50

Comores

KM
Comores
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, paranoia ditatorial
  • Capital: Moroni
  • Região: Sul e Leste da África
  • Líder: Azali Assoumani
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo, cristianismo
  • Idioma: Árabe, francês, comoriano
  • Pontuação: 62


POPULAÇÃO
870 MIL


POPULAÇÃO CRISTÃ
4,2 MIL

Como é a perseguição aos cristãos em Comores? 

Os cristãos em Comores não podem compartilhar a fé livremente em público. Se o fizerem, enfrentam consequências legais. Em algumas partes do país, grupos extremistas ameaçam os cristãos com violência. O proselitismo para qualquer religião, exceto o islã, é ilegal e os convertidos ao cristianismo podem ser processados. Os cristãos ex-muçulmanos enfrentam as dificuldades mais graves. Frequentemente, são pressionados a manter a fé privada – não lhes restando outra opção a não ser viver a vida cristã em segredo. 

“Quase três dias depois de decidir seguir Cristo, minha casa foi incendiada. Só consegui resgatar meu computador. Tudo o que eu tinha eram as roupas do corpo. Achei que era um teste da minha fé em Cristo, mas acabou sendo um fortalecimento.” 

Tirus, cristão perseguido em Comores 

O que mudou este ano? 

Por que Comores entrou no top 50 da Lista Mundial da Perseguição 2021? A situação dos cristãos em Comores mudou muito pouco nos últimos anos. Enquanto o país está progredindo na estabilidade e na democracia, ainda há um aumento de simpatias islâmicas radicais entre a população em geral. No entanto, o país melhorou muito desde a década de 1990, quando passou vários anos classificado entre os 20 primeiros na Lista Mundial da Perseguição. A reentrada este ano no Top50 se deve à pressão do governo sobre todos os grupos religiosos, exceto o islã sunita. O governo acredita que a liberdade de religião na Constituição é para estrangeiros, não para comorianos. Isso significa que os convertidos precisam esconder a fé. A posição pública do governo também concede aos moradores uma licença para pressionar e perseguir os cristãos. 

Quem persegue os cristãos em Comores 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos em Comores são: opressão islâmica, paranoia ditatorial.

Já afontes de perseguição são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos em Comores são: líderes religiosos não cristãos, parentes, cidadãos e quadrilhas, oficiais do governo.

Quem é mais vulnerável à perseguição em Comores? 

A perseguição é comum em todas as comunidades cristãs em Comores. No entanto, o nível de perseguição que os cristãos ex-muçulmanos experimentam é muito mais extremo do que os níveis enfrentados por outros grupos. 

Como as mulheres são perseguidas em Comores? 

Muitas famílias comorianas tradicionalmente têm herança matrilinear, dando às mulheres uma boa dose de influência no lar, que muitas vezes pode servir como uma proteção contra a perseguição. No entanto, as mulheres convertidas do islã experimentam sérias dificuldades devido à conversão, mais ainda do que os homens. 

Mulheres e meninas que se convertem ao cristianismo antes de receberem a herança correm o risco de serem deserdadas. Se forem deserdadas, enfrentam uma desvantagem financeira, geralmente levando à pobreza e à angústia. Além de serem evitadas, há a possibilidade de que sejam forçadas a se casar com um muçulmano para pressioná-las a retornar ao islã. 

No entanto, uma mulher casada que se converte permanecerá responsável pela educação dos filhos, e ela ainda tem a oportunidade de transmitir o ensino cristão para eles. 

Como os homens são perseguidos em Comores? 

Os homens convertidos do islamismo em Comores geralmente dependem da família e não têm independência. Comores é uma sociedade matriarcal em que a norma cultural é que um homem casado more com os sogros. Nessa situação, a família pode exercer muita pressão sobre um convertido para que ele retorne ao islã. Frequentemente, eles não recebem tratamento igual em casa, são abusados verbalmente e, em alguns casos, têm comida negada. É muito comum que a família muçulmana da esposa de um cristão ex-muçulmano a pressione a se divorciar do marido e, em seguida, o faça sair de casa. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos em Comores? 

