65

Venezuela

VE
Venezuela
  • Tipo de Perseguição: Paranoia ditatorial, opressão comunista e pós-comunista, corrupção e crime organizado
  • Capital: Caracas
  • Região: América Latina
  • Líder: Nicolás Maduro
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Cristianismo
  • Idioma: Espanhol e numerosos dialetos indígenas
  • Pontuação: 51


POPULAÇÃO
33,5 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
30,8 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos na Venezuela?  

As autoridades não permitem oposição ou crítica ao governo. Isso significa que líderes de igrejas, grupos cristãos e organizações cristãs correm o risco de ação do governo contra eles se suas atividades religiosas envolverem a denúncia de irregularidades e ilegalidades do regime (incluindo corrupção e violações de direitos humanos); apoiarem líderes da oposição; ou realizarem trabalho humanitário.  

A ação do governo pode levar a ameaças, ataques a igrejas, difamação, prisões arbitrárias, vigilância, censura, limitação no uso de serviços públicos e falta de acesso a bens, como alimentos e medicamentos.  

Devido à crise socioeconômica do país, o governo aproveita a falta de bens e serviços básicos necessários a todos os cidadãos para manipulá-los. O fácil acesso a alimentos, remédios e educação é reservado aos partidários do partido no poder. Além disso, as crianças enfrentam doutrinação contínua da ideologia socialista/comunista nas escolas estaduais, violando o direito dos pais de educarem seus filhos de acordo com suas convicções cristãs e o direito da igreja na educação escolar.  

Os cristãos também têm enfrentado ameaças e violências perpetradas por grupos criminosos (principalmente guerrilheiros colombianos) agindo com impunidade (muitas vezes em apoio ao regime) e dificultando a assistência social prestada pelas igrejas aos mais necessitados. 

“Meu pedido é que o povo de Deus, chamado para servir ao Senhor, permaneça firme no chamado e avance na missão confiada a ele. Essa situação não deve nos fazer recuar, mas avançar em ganhar a Venezuela para Cristo.”

JACOBO FARIAS, LÍDER CRISTÃO DA VENEZUELA

O que mudou este ano? 

Houve um aumento tanto na violência quanto na pressão em todas as esferas da vida, especialmente assassinatos e ataques a igrejas.  

As restrições da COVID-19 pioraram a crise humanitária no país e o governo politizou a distribuição de ajuda humanitária. Isso causou intimidação para igrejas que organizavam programas de ajuda aos vulneráveis ??e atingidos pela pobreza.  

Líderes e ativistas cristãos foram alvo de assédio por parte do governo, que também instigou campanhas de difamação contra eles. Além disso, a falta de respeito pelo Estado de direito também facilitou a atividade criminosa e a impunidade. 

Quem persegue os cristãos na Venezuela? 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Venezuela são: paranoia ditatorial, opressão comunista e pós-comunista, corrupção e crime organizado.  

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na Venezuela são: oficiais do governo, partidos políticos, grupos paramilitares, redes criminosas, cidadãos e quadrilhas.  

Quem é mais vulnerável à perseguição na Venezuela? 

A combinação de paranoia ditatorial, opressão comunista e pós-comunista, e corrupção e crime organizado faz com que a dinâmica da perseguição se espalhe por todo o país. 

Como as mulheres são perseguidas na Venezuela? 

No contexto da crise humanitária da Venezuela, as mulheres cristãs enfrentam várias vulnerabilidades. As meninas são traficadas e podem acabar presas em redes de prostituição, trocando sexo por comida ou remédios. As mulheres cristãs geralmente são mais bem pagas porque sua pureza é presumida e desejada.

Como explicou um especialista do país: “Neste contexto difícil, o desespero faz com que os limites morais sejam ignorados para sobreviver. Além disso, diante do medo de criar filhos em um país tão problemático, um pequeno número de mulheres está acessando abortos clandestinos às custas de suas crenças cristãs”. Muitas mulheres jovens estão optando por fugir da Venezuela devido a fatores econômicos e sociais.  

Dentro do contexto de deslocamento, elas estão expostas ao tráfico organizado e grupos criminosos exploradores, em que, mais uma vez, sua suposta pureza pode aumentar seu valor econômico.  

