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Tunísia

TN
Tunísia
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, opressão do clã
  • Capital: Túnis
  • Região: Norte da África
  • Líder: Kaïs Saïed
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Árabe, francês e bérbere
  • Pontuação: 67


POPULAÇÃO
11,9 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
23,1 MIL

Como é a perseguição aos cristãos na Tunísia? 

A pressão média sobre os cristãos está em um nível muito alto. Embora todos os aspectos da vida de um cristão envolvam níveis muito altos de pressão, a perseguição é mais alta na família e igreja. Isso é particularmente evidente para os cristãos ex-muçulmanos, porque muitas vezes a nova fé é rejeitada – às vezes violentamente – pela família e comunidade. Além disso, é difícil, se não impossível, que os cristãos ex-muçulmanos vivam a fé abertamente se quiserem evitar pressão e oposição. 

A maioria dos cristãos ex-muçulmanos escolhe esconder a fé e não pode adorar abertamente e viver a vida como cristãos. A hostilidade e a pressão que enfrentam da comunidade e da sociedade ao redor tornam perigoso compartilhar a fé com familiares, vizinhos, amigos ou colegas. Eles também têm dificuldade em se reunir para adoração e comunhão devido ao risco de exposição, especialmente se forem monitorados pelos serviços de segurança da Tunísia. 

Outras fontes ecoam essa realidade atual. Priscilla Hwang, escritora e jornalista da CBC (Canadian Broadcasting Corporation), realizou recentemente uma investigação aprofundada sobre a situação dos cristãos tunisianos. Ela diz: Os cristãos tunisianos enfrentam discriminação e são alvo de discriminação, geralmente de modo obscuro e oculto dos olhos públicos. Afeta o dia a dia deles. Por causa da identidade cristã, muitos experimentam insegurança no trabalho, abandono da família, amigos e até noivos; eles são vítimas de abuso verbal, mental e físico. 

“Minha família ainda acha que sou muçulmana. Só minha mãe sabe que sou cristã e ela aceita. Meu pai não sabe nada sobre isso. Ele é um bom homem, mas de vez em quando mostra seu outro rosto. Nunca se sabe como ele reagirá se eu disser que sou cristã.”  

Islèm (pseudônimo), cristã perseguida no Norte da África 

O que mudou este ano? 

A Tunísia subiu no ranking este ano devido a um aumento na violência relatada contra cristãos e propriedades cristãs. Um maior número de edifícios cristãos, casas e lojas de cristãs foram atacados. Além disso, houve um aumento da pressão na vida privada e na igreja. A situação dos cristãos tunisianos continua a variar de acordo com a área, e em algumas regiões o sentimento anticristão é significativo. Além disso, a pressão sobre os cristãos – particularmente os ex-muçulmanos – continua a ser forte em todos os aspectos da vida. 

Quem persegue os cristãos na Tunísia? 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Tunísia são: opressão islâmica, opressão do clã. 

Já a“fontes de perseguição são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundoAs fontes de perseguição aos cristãos na Tunísia são: líderes religiosos não cristãos, parentes, cidadãos e quadrilhas, oficiais do governo, partidos políticos, grupos religiosos violentos, líderes de grupos étnicos. 

Quem é mais vulnerável à perseguição na Tunísia? 

Os cristãos ex-muçulmanos têm mais a temer – muitas vezes dos próprios membros da família e da sociedade ao redor. Isso é especialmente verdade nas regiões conservadoras do Sul do país. Áreas urbanas, especialmente a capital Túnis, oferecem mais opções para convertidos escaparem da pressão familiar e cultural, e viverem a fé mais abertamente no anonimato da cidade grande. 

Extremistas islâmicos violentos também estão ativos nas áreas fronteiriças ao Sul. Eles terão como alvo qualquer cristão, estrangeiro ou não, se a oportunidade surgir.  

Como as mulheres são perseguidas na Tunísia? 

Mulheres e meninas cristãs na Tunísia estão particularmente sujeitas a assédio sexual, violência doméstica, expulsão da família e casamento forçado como formas de perseguição religiosa.  

