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Argélia

DZ
Argélia
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, paranoia ditatorial, opressão do clã, hostilidade etno-religiosa
  • Capital: Argel
  • Região: Norte da África
  • Líder: Abdelmadjid Tebboune
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo, cristianismo e judaísmo
  • Idioma: Árabe, francês, bérbere e dialetos
  • Pontuação: 71


POPULAÇÃO
43,9 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
134 MIL

Como é a perseguição aos cristãos na Argélia? 

Como uma pequena porcentagem da população da Argélia, os cristãos enfrentam obstáculos quanto à liberdade religiosa. As leis que regulam a adoração não muçulmana proíbem qualquer ato que “abale a fé de um muçulmano”, ou seja, qualquer coisa usada como “meio de sedução com a intenção de converter um muçulmano a outra religião”. Uma lei de 2006 que reprime a adoração permanece em vigor, apesar de uma nova Constituição ter sido implementada em novembro de 2020. 

Durante o último ano, diversos cristãos foram condenados e presos sob acusações de blasfêmia e proselitismo. Autoridades da Argélia se envolveram em uma campanha sistemática contra as igrejas da Igreja Protestante da Argélia (EPA). A associação de igrejas protestantes da Argélia viu 13 igrejas serem fechadas à força pelas autoridades. Outras receberam ordens para cessar todas as atividades.  

A maioria dos cristãos na Argélia são ex-muçulmanos e, como na maioria dos países no Norte da África, eles enfrentam forte oposição de família e da comunidade. Isso pode envolver assédio, espancamentos, ameaças e prisão, bem como pressão para aderir aos costumes islâmicos. A pressão e o perigo enfrentados por cristãos é alta principalmente nas regiões mais conservadoras, rurais e árabes do país. Nos anos 1990, essas áreas atuaram como reduto para insurgentes islâmicos na luta contra o governo.   

Muitas pessoas querem saber e ouvir mais sobre o evangelho. Eu gostaria de lembrar você de que nosso Senhor e salvador Jesus Cristo disse estas palavras para nós: ‘Edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la’. 

Pastor Salah, cristão perseguido no Norte da África 

O que mudou este ano? 

Embora nenhuma igreja tenha sido fechada em 2020, em 2021 isso aconteceu com três na mesma região, somando-se às 13 que haviam sido fechadas anteriormente. Mesmo com apelos da igreja argelina, nenhuma delas foi reaberta  o legado de perseguição dos anos anteriores permanece alto no país.    

Quem persegue os cristãos na Argélia? 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Argélia são: opressão islâmica, paranoia ditatorial, opressão do clã, hostilidade etno-religiosa.  

Já as “fontes de perseguição são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na Argélia são: parentes, oficiais do governo, líderes religiosos não cristãos, cidadãos e quadrilhas, grupos religiosos violentos, partidos políticos, líderes de grupos étnicos.  

Quem é mais vulnerável à perseguição na Argélia? 

Na parte árabe do país, especialmente no Sul, a vida pode ser dura para os cristãos e o número de igrejas é muito baixo. Militantes islâmicos violentos não têm uma ampla base de apoio entre as pessoas, mas o islã mantém um controle firme sobre o paísA maioria dos cristãos vive na região da Cabília, no Norte da Argélia. O povo cabila é um grupo étnico bérbere e cristãos ali enfrentam discriminação de autoridades argelinas por causa da fé e da etnia.   

Como as mulheres são perseguidas na Argélia? 

Muitas mulheres que se convertem ao cristianismo escondem a fé, principalmente as ex-muçulmanas. Sa fé de uma mulher é descoberta pela famíliaela pode ser forçada a casar com um muçulmano como forma de atraí-la de volta ao islã. Mulheres cristãs que se converteram do islamismo são com frequência espancadasassediadas, ameaçadas ou até mesmo mantidas sob prisão domiciliar por causa da fé da família muçulmana. A violência é abundante principalmente no Oeste e no Sul da Argélia, onde mortes honrosas são um grande risco — apesar da proteção legal quanto a violência contra a mulher ser garantida na Argélia desde 2016. No local de trabalho, mulheres cristãs podem perder o emprego, enfrentar assédio e violência sexual e receber ameaças de morte.    