Apesar de muitas mulheres e meninas estarem deixando a Venezuela, são principalmente os homens jovens que partem em busca de oportunidades econômicas, inclusive de famílias e comunidades cristãs. Por ficarem sozinhas, elas se tornam mais vulneráveis à prostituição como meio de sobrevivência.

Nas áreas rurais, as líderes da igreja enfrentam também a intimidação de guerrilheiros. “Os comandantes tiram mais vantagem ao intimidar e limitar suas ações, pensando que, por serem mulheres, terão mais medo”, compartilha um especialista local. Em resumo, mulheres e meninas cristãs são vulneráveis a exploração sexual em todos os contextos na Venezuela – seja em movimento ao fugir do país, ao chegar em novos países ou quando deixadas sozinhas e vulneráveis por familiares do sexo masculino ausentes. 

Como os homens são perseguidos na Venezuela? 

Homens e meninos cristãos enfrentam uma pressão maior do que mulheres e meninas. Os jovens correm um risco particular de serem alvos de gangues criminosas e grupos guerrilheiros, especialmente ao longo da fronteira colombiana. Eles também são mais propensos a serem recrutados para as fileiras da Guarda Boliviana ou do Exército venezuelano, atraídos pela promessa de comida e remédios.  

“Eles [grupos armados] se aproveitam da difícil situação econômica e social, separando-os de suas famílias e forçando-os a cometer crimes. Os cristãos que se recusam a participar são alvos de assédio e agressão, junto com suas famílias”, explica um especialista.  

Diante de tal pressão, agravada pela crise econômica e política, muitos homens e meninos são obrigados a deixar o país para encontrar trabalho para sustentar a família. Enquanto se deslocam, estão sujeitos ??a serem capturados e explorados por grupos criminosos, enquanto as famílias que ficam para trás também se tornam vulneráveis

Os líderes da igreja, que são predominantemente homens, enfrentam os níveis mais altos de perseguição, sendo os líderes católicos geralmente mais vulneráveis. Como explicou um especialista do país: “Para os líderes cristãos que defendem a proteção dos direitos humanos, a luta é duas vezes mais difícil, pois é mais fácil reconhecê-los como inimigos do regime, portanto, eles não apenas enfrentam a crise social e econômica, mas também as represálias diretas do governo”.  

Os líderes da igreja também enfrentam ameaças e exploração econômica de gangues criminosas, principalmente se estiverem envolvidos em esforços de evangelismo de jovens, o que pode ameaçar o recrutamento das gangues. A pressão é maior nas áreas da fronteira do país, onde grupos criminosos lutam pelo controle territorial.  

Em fevereiro de 2021, foi relatado um ataque a um centro administrado por uma igreja que atendia jovens envolvidos com gangues e drogas. No período de pesquisa da Lista Mundial da Perseguição 2022 (1 de outubro de 2020 a 30 de setembro de 2021), vários deles foram mortos. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos na Venezuela?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente. 

Pedidos de oração da Venezuela 

  • Clame a Deus para que o governo tome decisões visando o bem-estar da população em geral, independentemente de ideologias políticas. 
  • Ore para que as igrejas se mantenham fiéis ao chamado de testemunhar do amor de Deus de forma prática, ajudando os mais necessitados. 
  • Interceda pelos cristãos venezuelanos, para que sejam fortalecidos na fé pela ação do Espírito Santo. 

Os primeiros habitantes da Venezuela foram povos indígenas da etnia caraíba, aruaques e cumanagotos. Em 1498, Cristóvão Colombo chegou ao território durante a sua terceira viagem ao continente.
 
 

Mas apenas em 1520, iniciou-se a colonização espanhola. A cidade de Caracas foi fundada em 1567 e tornou-se a mais importante da região. No entanto, o território atual da Venezuela era dividido entre o Vice-Reino do Peru e a Real Audiência de Santo Domingo até a criação do Vice-Reino de Granada em 1717. Em 1776, a Venezuela tornou-se uma capitania-geral do Império Espanhol. 

Por volta de 1808, as crises institucionais na Espanha contribuíram para o surgimento dos movimentos de libertação das colônias. Em 1810, iniciou-se o movimento pela independência de Caracas. Nessa mesma época, Simón Bolívar e Francisco de Paula Santander iniciaram uma longa guerra pela independência de Nova Granada, que terminou em agosto de 1819, mesmo ano em que foi fundada a Grã-Colômbia. Após a morte de Bolívar, a Venezuela retirou-se da Grã-Colômbia. 