Por meio de parcerias locais, a Portas Abertas está ao lado de cristãos em Comores desde os anos 1990. Com parcerias estratégicas com a igreja local, a Portas Abertas apoia e equipa a Igreja Perseguida com desenvolvimento econômico por meio de treinamento, desenvolvimento de liderança, evangelismo transcultural e cuidado com novos convertidos 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente. 



Pedidos de oração de Comores 

  • Ore para que os cristãos em Comores sejam fiéis e frutíferos onde estiverem e que vivam com alegria e sem culpa, para que outros perguntem sobre sua vida e uma porta seja aberta para o evangelho. 
  • Interceda pelos cristãos que deixaram o islã para seguir Jesus. Peça a Deus para lhes dar sabedoria, coragem e apoio – para que saibam que nunca estão sozinhos. 
  • Peça que o Senhor use os programas da Portas Abertas para levar apoio e esperança aos cristãos em Comores. Ore para que eles sejam um testemunho da graça do Senhor e encorajem muitos a irem a Jesus. 

Um clamor por Comores 

Senhor, por favor, fortaleça a pequena comunidade de cristãos em Comores – e aumente o número deles. Dê a eles a paz, esperança e a tenacidade que precisam para segui-lo diante da perseguição. Oramos para que os cristãos que caminham sozinhos, vivendo a fé em segredo, sejam elevados e perseverem nas provações do isolamento e da falta de comunhão. Faça com que eles sintam as orações da igreja global e sejam encorajados a seguir o Senhor de todo o coração e mente. Em nome de Jesus pedimos isso, com plena confiança no Senhor, amém. 

Depois de anos de instabilidade política após a independência da França em 1974 e 1975, o arquipélago de Comores passou por uma transição democrática em 2006. Naquele ano, Ahmed Abdallah Mohamed Sambi se tornou presidente de Comores em uma eleição que analistas internacionais descreveram como amplamente livre e justa. Essa foi a primeira transferência de poder pacífica e democrática na história do país.  

Em 2008, o Exército da União do Desenvolvimento Nacional lançou um golpe militar sem sangue e bem-sucedido que levou à remoção do antigo presidente, Mohamed Bacar, da ilha Anjouan, que então fugiu do país. Moussa Toybou se tornou o presidente eleito em um processo em geral livre e justo, em 2008. Em novembro e dezembro de 2010, eleições ocorreram para decidir o novo presidente da União do Arquipélago, já que havia governadores diferentes para cada uma das três principais ilhas, sendo elas Grande Comore, Mohéli e Anjouan. Novamente, em 2016, o país passou no teste de manter eleições pacíficas quando o antigo líder do golpe, Azali Assoumani, venceu, tendo atuado anteriormente como presidente de 2002 a 2006. Desde então, o país permanece politicamente estável. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

A Constituição de Comores exige uma presidência “rotativa” da nação em que cada uma das três principais ilhas se reveza ao realizar a primeira etapa das eleições para candidatos à presidência a cada quatro anos. Como evidenciado pelas eleições de 2016, o poder é investido no governo pelo povo e troca de ilha para ilha. Isso pode mudar no futuro, como o Banco Mundial relata: “O Congresso Nacional, convocado em fevereiro de 2018 para avaliar as condições após 42 anos de independência, recomendou uma revisão do sistema de presidência rotativa entre as ilhas por meio de possíveis reformas constitucionais”. 

No passado, alguns analistas pensaram que o governo não estaria em posição de lidar com o aumento da militância islâmica no país que, em partes, é encorajado pela influência econômica de alguns países do Oriente Médio. Entretanto, atualmente, parece que o governo está sem criar tensões ou descontentamentos desnecessários. 