Como os homens são perseguidos na Argélia? 

Homens cristãos na Argélia com frequência enfrentam perseguição econômica — eles podem perder o emprego ou ser forçados a sair por meio de assédio. Como homens são os principais provedores nas famílias argelinas, a perda do emprego pode ter um efeito devastador para toda a família, gerando medo e um senso de desamparo. Embora não seja comum, há mais probabilidade de homens serem detidos, o que também afeta sua possibilidade de trabalhar. Por conta dessas pressões, alguns cristãos preferem emigrar. 

As famílias são com frequência fonte de perseguição, com agressões físicas, insultos verbais e ameaças. É mais provável que homens ex-muçulmanos sejam forçados a sair de casa do que mulheres convertidas, além de enfrentarem rejeição da comunidade em geral. Se a fé é descoberta, também podem ser agredidos e levados à mesquita local à força.    

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Argélia? 

Em cooperação com parceiros e igrejas locais, a Portas Abertas apoia a igreja no Norte da África por meio de treinamento de discipulado e liderança, distribuição de Bíblias e literatura cristã, apoio aos meios de subsistência, cuidados pós-trauma, ajuda legal e emergencial e grupos de apoio para mulheres.  

Como posso ajudar os cristãos perseguidos na Argélia?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio a cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente.    

Pedidos de oração da Argélia 

  • Ore para que cristãos ex-muçulmanos argelinos sejam protegidos de assédio, violência e rejeição.   
  • Peça para que igrejas que foram fechadas sejam reabertas, e que as leis que proíbem a liberdade religiosa sejam rejeitadas.  
  • Clame para que os parceiros da Portas Abertas no Norte da África recebam amor e sabedoria de Deus.  

Um clamor pela Argélia 

Deus paiobrigado porque mesmo que as igrejas estejam fechadas, nada pode permanecer no caminho dos seus filhos que o conhecem e amam. Por favor, fale de forma clara e suave aos nossos irmãos e irmãs que têm dificuldade para adorar juntos e que enfrentam perseguição terrível da família e da comunidade. Garanta meios para que os cristãos adorem juntos e compartilhem as boas novas do evangelhoLeve avanço para lugares de autoridade, para que as leis e regulamentos que se opõem à prática cristã sejam derrubados. Amém. 

Assim como a maioria dos outros países do Norte da África, a Argélia era um território do Império Turco Otomano. No entanto, em 1830, a nação foi conquistada pela França. A Argélia ganhou independência em 1962 após uma violenta guerra de oito anos liderada pela Frente de Libertação Nacional. Desde a independência, o grupo está no poder e é o partido político dominante no país. 

Por três décadas, a Frente de Libertação Nacional proibiu a criação de outros partidos políticos e se decidiu como o único partido legal. Entretanto, em 1991, a Argélia apresentou eleições multipartidárias. Quando partidos islâmicos ganharam as eleições, o exército suspendeu o resultado das eleições e o país entrou em uma guerra civil que acabou apenas em 2002 e resultou na morte de cerca de 150 mil argelinos. De 1999 a abril de 2019, Abdelaziz Bouteflika serviu como presidente. 

Em fevereiro de 2019, o presidente Bouteflika anunciou a candidatura para um quinto mandato. Isso só foi possível com a ajuda de partidos islâmicos, ao conseguir alterar a Constituição, em 2008. Desde janeiro de 2011, as tensões políticas têm aumentado e muitas manifestações foram realizadas, principalmente causadas por uma insatisfação geral com a explosão de preços dos alimentos e os altos níveis de desemprego. Desde que sofreu um acidente vascular cerebral em 2013, o presidente Bouteflika raramente foi visto em público e ele nem sequer fez campanha para as eleições presidenciais de 2014. 

Em 2016, uma série de emendas constitucionais foram feitas para dar mais poder ao parlamento. No entanto, muitos opositores do regime rejeitaram essa reforma por ser superficial e essa dissidência foi o que levou à renúncia de Bouteflika, em abril de 2019. 

