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Mali

ML
Mali
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, hostilidade etno-religiosa, corrupção e crime organizado
  • Capital: Bamako
  • Região: Oeste Africano
  • Líder: Bah Ndaw
  • Governo: República semipresidencialista
  • Religião: Islamismo, cristianismo, animismo e ateísmo
  • Idioma: Francês, mais 13 idiomas locais, dentre os quais bambara é o predominante
  • Pontuação: 67


POPULAÇÃO
20,2 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
467 MIL

Como é a perseguição aos cristãos no Mali? 

Quando grupos extremistas islâmicos assumiram o controle da parte norte do país em 2012, igrejas foram incendiadas e cristãos foram forçados a fugir. O deslocamento que aconteceu ainda afeta os cristãos que perderam as casas e cujas igrejas foram destruídas. Embora alguns cristãos e congregações tenham retornado ao Norte sob proteção policial, eles ainda vivem sob a ameaça de ataque de militantes islâmicos.  

Atividades evangélicas no Norte são especialmente arriscadas e podem levar a ataques de extremistas islâmicos. Missionários cristãos que operam no Mali também vivem sob a constante ameaça de sequestro e alguns foram de fato sequestrados por jihadistas. Se a conversão do islamismo ao cristianismo for descoberta, os cristãos correm o risco de violência (especialmente no Norte) e pressão dos familiares.  

Mesmo no Sul do país, onde os cristãos gozam de mais liberdade religiosa, as ameaças de grupos extremistas islâmicos aumentaram. Além disso, o golpe no final do verão de 2020 deu continuidade à agitação política no Mali, deixando a porta aberta para que elementos extremistas se enraizassem em lugares sem uma liderança forte.  

Os extremistas também usaram a incerteza da pandemia da COVID-19 para afirmar mais controle em algumas partes do Mali, um dos países mais pobres da África. Como esses grupos geralmente visam particularmente os cristãos, essa é uma tendência preocupante para os cristãos, embora ainda não esteja claro o que a liderança provisória do país significará para a liberdade religiosa.   

“Mais de uma vez, minha família enviou jihadistas à minha casa para nos matar [ou pelo menos nos intimidar]. Os planos deles nunca funcionaram. Mas um dia, enquanto meu marido estava em uma viagem de negócios, ele foi morto a tiros. Ele foi morto pela fé, e por se casar com uma ex-muçulmana. Seus colegas me deram a terrível notícia. [Mesmo agora], eu não tenho ideia do que aconteceu com o corpo dele.” 

Naomi, cristã ex-muçulmana no Mali 

O que mudou este ano? 

Mali subiu uma posição na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2021 em comparação com LMP 2020. A perseguição continua muito alta no Mali, particularmente a perseguição violenta, que aumentou no ano passado. Em 2020, ataques de jihadistas deixaram dezenas de cristãos mortos. O risco de violência para os seguidores de Jesus no Mali é muito real.  

Quem persegue os cristãos no Mali? 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Mali são: opressão islâmica, hostilidade etno-religiosa, corrupção e crime organizado. 

Já as “fontes de perseguição são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos no Mali são: líderes religiosos não cristãos, grupos religiosos violentos, líderes de grupos étnicos, redes criminosasparentes, cidadãos e quadrilhas.  

Quem é mais vulnerável à perseguição no Mali? 

Os cristãos com maior risco no Mali são aqueles que vivem em áreas do Norte, amplamente controladas por grupos extremistas islâmicos. Todos os cristãos estão em risco nessas áreas, mas os cristãos ex-muçulmanos, particularmente, são alvo. Além disso, esses cristãos podem enfrentar mais pressão da comunidade e família, que veem a conversão como traição e fé em Jesus como algo que trará vergonha para a família ou sociedade ao redor.   

Como as mulheres são perseguidas no Mali? 

No Mali, muitas mulheres ex-muçulmanas são especialmente vulneráveis ao abuso sexual, divórcio forçado e, quase sistematicamente, casamento forçado. Isso é particularmente comum no Norte do Mali. Embora existam leis nacionais para proteger mulheres e meninas em geral, as práticas tradicionais e culturais, bem como as normas de gênero, tornam as mulheres mais vulneráveis a esse tipo de abuso. Sequestrar meninas cristãs e forçá-las a se casar com muçulmanos é uma tática comum usada por extremistas islâmicos para espalhar o islã.  

