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Tunísia

TN
Tunísia
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Túnis
  • Região: Norte da África
  • Líder: Kaïs Saïed
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Árabe, francês e bérbere
  • Pontuação: 66


POPULAÇÃO
12 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
22,8 MIL

Como é a perseguição aos cristãos na Tunísia? 

Para muitos cristãos na Tunísia, a pressão é generalizada e constante. Enquanto os seguidores de Jesus estrangeiros são deixados em paz, os tunisianos enfrentam alta pressão.  

A situação é pior para os cristãos ex-muçulmanos, que enfrentam hostilidade e abuso da família e da comunidade. É perigoso compartilhar a fé, por isso a saída é adorar a Jesus secretamente. Eles devem ter cuidado ao se reunir para o culto, pois são monitorados pelos serviços de segurança tunisianos. 

“As mulheres são rejeitadas pela família e pela sociedade. Elas podem ser mantidas em prisão domiciliar pelos familiares. Muitas não têm permissão para ir à igreja ou se encontrar com cristãos. Elas enfrentam oposição quando querem se casar com um homem cristão e são obrigadas a seguir todas as tradições muçulmanas. Algumas são mandadas embora pelas famílias e precisam ser resgatadas pela igreja.” 

Nélya (pseudônimo), cristã perseguida no Norte da África 

O que mudou este ano? 

A pressão continua em alto nível para os cristãos em todo o país, mas os ex-muçulmanos são mais vulneráveis. Além disso, o país vive atualmente uma crise política com a dissolução do parlamento pelo presidente Kaïs Saïed. Isso indica que ele está se consolidando o poder, mas ainda não se sabe as consequências dessa decisão para os cristãos.  

Quem persegue os cristãos na Tunísia? 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Tunísia são: opressão islâmica. 

Já a“fontes de perseguição são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundoAs fontes de perseguição aos cristãos na Tunísia são: líderes religiosos não cristãos, parentes, partidos políticos, grupos religiosos violentos, cidadãos e quadrilhas, oficiais do governo. 

Quem é mais vulnerável à perseguição na Tunísia? 

Os cristãos ex-muçulmanos correm maior risco, devido a pressão, abuso e ameaças da família e da sociedade. O Sul da Tunísia tende a ser mais conservador e tem a presença de extremistas islâmicos. As áreas urbanas são mais tolerantes com os cristãos e até mesmo com os ex-muçulmanos.    

Como as mulheres são perseguidas na Tunísia? 

Mulheres e meninas cristãs na Tunísia são vulneráveis ao assédio sexual e à violência doméstica. Como o país proíbe a conversão religiosa, ex-muçulmanas correm mais riscos no contexto familiar tradicional. Elas podem ser agredidas fisicamente, expulsas de casa, colocadas em prisão domiciliar, ameaçadas de morte e violentadas. Se forem casadasserão obrigadas a se divorciar e perderão a guarda dos filhos, além de qualquer apoio financeiro 

Como os homens são perseguidos na Tunísia? 

Cristãos ex-muçulmanos enfrentam intimidação, agressão e ameaças de morte. Eles são considerados uma vergonha para a família e devem ser excluídos do convívio. Além disso, as esposas muçulmanas se divorciam deles e eles perdem o direito a herança ou acesso aos bens. No entanto, a gravidade da reação após a conversão depende da posição social que ocupam e do poder político. Os homens ex-muçulmanos também perdem os empregos e qualquer promoção no trabalho e não têm acesso aos ciclos sociais. Além disso, eles podem ser detidos pela polícia por motivos religiosos. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Tunísia? 

Em cooperação com igrejas e parceiros locais, a Portas Abertas apoia os cristãos na Tunísia por meio de treinamento de discipulado, distribuição de Bíblias e literatura cristã, desenvolvimento socioeconômico, apoio em oração e advocacy. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos na Tunísia?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente.  

Pedidos de oração da Tunísia 

  • Clame pelos cristãos na Tunísia que se converteram do islamismo. Peça pelas mulheres que temem ser forçadas a se casar com um muçulmano. Que elas sejam preservadas e protegidas por Deus, mesmo quando precisarem segui-lo em segredo. 

  • Ore pelo governo e pela sociedade tunisiana enquanto a turbulência política continua. Que o Senhor toque o coração das autoridades para que trabalhem pelo bem-estar de toda a população, incluindo as minorias religiosas. 

