
Tipo de perseguição
Pontuação na pesquisa
97Religião
Capital
População
População cristã

Como é a perseguição aos cristãos na Coreia do Norte?
A Coreia do Norte é, indiscutivelmente, o lugar mais perigoso do mundo para seguir a Jesus. Ser descoberto como cristão no país resulta em punições severas, como ser preso nos campos de trabalho forçado, com pouca esperança de libertação, ou até mesmo morte por execução imediata. Os membros da família podem receber o mesmo destino.
Apesar de existirem algumas igrejas na capital, Pyongyang, que possam sugerir algum nível de tolerância, elas têm apenas fins de propaganda. A realidade é muito diferente. Não há espaço para o cristianismo na Coreia do Norte, onde toda devoção deve ser direcionada ao regime Kim. Com vigilância constante – até de vizinhos e familiares – qualquer indício de adoração a Jesus pode ter implicações devastadoras. Mesmo assim, cristãos se reúnem secretamente, correndo enormes riscos.
Nos últimos anos, a situação dos cristãos secretos piorou na Coreia do Norte. Isso se deve, principalmente, à Lei do Pensamento Reacionário, que tornou ainda mais claro que ser cristão ou possuir uma Bíblia é considerado um crime grave. A lei reforça como o regime vê o cristianismo como uma ameaça.
Apesar de alguns avanços em 2025, a situação geral permanece praticamente inalterada. Muitas tendências negativas continuam a afetar o país e toda a população, o que inclui os cristãos secretos. O regime fortaleceu sua força militar, fez interações diplomáticas seletivas, tentou desenvolver turismo e implementou mudanças na política interna.
O propósito dessas ações continua o mesmo: tornar o país mais autossuficiente e reforçar sua posição estratégica no cenário global. Nesse contexto, a vida cotidiana continua extremamente difícil, agravada pela crise humanitária. Para o pequeno grupo de cristãos secretos na Coreia do Norte, isso significa repressão contínua e perigo extremo constante.
“Se você quer saber por que faço isso, é por causa de um homem chamado Jesus. Ele é o Filho de Deus e ama muito você. Na verdade, trouxe um livro que fala tudo sobre ele.”
Evangelista Cho (pseudônimo), que faleceu recentemente após arriscar tudo para servir norte-coreanos que fugiram do país
Como as mulheres são perseguidas na Coreia do Norte?
Mulheres cristãs presas na Coreia do Norte são vulneráveis a abusos sexuais a fim de causar trauma e isolamento. Cerca de 80% das pessoas que fogem da Coreia do Norte são mulheres, expostas a tráfico, violência sexual, escravidão e casamento forçado. As mulheres norte-coreanas que são capturadas e repatriadas são submetidas a tratamentos brutais e abortos forçados, pois seus bebês são considerados “impuros”.
Como os homens são perseguidos na Coreia do Norte?
Na sociedade patriarcal norte-coreana, todos os homens devem trabalhar em empregos designados pelo Estado, o que dificulta a fuga da Coreia do Norte e aumenta o risco de homens cristãos serem descobertos na Coreia do Norte. Além disso, o sistema de classificação social songbun, que divide as pessoas em três categorias, coloca qualquer suspeito de ser cristão na base do sistema, como categoria “hostil”.
O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Coreia do Norte?
Colaboradores secretos da Portas Abertas ajudam cerca de 100 mil cristãos norte-coreanos – por meio de redes de trabalho secretas fora do país – com ajuda emergencial, materiais cristãos, transmissão de programas de rádio cristãos, treinamento e abrigo para aqueles que fugiram da Coreia do Norte.
Como posso ajudar os cristãos na Coreia do Norte?
Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para o projeto da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos que enfrentam maiores necessidades.
Quem persegue os cristãos na Coreia do Norte?
O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Coreia do Norte são: paranoia ditatorial e opressão comunista e pós-comunista.
Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente, são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo.

Pedidos de oração da Coreia do Norte
- Ore pedindo a Deus que transforme o coração do presidente, Kim Jong-un, e de sua família.
- Clame para que Deus proteja a pequena comunidade de cristãos na Coreia do Norte quando se encontrarem em segredo e dê a eles a paz que excede todo o entendimento quando tiverem medo.
- Interceda por provisão de alimento para cristãos presos por amor a Jesus e para suas famílias na Coreia do Norte.
- Ore por oportunidades para cristãos secretos compartilharem o evangelho com sabedoria e segurança.
Mais informações sobre o país
HISTÓRIA DA COREIA DO NORTE
Foi depois da 2ª Guerra Mundial que a Península da Coreia foi dividida em dois países: Coreia do Norte e Coreia do Sul. Mas registros mostram a presença de comunidades na Península da Coreia desde 2.300 a.C. Em 1945, a Coreia do Norte conquistou a independência. Após o fracasso ao tentar dominar a parte Sul da ilha, durante a Guerra da Coreia, entre 1950 e 1953, começou o governo de Kim II-sung, que foi sucedido em 1994 pelo filho, Kim Jong-il, e em 2011 pelo neto, Kim Jong-un, atual regente do país.
