63

Nicarágua

NI
Nicarágua
  • Tipo de Perseguição: Paranoia ditatorial, opressão comunista e pós-comunista, corrupção e crime organizado
  • Capital: Manágua
  • Região: América Latina
  • Líder: Jose Daniel Ortega Saavedra
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Cristianismo
  • Idioma: Espanhol, misquita e mestiço
  • Pontuação: 51


POPULAÇÃO
6,3 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
6 MILHÕES

Os cristãos foram especialmente visados ao tentar ajudar as pessoas durante a pandemia de COVID-19, simplesmente ao apoiar aqueles que vivem na pobreza, ou quando exigiam justiça em casos de igrejas atacadas pelo governo e apoiadores. O governo usou linguagem religiosa para legitimar as decisões e espalhou campanhas de difamação contra líderes religiosos e outros cristãos. 

Devido ao atual governo repressivo, os cristãos não podem expressar opiniões baseadas na fé criticando a violência e a opressão do regime sem consequências graves. Quando o fazem, eles são rotulados como oposição e tratados como terroristas. Consequentemente, a pregação e as reuniões cristãs são constantemente monitoradas. Além disso, os cristãos pegos apoiando grupos dissidentes enfrentam prisão arbitrária e intimidação de oficiais de segurança, apoiadores do regime ou forças paramilitares.  

Até o acesso aos serviços públicos de saúde é restrito para todos aqueles considerados dissidentes, inclusive cristãos. Além disso, os pais cristãos não podem impedir que seus filhos sejam doutrinados com a ideologia do Estado na escola. Os líderes cristãos e os defensores dos direitos humanos enfrentam ameaças, detenções arbitrárias, violências verbal e física, vandalismo de propriedade e são forçados a deixar o país porque são considerados inimigos do regime. 

A pontuação na Lista Mundial da Perseguição 2021 mostra um aumento de dez pontos causado pela média de pressão, que subiu de 7,5 para 8,5 pontos, e de violência, que foi de 4,1 para 8,1 pontos. Esse aumento significativo na pontuação foi particularmente relacionado às ações repressivas exercidas contra líderes e ativistas cristãos. Os principais tipos de perseguição são paranoia ditatorial, opressão comunista e pós-comunista, corrupção e crime organizado. 

"Não seria estranho que tudo faça parte da oferta de vidas humanas a Satanás para permanecer no poder, porque durante seu longo governo prevaleceram muitas mortes." 

LÍDER CRISTÃO NA NICARÁGUA SOBRE RITUAIS ESPIRITUAIS PROMOVIDOS PELA PRIMEIRA-DAMA

Tendências 

O aumento de medidas repressivas 

O governo ditatorial do presidente Ortega aproveitou as medidas sanitárias durante a pandemia de COVID-19 para justificar a violação de direitos e liberdades daqueles que não são considerados como apoiadores. O contexto de impunidade e totalitarismo facilitou a imposição de restrições a todos os considerados uma ameaça à estabilidade do regime.

As vozes da oposição ficaram mais altas 

Embora a repressão tenha aumentado, cada vez mais cidadãos estão denunciando as arbitrariedades e excessos do regime de Ortega, exigindo uma mudança e chamando a atenção de organizações internacionais sobre censura, obstrução, prisão, deslocamento forçado, difamação etc. 

A igreja foi fortalecida cuidando dos mais necessitados 

As igrejas católicas, em particular, são vistas como uma das principais inimigas do governo. Embora frequentemente perseguidos pelo Estado, os cristãos têm se mantido firmes no ministério de ajudar os mais vulneráveis. Isso gerou um sentimento de solidariedade e até motivou o trabalho interdenominacional.  

De 1936 a 1979, a Nicarágua foi uma ditadura governada pela família Somoza, que depois foi destituída pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (SNLF, da sigla em inglês). De 1984 a 1990, Daniel Ortega se tornou presidente da Nicarágua pela primeira vez. Depois, em 2006, ele venceu as eleições presidenciais novamente e detém o poder desde então. 

