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Cazaquistão

KZ
Cazaquistão
  • Tipo de Perseguição: Paranoia ditatorial, opressão islâmica, opressão do clã
  • Capital: Nursultan
  • Região: Ásia Central
  • Líder: Kasym-Jomart Tokayev
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo, cristianismo e ateísmo
  • Idioma: Cazaque e russo
  • Pontuação: 64


POPULAÇÃO
18,9 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
4,8 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos no Cazaquistão? 

A liberdade dos cristãos no Cazaquistão é severamente restrita sob as leis de setembro de 2011. Vigilância, invasões a cultos, multas e prisões são parte da vida cristã, com as autoridades usando a ameaça do extremismo islâmico para enrijecer seu controle sobre a liberdade religiosa.  

No último ano, vários cristãos enfrentaram multas pela venda de literatura e objetos cristãos. As igrejas ortodoxas russas quase não experimentam problemas, já que não tendem a ter contato com a população cazaque. 

Cristãos ex-muçulmanos também enfrentam oposição dentro de casa, da família, de amigos e vizinhos. Eles podem enfrentar prisão domiciliar, agressões ou expulsão da comunidade. Mulás locais (líderes muçulmanos) também pregam contra eles. 

Nós ensinamos em nossa igreja o respeito a outras religiões. Nossa meta é pregar o evangelho de Jesus Cristo sem culpa ou julgamento dos outros. Enquanto isso, as leis estão mudando no Cazaquistão. Será muito mais difícil se reunir no futuro. O pior cenário possível é que a igreja seja fechada e diversas pessoas sejam presas. 

John (pseudônimo), cristão perseguido na Ásia Central 

O que mudou este ano? 

Mesmo com uma queda nos incidentes de violência relatados contra cristãos, isso é quase anulado por aumentos mínimos em outras esferas, incluindo igreja e comunidade. 

No ano passado, foram propostas mudanças na lei religiosa do país, o que deixará muito difícil para cristãos realizar encontros fora dos locais aprovados pelo Estado. A lei revisada também declara que qualquer encontro fora dos locais de adoração precisa ser aprovado pelo Estado, criando um material religioso escrito. Entretanto, a punição por cometer certos “crimes”, incluindo a importação de literatura cristã sem permissão, será reduzida com as novas mudanças. 

Quem persegue os cristãos no Cazaquistão? 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Cazaquistão são: paranoia ditatorial, opressão islâmica, opressão do clã. 

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos no Cazaquistão são: oficiais do governo, partidos políticos, cidadãos e quadrilhas, parentes, líderes de grupos étnicos, líderes religiosos não cristãos. 

Quem é mais vulnerável à perseguição no Cazaquistão? 

O controle de cristãos pelo governo cazaque pode acontecer por todo o país. A pressão aos convertidos por família, amigos e comunidade é mais forte nas áreas rurais.  

Como as mulheres são perseguidas no Cazaquistão? 

Embora as leis cazaques garantam direitos iguais para homens e mulheres, a igualdade de gênero não é alcançada na prática. Muito disso se deve à visão tradicionalista que considera que a mulher deve ser subserviente ao homem. 

Mulheres convertidas ao cristianismo correm grande risco de enfrentar abuso físico e verbal, assédio, ameaças, prisão domiciliar e casamento forçado. Mulheres cristãs também podem ser alvo como um meio de perseguir seus maridos. 

Como os homens são perseguidos no Cazaquistão? 

Quando um encontro da igreja é invadido, os líderes — que tendem a ser homens — podem enfrentar interrogatório, multa ou prisão. Isso não apenas impacta o líder e sua família, mas também gera medo entre a comunidade da igreja local. 

Homens cristãos também enfrentam desafios em todos os lugares. Aqueles envolvidos no serviço militar obrigatório e que estão em locais com ambiente altamente controlado são expostos à perseguição. Enquanto isso, os cristãs ex-muçulmanos podem experimentar abuso verbal, agressões e perda de apoio financeiro. A habilidade de ganhar a vida — seja empregado ou de forma autônoma — também é colocada em grande risco. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos no Cazaquistão? 

Por motivo de segurança, não podemos falar especificamente sobre nosso trabalho no Cazaquistão.