A capital da Coreia do Norte é Pyongyang, umas das poucas áreas urbanas e industriais do país. Tanto vizinhos próximos, China e Rússia, como os mais distantes, Japão, já invadiram o território coreano no século 19 e tentaram dominá-lo, o que causou impactos na sociedade e economia norte-coreanas.
O governo tentou diversos planos econômicos para recuperar as finanças do país desde 1954. A nação procura mostrar-se bem-sucedida internacionalmente, mas o cenário mostra o fracasso do regime em reestabelecer a economia nacional. Um dos projetos era restaurar as cidades destruídas pela Guerra da Coreia, que, mesmo 50 anos depois do conflito, lutam para se reerguer.
Desde o governo de Kim II-sung, a Coreia do Norte desenvolve armas nucleares. O país quer ser levado a sério e ser ouvido internacionalmente, uma das razões por que seus líderes têm batalhado para avançar a tecnologia nuclear e espacial, fazendo o mundo perceber sua existência. O país ficou conhecido pelas constantes ameaças de um conflito mundial, com teste de mísseis, discursos beligerantes e ataques na fronteira com a Coreia do Sul, no entanto, nenhumas delas foi de fato adiante. O exército tem um papel importante para a liderança do país, mas sua importância política diminuiu nos últimos anos.
Anos recentes
A política nuclear tem sido bem-sucedida à medida em que Kim Jong-un conseguiu seu primeiro encontro presencial histórico com o presidente norte-americano Trump, em junho de 2018, seguido por mais encontros em 2019. Entretanto, isso não levou a resultados concretos ou alívio nas sanções internacionais e ênfase na autossuficiência e força do país. Isso pode ser visto no desenvolvimento do programa de armas, que encheu o conteúdo do discurso feito por Kim Jong-un no 75º aniversário do Partido Comunista Norte-coreano em 2020.
A pandemia da COVID-19 também intensificou a crise no país. Mais de um ano depois do início do surto, o governo reconheceu em 2022 o primeiro caso de COVID-19 e implementou medidas rígidas de isolamento social. A decisão de fechar todas as fronteiras com a China piorou a economia frágil e a situação de grande parte da sociedade. O sistema de saúde norte-coreano já estava debilitado antes mesmo da chegada da pandemia.
Durante anos, a Coreia do Norte recebeu ajuda da União Soviética e da China, única aliada que continua contribuindo com o país. O país precisa de ajuda internacional e precisou abrir-se um pouco para recebê-la, mas o regime restringe o acesso aos cidadãos necessitados e está sob sanções internacionais, buscando manter apenas o mínimo de contato necessário com o exterior. A segurança do regime e da ideologia sempre serão priorizadas acima do bem-estar do seu povo.
CONTEXTO DA COREIA DO NORTE
A nação tem duas ideologias como base. Uma é chamada juche, que basicamente diz que o homem é autossuficiente. Esse princípio é usado para evitar a influência estrangeira no país e incentiva a confiar apenas no que é nacional, próprio da Coreia do Norte. A outra é o kimilsungismo, ou seja, a adoração aos líderes, que são considerados entidades onipotentes que guiam a Coreia do Norte e a ajudam a florescer. Os princípios combinam as duas grandes características do país: a aversão ao que é estrangeiro e o culto aos líderes nacionais.
Há décadas, o racionamento de alimentos, os campos de trabalho forçado e a estagnação econômica definem o contexto norte-coreano. Mesmo o aumento da produção agrícola no país não é suficiente para atender às necessidades da população. A filosofia juche também evita que indústrias e outras estruturas econômicas consideradas estrangeiras cresçam. Dessa forma, tanto pela postura do governo, quanto pelas sanções de outros países, a Coreia do Norte permanece isolada desde 1945.
O isolamento também tornou a Coreia do Norte uma das sociedades etnicamente mais homogêneas do mundo. Quase toda a população é coreana. Uma minoria chinesa constitui o outro grupo étnico do país. A língua oficial é o coreano. O país é regido por Kim Jong-un, que ocupa posições centrais em todas as esferas importantes: Partido, Estado e Exército. Os títulos que a família e o próprio Kim Jong-un recebem, mesmo durante as crises econômicas da Coreia do Norte, mostram a influência e o domínio da linhagem Kim sobre o país.
O regime investe principalmente no exército, nas manufaturas de aço e na agricultura, mas existe uma economia privada informal, com pequenos comércios em centros urbanos, que ajuda o país e o povo a sobreviver. As outras fontes de sustento norte-coreanos são os campos de trabalho forçado, para onde muitos cristãos são enviados quando presos, e os valores enviados por norte-coreanos que vão trabalhar no exterior, geralmente na Rússia ou China.