Com o passar dos anos, Ortega se tornou um governante autoritário. Ele voltou as costas para seus ideais revolucionários e agora se parece com o ditador deposto. Embora até recentemente o país parecesse ser o mais estável e seguro na região, desde 2018, a Nicarágua tem visto enfraquecimento do Estado de direito, corrupção nacional, repressão e numerosas violações de direitos humanos. Agentes estatais e não estatais apoiados pelo governo têm perseguido dissidentes do regime e seus apoiadores e, às vezes, os matam. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

O partido no governo, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (SNLF, da sigla em inglês), é socialista e centraliza todo o poder, tomando controle de todo o aparato do Estado. Um dos grupos dissidentes com maior presença no país é a Aliança Civil por Justiça e Democracia. Essa aliança deu início a um diálogo com o regime esperando restaurar a democracia. Entretanto, os poucos acordos alcançados, como a soltura de todos os prisioneiros políticos, entre outros, não foram cumpridos. No final de 2019, o diálogo nacional foi abandonado devido à falta de disposição política para alcançar um consenso sobre a restauração do Estado de direito e o pedido de novas eleições. 

Nesse contexto, as redes de corrupção governamental reprimem toda oposição por meio da imposição de obstáculos políticos e legais. O regime continua restringindo o direito de reuniões pacíficas e adotou medidas que afetam o direito de liberdade de associação. A Assembleia Nacional também cancelou o registro legal de algumas das principais organizações da sociedade civil porque elas “apoiaram ações terroristas” durante os protestos de 2018. Ao mesmo tempo, o Congresso da Nicarágua aprovou uma lei de anistia em junho de 2019 para proteger a polícia e outros que tomaram parte na repressão violenta contra manifestantes antigovernistas. 

Desde que a crise começou, em abril de 2018, o regime criminalizou qualquer voz dissidente. Membros da oposição enfrentam acusações de incitar ódio, terrorismo e financiamento de terroristas, sequestros, crime organizado e posse ilegal de armas. Ao mesmo tempo, as autoridades apresentam o comportamento repressivo do Estado como uma resposta legítima para um golpe fracassado, negando qualquer responsabilidade por violação dos direitos humanos. 

O presidente Ortega preencheu as instituições estatais com apoiadores leais, banindo os principais partidos de oposição e mudando a Constituição para permitir sua reeleição ilimitada. Por meio do enfraquecimento da democracia e do Estado de direito, o objetivo dele é permanecer no poder sem que a oposição seja capaz de participar da vida política do país. Líderes de igrejas e grupos cristãos que questionam a autoridade e a legitimidade do regime enfrentam atos de retaliação. Como resultado, o partido no governo conduz uma campanha em que líderes de igrejas e cristãos são ameaçados e insultados, chamados de inimigos e terroristas, e recebem sentenças de prisão. As igrejas também são vandalizadas e cultos interrompidos.  

O patriotismo socialista-comunista é ensinado nas escolas e imposto aos cidadãos por meio de diferentes instituições do Estado, até mesmo por meios violentos. Assim, o regime monitora todas as instituições e busca reprimir valores e visões cristãs que possam ser perigosos para a ideologia do partido. Cristãos que criticam o regime enfrentam severa repressão e censura, como é comum em outros países comunistas, como Cuba e Venezuela, com os quais a Nicarágua tem um relacionamento próximo. Esse tipo de perseguição é claramente misturado com aspectos da paranoia ditatorial e corrupção e crime organizado.  

Os Repórteres sem Fronteiras, em 2019, declararam que na Nicarágua a perseguição aos meios de comunicação independentes se tornou muito intensa, tanto que muitos jornalistas tiveram que fugir para o exterior enquanto outros foram presos, acusados de terrorismo. 

A nível internacional, o governo suspendeu as visitas da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a presença do Mecanismo Especial de Acompanhamento para a Nicarágua (MESENI, da sigla em inglês) e acabou com a missão do Grupo Interdisciplinar de Peritos Independentes (GIEI, da sigla em inglês). Essas organizações reuniram evidências e condenaram fortemente a violação dos direitos humanos no país. Enquanto isso, os Estados Unidos e a União Europeia impuseram sanções comerciais com o objetivo de colocar pressão no regime para se afastar do poder. A crise na Bolívia também colocou o regime em alerta e o presidente ameaçou fortalecer as medidas repressivas a fim de prevenir a oposição de imitar o caminho com que o governo foi derrubado na Bolívia em novembro de 2019. 

