite a aplicação de tribunais da sharia (conjunto de leis islâmicas) em todo o país – uma mudança da abordagem anterior, que limitou a aplicação dos tribunais da sharia a Zanzibar, uma ilha com 95% de muçulmanos. Os líderes da igreja acreditam que, se esse projeto for adotado em sua forma atual, ele terá um enorme impacto sobre os cristãos.

Desde 2015, quando o quinto governo assumiu o cargo, houve muitas mudanças na arena política, econômica, social e tecnológica. Também houve mudanças nas práticas políticas, com algumas alterações na lei afetando direta ou indiretamente os cristãos e influenciando a liberdade de religião na Tanzânia.

O cristianismo veio originalmente para a Tanzânia com os portugueses no início do século 16. No entanto, os católicos romanos portugueses não foram ativos na evangelização da população indígena e, portanto, a presença do cristianismo foi superficial. Em 1844, dois protestantes alemães – Johann Krapf e Johan Rebmann – foram para a Tanzânia como exploradores missionários representando a Sociedade Missionária da Igreja sediada na Inglaterra. Contudo, houve pouco crescimento da igreja até 1860, quando padres católicos romanos chegaram a Zanzibar, e 1863, quando a sociedade missionária católica “Padres do Espírito Santo” foi estabelecida lá. A Tanzânia também foi um território explorado por David Livingstone em nome da Sociedade Missionária de Londres no século 19. Após a ocupação oficial alemã de Tanganica em 1885, várias sociedades missionárias luteranas floresceram. Em 1938, sete igrejas se reuniram e formaram a Federação das Igrejas Luteranas de Tanganica.

REDE ATUAL DE IGREJAS

Todas as categorias de comunidades cristãs no país enfrentam perseguição de uma maneira ou outra. Comunidades de cristãos estrangeiros residentes no país são encontradas principalmente em ilhas como Pemba e Mafia. Elas se mantêm separadas dos cristãos ex-muçulmanos, porque, se quisessem se misturar, a segurança seria comprometida. Além disso, os líderes comunitários na ilha de Zanzibar monitoram os expatriados. Em outras partes do país, os cristãos expatriados não são involuntariamente isolados.

As comunidades cristãs históricas, formadas pelas igrejas católica romana e luterana, enfrentam perseguição tanto da comunidade muçulmana em Zanzibar quanto do governo nacional, através da redução das atividades, se acusarem o governo de agir injustamente. Nas áreas dominadas pelos muçulmanos (Zanzibar e região costeira), os cristãos ex-muçulmanos enfrentam pressão permanente e, muitas vezes, violência. A perseguição é principalmente motivada por líderes religiosos islâmicos e pela comunidade muçulmana circundante.

As comunidades cristãs não tradicionais são as que mais crescem no país. Pelo menos 8% da população pertence a essas igrejas, sejam elas pentecostais, evangélicas ou não denominacionais. Essas igrejas enfrentam perseguição de fontes islâmicas e também – em uma escala muito mais fraca – de igrejas cristãs históricas, por exemplo, quando suas teologias e atividades são publicamente criticadas. Elas enfrentam muitos desafios, por exemplo, na obtenção de permissão para construir novas igrejas e permissões para cultos e pregação.

Na Tanzânia, os cristãos ex-muçulmanos em Zanzibar são os mais afetados pela perseguição

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