
Tipo de perseguição
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População cristã

Como é a perseguição aos cristãos no Mali?
Alguns seguidores de Jesus no Mali enfrentam uma perseguição tão severa que não conseguem viver em grandes regiões do país. Nessas áreas, extremistas islâmicos atacam cristãos com violência, sequestros e incêndios de igrejas. Pastores evangélicos e adoradores são especialmente vulneráveis, frequentemente acusados de serem agentes do Ocidente.
O crime organizado e a corrupção sistêmica tornam a ameaça ainda pior. Extremistas islâmicos exploram rotas de contrabando, mineração ilegal e redes de clientelismo (troca de favores por apoio político), criando zonas sem lei onde cristãos – especialmente em áreas rurais – ficam expostos e indefesos.
Sob regime militar, a repressão estatal piorou. Líderes cristãos e ativistas que ousam se manifestar enfrentam vigilância, intimidação e detenção arbitrária. Cristãos de origem muçulmana são especialmente vulneráveis; muitas vezes são alvo de extremistas e sofrem pressão da família e da comunidade.
“Quero voltar ao campo missionário porque a seara é grande e os trabalhadores são poucos.”
Pastor Enock (pseudônimo), cristã deslocado no Mali
Como as mulheres são perseguidas no Mali?
Cristãs enfrentam sequestro e casamento forçado por militantes islâmicos. As que deixam o islã para seguir a Jesus são ainda mais vulneráveis: podem sofrer assédio, ameaças, abuso sexual, violência física e até assassinato. As solteiras podem ser forçadas a se casar, e as casadas, a se divorciar, às vezes perdendo a guarda de seus filhos. Se forem expulsas da casa da família por seguirem a Jesus, sua vulnerabilidade aumenta devido à falta de apoio.
Como os homens são perseguidos no Mali?
Homens cristãos são alvo de ameaças de morte e ataques físicos violentos por extremistas. Os que vivem em áreas remotas correm risco de sequestro, morte e recrutamento forçado por grupos violentos. Meninos cristãos podem ser separados dos pais e levados para áreas mais seguras para proteção.
Ataques direcionados a casas e negócios cristãos são usados para empobrecer famílias e enfraquecer comunidades. Os cristãos de origem muçulmana sofrem pressão por meio de rejeição social ou acesso reduzido a empregos ou educação. Os casados também podem ser forçados a se divorciar.
O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos no Mali?
Por meio de parceiros locais, a Portas Abertas apoia cristãos malineses com treinamento para responder biblicamente à perseguição e projetos de fortalecimento econômico.
Como posso ajudar os cristãos perseguidos no Mali?
Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para o projeto da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos que enfrentam maiores necessidades.
Quem persegue os cristãos no Mali?
O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Mali são: opressão islâmica, corrupção e crime organizado, opressão do clã e paranoia ditatorial.
Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo.

Pedidos de oração do Mali
- Clame por paz e segurança à população do Mali, que enfrenta uma instabilidade política.
- Ore por proteção aos cristãos que enfrentam violência e deslocamento por grupos associados ao Estado Islâmico e à Al-Qaeda.
- Interceda por fortalecimento e provisão aos parceiros locais da Portas Abertas no Mali que ajudam cristãos deslocados.
- Peça pelo fim de grupos extremistas e que os militantes tenham um encontro real com Jesus.
Mais informações sobre o país
HISTÓRIA DO MALI
Antes do surgimento do atual Mali, vários reinos e impérios floresciam no território onde hoje é o país. A partir do século 4, o comércio de exportação de ouro, escravos, marfim, almíscar e goma arábica se moveu ao longo das rotas das caravanas transaarianas, do vale do rio Níger ao Norte da África por quase mil anos. Eventualmente, novas rotas de comércio de ouro e escravos foram estabelecidas, mas essas foram direcionadas para a costa, onde os europeus estabeleceram postos de comércio.
A maior parte do século 19 foi caracterizada pela expansão colonial francesa do Senegal, no Oeste, e pelas jihads islâmicas (guerras religiosas) que levaram ao estabelecimento de estados teocráticos. Após o Império Wassoulou ter sua curta duração, a França estabeleceu uma colônia chamada Sudão Francês em 1892. A administração colonial francesa chegou ao fim em 1960 e o Mali tornou-se independente.