A principal fonte de perseguição para as mulheres na Tunísia vem do homem principal da família: para uma mulher solteira, é o pai, o irmão ou qualquer outro membro da família que segue na posição. Para uma mulher casada, é o marido ou noivo. A conversão do islã é proibida, e uma mulher cristã ex-muçulmana corre o risco de ser excluída pela família e comunidade e sofrer violência física ou assassinato de honra se a nova fé for descoberta.  

Além disso, as mulheres que se convertem do islã podem ser presas nas próprias casas e abusadas sexualmente, até mesmo por membros da família. Mulheres casadas convertidas podem enfrentar divórcio forçado e perder a guarda dos filhos.   

Como os homens são perseguidos na Tunísia? 

Homens cristãos ex-muçulmanos enfrentam intimidação, espancamentos e ameaças de morte. Eles trazem vergonha à família quando deixam o islã e, portanto, são suscetíveis ao isolamento 

Pressionadas por suas famílias, as esposas muçulmanas muitas vezes deixam um cristão ex-muçulmano, e ele pode ter o direito à herança ou acesso a seus bens negados. Os homens ex-muçulmanos também enfrentam a perda de emprego e o acesso aos círculos sociais negado. Além disso, quando um homem cristão é perseguido na Tunísia, a família se torna vulnerável e precisa de proteção. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Tunísia? 

Em cooperação com parceiros e igrejas locais, a Portas Abertas apoia a igreja na Tunísia de várias maneiras. Oferecendo treinamento, distribuição de literatura cristã, desenvolvimento socioeconômico e advocacy para defender os direitos dos cristãos tunisianos. A Portas Abertas também levanta apoio em oração para os seguidores de Jesus na Tunísia. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio a cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, você possibilita que um cristão ex-muçulmano seja discipulado por um mês no Norte da África. 



Pedidos de oração da Tunísia 

  • Há muitos cristãos solitários na Tunísia. Ore para que encontrem outros seguidores de Cristo ao seu redor para se conectarem, e ore por comunhões fortes e frutíferas.  
  • Clame para que a luz, a paz e o amor de Cristo superem o espírito de intimidação e medo que alguns cristãos tunisianos podem sentir. Interceda para que os cristãos tunisianos continuem orando no Espírito para manter as mentes livres de medo, intimidação e confusão.   
  • Ore pelas mulheres cristãs na Tunísia que lutam contra o trauma. Peça a Deus para que as abençoe. Clame para que encontrem segurança e ajuda em Cristo. 
  • Interceda pelo presidente da Tunísia, que só está no poder há um ano. Ore para que seu tempo no cargo traga mais liberdade para os cristãos.   

Um clamor pela Tunísia 

Ó Deus, oramos pelo seu povo na Tunísia. Pedimos que o Senhor esteja com ele e o fortaleça em todas as circunstâncias. Oramos especialmente por seus servos que encontraram a graça salvadora de Jesus apesar de virem de outra fé. Pedimos que os proteja, sustente a fé e lhes dê esperança e coragem. Pedimotodas essas coisas em nome de Jesus, Amém.   

Durante séculos, a Tunísia ocupou uma posição estratégica na região do Mediterrâneo. Sua capital original, Cartago, já foi arqui-inimiga da Roma Antiga, até ser completamente destruída no final das guerras púnicas em 146 a.C. Os romanos, bizantinos, árabes e otomanos usaram a Tunísia como província de seus respectivos impérios, até se tornar um protetorado francês em 1883. A Tunísia conquistou sua independência da França em 1956. O primeiro presidente, Habib Bourguiba, introduziu influências seculares, como a emancipação da mulher. Em 1987, o presidente Bourguiba foi substituído pelo presidente Ben Ali, que governou a Tunísia até que foi deposto do poder através dos levantes da Primavera Árabe em 2011.

Um governo interino assumiu o poder e uma nova Constituição foi aprovada em janeiro de 2014 e seguida por eleições presidenciais e parlamentares em dezembro de 2014. Uma coalizão de partidos secularistas e islâmicos emergiu das eleições, mas o novo governo lutou para lidar com os desafios econômicos e de segurança. No entanto, ainda mais preocupante foram as disputas internas entre os partidos políticos, resultando, em outubro de 2019, na eleição de um total forasteiro como presidente. Apesar de não esclarecer muitas questões, o recém-eleito presidente Kais Saied prometeu combater a corrupção e a pobreza. Saied é professor de Direito e conhecido por ser socialmente conservador, embora tenha prometido promover os direitos das mulheres.