De acordo com o Índice de Percepção de Corrupção 2020, a Nicarágua está em 159 de 180 países, marcando 22 pontos, sendo 0 muito corrupto e 100 muito correto. Isso reflete o quão séria a questão da corrupção se tornou e como o tráfico de drogas está ganhando espaço. O sistema judicial, as forças de segurança e os serviços públicos operam para manter o regime no poder. Propina, manipulação e influência política são práticas comuns. Da mesma forma, agentes não estatais, como grupos paramilitares e sandinistas agem em parceria com o governo para reprimir oponentes com impunidade. Muitos cristãos sofrem ameaças e ações ilegais desses grupos e não têm recursos para justiça.  

Devido ao atual governo repressivo, cristãos não podem expressar opiniões baseadas na fé criticando a opressão violenta do regime sem sérias consequências. Quando o fazem, são rotulados como opositores e tratados como terroristas. Assim, cristãos que pregam e se reúnem são constantemente monitorados. Também, cristãos vistos como apoiadores de grupos dissidentes enfrentam prisão arbitrária e intimidação de oficiais de segurança, apoiadores do regime ou grupos paramilitares.  

Até mesmo o acesso à saúde pública é restrito para aqueles considerados dissidentes, incluindo cristãos. Pais cristãos não podem impedir os filhos de serem doutrinados com a ideologia do Estado na escola. Líderes cristãos e defensores dos direitos humanos enfrentam ameaças, prisões arbitrárias, violências física e verbal, vandalismo à propriedade ou são forçados a deixar o país porque são considerados inimigos do regime.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

Desde que a inquietação social começou, em abril de 2018, líderes da igreja foram envolvidos em processos de diálogo oficial entre a oposição e o governo, primeiro como mediadores e depois como observadores. Como em um ato de protesto contra a falta de comprometimento do regime em cumprir acordos, sem mencionar a contínua repressão, violação de direitos humanos e perseguição aos cristãos, a igreja decidiu, em março de 2019, não mais participar diretamente das negociações. 

Igrejas defendem pobres e necessitados e, às vezes, até mesmo permitem que seus prédios sejam usados como lugar de refúgio para manifestantes antigoverno. Geralmente são líderes cristãos que denunciam o totalitarismo do regime e exigem que o governo renuncie para permitir a volta da democracia e do Estado de direito. Como resultado, igrejas estão sujeitas a represálias em forma de retaliação financeira, ataques, criminalização, intimidação, ameaças, assédio ou campanhas difamatórias por autoridades ou elementos pró-governo. Uma grande mobilização de policiais está sempre presente nos cultos nas igrejas como forma de intimidação tanto de líderes quanto de outros cristãos. 

Um relatório sobre outubro e novembro de 2019 emitido pelo Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos mostra que a polícia usa o pretexto de proteger a segurança pública para restringir a liberdade de expressão com mão pesada. Também é destacado de que maneira é permitido a elementos pró-governo atacar fisicamente e ameaçar manifestantes, líderes e outros cristãos dentro e fora de igrejas, violando os direitos de liberdade de manifestar a própria religião. 

Finalmente, enquanto a educação religiosa é permitida em escolas estaduais, com frequência o currículo inclui programas que desejam doutrinar as crianças de acordo com a ideologia do partido dominante. Estudantes são ensinados que violência, repressão e censura de ideologias antissocialistas, incluindo o cristianismo, são métodos aceitáveis para defender a terra natal. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

A Nicarágua é um dos países menos desenvolvidos da América Latina. De acordo com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (ECLAC, da sigla em inglês), a economia da Nicarágua se deteriorou em 2020 com uma redução estimada no Produto Interno Bruto (PIB) de - 5,3%. A retração é principalmente devido à crise de saúde provocada pela COVID-19, que paralisou a atividade econômica do país em nível nacional e internacional 

O impacto no mercado interno afetou principalmente o comércio, hotéis, restaurantes e serviços. Em nível internacional, houve a redução de preços das matérias-primas que a Nicarágua exporta. De mesma forma, a capacidade do investimento estrangeiro também foi afetada.  

Enquanto isso, a crise econômica tem afetado seriamente a vida diária da população da Nicarágua. O governo restringiu serviços públicos como saúde, educação e água. As pessoas consideradas inimigas do governo tiveram os direitos mais básicos negados. Muitos foram expulsos de escolas e universidades, tiveram os documentos como certeiras de identidade e de motorista apreendidas.  

Já as ONGs locais estão sob ameaça e ficaram incapazes a população, especialmente aquelas que os membros são vistos como oposição ao governo. Mesmo durante a pandemia, o número de organizações capazes de ajudar os mais necessitados caiu.  