Como posso ajudar os cristãos perseguidos no Cazaquistão?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, você permite que jovens da Ásia Central recebam educação sobre vida cristã, identidade e propósito em Cristo.  

Pedidos de oração do Cazaquistão 

  • Ore para que o Senhor conceda recursos para aqueles que foram multados devido a atividades cristãs, incluindo a venda de material cristão.  
  • Clame para que a fé de nossos irmãos e irmãs perseguidos não seja abalada, mas permaneça forte.  
  • Peça a Deus para que as autoridades cazaques reconheçam as boas intenções dos cristãos, dando a eles mais liberdade para expressar a fé.   

Um clamor pelo Cazaquistão 

Pai celestial, temos consciência de que muitos líderes de igrejas no Cazaquistão suportam uma carga pesada ao conduzirem suas congregações sob grande pressão. Encoraje-os hoje e os cerque com todo o apoio que precisam para servi-lo. Fortaleça e proteja aqueles que enfrentam pressão de suas famílias e comunidades, e os use ousadamente enquanto compartilham sobre Jesus com outros. Abra os olhos dos oficiais do governo para ver as boas intenções e frutos do seu povo e use isso para ampliar o seu Reino no Cazaquistão. Amém.  

Como todos os outros países da região da Ásia Central, o Cazaquistão surgiu como um país independente no final de agosto de 1991. Foi o último integrante da ex-União Soviética a fazê-lo. De todos os antigos Estados da União Soviética, o Cazaquistão foi quem conseguiu fazer a transição econômica da melhor maneira. Ao contrário de outros países da Ásia Central, os governantes do país participam da comunidade internacional e estão ansiosos para cooperar e sediar negociações internacionais. Em março de 2017, realizou-se uma reunião internacional na capital cazaque de Astana, agora Nursultan, sobre a guerra na Síria. Até agora, o destaque do Cazaquistão foi ser homenageado com a presidência rotativa da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), em 2010. 

Desde 2010, o regime do presidente Nursultan Nazarbayev assumiu um caráter muito mais ditatorial e aproximou o Cazaquistão dos outros países da Ásia Central. Políticas repressivas, controle rigoroso da mídia e restrições legislativas, também na esfera religiosa, foram introduzidas com o objetivo de manter o poder. Nazarbayev renunciou em março de 2019 e Kasym-Jomart Tokayev foi eleito presidente em 9 de junho de 2019.

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

O Cazaquistão é oficialmente uma república constitucional democrática, secular, unitária, com uma herança cultural diversificada. Seu primeiro e único presidente até março de 2019 foi Nursultan Nazarbayev. O presidente pode vetar a legislação que foi aprovada pelo parlamento e também é o comandante das Forças Armadas. O primeiro-ministro preside o gabinete de ministros e atua como chefe de governo do Cazaquistão. Embora quatro partidos estejam representados no parlamento do Cazaquistão, não existe uma verdadeira oposição política. Isso, mais uma vez, ficou óbvio durante as eleições presidenciais em 26 de abril de 2015, quando o presidente Nazarbayev não teve opositores reais e ganhou as eleições com 97,7% dos votos, o que lhe permitiu iniciar seu quinto mandato, de cinco anos, como presidente do país. 

A pergunta sobre quem sucederia o presidente Nazarbayev foi respondida pelo próprio presidente. Em 19 de março de 2019, inesperadamente, ele disse aos cidadãos que havia renunciado. “Decidi encerrar minhas funções como presidente”, disse Nazarbayev em um discurso televisionado ao país. “Este ano, faz 30 anos que ocupo o cargo mais alto”, disse Nazarbayev, 78 anos, que liderava o país rico em energia desde antes do colapso soviético de 1991. Nazarbayev indicou que o presidente do Senado, Kasym-Jomart Tokayev, seria presidente em exercício pelo restante de seu mandato, de acordo com a Constituição. Sem surpresa, o presidente cazaque interino, Tokayev, foi reeleito nas eleições instantâneas de 9 de junho de 2019 com 70,76% dos votos. 

Em maio de 2020, o presidente Tokayev anunciou que havia removido Dariga Nazarbayeva do cargo de presidente do Senado. Isso foi totalmente inesperado, pois todos acreditavam que Nazarbayeva seguiria os passos de seu pai e governaria o Cazaquistão.  

