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População cristã

Como é a perseguição aos cristãos na Jordânia?
A maioria dos cristãos na Jordânia pertence a igrejas ortodoxas ou católicas romanas e, em geral, desfruta de um grau relativamente alto de liberdade religiosa. Ainda assim, podem enfrentar discriminação no emprego, monitoramento governamental e restrições à pregação pública. Cristãos que se converteram do islã correm risco de violência, prisão ou até morte por parte da família ou de grupos extremistas se expressarem abertamente sua fé. Igrejas não reconhecidas – especialmente as que evangelizam – podem enfrentar assédio das autoridades.
Apesar da reputação da Jordânia de tolerância e diálogo inter-religioso, extremistas islâmicos continuam a representar uma ameaça para cristãos e outras minorias. Além disso, o conflito em Gaza alimentou o conservadorismo islâmico, apoio ao Hamas, boicotes a marcas internacionais e maior visibilidade islâmica. Isso levou a mais pressão social e distanciamento dos cristãos, mesmo enquanto o governo mantém políticas que promovem a tolerância religiosa.
“Lembramos e acreditamos na palavra de Deus, que diz: ‘Eu digo a vocês, meus amigos: Não tenham medo dos que matam o corpo e depois nada mais podem fazer. Mas eu mostrarei a quem vocês devem temer: temam àquele que, depois de matar o corpo, tem poder para lançar no inferno. Sim, eu digo a vocês, a esse vocês devem temer’ (Lucas 12.4,5).”
Munther Namat, secretário-geral da Sociedade Bíblica da Jordânia
Como as mulheres são perseguidas na Jordânia?
Convertidas do islã são as mais vulneráveis à perseguição, sendo a família normalmente a maior fonte de pressão. Mulheres correm risco de prisão domiciliar, isolamento, espancamento, assédio sexual e casamento forçado. Em casos extremos, podem ser mortas para preservar a “honra” da família. Convertidas não podem se casar oficialmente com homens registrados como cristãos, e seus movimentos são restritos pelo Estado e pelas famílias. Leis de status pessoal podem levar à prisão domiciliar e casamentos forçados, enquanto leis de apostasia permitem que casamentos sejam anulados e que cristãos percam a guarda dos filhos.
Como os homens são perseguidos na Jordânia?
Na sociedade predominantemente islâmica da Jordânia, homens e meninos cristãos enfrentam desafios significativos. Embora alguns cristãos ocupem cargos de destaque no trabalho, governo e forças armadas, a discriminação persiste, especialmente contra aqueles que se converteram do islã. Eles enfrentam progressão limitada na carreira e extorsão financeira, colocando toda a família sob pressão econômica. As leis de casamento tornam impossível o casamento legal entre um homem de família cristã e uma mulher cristã de origem muçulmana. Há dificuldades adicionais em uma cultura de honra e vergonha, na qual famílias podem atacar, rejeitar e expulsar homens de suas casas devido à escolha religiosa. O serviço de inteligência pode pressionar homens cristãos chamando-os para entrevistas, especialmente convertidos suspeitos e líderes de igrejas ativos no evangelismo.
O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Jordânia?
Em cooperação com parceiros locais, a Portas Abertas apoia a igreja na Jordânia por meio de treinamentos e ajuda emergencial aos cristãos que mais precisam.
Como posso ajudar os cristãos perseguidos na Jordânia?
Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para o projeto da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos que enfrentam maiores necessidades.
Quem persegue os cristãos na Jordânia?
O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Jordânia são: opressão do clã, opressão islâmica, paranoia ditatorial e protecionismo denominacional.
Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentos ou não violentos, contra os cristãos. Geralmente, são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo.

Pedidos de oração da Jordânia
- Agradeça a Deus pelos cristãos que podem adorar em liberdade e peça para que a monarquia continue a enxergar a igreja como uma força para o bem na sociedade.
- A conversão ao cristianismo pode ser bastante arriscada na Jordânia. Ore por aqueles que perderam amigos ou familiares porque seguem a Jesus.
- Interceda para que os cristãos compartilhem a fé com ousadia e segurança.
Mais informações sobre o país
HISTÓRIA DA JORDÂNIA
A Jordânia ocupa uma área rica em vestígios arqueológicos e tradições religiosas. Relatos bíblicos da área, datados da Idade do Bronze em diante, mencionam reinos como Gileade no Norte, Moabe no centro, e Midiã ao Sul. Nos tempos do êxodo, os israelitas tentaram passar por Edom, no Sul da Jordânia, mas não receberam permissão. Diversos outros fatos bíblicos ocorreram na região.
A área foi devastada nos séculos 6 e 7 pelo combate intermitente entre bizantinos e o império persa sassânida. Em 627, o imperador Heráclio finalmente derrotou os persas e reestabeleceu a ordem. Mas os bizantinos, gravemente enfraquecidos pelo longo conflito, foram incapazes de enfrentar a ameaça inesperada de um novo poder que surgiu na Arábia. Em 636, os muçulmanos destruíram o exército bizantino e colocou a maior parte da Síria e da Palestina sob domínio muçulmano.
