41

Moçambique

MZ
Moçambique
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, corrupção e crime organizado, opressão do clã, paranoia ditatorial
  • Capital: Maputo
  • Região: Sul e Leste da África
  • Líder: Filipe Jacinto Nyusi
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Cristianismo, islamismo
  • Idioma: Macua, português, inglês, tsonga, nianja, sena, iomwe, chuabo, cindau e xítsua
  • Pontuação: 65


POPULAÇÃO
33,2 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
18 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos em Moçambique? 

Para os cristãos em Moçambique, a opressão islâmica é a forma mais comum de perseguição. De acordo com um parceiro da Portas Abertas, os ataques islâmicos radicais eliminaram a vida de muitos seguidores de Jesus.  

A brutalidade dos jihadistas aumentou e um dos grupos extremistas tem ligações com o Estado Islâmico. Outro problema é a presença de cartéis de drogas em algumas áreas, que torna a vida dos cristãos que trabalham com jovens mais difícil.  

“Fiquei realmente abalada com a morte do meu marido. Nunca vi uma brutalidade como a dos radicais. O pior é que as crianças também são mortas ou sequestradas por esses grupos.”

Furaia (pseudônimo), cristã que viu o marido ser executado por radicais islâmicos

O que mudou este ano? 

Moçambique juntou-se ao Top50 da Lista Mundial da Perseguição (LMP) em 2021, depois que muitos cristãos morreram em ataques extremistas islâmicos. Na LMP 2022, a nação subiu várias colocações.  

Há um grupo afiliado ao Estado Islâmico tentando estabelecer um califado no país. Em nome desse objetivo, igrejas e escolas religiosas foram queimadas e milhares de pessoas foram forçadas a se deslocar da parte norte do país. Os ataques permitiram que a perseguição religiosa, que costumava ser limitada ao Norte de Moçambique, se espalhasse.

Os cartéis de drogas em algumas áreas tornaram mais difícil a vida dos cristãos que trabalham com jovens nas igrejas. A pressão sobre os cristãos em Moçambique também aumentou.  

Quem persegue os cristãos em Moçambique? 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos em Moçambique são: opressão islâmica, corrupção e crime organizado, opressão do clã e paranoia ditatorial.  

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos em Moçambique são: grupos religiosos violentos, cidadãos e quadrilhas, parentes, redes criminosas, líderes religiosos não cristãos, líderes de grupos étnicos, oficiais do governo.   

Quem é mais vulnerável à perseguição em Moçambique? 

A perseguição aos cristãos é mais severa na região norte, devido à ação de extremistas filiados ao Estado Islâmico. Eles realizam ataques violentos na tentativa de espalhar a influência deles e controlar a população. 

Como as mulheres são perseguidas em Moçambique? 

Mulheres e meninas cristãs em Moçambique podem ser assediadas, agredidas sexualmente e forçadas a se casar com militantes islâmicos. As famílias muçulmanas que suspeitam da conversão ao cristianismo tentarão forçá-las a se casar com um homem seguidor de Maomé para elas não se envolverem nas atividades da igreja. O trauma emocional do casamento provoca muita dor às cristãs.  

O sequestro de meninas e mulheres também é usado como uma ferramenta para violar a liberdade religiosa. As vítimas são submetidas a trabalhos forçados ou obrigadas a se casar com militantes islâmicos. Caso uma mulher casada se converta, ela pode ser obrigada a se divorciar, perder a custódia dos filhos e ter a herança negada.

Como os homens são perseguidos em Moçambique? 

Homens e meninos cristãos foram mortos em ataques jihadistas a propriedades do governo e de seguidores de Jesus. De acordo com especialistas da Portas Abertas, os incidentes violentos se tonaram comuns em províncias onde radicais islâmicos estão ativos. 

Durante a ação violenta, os homens cristãos perdem terras e propriedades, e as famílias deles ficam economicamente incapacitadas. Jovens e meninos também foram recrutados à força pelas milícias. No início de 2020, mais de 50 garotos foram supostamente assassinados por se recusarem a integrar grupos rebeldes.

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos em Moçambique? 

Por meio de treinamento e capacitação econômica, a Portas Abertas concentra-se no auxílio emergencial aos cristãos afetados pelo aumento da violência no Norte de Moçambique. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, você ajuda cristãos ex-muçulmanos com materiais para discipulado e os prepara para ficarem firmes em Jesus. 

Pedidos de oração de Moçambique 

  • Interceda para que as igrejas e os líderes cristãos tenham condições de suprir as necessidades das milhares de famílias deslocadas acolhidas. Peça que tenham compaixão e compreensão, especialmente em relação aos mais traumatizados e vulneráveis. Que Deus dê sabedoria para encontrarem a melhor forma de alcançar e apoiar os irmãos necessitados. 
  • Ore pelo desenvolvimento econômico do país. O desemprego e a falta de serviços básicos deixam os jovens desiludidos e, como resultado, muitos se juntam a grupos extremistas islâmicos.  
  • Ore para que o Senhor dê sabedoria e provisão para a Portas Abertas decidir a melhor forma de socorrer os cristãos. Que os parceiros locais sejam protegidos e abençoados durante as viagens em regiões instáveis.  

