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Jordânia

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Jordânia
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, opressão do clã, paranoia ditatorial, protecionismo denominacional
  • Capital: Amã
  • Região: Oriente Médio
  • Líder: Abdullah II
  • Governo: Monarquia constitucional
  • Religião: Islamismo, cristianismo, budismo, hinduísmo, judaísmo
  • Idioma: Árabe e inglês
  • Pontuação: 66


POPULAÇÃO
10,3 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
180 MIL

Como é a perseguição aos cristãos na Jordânia? 

Em comparação com os cristãos que vivem em outros países do Oriente Médio, a maioria dos cristãos na Jordânia desfruta de um nível relativamente alto de liberdade religiosa, mas cristãos ex-muçulmanos, em particular, podem encontrar oposição. Se um cristão ex-muçulmano declara a fé publicamente, isso pode levá-lo a agressões, prisão ou até mesmo a morte. 

O Estado exerce pressão em todas as comunidades cristãs, especialmente por meio de monitoramento. Igrejas não reconhecidas podem enfrentar assédio de autoridades públicas, sobretudo as que são ativas no evangelismo. Cristãos que compartilham a fé ou ajudam convertidos podem enfrentar hostilidade. A presença de extremistas islâmicos, incluindo jihadistas que voltaram da Síria e do Iraque, continua a ser uma ameaça à comunidade cristã.  

Eu era um valentão, um criador de casos. Mas agora sou um membro comprometido do grupo de discipulado e participo das reuniões de estudo da Bíblia duas vezes por semana. Eu sou uma nova criação agora em Jesus Cristo e me pareço cada vez mais com ele.” 

Tareq (pseudônimo), cristão perseguido na Jordânia 

O que mudou este ano? 

Apesar de cair uma posição na Lista Mundial da Perseguição 2022, a hostilidade contra os cristãos cresceu um pouco. Houve um aumento nos incidentes de violência relatados e pouca aceitação de expressões públicas da fé cristã, como exibir abertamente versículos bíblicos. 

Quem persegue os cristãos na Jordânia 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Jordânia são: opressão islâmica, opressão do clã, paranoia ditatorial, protecionismo denominacional.

Já afontes de perseguição são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na Jordânia são: líderes de grupos étnicos, líderes religiosos não cristãos, parentes, oficiais do governo, cidadãos e quadrilhas, líderes religiosos cristãos.

Quem é mais vulnerável à perseguição na Jordânia? 

O nível de perseguição é geralmente o mesmo em toda a Jordânia, embora o controle social seja mais provável de acontecer em áreas rurais. O Sul do país também é conhecido por ser islâmico mais conservador. 

Como as mulheres são perseguidas na Jordânia? 

Mulheres cristãs ex-muçulmanas são principalmente vulneráveis à perseguição. As consequências que elas enfrentam incluem prisão domiciliar, agressões, assédio sexual, restrições de viagem, separação dos filhos, casamento forçado e até mesmo morte. Por causa dsharia (conjunto de leis islâmicas), elas não podem se casar com homens cristãos, até mesmo no exterior. Em um nível mais geral, todas as mulheres cristãs enfrentam pressão para seguir o código de vestimenta de acordo com padrões islâmicos. 

Como os homens são perseguidos na Jordânia? 

Se a fé se torna conhecida, homens cristãos ex-muçulmanos podem ter autorizações de segurança e oportunidades de emprego negadas, ou enfrentar extorsão por meio de multas. Em casa, esses convertidos também estão suscetíveis a rejeição, ataques ou expulsão. Com a sharia (conjunto de leis islâmicas), casamento entre um homem cristão ex-muçulmano e uma mulher cristã não é permitido. Homens cristãos também podem encontrar pressão de autoridades para informar sobre outros cristãos, principalmente envolvidos em ajudar convertidos. Essas pressões podem levar homens a emigrar do país, o que tem um impacto negativo no futuro da liderança da igreja. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Jordânia? 

A Portas Abertas trabalha com parceiros locais na Jordânia para apoiar cristãos por meio de treinamento, ajuda emergencial e projetos de reabilitação. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos na Jordânia? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente. 

Pedidos de oração da Jordânia 

  • Ore para que cristãos muçulmanos sejam preparados, encorajados e empoderados para permanecerem fortes e florescerem na fé. 
  • Interceda por oportunidades que aumentem a abertura para cristãos falarem a outros sobre Jesus. 
  • Clame para que o Senhor continue levantando novos líderes para servirem a igreja da Jordânia. 