Em 1099, com a captura de Jerusalém pelos cruzados, o reino de Jerusalém latino foi estendido pelo Leste da Jordânia. Após os cruzados recuarem, a história da Jordânia permaneceu tranquila. Foi apenas no século 16 que ela se submeteu ao governo otomano e se tornou parte da província de Damasco.
História recente
Após a dissolução do Império Otomano, a Liga das Nações exigiu que a Grã-Bretanha governasse grande parte do Oriente Médio. No início da década de 1920, a Grã-Bretanha separou uma região semiautônoma da Palestina, com o nome Transjordânia. A região tornou-se independente em 1946 e o Reino Hachemita foi estabelecido. A partir de 1953, o rei Hussein governou o reino durante a maior parte do século 20. Em 1967, a Jordânia perdeu a Cisjordânia para Israel na Guerra dos Seis Dias. O rei Hussein renunciou sua reivindicação da Cisjordânia em 1988 e assinou um tratado de paz com Israel em 1994. Após a morte de Hussein em 1999, seu filho mais velho, o Rei Abdullah II, o sucedeu.
A Jordânia também foi afetada pela chamada Primavera Árabe, que começou em 2011. De acordo com o CIA World Factbook, o rei Abdullah II “implementou modestas reformas políticas, inclusive a aprovação de uma nova lei eleitoral no início de 2016 e um esforço para delegar alguma autoridade aos conselhos de nível governamental e municipal após as eleições subnacionais em 2017”.
A Jordânia tem sido uma terra relativamente estável para refugiados na região e tem recebido refugiados das guerras do Líbano, Iraque e Síria. Isso adicionou uma pressão significativa na economia e na sociedade. Além disso, levou a Jordânia a ser usada como país de passagem para militantes islâmicos violentos, causando a ameaça do aumento de ataques islâmicos no país.
Apesar de estável em termos de segurança, a Jordânia enfrentou três ataques terroristas em 2016 e 2018. Os defensores dos direitos humanos acusaram os governantes da Jordânia de usar a ameaça do terrorismo para restringir os direitos dos cidadãos e do parlamento. As autoridades jordanianas também foram acusadas de violar os direitos à liberdade de expressão e reunião quando os protestos anticorrupção as levaram a visar cada vez mais ativistas políticos e anticorrupção. Em março de 2019, as autoridades detiveram mais de uma dúzia de pessoas pertencentes à coalizão “Hirak Shabaabi” (movimento juvenil), além de jornalistas, por críticas públicas aos líderes e às políticas da Jordânia.
Apesar da crise da COVID-19, eleições parlamentares ocorreram em novembro de 2020 e, de acordo com observadores, a baixa participação histórica indica a apatia dos eleitores. O resultado das eleições não foi surpreendente: candidatos independentes e pró-governo passaram a compor a maioria na Câmara dos Deputados, tornando-a ainda mais conciliadora com relação ao governo.
Em março de 2021, houve diversos protestos contra os impactos dos lockdowns e medidas de emergência da pandemia, bem como pela ocasião do 10º aniversário da Primavera Árabe. Diversos manifestantes foram presos.
HISTÓRIA DA IGREJA NA JORDÂNIA
Os cristãos vivem na Jordânia desde os primeiros dias do cristianismo. O país era um centro de refúgio para os cristãos que fugiam da perseguição em Jerusalém e Roma durante o primeiro século depois de Cristo. O cristianismo tornou-se a religião aceita da região no século 4 e igrejas e capelas foram construídas em todo o país. Isso mudou com a chegada do islamismo, quando exércitos muçulmanos invadiram a área em 636 d.C.
De acordo com os especialistas da instituição britânica Jerusalem and the Middle East Church Association (JMECA), “após a conquista do Oriente Médio e do Norte da África no século 7, o cristianismo diminuiu lentamente nessas regiões. No século 10, os cristãos constituíam cerca de 10% da população do Império Islâmico. Nesse contexto, no final do século 11, vieram as Cruzadas, que trouxeram consigo a Igreja Católica Romana. Durante esse período, no século 13 e depois, vários grupos de cristãos orientais entraram em comunhão com Roma”.
No início do século 18, o Patriarcado Ortodoxo de Antioquia se separou. As igrejas ocidentais de tradição reformada entraram no Oriente Médio no século 19. Os missionários presbiterianos americanos trabalharam no Egito, no Líbano e em outras partes da região. A Igreja da Inglaterra e a Igreja Luterana da Prússia estabeleceram conjuntamente um bispado em Jerusalém em 1841, que chegou ao fim no início da década de 1880 e separaram os bispados anglicanos e luteranos no final da década. O propósito original era converter os judeus ao cristianismo. Nesse objetivo, falhou em grande parte, mas atraiu um pequeno número de cristãos existentes, principalmente ortodoxos ou católicos gregos, no que hoje é Israel, os Territórios Palestinos e a Jordânia.