Na política e na economia, o Cazaquistão está cada vez mais ligado à Rússia (e à China). Isso é em parte devido ao grande número de cidadãos de etnia russa que vivem na parte norte do Cazaquistão. Ao mesmo tempo, o Cazaquistão anunciou seus planos de mudar o uso do alfabeto cirílico para o latim. 

As eleições parlamentares foram realizadas em 11 de janeiro de 2021 e a Comissão Eleitoral Central declarou a vitória (com 71% dos votos) do partido Nur NATO, liderado pelo presidente Kassym-Jomart Tokayev, que descreveu as eleições como “mais um passo no desenvolvimento democrático”. 

Em janeiro de 2019, o governo abandonou seu plano de atualizar a lei religiosa de 2011 do país. As condições de liberdade religiosa no Cazaquistão possivelmente começaram a se mover de forma positiva, uma vez que as alterações legais em análise eram mais restritivas.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

De acordo com o World Christian Database, a população é de maioria muçulmana (70,2%) – predominantemente sunita. No entanto, seria errado chamar o Cazaquistão de um país muçulmano. Setenta anos de ateísmo durante a União Soviética deixaram uma profunda influência; o governo, herdeiro dos soviéticos ateus, é firmemente secular e procura manter o islamismo sob controle, enquanto a maioria esmagadora da população segue meras tradições islâmicas e não ensinamentos muçulmanos estritos. No entanto, “ser um cazaque é ser muçulmano” é a crença de muitos cazaques. 

Como resultado, os convertidos ao cristianismo experimentam muita pressão de familiares, amigos e comunidade local. Essa pressão é muito mais forte no campo do que nas principais cidades. Os parentes oprimem os cristãos, às vezes com abuso físico, tentando levá-los de volta ao islamismo. Às vezes, isso também é feito pela polícia local. 

O Cazaquistão tem de longe a maior presença cristã na Ásia Central. A razão disso não é que os cazaques se converteram em grande escala ao cristianismo, mas é devido à presença de uma minoria russa nas províncias do Norte do país. Como resultado, mais de 90% de todos os cristãos no Cazaquistão pertencem à Igreja Ortodoxa Russa. Ao contrário de outros países da Ásia Central, o país não experimentou uma emigração em massa de russos étnicos. 

Embora o regime tenha imposto muitas restrições à produção, importação e distribuição de materiais religiosos, a fronteira aberta com a Rússia significa que o acesso é menos problemático do que em outros países da região.  

Todas as comunidades cristãs experimentam alguma forma de perseguição. As igrejas ortodoxas russas são as menos perseguidas, pois geralmente não tentam entrar em contato com a população cazaque. São os cristãos indígenas ex-muçulmanos que suportam o maior peso da perseguição vinda tanto do Estado como da família, amigos e comunidade. Alguns convertidos chegam a ser trancados em casa por longos períodos, agredidos e podem até ser expulsos das comunidades. Mulás (clérigos islâmicos) locais também pregam contra eles.  

Se cidadãos nativos (que são muçulmanos) se converterem ao cristianismo, é provável que experimentem pressão e, ocasionalmente, violência física por parte da família, amigos e comunidade local, para forçá-los a retornar à antiga fé. Alguns convertidos são trancados pela família por longos períodos, agredidos fisicamente e podem até ser expulsos da comunidade. Mulás (pregadores muçulmanos) pregam contra eles, aumentando a pressão. Como resultado, os convertidos fazem o máximo para esconder a fé, tornando-se cristãos secretos.  

Nenhuma atividade religiosa fora de instituições estatais e controladas pelo Estado é permitida. A pressão das autoridades aumentou desde 2015 e os ataques e prisões continuaram. Os membros das igrejas protestantes são particularmente visados, uma vez que são considerados uma influência estrangeira com o objetivo de destruir o atual sistema político. Daí a necessidade de serem severamente controlados. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

O país é abençoado com vastos recursos de petróleo, gás e outros minerais. O regime atual promoveu reformas de mercado e transformou o Cazaquistão na segunda maior economia do antigo império soviético (depois da Rússia). O Cazaquistão é o país mais desenvolvido da Ásia Central e a modernização está acontecendo rapidamente – se bem que muito mais nas grandes cidades e não tanto no interior. 

