
Tipo de perseguição
Pontuação na pesquisa
89Religião
Capital
População
População cristã

Como é a perseguição aos cristãos na Nigéria?
Na Nigéria, os cristãos enfrentam perseguição a ponto de ser o país mais violento do mundo para seguidores de Jesus há muitos anos. No Norte da Nigéria, 12 estados implementaram a lei islâmica, criando um sistema em que os cristãos vivem como cidadãos de segunda classe, e a conversão de muçulmanos para o cristianismo pode ser severamente punida.
Grupos militantes islâmicos operam com violência em todo o Norte e Centro do país. Entre eles estão Boko Haram e Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP, da sigla em inglês) que têm os cristãos como alvo de ataques, assim como quaisquer propriedades que pertençam aos seguidores de Jesus. Outros cristãos, especialmente agricultores na região do Cinturão Médio da Nigéria, enfrentam militantes islâmicos entre o povo fulani, que atacam comunidades cristãs com violência terrível.
Nos últimos anos, a violência aumentou e se espalhou para estados do Sul, com ataques muitas vezes organizados por militantes fulani escondidos em florestas. Outro fator de insegurança para os cristãos no Sudeste da Nigéria é o grupo separatista Povos Indígenas de Biafra (IPOB, da sigla em inglês), que tenta formar sua própria nação, mas também oprime cristãos, especialmente líderes que não concordam com sua ideologia.
A violência continua sem controle na Nigéria, mantendo o país no Top10 da Lista Mundial da Perseguição 2026. Centenas de cristãos foram mortos e milhões deslocados por ataques de militantes islâmicos, principalmente extremistas entre o povo fulani, além de Boko Haram e ISWAP. Novos grupos extremistas também estão surgindo, aumentando a insegurança para cristãos na Nigéria.
“O homem que me levou na moto perguntou por que eu estava chorando. Eu disse que era casada, mas ele respondeu: ‘Se seu marido fosse forte, teria resgatado você das nossas mãos’.”
Rifkatu (pseudônimo), cristã nigeriana sequestrada e violentada por extremistas fulani
Como as mulheres são perseguidas na Nigéria?
Mulheres e meninas cristãs enfrentam riscos extremos de ataques de militantes fulani, de membros dos grupos extremistas Boko Haram e ISWAP ou de bandidos em geral que usam sequestro para obter o dinheiro do resgate. Mulheres cristãs são vítimas de violência e escravidão sexual, casamento forçado, sequestro e assassinatos. Casamentos infantis são comuns entre meninas socioeconomicamente vulneráveis. Além disso, com frequência, as mulheres veem seus maridos e filhos serem agredidos e mortos. Mesmo em campos de deslocados internos, mulheres e meninas cristãs enfrentam violência sexual e casamentos forçados.
Como os homens são perseguidos na Nigéria?
Homens e meninos cristãos são assassinados por diversos grupos militantes na Nigéria. Quando sobrevivem aos ataques, correm o risco de ser sequestrados para cobrança de resgate ou de recrutamento forçado para esses grupos. Em algumas partes do país, os homens enfrentam discriminação na educação e no mercado de trabalho. Nos campos de deslocados internos, muitos homens ficam traumatizados por serem forçados a testemunhar atos de violência contra suas esposas e filhas. Alguns homens tentam retornar aos seus vilarejos para cultivar as terras que possuem e garantir a sobrevivência da família, mas correm risco de emboscadas e morte quando tomam essa decisão.
O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Nigéria?
A Portas Abertas trabalha por meio de igrejas locais parceiras para fortalecer cristãos na Nigéria com apoio imediato e a longo prazo, cuidados pós-trauma, treinamento de preparação para a perseguição, discipulado, ajuda emergencial e projetos de geração de renda.
Como posso ajudar os cristãos perseguidos na Nigéria?
Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para o projeto da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos que enfrentam maiores necessidades.
Quem persegue os cristãos na Nigéria?
O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Nigéria são: hostilidade etno-religiosa, opressão islâmica, paranoia ditatorial, corrupção e crime organizado e opressão do clã.
Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente, são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo.

Pedidos de oração da Nigéria
- Ore para que os milhões de cristãos deslocados na Nigéria encontrem esperança e estabilidade.