As eleições parlamentares também ocorreram em outubro de 2019, com o partido islâmico Ennahda ganhando a maioria dos assentos no Parlamento (52 dos 217). No entanto, foram 17 assentos a menos do que nas eleições de 2014. O novo partido secular Heart of Tunisia ficou em segundo lugar, com 38 cadeiras. Portanto, a Tunísia parece ter outro governo secular islâmico com base em consenso e compromisso.

A Tunísia tem uma história cristã muito rica. Os primeiros relatórios sobre o cristianismo na Tunísia diziam respeito ao interrogatório e ao martírio, em 203 d.C., de duas mulheres cristãs, Felicitas e Perpétua, na cidade de Cartago. Na mesma cidade, três pais da igreja muito influentes viveram, trabalharam e morreram: Tertuliano (160-230 d.C.), Cipriano (210-258 d.C.) e Agostinho (354-430 d.C.).

Os primeiros cristãos de Túnis foram às vezes severamente perseguidos por Roma, especialmente sob o imperador Diocleciano, que governou de 284 a 305 d.C. Foi um dos lugares em que a controvérsia Donatista surgiu no século 4, a respeito da nomeação de líderes que haviam traído a fé cristã durante a perseguição. Parece que os cristãos amazigh (bérberes) eram, em geral, menos perdoadores do que os romanos urbanizados na Tunísia.

Em 439 d.C., Cartago foi conquistada pelos vândalos germânicos. Os vândalos tentaram converter os cristãos católicos urbanos da África em sua versão ariana do cristianismo. Os vândalos enviaram o clero católico ao exílio e expropriaram suas igrejas, e às vezes os líderes católicos eram mortos. Em 534 d.C., o Império Bizantino – representantes de Roma e da fé cristã "não herege" – capturou a Tunísia novamente.

Os bizantinos reconstruíram fortificações e defesas fronteiriças e firmaram tratados com os imazighen (bérberes). No entanto, por muitas décadas a segurança e a prosperidade foram precárias e nunca foram totalmente restauradas. O domínio bizantino direto não se estendeu muito além das cidades costeiras. Em 698 d.C., os exércitos árabes derrotaram as forças bizantinas na Batalha de Cartago e as destruíram. Como em outros países do Norte da África, a chegada do islamismo afetou significativamente o desenvolvimento da igreja, mas o cristianismo conseguiu sobreviver na Tunísia até o século 11. O cristianismo não conseguiu estabelecer-se novamente até o século 19, quando muitos franceses e outros cristãos expatriados foram para o país sob a proteção política da França.

O testemunho católico romano cresceu consideravelmente e um arcebispo de Cartago foi nomeado em 1884. Vários outros grupos cristãos também começaram a trabalhar: os anglicanos em 1829, a Missão Norte-Africana em 1881, adventistas do sétimo dia em 1905, metodistas em 1908 (da América do Norte), e em 1911 pentecostais da Igreja de Deus (de Cleveland, Tennessee, Estados Unidos).

Após a independência da Tunísia em 1956, a vida pública da igreja se tornou mais restrita; os expatriados podiam adorar sem muita dificuldade, mas os tunisianos que se converteram do islamismo à fé cristã enfrentaram grande oposição.

REDE ATUAL DE IGREJAS

Cristãos estrangeiros desfrutam de relativa liberdade, embora evangelismo em público não seja tolerado. Quando eles cultuam nas poucas igrejas internacionais raramente encontram problemas, já os nativos enfrentam o peso da perseguição.

Cristãos ex-muçulmanos enfrentam várias formas de perseguição, por exemplo da família. No entanto, eles têm “certa liberdade” para buscar e receber informação sobre a fé cristã, particularmente conteúdo on-line.

A maioria dos cristãos tunisianos opta por esconder a fé e não adorar e viver a vida cristã abertamente

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Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

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