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Marrocos

MA
Marrocos
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, paranoia ditatorial
  • Capital: Rabat
  • Região: Norte da África
  • Líder: Mohammed VI
  • Governo: Monarquia constitucional
  • Religião: Islamismo, cristianismo, judaísmo, bahaí
  • Idioma: Árabe, línguas bérberes e francês
  • Pontuação: 69


POPULAÇÃO
37,8 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
31,3 MIL

DOAR AGORA

R$

Como é a perseguição aos cristãos no Marrocos? 

Em países do Norte da África, é crime “abalar a fé de um muçulmano”, o que indica que se um cristão falar com outra pessoa sobre Jesus, corre o risco de ser preso e processado. Com esse histórico legal, os cristãos marroquinos de origem muçulmana enfrentam intensas pressões para renunciar à fé. Eles também são punidos com a perda dos direitos de herança e custódia dos filhos. Em algumas circunstâncias, os seguidores de Jesus são presos e multados por ter uma Bíblia ou por discutir a fé cristã com um muçulmano.   

Mas não são apenas as leis contra o proselitismo que colocam os cristãos em risco. Os extremistas islâmicos ameaçam os seguidores de Jesus com ataques violentos. Na esfera pública, os cristãos se tornam alvo de interrogatório do governo, agressão física ou prisão. No trabalho, podem ser assediados por colegas ou são demitidos. Quando a fé se torna conhecida, muitos cristãos não conseguem mais emprego.  

A distribuição de materiais cristãos é restrita, e os cristãos podem sofrer pressão e violência se forem encontrados com algum material. Mesmo online, os cristãos correm o risco de assédio cibernético por causa da expressão da fé. A pressão das famílias e da sociedade pode forçar os cristãos ao isolamento ou deslocamento. As pressões sobre os cristãos tornam difícil estabelecer e manter qualquer comunhão com outros irmãos na fé.  

Se meu pai descobrisse [sobre minha fé], ele me mataria.  

Nadeen (pseudônimo), cristã ex-muçulmana no Marrocos 

O que mudou este ano? 

A violência contra os cristãos no Marrocos aumentou no período de pesquisa da Lista Mundia da Perseguição 2023, principalmente porque um número maior de igrejas, incluindo igrejas domésticas, foi atacado. A pressão é muito alta em muitas esferas de vida  

Quem persegue os cristãos no Marrocos? 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Marrocos são: opressão islâmica, paranoia ditatorial.  

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentos ou não violentos, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos no Marrocos são: oficiais do governo, líderes religiosos não cristãos, cidadãos e quadrilhas, parentes.

Quem é mais vulnerável à perseguição no Marrocos? 

Os cristãos de origem islâmica são mais vulneráveis à perseguição religiosa, principalmente nas áreas rurais que são mais conservadoras. A maioria deles se muda para áreas urbanas, onde é mais fácil escapar da pressão da família e da comunidade.  

Como as mulheres são perseguidas no Marrocos? 

As mulheres têm menos oportunidades econômicas do que os homens no Norte de África e são vistas como inferiores aos homens. Normalmente, elas dependem dos homens para sua segurança financeira. As cristãs são vulneráveis a agressão sexual como forma de punição. Isso não apenas traumatiza a vítima, mas também é considerado um desrespeito a sua honra pessoal e, por extensão, a de sua família. A ameaça de abuso sexual é usada para coagir as mulheres a voltarem ao islã.  

As mulheres cristãs geralmente não revelam a fé devido à gravidade das repercussões. Se forem casadas com um muçulmano, podem ser obrigadas a se divorciar, agredidas, expulsas de casa ou ter a guarda dos filhos negada. As solteiras podem ser confinadas em casa ou forçadas a se casar como uma “medida corretiva”. As cristãs que usam a internet como forma de combater o isolamento correm o risco de sofrer assédio virtual por se posicionarem como seguidoras de Jesus.   

Como os homens são perseguidos no Marrocos? 

Homens que deixam o islã para seguir a Jesus são vistos como uma vergonha para a família e, como resultado, podem ser excluídos do convívio familiar. Eles também têm o apoio financeiro cortado e a herança negada.  

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos no Marrocos? 

A Portas Abertas trabalha com parceiros locais e igrejas no Norte da África para fornecer treinamento de liderança, discipulado, socorro imediato, Bíblias e cuidado pastoral. 

Como posso ajudar cristãos perseguidos no Marrocos?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a perseguição é extrema e a necessidade é mais urgente.

QUERO AJUDAR

Pedidos de oração do Marrocos 

  • Interceda para que haja tolerância religiosa nos países do Norte da África e que os cristãos tenham a liberdade de se reunir. 
  • Peça pela provisão de Deus para os cristãos que tornaram a fé pública e perderam seus meios de sobrevivência. Que eles encontrem emprego e apoio de familiares e amigos. 
  • Clame pelo aprofundamento da fé dos cristãos no Norte da África, mesmo quando é difícil ter acesso a materiais cristãos e comunhão com outros cristãos.  

