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Togo

TG
Togo
  • Tipo de Perseguição: Paranoia ditatorial, hostilidade etno-religiosa, opressão islâmica, corrupção e crime organizado
  • Capital: Lomé
  • Região: Oeste Africano
  • Líder: Faure Gnassingbé Eyadéma
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Cristianismo, religiões tradicionais africanas, islamismo, hinduísmo, budismo
  • Idioma: Francês, ewe, mina, kabye, dagomba
  • Pontuação: 43


POPULAÇÃO
8,2 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
3,9 MILHÕES

Togo é governado por Gnassingbé Eyadéma e pelo filho dele desde 1963. A segurança, a estrutura militar e a economia do país foram dominadas pela ditadura baseada na família. As eleições são regulares desde 1992, mas a maioria delas estavam fora dos padrões internacionais e foram manipuladas pelo partido Rally do Povo Togolês (RPT, da sigla em inglês), que em 2012 mudou de nome para União para República (UNIR). Embora tenha havido um aumento da proteção dos direitos humanos e diminuição de prisões, o governo continuou a repressão contra forças de oposição. 

Os cristãos são, no papel, a maioria no país e têm sofrido por se oporem às políticas repressivas do governo. Em uma eleição realizada em fevereiro de 2020, Faure Gnassingbé venceu com mais de 71% dos votos, mas a oposição acusou o presidente e o partido de “fraude generalizada”. 

No Togo, a religião tradicional africana chamada vudu é dominante na vida da maioria das pessoas. Quase um terço da população pratica a religião e a maioria dos cristãos e muçulmanos misturam várias práticas de vudu à fé. Nas partes remotas do país, há casos de oposição de líderes tribais a grupos cristãos que se posicionam publicamente contra o vudu. Alguns grupos tentaram impedir as pessoas de se converterem ao cristianismo e são particularmente hostis aos novos grupos de igrejas não tradicionais ativos no evangelismo. Apesar dessa oposição, acontece um rápido aumento no número de convertidos da religião tradicional africana ao cristianismo. 

A maioria dos muçulmanos vive principalmente na parte norte do país. Mesmo que um ataque islâmico significativo ainda não tenha ocorrido, há contínua ameaça de ataque por grupos jihadistas como o Boko Haram, que opera na África Ocidental. Preocupado, como outros países da região, Togo transferiu as tropas para a fronteira com Burkina Faso em 2020. Existem poucos cristãos ex-muçulmanos. Eles estão sob pressão da família e da comunidade, especialmente na parte norte do país. Por isso, a maioria vive a nova fé em segredo.  

Togo subiu dois pontos na pontuação total. A pressão média aumentou de 7,9 para 8,4 pontos, mas a violência caiu de 1,1 pontos para 0,7 na Lista Mundial da Perseguição 2021. Os principais tipos de perseguição são paranoia ditatorial, hostilidade etno-religiosa, opressão islâmica e corrupção e crime organizado. 

“Nós temos instruído as pessoas a orar e vigiar.”

LÍDER DA IGREJA LOCAL APÓS ATAQUES A MESQUITAS, CUJO OBJETIVO ELE PENSA SER COLOCAR CRISTÃOS E MUÇULMANOS UNS CONTRA OS OUTROS

Tendências 

A família Gnassigbé continua governando sem levar em conta a opinião pública

Faure Gnassingbé assumiu a presidência do país em 2005, quando o pai dele morreu no cargo, tendo governado o país desde 1967. Ele introduziu algumas reformas econômicas em uma tentativa de reprimir o descontentamento público. No entanto, a menos que ele promova a estabilidade política, o país está em risco a longo prazo.  

Em maio de 2019, o parlamento promulgou uma lei que permitia ao presidente em exercício permanecer no poder até 2020, estendendo o governo da família para 63 anos. Nas eleições de fevereiro de 2020, Gnassingbé foi reeleito em meio a acusações de fraude. Essa presidência familiar pode levar a uma crise política e econômica — especialmente pós-COVID-19.

Como o país faz fronteira com Burkina Faso, onde o radicalismo islâmico é ativo, qualquer crise no país deixaria a população exposta a ataques jihadistas. É por isso que as tropas togolesas estão presentes ao longo da fronteira com Burkina Faso. 

