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Mali

ML
Mali
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, corrupção e crime organizado, opressão do clã
  • Capital: Bamako
  • Região: Oeste Africano
  • Líder: Assimi Goita
  • Governo: República semipresidencialista
  • Religião: Islamismo, cristianismo, animismo e ateísmo
  • Idioma: Francês, mais 13 idiomas locais, dentre os quais bambara é o predominante
  • Pontuação: 70


POPULAÇÃO
20,9 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
476 MIL

Como é a perseguição aos cristãos no Mali? 

Há dez anos, igrejas foram queimadas e os cristãos forçados a fugir quando grupos extremistas islâmicos assumiram o controle da região norte do Mali. Embora alguns seguidores de Jesus tenham voltado para o território com proteção policial, há áreas onde não há cristãos.  

O trauma perdura na população e a ameaça de ataques ainda paira sobre os cristãos, tornando o evangelismo arriscado. Essas atividades podem chamar a atenção dos jihadistas, e os missionários cristãos vivem com medo de sequestro. 

 Qualquer um que se converte do islã corre o risco de enfrentar violência e pressão dos familiares caso a fé seja descoberta. O Norte do Mali também não é seguro para organizações não governamentais. 

“Mais de uma vez, minha família enviou jihadistas à minha casa para nos matar [ou pelo menos nos intimidar]. Os planos deles nunca funcionaram. Mas um dia, enquanto meu marido estava em uma viagem de negócios, ele foi morto a tiros. Ele foi morto pela fé e por se casar com uma ex-muçulmana. Seus colegas me deram a terrível notícia. [Mesmo agora], eu não tenho ideia do que aconteceu com o corpo dele.” 

Naomi (pseudônimo), cristã ex-muçulmana no Mali 

O que mudou este ano? 

A situação no Mali tornou-se complexa e está mais difícil distinguir claramente se os atos de violência são baseados em intolerância religiosa ou étnica. Os cristãos locais enfrentam muita pressão e hostilidade. Apesar da violência ter diminuído ligeiramente desde a Lista Mundial da Perseguição 2021, a comunidade aumentou a ameaça contra os seguidores de Jesus e as igrejas.  

Quem persegue os cristãos no Mali? 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Mali são: opressão islâmica, corrupção e crime organizado e opressão de clã.  

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos no Mali são: líderes religiosos não cristãos, grupos religiosos violentos, redes criminosas, cidadãos e quadrilhas, parentes, oficiais do governo, líderes de grupos étnicos.   

Quem é mais vulnerável à perseguição no Mali? 

Os cristãos que vivem na região norte do Mali são alvos constantes dos ataques de jihadistas e de extremistas fulanis. Existem também pequenos focos de perseguição extra na parte sul do país, principalmente contra os cristãos ex-muçulmanos  

Como as mulheres são perseguidas no Mali? 

Assim como os ataques de extremistas islâmicos persistiram nos últimos anos no Mali, as ameaças de sequestros e casamentos forçados de mulheres e meninas cristãs também continuaram. As meninas podem enfrentar perseguição indireta se o pai for morto ou não conseguir encontrar emprego por causa da fé em Jesus. Assim, elas podem sentir que não têm outra escolha a não ser se casar com um muçulmano ou até mesmo se prostituir.  

O Mali tem a maior taxa de casamento infantil do mundo, com 54% das meninas casadas até os 18 anos. Se uma mulher casada com um muçulmano deixar o islã, ela será rejeitada pela família, que considera o ato como uma grande vergonha. Para reduzir esse estigma, o marido muçulmano pode facilmente divorciar-se da recém-convertida e ficar com a guarda dos filhos. Se uma mulher é expulsa de casa por causa da fé, ela pode ser tolerada, mas não será sustentada ou alimentada. 

As cristãs convertidas no Mali são vulneráveis a ameaças, violências física e sexual e até mesmo morte, pois estão sujeitas às ações de membros da comunidade ou da família indignados. Apesar das leis nacionais protegerem as mulheres que deixam o islã, as práticas tradicionais e culturais prevalecem nas comunidades mais remotas.  

Como os homens são perseguidos no Mali? 

Homens e meninos cristãos no Mali estão particularmente sujeitos a ataques físicos violentos por causa da fé. Eles também são vulneráveis ao recrutamento por grupos extremistas, em que são convertidos à força ao islã. Isso acontece principalmente em áreas remotas do Norte do país.  