 

 Cidadãos reduziram o uso de serviços públicos, como eletricidade, a fim de guardar dinheiro, e instituições financeiras reduziram o número de empréstimos oferecidos, o que também afetou o mercado imobiliário. 

As igrejas também sofreram os danos da crise econômica. Como forma de opressão, o regime tem cortado subsídios de algumas. No orçamento de 2020, o governo da Nicarágua reduziu subsídios a igrejas em 91%. Líderes cristãos salientaram que tais cortes provavelmente comprometerão o treinamento de novos líderes. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

O último censo foi realizado em 2005 e dado o número de deslocados no país, é difícil estimar o nível exato da população. O relatório de 2020 do grupo de estudos religiosos World Christian Database estima que a população seja 6.417.000. De acordo com o Banco Mundial, 50,71% são mulheres e 49,28% homens, com uma população urbana de 59,12% e rural de 40,98%. 

Segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), o tratamento do governo a respeito da COVID-19 foi considerado como “imprudente”, já que não forneceram informações precisas sobre as causas da infecção e medidas para evitá-la. Além disso, as autoridades nacionais promoveram grandes eventos durante a pandemia e colocaram em risco a vida da população.  

Restou às Igrejas e organizações da sociedade civil, juntamente com alguns membros do setor de saúde, a fornecer informações e medidas recomendadas para prevenir a propagação do vírus. No entanto, essas iniciativas não foram apenas ignoradas (Agência Fides, 30 de março de 2020) pelo governo - que até organizou festas religiosas onde os líderes cancelaram para evitar multidões - eles foram considerados como se opondo à política do governo e receberam multas, ameaças e atos de violência por parte das autoridades e apoiadores do governo.  

Essa situação tem forçado muitos a deixarem o país. De acordo com o que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (IACHR) relatou em setembro de 2019, dentre os que fugiram da Nicarágua e pedem proteção internacional na Costa Rica estão: 23% de estudantes que participaram de manifestações antigoverno; 22% de defensores dos direitos humanos e líderes de outros movimentos sociais; 18% de pessoas que garantem comida, abrigo e cuidados médico a manifestantes. Os nicaraguenses também buscam asilo no Panamá, no México e nos Estados Unidos, embora os números sejam menores em comparação à Costa Rica. 

Até hoje, o descontentamento social continua manifesto por meio de agitações sociais e protestos. Entre as reivindicações estão o fim da repressão e da morte de dissidentes, a soltura de mais de 120 prisioneiros políticos e o retorno com garantia de exílio. 

No nível social, a igreja permanece uma das instituições com maior credibilidade entre a população. A ajuda espiritual e humanitária oferecida pelas igrejas àqueles que sofreram repressão do governo é inestimável. Por isso, líderes e grupos cristãos são classificados como “terroristas” pelo regime e o acesso a serviços públicos é restrito. Alguns foram forçados a deixar o país. 

A Igreja Católica Romana foi a primeira denominação no país, auxiliada pela colonização espanhola. A primeira igreja foi estabelecida pelos franciscanos em 1524, em Granada, mas a maior quantidade de trabalho missionário durante o período colonial foi conduzida pelos jesuítas. A atividade missionária protestante, principalmente na parte oriental da Nicarágua, começou por meio da Igreja Anglicana, nos anos 1760, embora a influência dos anglicanos venha desde a presença de alguns assentamentos britânicos nos anos 1620. Grandes esforços para evangelizar os crioulos e indígenas na parte oriental da Nicarágua só começaram com a chegada da United Brethren of Germany (Igreja dos Irmãos Morávios), em Bluefields, em 1849. 

  • Interceda pela segurança das igrejas que costumam ser vandalizadas e ter os cultos interrompidos por apoiadores do regime.
  • Muitos cristãos são forçados a deixar o país por causa da fé. Peça a Deus que os cristãos na Nicarágua possam ficar no país e ser usados como testemunhas do evangelho.
  • Ao participarem de manifestações, muitos cristãos são presos injustamente. Ore para que, mesmo encarcerados, sejam luz para os outros prisioneiros.

Dada a crise econômica e política, muitos cidadãos vivem na pobreza

Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

Instagram

© 2021 Todos os direitos reservados

INÍCIO
LISTA MUNDIAL
DOE