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Uganda

UG
Uganda
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, paranoia ditatorial
  • Capital: Kampala
  • Região: Sul e Leste da África
  • Líder: Yoweri Kaguta Museveni
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Cristianismo, islamismo
  • Idioma: Inglês, suaíli, luganda, línguas nigero-congolesas, línguas nilo-saarianas e árabe
  • Pontuação: 47


POPULAÇÃO
45,7 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
38,7 MILHÕES

A opressão islâmica é aparente em duas formas: tanto no aumento da influência islâmica radical na parte oriental do país, onde os tabliqs promovem a própria versão da religião em áreas como Mbale, Kasese, Arua/Yumbe, quanto no aumento da moral dos muçulmanos radicais gerado pelas atividades da ADF-NALU (Forças Aliadas Democráticas - Exército Nacional de Libertação de Uganda). 

Há uma pressão sobre os cristãos de origem muçulmana exercida pela família e pela comunidade local, especialmente em áreas dominadas por muçulmanos. A intimidação e o assédio têm sido muito comuns na parte oriental do país. Isso torna a vida dos cristãos ex-muçulmanos mais difícil.  

Por exemplo, possuir materiais cristãos ou discutir a fé com a família ou comunidade são acompanhados de expulsão, ataques físicos graves e até assassinatos. Além disso, houve relatos de ataques em massa a igrejas e convertidos. Também houve relatos de cristãos ex-muçulmanos sendo envenenados, expulsos de casa e condenados ao ostracismo. Isso foi particularmente desafiador para os cristãos, pois as restrições da pandemia de COVID-19 forçaram as pessoas a permanecerem em casa, expondo alguns dos cristãos, especialmente ex-muçulmanos. 

Além disso, o governo está restringindo alguns grupos cristãos, sobretudo aqueles que falam abertamente contra a violação de direitos humanos e a corrupção do governo. Outro aspecto importante da perseguição em Uganda é que algumas igrejas recebem tratamento preferencial.  

Como relatado pelo relatório do Departamento de Estado dos Estados Unidos sobre liberdade religiosa publicado em 2020, enquanto todos os grupos de igrejas são obrigados a seguir requisitos rigorosos para obter licença, na prática, grupos religiosos maiores, como as igrejas católica, anglicana, ortodoxa e adventista do sétimo dia, estão de fato isentos, e o governo não exige que eles obtenham uma licença.  

A pontuação de Uganda caiu um ponto na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2021. A média da pressão permaneceu estável em 7 pontos. Mas a pontuação para violência diminuiu de 13 pontos na LMP 2020 para 12 na LMP 2021. Os principais tipos de perseguição são opressão islâmica e paranoia ditatorial. 

“Eu era casada com um homem muçulmano. Ele me encorajou a me tornar uma muçulmana. Quando eu recusei, ele queria matar a mim e meus filhos.”

JAY (PSEUDÔNIMO), CRISTÃ EM UGANDA 
Tendências

O futuro da comunidade cristã em Uganda depende de duas questões importantes: i) como o governo trata a ascensão do islã e da militância e a pressão crescente sobre os cristãos na parte oriental do país; ii) como o próprio governo respeita a liberdade de religião. 

Uganda é governada por um homem há mais de 30 anos 

O presidente ainda está em uma posição forte para continuar no cargo desde quando a Constituição foi emendada para permitir que ele o faça. É provável que ele continuará governando o país através dos meios que foram empregados no passado (prender os oponentes, assediá-los, restringir a liberdade de expressão e reunião). Nesse contexto é inevitável que os cristãos também enfrentem sérios desafios. 

Com 58% dos votos, o presidente de Uganda, Yoweri Museveni, conquistou uma vitória eleitoral decisiva em janeiro de 2021, assegurando seu sexto mandato presidencial. Museveni, de 76 anos, está no poder desde 1986 e é um dos líderes mais antigos da África.

Há pouca ou nenhuma proteção para os cristãos no Leste de Uganda 

Considerando o fato de a região estar longe de ser estável, a comunidade internacional parece não estar disposta a pressionar Uganda a fazer reformas com o objetivo de respeitar os direitos humanos em geral e a liberdade dos cristãos em particular. Não há indicação de que o governo intervirá com qualquer intenção séria de proteger os cristãos que enfrentam a violência islâmica — particularmente no Leste de Uganda.   

A luta pela independência de Uganda não teve um caminho sanguinário como no Quênia ou na Argélia, mas ainda assim não foi fácil já que a Grã-Bretanha não estava disposta a abandonar uma de suas colônias mais prósperas. Finalmente, em 1962, Uganda conquistou a independência e os tradicionais reinos de Ancolé, Buganda, Bunyoro e Toro receberam status de estado federal e uma certa autonomia. Milton Obote, do Congresso do Povo de Uganda (UPC, da sigla em inglês) se tornou o primeiro primeiro-ministro. Em 1967, Obote aboliu os reinos e assumiu o cargo de presidente e primeiro-ministro. 