Após a renúncia do presidente Bouteflika e meses de protestos populares pacíficos, ele foi substituído pelo presidente interino Abdelkader Bensalah. Entretanto, os protestos continuaram, já que muitos viam Bensalah como sendo intimamente ligado a Bouteflika. Novas eleições foram realizadas em dezembro de 2019, que anunciaram como vencedor da disputa presidencial Abdelmadjid Tebboune, ex-primeiro-ministro de Bouteflika. A população, que não aprovou o resultado, fez novos protestos e prometeu que o movimento não vai parar até que haja uma renovação política no país. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Economist Inteligence Unit (EIU, da sigla em inglês) classifica a Argélia como um regime autoritário. A situação na Argélia continua sendo relativamente estável. De acordo com indicadores políticos da Fragile States Index é difícil qualquer mudança observável. Isso pode ser visto como estranho já que o presidente Bouteflika foi forçado a renunciar em abril de 2019 após meses de protestos. Entretanto, o círculo de oficiais não eleitos influentes, oficiais militares de alta patente e empresários conhecidos como Le Pouvoir continuam no mesmo lugar. 

No geral, a situação da segurança na Argélia é estável. A polícia argelina e as Forças Armadas são bem organizadas e treinadas. Devido à posição do país no Norte da África, principalmente na fronteira com a Mauritânia e Líbia, as forças de segurança argelinas são especializadas em combater o terrorismo, apesar de ser um desafio controlar todas as sete fronteiras que se estendem pelo deserto do Saara e região do Sahel. Assim, é possível para grupos islâmicos radicais cruzarem as fronteiras. Eles encontram abrigo e estabelecem locais de armazenamento na Argélia, evitando ser capturados por operações antiterroristas internacionais, como a missão da Organização das Nações Unidas no Mali e a operação americana contra terrorismo no Níger.  

Além das ameaças de militantes islâmicos, há uma disputa com o Marrocos a respeito da área da fronteira. Como essa disputa já dura muitos anos, é improvável que a situação se transforme em guerra. Porém, uma das maiores ameaças na Argélia é o cenário atual com relação ao crime organizado. Há diversas rotas operacionais de tráfico ilegal na Argélia que conectam a costa do Mediterrâneo aos centros no Saara e Sahel. Isso facilita todos os tipos de comércio, especialmente os ilegais. Essas rotas de comércio são usadas por contrabandistas que trazem drogas da América do Sul para a Europa e também por traficantes de pessoas que transportam refugiados buscando asilo na Europa ou em outros países. 

Apesar do passado violento e da persistente ameaça das insurgências islâmicas, a Argélia é relativamente estável, mesmo depois de meses de protesto e da renúncia forçada do presidente Bouteflika. No entanto, essa estabilidade é frágil, tendo como principal preocupação a contínua questão política e falta de um plano claro com relação à transição do poder. Outra preocupação é a crescente pressão econômica sobre o governo, na medida em que tenta lidar com o aumento do nível de desemprego e o descontentamento econômico com a queda da receita do gás natural. 

Além disso, há o medo de que a ilegalidade na Líbia prejudique a estabilidade na Argélia, uma vez que os dois países compartilham uma fronteira longa. Toda instabilidade que surja na Argélia, como resultado de qualquer dessas causas, é suscetível de tornar a situação para os cristãos pior do que é atualmente.  

O decreto 06-03 foi aprovado em março de 2006 e limita severamente a adoração de não muçulmanos. Desde a aplicação do decreto, em fevereiro de 2008, o governo não registrou nenhuma nova igreja, então muitos cristãos continuam se encontrando extraoficialmente em igrejas domésticas. Da perspectiva legal, o decreto define regulamentações para prédios de igrejas, então até mesmo um encontro em casa é proibido. A condenação legal pode ser de até três anos de prisão e uma multa de mais de 13 mil reais. Atualmente, nenhum cristão está na prisão por esse motivo, mas a pressão permanece no local e ao menos 13 igrejas afiliadas da Igreja Protestante da Argélia (EPA) permaneceram fechadas durante o período de análise da Lista Mundial da Perseguição 2021. 