O Cazaquistão continua sendo o país mais rico da região. Isso apesar de ter sido duramente atingido pela crise financeira, que começou em 2008, e depois pelas sanções econômicas impostas à Rússia por países ocidentais. Essas sanções aconteceram depois que a Rússia anexou a península ucraniana da Crimeia, no início de 2014. 

Como resultado, é a única nação da região que tem poucos migrantes trabalhando no exterior, mas muitos migrantes de outros países da Ásia Central (Uzbequistão, Tajiquistão e Quirguistão) trabalhando ali. Isso oferece oportunidades para a propagação do evangelho entre essas pessoas. 

O Cazaquistão mantém uma posição estratégica na conexão Leste-Oeste entre a China e o Ocidente. Uma nova versão da Rota da Seda (que liga o Oriente e a Europa comercialmente) está em construção, apoiada por China e Turquia. Isso significa que existem enormes atividades para construir estradas para caminhões e trilhos de trens. A China também tem sido particularmente ativa na exploração de petróleo e gás no Cazaquistão. 

A crise de COVID-19 atingiu gravemente a economia do Cazaquistão. Os preços do petróleo, gás e cobre caíram. Uma suspensão do trabalho em qualquer um dos principais campos de petróleo ou minas de cobre representaria uma perda adicional de receita que o Estado não pode suportar. Assim como o resto da população, os cristãos também sofrem com a deterioração econômica. As mulheres são, em geral, mais vulneráveis ??economicamente no Cazaquistão, assim como mais propensas a assumir responsabilidades domésticas tradicionais em casa. Enquanto as taxas de educação e as taxas de participação na força de trabalho são relativamente altas, mais homens atuam como provedores da família e tomadores de decisões financeiras. Há menos empregos de alta responsabilidade (como cargos parlamentares) para mulheres. Sob as leis de herança, os homens e as mulheres têm direitos iguais, e a falta de acesso à herança não é entendida como uma preocupação generalizada. Homens cristãos podem enfrentar discriminação econômica por causa da fé. Muitos recebem multas e são presos pelo Estado, perdem emprego ou são forçados a pagar subornos para manter os negócios. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

De acordo com estatísticas do governo de 2020, os cazaques étnicos são 68% da população e os russos étnicos no Cazaquistão são 19,3%, vivendo principalmente nas províncias do Norte. Outros grupos incluem tártaros (1,1%), ucranianos (1,5%), uzbeques (3,2%), bielorrussos, uigures (1,5%), azerbaijanos, poloneses e lituanos. 

Algumas minorias, como alemães (1%), ucranianos, coreanos, chechenos, turcos e opositores políticos russos do regime foram deportadas para o Cazaquistão nas décadas de 1930 e 1940 por Stalin. Alguns dos maiores campos de trabalho forçado soviéticos (os gulags) localizavam-se no país. 

O governo está estimulando com sucesso o uso da língua local e o renascimento da cultura tradicional cazaque. Em 12 de abril de 2017, o presidente Nazarbayev ordenou que as autoridades apresentassem um alfabeto latino para a língua cazaque até o final de 2017, marcando uma grande mudança, após quase 80 anos com um alfabeto baseado em cirílico (como o idioma russo). 

Apesar disso, 95% da população do Cazaquistão ainda é capaz de se comunicar em russo. Devido ao antigo sistema educacional soviético, praticamente todos os cidadãos cazaques são alfabetizados. Isso oferece grandes oportunidades para a igreja espalhar o evangelho. 

Embora o regime tenha imposto muitas restrições na produção, importação e distribuição de materiais religiosos, a fronteira vasta e aberta com a Rússia significa que obter materiais necessários no Cazaquistão é menos problemático do que em outros países da Ásia Central. 

Em novembro de 2014, o governo disse que iniciaria uma campanha de dez anos para combater a corrupção – um fenômeno que permeia todos os aspectos da sociedade cazaque e que a igreja enfrenta quase que diariamente. Em 26 de dezembro de 2014, o presidente Nursultan Nazarbayev assinou um decreto que introduz a nova estratégia anticorrupção para ser realizada entre 2015 e 2025. 