Uma nova lei está sendo elaborada para aumentar a liberdade religiosa 

Houve várias consultas a líderes religiosos sobre um novo projeto de lei promovendo a liberdade religiosa. Isso seria um impacto positivo no fortalecimento da liberdade religiosa no Togo. No entanto, desde o segundo semestre de 2018, há uma onda de violência no país com conflitos de grupos étnicos e religiosos. Além disso, acontecem manifestações generalizadas de oposição ao presidente.  

Em 1885, o Togo se tornou uma colônia alemã. Os alemães perderam a Togolândia para as forças britânicas e francesas em 1914 e, em 1922, a parte ocidental do país passou a ser oficialmente administrada pela Grã-Bretanha e a parte oriental pela França. 

O país se tornou uma nação independente em 1960, com Sylvanus Olympio como o primeiro presidente; no entanto, a situação era instável: “Em janeiro de 1963, Olympio foi assassinado no primeiro golpe militar bem-sucedido na África Subsaariana no pós-guerra”. Em 1967, Gnassingbé Eyadéma tomou o poder em um golpe sem sangue e governou com punho de ferro. Quando ele morreu em 2005, o filho, Faure Gnassingbé Eyadéma, foi nomeado pelo exército para assumir o poder. Embora as eleições presidenciais tenham sido realizadas e vencidas por Faure em 2005, 2010, 2015 e 2020, todas foram criticadas por não serem justas e livres. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

O cenário político do Togo gira em torno dos fundadores do país. Dois homens, Gnassingbé Eyadéma, e o filho, Faure, dominaram a política togolesa durante a maior parte da existência do Togo como um estado independente. Gnassingbé Eyadéma tornou-se presidente do Togo por meio de um golpe em 1963 e permaneceu no comando até a morte em 2005. Depois de tomar o poder, ele transformou o Togo em um Estado de partido único e continuou sem sequer uma pretensão de democracia até 1992. Em 1991, ele foi forçado a reintroduzir eleições multipartidárias devido à tendência internacional e regional predominante de democratização. No entanto, a transição democrática no Togo provou ser muito superficial e Gnassingbé Eyadéma permaneceu no poder, manipulando eleições e restringindo severamente os direitos civis e políticos. 

Quando Eyadéma morreu, após governar o Togo por quase quatro décadas, o filho Faure se tornou presidente com o apoio do exército, violando as regras constitucionais relativas à sucessão presidencial. Embora Faure tenha renunciado brevemente à presidência para aplacar a ira da comunidade internacional pela tomada inconstitucional de poder, ele voltou à presidência em pouco tempo, realizando eleições presidenciais quase três anos antes do previsto. 

Faure relaxou as garras de ferro do pai até certo ponto, mas o Togo ainda permanece uma autocracia. Graças a emendas constitucionais aprovadas durante o governo do pai, Faure concorreu e venceu a terceira eleição em 2015. O presidente Faure tentou suavizar a imagem autocrática do sistema, formando um governo de unidade nacional em 2010. No entanto, a natureza repressiva e autocrática do regime continuou, apoiado pelo exército que é dominado pelo grupo étnico kabyé, de Faure. 

Desde agosto de 2017, milhares de pessoas saem às ruas exigindo que o presidente se afaste, no maior desafio ao poder da família desde a morte do pai em 2005. As eleições parlamentares de 20 de dezembro de 2018 foram boicotadas por 14 partidos da oposição. 

Por muitos anos, não houve eleições locais. Pela primeira vez em 32 anos, as eleições locais foram realizadas em junho de 2019 e a União para a República (UNIR) conquistou a maioria dos assentos, garantindo 878 dos 1.490 assentos. A Alliance Nationale pour le Changement (Aliança Nacional pela Mudança) obteve o segundo maior número de assentos (132), seguido pela coalizão da oposição, C14, com 131 assentos. 

Em fevereiro de 2020, o atual presidente Faure Gnassingbé foi declarado vencedor das eleições presidenciais do país. A oposição alegou que a eleição foi fraudada.  