Entre 1830 e 1848, a Venezuela foi liderada por uma oligarquia conservadora e depois foi para a mão dos ditadores Monagas (1848–1858). Em 1858, houve uma revolução encabeçada por Julián Castro, que resultou em instabilidade, agravada pela guerra civil entre conservadores e liberais, após a introdução de uma Constituição federalista em 1864. Os conflitos foram de 1866 e 1870.  

De 1870 a 1888, a Venezuela foi governada pelo liberal Antonio Guzmán Blanco, que foi autoritário e fazia política de obras públicas, de luta contra o analfabetismo e contra a influência da Igreja Católica. Os governos posteriores foram de pequenas ditaduras militares. Em 1899, Cipriano Castro apoderou-se da presidência e exerceu uma política externa agressiva que provocou o bloqueio e o ataque aos portos da Venezuela por Inglaterra, Alemanha e Itália em 1902.  

Em 1908, Castro foi deposto por Juan Vicente Gómez que governou por 27 anos. Foi em 1922, que se iniciou a exploração de petróleo na Venezuela. Em 1945, houve a queda de outra ditadura do general Isaías Medina Angarita, então o fundador do partido Acción Democrática, Rómulo Betancourt, tornou-se presidente provisório até as eleições de 1947. Nela, o escritor Rómulo Gallegos ganhou a presidência, mas uma revolta militar retirou-o do poder e, em 1953, iniciou-se a ditadura de Pérez Jiménez. 

Em 23 de janeiro de 1958, Jiménez foi obrigado a deixar o poder e os principais partidos políticos, com exceção do Partido Comunista da Venezuela, assinaram o Pacto de Punto Fijo. Então os partidos Ação Democrática e COPEI dominaram o cenário político do país por quatro décadas. 

Em 1960, houve vários movimentos guerrilheiros, como as  Forças Armadas de Libertação Nacional e o Movimento da Esquerda Revolucionária. Esses movimentos entregaram as armas sob a presidência de Rafael Caldera. Já em 1973, Carlos Andrés Pérez ganhou as eleições, na mesma época em que aconteceu a crise do petróleo.  

A crise econômica na década de 1980 e 1990 resultou em uma crise política que deixou centenas de mortos nos conflitos de “Caracazo” em 1989. Em 1992, aconteceram duas tentativas de golpe de Estado. No ano seguinte, o presidente Pérez sofreu um impeachment por corrupção.  

Em março de 1994, Hugo Chávez foi perdoado pelo presidente Rafael Caldera por encabeçar um golpe e teve os direitos políticos restabelecido. Então, em 1998, Hugo Chávez foi eleito presidente da República Bolivariana da Venezuela. A Revolução Bolivariana resultou em uma nova Constituição, juntamente com políticas econômicas e sociais socialistas e populistas financiadas pelos altos preços do petróleo e uma política externa contra os Estados Unidos. 

Pouco depois de assumir o poder, Chávez revisou a Constituição para estender seu poder para cumprir sua promessa de uma transformação radical do país. Ele nomeou um novo Congresso, um novo Conselho Nacional Eleitoral e uma nova Suprema Corte. Ele governou por 14 anos, de 1999 até sua morte em 2013. 

Nicolás Maduro, braço direito de Chávez e ex-vice-presidente, assumiu a presidência em 2013. As eleições presidenciais de maio de 2018 para o período 2019-2025 foram vencidas por Maduro e seu Partido Socialista Unido da Venezuela. Devido a várias irregularidades identificadas por observadores independentes e pela oposição, a legitimidade do processo foi questionada tanto a nível nacional como internacional. 

A Assembleia Nacional — a única grande instituição controlada pela oposição (até o final de 2020) — declarou a reeleição inválida e, em janeiro de 2019, Juan Guaidó, o presidente da Assembleia Nacional se autoproclamou presidente. Seu objetivo não era apenas derrubar Nicolás Maduro, mas também instalar um governo de transição e permitir eleições livres.  

