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Burkina Faso

BF
Burkina Faso
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, corrupção e crime organizado, opressão do clã
  • Capital: Uagadugu
  • Região: Oeste Africano
  • Líder: Em transição
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo, cristianismo, animismo
  • Idioma: Francês e línguas nativas africanas
  • Pontuação: 68


POPULAÇÃO
21,5 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
5 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos em Burkina Faso? 

Burkina Faso está localizado em uma região onde grupos islâmicos têm uma enorme e crescente influência. O governo central é muito fraco, principalmente no Leste do país, onde a lei islâmica é implementada informalmente por grupos que ganharam o controle sobre a região. A violência jihadista tem aumentado rapidamente nos últimos anos, e extremistas exploraram a fraqueza do governo durante a crise da COVID-19 para assumir o controle da infraestrutura do país. Isso tem levado ao fechamento de centenas de igrejas, enquanto muitos cristãos estão entre os que fugiram de casa por causa de ataques extremistas. Há mais de um milhão de deslocados internos em Burkina Faso, dos quais muitos são cristãos. 

Os cristãos ex-muçulmanos enfrentam a maior perseguição. Membros da família e da comunidade muitas vezes os rejeitam e tentam forçá-los a renunciar à fé cristã. Muitos têm medo de expressar a fé em público por causa de tais ameaças. 

“Eles nos falaram que merecemos o que aconteceu conosco porque os jihadistas nos falaram para parar de fazer barulho.”  

Salamanta (pseudônimo), adolescente cristã em Burkina Faso. Sua igreja foi saqueada e incendiada por jihadistas que mataram todos os homens. Ela recebeu cuidados pós-trauma da Portas Abertas 

O que mudou este ano? 

A perseguição aos cristãos em Burkina Faso piorou um pouco no último ano. Isso tem muito a ver com um aumento nos relatos de incidentes de violência, o que reflete o crescimento da influência de grupos extremistas islâmicos no país. 

Quem persegue os cristãos em Burkina Faso? 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos em Burkina Faso são: opressão islâmica, corrupção e crime organizado, opressão do clã.

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos em Burkina Faso são: grupos religiosos violentos, cidadãos e quadrilhas, parentes, redes criminosas, líderes religiosos não cristãos, líderes de grupos étnicos.

Quem é mais vulnerável à perseguição em Burkina Faso? 

Apesar de os ataques extremistas terem como alvo todos os cristãos, os ex-muçulmanos enfrentam perseguição adicional de seus familiares e comunidades. Cristãos no Norte e Leste do país experimentam mais pressão e violência, principalmente fora das principais cidades. No Oeste do país, grupos etno-religiosos também colocam pressão sobre cristãos.  

Como as mulheres são perseguidas em Burkina Faso? 

Meninas e mulheres cristãs muitas vezes enfrentam violência sexual, que é usada por militantes islâmicos como método de atacar de forma mais ampla a comunidade cristã. Esses extremistas também podem forçar meninas e mulheres cristãs a se casarem. Infelizmente, há pouca conscientização dos direitos das mulheres e um enorme estigma para vítimas de perseguição sexual. As meninas e mulheres com frequência sentem o estigma. Cristãs ex-muçulmanas enfrentam perseguição de suas famílias também, incluindo ameaças de morte e casamento forçado. Mais da metade das meninas em Burkina Faso se casam antes dos 18 anos e, nesse contexto, casamentos forçados são facilmente usados como uma forma de perseguição religiosa. 

Como os homens são perseguidos em Burkina Faso? 

Grupos militantes islâmicos que operam na região do Sahel recrutam seus membros de países como Níger e Burkina Faso. Homens e meninos cristãos podem ser alvo tanto de recrutamento quanto de ataques físicos. Há relatos de sequestros em que meninas e mulheres cristãs são soltas, enquanto os meninos e homens são executados. Há uma cultura de medo e trauma em comunidades cristãs por causa de sequestros e mortes como essas. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos em Burkina Faso? 

A Portas Abertas trabalha por meio de parceiros locais para fortalecer cristãos em Burkina Faso provendo treinamento para sobreviventes da perseguição, ajuda emergencial e cuidados espiritual e pós-trauma. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos em Burkina Faso?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio a cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, você oferece socorro a cristãos em Burkina Faso e Oeste Africano atingidos pela violência.

