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Mali

ML
Mali
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, corrupção e crime organizado, opressão do clã, paranoia ditatorial
  • Capital: Bamako
  • Região: Oeste Africano
  • Líder: Assimi Goïta
  • Governo: República semipresidencialista
  • Religião: Islamismo, cristianismo, animismo e ateísmo
  • Idioma: Francês, mais 13 idiomas locais, dentre os quais bambara é o predominante
  • Pontuação: 76


POPULAÇÃO
21,5 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
490 MIL

DOAR AGORA

R$

Como é a perseguição aos cristãos no Mali? 

Há cerca de dez anos, grupos extremistas islâmicos tomaram o controle do Norte do Mali, incendiaram igrejas e expulsaram a população cristã. A comunidade cristã nunca se recuperou completamente, e muitos cristãos perderam tudo durante aquela época. Cristãos na região ainda vivem com a ameaça de ataques violentos, principalmente se compartilharem o evangelho. O Mali é uma das nações mais pobres da África e casas, negócios e propriedades de cristãos ainda são alvos, mantendo-os na pobreza. 

Missionários cristãos e ONGs no Norte não podem atuar de forma segura, pois há um perigo real de serem atacados ou sequestrados por extremistas. 

O Mali tem passado por uma grande instabilidade política nos últimos anos, e o vácuo da liderança tem fortalecido os grupos extremistas islâmicos e expandido seu território. Isso tem colocado os cristãos em grande risco de violência em várias partes do país. Militantes islâmicos extremistas sequestram pessoas, incluindo cristãos, e os matam ou os mantêm em escravidão sexual. Outros são colocados sob pressão para se unir a grupos em que serão forçados a se converter ao islamismo e lutar. Alguns pais cristãos mandam os filhos para áreas mais seguras para tentar protegê-los. 

Se alguém de contexto islâmico se torna cristão e escapa da perseguição de extremistas, ainda enfrenta pressão de familiares para abrir mão da nova fé. Isso pode incluir divórcio, perda do apoio da família, isolamento social e até mesmo perda de acesso aos filhos.  

“Mais de uma vez, minha família enviou jihadistas à minha casa para nos matar [ou pelo menos nos intimidar]. Os planos deles nunca funcionaram. Mas um dia, enquanto meu marido estava em uma viagem de negócios, ele foi morto a tiros. Ele foi morto pela fé e por se casar com uma ex-muçulmana. Seus colegas me deram a terrível notícia. [Mesmo agora], eu não tenho ideia do que aconteceu com o corpo dele.” 

Naomi (pseudônimo), cristã ex-muçulmana no Mali 

O que mudou este ano? 

O Mali subiu diversas posições na Lista Mundial da Perseguição deste ano, isso foi devido ao aumento da pressão em muitas áreas diferentes. O governo vê o cristianismo como uma influência ocidental e ridiculariza isso. A ação dos jihadistas está expandindo e a situação geral no país está se deteriorando rapidamente. O país já passou por dois golpes no passado recente, o que ajudou os jihadistas a expandir seu poder e a tornar os cristãos alvos. Parece que o governo é efetivo nas cidades principais e as áreas de fora estão nas mãos (direta ou indiretamente) de jihadistas que convencem os jovens a se unirem a eles. A junta militar pediu ajuda aos mercenários russos – o Grupo Wagner. No entanto, o Grupo Wagner também faz civis de alvo, incluindo cristãos.  

Quem persegue os cristãos no Mali? 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Mali são: opressão islâmica, corrupção e crime organizado, opressão do clã, paranoia ditatorial.  

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos no Mali são: líderes religiosos não cristãos, grupos religiosos violentos, redes criminosas, cidadãos e quadrilhas, parentes, oficiais do governo, líderes de grupos étnicos.      

Quem é mais vulnerável à perseguição no Mali? 

Cristãos que se convertem do islamismo ao cristianismo são os mais vulneráveis em todo o Mali. Cristãos que vivem na parte Norte do Mali e em outras áreas onde grupos militantes islâmicos extremistas são ativos correm risco de perseguição violenta. 