Período pós-independência, democracia e golpes
Depois de experimentar o governo de um só partido e governo militar por décadas, o Mali adotou uma nova Constituição em 1992 e fez uma transição bem-sucedida para a democracia. Até março de 2012, quando um golpe militar derrubou o governo maliano democraticamente eleito, o país era considerado exemplar entre os países africanos por proteger as liberdades civis e os direitos políticos.
A mídia, em particular, era vibrante e aberta e não estava sujeita a pressões ou restrições governamentais. Por exemplo, durante as eleições presidenciais de 2007, os resultados foram considerados válidos e houve pouca ou nenhuma violência eleitoral. Participaram 70 partidos nas eleições e o direito de voto foi estendido a todos os cidadãos do Mali.
No entanto, em 2012, os rebeldes tuaregues, que estão ativos no Norte do Mali há vários anos, formaram uma aliança com islâmicos radicais, incluindo alguns combatentes estrangeiros, provenientes principalmente da Argélia. Eles invadiram as forças governamentais e assumiram o controle de várias cidades e uma grande parte do Norte do Mali.
Consequentemente, um golpe militar derrubou a administração civil, mas ela foi restaurada após as eleições presidenciais de 2013, que foram ganhas por Ibrahim Boubacar Keïta, um veterano político e ex-primeiro-ministro. O governo maliano conseguiu repelir o avanço dos rebeldes e recuperar a maior parte do território ocupado com a ajuda das tropas francesas. Apesar de existirem choques ocasionais entre rebeldes e forças governamentais, a partir de 2013 um acordo de paz foi concluído entre os radicais e o governo.
Assim, a ONU enviou uma força de paz de 12 mil pessoas, chamada Missão Multidimensional de Estabilização Integrada no Mali. No entanto, o governo central ainda não conseguiu retomar o controle e afirmar sua autoridade sobre uma significativa porção do território maliano. Além desse problema político, o país enfrenta severos desafios econômicos relacionados ao alto índice de pobreza. A maioria das pessoas vive nas áreas remotas do país e enfrenta vários problemas ambientais, como rápida desertificação e falta de acesso a água.
Em julho e agosto de 2018, o país passou por uma eleição presidencial bem-sucedida na qual o presidente Keïta conseguiu se reeleger. Apesar das alegações de fraude da oposição, isso pode ser visto como um desenvolvimento positivo. Entretanto, em junho e julho de 2020, o presidente enfrentou a oposição de manifestantes que exigiram sua renúncia. Em 18 de agosto de 2020, o presidente Keïta foi deposto por um grupo de soldados autointitulado Comissão Nacional para a Salvação do Povo. A ONU, União Africana e líderes regionais condenaram o golpe, mas os líderes do golpe alegaram ter salvado o país de entrar em caos e confirmaram que preparariam eleições dentro de um período de tempo razoável. Em maio de 2021, o líder do golpe de 2020, o coronel Assimi Goïta, assumiu o poder, subvertendo assim qualquer progresso alcançado.
CONTEXTO DO MALI
O país, como é típico em outros Estados da África Ocidental, sempre foi dominado pelo islã (de forma moderada) e por um sistema político constitucionalmente secular que proíbe partidos políticos religiosos. Além da parte norte do país, onde a minoria cristã sempre enfrentou discriminação da maioria muçulmana, cristãos costumavam desfrutar de razoável liberdade na sociedade, o que também permitia a presença de missionários cristãos estrangeiros.
Muçulmanos no Mali têm uma reputação de serem moderados e tolerantes com outras crenças religiosas. Houve também um alto nível de tolerância com relação a convertidos ao cristianismo durante o período colonial. Essa tolerância, entretanto, acabou com o passar do tempo e agora é altamente perigoso ser conhecido como cristão de origem muçulmana. Tanto cristãos quanto muçulmanos no Mali tendem a combinar sua fé com crenças animistas nativas, já que há uma presença significativa de religiões étnicas ou animistas no país. Embora a maioria dos cristãos vivam no Sul do país, eles estão sob pressão cada vez maior como resultado da ameaça das atividades islâmicas radicais no Norte.
