Sete anos de agonia desde o sequestro das filhas de Chibok

Na ocasião, o grupo extremista Boko Haram invadiu uma escola secundária na Nigéria e raptou 275 meninas

Hoje, 14 de abril de 2021, completam sete anos - 84 meses, 364 semanas ou 2.557 dias - desde que o Boko Haram invadiu a escola secundária de meninas em Chibok, na Nigéria, onde 275 meninas estavam reunidas para fazer uma prova. Fingindo serem seguranças do governo que vieram protegê-las, os invasores colocaram as meninas em caminhões e fugiram em direção à Floresta de Sambisa. Dessas, 47 escaparam antes, durante ou logo após o ataque. Demorou mais de dois anos até que outras meninas conseguissem a liberdade. Sete anos depois, 111 ainda continuam com o paradeiro desconhecido. Neste dia, os pais recordarão o evento que mudou suas vidas para sempre.

Sem notícias

A atmosfera desse dia ainda é de desespero. Pouco se sabe sobre o paradeiro e as condições das meninas que permanecem em cativeiro. Também não é claro se há algum esforço real para negociar a soltura e menos progresso ainda para assegurar sua liberdade.

Expressando frustração quanto ao silêncio do governo, Yakubu Nkeki Maina, presidente da associação de pais das meninas sequestradas de Chibok, disse à Portas Abertas: “É tão lamentável o governo, que supostamente deveria tomar conta dos cidadãos, ter abandonado nossas filhas nas mãos do Boko Haram. Não há justificativa do porquê nossas filhas não foram resgatadas dos sequestradores nesses sete anos. É muito perturbador termos chorado e pedido ao governo para vir ao nosso resgate, mas nosso lamento não ser ouvido”.

Os pais de Chibok

Os pais de Chibok sentem a dor da perda, mas não deixam de acreditar no retorno de suas filhas

Ao longo dos últimos sete anos, os pais das meninas de Chibok suportaram diversas especulações sobre as condições de suas filhas. Para os pais, esse é um pesadelo sem fim. Yana Gana, uma das mães, disse à Portas Abertas: “Esses sete anos foram como 100 anos para mim. Dia e noite, continuo orando e esperando que minha filha volte para casa. Se minha filha está morta, eu quero saber, para que possa lamentar e encontrar paz para meu coração. O suspense é demais. Essa questão me deixou com pressão alta, que nunca tive antes”.

A cidade

A contínua insegurança na cidade adiciona estresse, já que o grupo extremista ainda realiza ataques na área. Na véspera de Natal, por exemplo, eles atacaram Chibok e outras comunidades próximas. Os insurgentes chegaram em motocicletas, atirando indistintamente, e incendiando casas.

Em um dos locais, os criminosos cercaram alguns jovens enquanto eles ensaiavam para o culto de Natal da manhã seguinte. Oito foram mortos e a igreja incendiada. Eles ainda levaram o pastor e um menino de três anos com eles. No mesmo dia, o corpo do pastor foi recuperado, mas o do menino continua desaparecido.

Muitas outras vítimas

Lembre-se de interceder por cada uma das 111 meninas sequestradas em Chibok que continuam em cativeiro

Enquanto o sequestro de Chibok é o mais famoso da Nigéria, certamente não é o único. A  Nigéria tem uma das taxas mais altas do mundo em casos de sequestro para resgate, de acordo com a organização de notícias internacionais Quartz Africa. Em seus esforços para estabelecer um califado na Bacia do Lago Chade e além, o Boko Haram rapta milhares de meninas, meninos, mulheres e homens por todo o Nordeste da Nigéria e Camarões e Sudeste de Níger e Chade. Há uma crescente pressão ao governo devido ao aumento de sequestros em outras áreas do Nordeste da Nigéria realizado por outros grupos. Enquanto a motivação é claramente financeira, observadores do site de notícias DefenseWeb alertam que ao menos alguns dos sequestradores podem estar ligados ao Boko Haram.

As meninas soltas

Após os insurgentes fugirem com mais de 200 meninas, cerca de metade, somente, está em liberdade. As solturas se deram:

O acesso a qualquer das meninas soltas é rigidamente controlado. De acordo com o presidente da associação de pais, 39 das primeiras meninas libertadas permanecem na Universidade Americana na Nigéria, no estado de Adamawa, 17 estudam nos Estados Unidos, 2 já se formaram, e uma se tornou uma pilota. “Nós agradecemos a Deus que, depois de tudo pelo que passaram, algumas encontraram rapazes que queriam se casar com elas. Dez se casam ainda este mês. Apesar disso, algumas ainda enfrentam sérios traumas e se recusam a ir para a escola”, Nkeki Maina explicou.

Portas Abertas

Com apoio espiritual, Yana, mãe de uma das meninas sequestradas, aprendeu a firmar em Deus a esperança do retorno da filha

No sétimo aniversário do sequestro, a Portas Abertas continua apelando à comunidade internacional para solicitar ao presidente nigeriano que continue os esforços para libertar os reféns mantidos pelo Boko Haram. Além disso, pede pela criação de um cargo no governo com o propósito de manter contato ativo com as famílias, além de ser um canal de comunicação aberto e acessível para os pais traumatizados dos reféns.

Cristãos nigerianos são expostos a violência direcionada a eles por mais de uma década. Por isso, além do trabalho direcionado às necessidades físicas dos sobreviventes, a Portas Abertas também tem uma abordagem de forma a lidar com o trauma entre os cristãos afligidos no país. Isso se dá por meio de treinamento de conscientização de trauma para ajudar cristãos a reconhecerem os efeitos do trauma em suas vidas; apoio e preparo para aqueles que acompanham os traumatizados e que podem ajudar a responder às necessidades; e provisão de cuidado especializado para indivíduos e famílias.

Sete pedidos de oração para sete anos do sequestro