Pedidos de oração de Burkina Faso 

  • Ore por sabedoria para o governo e seus parceiros internacionais que buscam colocar um fim na insegurança de Burkina Faso. 
  • Clame para que o Senhor trabalhe na vida dos cristãos traumatizados, levando cura e conforto. 
  • Interceda por proteção para os parceiros da Portas Abertas enquanto viajam para regiões perigosas e pelas bênçãos de Deus sobre logísticas e planos.

Um clamor por Burkina Faso 

Deus pai, nos unimos ao clamor dos cristãos em Burkina Faso e pedimos sua intervenção nesse país instável. Por favor, detenha o aumento da violência no país. Proteja seus filhos e filhas para que possam adorá-lo sem medo. Cure aqueles que sofrem de trauma e conforte aqueles que estão em luto. Amém. 

Burkina Faso está localizado na região do Sahel, no Oeste Africano. O país foi uma colônia francesa conhecida como Alto Volta e ganhou a independência em 1960. Durante sua história de pós-independência, Burkina Faso passou por diversos episódios de agitação política e instabilidade. 
Como a maioria dos países africanos, as fronteiras territoriais são o produto de uma demarcação colonial europeia do século 19, chamada “Partilha da África”. O movimento de independência para se tornar livre do controle da França foi conduzido pelo partido União Democrática Voltaico (UDV). O líder do UDV, Maurice Yaméogo, se tornou o primeiro presidente do país. Depois de chegar ao poder, o presidente Yaméogo baniu todos os partidos políticos e declarou o país um Estado de partido único. O regime favoreceu as políticas francesas e de outros poderes ocidentais. 

O regime do UDV se tornou impopular, o que levou a um surto de instabilidade política em 1966 e o coronel Sangoulé Lamizana orquestrou um golpe militar bem-sucedido. Lamizana tomou o controle e permaneceu no poder pelos14 anos seguintes, primeiro com completo governo militar e então com um governo militar que incluía alguns civis com poder limitado. Protestos políticos liderados pelos sindicatos do país forçaram o regime a introduzir uma Constituição democrática em 1977. O país realizou uma eleição aberta em 1978 que Lamizana venceu. Essa eleição, como todas as eleições anteriores, não foi livre e justa. 

O país experimentou um segundo golpe militar quando o regime de Lamizana foi derrubado pelo coronel Saye Zerbo, em 1980. O regime de Zerbo foi impopular, enfrentou considerável oposição e durou apenas dois anos. Um conselho militar chamado de Conselho da Salvação Popular (CSP), liderado por Jean-Baptiste Ouédraogo, derrubou o regime de Zerbo em 1982. Após instabilidade política e conflitos internos, em 4 de agosto de 1983, o regime de Ouédraogo foi derrubado pela facção do CSP, liderada por Thomas Sankara e Blaise Compaoré. Sankara foi colocado como presidente da república. 

Em 1984, o presidente Sankara mudou o nome do país para Burkina Faso (“terra de homens honestos”). Sankara foi um dos líderes mais populares na África. Ele introduziu diversas reformas políticas e sociais que incluíram mais direitos para mulheres e trabalhadores. Entretanto, parece que suas políticas econômicas socialistas foram impopulares entre potências ocidentais, e ele foi morto em um golpe liderado por Blaise Compaoré, em 1987. 

O governo militar de Blaise Compaoré era ditatorial e impopular entre as pessoas. A oposição ao regime foi recebida por represálias violentas e muitos líderes da oposição foram presos, mortos, torturados e forçados a deixar o país. A oposição chegou ao auge da revolta em 2014, o que forçou Compaoré a deixar o país em outubro de 2014, após 27 anos no poder. Após um breve período de transição, houve outro golpe militar em setembro de 2015. Entretanto, os líderes do golpe concordaram em transferir o poder para um governo civil por meio de eleições. Uma eleição democrática foi realizada em novembro de 2015 e Roch Kaboré se tornou o primeiro presidente democraticamente eleito de Burkina Faso. 

Eleições gerais ocorreram em Burkina Faso em 22 de novembro de 2020 para eleger presidente e Assembleia Nacional. As eleições se deram à sombra da violência jihadista, que tirou mais de duas mil vidas apenas em 2020. Nas eleições presidenciais, o presidente em exercício, Roch Kaboré, do Movimento Popular para o Progresso, foi reeleito no primeiro turno com 57,7% dos votos. 