A crise de COVID-19 também atingiu o Cazaquistão em 2020. No início, nem todos os casos de COVID-19 foram registrados. Isso levou à curiosa situação em que o número de sepulturas em um cemitério em Almaty separado para vítimas da COVID-19 ultrapassou o que constava nos registros oficiais. Mais tarde, os principais setores econômicos do país (exploração de petróleo e gás natural e mineração de cobre) mostraram ter mais infecções por COVID-19 do que a média. Isso significa que o governo cazaque se viu em apuros: por um lado, não podia permitir que a renda dos recursos de petróleo, gás e cobre fosse perdida, mas também não podia se dar ao luxo de ter recorrentes surtos de infecções em locais de trabalho que ameaçavam se espalhar para as populações locais. Trabalhadores se viram em um dilema semelhante: ficar em casa e perder a renda, ou trabalhar e correr o risco de pegar o vírus. 

Em geral, os cristãos experimentam os mesmos problemas que todas as outras pessoas do país. A única exceção a isso é a pressão do ambiente social (família, imãs locais, aldeões) a cristãos de origem muçulmana. De acordo com um relatório do Banco Asiático de Desenvolvimento, as normas culturais são geralmente positivas em relação ao conceito de igualdade de gênero. Um estudo de opinião pública publicado em 2016 revelou que a maioria dos homens e mulheres acreditava que a situação das mulheres havia melhorado nos últimos dez anos. As mulheres são vistas como membros ativos da sociedade, embora seja esperado que assumam mais dos deveres domésticos tradicionais e são menos propensas a ocuparem cargos com poder de decisão. O divórcio permanece um estigma significativo, até irmãs de divorciadas podem ter dificuldades para se casar. A violência doméstica também continua a ser uma área de preocupação contínua, particularmente porque piorou no contexto da pandemia de COVID-19.

Nos séculos 7 e 8, o cristianismo nestoriano se espalhou pelo Sul do Cazaquistão. No ano 1009, os missionários nestorianos batizaram um dos numerosos grupos de kereiti étnicos de fala mongol e que adotaram nomes cristãos como Marguz (Marcos). No mesmo período, o cristianismo nestoriano se espalhou entre outros povos da Ásia Central, e as vilas metropolitanas foram estabelecidas. 

Timur Lenk (também chamado Tamar Lane (1336-1406)) erradicou o cristianismo no século 14. Josef Stalin (1878-1953) ordenou a deportação de muitos religiosos considerados não confiáveis para a União Soviética, para o Cazaquistão durante a “Grande Purga” na década de 1930. Durante esses anos, muitos cristãos ortodoxos, católicos e protestantes russos foram enviados para a Ásia Central e uma boa parcela se estabeleceu no Cazaquistão. 

Sacerdotes foram deportados e enviados para campos de concentração no Cazaquistão. Quando foram libertos, começaram um ministério como cristãos secretos entre as pessoas. A igreja cresceu principalmente entre os não cazaques. 

Depois que o país declarou independência em 1991, a nova liberdade religiosa permitiu esforços missionários e evangelísticos para alcançar milhares de cazaques étnicos que abraçaram o cristianismo. A igreja indígena, ou seja, cristãos ex-muçulmanos, que era praticamente inexistente em 1990, agora é estimada em 15 mil pessoas.  

REDE ATUAL DE IGREJAS 

Entre as comunidades cristãs históricas, a Igreja Ortodoxa Russa (IOR) é, de longe, a maior. Elas não estão envolvidas com evangelismo entre cazaques. Elas podem funcionar relativamente em liberdade, visto que o regime cazaque não as considera um perigo. Além disso, o governo não tem interesse em provocar a Rússia ao tornar as coisas difíceis para a IOR. 

Os cristãos ex-muçulmanos suportam o peso da perseguição no Cazaquistão. Além de algumas restrições do Estado, eles também estão sob forte pressão da família, amigos e comunidade. Para eles, a comunidade é a mais poderosa. 

As comunidades cristãs não tradicionais, sobretudo os grupos não registrados, enfrentam perseguição crescente, principalmente porque são ativos em evangelismo. Todos os cristãos nessa categoria enfrentam batidas policiais, ameaças, prisões e multas por parte das autoridades. 

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