  • Interceda pelos parceiros da Portas Abertas na Tunísia, para que sejam encorajados e fortalecidos para fazer a obra de Deus em um lugar difícil. 

  • Há muitos cristãos solitários na Tunísia. Ore para que encontrem outros seguidores de Cristo ao seu redor para se conectarem, e ore por comunhões fortes e frutíferas.  

Um clamor pela Tunísia 

Deus, nosso pai, pedimos que se lembre do seu povo na Tunísia. Oramos para que os cristãos saibam que não estão sozinhos, pois o Senhor e nós estamos com eles. Por favor, ajude-os a perseverar, mesmo quando sentirem vontade de desistir. Pedimos que sejam protegidos fortalecidosEm nome de Jesus, amém. 

Durante séculos, a Tunísia ocupou uma posição estratégica na região do Mediterrâneo. Sua capital original, Cartago, já foi arqui-inimiga da Roma Antiga, até ser completamente destruída no final das guerras púnicas em 146 a.C. Romanos, bizantinos, árabes e otomanos usaram a Tunísia como província de seus respectivos impérios até se tornar um protetorado francês em 1883. A Tunísia conquistou sua independência da França em 1956. O primeiro presidente, Habib Bourguiba, introduziu influências seculares, como a emancipação da mulher. Em 1987, o presidente Bourguiba foi substituído pelo presidente Ben Ali, que governou a Tunísia até que foi deposto do poder através dos levantes da Primavera Árabe em 2011. 

Um governo interino assumiu o poder e uma nova Constituição foi aprovada em janeiro de 2014, seguida por eleições presidenciais e parlamentares em dezembro de 2014. Uma coalizão de partidos secularistas e islâmicos emergiu das eleições, mas o novo governo lutou para lidar com os desafios econômicos e de segurança. No entanto, ainda mais preocupante foram as disputas internas entre os partidos políticos, resultando, em outubro de 2019, na eleição de um total forasteiro como presidente. Apesar de não esclarecer muitas questões, o recém-eleito presidente Kaïs Saïed prometeu combater a corrupção e a pobreza. Saïed é professor de Direito e conhecido por ser socialmente conservador, embora tenha prometido promover os direitos das mulheres. 

As eleições parlamentares também ocorreram em outubro de 2019, com o partido islâmico Ennahda ganhando a maioria dos assentos no Parlamento (52 dos 217). Junto com outros três partidos islâmicos, os muçulmanos ocuparam 81 dos 217 assentos no parlamento. Desde então, três diferentes governos foram formados. O último gabinete, que foi liderado pelo primeiro-ministro Hichem Mechichi, era formado principalmente por tecnocratas. As rápidas mudanças no governo levaram a instabilidade política, mas serviram para aumentar o poder e a posição do presidente. 

Em julho de 2021, o presidente Saïed arbitrariamente usou sua posição e poderes emergenciais na Constituição para demitir o primeiro-ministro Mechichi e suspender o parlamento após protestos violentos terem começado contra a forma de o governo lidar com a crise da COVID-19 e a terrível situação econômica. Enquanto o partido Ennahda acusou Saïed de dar um golpe, a população respondeu com indiferença ou até mesmo alegria, cansada de uma década de incompetências políticas. Embora nenhuma repressão completa tenha ocorrido, diversos oponentes políticos e figuras da mídia que criticaram publicamente o presidente foram presos brevemente, incluindo um apresentador da TV, em outubro de 2021. Apesar disso, a mídia local permanece livre para operar. 

Em dezembro de 2021, o presidente Saïed anunciou que um referendo constitucional ocorreria em 25 de julho de 2022, seguido de eleições parlamentares no fim de 2022. Entretanto, Saïed declarou previamente que ele pretendia renunciar aos poderes emergenciais em 30 dias, uma promessa que não cumpriu. 

O referendo resultou na vitória do “sim” para a adoção de uma nova Constituição no país, mas contou com a participação de apenas 27,5% da população apta a votar. Segundo o portal DW, críticos temem que a nova Constituição leve o país, berço da Primavera Árabe, de volta a um regime ditatorial. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

A Tunísia tem um sistema semi-presidencial unitário. Isso significa que tem apenas uma Câmara dos Deputados como parte legislativa do governo, um presidente como chefe do Estado e um primeiro-ministro como chefe do governo. 