Cristãos no país fizeram enormes contribuições, por exemplo, ao levar o país à independência e em todos outros esforços para estabilizar o país. Ao mesmo tempo, principalmente nos últimos anos, cristãos são visados por jihadistas que estão crescendo em influência no Sahel. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

O país está em um período de transição, se movendo em direção à democracia após anos de turbulência política e ditadura militar. De acordo com a Constituição de 2012, Burkina Faso é um Estado secular e garante os direitos de indivíduos para escolher, praticar e mudar a religião à vontade. As leis permitem que todas as organizações e religiões se registrem com o Ministério de Administração Territorial, Descentralização e Segurança Interna. 

A atual Constituição foi aprovada em 1991 e já foi alterada diversas vezes desde então. A última emenda, em 2012, estabeleceu um sistema semipresidencial. O presidente é eleito a cada cinco anos e escolhe o primeiro-ministro com a aprovação do Parlamento. A legislatura do país tem duas câmaras, com a Assembleia Nacional como a câmara baixa e o Senado como a câmara alta. A Assembleia Nacional consiste em 111 membros eleitos. 

O país fez um progresso significativo rumo à democracia após a transferência de poder em 2015. A liberdade política e a situação dos direitos humanos também melhoraram bastante. Uma eleição geral ocorreu em Burkina Faso em novembro de 2015, a primeira eleição nacional desde a rebelião e saída do presidente Blaise Compaoré, que governou Burkina Faso por 27 anos. Quatorze partidos políticos diferentes compuseram os assentos da Assembleia Nacional na eleição de 2015. A Corte Constitucional do país aprovou uma lei que previne qualquer associado com o antigo regime a concorrer para o cargo. O presidente Roch Kaboré venceu as eleições presidenciais em novembro de 2020 com uma maioria absoluta. Apesar do aumento da atividade islâmica militante, eleições nacionais se provaram possíveis. 

De acordo com a Economist Intelligence Unit, embora grandes partes do país permaneçam disputadas entre grupos jihadistas, milícias étnicas e forças de segurança, é provável que Burkina Faso experimente significativa instabilidade política durante 2020-2021. Em julho de 2021, devido ao fato de militantes islâmicos criarem desafios enormes para o país, o presidente reorganizou seu gabinete e assumiu o papel de ministro da Defesa, além da presidência. 

CENÁRIO RELIGIOSO 

Burkina Faso é um país de maioria muçulmana na região do Sahel, na África. Muçulmanos são dominantes no Norte e Leste do país, enquanto os cristãos estão concentrados na área central e Sul do país. Seguidores de religiões tradicionais nativas dominam a região Sul. Historicamente, Burkina Faso tem experimentado uma história de coexistência harmoniosa entre os diferentes grupos religiosos. 

A Constituição de 2012 garante liberdade de religião e o princípio de separação entre igreja e Estado. O governo exige que todos os grupos religiosos se registrem para funcionarem no país. Além disso, o governo não financia escolas religiosas, que operam de forma independente. Entretanto, houve campanhas e sentimento anticristão propagado por militantes islâmicos. De acordo com o World Christian Database (WCD) 2021, 19,7% da população segue religiões africanas tradicionais.  

Muitos cristãos e muçulmanos no país também misturam a fé com várias formas de crenças e práticas. Por exemplo, alguns cristãos continuam adotando a poligamia. Entretanto, houve um declínio notável no número de adesão às religiões tradicionais nos últimos anos. Cristãos ex-muçulmanos são o grupo cristão mais perseguido no país. Membros da família e comunidade os rejeitam e tentam forçá-los a renunciar à fé cristã. Eles têm medo de expressar a fé em público por causa de tais ameaças.  

 A conversão não é proibida pela lei, entretanto, muitos muçulmanos se opõem a ela e é arriscado para cristãos discutirem a fé com membros da família pelo medo da estigmatização e de serem tratados como forasteiros. Principalmente os cristãos ex-muçulmanos enfrentam reações hostis se discutem a fé com os outros. Além disso, entre outros riscos estão se encontrar com outros cristãos e usar imagens ou símbolos cristãos. 

Em algumas escolas onde líderes, e às vezes donos, são predominantemente muçulmanos, os alunos de todos os tipos, incluindo cristãos, enfrentam pressão para receberem ensinamentos islâmicos. Famílias cristãs também encontram dificuldade para criar os filhos de acordo com suas convicções religiosas. Cristãos ex-muçulmanos perdem direito à herança. Todos os grupos cristãos têm que deixar claro que não celebrarão casamentos ou feriados cristãos em áreas sujeitas a ataques jihadistas. 

