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População cristã

Como é a perseguição aos cristãos em Burkina Faso?
Burkina Faso sofreu um amplo colapso na autoridade estatal. Essa insegurança permitiu que extremistas islâmicos dominassem áreas do país e cometessem violência livremente. Esses grupos governam como um tipo de quase-governo, com pouca oposição.
Líderes religiosos extremistas incentivam as comunidades a serem hostis aos cristãos. Por consequência, igrejas foram queimadas e forçadas a fechar, casas de cristãos foram destruídas e seus negócios foram saqueados. Comunidades cristãs enfrentam ameaças e ataques violentos, obrigando os moradores a deixarem suas casas. Qualquer pessoa que abandone o islã para seguir a Jesus é especialmente vulnerável a ameaças e violência.
“Eu não conseguia orar, porque, quando orava, chorava. Mas quando chorava, orava com lágrimas.”
Pastor John (pseudônimo), que teve a comunidade atacada e o filho morto por extremistas em Burkina Faso
Como as mulheres são perseguidas em Burkina Faso?
Mulheres e meninas cristãs são especialmente vulneráveis a sequestro, estupro, casamento forçado e pressão para se converter ao islã. Em áreas controladas por grupos extremistas, elas têm pouca proteção governamental, ficando expostas à violência sexual. Filhas de líderes cristãos de origem muçulmana são particularmente visadas, e as convertidas podem enfrentar prisão domiciliar e casamento forçado.
Como os homens são perseguidos em Burkina Faso?
Homens e meninos correm risco de sequestro e ataques violentos, muitas vezes fatais, por grupos extremistas. Incidentes direcionados aos homens desestabilizam igrejas e famílias, pois eles são geralmente os principais provedores. Pastores estão especialmente em risco de serem mortos, e meninos podem ser recrutados à força para grupos armados.
O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos em Burkina Faso?
A Portas Abertas serve a igreja em Burkina Faso por meio de treinamento para resistir à perseguição, apoio socioeconômico, cuidados pós-trauma e discipulado. Por trás desse trabalho está a visão de ver a igreja responder biblicamente à perseguição, capacitando espiritualmente seus membros e cuidando dos mais afetados.
Como posso ajudar os cristãos perseguidos em Burkina Faso?
Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para o projeto da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos que enfrentam maiores necessidades.
Quem persegue os cristãos em Burkina Faso?
O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos em Burkina Faso são: opressão islâmica, corrupção e crime organizado, paranoia ditatorial e opressão do clã.
Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentos ou não violentos, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo.

Pedidos de oração de Burkina Faso
- Desde o golpe militar ocorrido em 2022, Burkina Faso está sob um governo militar. As promessas de retorno ao governo civil ainda não se concretizaram. Ore por estabilidade e para que o povo de Burkina Faso seja amparado pelas autoridades.
- Extremistas islâmicos continuam realizando ataques periódicos. Clame para que eles encontrem a verdade de Jesus e abandonem seus objetivos violentos.
- Peça a Deus que conforte e supra todas as necessidades dos cristãos que foram deslocados ou que perderam entes queridos em razão da violência.
- Interceda pelos parceiros da Portas Abertas no cuidado com os cristãos deslocados internos. Peça a Deus que abençoe esses esforços e espalhe o evangelho por Burkina Faso.
Mais informações sobre o país
HISTÓRIA DE BURKINA FASO
Burkina Faso está localizado na região do Sahel, no Oeste Africano. Por volta do século 15, cavaleiros conquistadores invadiram a região a partir do Sul e fundaram os reinos de Gurma e Mossi. A França obteve o protetorado sobre o império Yatenga em 1895, enquanto os gurmas aceitaram o protetorado em 1897. Os franceses dividiram o país em círculos administrativos, mas mantiveram seus chefes nas posições tradicionais. Em 1932, ele foi dividido entre Costa do Marfim, Níger e Sudão Francês.
O país era conhecido como Alto Volta e conquistou a independência em 1960. Durante sua história de pós-independência, Burkina Faso passou por diversos episódios de agitação política e instabilidade.
Como a maioria dos países africanos, as fronteiras territoriais são o produto de uma demarcação colonial europeia do século 19, chamada “Partilha da África”. O movimento de independência para se tornar livre do controle da França foi conduzido pelo partido União Democrática Voltaico (UDV). O líder do UDV, Maurice Yaméogo, se tornou o primeiro presidente do país. Depois de chegar ao poder, o presidente Yaméogo baniu todos os partidos políticos e declarou o país um Estado de partido único. O regime favoreceu as políticas francesas e de outros poderes ocidentais.
O regime do UDV se tornou impopular, o que levou a um surto de instabilidade política em 1966 e o coronel Sangoulé Lamizana orquestrou um golpe militar bem-sucedido. Lamizana tomou o controle e permaneceu no poder pelos 14 anos seguintes, primeiro com completo governo militar e então com um governo militar que incluía alguns civis com poder limitado. Protestos políticos liderados pelos sindicatos do país forçaram o regime a introduzir uma Constituição democrática em 1977. O país realizou uma eleição aberta em 1978 que Lamizana venceu. Essa eleição, como todas as eleições anteriores, não foi livre e justa.
O país experimentou um segundo golpe militar quando o regime de Lamizana foi derrubado pelo coronel Saye Zerbo, em 1980. O regime de Zerbo foi impopular, enfrentou considerável oposição e durou apenas dois anos. Um conselho militar chamado de Conselho da Salvação Popular (CSP), liderado por Jean-Baptiste Ouédraogo, derrubou o regime de Zerbo em 1982. Após instabilidade política e conflitos internos, em 4 de agosto de 1983, o regime de Ouédraogo foi derrubado pela facção do CSP, liderada por Thomas Sankara e Blaise Compaoré. Sankara foi colocado como presidente da república.