Como as mulheres são perseguidas no Mali? 

Sequestrar meninas cristãs e forçá-las a se casar com muçulmanos é considerado por grupos extremistas uma forma efetiva de espalhar o islamismo. Mais de metade das meninas no Mali se casam antes dos 18 anos. 

As mulheres que se convertem do islamismo ao cristianismo são as mais suscetíveis a experimentar pressão e violência pela fé. Elas podem ser assediadas e ameaçadas, punidas com abuso sexual ou agressões, e algumas vezes, até mortas para supostamente proteger a “honra” da família. Mulheres jovens devem se casar com muçulmanos, enquanto mulheres casadas que deixam o islamismo podem facilmente se divorciar e perder o acesso aos filhos — principalmente no Norte do Mali onde há maior aderência à lei islâmica. Mulheres que são expulsas de casa e continuam vivendo perto da família podem não ter apoio ou não ser alimentadas, tornando-as extremamente vulneráveis. Há leis nacionais para proteger as mulheres nessas situações, mas elas são, muitas vezes, substituídas por práticas culturais. 

Mulheres cristãs experimentam rejeição social em uma cultura com uma norma islâmica. Se os pais delas são mortos ou perdem a renda por causa da perseguição, algumas meninas cristãs sentem que não têm outra opção para sobreviver, além da prostituição. Mulheres cujos maridos são mortos também podem ser forçadas a essa triste situação.   

Como os homens são perseguidos no Mali? 

Meninos e homens cristãos estão principalmente sujeitos a ameaças de morte e violência, além de sofrer ataques físicos por causa da fé, especialmente os de origem muçulmana. Homens que são casados podem ser separados das esposas muçulmanas. 

Ataques aos negócios cristãos podem manter homens e suas famílias na pobreza. Quando homens são sequestrados ou mortos, isso enfraquece a igreja no Mali e suas famílias cristãs. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos no Mali? 

A Portas Abertas trabalha por meio de parceiros locais no Mali para fornecer treinamento de preparação para a perseguição, programas de discipulado e projetos de desenvolvimento econômico. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos no Mali?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio a cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a perseguição é extrema e a necessidade é mais urgente.

 QUERO AJUDAR 

 

Pedidos de oração do Mali 

  • Interceda para que estabilidade, lei e ordem retornem ao Mali, com militantes extremistas recuando. 
  • Clame pelo trabalho dos parceiros da Portas Abertas que ajudam cristãos vulneráveis a sobreviver.   
  • Ore para que os novos cristãos tenham comunhão com outros cristãos e mantenham sua esperança e alegria. 

 

Um clamor pelo Mali 

Senhor Jesus, nós oramos para que o Senhor quebre o poder dos grupos extremistas violentos que destroem o futuro do Mali. Pedimos que os cristãos possam voltar para sua terra natal e viver em paz. Que os novos cristãos que se sentem sozinhos e vulneráveis reconheçam sua presença poderosa com eles hoje, e permita conexões maravilhosas com outros cristãos que sustentem e fortaleçam a fé deles. Amém. 

Antes do surgimento do atual Mali, vários reinos e impérios floresciam no território onde hoje é o país. A partir do século 4, o comércio de exportação de ouro e escravos, marfim, almíscar e goma arábica se moveu ao longo das rotas das caravanas transaarianas, do vale do rio Níger ao Norte da África por quase mil anos. Eventualmente, novas rotas de comércio de ouro e escravos foram estabelecidas, mas essas foram direcionadas para a costa, onde os europeus estabeleceram postos de comércio. 

A maior parte do século 19 foi caracterizada pela expansão colonial francesa do Senegal, no Oeste, e pelas jihads islâmicas (guerras religiosas) que levaram ao estabelecimento de estados teocráticos. Após o Império Wassoulou ter sua curta duração, a França estabeleceu uma colônia chamada Sudão Francês em 1892. A administração colonial francesa chegou ao fim em 1960 e o Mali tornou-se independente. 