Em 2018 e 2019, a oposição reagiu contra certas mudanças introduzidas pelo partido no governo. As principais questões, como relatadas em 2019 pela organização sem fins lucrativos Freedom House, foram: 

1) Em 2018: “Autoridades eleitorais disseram que o referendo constitucional de julho, que introduziu grandes mudanças sistêmicas, foi aprovado por 93% dos eleitores. Entretanto, o referendo foi boicotado pela oposição, que o denunciou como um poder inconstitucional tomado pelo presidente Azali, e foi marcado por alegações de intimidação e fraude. Muitas pessoas que falaram contra o referendo enfrentaram perseguição”. 

2) “O referendo estendeu o tempo do mandato presidencial, abolindo o sistema anterior em que o presidente roda entre as três principais ilhas do país, e consagrou o islamismo sunita como religião nacional. Também aboliu a Corte Constitucional, a mais alta do país, e transferiu suas competências para uma nova câmara da Suprema Corte”. 

Após a emenda na Constituição e a mudança na estrutura do governo, eleições presidenciais antecipadas ocorreram em Comores em 24 de março de 2019, junto com eleições regionais. Um segundo turno seria realizado em 21 de abril, se necessário, mas o presidente em exercício, Azali Assoumani, foi reeleito no primeiro turno de votação. Em janeiro de 2020, seu partido teve uma estrondosa vitória nas eleições do parlamento boicotadas pela oposição. 

Na sociedade, há um aumento na presença de tendências radicais islâmicas, apesar de uma inclinação política positiva no sentido de promover práticas democráticas. A Constituição declara que todas as políticas públicas devem ser baseadas em crenças islâmicas. Algumas provisões legais para liberdade religiosa existem, mas são direcionadas mais para estrangeiros do que cristãos nativos.  

Professores radicais conhecidos localmente como djaulas, muitos deles treinados no Paquistão ou outra nação muçulmana, estão pressionando pela aplicação da sharia (conjunto de leis islâmicas) de forma mais rígida no país.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

Comores é um país de maioria muçulmana. De acordo com o centro para estudo do cristianismo global, o World Christian Database (WCD), apenas cerca de 0,5% da população é cristã. O próprio governo reconhece feriados religiosos islâmicos como feriados nacionais, como o nascimento do profeta islâmico Maomé, o fim do Ramadã, a Festa do Sacrifício e o Ano Novo islâmico.  

Embora aulas sobre islamismo não sejam obrigatórias nas escolas estaduais, são associadas às aulas de árabe na educação pública no ensino fundamental. Devido à baixa qualidade da educação pública e o fato de que escolas particulares são com frequência inacessíveis, as madraças islâmicas podem completar o buraco educacional. Na verdade, quase todas as crianças entre 4 e 7 anos participam de escolas islâmicas onde aprendem a ler e recitar o Alcorão. 

O governo favorece o islamismo. Na sociedade civil, educação e governo há uma forte pressão de islâmicos conservadores. Isso é refletido na posição de Comores quanto a organizações não governamentais (ONGs). ONGs cristãs enfrentam discriminação enquanto ONGs islâmicas são bem-vindas. Apesar da democratização da sociedade de Comores, parece que desenvolvimentos islâmicos na região, por exemplo, o avivamento islâmico em Madagascar, nas Ilhas Maurício e nas Maldivas, se fortaleceu, levando em consideração que países ocidentais estão menos ativos no arquipélago do que países de maioria muçulmana. Até mesmo a atual estabilidade não tem ajudado realmente a comunidade cristã. 

Comores é um país de maioria sunita. Muçulmanos xiitas que estudaram no Irã não divulgam suas crenças religiosas, temendo pressão da maioria sunita. Convertidos ao cristianismo enfrentam sérias discriminações na sociedade e são forçados a enviar os filhos para madraças, a fim de aprender o Alcorão. 

Cristãos no país não devem discutir a fé em público. Se o fazem, enfrentam consequências legais. Em algumas partes, grupos radicais ameaçam cristãos com violência. O proselitismo para qualquer religião, exceto o islamismo, é ilegal e convertidos ao cristianismo podem ser processados. Cristãos ex-muçulmanos enfrentam as mais severas dificuldades e são colocados sob pressão para não praticarem a fé, deixando apenas a opção de viver a fé de forma secreta.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

O arquipélago de Comores é superpovoado, com uma alta densidade populacional, cerca de 400 pessoas por quilômetro quadrado. Razões para isso são a combinação de uma alta taxa de natalidade e geografia. 