Os cristãos também podem ser sequestrados pelos jihadistas e mortos. Como consequência, as famílias e as igrejas são enfraquecidas pela falta do líder. Outro problema enfrentado é a perseguição da comunidade e dos familiares, que resulta em rejeição social, perda de direito a herança e perda de acesso a ajuda governamental para educação.  

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos no Mali? 

Em parceria com a igreja local, a Portas Abertas serve cristãos vulneráveis no Mali, fornecendo Bíblias, treinando pastores e seguidores de Jesus nos vários aspectos da vida cristã e do ministério e oferecendo ajuda socioeconômica aos cristãos perseguidos. Por meio de parceiros locais, a Portas Abertas também auxilia no treinamento de preparação para a perseguição, distribuição de Bíblias e alfabetização.

Como posso ajudar os cristãos perseguidos no Mali?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio a cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, você oferece socorro a cristãos no Oeste Africano atingidos pela violência. 

Pedidos de oração do Mali 

  • Interceda pela estabilidade e pela normalização da vida no Mali, que são essenciais para suprimir grupos extremistas e devolver paz às comunidades. 
  • Clame pelos cristãos deslocados internamente por causa da violência na parte norte, eles estão tentando começar a vida após perderem tudo. Peça que Deus conforte os corações e os fortaleça por meio do ministério cristão.  
  • Ore pelos parceiros locais que encontram e ministram aos cristãos mais necessitados. Que tenham sabedoria para dar aconselhamento pós-trauma, distribuir Bíblias e preparar os irmãos e irmãs para a perseguição. Que eles recebam discernimento para interagir com as pessoas e avaliar as necessidades.

Um clamor pelo Mali 

Senhor Jesus, existem cristãos deslocados no Mali que clamam de lugares que nunca pensaram que viveriam. Que eles recebam algo novo do Senhor hoje. Abençoe-os com comunhão e supra todas as necessidades. Ajude os líderes do governo do Mali a retomar o controle do país e agir de maneira sábia para impedir que os grupos extremistas ameacem a paz da nação. Abra os olhos de nossos parceiros locais para enxergar todos os cristãos necessitados e oriente-os enquanto eles levam alívio e refrigério. Em nome de Jesus, amém. 

Antes do surgimento do atual Mali, vários reinos e impérios floresciam no território onde hoje é o país. Após o Império Wassoulou ter sua curta duração, a França estabeleceu uma colônia chamada Sudão Francês em 1892. A administração colonial francesa chegou ao fim em 1960 e o Mali tornou-se independente. 

Depois de experimentar o governo de um só partido e governo militar por décadas, o Mali adotou uma nova Constituição em 1992 e fez uma transição bem-sucedida para a democracia. Antes do golpe, em março de 2012, que derrubou o governo maliano democraticamente eleito, o país foi considerado exemplar entre os países africanos por proteger as liberdades civis e os direitos políticos. 

A mídia, em particular, era vibrante e aberta e não estava sujeita a pressões ou restrições governamentais. Por exemplo, durante as eleições presidenciais de 2007, os resultados foram considerados válidos e houve pouca ou nenhuma violência eleitoral. Participaram 70 partidos nas eleições e o direito de voto foi estendido a todos os cidadãos do Mali. 

No entanto, em 2012, os rebeldes tuaregues, que estão ativos no Norte do Mali há vários anos, formaram uma aliança com islâmicos radicais, incluindo alguns combatentes estrangeiros, provenientes principalmente da Argélia. Eles invadiram as forças governamentais e assumiram o controle de várias cidades e uma grande parte do Norte do Mali. 

Consequentemente, um golpe militar derrubou a administração civil, mas ela foi restaurada após as eleições presidenciais de 2013, que foram ganhas por Ibrahim Boubacar Keïta, um veterano político e ex-primeiro-ministro. O governo maliano conseguiu repelir o avanço dos rebeldes e recuperar a maior parte do território ocupado com a ajuda das tropas francesas. 

Apesar de existirem choques ocasionais entre rebeldes e forças governamentais, a partir de 2013 um acordo de paz foi concluído entre os radicais e o governo. Assim, a ONU enviou uma força de paz de 12 mil pessoas chamada Missão Multidimensional de Estabilização Integrada no Mali. No entanto, o governo central ainda não conseguiu retomar o controle e afirmar sua autoridade sobre uma significativa porção do território maliano. Além desse problema político, o país enfrenta severos desafios econômicos relacionados ao alto índice de pobreza. A maioria das pessoas vive nas áreas remotas do país e enfrenta vários problemas ambientais, como rápida desertificação e falta de acesso à água.  