Em 1971, enquanto o presidente Obote participava de um encontro da Comunidade das Nações em Cingapura, o general Idi Amin Dada conduziu um golpe que efetivamente destituiu o regime de Obote. Idi Amin expulsou asiáticos do país e conduziu massacres especialmente contra civis e soldados dos grupos étnicos acholi e langu. Sob a liderança de Amin, Uganda se tornou muito repressiva, com mortes extrajudiciais e execuções em massa se tornando comuns. Em 1978, o exército ugandês invadiu a faixa de Kagera, da Tanzânia. Isso foi visto como um ato de agressão pela Tanzânia, que invadiu o país em 1979. Idi Amin foi derrotado e fugiu do país para a Arábia Saudita via Líbia. 

Milton Obote aproveitou a chance e voltou para o país, venceu a eleição presidencial seguinte e reassumiu o poder. Durante essa época, Obote tentou reanimar a economia por meio de ajuda internacional, mas foi deposto por outro golpe em 1985. Em 1986, um líder da guerrilha do Exército de Resistência Nacional (NRA, da sigla em inglês), Yoweri Museveni, tomou o controle do país e se tornou presidente. Ele continua na presidência, derrotando Kizza Besigye novamente em 2016. Durante o período de pesquisa da Lista Mundial da Perseguição 2021 (1 de outubro de 2019 a 30 de setembro de 2020), Museveni ainda continuava no firme controle do país. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Uganda (Jamhuri ya Uganda, em suaíli) é uma república multipartidária desde 2005, com uma casa legislativa com 375 membros. O presidente Yoweri Museveni está no poder desde 1986. Em 2005, ele forçou o parlamento a remover o limite de mandatos na Constituição de 1995, permitindo que ele concorresse a futuros mandatos no cargo. Em 2018, ele manipulou o parlamento para remover o limite de idade presidencial, estabelecido em 75 anos, o liberando para concorrer ao sexto mandato em 2021. Ao longo dos anos, o presidente Museveni sempre silenciou cristãos e líderes cristãos que ousaram se opor a ele.  

Nas eleições de 2006, as primeiras eleições presidenciais e parlamentares após a introdução do novo sistema multipartidário, Museveni venceu a presidência enquanto seu partido, o Movimento de Resistência Nacional (NRM, da sigla em inglês), venceu a maioria dos assentos no parlamento. Novamente, Musevini venceu as eleições em fevereiro de 2011 e 2016. Em janeiro de 2021, Yoweri Museveni conquistou uma vitória eleitoral decisiva (com 58% dos votos) para assegurar seu sexto mandato presidencial. Ele está no poder há 35 anos. A Suprema Corte é o tribunal mais elevado no país e também dá as decisões finais em questões constitucionais. 

Museveni foi um ministro de Defesa e membro de um conselho militar de três homens até as eleições presidenciais de 1980 serem realizadas. Ele concorreu à presidência, mas Obote venceu. Museveni rejeitou o resultado e formou o Exército de Resistência Nacional (NRA, da sigla em inglês). Em 1986, Museveni assumiu o controle do país, formando um governo de unidade nacional e permaneceu no poder desde então. O governo de Museveni suscitou várias críticas, principalmente no Norte. 

Em setembro de 2020, a Divisão Internacional de Crimes (ICD, da sigla em inglês) de Uganda e o Tribunal Superior confirmaram as acusações de terrorismo, homicídio, tentativa de homicídio, roubo qualificado contra Jamil Mukulu, o suposto líder das Forças Democráticas Aliadas (ADF) rebeldes, e outras 37 pessoas.  

O Exército de Resistência do Senhor (LRA, da sigla em inglês) luta contra o exército ugandês e desabriga milhões de civis enquanto mira a remoção do regime de Museveni.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

Uganda é um país de maioria cristã. A confiabilidade das estatísticas religiosas é contestada e líderes muçulmanos argumentam que sua presença é de mais de 25% do total da população, comparado à estimativa do centro de estudos religiosos World Christian Database de menos de 12%. 

Os cristãos em Uganda, principalmente na parte oriental do país, enfrentam desafios de muitas formas. Muçulmanos radicais locais são conhecidos por atacarem igrejas e cristãos. A maioria dos cristãos ex-muçulmanos suportam muitos tipos de perseguição realizadas por membros da família e líderes ou anciãos da comunidade. Além disso, o grupo islâmico ADF-NALU, que atua na parte oriental da República Democrática do Congo está lutando para estabelecer um califado islâmico em Uganda.  

