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Moçambique

MZ
Moçambique
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, paranoia ditatorial, hostilidade etno-religiosa, corrupção e crime organizado
  • Capital: Maputo
  • Região: Sul e Leste da África
  • Líder: Filipe Jacinto Nyusi
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Cristianismo, islamismo
  • Idioma: Macua, português, inglês, tsonga, nianja, sena, iomwe, chuabo, cindau e xítsua
  • Pontuação: 63


POPULAÇÃO
32,3 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
17,4 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos em Moçambique? 

Os ataques de extremistas islâmicos e a presença de cartéis de drogas em algumas áreas contribuíram para o aumento da perseguição em Moçambique. Os cristãos enfrentam extrema violência na parte norte do país e foram forçados a fugir de suas casas. Extremistas islâmicos saquearam e destruíram muitos locais cristãos de adoração, escolas cristãs e empresas de cristãos.   

Na parte norte do país, onde os muçulmanos são a maioria, os convertidos enfrentam extrema pressão para renunciar à fé. Se eles se recusarem, geralmente serão evitados. Em abril de 2020um grupo jihadista com possíveis laços com o Estado Islâmico matou 52 pessoas, incendiou igrejas e instituições e atacou aldeias.  

“A menos que o governo trabalhe para controlar a situação, a violência contínua pode corroer a harmonia religiosa que existe hoje entre o povo de Moçambique.

Jo Newhouse (pseudônimo), porta-voz das operações da Portas Abertas na África Subsaariana 

O que mudou este ano? 

Moçambique entrou no Top50 da Lista Mundial da Perseguição pela segunda vez desde que esteve presente na primeira edição, em 1993. Nos últimos anos, ataques de extremistas islâmicos tiraram a vida de muitos cristãos e grupos radicais queimaram igrejas e escolas. Dezenas de milhares de pessoas fugiram da parte norte do país. O exército moçambicano se retirou de importantes locais estratégicos, de modo que um fenômeno de perseguição que se limitava a uma parte menor do país se expandiu no último ano. Além disso, a presença de cartéis de drogas em algumas áreas dificulta a vida dos cristãos – especialmente dos jovens da igreja.  

Quem persegue os cristãos em Moçambique? 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos em Moçambique são: opressão islâmica, paranoia ditatorial, hostilidade etno-religiosa, corrupção e crime organizado. 

Já as “fontes de perseguição são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos em Moçambique são: grupos religiosos violentos, redes criminosas, parentes, cidadãos e quadrilhas, oficiais do governo, líderes de grupos étnicos. 

Quem é mais vulnerável à perseguição em Moçambique? 

No geral, o país tem liberdade religiosa limitada. No entanto, a perseguição aos cristãos é mais severa no norte da província de Cabo Delgado devido aos extremistas afiliados ao Estado Islâmico que realizam ataques violentos lá. 

Como as mulheres são perseguidas em Moçambique? 

De acordo com fontes locais, as formas mais comuns de perseguição que afetam mulheres e meninas cristãs no país são assédio sexual, estupro – atribuído à incursão de militantes islâmicos – e casamento forçado. Muitas famílias muçulmanas que vivem em Moçambique forçam mulheres suspeitas de se converterem ao cristianismo ao casamento com um homem muçulmano, para garantir que não se envolvam em atividades cristãs. 

Como os homens são perseguidos em Moçambique? 

Segundo especialistas do país, a opressão islâmica é a fonte mais comum de perseguição aos cristãos em Moçambique. Um deles compartilhou que ataques direcionados a propriedades governamentais e cristãs tornaram-se comuns na província onde os jihadistas estão ativos. É relatado que homens e meninos cristãos foram mortos nesses ataques, deixando as famílias economicamente incapacitadas.  

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos em Moçambique? 

Por meio de parceiros locais, em 2020 Portas Abertas retomou o trabalho de fortalecimento dos cristãos em Moçambique. Por meio de parcerias estratégicas com a igreja local, a Portas Abertas planeja apoiar a Igreja Perseguida com treinamento. Devido ao aumento da violência contra os cristãos na província de Cabo Delgado, a Portas Abertas forneceu ajuda humanitária em agosto de 2020.   

Como posso ajudar os cristãos perseguidos?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente.  



Pedidos de oração de Moçambique 

  • Clame pelos cristãos que perderam entes queridos e sobreviveram aos ataques jihadistas na região norte de Moçambique. Peça a Deus que lhes dê conforto, paz e poder para perdoar os perseguidores.  
  • Interceda por mais proteção e que a atual variedade de extremistas islâmicos seja derrubada antes que eles cresçam e se expandam, potencialmente causando maior violência e perseguição em todo o país.  
  • Ore para que o Senhor fortaleça a igreja em Moçambique e lhe dê unidade diante das ameaças extremistas islâmicas. Peça a Deus para dar coragem aos cristãos para continuarem se encontrando e crescendo na fé.  
  • Peça por sabedoria e discernimento para pastores e líderes da igreja para pastorear o povo de Deus e prepará-lo para qualquer perseguição – para que estejam prontos para se manterem fortes.    