- Clame para que a luz do evangelho brilhe onde hoje há ódio e dor e, assim, transforme a vida dos que fazem planos de destruição que atingem os cristãos na Nigéria.
- Peça a Deus sabedoria para que os governantes da Nigéria tenham compaixão e estratégias eficazes para cessar a violência extrema no país.
Mais informações sobre o país
HISTÓRIA DA NIGÉRIA
A Nigéria é o país com a maior população da África e uma grande força política e econômica no continente. O fóssil mais antigo encontrado na Nigéria data de 90 mil a.C. Algumas coleções de ferramentas e artefatos mostram a passagem do país pela Idade da Pedra Polida e pela Idade do Bronze também.
Antes de tornar-se uma colônia britânica, diversos grupos políticos nativos administravam a Nigéria. Diversas nações, como o Egito e o Sudão, também faziam incursões no território nigeriano durante viagens por rotas comerciais e caravanas de nômades. No século 19, a Nigéria estava organizada em pequenos reinos, compostos por alguns dos principais grupos éticos nigerianos, os hausa e os iorubá.
O tráfico de escravos tanto dentro da Nigéria como para o exterior foi uma questão recorrente entre 1820 e 1851, que diminuiu até deixar de existir depois da intervenção britânica. No início do século 20, os fulanis, outro grupo étnico nigeriano, chegaram ao país e começaram a habitar e a praticar as atividades agropastoris.
Trabalhos missionários também foram ativos no país, principalmente em Lagos. Diversos grupos presbiterianos, metodistas e batistas chegaram à Nigéria no século 20. No mesmo período, a presença britânica começou a avançar, primeiro conquistando o Sul, depois o Norte e unificando essas duas partes para tornar a Nigéria uma colônia britânica.
Para evitar a resistência que os nigerianos tinham ao governo britânico, os colonizadores mantiveram alguns governos tradicionais locais e os utilizavam para atingir os objetivos europeus, procurando fazer poucas intervenções diretas. Por outro lado, para evitar que as comunidades se unissem contra a colônia, eles separaram grupos que tradicionalmente viviam unidos, especialmente no Norte, onde os líderes muçulmanos ofereciam maior oposição.
A presença britânica causou grandes mudanças na Nigéria, a principal delas foi o avanço do cristianismo. Apesar de o domínio britânico parecer estável nas duas primeiras décadas do século 20, o protetorado começou a se tornar instável até que a Nigéria conquistou a independência em 1960.
Independência e nova Constituição
O país ganhou independência em 1960, mas escolheu permanecer como membro da comunidade britânica, a Commonwealth. A Nigéria passou por um longo período de disputas entre os grupos étnicos desde então, e uma série de administrações civis, que falharam em controlar a crise política e foram derrubadas pelo exército. Depois de 16 anos de governo militar por quatro generais diferentes, em que a transição para a democracia e o governo civil foi continuamente adiada, a Quarta República foi inaugurada com uma nova Constituição em 1999.
Essa mudança aconteceu em parte devido à morte súbita do general e ditador militar, Sani Abacha. Após a morte, o sucessor, o general Abdulsalami Alhaji Abubakar, supervisionou uma rápida transição para o domínio civil e promulgou uma nova Constituição. É interessante observar que na Constituição de 1999 da Nigéria secular, a palavra “islamismo” como uma religião é mencionada 28 vezes e a palavra “muçulmano”, dez vezes. No entanto, cristianismo, cristão, igreja ou tribunais canônicos não são mencionados nenhuma vez.
Desde a retomada do regime constitucional na Nigéria, em 1999, o Partido Popular Democrata emergiu como o partido dominante, ganhando todas as eleições presidenciais, exceto em 2015 e 2019, um período com revoltas e denúncias de corrupção.
O país entrou em um novo capítulo da história em maio de 2015, quando Goodluck Jonathan foi derrotado nas eleições presidenciais e passou o poder à oposição, ao Congresso de Todos os Progressistas (APC, da sigla em inglês) com Muhammadu Buhari como presidente. Goodluck Jonathan governou o país desde 2010 e presenciou já no primeiro mandato ameaças do grupo extremista Boko Haram.