CONTEXTO DA JORDÂNIA
A maioria dos cristãos pertence a igrejas históricas, como a Igreja Ortodoxa Grega ou a Igreja Católica Romana. No geral, eles desfrutam de um nível relativamente alto de liberdade religiosa, mas enfrentam discriminação no emprego e restrições contra a pregação pública. Um testemunho aberto de fé de um cristão de contexto muçulmano pode levar a espancamento, prisão e morte. Os cristãos ativos no evangelismo e/ou envolvidos com cristãos de origem muçulmana podem enfrentar ameaças e obstruções na vida cotidiana.
O governo impõe mais valores e leis islâmicas à sociedade, embora ainda promova a tolerância e a convivência pacífica de outras religiões. Em termos de vida pessoal, os convertidos do islamismo para o cristianismo enfrentam a maior perseguição. A família e a comunidade podem rejeitá-los, ou mesmo cometer alguma violência contra eles. Todos os cristãos na Jordânia podem estar sujeitos à vigilância do governo. Mais e mais jordanianos estão sendo radicalizados pela ideologia do Estado Islâmico, o que põe os cristãos em grande risco.
Comparados aos cristãos que vivem em outros países do Oriente Médio, a maioria dos cristãos na Jordânia vive uma vida segura e estável. O rei Abdullah II e seu aparato estatal parecem tolerar e, em certo grau, apoiar igrejas reconhecidas. Entretanto, o Estado exerce pressão em todas as comunidades cristãs, especialmente por meio de monitoramento. Igrejas não reconhecidas podem ser importunadas por autoridades públicas, particularmente aquelas que evangelizam ativamente. Embora a Jordânia goste de se apresentar como um farol de tolerância e diálogo inter-religioso, os sunitas radicais e os jihadistas que retornam da Síria e do Iraque continuam a representar uma ameaça para a comunidade cristã.
A Jordânia tem um número desproporcionalmente alto de muçulmanos salafistas, que são um potencial perigo para os cristãos e outros grupos. O Estado continua a controlar os sermões nas mesquitas e exige que os pregadores se abstenham de falar sobre política para evitar agitação social e política, em uma tentativa de controlar o radicalismo.
Cerca de 96% da população é muçulmana, dos quais a maioria é sunita. A Jordânia acolhe um grande número de refugiados, principalmente do Iraque e da Síria, dos quais vários milhares são cristãos.
A tensão entre elementos islâmicos moderados e radicais aumentou na sociedade jordaniana. O rei Abdullah II quer reformar a sociedade e está implementando medidas que são benéficas para as minorias religiosas, inclusive os cristãos, como a implementação de mudanças no currículo das universidades no início do ano acadêmico de 2017. Isso envolveu a exclusão de passagens discriminatórias contra as religiões não muçulmanas, o que poderia incentivar as visões salafistas-islâmicas. No entanto, essas medidas estão causando distúrbios — especialmente entre muçulmanos conservadores — e estão dividindo a sociedade.
Cultura e sociedade
A cultura jordaniana é amplamente moldada pelas tensões entre nativos jordanianos e uma variedade de refugiados, que estima-se serem mais de 6% do total da população. A maioria da população na Jordânia é composta de palestinos, os quais fugiram das guerras árabe-israelenses de 1948 e 1967. A maioria deles recebeu cidadania no início da década de 1950. Os jordanianos palestinos não são tratados igualmente, em comparação com a maioria dos outros cidadãos nacionais que são descendentes dos beduínos (árabes nômades) e vivem na área há séculos.
A sociedade da Jordânia é basicamente tribal — especialmente fora das principais cidades — e está inserida no nacionalismo jordaniano. Depois do fluxo em massa de palestinos na Jordânia, após a guerra de 1967 com Israel, a Jordânia se dividiu em dois povos: “orientais puros” da Jordânia (originários da região leste do rio Jordão) e cisjordanianos (que têm suas raízes a oeste do rio Jordão). O tribalismo tornou essa divisão étnica mais aparente e atua como uma rede de segurança socioeconômica. As conexões familiares, tribais e de clãs continuam a permitir que os orientais naveguem com sucesso nas esferas governamentais, econômicas e sociais, incluindo naturalmente o emprego, mas também a posição política e social. Devido a essa vantagem social para os jordanianos “puros”, o tribalismo tornou-se ainda mais integrado ao conceito jordaniano de nacionalismo. Assim, os cristãos de origem palestina podem não ter tantas vantagens quanto um cristão jordaniano “puro”.
A discriminação contra palestinos é especialmente sentida na área de emprego no exército, no governo e no setor público (que é limitado apenas a descendentes de beduínos), restando apenas o setor privado para os palestinos. Além disso, os jordanianos palestinos são discriminados nos setores econômico, educação pública e saúde, onde a prioridade é dada aos milenares beduínos. Em geral, esses últimos são leais ao rei.
A sociedade jordaniana está cada vez mais polarizada. Essa polarização está encorajando os liberais e os cristãos a se manifestarem contra os desenvolvimentos islâmicos radicais no país, que tiveram sérias consequências. O assassinato extrajudicial de um proeminente autor ateu mostra como a liberdade de expressão está sendo suprimida por islâmicos radicais. Isso está levando a uma crescente pressão sobre os cristãos e outros cujos pontos de vista não estão em consonância com o islamismo radical.
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