Burkina Faso a partir de 1984, mais golpes e democracia
Em 1984, o presidente Sankara mudou o nome do país para Burkina Faso (“terra de homens honestos”). Sankara foi um dos líderes mais populares na África. Ele introduziu diversas reformas políticas e sociais que incluíram mais direitos para mulheres e trabalhadores. Entretanto, parece que suas políticas econômicas socialistas foram impopulares entre potências ocidentais, e ele foi morto em um golpe liderado por Blaise Compaoré, em 1987.
O governo militar de Blaise Compaoré era ditatorial e impopular entre as pessoas. A oposição ao regime foi recebida por represálias violentas e muitos líderes da oposição foram presos, mortos, torturados e forçados a deixar o país. A oposição chegou ao auge da revolta em 2014, o que forçou Compaoré a deixar o país em outubro de 2014, após 27 anos no poder. Após um breve período de transição, houve outro golpe militar em setembro de 2015. Entretanto, os líderes do golpe concordaram em transferir o poder para um governo civil por meio de eleições. Uma eleição democrática foi realizada em novembro de 2015 e Roch Kaboré se tornou o primeiro presidente democraticamente eleito de Burkina Faso.
Eleições gerais ocorreram em Burkina Faso em 22 de novembro de 2020 para eleger o presidente do país e a Assembleia Nacional. As eleições se deram à sombra da violência jihadista, que tirou mais de duas mil vidas apenas em 2020. Nas eleições presidenciais, o presidente em exercício, Roch Kaboré, do Movimento Popular para o Progresso, foi reeleito no primeiro turno com 57,7% dos votos.
Cristãos no país fizeram enormes contribuições, por exemplo, ao levar o país à independência e em todos outros esforços para estabilizar o país. Ao mesmo tempo, principalmente nos últimos anos, cristãos são visados por jihadistas que estão crescendo em influência no Sahel.
HISTÓRIA DA IGREJA EM BURKINA FASO
Na história recente, a região do Sahel foi dominada por Estados islâmicos como o Império de Mali e o Reino Mossi. Embora governantes muçulmanos controlassem esses reinos, a maioria da população manteve suas crenças tradicionais. Por exemplo, ainda no século 19, a maioria das pessoas não era muçulmana. O cristianismo foi introduzido durante o período colonial francês, e a maioria dos cristãos hoje são descendentes de seguidores de religiões tradicionais africanas.
O cristianismo chegou ao país em 1896 com os franceses. A Sociedade dos Missionários da África entrou no país em 1900 e abriu a primeira missão em Uagadugu em 1901. Em 1922, uma ordem católica nativa, chamada Irmãs Negras da Imaculada Conceição, foi formada. Em 1955, a Igreja Católica decidiu fazer uma arquidiocese em Uagadugu.
Os protestantes chegaram ao país no começo dos anos 1920. Missionários da Assembleia de Deus se tornaram ativos em Uagadugu em 1921 e abriram uma escola bíblica em 1933. Em 1923, a Aliança Cristã e Missionária começou um trabalho em Dioulasso.
A partir de meados do século 20, muitas igrejas nativas e novas denominações apareceram. O Templo Apostólico foi a primeira congregação nativa independente na capital. A Federação das Igrejas Evangélicas e Missões, a primeira associação cooperativa cristã, foi criada em 1961 por evangélicos conservadores.
CONTEXTO DE BURKINA FASO
Burkina Faso é um país de maioria muçulmana na região do Sahel, na África. Muçulmanos são dominantes no Norte e Leste do país, enquanto os cristãos estão concentrados na área central e Sul do país. Seguidores de religiões tradicionais nativas dominam a região Sul. Historicamente, Burkina Faso tem experimentado um contexto de coexistência harmoniosa entre os diferentes grupos religiosos.
A Constituição de 2012 garante liberdade de religião e o princípio de separação entre igreja e Estado. O governo exige que todos os grupos religiosos se registrem para funcionarem no país. Além disso, o governo não financia escolas religiosas, que operam de forma independente. Entretanto, houve campanhas e sentimento anticristão propagado por militantes islâmicos.
Muitos cristãos e muçulmanos no país também misturam a fé com várias formas de crenças e práticas. Por exemplo, alguns cristãos continuam adotando a poligamia. Entretanto, houve um declínio notável no número de adesão às religiões tradicionais nos últimos anos. Cristãos de origem muçulmana são o grupo cristão mais perseguido no país. Membros da família e comunidade os rejeitam e tentam forçá-los a renunciar à fé cristã. Eles têm medo de expressar a fé em público por causa de tais ameaças.
A conversão não é proibida pela lei, entretanto, muitos muçulmanos se opõem a ela e é arriscado para cristãos discutirem a fé com membros da família pelo medo da estigmatização e de serem tratados como forasteiros. Principalmente os cristãos de origem muçulmana enfrentam reações hostis se discutem a fé com os outros. Também é arriscado se encontrar com outros cristãos e usar imagens ou símbolos cristãos.
Em algumas escolas onde líderes, e às vezes donos, são predominantemente muçulmanos, os alunos de todos os tipos, incluindo cristãos, enfrentam pressão para receberem ensinamentos islâmicos. Famílias cristãs também encontram dificuldade para criar os filhos de acordo com suas convicções religiosas. Cristãos de contexto muçulmano perdem direito à herança. Todos os grupos cristãos têm que deixar claro que não celebrarão casamentos ou feriados cristãos em áreas sujeitas a ataques jihadistas.
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