Um clamor pela Jordânia 

Senhor Jesus, que todos aqueles que experimentam sofrimento por causa da fé no Senhor conheçam as profundezas do seu amor, e que seu poder trabalhe neles. Conceda a eles comunhão para ajudá-los a crescer na fé. Dê sabedoria a nossos irmãos e irmãs que enfrentam pressão das autoridades. Que o testemunho poderoso do seu povo suavize os corações com relação ao Senhor e a sua igreja. Abafe as ameaças do extremismo no país e continue edificando a sua igreja na Jordânia. Amém. 

Após a dissolução do Império Otomano, a Liga das Nações exigiu que a Grã-Bretanha governasse grande parte do Oriente Médio. No início da década de 1920, a Grã-Bretanha separou uma região semiautônoma da Palestina, com o nome Transjordânia. A região tornou-se independente em 1946 e o Reino Hachemita foi estabelecido. A partir de 1953, o rei Hussein governou o reino durante a maior parte do século 20. Em 1967, a Jordânia perdeu a Cisjordânia para Israel na Guerra dos Seis Dias. Após a morte de Hussein em 1999, seu filho mais velho, o Rei Abdullah II, o sucedeu. De acordo com o CIA World Factbook, o rei Abdullah II “implementou modestas reformas políticas, inclusive a aprovação de uma nova lei eleitoral no início de 2016 e um esforço para delegar alguma autoridade aos conselhos de nível governamental e municipal após as eleições subnacionais em 2017”. 

Apesar dos esforços do rei para diminuir seus efeitos, a Jordânia também foi afetada pela chamada Primavera Árabe, que começou em 2011. Com a guerra em curso na Síria, a Jordânia virou caminho de trânsito para radicais jihadistas, fazendo com que a ameaça do terrorismo também aumentasse no país. O grande número de refugiados abrigados na Jordânia são uma pressão a mais para a já desgastada economia do país. 

Apesar de estável em termos de segurança, a Jordânia enfrentou três ataques terroristas em 2016 e 2018. Os defensores dos direitos humanos acusaram os governantes da Jordânia de usar a ameaça do terrorismo para restringir os direitos dos cidadãos e do parlamento. As autoridades jordanianas também foram acusadas de violar os direitos à liberdade de expressão e reunião quando os protestos anticorrupção as levaram a visar cada vez mais ativistas políticos e anticorrupção. Em março de 2019, as autoridades detiveram mais de uma dúzia de pessoas pertencentes à coalizão “hirak shabaabi” (movimento juvenil), além de jornalistas, por críticas públicas aos líderes e às políticas da Jordânia. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Existem duas grandes forças políticas em jogo na Jordânia: o rei Abdullah II e a família real de um lado, e as forças armadas e a polícia secreta, de outro. O rei tem uma influência considerável já que nomeia governos, aprova legislação e tem o poder de dissolver o parlamento. 

Enquanto a realeza parece empenhada em promover a Jordânia como um país moderno e multirreligioso (sublinhando a importância dos cristãos jordanianos na sociedade), a polícia secreta parece estar mais preocupada com a repressão das facções muçulmanas minoritárias e em manter os cristãos na linha. 

Nas eleições para a Câmara da Jordânia em setembro de 2016, a Frente de Ação Islâmica (IAF) participou após quase uma década de boicote às eleições e ganhou 15 dos 130 assentos. A IAF é a ala política da Irmandade Muçulmana. Nove cristãos — a cota mínima garantida para a comunidade cristã como uma minoria religiosa — também foram eleitos para a Câmara Baixa. Embora o retorno da IAF não vá causar um grande efeito a curto prazo, a oposição bem organizada do país não deve ser subestimada. 

CENÁRIO RELIGIOSO 

A maioria dos cristãos pertence a igrejas históricas, como a Igreja Ortodoxa Grega ou a Igreja Católica Romana. No geral, eles desfrutam de um nível relativamente alto de liberdade religiosa, mas enfrentam discriminação no emprego e restrições contra a pregação pública. Um testemunho aberto de fé de um cristão ex-muçulmano pode levar a espancamentos, prisão e morte. Os cristãos ativos no evangelismo e/ou envolvidos com cristãos ex-muçulmanos podem enfrentar ameaças e obstruções na vida cotidiana.  