Nos últimos anos, o país tem lutado contra a insurgência em partes da região do Delta do Níger e islâmicos radicais no Norte do país, que têm se espalhado para o Sudoeste e Sudeste também. Os ataques foram aumentando de intensidade e frequência com os anos, tendo como alvos prédios do governo e instituições cristãs, como escolas e igrejas. O governo não conseguiu parar os ataques. Em 2012, estima-se que mais de 2.800 pessoas foram assassinadas em ataques do Boko Haram e em 2014, em uma das maiores ações do grupo, 275 meninas foram raptadas em uma escola em Chibok.
As ações dos extremistas levaram a sanções internacionais sobre a Nigéria e diversos territórios foram dominados por eles e declarados como estados islâmicos. Vários planos do governo tentam controlar a situação e de fato conseguiram pequenos avanços, mas em 2015 a situação se agravou, especialmente com a aliança entre Boko Haram e Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP).
CONTEXTO DA NIGÉRIA
A Nigéria é o maior e mais populoso país da África. O nome do país vem do Rio Níger que atravessa o seu território formando inúmeras cachoeiras e corredeiras. A Nigéria faz fronteira com Níger, Chade, Benin e Camarões (com quem teve disputas territoriais no início dos anos 2000) e ao Sul é cercado pelo Golfo da Guiné. Abuja é a capital atual do país, uma cidade planejada, apesar de a antiga capital, Lagos, continuar o centro comercial e industrial do país.
A Nigéria também tem uma das maiores economias na África. A região Sul é a mais desenvolvida do país, com centros industriais e culturais importantes, além de portos. A extração de petróleo é uma fonte econômica importante que, desde 1960, atraiu muitas pessoas para a cidade e fomentou a urbanização na nação. Ainda assim, quase metade da população vive nas áreas rurais e cuida de pequenas plantações de subsistência.
O país é divido em 36 estados e um distrito federal — onde fica a capital — Abuja. O setor judiciário nigeriano segue três códigos de leis: o código de costumes (sobre assuntos como divórcio), o código nacional (baseado na Constituição inglesa), e em estados com maioria muçulmana, a sharia (conjunto de leis islâmicas) também é aplicada. Apesar da alegação de que apenas muçulmanos são submetidos à sharia, os relatos de minorias religiosas subjugadas pela sharia é frequente.
As cidades não foram planejadas e têm sérios problemas de saneamento básico. Por isso, algumas doenças, como diarreia e malária, são frequentes e causam muitas mortes.
Tanto nas áreas urbanas como no interior, a família tem papel central. Parentes se reúnem com frequência para celebrar aniversários, casamentos e para se apoiarem em funerais. Sempre muito unidos e presentes.
A Nigéria também tem uma rica herança cultural, tanto na arte tradicional como na contemporânea. Algumas peças são heranças de quando a Nigéria fazia parte do Reino de Benin. A música e a dança são partes da identidade nigeriana e estão presentes em diferentes estilos e fazem parte tanto das celebrações de casamentos quanto em momentos solenes como assembleias públicas e funerais.
O clima em grande parte do território nigeriano é tropical, com estações secas e chuvosas.
Grupos étnicos
Estima-se que existam 250 grupos étnicos na Nigéria. Cada um habita o território que considera próprio por direito, por herança e por ter sido ocupado inicialmente pelos ancestrais. Aqueles que não são membros do grupo dominante, mesmo que morem ou trabalhem na região durante anos, continuam a ser vistos como estrangeiros.
Os três principais grupos étnicos do país são os hausa-fulani, os iorubá e os igbos. Os hausa, que vivem no Norte, são o grupo mais numeroso. Eles se uniram com a minoria fulani, cujos membros tomaram a Hausalândia, a terra onde os hausa viviam, no século 19. A grande maioria de ambos os grupos é muçulmana.
O outro grupo dominante são os iorubá, no Sul da Nigéria. A maioria deles são agricultores e cada subgrupo dessa comunidade é governada por um líder, chamado oba. Os igbos são o menor grupo. Eles vivem em pequenos assentamentos democráticos e descentralizados. A maior unidade política deles é conselho dos anciãos, escolhidos por mérito, que atua como a liderança local.