Em julho/agosto de 2018, o país passou por uma eleição presidencial bem-sucedida na qual o presidente Keïta conseguiu se reeleger. Apesar das alegações de fraude da oposição, isso pode ser visto como um desenvolvimento positivo no país, mas há um longo caminho a percorrer antes que o Mali seja considerado um “modelo para a democracia africana” novamente. 

O Conselho de Segurança da ONU aumentou o número de tropas de manutenção da paz no país e também expandiu seu mandato para permitir que elas tomassem ações militares mais robustas contra os grupos extremistas. A situação no Mali ainda é frágil e levará vários anos antes de haver paz e estabilidade no país. Em julho de 2019, o governo do Reino Unido também decidiu enviar tropas para combater militantes islâmicos no país. Com a proliferação de grupos jihadistas como o Estado Islâmico no Grande Saara, o vasto território do Mali, que não está sob efetivo controle do governo, está se tornando um santuário para radicais islâmicos que são uma ameaça para a segurança de toda a região.  

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Contradizendo o histórico positivo do Mali sobre as liberdades civis e os direitos políticos, até 2012 havia grandes inconsistências sobre como esses direitos eram aplicados nos dois terços do Norte do país, uma realidade que era frequentemente negligenciada por observadores estrangeiros. 

O poder político no Mali estava concentrado no um terço do Sul do país, dominado por tribos muçulmanas da África Subsaariana, como os songhai e os zerma, enquanto as tribos do Norte (ainda mais conservadoras), como os tuaregues e os árabes, eram muitas vezes deixadas fora do poder. 

Embora a discriminação contra os tuaregues e os árabes não fosse uma política oficial, na prática eles recebiam uma proporção menor de receitas e serviços do governo, que levaram os tuaregues a uma rebelião aberta intermitente ao longo de várias décadas. 

O país está situado na região do Sahel, na África Ocidental, onde há um vasto deserto e áreas áridas difíceis de controlar. Gangues criminosas usam isso como uma oportunidade para expandir suas atividades de transporte de substâncias ilegais para a Europa Ocidental. A maioria das organizações criminosas se aliou a grupos islâmicos radicais e perseguiu os cristãos. As ex-forças rebeldes tuaregues se tornaram uma quadrilha criminosa.  

A insegurança e a instabilidade que resultaram da guerra civil e os ataques terroristas perpetrados por militantes islâmicos são desafios importantes no cenário político atual. A menos que o acordo de paz entre os rebeldes e o governo seja totalmente implementado e as queixas dos tuaregues sejam abordadas no documento, é improvável uma melhoria na situação política no Mali, o que significará insegurança contínua e ansiedade para os cristãos no país. 

Devido ao seu melhor registro de liberdades democráticas e civis em comparação com outros países de maioria muçulmana na região — bem como a influência do sufismo — o Mali era um país relativamente tolerante para os cristãos. No entanto, a guerra civil e a oportunidade que ela proporcionou para grupos militantes islâmicos mudaram a situação e apresentam um sério risco e desafio para os cristãos. Esses grupos, como a Al-Qaeda do Magreb Islâmico (AQMI), ainda estão ativos, principalmente na região norte e têm como alvo as forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU).  

Como o Mali está localizado em uma das regiões que funcionam como viveiros de jihadistas, a situação no país não pode ser vista isoladamente, pois faz parte do aumento geral da militância islâmica e do wahabismo em toda a região. Portanto, a trajetória da situação política e de segurança em toda a região é crucial para o futuro do Mali. Além disso, mesmo que o governo do Mali e outros estados regionais consigam esmagar a militância islâmica armada de grupos como a AQMI (Al-Qaeda do Magreb Islâmico), a radicalização da juventude e da sociedade em geral por esse grupo é um problema mais difícil de ser tratado e cria um ambiente hostil para os cristãos nos próximos anos. 

O principal desafio que os cristãos enfrentam hoje no Mali é a presença de grupos islâmicos radicais no país, que cria medo e insegurança entre os cristãos. Os militantes islâmicos continuam ativos no Mali, apesar do acordo de paz que foi assinado em 2015, e continuarão sendo uma ameaça nos próximos anos. O acordo de paz é muito frágil, e o governo e as forças de manutenção de paz da ONU ainda não conseguem estabelecer a autoridade do governo em algumas partes do país. Apesar de todos os desafios que a nação enfrentou nos últimos anos, conseguiu realizar uma eleição presidencial relativamente pacífica e bem-sucedida em 2018.  