Período pós-independência, democracia e golpes 

Depois de experimentar o governo de um só partido e governo militar por décadas, o Mali adotou uma nova Constituição em 1992 e fez uma transição bem-sucedida para a democracia. Até março de 2012, quando um golpe militar derrubou o governo maliano democraticamente eleito, o país era considerado exemplar entre os países africanos por proteger as liberdades civis e os direitos políticos. 

A mídia, em particular, era vibrante e aberta e não estava sujeita a pressões ou restrições governamentais. Por exemplo, durante as eleições presidenciais de 2007, os resultados foram considerados válidos e houve pouca ou nenhuma violência eleitoral. Participaram 70 partidos nas eleições e o direito de voto foi estendido a todos os cidadãos do Mali. 

No entanto, em 2012, os rebeldes tuaregues, que estão ativos no Norte do Mali há vários anos, formaram uma aliança com islâmicos radicais, incluindo alguns combatentes estrangeiros, provenientes principalmente da Argélia. Eles invadiram as forças governamentais e assumiram o controle de várias cidades e uma grande parte do Norte do Mali. 

Consequentemente, um golpe militar derrubou a administração civil, mas ela foi restaurada após as eleições presidenciais de 2013, que foram ganhas por Ibrahim Boubacar Keïta, um veterano político e ex-primeiro-ministro. O governo maliano conseguiu repelir o avanço dos rebeldes e recuperar a maior parte do território ocupado com a ajuda das tropas francesas. Apesar de existirem choques ocasionais entre rebeldes e forças governamentais, a partir de 2013 um acordo de paz foi concluído entre os radicais e o governo.  

Assim, a ONU enviou uma força de paz de 12 mil pessoas, chamada Missão Multidimensional de Estabilização Integrada no Mali. No entanto, o governo central ainda não conseguiu retomar o controle e afirmar sua autoridade sobre uma significativa porção do território maliano. Além desse problema político, o país enfrenta severos desafios econômicos relacionados ao alto índice de pobreza. A maioria das pessoas vive nas áreas remotas do país e enfrenta vários problemas ambientais, como rápida desertificação e falta de acesso à água.  

Em julho e agosto de 2018, o país passou por uma eleição presidencial bem-sucedida na qual o presidente Keïta conseguiu se reeleger. Apesar das alegações de fraude da oposição, isso pode ser visto como um desenvolvimento positivo. Entretanto, em junho e julho de 2020, o presidente enfrentou a oposição de manifestantes que exigiram sua renúncia. Em 18 de agosto de 2020, o presidente Keïta foi deposto por um grupo de soldados autointitulado Comissão Nacional para a Salvação do Povo. A ONU, União Africana e líderes regionais condenaram o golpe, mas os líderes do golpe alegaram ter salvado o país de entrar em caos e confirmaram que preparariam eleições dentro de um período de tempo razoável. Em maio de 2021, o líder do golpe de 2020, o coronel Assimi Goïta, assumiu o poder, subvertendo assim qualquer progresso alcançado. 

O país, como é típico em outros Estados da África Ocidental, sempre foi dominado pelo islã (de forma moderada) e por um sistema político constitucionalmente secular que proíbe partidos políticos religiosos. Além da parte norte do país, onde a minoria cristã sempre enfrentou discriminação da maioria muçulmana, cristãos costumavam desfrutar de razoável liberdade na sociedade, o que também permitia a presença de missionários cristãos estrangeiros. 

Muçulmanos no Mali têm uma reputação de serem moderados e tolerantes com outras crenças religiosas. Houve também um alto nível de tolerância com relação a convertidos ao cristianismo durante o período colonial. Essa tolerância, entretanto, acabou com o passar do tempo e agora é altamente perigoso ser conhecido como cristão de origem muçulmana. Tanto cristãos quanto muçulmanos no Mali tendem a combinar sua fé com crenças animistas nativas, já que há uma presença significativa de religiões étnicas ou animistas no país. Embora a maioria dos cristãos vivam no Sul do país, eles estão sob pressão cada vez maior como resultado da ameaça das atividades islâmicas radicais no Norte. 