Um clamor por Moçambique 

Deus, oramos pelos seguidores de Jesus em Moçambique enquanto enfrentam a violência. Pedimos que o Senhor os proteja e os cure do trauma, e que tenham condições de ser sal e luz em ambiente perigoso. Em nome de Jesus, amém. 

Após quase cinco séculos como uma colônia portuguesa, Moçambique se tornou independente em 1975. Seguiu-se uma migração em larga escala, uma dependência econômica da África do Sul, uma seca severa e uma guerra civil prolongada, o que serviu para prejudicar o desenvolvimento do país até o meio dos anos 1990. 

O partido do governo, Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), formalmente abandonou o marxismo em 1989, e uma nova Constituição no ano seguinte garantiu eleições multipartidárias e uma economia de mercado livre. Um acordo de paz negociado pelas Nações Unidas entre a FRELIMO e as forças rebeldes da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) encerrou o conflito em 1992. Em 2004, Moçambique passou por uma transição delicada quando Joaquim Chissano renunciou depois de 18 anos no cargo de presidente. O sucessor eleito, Armando Guebuza, cumpriu dois mandatos e então passou o poder executivo para Filipe Nyusi, em 2015. 

Considerado por muito tempo como sendo uma história de sucesso no pós-conflito, Moçambique atualmente se encontra em um período de incerteza, com um passado político de progresso e atuais oportunidades econômicas ameaçadas por tensões não resolvidas. Após um período de reconstrução pós-guerra, o país desfrutou de constante e sólido progresso econômico. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) tem média entre 7 e 8% para a última década, e a descoberta de significativas reservas de carvão e gás tem levado a grandes investimentos estrangeiros. Mas mesmo com forte crescimento econômico e progresso político marcado por cinco eleições multipartidárias consecutivas, problemas como pobreza, desigualdade, corrupção e violência política persistem.  

A prosperidade econômica tem sido prejudicada desde o retorno da instabilidade política e violência em 2012. Naquele ano, as tensões renovadas entre a RENAMO e a FRELIMO questionaram o progresso político feito desde 1992, preocupando investidores e manchando a imagem do país como uma história de sucesso pós-guerra. As forças armadas restantes da RENAMO ocasionalmente têm se comprometido em um baixo nível de insurgência desde 2012, apesar de um cessar-fogo do final de dezembro de 2016 ser mantido até 2017. Combates surgiram novamente em 2019 quando a FRELIMO permaneceu no poder após o resultado das eleições. 

Enquanto isso, militantes islâmicos violentos têm atacado populações civis no Norte do país. Cristãos são fortemente afetados e têm fugido de casa para evitarem se tornar alvos de jihadistas. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Após a independência em 1975, a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) foi criada. O conflito interno durou em todo o país do final dos anos 1970 até 1992. Durante esse período, a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) permaneceu o único partido político de Moçambique. As eleições multipartidárias começaram em 1994, mas a FRELIMO e a RENAMO continuam sendo os principais partidos, ao lado de muitos outros. O voto universal é garantido pela Constituição de 1990. No começo do século 21, as mulheres começaram a servir em números significativos na Assembleia da República e no Conselho dos Ministros, e, em 2004, Luisa Diogo foi nomeada primeira-ministra, a primeira mulher a ocupar a posição em Moçambique. 

Em maio de 2018, o parlamento deu passos em direção a uma grande descentralização, aprovando reformas constitucionais que permitem a eleição indireta de governadores das províncias, administradores de distritos e prefeitos. Em outubro de 2019, eleições provinciais, legislativas e presidenciais ocorreram em todo o país, que foi a sexta eleição geral sucessiva desde a introdução das eleições multipartidárias, em 1994. A FRELIMO venceu a presidência e o parlamento nacional. A FRELIMO também assegurou uma maioria em todas as dez províncias, assim elegendo governadores para cada província. 

Nas eleições presidenciais de outubro de 2019, o atual presidente, Nyusi, venceu com uma vitória arrebatadora, mas a oposição RENAMO rejeitou o resultado e pediu uma repetição acusando o “governo de usar violência e intimidação no dia da eleição”. Entretanto, o Tribunal Constitucional do país rejeitou isso. 

Moçambique enfrenta um problema muito significativo com o crime organizado. Drogas, produtos naturais ilegais, como árvores, e armas ilegais são amplamente comercializados nos portos. O grupo islâmico al-Sunnah wal Jama’ah está envolvido nesse comércio ilegal para bancar suas atividades. O próspero negócio de drogas afeta comunidades cristãs onde ameaças são feitas e atos de violência tomam conta, especialmente onde missionários cristãos evangelizam entre jovens e grupos envolvidos no fornecimento ou uso de drogas.  