Relata-se que o presidente Gnassingbé Eyadéma matou mais de 15 mil pessoas durante sua ditadura. O filho, Faure Gnassingbé, foi acusado de ser ditatorial e corrupto por várias organizações nacionais e internacionais. O país realizou uma série de eleições fraudulentas desde 2005, nas quais Faure venceu com maioria absoluta. Além disso, o regime de Faure foi acusado de várias prisões ilegais e de perseguição a grupos de oposição.  

O Togo se classificou em 134º lugar entre 180 países, de acordo com o Índice de Percepção de Corrupção de 2020 publicado pela Transparência Internacional. A corrupção existe tanto na estrutura do Estado quanto na sociedade. A família Eyadéma governa o país há mais de cinco décadas e foi acusada de estar envolvida em várias atividades ilegais.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

O Togo é um dos países africanos onde grupos religiosos tradicionais ainda são dominantes na maior parte do país. No entanto, o número de adeptos da religião tradicional diminuiu bastante nos últimos anos e muitas pessoas combinam ritos e costumes tradicionais com o cristianismo ou o islamismo. 

A lei não reconhece religiões específicas, mas na prática o governo reconhece o catolicismo, o protestantismo e o islamismo com seus feriados religiosos observados como feriados nacionais e líderes religiosos desses grupos convidados para eventos do governo. A lei exige que todos os outros grupos religiosos, incluindo grupos nativos, se registrem como associações religiosas. O reconhecimento oficial como uma associação religiosa oferece a esses grupos os mesmos direitos que os concedidos às três religiões reconhecidas, inclusive isenções de imposto de importação para projetos humanitários e de desenvolvimento. O registro não é obrigatório, mas grupos não registrados não recebem isenções de imposto de importação ou benefícios adicionais do governo, como professores fornecidos pelo governo para escolas particulares. 

Os desafios que os cristãos enfrentam no país são principalmente resultado de algumas autoridades do governo abusarem do poder e restringirem os direitos dos cristãos. Também houve disputas entre diferentes igrejas cristãs no país. Evangélicos que evangelizam entre muçulmanos enfrentam desafios mais sérios. Os convertidos do islã e os grupos religiosos tradicionais enfrentam séria oposição. Também existem problemas que emanam dos seguidores do vodu e de outros sistemas de crenças tradicionais africanas. Em todas as circunstâncias mencionadas acima, os cristãos enfrentam pressão de diferentes formas.  

Os cristãos que vivem nessas áreas enfrentam várias formas de discriminação e obstrução diariamente. A forma mais severa de perseguição afeta os convertidos do islã. Os muçulmanos que se convertem ao cristianismo geralmente tentam manter essa decisão em segredo; eles também adoram em segredo e não podem professar abertamente a fé por medo de serem estigmatizados e perseguidos. Se a conversão é descoberta, eles geralmente são expulsos das famílias ou comunidades. Embora não tenha havido nenhum grande ataque de militantes islâmicos, os cristãos não se sentem seguros, pois há grupos islâmicos radicais operando em toda a região da África Ocidental.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

Segundo o CIA World Factbook (atualização de fevereiro de 2021), cerca de 60% da população do Togo vive em áreas rurais e a agricultura é o principal suporte da indústria togolesa. Algodão, cacau, café e amendoim estão entre as culturas comerciais exportadas pelo Togo. Além disso, o Togo também produz mármore. Além da agricultura, a mineração e a construção também são setores importantes da economia togolesa. O país possui uma das maiores reservas de fosfato do mundo e exporta para o mercado internacional.  

Além de suas exportações minerais e agrícolas, a exportação de marfim minerado em países vizinhos também é algo pelo qual o Togo é conhecido. Gangues armadas matam elefantes por presas e rinocerontes por seus chifres, antes de enviá-los para a Ásia para uso em ornamentos e pseudo-medicina. O Banco Mundial apresentou o seguinte resumo na atualização de outubro de 2019 sobre o Togo: “Depois de desacelerar em 2017, como um reflexo das tensões políticas e de uma forte contração fiscal, o crescimento econômico do Togo subiu em 2018 para 4,9% (2,3% per capita). A inflação no Togo diminuiu de 0,7 em 2019 refletindo uma queda em preços internacionais do petróleo e preços mais baixos dos alimentos devido ao aumento da produção de alimentos.” 