Todas as terras são controladas pelo regime norte-coreano. A produção é enviada diretamente para o governo, que define sua distribuição entre as províncias. O salário dos que trabalham no exterior também é enviado diretamente para o regime, sobrando pouco ou quase nada para os trabalhadores. A pesca também é um dos grandes provedores de alimento para norte-coreanos.
A “lei do pensamento antirreacionário” aumentou o controle social no país. Possuir uma Bíblia e ser cristão já eram práticas proibidas pela lei, o que mostra a postura anticristã do regime, mas as alterações recentes enrijeceram as regras, proibindo o acesso a músicas, como K-pop, e outras referências culturais consideradas estrangeiras ou ocidentais. Até mesmo o deslocamento dentro do país, entre as províncias, exige a aprovação do governo.
HISTÓRIA DA IGREJA NA COREIA DO NORTE
Em 1603, um diplomata coreano retornou de Pequim carregando vários livros de teologia escritos por um missionário jesuíta na China. Ele passou, então, a divulgar as informações presentes nos livros e as primeiras sementes do cristianismo, na forma católica romana, foram semeadas. Em 1758, o rei Yeongjo de Joseon proibiu oficialmente o cristianismo alegando ser uma prática maligna, e os cristãos coreanos foram submetidos à perseguição severa, particularmente entre 1801 e 1866. Nesse período, aproximadamente oito mil católicos foram mortos em toda a Coreia.
Quando os primeiros missionários protestantes se estabeleceram permanentemente no Norte da Coreia, em 1886, eles encontraram ali uma pequena comunidade de cristãos e, um ano depois, a primeira Bíblia foi impressa em coreano. A anexação da Coreia do Norte pelo Japão em 1905 (oficialmente em 1910), não intencionalmente, causou um grande aumento no número de cristãos e o cristianismo se tornou associado com movimentos que apoiavam o nacionalismo coreano. Em 1907, começou um grande avivamento que marcou a história, a ponto de a capital Pyongyang ser conhecida como a “Jerusalém do Oriente”. Centenas de igrejas surgiram e houve numerosas reuniões de avivamento. Missionários também estabeleceram instituições de ensino em todo o país.
O domínio japonês sobre o país trouxe a perseguição religiosa, e cristãos e outros civis foram forçados a se curvar diante dos altares do imperador. Após a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, Kim Il-sung chegou ao poder na área de controle soviético da Península Coreana, ao norte do Paralelo 38. Em 1948, ele impôs um regime comunista e ateísta. Durante a Guerra da Coreia (1950-1953), muitos cristãos fugiram e, depois da guerra, dezenas de milhares de cristãos foram mortos, presos ou banidos para áreas remotas. O resto da igreja se tornou clandestina. Antes da Guerra da Coreia havia cerca de 500 mil cristãos na Coreia do Norte. Apenas dez anos depois, não havia mais a presença visível da igreja.
Culto aos líderes e doutrinamento
A religião na Coreia do Norte atualmente resume-se ao culto da família dos líderes políticos, ou seja, a família de Kim II-sung. Todos têm de participar de reuniões semanais e sessões de autocrítica e memorizar mais de 100 páginas de material ideológico, que inclui documentos, poemas e canções que louvam os feitos e a majestade da família Kim. Até mesmo crianças na pré-escola são doutrinadas.
Oficiais do Partido são obrigados a estudar a ideologia política duas horas por dia, além de participar de qualquer sessão de estudo semanal já existente e encontros de autocrítica. Isso não apenas coloca um grande peso sobre os oficiais, mas também mostra quão tensa é a situação para aqueles considerados como “forças hostis”.
Ainda há seguidores do budismo e do confucionismo no país, apesar de a adoração aos líderes não dividir espaço com qualquer outra religião, em teoria. No entanto, como essas religiões pertencem à mentalidade cultural, os adeptos podem viver a fé sem que qualquer um note e essas religiões são toleradas.
O cristianismo, pelo contrário, é visto como uma religião estrangeira perigosa que deve ser combatida ferozmente. Se reunir com outros cristãos para adorar é praticamente impossível e, se alguns ousam fazê-lo, têm que ser em máximo sigilo. As igrejas mostradas aos visitantes em Pyongyang servem meramente a propósitos de propaganda. A Portas Abertas estima que o número de cristãos no país é de 400 mil, mas pode ser de até 500 mil. Cristãos e seus descendentes estão registrados na classe hostil do sistema de classificação social norte-coreano, que continua em operação, e ainda influencia muito a vida diária, excluindo essas pessoas da ajuda estatal e outros benefícios sociais por causa da relação com o cristianismo.
Veja notícias deste país

“Ele me chamou pelo meu nome”

Como é a vida na Coreia do Norte?