A Tunísia é considerada pela Economist Intelligence Unit (EIU) como uma democracia imperfeita, embora ainda tenha um governo mais democrático e legítimo do que qualquer outro país da região. No entanto, os indicadores de coesão do Fragile States Index (FSI) são altos e refletem como a elite dominante ainda não conseguiu construir confiança entre a população em geral. A diferença de 27% na participação entre as eleições parlamentares de 2014 (69%) e as eleições parlamentares de 2019 (42%) parece provar esse ponto. Nesse sentido, a Tunísia ainda está lutando com a revolução de 2011. Portanto, os indicadores políticos mostram que a legitimidade do Estado permanece baixa, embora outros indicadores, principalmente os direitos humanos, mostrem sinais de melhora. 

Os principais desafios para o governo são a revitalização necessária da economia, principalmente à luz da crise da COVID-19. Além disso, embora nenhum ataque relevante tenha ocorrido recentemente, grupos militantes islâmicos na região permanecem uma ameaça. Se o governo conseguir manter os primeiros à distância, melhorando a economia e diminuindo estruturalmente o desemprego, a Tunísia poderá ser considerada o país de maior sucesso a emergir das revoltas árabes de 2011. Entretanto, a tomada do poder do presidente Saïed em julho de 2021 pode facilmente manchar essa imagem. Embora Saïed tenha anunciado um referendo constitucional seguido por eleições parlamentares no final de 2022, muito permanece confuso e incerto. 

O cristianismo é considerado uma religião estrangeira pelo governo e não há reconhecimento formal das igrejas nativas. Os cristãos de origem muçulmana na Tunísia permanecem socialmente marginalizados e mantidos sob vigilância por serviços de segurança.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

De acordo com a estimativa do World Christian Database 2021, 99,5% da população é muçulmana e praticamente todos são adeptos do islamismo sunita, com a maioria seguindo a tradição maliki. Esse é um dos maiores grupos da tradição sunita. Um importante centro de ensino de maliki dos séculos 9 a 11 se encontrava na mesquita de Uqba, na Tunísia. Também há poucos xiitas e muito poucos bahai e minorias judias na Tunísia. 

Apesar do legado francês do laicismo ou do secularismo entre as elites urbanas e educadas, o islamismo é muito influente e a Constituição o reconhece como religião oficial. O cristianismo e o judaísmo são as religiões minoritárias mais significativas, embora o número de agnósticos/ateístas seja maior que ambas, com mais de 45% das pessoas entre 18 e 29 anos alegando não terem religião. O número de cristãos de origem muçulmana está crescendo na Tunísia. Esse crescimento gradual da igreja tornou-se notável desde a década de 1990. 

O Middle East Concern (MEC) relata: “As comunidades cristãs expatriadas e locais desfrutam de relativa liberdade na Tunísia, desde que evitem atividades que sejam interpretadas como proselitismo. As organizações salafistas são uma fonte potencial de ameaça, embora ataques recentes tenham sido principalmente contra alvos culturais e econômicos e não contra grupos religiosos não islâmicos. O desafio mais significativo para os cristãos locais é a pressão familiar e social que é frequentemente enfrentada por aqueles que optam por deixar o islã, embora isso só tome formas violentas em casos extremos”. 

A maioria dos cristãos tunisianos opta por esconder a fé e não adorar e viver a vida cristã abertamente. A hostilidade e a pressão que enfrentam da sociedade em geral tornam perigoso compartilhar a fé com seus familiares, vizinhos, amigos ou colegas. Os cristãos tunisianos também acham difícil se reunir para o culto, assim como encontram dificuldade para ter comunhão com outros cristãos, devido aos riscos que qualquer exposição implique por serem monitorados pelos serviços de segurança da Tunísia.  

Os vínculos entre alguns movimentos islâmicos e o crime organizado não devem ser subestimados. Eles criam muita inquietação na sociedade tunisiana e contribuem para o aumento dos já altos níveis de medo entre os cristãos.   

CENÁRIO ECONÔMICO 

Apesar da transição bem-sucedida da ditadura de um só partido para uma democracia multipartidária da Tunísia, sua economia continua em dificuldades, com o desemprego permanecendo em torno de 15% e o desemprego entre jovens sendo mais que o dobro disso. Obviamente, não ajudou que a Tunísia teve 13 governos em nove anos, com três novos governos desde as eleições parlamentares de outubro de 2019. A crise da COVID-19 está fazendo com que a situação econômica se deteriore ainda mais, principalmente já que o turismo diminuiu como resultado das restrições da COVID-19. 