O bullying e a perseguição aos cristãos são muito comuns em partes orientais do país. Principalmente os convertidos do islamismo, que possuem materiais cristãos ou discutem a fé cristã com membros da família e comunidade, com frequência, são expulsos, sofrem ataques físicos violentos ou até mesmo são mortos. Além disso, houve relatos de grupos que atacaram igrejas e cristãos, bem como convertidos.  

O islamismo radical é fonte primária de perseguição em Uganda diante do esforço muçulmano para aumentar números, influência e visibilidade. Embora Uganda seja um país secular, se uniu à Organização para a Cooperação Islâmica (OIC, da sigla em inglês) nos anos 1970, quando Idi Amin era presidente. A população muçulmana se encontra predominantemente no Leste de Uganda, com os distritos de Iganga e Busoga tendo as maiores concentrações. Também com altos níveis de população muçulmana estão as cidades de Mbale e arredores, Kasese e Bwera no Oeste, Arua e Yumbe no Nordeste, e Kampala e Jinja na região central. 

Esse tipo de perseguição é evidente de duas formas. No aumento da influência do islamismo radical na parte oriental do país, onde os tabliqs, uma seita de muçulmanos puritanos cujos membros se descrevem como evangelistas muçulmanos, continuam a expandir sua versão do islamismo em áreas como Mbale, Kasese, Arua e Yumbe. Um analista no país relata que há “esforços tangíveis de grupos islâmicos para converter grupos da população na região oriental, onde o islamismo é defendido ao máximo”. A outra forma é no impulso moral de radicais muçulmanos no país gerado por atividades do ADF-NALU, agora mais comumente conhecido como Muslim Defense International (MDI).  

CENÁRIO ECONÔMICO 

Segundo o Banco Mundial, apesar da economia de Uganda ser estável e ter potencial de crescimento, a COVID-19 e a invasão de gafanhotos devem reduzir o crescimento médio do PIB para cerca de 3,8 por cento nos próximos dois anos. A curto prazo, a pandemia causou uma desaceleração no consumo privado e no investimento privado. 

A desaceleração das exportações por conta de uma expectativa de paralisação da demanda externa se manterá e o déficit em conta corrente deve ser de 6% do PIB nos próximos dois anos.  Além disso, a instabilidade regional também impacta o crescimento da economia ugandesa: “A instabilidade regional e um contínuo fluxo de refugiados podem prejudicar as exportações e interromper o crescimento em partes de Uganda que recebem refugiados”. 

Com 60 pontos, Uganda está em 166 de 190 países no Índice de Facilidade para Fazer Negócios do Banco Mundial. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Uganda é um país diverso e tem os seguintes grupos étnicos listados pela publicação anual da Agência Central de Inteligência (CIA, da sigla em inglês), The World Factbook: Baganda (16,5%), banyankole (9,6%), busoga (8,8%), bakiga (7,1%), iteso (7%), langi (6,3%), bagisu (4,9%), acholi (4,4%), lugbara (3,3%) e outros (32,1%). 

Os baganda pertencem à família étnica bantu e provavelmente se estabeleceram na área entre 1.000 a.C. e 500 d.C., com a imigração dos bantu para fora do Oeste Africano. A língua tradicional desse grupo é luganda, que pertence à família das línguas nigero-congolesas. Hoje, há 52 clãs bagandas reconhecidos em Uganda. 

Embora Uganda tenha se popularizado como “uma pérola da África” pela Grã-Bretanha, principalmente pelo livro de Winston Churchill de 1908, “Minha Jornada Africana”, em tradução livre, a população permanece pobre, sofrendo com uma guerra civil, má administração e abusos de direitos humanos. 

O Índice de Desenvolvimento Humano do país é 0,544, se classificando em 159 de 189 países. A expectativa de vida no nascimento é de 63,4 anos. A taxa de alfabetização de adultos é de 76,5%. A população que vive abaixo da linha da pobreza, com 1,90 dólares por dia, é de 41,7%. 

Já que Uganda é um país sem litoral, no interior do continente africano, o cristianismo entrou na região relativamente tarde comparado a outras partes da África, principalmente às regiões costeiras. Missionários protestantes chegaram na corte de Kabaka Muteesa, que reinou de 1856 a 1884, em 1877.  

A Igreja Católica Romana se estabeleceu no país em 1879. Outras denominações cristãs chegaram em 1930 e nas décadas seguintes, incluindo a Assembleia Pentecostal do Canadá, uma comunidade ortodoxa da Igreja Ortodoxa Grega de Alexandria, a Conferência de Igrejas da África, a Igreja Nova Apostólica, a Adventista do Sétimo Dia e a Igreja de Deus. 

Houve uma grande perseguição aos cristãos em 1885 e 1886, incluindo mortes brutais, e sob a liderança de Idi Amin nos anos 1970. 

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