O governo impõe valores e leis islâmicas à sociedade, embora ainda promova a tolerância e a convivência pacífica de outras religiões. Em termos de vida pessoal, os convertidos do islamismo para o cristianismo enfrentam a maior perseguição. As famílias e comunidade podem rejeitá-los, ou mesmo cometer alguma violência contra eles. Todos os cristãos na Jordânia podem estar sujeitos à vigilância do governo. Mais e mais jordanianos estão sendo radicalizados pela ideologia do Estado Islâmico, o que põe os cristãos em grande risco.  

Comparados aos cristãos que vivem em outros países do Oriente Médio, a maioria dos cristãos na Jordânia vive uma vida segura e estável. O rei Abdullah II e seu aparato estatal parecem tolerar e, em certo grau, apoiar igrejas reconhecidas. Igrejas não reconhecidas podem ser importunadas por autoridades públicas, particularmente aquelas que evangelizam ativamente. Embora a Jordânia goste de se apresentar como um farol de tolerância e diálogo inter-religioso, os sunitas radicais e os jihadistas que retornam da Síria e do Iraque continuam a representar uma ameaça para a comunidade cristã.  

A Jordânia tem um número alto de muçulmanos salafistas, que são um potencial perigo para os cristãos e outros grupos. O Estado continua a controlar os sermões nas mesquitas e exige que os pregadores se abstenham de falar sobre política para evitar agitação social e política, em uma tentativa de controlar o radicalismo.  

A tensão aumentou entre elementos islâmicos moderados e radicais na sociedade jordaniana. Em setembro de 2016, houve o assassinato extrajudicial de um proeminente autor, um ateu de uma família cristã ortodoxa, que publicou um cartum sobre “o deus de Daesh”, ou seja, do Estado Islâmico. Esse assassinato mostra como a liberdade de expressão está sendo suprimida pelo radicalismo. Isso está levando a uma crescente perseguição aos cristãos. 

Enquanto isso, o rei Abdullah II quer reformar a sociedade e está implementando medidas que são benéficas para as minorias religiosas, inclusive os cristãos, como a implementação de mudanças na literatura do currículo da universidade no início do ano acadêmico de 2017. Isso envolveu a exclusão de passagens discriminatórias contra as religiões não muçulmanas, o que poderia incentivar as visões salafistas-islâmicas. No entanto, essas medidas estão causando distúrbios — especialmente entre muçulmanos conservadores — e estão dividindo a sociedade. 

Conforme estatísticas do World Christian Database de 2019, cerca de 96% da população é muçulmana, dos quais a maioria é sunita. A Jordânia acolhe um grande número de refugiados, principalmente do Iraque e da Síria, dos quais vários milhares são cristãos. Para um país do Oriente Médio, existem grupos relativamente grandes de agnósticos e ateus. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

Sem recursos petrolíferos e poucos recursos naturais próprios, a Jordânia depende da ajuda externa em um grau considerável. Os principais países doadores são os Estados do Golfo, como a Arábia Saudita e, até certo ponto, os Estados Unidos e a Europa. Como resultado, a Jordânia é relativamente vulnerável a ser influenciada por esses países. A nação foi convidada a se tornar membro do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), uma cooperação política, econômica e militar entre todos os Estados do Golfo, exceto o Iêmen. 

Outros riscos econômicos enfrentados pelo governo são altas taxas de pobreza, desemprego e subemprego, déficits orçamentários e dívida pública. 

Os cristãos desempenham um papel importante na administração de organizações não governamentais e escolas humanitárias bem respeitadas que servem a todos os jordanianos. A relativa prosperidade financeira de 2% da população total “gera um terço de toda a atividade econômica no país”, de acordo com o jornal norte-americano The Times. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

A sociedade jordaniana é multiétnica — um fenômeno que também se reflete na monarquia. As raízes do último rei Hussein estão na Arábia Saudita, sua segunda esposa e mãe do atual rei Abdullah II é britânica. O próprio rei Abdullah II é casado com uma palestina. A maioria da população, cerca de 60%,  é composta de palestinos e descendentes, os quais fugiram das guerras árabe-israelenses de 1948 e 1967. A maioria deles recebeu cidadania no início da década de 1950. Os jordanianos palestinos não são tratados igualmente, em comparação com a maioria dos outros cidadãos nacionais que são descendentes dos beduínos (árabes nômades) e vivem na área há séculos. 