As raízes anticoloniais e revolucionárias do partido governante que está no poder desde a independência garantem uma perspectiva ideológica que tornam suspeitas atividades missionárias cristãs, especialmente quando estão aliadas a igrejas e grupos cristãos ocidentais.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

De acordo com dados do World Christian Database, cerca de 98,3% dos argelinos são muçulmanos. Quase todos são muçulmanos sunitas, mas há uma pequena comunidade de argelinos que pertence à seita ibadi do islã. A presença do islamismo xiita é insignificante. A Constituição proíbe não muçulmanos de manterem altas posições no governo. Não muçulmanos e grupos não religiosos se encontram em segredo para evitar a perseguição do governo. O relatório de Liberdade de Pensamento, de setembro de 2019,declara que a Constituição e o governo proíbem atividades “que são contrárias aos ‘valores públicos morais’ do país”. 

Em 2011, a federação da Igreja Protestante da Argélia (EPA, da sigla em inglês) obteve registro oficial depois de muitos anos de tentativa, mas igrejas locais ainda continuam esperando obter seus próprios registros. Nenhuma igreja local pertencente à EPA teve sucesso em obter a documentação. 

Com um maior número de igrejas fechadas e o uso da violência física contra manifestantes cristãos, parece que o governo aumentou a pressão à igreja. O motivo para essa nova onda de violência é desconhecido, mas algumas das medidas do governo podem ser vistas como tentativas de acalmar o segmento islâmico da sociedade.  

A influência islâmica radical está crescendo. Mas, ao mesmo tempo, há abertura à fé cristã e o número de cristãos aumenta na Argélia. Os cristãos dentro das famílias muçulmanas enfrentam discriminação legal do Estado em questões de status pessoal e hostilidade dentro da própria família. 

Como o islamismo tem se tornado cada vez mais influente no governo da Argélia nos últimos anos, a liberdade dos cristãos está se tornando mais restrita. A pressão islâmica no governo e na sociedade, combinada com a pressão de membros da família a cristãos ex-muçulmanos, tem levado a dificuldades para os cristãos. Grupos islâmicos, encorajados pela Primavera Árabe em outros países do Norte da África, estão exercendo pressão no governo que é forçado a trabalhar com partidos islâmicos. Apesar dessa cooperação, a Frente Islâmica de Salvação (FIS) continua banida. Islâmicos se tornam mais visíveis e monitoram as atividades dos cristãos e outras minorias não muçulmanas.  

Como no caso da maioria dos países na região, a maior fonte de perseguição na Argélia são cidadãos, quadrilhas, líderes religiosos não cristãos e oficiais do governo que aderem à visão de tais líderes. A maioria dos cristãos argelinos se converte do islamismo e enfrenta perseguição especialmente de membros da família e parentes. Portanto, a família e a comunidade — incluindo líderes étnicos locais e anciãos — são fontes de perseguição significativas. Oficiais do governo em vários níveis da hierarquia administrativa também exercem pressão nos cristãos de forma a renunciarem a fé e terem restringida a liberdade (limitando as possibilidades de expressar seu ponto de vista e viver a fé em público).  

No país também há leis que regulamentam a adoração de não muçulmanos e a blasfêmia, o que torna difícil para os cristãos compartilharem sobre a conversão sem medo. É proibido pela lei “abalar a fé de um muçulmano” ou usar “meios de sedução com intenção de converter um muçulmano para outra religião”. Cristãos ainda enfrentam assédio e discriminação na vida diária. Parentes e vizinhos tentam forçar convertidos a aderirem e seguirem normas e ritos islâmicos. A pressão e o perigo enfrentados pelos cristãos quanto a questões religiosas são altos principalmente na zona rural e nas partes mais conservadoras do país. Essas regiões atuam como fortaleza para insurgentes islâmicos na luta contra o governo desde os anos 1990.  

A maioria dos cristãos são convertidos do islamismo para o cristianismo. Boa parte vive na região da Cabília, no Norte da Argélia. O povo da Cabília é um grupo étnico bérbere e fala sua própria língua bérbere, enquanto outros argelinos possuem um contexto árabe. Os moradores da Cabília foram discriminados e negligenciados pelo governo argelino durante muitos anos, o que criou um ambiente em que a comunidade cristã se desenvolveu, apesar da pressão do governo e da sociedade permanecerem fortes. 