Os produtores de renda primária em Comores são as exportações, agricultura e turismo. A agricultura chega a cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Há poucas plantações grandes e a maior parte da agricultura é conduzida em pequena escala por produtores locais. Um dos problemas que Comores experimenta é que a produtividade da terra agrícola está diminuindo devido ao crescimento populacional e à lenta introdução de melhorias tecnológicas nas plantações. Isso é, em partes, atribuído aos baixos níveis de educação entre a maioria da população adulta e insuficiente disponibilidade de equipamentos agrícolas sofisticados.  

Em geral, Comores busca atrair grande investimento estrangeiro para facilitar seu desenvolvimento. A China, em particular, é vista como um poderoso aliado que pode prover ajuda e apoio no desenvolvimento. Por sua vez, a China pode ver o arquipélago como um local útil para a promoção de seus objetivos estratégicos, ficando de olho na Índia. A Índia também começou a investir mais em Comores para compensar os avanços chineses. Em julho de 2013, o Irã também anunciou que aumentaria os “laços econômicos, técnicos, científicos e rurais” entre Irã e Comores. Em 2014, Comores recebeu investimento direto do governo do Kuwait para construir escolas e instituições de caridade em troca de um acordo feito pelo governo do Kuwait para dar aos seus moradores sem nacionalidade (bidoon) cidadania de Comores. 

O papel da sociedade civil nas três ilhas é limitado. Apenas uma porção de ONGs internacionais e domésticas são consideradas existentes e essas geralmente operam sem as restrições do governo. Por exemplo, ONGs são aptas para conduzir investigações e publicar suas descobertas em casos de direitos humanos, oficiais do governo geralmente cooperam e respondem a seus pontos de vista. Diversas ONGs recém-formadas trabalham em desenvolvimento sustentável. Assim, as relações entre parlamento e sociedade civil são geralmente favoráveis. A exceção à postura geralmente positiva do governo quanto às ONGs é a discriminação contra ONGs cristãs, que enfrentam restrições governamentais em suas publicidades e operações. Por exemplo, o governo proibiu a distribuição de literatura religiosa, roupas ou símbolos de tais organizações. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Comores é um arquipélago de maioria muçulmana. Devido a sua localização, é influenciado pelas culturas francesa, árabe e africana. Os comorianos mantêm o sistema familiar matriarcal com a mulher encarregada do papel de iniciar o casamento e construir a casa para a família. O homem ainda mantém a liderança espiritual, mas, culturalmente, a mulher tem uma influência forte na família, o que não é comum em outras partes da África e, sem dúvidas, no mundo. Mais da metade da população (53%) tem menos de 20 anos. 

De acordo com a última pesquisa domiciliar conduzida em 2014, quase 18% da população vive abaixo da linha da pobreza, estabelecida em 1,90 dólar per capita por dia. A incidência da pobreza, que varia consideravelmente de uma ilha para outra, parece maior em áreas rurais e na ilha de Mohéli. Há apenas uma universidade no país, a Universidade de Comores. 

Os portugueses levam o crédito pela introdução do cristianismo na ilha, em 1517. Entretanto, isso não teve efeito duradouro e a fé cristã foi reintroduzida pela França quando a ilha de Myotte se tornou colônia francesa, em 1843. Após a independência, em 1975, a organização missionária evangélica, Africa Inland Mission, começou a expandir seu trabalho missionário, mas quando o governo começou a se alinhar com países muçulmanos, os missionários foram expulsos, em 1978. Da mesma forma, o trabalho iniciado por outros grupos, como a Igreja Adventista do Sétimo Dia, também foi interrompido pelo governo. 

Praia turística, mas de difícil acesso para cristãos

Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

Instagram

© 2021 Todos os direitos reservados

INÍCIO
LISTA MUNDIAL
DOE