Um clamor pelo Marrocos 

Pai celestial, obrigado pelos corajosos cristãos no Norte da África que escolheram segui-lo apesar dos riscos. Incentive os que vivem a fé em segredo com o apoio de outros irmãos e acesso a Bíblias e livros cristãos. Restaure as relações familiares que foram quebradas e proteja aqueles que são ameaçados com violência física. Ajude também os parceiros da Portas Abertas a encontrar cristãos no Norte da África e apoiá-los com cuidado pastoral e oração. Amém. 

Muitos dos primeiros habitantes do Marrocos, os bérberes, adotaram o cristianismo ou o judaísmo, que foram introduzidos durante um breve período do governo romano. No final do século 7, invasores árabes do Leste trouxeram o islamismo, o que os bérberes aos poucos incorporaram. No século 16, invasores otomanos da Argélia tentaram adicionar o Marrocos ao império, ameaçando desse modo a independência do país. Porém, eles foram impedidos, deixando o Marrocos praticamente como o único país árabe a nunca experimentar o império otomano. 

No final do século 17, a identidade política e cultural do Marrocos como uma monarquia islâmica foi firmemente estabelecida. No fim dos séculos 18 e 19, quando a Europa estava preocupada com a revolução e a guerra continental, o Marrocos se retirou para um período de isolamento. 

Século 20: Protetorado francês e independência 

O sultão que subiu ao poder em 1909 se provou incapaz de controlar o país. A desordem aumentou ao ponto de o sultão ser forçado a pedir à França para lhe resgatar. Assim que eles o fizeram, o líder marroquino não teve escolha a não ser assinar o Tratado de Fez, em 30 de março de 1912, com o qual o Marrocos se tornou um protetorado francês. Isso durou até 1956, quando ganhou sua independência.  

Após a independência, o Marrocos estava pronto para tomar o controle de alguns territórios sob o protetorado espanhol, como o então chamado “Saara Ocidental”. Entretanto, o pedido de soberania do país sobre os antigos territórios controlados pela Espanha teve resistência da Frente Popular para Libertação de Saguia el Hamra e Río de Oro (Frente Polisário), que proclamou um estado independente chamado República Árabe Saarauí Democrática e conseguiu garantir o reconhecimento de alguns estados. 

Primavera árabe, eleições e reformas 

Depois das manifestações da Primavera Árabe, em 2011, o Marrocos também foi alcançado pelos ventos da liberdade e desejo por mudança econômica. Muitos jovens que se encontravam desempregados, mesmo após conseguirem um diploma na universidade, expressaram suas frustrações tomando as ruas. Respondendo a essas manifestações e pedidos por mudança, o governo organizou um referendo quanto a reformas constitucionais, que ocorreu em 1 de julho de 2011.  

Nas eleições ocorridas logo depois que essas reformas foram introduzidas, o Partido da Justiça e Desenvolvimento (islâmico) tem ganhado o maior número de assentos no parlamento, não permitindo a formação de coalizões governamentais. Por isso, o Marrocos pôde evitar a agitação política que envolveu o Norte da África. 

Entretanto, os islâmicos não conseguiram entregar qualquer mudança real e, nas eleições parlamentares de 2021, o Partido da Justiça e Desenvolvimento perdeu com uma grande margem. O partido monarquista liberal Encontro Nacional de Independentes ficou em primeiro, e seu líder bilionário, Aziz Akhannouch, foi nomeado como primeiro-ministro pelo rei. 

Na região do Rife, que fica no Nordeste do país, a principal população étnica bérbere se sente marginalizada e negligenciada pelo governo. Em anos anteriores, houve manifestações ocasionais nessa região. Em junho de 2018, alguns dos líderes dos protestos foram condenados a longas sentenças de prisão. Em agosto de 2018, durante a Festa do Sacrifício, o rei Mohammed VI perdoou cerca de 200 manifestantes presos. Entretanto, as sentenças contra outros 43 foram mantidas na Corte de Apelação em abril de 2019. Protestos recomeçaram em fevereiro de 2020 em Casablanca, mas devido às restrições da COVID-19 e divisões internas, as manifestações chegaram ao fim. 

O cristianismo chegou ao Marrocos durante o Império Romano e se tornou muito proeminente em áreas como Tânger, Rabat e Fez. O primeiro mártir cristão no Marrocos foi Marcellus (298 d.C.), em Tânger. No final do século 4, as áreas romanas do país eram solidamente cristãs e incursões eram feitas entre tribos bérberes, que, às vezes, se convertiam em massa. No mesmo século 4, foi também um dos países onde o donatismo e o arianismo se tornaram um dos principais pontos teológicos. No século 5, vândalos germânicos, vindos pela Espanha, conquistaram o Marrocos e trouxeram a versão ariana da fé cristã. Em 533 d.C., o Império Bizantino reconquistou o país e instaurou novamente a lei “romana”, os bispos ortodoxos e os padres. 