Na parte árabe do país, especialmente no Sul, as circunstâncias são difíceis para cristãos e o número de igrejas é muito pequeno. Grupos jihadistas violentos não têm uma ampla base de apoio entre as pessoas, mas o islamismo mantém firme aderência pelo país, também devido ao crescimento do movimento salafista. Existem leis que regulam o culto não muçulmano e banem a conversão do islamismo.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

O Banco Mundial classificou a Argélia na categoria de “rendimento médio inferior” no ano de 2021, embora a economia argelina seja fechada com um controle rígido a investimentos privados e estrangeiros. Indicadores econômicos não mostram nenhuma mudança em comparação a anos anteriores. 

A Argélia está na posição 82 de 189 países no Índice de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) 2020. Com uma expectativa de vida média de 77,5 e uma taxa de alfabetização de adultos de 81,4%, a Argélia parece ser muito melhor do que a maioria dos países africanos e árabes na provisão de bens e serviços sociais. No entanto, o desemprego juvenil ainda é um problema e o declínio dos preços da energia acarretou um sério desafio econômico. Porém, com um rendimento nacional bruto per capita de 15.050, os argelinos têm uma perspectiva de vida melhor e melhores condições econômicas em comparação com a maioria dos outros países da África. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Historicamente, a Argélia é uma mistura étnica de povos da descendência árabe e bérbere, sendo os árabes a identidade étnica dominante no país. Etnicidade e linguagem são questões sensíveis após muitos anos de marginalização do governo da cultura bérbere e de indicadores sociais mostrarem que pressões demográficas estão aumentando. O problema da habitação na Argélia é pior na região da Cabília, dominada pelos bérberes, uma vez que o governo recusa deliberadamente investir em projetos habitacionais no local. Outras regiões estão sendo ajudadas com projetos de habitação criados e financiados pelo governo. Essa discriminação afeta os cristãos, já que muitos têm origem bérbere. A tensão étnica, dessa forma, afeta a situação religiosa e contribui para a perseguição aos cristãos na região. 

O cristianismo foi para a Argélia no século 2. A igreja cresceu rapidamente e muitos romanos e bérberes se tornaram cristãos, apesar dos períodos de perseguição severa. Agostinho, um dos pais da igreja, nasceu onde hoje é a Argélia, e exerceu grande influência sobre a igreja em seu próprio tempo e mesmo atualmente. 

A forte presença cristã cedeu ao islã após a invasão árabe no século 8. Há relatos de que a fé cristã persistiu da região da Tripolitânia (atual Oeste da Líbia) até o Marrocos por muitos séculos após o término da conquista árabe, em 700 d.C. Uma comunidade cristã é registrada em 1114, em Al Qala, no Centro da Argélia. 

Na maior parte do tempo entre 1509 e 1792, a Espanha governou sobre Orã e algumas áreas costeiras da Argélia, o que permitiu que os cristãos fossem ativos lá. A França conquistou a Argélia em 1830 e a fez uma província francesa em 1848. Isso levou a uma renovação na influência cristã na Argélia, já que 100 mil cidadãos franceses se estabeleceram no país. Missionários católicos, e em menor quantidade protestantes, estabeleceram igrejas. A maioria veio expatriada da França, mas também da Grã-Bretanha e de outros lugares. Tudo isso foi revertido quando colonos foram forçados a sair após a Guerra da Independência em 1962. A atividade missionária entre a população muçulmana foi muito infrutífera. 

Nos anos 1980, um movimento conduzido sobretudo por líderes nativos resultou em muitas conversões para o cristianismo. Fala-se de um avivamento entre os bérberes da Cabília nessa época. Hoje, há uma crescente comunidade protestante, especialmente entre os bérberes. Essa comunidade é organizada sob o cuidado da EPA. Após um período de grande liberdade, agora as autoridades têm tornado difícil para essa comunidade se reunir livremente. Além disso, desde os anos 1990, imigrantes da África Subsaariana (estudantes, trabalhadores e refugiados) começaram suas próprias igrejas, às quais alguns argelinos locais também se uniram. 

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