As altamente contestadas eleições no verão de 2018 foram concluídas com a reeleição de Ibrahim Boubakar Keïta para o segundo mandato presidencial. Dado que essa eleição exigiu um segundo turno e que seu principal oponente alegou que a eleição foi manipulada, o mandato e a legitimidade de Keïta não parecem ser muito robustos. Isso, por sua vez, pode dificultar sua capacidade de enfrentar efetivamente os desafios políticos e de segurança que seu governo enfrenta. 

O envolvimento do governo francês nas questões políticas do país tem sido um grande problema para o Mali. Embora o país tenha exigido sua independência meio século atrás, a França continua a influenciar suas decisões políticas. Por exemplo, a França foi o primeiro país a enviar tropas para conter a rebelião tuaregue. 

CENÁRIO RELIGIOSO 

O Mali é um país predominantemente muçulmano (88,7% da população) e a maioria é adepta do islamismo malikita, que é uma versão da religião influenciada pelo sufismo (corrente mística e contemplativa do islamismo). O país, como é típico em outros Estados da África Ocidental, sempre foi dominado pelo islã (de forma moderada) e por um sistema político constitucionalmente secular que proíbe partidos políticos religiosos. 

Essa vertente é moderada e tolerante com outras religiões. No Norte do Mali, especialmente entre os tuaregues, a influência de versões mais radicais do islamismo cresceu nos últimos anos. Há também uma presença significativa de etno-religiosos ou animistas no país. Além da parte norte do país, que sempre foi problemática para os cristãos, esses desfrutavam de bastante liberdade na sociedade maliana, o que também permitia a presença de missionários cristãos estrangeiros.  

A situação mudou quando a criação do estado independente de Azawad, no Norte do Mali, foi proclamada em abril de 2012. Os islâmicos, a maioria dos quais podem ser identificados como wahabis, logo estabeleceram um sistema de Estado islâmico com um rigoroso regime da sharia (conjunto de leis islâmicas) no Norte. A maioria dos cristãos fugiu antes que os muçulmanos assumissem o controle. Enquanto isso, eles destruíram igrejas e outros edifícios cristãos. A igreja no Sul do Mali também foi afetada negativamente pela crescente visibilidade de vários grupos wahabis. Embora os rebeldes e o governo tenham chegado a um acordo de paz e haja forças de manutenção internacionais, a radicalização islâmica na sociedade do Mali continua pressionando (e prejudicando fisicamente) a vida dos cristãos e de suas igrejas.  

Estima-se que 89% da população seja muçulmana, de acordo com dados do World Christian Database (WCD). Grupos radicais islâmicos das tribos árabes e os tuaregues no Norte do Mali têm pouco respeito pelas práticas religiosas influenciadas pelos sufistas. Eles chegaram a destruir os santuários dos sufistas, datados do século 13, em Timbuktu, quando controlaram a cidade em 2012. 

Quando grupos islâmicos radicais assumiram o controle da parte norte do país em 2012, as igrejas foram queimadas e os cristãos tiveram de fugir. O deslocamento de cristãos ainda afeta aqueles que perderam suas casas e cujas igrejas foram destruídas. Embora alguns cristãos e congregações tenham retornado ao Norte sob proteção policial, ainda vivem sob a ameaça de ataques de radicais. As atividades evangelísticas no Norte são especialmente arriscadas e podem levar a relativos ataques de muçulmanos radicais.  

Os muçulmanos malianos tendiam a ser moderados e tolerantes com outras crenças religiosas. Também havia um alto nível de tolerância em relação aos cristãos ex-muçulmanos durante o período colonial. No entanto, essa tolerância foi desvanecendo com o passar do tempo e agora é altamente perigoso ser conhecido como cristão ex-muçulmano. Embora a maioria dos cristãos no Mali viva no Sul do país, eles têm passado por pressão crescente, como resultado da ameaça de atividades dos militantes islâmicos no Norte. 

Os missionários cristãos que operam no Mali também vivem sob constante ameaça de sequestro e alguns realmente foram sequestrados por jihadistas. Cristãos ex-muçulmanos estão à mercê da violência e da pressão de familiares caso a conversão seja descoberta. A região norte do país também é insegura para as ONGs que lá operam.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

O Mali é um dos países menos desenvolvidos do mundo e encontra-se classificado na 184ª posição entre 188 países no Índice de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) da ONU.  