Devido ao baixo desempenho das exportações de fosfato e café, o déficit externo em conta corrente aumentou de 3,5% em 2018 para 4,0% do PIB em 2019. Já a taxa de pobreza (usando a linha de pobreza nacional) diminuiu de 58,7% em 2011 para 55,1% em 2015. As estimativas sugerem que a pobreza continuou a cair desde 2015, especialmente em áreas rurais, graças a intervenções direcionadas e uma produção agrícola relativamente forte. 

Estima-se que a taxa de pobreza extrema (US $ 1,9 PPC por dia) tenha caído para 45,8% em 2019 em comparação com 47,8% em 2017. 

Estima-se que o crescimento desacelerará temporariamente para 4,1% em 2020 devido à COVID-19, de quedas no consumo privado e serviços, como aeroporto e porto, atividades e turismo. Outros riscos incluem aumento da incerteza política, aumento insegurança nos países vizinhos e vulnerabilidade do setor bancário.   

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Os países que fazem fronteira com o Togo são Gana no Oeste, Benin no Leste e Burkina Faso no Norte. A fronteira Sul do Togo é sua costa do Oceano Atlântico. Existem cerca de 42 grupos étnicos no Togo, sendo os três principais o ewe, o mina e o kabre. Esses grupos étnicos não estão confinados às fronteiras do Togo e também são encontrados nos países vizinhos. A língua oficial do Togo é o francês, embora não seja tão falado fora das configurações oficiais. 

Mais de 30% da população togolesa pratica uma forma de culto ancestral frequentemente chamada vodu e está associada ao animismo tribal, sendo mais comum nas regiões leste e sul do país. O vodu é uma religião tradicional da África Ocidental, encontrada no Togo, Benin e Gana. O domínio do vodu como religião diminuiu bastante com o tempo. No entanto, muitos cristãos e muçulmanos misturam as tradições vodu com a compreensão do cristianismo ou do islamismo. Os líderes étnicos tradicionais se opõem às conversões ao cristianismo e a qualquer grupo cristão que não esteja disposto a misturar práticas étnicas com a fé cristã.  

O Banco Mundial considera o Togo um país de baixa renda. Nos últimos anos, o governo investiu no desenvolvimento da infraestrutura do país e implementou reformas econômicas, levando a uma trajetória mais positiva na economia. No entanto, de acordo com a atualização estatística de 2019 do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, o Togo é classificado um país com baixo desenvolvimento humano (índice de 0,515), estando em 167º lugar entre 189 países. A expectativa de vida no nascimento é de 61 anos. A taxa de alfabetização de adultos é de 63,7%. A população que vive abaixo da linha de pobreza é de 49,8%. O país ainda depende fortemente de ajuda externa. 

Em termos de segurança, o país é mais ou menos estável. No entanto, o fato de estar na fronteira com Burkina Faso significa que há potencial para ataques de militantes islâmicos. 

Os portugueses estavam presentes na área costeira do Togo a partir do século 16, mas não houve nenhuma tentativa real de introduzir o cristianismo até o trabalho missionário alemão começar por volta de 1847. Em 1871, a Igreja Católica Romana estabeleceu sua primeira missão no país. Em 1886, a Sociedade de Missões Africanas foi estabelecida. De 1884-85 a 1918, os padres católicos alemães foram particularmente ativos. Após a derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial, a presença alemã foi expulsa. As igrejas dos Estados Unidos entraram no país pela primeira vez com a chegada da Assembleia de Deus em 1937. 

  • Clame para que o reino de Deus venha nesta nação e que a verdade do evangelho ganhe lugar nos corações, quebrando cadeias e levando libertação aos cativos.
  • Ore para que as melhoras no campo econômico reflitam no dia a dia da população, com menos desigualdade, e que os cristãos tenham seus direitos preservados.
  • Interceda pelo presidente e todas as autoridades, para que governem com justiça e busquem o melhor para o povo. Que haja temor a Deus no coração deles.

A família Eyadéma governa o país há mais de cinco décadas e foi acusada de estar envolvida em várias atividades ilegais

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