Quando os pais são separados dos filhos, são mortos ou ocorre perda da renda de subsistência, algumas meninas cristãs sentem que não têm outra opção a não ser recorrer à prostituição para sobreviver. As viúvas também são particularmente vulneráveis. Como resultado de tais práticas, algumas cristãs são traumatizadas e perdem a confiança nas autoridades; sua fé às vezes também pode ser afetada.  

Como os homens são perseguidos no Mali? 

Homens e meninos cristãos no Mali estão particularmente sujeitos a ataques físicos violentos por causa da fé. A pobreza generalizada em um dos países mais pobres da África pode tornar muitos, particularmente homens e meninos, vulneráveis a manobras de recrutamento de grupos extremistas islâmicos. Aqueles que vivem em áreas rurais e remotas são especialmente suscetíveis ao recrutamento forçado por grupos violentos. 

Jovens cristãos são submetidos a sequestro, conversão forçada e recrutamento por milícias no Norte do país. Isso tem um efeito devastador nas famílias e colegas cristãos, que ficam traumatizados por tal perseguição. Na tentativa de proteger os meninos cristãos, eles podem ser separados dos pais e transferidos para áreas mais seguras, mas isso muitas vezes cria outros desafios.  

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos no Mali? 

Em parceria com a igreja local, a Portas Abertas serve cristãos vulneráveis no Mali, fornecendo Bíblias, treinando pastores e seguidores de Jesus nos vários aspectos da vida cristã e do ministério, e oferecendo ajuda socioeconômica aos cristãos perseguidos. Por meio de parcerias locais, a Portas Abertas também auxilia no treinamento de preparação para a perseguição, distribuição de Bíblias e alfabetização. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente.



Pedidos de oração do Mali 

  • Interceda pelos cristãos que ainda tentam reconstruir as casas, igrejas e vidas depois de serem forçados a fugir em 2012. Muitas áreas continuam instáveis, e os seguidores de Jesus correm risco de violência. 
  • Ore pelo governo interino que assumiu o país em meados de 2020. Para que os novos líderes lutem e defendam a liberdade religiosa para pessoas de todas as crenças, e que eles ajudem o Mali a sair da crise da COVID-19 com justiça e liberdade. 
  • Peça a Deus pelos grupos extremistas islâmicos que visam os cristãos no Mali, para que amoleça seus corações e lhes dê ouvidos para ouvir e olhos para ver a glória de seu evangelho e graça. 
  • Clame pelos cristãos malianos que estão exaustos simplesmente de viver sob constantes ameaças, discriminação e perseguição. Ore para que esses cristãos sejam renovados pelo Espírito Santo, e que o Espírito avive a chama da fé deles.  

Um clamor pelo Mali 

Pai celestial, oramos pelo seu povo no Mali. Pedimos que o sustente e lhe dê coragem. Pedimos que alivie o sofrimento dos feridos, dê esperança aos desesperados e forneça descanso para os cansados. Oramos para que proteja nossos irmãos e irmãs que correm o risco de serem atacados, e também para que mude os corações daqueles que atacam os cristãos. Sabemos que o Senhor é o único que pode fazer isso, e pedimos tudo isso em nome de Jesus. Amém.   

Antes do surgimento do atual Mali, vários reinos e impérios floresciam no território onde hoje é o país. Após o Império Wassoulou ter sua curta duração, a França estabeleceu uma colônia chamada Sudão Francês em 1892. A administração colonial francesa chegou ao fim em 1960 e o Mali tornou-se independente.

Depois de experimentar o governo de um só partido e governo militar por décadas, o Mali adotou uma nova Constituição em 1992 e fez uma transição bem-sucedida para a democracia. Antes do golpe que derrubou o governo maliano, democraticamente eleito em março de 2012, o país foi considerado exemplar entre os países africanos por proteger as liberdades civis e os direitos políticos.

A mídia, em particular, era vibrante e aberta e não estava sujeita a pressões ou restrições governamentais. Por exemplo, durante as eleições presidenciais de 2007, os resultados foram considerados válidos e houve pouca ou nenhuma violência eleitoral. Participaram 70 partidos nas eleições e o direito de voto foi estendido a todos os cidadãos do Mali.