A língua oficial da Nigéria é o inglês, mas a língua hausa é a mais conhecida e usada no dia a dia. O país tem uma grande variedade linguística além das descritas acima.
No país subdesenvolvido, as meninas também enfrentam condições desiguais e são as mais vulneráveis a ataques, especialmente as cristãs. Alguns pais, com medo de que suas filhas cristãs sejam atacadas — principalmente em estados com a sharia — escolhem mantê-las em casa ou casá-las cedo com o objetivo de protegê-las. Isso resulta em meninas crescendo sem acesso a educação, ignorantes de seus direitos e dependentes economicamente de homens.
HISTÓRIA DA IGREJA NA NIGÉRIA
Religiões tradicionais africanas eram dominantes na parte sul do país antes de missionários europeus introduzirem o cristianismo. A primeira missão cristã que alcançou a Nigéria foi durante o domínio português na Costa Atlântica nos séculos 15 e 16. No entanto, durante esse período, os católicos portugueses deram prioridade às atividades econômicas e políticas, por isso a missão cristã não avançou, e a maior parte do país continuou seguindo as religiões tradicionais africanas.
Após a abolição do tráfico de escravos transatlânticos pelo Império Britânico em 1807, outra séria tentativa foi feita para reintroduzir o cristianismo na Nigéria. Os escravos libertados que já haviam se convertido tornaram-se fundamentais na evangelização da população nativa. O caso de Samuel Adjai Crowther, que foi o primeiro sacerdote anglicano nigeriano, pode ser tomado como exemplo. Ele desempenhou um papel fundamental na evangelização em Yorubaland. Depois de testemunhar o sucesso de Crowther, os anglicanos da Sociedade Missionária da Igreja, os metodistas, os batistas e os católicos romanos aumentaram os esforços para ter uma forte presença cristã na Nigéria.
À medida que o cristianismo começou a florescer na Nigéria, as questões de discriminação, marginalização das elites africanas e disputas sobre os recursos começaram a instigar cristãos contra cristãos e muitas divisões da igreja resultaram disso.
Missionários cristãos foram menos bem-sucedidos no Norte do país, onde os reinos tribais hausa-fulanis já eram muçulmanos. Houve poucas conversões de muçulmanos para o cristianismo durante o período colonial. Parte disso pode ser atribuído ao fato de que o Norte da Nigéria estava sob leis indiretas, e as missões cristãs não tinham permissão para operar livremente lá.
Islamização e sharia no Norte do país
Desde 1999, a sharia (conjunto de leis islâmicas) está imposta em doze estados do Norte, para a preocupação dos cristãos, causando um alto nível de tensão. Além disso, em muitas partes do Norte da Nigéria, e cada vez mais no Sul também, militantes inspirados em jihadistas estão matando, forçando o deslocamento de cristãos e se apossando de suas terras agrícolas. Sequestros por resgate têm aumentado consideravelmente nos últimos anos. Pouco foi feito para interromper a perseguição aos cristãos nessas áreas.
Até recentemente, o processo de islamização estava ocorrendo principalmente a nível estadual, mas sob a presidência de Muhammadu Buhari, que começou em 2015, cada vez mais é promovido a nível nacional, ganhando um impulso sem precedentes. Isso é visto principalmente nas políticas do governo de nomeações importantes e na forma que a atmosfera de impunidade é permitida, o que beneficia principalmente as atividades de diferentes grupos islâmicos violentos, como outros grupos criminosos.
Não há dúvidas que muçulmanos também são vítimas da violência, mas o que os cristãos experimentam é uma ameaça existencial se essa tendência de ataques continuar.
Os cristãos no Norte da Nigéria, especialmente nos estados onde a sharia governa, enfrentam discriminação e exclusão como cidadãos de segunda classe. Os cristãos de origem muçulmana também enfrentam a rejeição de suas próprias famílias, pressão para desistir do cristianismo e violência física com frequência.
Veja notícias deste país

Cristãos estão traumatizados após ataque a igrejas na Nigéria

Nigéria: 177 cristãos são sequestrados em Kaduna