Apesar do fato de o país ser oficialmente secular e cristãos serem mais de 20% da população, igrejas em Burkina Faso ainda têm medo devido à ameaça de ataques imprevisíveis e restrições sociais em muitas partes do país. Elas são monitoradas de perto por grupos militantes e líderes comunitários. Autoridades locais hostis à fé cristã fazem o possível para impedir programas da igreja em público.  

Burkina Faso experimentou diversos ataques islâmicos nos últimos anos, especialmente na região Norte e, ocasionalmente, na capital. Isso pode ser visto como tentativa violenta de “islamizar” o país. O grupo Ansar ul Islam foi formado em 2016 e tenta impor suas leis no Norte do país com formas violentas e não violentas. Há também o Nusrat al-Islam wal Muslim operando no país e que tem laços com grupos militantes locais. Atualmente, eles parecem estar mais focados no combate à presença francesa e países aliados à França. Seus pregadores influenciam os jovens a culpar a França pela infelicidade e corrupção das morais por causa do Ocidente.    

CENÁRIO ECONÔMICO 

Burkina Faso é um dos países menos desenvolvidos no mundo. Aproximadamente 80% das pessoas são dependentes de agricultura de subsistência. Algodão permanece a principal exportação, seguido pelo ouro. O aumento nos preços do ouro fez subir a renda de exportação do país. Apesar do progresso feito nas últimas duas décadas, o país ainda enfrenta muitos desafios de desenvolvimento, principalmente em termos de saúde e educação.  

Burkina Faso se classifica em 144º entre 157 países no Índice de Capital Humano do Banco Mundial e cerca de 40,1% da população ainda vive abaixo da linha da pobreza nacional. O país permanece vulnerável a choques climáticos relacionados a mudanças nos padrões de chuva e flutuação nos preços de suas mercadorias de exportação nos mercados mundiais. Sua economia e desenvolvimento social dependerão da estabilidade política no país e na sub-região, abertura ao comércio internacional e diversidade nas exportações.  

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Bem como outros países na região, a crise da COVID-19 foi a principal mudança que o país enfrentou em 2020. De fato, Burkina Faso foi um dos primeiros países africanos a relatar diversos casos de infectados. O que exacerbou o problema no país é que enquanto o governo focou em combater a disseminação do vírus, militantes islâmicos tiraram vantagem da situação para realizar ataques. 

A violência doméstica, o casamento infantil e a prática de mutilação genital feminina permanecem frequentes. Diversas políticas do governo foram introduzidas para combater o casamento infantil, mas a ampla aceitação social dessa prática torna seu combate desafiador. De acordo com uma pesquisa recente, cerca de metade das mulheres entre 15 e 24 anos acha normal que um homem bata na esposa em determinadas circunstâncias. A violência doméstica comprovadamente aumentou devido a pressões adicionais e estresse causado pela pandemia da COVID-19. Ambientes urbanos são reconhecidamente mais favoráveis para o empoderamento da mulher comparado ao ambiente rural, embora oportunidades econômicas e políticas permaneçam limitadas em todo o país.

Na história recente, a região do Sahel foi dominada por Estados islâmicos como o Império de Mali e o Reino Mossi. Embora governantes muçulmanos controlassem esses reinos, a maioria da população manteve suas crenças tradicionais. Por exemplo, ainda no século 19, a maioria das pessoas não era muçulmana. O cristianismo foi introduzido durante o período colonial francês, e a maioria dos cristãos hoje são descendentes de seguidores de religiões tradicionais africanas. 

O cristianismo chegou ao país em 1896 com os franceses. A Sociedade dos Missionários da África entrou no país em 1900 e abriu a primeira missão em Uagadugu em 1901. Em 1922, uma ordem católica nativa, chamada Irmãs Negras da Imaculada Conceição, foi formada. Em 1955, a Igreja Católica decidiu fazer em Uagadugu uma arquidiocese. 

Os protestantes chegaram ao país no começo dos anos 1920. Missionários da Assembleia de Deus se tornaram ativos em Uagadugu em 1921 e abriram uma escola bíblica em 1933. Em 1923, a Aliança Cristã e Missionária começou um trabalho em Dioulasso. 

A partir de meados do século 20, muitas igrejas nativas e novas denominações apareceram. O Templo Apostólico foi a primeira congregação nativa independente na capital. A Federação das Igrejas Evangélicas e Missões, a primeira associação cooperativa cristã, foi criada em 1961 por evangélicos conservadores. 

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