Mais e mais tunisianos estão até mesmo se unindo a migrantes subsaarianos em busca de asilo na Europa. Ainda espera-se para ver se o presidente Saïed poderá melhorar a estabilidade do governo e a economia após sua tomada do poder em julho de 2021. De acordo com o Banco Mundial, a “perspectiva econômica permanece altamente incerta. A recuperação econômica é menos robusta do que o esperado dado o agravamento da pandemia da COVID-19 em meados de 2021 e a elevada incerteza política”.  

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

A sociedade tunisiana é principalmente conservadora e muçulmana, embora haja diferenças entre o Sul (rural) e o Norte (urbano). Devido ao fato de ser um centro do governo secular árabe, existe uma forte cultura liberal da juventude urbana. 

Cristãos tunisianos, quase todos eles de origem muçulmana, permanecem marginalizados e são discriminados pela família e sociedade. Uma vez que a conversão deles se torna conhecida, eles enfrentam pressão para desistir da fé e são sempre ameaçados com divórcio e casamento forçado com um muçulmano. Eles provavelmente também serão excluídos da herança da família e perderão os direitos de custódia dos filhos. 

Aspectos tribais da sociedade, especialmente longe das grandes cidades, afetam de modo especial os convertidos do islamismo ao cristianismo. Se afastar do islã não é apenas visto como uma traição religiosa, mas como uma traição da família estendida. No entanto, o tribalismo na Tunísia ainda é menos forte que em países vizinhos devido à campanha do governo nos anos 1950 e 1960 direcionada a combater sua influência.  

A Tunísia tem uma história cristã muito rica. Os primeiros relatórios sobre o cristianismo na Tunísia diziam respeito ao interrogatório e ao martírio, em 203 d.C., de duas mulheres cristãs, Felicitas e Perpétua, na cidade de Cartago. Na mesma cidade, três pais da igreja muito influentes viveram, trabalharam e morreram: Tertuliano (160-230 d.C.), Cipriano (210-258 d.C.) e Agostinho (354-430 d.C.). 

Os primeiros cristãos de Túnis foram às vezes severamente perseguidos por Roma, especialmente sob o imperador Diocleciano, que governou de 284 a 305 d.C. Foi um dos lugares em que a controvérsia Donatista surgiu no século 4, a respeito da nomeação de líderes que haviam traído a fé cristã durante a perseguição. Parece que os cristãos amazigh (bérberes) eram, em geral, menos perdoadores do que os romanos urbanizados na Tunísia. 

Em 439 d.C., Cartago foi conquistada pelos vândalos germânicos. Os vândalos tentaram converter os cristãos católicos urbanos da África em sua versão ariana do cristianismo. Os vândalos enviaram o clero católico ao exílio e expropriaram suas igrejas e, às vezes, os líderes católicos eram mortos. Em 534 d.C., o Império Bizantino — representantes de Roma e da fé cristã “não herege” — capturou a Tunísia novamente. 

Os bizantinos reconstruíram fortificações e defesas fronteiriças e firmaram tratados com os imazighen (bérberes). No entanto, por muitas décadas, a segurança e a prosperidade foram precárias e nunca foram totalmente restauradas. O domínio bizantino direto não se estendeu muito além das cidades costeiras. Em 698 d.C., os exércitos árabes derrotaram as forças bizantinas na Batalha de Cartago e as destruíram. Como em outros países do Norte da África, a chegada do islamismo afetou significativamente o desenvolvimento da igreja, mas o cristianismo conseguiu sobreviver na Tunísia até o século 11. O cristianismo só conseguiu estabelecer-se novamente no século 19, quando muitos franceses e outros cristãos expatriados foram para o país sob a proteção política da França. 

O testemunho católico romano cresceu consideravelmente e um arcebispo de Cartago foi nomeado em 1884. Vários outros grupos cristãos também começaram a trabalhar: os anglicanos em 1829, a Missão Norte-Africana em 1881, adventistas do sétimo dia em 1905, metodistas em 1908 (da América do Norte), e em 1911 pentecostais da Igreja de Deus (de Cleveland, Tennessee, Estados Unidos). 

Após a independência da Tunísia em 1956, a vida pública da igreja se tornou mais restrita; os expatriados podiam adorar sem muita dificuldade, mas os tunisianos que se converteram do islamismo à fé cristã enfrentaram grande oposição.

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