Um clamor por Moçambique 

Querido pai, é de partir o coração ler sobre os ataques jihadistas em Moçambique, e é difícil pensar nos 52 jovens que perderam a vida porque se recusaram a negar o seu nome. Mas também é um grande incentivo saber que esses cristãos se mantiveram fortes até o fim e agora estão em sua presença. Senhor, por favor, dê à igreja em Moçambique a força e a coragem que precisa para ser a sua luz – não importa quais julgamentos enfrente. Senhor, por favor, deixe-os saber que eles não estão sozinhos, e que a igreja global está com eles em Cristo. Em seu santo nome, Jesus. Amém. 

Após quase cinco séculos como uma colônia portuguesa, Moçambique se tornou independente em 1975. Seguiu-se uma migração em larga escala, dependência econômica da África do Sul, uma seca severa e uma guerra civil prolongada, o que serviu para prejudicar o desenvolvimento do país até meados dos anos 1990. 

O partido do governo, Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), formalmente abandonou o marxismo em 1989, e uma nova Constituição no ano seguinte garantiu eleições multipartidárias e uma economia de mercado livre. Um acordo de paz negociado pelas Nações Unidas entre a FRELIMO e as forças rebeldes da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) encerrou o conflito em 1992. Em 2004, Moçambique passou por uma transição delicada quando Joaquim Chissano renunciou depois de 18 anos no cargo de presidente. O sucessor eleito, Armando Guebuza, cumpriu dois mandatos e então passou o poder executivo para Filipe Nyusi, em 2015. 

Considerado por muito tempo como sendo uma história de sucesso no pós-conflito, Moçambique atualmente se encontra em um período de incerteza, com um passado político de progresso e atuais oportunidades econômicas ameaçadas por tensões não resolvidas. Após um período de reconstrução pós-guerra, o país desfrutou de constante e sólido progresso econômico. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) tem média entre 7 e 8% para a última década, e a descoberta de significativas reservas de carvão e gás tem levado a grandes investimentos estrangeiros.  

Mas mesmo com forte crescimento econômico e progresso político marcado por cinco eleições multipartidárias consecutivas, problemas como pobreza, desigualdade, corrupção e violência política persistem. Mais preocupante, a prosperidade econômica tem sido prejudicada desde o retorno da instabilidade política e violência em 2012. Naquele ano, as tensões renovadas entre a RENAMO e a FRELIMO questionaram o progresso político feito desde 1992, preocupando investidores e manchando a imagem do país como uma história de sucesso pós-guerra. As forças armadas restantes da RENAMO têm se envolvido em um baixo nível de insurgência desde 2012, apesar de um cessar-fogo do final de dezembro de 2016 ser mantido até 2017. Enquanto isso, militantes islâmicos violentos têm atacado populações civis no Nordeste do país. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Após a independência, a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) foi criada pela população branca em Rodésia, atual Zimbábue, e buscou desestabilizar o regime da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). O conflito interno durou em todo o Moçambique do final dos anos 1970 até 1992. Durante esse período, a FRELIMO permaneceu o único partido político de Moçambique. As eleições multipartidárias começaram em 1994, mas a FRELIMO e a RENAMO continuam sendo os principais partidos, ao lado de muitos outros. O voto universal é garantido pela Constituição de 1990. No começo do século 21, as mulheres começaram a servir em números significativos na Assembleia da República e no Conselho dos Ministros, e, em 2004, Luisa Diogo foi nomeada primeira-ministra, a primeira mulher a ocupar a posição em Moçambique. 

Em maio de 2018, o parlamento deu passos em direção a uma grande descentralização, aprovando reformas constitucionais que permitem a eleição indireta de governadores das províncias, administradores de distritos e prefeitos. Em outubro de 2019, o país realizou uma eleição presidencial na qual o atual presidente, Nyusi, venceu com uma vitória arrebatadora, mas a oposição RENAMO rejeitou o resultado e pediu uma repetição, acusando o “governo de usar violência e intimidação no dia da eleição”. Entretanto, o Tribunal Constitucional do país rejeitou isso. 

Nos últimos anos, ataques radicais islâmicos tiraram a vida de muitos cristãos. O grupo islâmico al-Sunnah wal Jamaah, que se compara ao Al-Shabaab na Somália, quer estabelecer um califado islâmico em Moçambique.  

Moçambique enfrenta um problema muito significativo com o crime organizado. Drogas, produtos naturais ilegais e armas ilegais são amplamente comercializados nos portos. O grupo islâmico al-Sunnah wal Jamaah está envolvido nesse comércio ilegal para bancar suas atividades. O próspero negócio de drogas afeta comunidades cristãs, em que ameaças são feitas e atos de violência tomam conta, especialmente onde missionários cristãos evangelizam entre jovens e grupos envolvidos no fornecimento ou uso de drogas.  