No século 7, o islamismo chegou ao Marrocos. Muitos cristãos foram forçados a se converter e o número de cristãos diminuiu devido a políticas de islamização. Em 1220, padres da Ordem Franciscana fizeram uma tentativa corajosa para reintroduzir o cristianismo e a diocese foi estabelecida em Marraquexe em 1234, mas só passou a funcionar em 1566. 

Missionários de outros países do Norte da África levaram a fé protestante para o país em 1884. A União Missionária do Evangelho e a Missão Emanuel Saara chegaram ao país em 1894 e 1926, respectivamente. Outras igrejas e movimentos seguiram, como os anglicanos, a Assembleia de Deus e os adventistas do sétimo dia. 

Durante o período colonial, católicos e protestantes adoravam livremente no país. Igrejas, hospitais, escolas e orfanatos foram construídos por colonos e como parte do trabalho da missão de muçulmanos. Missões protestantes tiveram início em 1884. 

No ano da independência, em 1956, o Marrocos era lar de 500 mil europeus e a Igreja Católica Romana era muito visível no país. Mas, hoje, a comunidade cristã expatriada consiste em apenas 5 mil membros. 

De acordo com Jack Wald, em “Cristianismo no Norte da África e Oeste da Ásia” (Edinburgh Companions to Global Christianity), a igreja nativa marroquina começou a emergir no final dos anos 1960, se encontrando em igrejas domésticas de missionários. Em 1984, a comunidade sofreu um grande contratempo quando o rei Hassan II forçou muitos cristãos marroquinos a negar a fé, após a suspeita de um golpe.  

Com a chegada do atual rei Mohammed VI ao trono, em 1999, uma década de relativa liberdade começou, com a permissão de igrejas domésticas, dessa vez com a maioria liderada por marroquinos. Entretanto, em março de 2010, cerca de 150 cristãos estrangeiros em todo o país foram deportados. Conforme divulgado, o país queria adotar uma linha-dura contra o proselitismo. Cristãos marroquinos também foram interrogados e se tornou claro que a polícia tinha informantes internos. Como resultado, muitas igrejas domésticas acabaram. Com o aumento da internet e das mídias sociais, novos movimentos começaram e diversos cristãos agora podem encontrar comunhão, mesmo se estiverem sozinhos e isolados. 

Mais de 99% da população é muçulmana, de maioria sunita, com os demais sendo agnósticos ou cristãos. O islamismo é a religião oficial do Estado. A comunidade de estrangeiros não muçulmanos pode praticar abertamente a fé. A maioria dos cristãos no Marrocos são católicos romanos e, em comparação com outros países do mundo árabe, o país pode ser caracterizado como um Estado tolerante quanto à religião. No entanto, o proselitismo com intenção de converter muçulmanos do islamismo para outra religião ainda é considerado ilegal. A população islâmica nas áreas rurais é conhecida por ser conservadora. A maioria dos ex-muçulmanos mora em áreas urbanas, onde é mais fácil escapar da pressão social e familiar.  

Comunidades cristãs expatriadas registradas desfrutam de considerável liberdade no Marrocos, desde que evitem interação com muçulmanos, o que pode ser interpretado como proselitismo. Nos últimos anos, particularmente em 2010, o governo deportou números significativos de cristãos expatriados argumentando que violavam disposições do Código Penal relacionadas ao proselitismo ou com argumentos mais vagos ainda, de que “ameaçavam a ordem pública”. Também houve casos recentes de cristãos condenados após acusações relacionadas ao proselitismo e posse de literatura cristã. 

Cristãos marroquinos, que se encontram principalmente em pequenas igrejas domésticas, estão cientes da intensa vigilância de suas atividades pelas autoridades. Uma autoridade religiosa, em 2002, aconselhou que apóstatas fossem sentenciados à morte. A revisão da decisão foi amplamente bem-recebida, especialmente por cristãos. Entretanto, há uma forte pressão familiar e social contra quem deixa o islamismo. Alguns, considerados apóstatas, são chamados aos tribunais, enfrentando sanções como divórcio forçado, perda de herança e custódia de filhos, e, em casos extremos, enfrentam respostas violentas de membros da família. 

Cristãos enfrentam diversas restrições, incluindo o confisco de literatura cristã em árabe, a proibição de colaborar com cristãos estrangeiros e o sério desafio de reconhecimento de lugares de adoração para cristãos de origem muçulmana. Os convertidos do islamismo enfrentam perseguição quando falam sobre a fé, por ser considerado proselitismo.  

O país é socialmente conservador e muçulmano, apesar de ter uma cultura árabe jovem e ser influenciado por uma grande população marroquina que vive na Europa. A expectativa de vida no Marrocos é de 76,7 anos e o índice geral de alfabetização de adultos é de 73,8%. A expectativa de educação para crianças é de 13,7 anos. 

Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

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