A Constituição declara que a nação é secular e também protege os direitos de praticar ou não a religião. Partidos políticos são proibidos de usar nomes que contenham expressões diretamente relacionadas a qualquer denominação religiosa ou igreja e de usar emblemas que podem ser confundidos com símbolos nacionais ou religiosos. Além disso, a Constituição bane toda a influência religiosa nas instituições educacionais públicas. Algumas autoridades também impõem complexas requisições de registro para grupos religiosos.    

CENÁRIO RELIGIOSO 

A população imigrante sul-asiática e das províncias do Nordeste são predominantemente muçulmanas, principalmente ao longo da costa, enquanto algumas áreas no interior do Nordeste têm uma grande concentração de comunidades cristãs. Cristãos são mais numerosos nas regiões sudeste e central, mas muçulmanos também vivem nessas áreas.  

Jornalistas muçulmanos têm relatado que a distinção entre sunitas e xiitas não é particularmente importante para muitos muçulmanos locais, e muçulmanos são mais propensos a se identificarem com o líder local religioso que seguem, do que como sunitas e xiitas.  

Há diferenças significativas entre as práticas de muçulmanos de origem africana e aqueles de contexto sul-asiático. Além disso, clérigos muçulmanos africanos têm cada vez mais buscado treinamento no Egito, Kuwait, África do Sul e Arábia Saudita, voltando com uma abordagem mais fundamentalista do que a tradição local, do islamismo suaíli com base sufista, mais comum no Norte. 

O islamismo é a religião minoritária em Moçambique com os principais pontos no Norte. De outubro de 2017 em diante, houve ataques recorrentes contra cristãos por militantes islâmicos, fazendo com que mais de mil residentes fugissem de suas casas. Em 2019 e 2020, jihadistas continuaram atacando igrejas e cristãos, assim como instalações do governo e outros civis.  

Moçambique atualmente está na posição 26 na lista mundial de maior crescimento da população evangélica. Entretanto, muitas igrejas pequenas, que se dividiram de denominações tradicionais, se fundiram a práticas e crenças nativas africanas. Algumas comunidades muçulmanas também continuam realizando rituais nativos.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

Na independência, em 1975, Moçambique era um dos países mais pobres do mundo. Políticas socialistas, má administração econômica e uma guerra civil brutal de 1977 a 1992 empobreceram ainda mais o país. Em 1987, o governo embarcou em uma série de reformas macroeconômicas designadas para estabilizar a economia. Ao invés de melhorar, cerca de metade da população permanece abaixo da linha da pobreza e a agricultura de subsistência continua a empregar a grande maioria da força de trabalho do país. 

O débito estrangeiro substancial de Moçambique foi reduzido por meio de várias iniciativas. Entretanto, em 2016, informações vieram à tona reavaliando que o governo de Moçambique retém 2 bilhões em empréstimos apoiados pelo governo, conseguidos entre 2012 e 2014 pela defesa pública e companhias de segurança sem a aprovação do parlamento ou inclusão no orçamento nacional. Isso alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI) e doadores internacionais a interromper o apoio ao orçamento direto do governo. Uma auditoria internacional foi realizada quanto ao débito de Moçambique em 2016 e 2017.  

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Cerca de 99% dos moçambicanos são descendentes de tribos indígenas como makua, tonga, chokwe, manyika e sau. Há também pequenas minorias europeias, árabes e sul-asiáticas. A capital de Moçambique é Maputo, que é também a maior cidade do país. Em Moçambique, a língua oficial é o português, mas o inglês também é falado nas principais cidades, como Maputo e Beira. 

Em algumas áreas remotas, aderentes ao sistema de crenças indígenas veem o crescimento das atividades evangelísticas cristãs como uma ameaça. Como resultado, líderes comunitários reclamam com frequência sobre alguma ação da igreja.  

Moçambique é um país pobre e pouco povoado com altas taxas de fertilidade e mortalidade. 45% da população tem menos de 15 anos. A alta taxa de pobreza em Moçambique é causada por desastres naturais, doenças, alto crescimento populacional, baixa produtividade agrícola e distribuição desigual de riqueza. A taxa de natalidade do país está entre as mais altas do mundo, com média de mais de cinco filhos por mulher, e é maior em áreas rurais, pelo menos nas últimas três décadas. O contínuo alto nível de fertilidade reflete na desigualdade de gênero, baixo uso de contraceptivos, casamentos e gestações precoces, e uma falta de instrução, principalmente entre as mulheres. 

O cristianismo foi introduzido em Moçambique por católicos romanos dominicanos em 1506. Monges jesuítas e agostinianos depois ajudaram os dominicanos a estabelecer a Igreja Católica Romana em Moçambique. Em 1881, o cristianismo protestante chegou a Moçambique por meio de missionários da Junta Americana de Comissários para Missões Estrangeiras. Como resultado do Tratado de Berlim, de 1885, as autoridades se tornaram mais abertas a admitir missionários não católicos. Em 1889, o bispo William Taylor da Igreja Episcopal Metodista se mudou para o país. 

Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

Facebook
Instagram
Twitter
YouTube

© 2022 Todos os direitos reservados

INÍCIO
LISTA MUNDIAL
DOE