A maior parte do território maliano é árido ou semiárido, tornando uma parcela significativa do país inadequada para a agricultura. No entanto, o Mali, como seus vizinhos, tem uma economia baseada na agricultura de subsistência, incluindo arroz, sorgo e gado. O Mali também é rico em ouro e outros minerais. Embora o país dependa da ajuda externa, inclusive do Banco Mundial e outros doadores internacionais, a França é o principal parceiro comercial. 

O Mali tinha fortes laços com a Rússia, incluindo pessoas da elite do governo sendo treinadas no país, como Dioncounda Traoré, que atuou como presidente de abril de 2012 a setembro de 2013, após o golpe militar. No entanto, a Rússia já não tem uma forte presença econômica no país. 

CONTEXTO SOCIOCULTURAL 

O Mali é um dos países mais ricos da África em termos de história e cultura. É o lar de Timbuktu, um dos mais antigos centros comerciais e intelectuais do mundo e que foi classificado como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1988. O site da UNESCO diz: “Fundado no século 5, o apogeu econômico e cultural de Timbuktu surgiu durante os séculos 15 e 16. Era um importante centro de difusão da cultura islâmica com a Universidade de Sankore, com 180 escolas corânicas e 25 mil estudantes. Era um importante mercado onde o comércio de manuscritos era realizado, e também o de sal de Teghaza, no Norte, e ouro, gado e grãos no Sul”. Agora foi “colocado na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo por causa de ameaças relacionadas a conflitos armados”. 

O país possui uma variedade de grupos étnicos com diferentes idiomas. De acordo com o site do World Atlas: bambara compõe 34% da população, fulani 15%, sarakole 11%, senufo 11%, dogon 9%, malinke 9%, bobo 3%, songhai 2%, tuaregue 1% e outros grupos étnicos 5%. A expectativa de vida média dos malianos é de 59,9 a taxa de alfabetização de adultos é de 33,1%. 

Embora a maioria da população seja muçulmana, ainda mescla as crenças islâmicas com várias formas de bruxaria e feitiçaria. O atual movimento wahabi está tentando “purificar” o islã dessas práticas tradicionais. Muitos malianos cristãos também combinam práticas tribais com a crença cristã. A maioria dos líderes tribais ou étnicos das partes remotas do país são hostis em relação a muçulmanos ou cristãos que se oponham a essas práticas e tem havido combates entre líderes tribais e cristãos em alguns casos. 

A área que hoje é chamada de Mali foi dominada por vários impérios e reinos muçulmanos antes da colonização francesa. Principalmente a região norte do país era predominantemente muçulmana e havia alguns seguidores de religiões africanas tradicionais em algumas partes do Sul. 

Foi a “Padres Brancos”, uma ordem missionária católica romana, que levou o cristianismo para o Mali em 1895. No entanto, o crescimento do cristianismo no Mali foi muito lento. A maioria dos cristãos de hoje são descendentes de muçulmanos e animistas que se converteram ao cristianismo durante o período colonial. Foi somente em 1936 que o primeiro padre católico romano africano foi ordenado e apenas em 1962 o primeiro bispo maliano foi consagrado. Os protestantes chegaram ao país em 1919 através da União Missionária do Evangelho (GMU, da sigla em inglês) dos Estados Unidos, seguidos da Aliança Cristã e Missionária, em 1923. 

REDE ATUAL DE IGREJAS 

As comunidades cristãs históricas ativas no Mali incluem a Igreja Católica Romana e um número significativo de denominações protestantes. Dentre os 5% de malianos cristãos, a maioria pertence a comunidades cristãs históricas. Os cristãos que vivem no Sul do país desfrutam de relativa liberdade de religião em comparação com o Norte. No entanto, apesar do grau e da intensidade de ameaça de ataques de extremistas islâmicos serem maiores no Norte, os que vivem no Sul também enfrentam ameaças de ataques e sequestros. 

O Mali tem um pequeno número de igrejas pentecostais e carismáticas, encontradas principalmente no Sul do país. Devido ao seu estilo de culto e ao fato de serem mais engajadas no evangelismo, essas comunidades são mais plausíveis de atrair a ira e a hostilidade da sociedade. 

Pequenas comunidades de cristãos ex-muçulmanos são encontradas, principalmente, entre os povos bozo e dogon, mas há também ex-muçulmanos que vivem em outras partes do país. Cristãos ex-muçulmanos enfrentam vários graus de pressão de membros da família e vizinhos para renunciarem à fé em Cristo. 

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