A sociedade da Jordânia é basicamente tribal, especialmente fora das principais cidades. Depois do fluxo em massa de palestinos na Jordânia, após a guerra de 1967 com Israel, a Jordânia se dividiu em dois povos: “orientais puros” da Jordânia (originários da região leste do rio Jordão) e cisjordanianos (que têm suas raízes a oeste do rio Jordão). O tribalismo tornou essa divisão étnica mais aparente e atua como uma rede de segurança socioeconômica. As conexões familiares, tribais e de clãs continuam a permitir que os orientais naveguem com sucesso nas esferas governamentais, econômicas e sociais, incluindo naturalmente o emprego, mas também a posição política e social. Devido a essa vantagem social para os jordanianos “puros”, o tribalismo tornou-se ainda mais integrado ao conceito jordaniano de nacionalismo. Assim, os cristãos de origem palestina podem não ter tantas vantagens quanto um cristão jordaniano “puro”.  

A discriminação contra palestinos é especialmente sentida na área de emprego no exército, no governo e no setor público (que é limitado apenas a descendentes de beduínos), restando apenas o setor privado para os palestinos. Além disso, os jordanianos palestinos são discriminados nos setores econômico, educação pública e saúde, onde a prioridade é dada aos milenares beduínos. Em geral, esses últimos são leais ao rei. Devido à ocorrência de muitas nacionalidades diferentes no reino, há incerteza sobre o que molda a identidade nacional de um cidadão jordaniano. Além disso, o elevado número de refugiados, principalmente da Síria, levou à pressão econômica, política e religiosa e é um potencial fator desestabilizador. 

A sociedade jordaniana está cada vez mais polarizada. Essa polarização encoraja os liberais e os cristãos a se manifestarem contra os desenvolvimentos islâmicos radicais no país, que tiveram sérias consequências. O assassinato extrajudicial de um proeminente autor ateu mostra como a liberdade de expressão está sendo suprimida por islâmicos radicais. Isso tem levado a uma crescente pressão sobre os cristãos e outros cujos pontos de vista não estão em consonância com o islamismo radical. 

Os cristãos vivem na Jordânia desde os primeiros dias do cristianismo. O país era um centro de refúgio para os cristãos que fugiram da perseguição em Jerusalém e Roma durante o primeiro século depois de Cristo. O cristianismo tornou-se a religião da região no século 4, quando igrejas e capelas foram construídas em todo o país. Isso mudou com a chegada do islamismo, quando exércitos muçulmanos invadiram a área em 636 d.C. 

De acordo com os especialistas da instituição britânica Jerusalem and the Middle East Church Association (JMECA), “após a conquista do Oriente Médio e do Norte da África no século 7, o cristianismo diminuiu lentamente nessas regiões. No século 10, os cristãos constituíam cerca de 10% da população do Império Islâmico. Nesse contexto, no final do século 11, vieram as Cruzadas, que trouxeram consigo a Igreja Católica Romana. Durante esse período, no século 13 e depois, vários grupos de cristãos orientais entraram em comunhão com Roma. No início do século 18, o Patriarcado Ortodoxo de Antioquia se separou. As igrejas ocidentais de tradição reformada entraram no Oriente Médio no século 19. Os missionários presbiterianos americanos trabalharam no Egito, no Líbano e em outras partes da região. A Igreja da Inglaterra e a Igreja Luterana da Prússia estabeleceram conjuntamente um bispado em Jerusalém em 1841, que chegou ao fim no início da década de 1880 e separaram os bispados anglicanos e luteranos no final da década. O propósito original era converter os judeus ao cristianismo. Nesse objetivo, falhou em grande parte, mas atraiu um pequeno número de cristãos existentes, principalmente ortodoxos ou católicos gregos, no que hoje é Israel, os Territórios Palestinos e a Jordânia”.  

REDE ATUAL DE IGREJAS 

As igrejas oficialmente reconhecidas incluem a Igreja Ortodoxa Grega, as igrejas Ortodoxa Siríaca, Apostólica e Copta Ortodoxa Armênia, as igrejas Grega, Maronita e Católica Romana, a Igreja Siríaca do Oriente e as igrejas Adventista Anglicana, Presbiteriana, Luterana e do Sétimo Dia. Outras denominações têm menor status legal (principalmente como “sociedades”), incluindo as igrejas Batista, Evangélica Livre, Nazareno, Assembleia de Deus e Aliança. 

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