Cerca de 88,9% da população é muçulmana e a maioria é adepta do islamismo malikita, que é uma versão da religião influenciada pelo sufismo (corrente mística e contemplativa do islamismo). Essa vertente do islamismo é moderada e tolerante com outras religiões.  

Domínio do radicalismo islâmico no Norte do país 

No Norte do Mali, especialmente entre árabes e tuaregues, a influência de versões mais radicais do islamismo cresceu nos últimos anos. Essas versões mais radicais têm pouco respeito por práticas religiosas influenciadas pelo sufismo, como se tornou evidente na destruição do templo sufista do século 13 em Timbuktu, quando grupos islâmicos radicais tomaram a cidade em 2012. 

Os islâmicos, a maioria dos quais podem ser identificados como wahabis, estabeleceram um sistema de Estado islâmico com um rigoroso regime da sharia (conjunto de leis islâmicas) no Norte. A maioria dos cristãos fugiu antes que os muçulmanos assumissem o controle. Enquanto isso, eles destruíram igrejas e outros edifícios cristãos. A igreja no Sul do Mali também foi afetada negativamente pela crescente visibilidade de vários grupos wahabis. Embora os rebeldes e o governo tenham chegado a um acordo de paz e haja forças de manutenção internacionais, a radicalização islâmica na sociedade do Mali continua pressionando (e prejudicando fisicamente) a vida dos cristãos e de suas igrejas.  

Quando grupos islâmicos radicais assumiram o controle da parte norte do país em 2012, as igrejas foram queimadas e os cristãos tiveram de fugir. O deslocamento de cristãos ainda afeta aqueles que perderam suas casas e cujas igrejas foram destruídas. Embora alguns cristãos e congregações tenham retornado ao Norte sob proteção policial, ainda vivem sob a ameaça de ataques de radicais. As atividades evangelísticas no Norte são especialmente arriscadas e podem levar a ataques de muçulmanos radicais.  

Os missionários cristãos que operam no Mali também vivem sob constante ameaça de sequestro. Cristãos de origem muçulmana estão à mercê da violência (principalmente no Norte) e da pressão de seus parentes e familiares caso a conversão seja descoberta. A região norte do país também é insegura para as ONGs que operam lá.  

Timbuktu, Patrimônio Mundial da UNESCO 

O Mali é um dos países mais ricos da África em termos de história e cultura. É o lar de Timbuktu, um dos mais antigos centros comerciais e intelectuais do mundo e que foi classificado como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1988.  

O site da UNESCO diz: “Fundado no século 5, o apogeu econômico e cultural de Timbuktu surgiu durante os séculos 15 e 16. Era um importante centro de difusão da cultura islâmica com a Universidade de Sankore, com 180 escolas corânicas e 25 mil estudantes. Era um importante mercado onde o comércio de manuscritos era realizado, e também o de sal de Teghaza, no Norte, e ouro, gado e grãos do Sul”. Agora foi “colocado na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo por causa de ameaças relacionadas a conflitos armados”. 

A área que hoje é chamada de Mali foi dominada por vários impérios e reinos muçulmanos antes da colonização francesa. Principalmente a região norte do país era predominantemente muçulmana e havia alguns seguidores de religiões africanas tradicionais em algumas partes do Sul. 

Foi a Padres Brancos, uma ordem missionária católica romana, que levou o cristianismo para o Mali em 1895. No entanto, o crescimento do cristianismo no Mali foi muito lento. A maioria dos cristãos de hoje são descendentes de muçulmanos e animistas que se converteram ao cristianismo durante o período colonial. Foi somente em 1936 que o primeiro padre católico romano africano foi ordenado e apenas em 1962 o primeiro bispo maliano foi consagrado. Os protestantes chegaram ao país em 1919 através da União Missionária do Evangelho (GMU, da sigla em inglês) dos Estados Unidos, seguidos da Aliança Cristã e Missionária, em 1923. 

Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

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