No entanto, em 2012, os rebeldes tuaregues, que estão ativos no norte do Mali há vários anos, formaram uma aliança com islâmicos radicais, incluindo alguns combatentes estrangeiros, provenientes principalmente da Argélia. Eles invadiram as forças governamentais e assumiram o controle de várias cidades e uma grande parte do norte do Mali.

Consequentemente, um golpe militar derrubou a administração civil, mas ela foi restaurada após as eleições presidenciais de 2013, que foram ganhas por Ibrahim Boubacar Keïta, um veterano político e ex-primeiro-ministro. O governo maliano conseguiu repelir o avanço dos rebeldes e recuperar a maior parte do território ocupado com a ajuda das tropas francesas.

Apesar de existirem choques ocasionais entre rebeldes e forças governamentais, a partir de 2013 um acordo de paz foi concluído entre os radicais e o governo. Assim, a ONU enviou uma força de paz de 12 mil pessoas chamada Missão Multidimensional de Estabilização Integrada no Mali. No entanto, o governo central ainda não conseguiu retomar o controle e afirmar sua autoridade sobre uma significativa porção do território maliano. Além desse problema político, o país enfrenta severos desafios econômicos relacionados ao alto índice de pobreza. A maioria das pessoas vive nas áreas remotas do país, e enfrentam vários problemas ambientais, como rápida desertificação e falta de acesso à água. Em julho/agosto de 2018, o país passou por uma eleição presidencial bem-sucedida em que o presidente Keïta conseguiu se reeleger. Apesar das alegações de fraude da oposição, isso pode ser visto como um desenvolvimento positivo no país, mas há um longo caminho a percorrer antes que o Mali possa ser considerado um “modelo para a democracia africana” novamente.

No período de pesquisa da LMP 2020, muitos ataques foram conduzidos por militantes islâmicos. As milícias fulani também cometeram atrocidades. A Human Rights Watch noticiou em 7 de dezembro de 2018: "Milícias étnicas mataram mais de 200 civis e queimaram dezenas de vilarejos em violência comunitária no centro do Mali durante 2018. A maioria das vítimas são aldeões da etnia peuhl, alvos de Dogon e Bambara por seu suposto apoio a grupos armados islâmicos ligados à Al-Qaeda”. Tensões étnicas também aumentaram ainda mais os conflitos religiosos.

A área que hoje é chamada de Mali foi dominada por vários impérios e reinos muçulmanos antes da colonização francesa. Principalmente a região norte do país era predominantemente muçulmana e havia alguns seguidores de religiões africanas tradicionais em algumas partes do sul.

Foi a “Padres Brancos”, uma ordem missionária católica romana, que levou o cristianismo para o Mali em 1895. No entanto, o crescimento do cristianismo no Mali foi muito lento. A maioria dos cristãos de hoje são descendentes de muçulmanos e animistas que se converteram ao cristianismo durante o período colonial. Foi somente em 1936 que o primeiro padre católico romano africano foi ordenado e apenas em 1962 o primeiro bispo maliano foi consagrado. Os protestantes chegaram ao país em 1919 através da União Missionária do Evangelho (GMU) dos Estados Unidos, seguidos da Aliança Cristã e Missionária, em 1923.

REDE ATUAL DE IGREJAS

As comunidades cristãs históricas ativas no Mali incluem a Igreja Católica Romana e um número significativo de denominações protestantes. Dentre os 5% de malianos cristãos, a maioria pertence a comunidades cristãs históricas. Os cristãos que vivem no sul do país desfrutam de relativa liberdade de religião em comparação com o norte. No entanto, apesar do grau e da intensidade de ameaça de ataques de extremistas islâmicos serem maiores no norte, os que vivem no sul também enfrentam ameaças de ataques e sequestros.

O Mali tem um pequeno número de igrejas pentecostais e carismáticas, encontradas principalmente no sul do país. Devido ao seu estilo de culto e ao fato de serem mais engajados no evangelismo, essas comunidades são mais plausíveis de atrair a ira e a hostilidade da sociedade.

Pequenas comunidades de cristãos ex-muçulmanos são encontradas, principalmente, entre os povos bozo e dogon, mas há também convertidos que vivem em outras partes do país. Cristãos ex-muçulmanos enfrentam vários graus de pressão de membros da família e vizinhos para renunciar à fé em Cristo.

O Mali é um dos países mais ricos da África em termos de história e cultura

Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

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