Cerca de 88,9% da população é muçulmana e a maioria é adepta do islamismo malikita, que é uma versão da religião influenciada pelo sufismo (corrente mística e contemplativa do islamismo). Essa vertente do islamismo é moderada e tolerante com outras religiões.
Domínio do radicalismo islâmico no Norte do país
No Norte do Mali, especialmente entre árabes e tuaregues, a influência de versões mais radicais do islamismo cresceu nos últimos anos. Essas versões mais radicais têm pouco respeito por práticas religiosas influenciadas pelo sufismo, como se tornou evidente na destruição do templo sufista do século 13 em Timbuktu, quando grupos islâmicos radicais tomaram a cidade em 2012.
Os islâmicos, a maioria dos quais podem ser identificados como wahabis, estabeleceram um sistema de Estado islâmico com um rigoroso regime da sharia (conjunto de leis islâmicas) no Norte. A maioria dos cristãos fugiu antes que os muçulmanos assumissem o controle. Enquanto isso, eles destruíram igrejas e outros edifícios cristãos. A igreja no Sul do Mali também foi afetada negativamente pela crescente visibilidade de vários grupos wahabis. Embora os rebeldes e o governo tenham chegado a um acordo de paz e haja forças de manutenção internacionais, a radicalização islâmica na sociedade do Mali continua pressionando (e prejudicando fisicamente) a vida dos cristãos e de suas igrejas.
Quando grupos islâmicos radicais assumiram o controle da parte norte do país em 2012, as igrejas foram queimadas e os cristãos tiveram de fugir. O deslocamento de cristãos ainda afeta aqueles que perderam suas casas e cujas igrejas foram destruídas. Embora alguns cristãos e congregações tenham retornado ao Norte sob proteção policial, ainda vivem sob a ameaça de ataques de radicais. As atividades evangelísticas no Norte são especialmente arriscadas e podem levar a ataques de muçulmanos radicais.
Os missionários cristãos que operam no Mali também vivem sob constante ameaça de sequestro. Cristãos de origem muçulmana estão à mercê da violência (principalmente no Norte) e da pressão de seus parentes e familiares caso a conversão seja descoberta. A região norte do país também é insegura para as ONGs que operam lá.
Timbuktu, Patrimônio Mundial da UNESCO
O Mali é um dos países mais ricos da África em termos de história e cultura. É o lar de Timbuktu, um dos mais antigos centros comerciais e intelectuais do mundo e que foi classificado como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1988.
O site da UNESCO diz: “Fundado no século 5, o apogeu econômico e cultural de Timbuktu surgiu durante os séculos 15 e 16. Era um importante centro de difusão da cultura islâmica com a Universidade de Sankore, com 180 escolas corânicas e 25 mil estudantes. Era um importante mercado onde o comércio de manuscritos era realizado, e também o de sal de Teghaza, no Norte, e ouro, gado e grãos do Sul”. Agora foi “colocado na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo por causa de ameaças relacionadas a conflitos armados”.
HISTÓRIA DA IGREJA NO MALI
A área que hoje é chamada de Mali foi dominada por vários impérios e reinos muçulmanos antes da colonização francesa. Principalmente a região norte do país era predominantemente muçulmana e havia alguns seguidores de religiões africanas tradicionais em algumas partes do Sul.
Foi a Padres Brancos, uma ordem missionária católica romana, que levou o cristianismo para o Mali em 1895. No entanto, o crescimento do cristianismo no Mali foi muito lento. A maioria dos cristãos de hoje são descendentes de muçulmanos e animistas que se converteram ao cristianismo durante o período colonial. Foi somente em 1936 que o primeiro padre católico romano africano foi ordenado e apenas em 1962 o primeiro bispo maliano foi consagrado. Os protestantes chegaram ao país em 1919 através da União Missionária do Evangelho (GMU, da sigla em inglês) dos Estados Unidos, seguidos da Aliança Cristã e Missionária, em 1923.
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