No entanto, apesar do amplo apoio internacional, Guaidó não exerce muito poder em termos práticos, sem mencionar os escândalos de corrupção e a falta de transparência no manuseio de ativos venezuelanos no exterior. Em dezembro de 2020, Madurorecuperou o controle da Assembleia Nacional por meio de eleições legislativas boicotadas pelos partidos da oposição. 

Como a maioria dos países da região, os primeiros casos de COVID-19 foram identificados em março de 2020, o que levou à declaração de estado de emergência e várias restrições à circulação. Coletivos e forças de segurança usaram “todos os meios necessários” (incluindo violência e outras violações de direitos humanos) contra aqueles acusados de violar as medidas nacionais de bloqueio. 

A economia continuou a se deteriorar, agravando a escassez de praticamente tudo, desde eletricidade e água a combustível e suprimentos domésticos. Apesar das restrições da COVID-19, o difícil contexto socioeconômico levou a manifestações generalizadas.  

Com a fundação de Cumaná em 1515, um grupo de frades franciscanos introduziu o catolicismo romano. Apesar das tentativas de evangelização pacífica, os indígenas da região se opuseram violentamente ao cristianismo. No entanto, em 1531, após a fundação da cidade de Coro, foi possível estabelecer a primeira Sede Episcopal da América do Sul e a primeira diocese católica da Venezuela.  

A responsabilidade da evangelização era partilhada entre os sacerdotes diocesanos e várias ordens religiosas como capuchinhos (aragoneses, catalães, andaluzes e valencianos), franciscanos,  frades menores, dominicanos, agostinianos e jesuítas. Embora a maioria dos indígenas da região tenha abraçado o cristianismo católico, aqueles que viviam em áreas remotas continuaram a praticar suas crenças ancestrais. 

As missões protestantes só conseguiram entrar no país após o século 19. Em 1819, iniciou-se o trabalho da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira. Nas décadas seguintes, anglicanos, luteranos, irmãos de Plymouth e metodistas conseguiram estabelecer congregações. Em 1919, o primeiro grupo pentecostal se estabeleceu, seguido pelos batistas, em 1924. 

A maior denominação cristã na Venezuela é a Igreja Católica Romana, representando 87,9% de todos os cristãos. No entanto, as igrejas evangélicas e protestantes estão crescendo mais rapidamente no país, especialmente nas áreas rurais. 

Qualquer pessoa pode professar a fé livremente na Venezuela, desde que não critique o governo no poder. Assim, qualquer líder religioso cristão, igreja ou grupo cristão que condene a corrupção, as violações dos direitos humanos ou negue a legitimidade do presidente está sujeito a ser assediado pelo governo e por simpatizantes do regime.  

A ajuda humanitária distribuída por organizações cristãs tem sido deliberadamente bloqueada para evitar que a influência antigovernamental se espalhe. Como a distribuição de alimentos ou remédios está nas mãos do governo, isso permite que o regime manipule a população e obtenha seu apoio. Muitos cristãos se submetem ao partido governante para sobreviver. 

A insegurança alimentar no país se agravou em abril de 2021, por isso o governo permitiu que o Programa Mundial de Alimentos operasse no país. O objetivo é apoiar 1,5 milhão de crianças venezuelanas em idade escolar até 2023. Isso acontece por meio do fornecimento de refeições nutritivas, particularmente nas escolas de educação infantil e de educação especial, bem como investimento na melhoria das cantinas escolares. 

Diante da atual crise econômica e social, a população está descontente e desesperançosa. Isso resulta na migração em massa e protestos, principalmente de alunos, professores e pais. Os motivos das manifestações são a falta de serviços básicos, combustível, previdência social, aumento dos custos de transporte e deficiências no setor de saúde.  

Como as autoridades estaduais usam a vulnerabilidade dos pobres para controlá-los, qualquer assistência prestada pelas igrejas é vista como uma ameaça e pode ser monitorada e até proibida. O Estado considera uma forma de intervenção política e competição as igrejas que trabalham para melhorar a qualidade de vida da população ou prestar assistência espiritual. Eles temem que tais atividades influenciem a sociedade e desestabilizem o governo. 

Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

Facebook
Instagram
Twitter
YouTube

© 2022 Todos os direitos reservados

Home
Lista mundial
Doe
Fale conosco