Durante os anos de guerra civil (1977-1992) que envolveu poderes estrangeiros, como África do Sul e Zimbábue, não havia perseguição clara aos cristãos, mas isso mudou hoje. A presença de cartéis de droga em algumas áreas faz a vida de cristãos, especialmente trabalhadores jovens da igreja, difícil. Além disso, o governo restringe a liberdade de religião. 

Embora a Constituição declare que a nação é secular, também protege os direitos de praticar ou não a religião. Partidos políticos são proibidos de usar nomes que contenham expressões diretamente relacionadas a qualquer denominação religiosa ou igreja e de usar emblemas que possam ser confundidos com símbolos nacionais ou religiosos. Além disso, a Constituição bane toda a influência religiosa nas instituições educacionais públicas. Algumas autoridades também impõem complexas requisições de registro para grupos religiosos.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

A população imigrante sul-asiática e das províncias do Nordeste são predominantemente muçulmanas, principalmente ao longo da costa, enquanto algumas áreas no interior do Nordeste têm uma grande concentração de comunidades cristãs. Cristãos são mais numerosos nas regiões sudeste e central, mas muçulmanos também vivem nessas áreas. Jornalistas muçulmanos têm relatado que a distinção entre sunitas e xiitas não é particularmente importante para muitos muçulmanos locais, e que muçulmanos são mais propensos a se identificarem com o líder local religioso que seguem, do que como sunitas e xiitas.  

Há diferenças significativas entre as práticas de muçulmanos de origem africana e aqueles de contexto sul-asiático. Além disso, clérigos muçulmanos africanos têm cada vez mais buscado treinamento no Egito, Kuwait, África do Sul e Arábia Saudita, voltando com uma abordagem mais fundamentalista do que a tradição local, do islamismo suaíli com base sufista, mais comum no Norte. 

O islamismo é a religião minoritária em Moçambique, com os principais pontos no Norte. De outubro de 2017 em diante, houve ataques recorrentes contra cristãos por militantes islâmicos, fazendo com que mais de mil residentes fugissem de suas casas. Em 2018 e 2019, jihadistas continuaram atacando igrejas e cristãos, assim como instalações do governo e outros civis.  

Moçambique atualmente está na posição 26 na lista mundial de maior crescimento da população evangélica. Entretanto, muitas igrejas pequenas, que se dividiram de denominações tradicionais, se fundiram a práticas e crenças nativas africanas. Algumas comunidades muçulmanas também continuam realizando rituais nativos. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

Na independência, em 1975, Moçambique era um dos países mais pobres do mundo. Políticas socialistas, má administração econômica e uma guerra civil brutal de 1977 a 1992 empobreceram ainda mais o país. Em 1987, o governo embarcou em uma série de reformas macroeconômicas designadas a estabilizar a economia. No entanto, ao invés de melhorar, cerca de metade da população permanece abaixo da linha da pobreza e a agricultura de subsistência continua a empregar a grande maioria da força de trabalho do país. 

A dívida externa substancial de Moçambique foi reduzido por meio de várias iniciativas. Entretanto, em 2016, informações vieram à tona reavaliando que o governo de Moçambique retém 2 bilhões em empréstimos apoiados pelo governo, conseguidos entre 2012 e 2014 pela defesa pública e companhias de segurança sem a aprovação do parlamento ou inclusão no orçamento nacional. Isso alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI) e doadores internacionais a interromper o apoio ao orçamento direto do governo. Uma auditoria internacional foi realizada quanto ao débito de Moçambique em 2016 e 2017. 

No geral, a economia de Moçambique cresceu em uma taxa média anual de 6 a 8% de 2010 a 2015, uma das atuações mais fortes da África, mas o considerável peso da dívida externa, a retirada do investimento, a alta inflação e a depreciação da moeda têm contribuído para um crescimento mais lento.  

O Banco Mundial relata: “O crescimento econômico se recuperará perto de 4,3% em 2021 com esforços de reabilitação e flexibilização contínua em taxas de juros garantindo um estímulo adicional para a economia, embora a larga escala de investimentos na produção de gás possa avançar ainda mais. Moçambique permanece na angústia da dívida, embora já tenha havido progresso na reestruturação do débito”. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Cerca de 99% dos moçambicanos são descendentes de tribos indígenas como makua, tonga, chokwe, manyika e sau. Há também pequenas minorias europeias, árabes e sul-asiáticas. A capital de Moçambique é Maputo, que é também a maior cidade do país. Em Moçambique a língua oficial é o português, mas o inglês também é falado nas principais cidades, como Maputo e Beira. 

Em algumas áreas remotas, aderentes ao sistema de crenças indígenas veem o crescimento das atividades evangelísticas cristãs como uma ameaça. Como resultado, líderes comunitários reclamam com frequência sobre alguma ação da igreja.  

Moçambique é um país pobre e pouco povoado com altas taxas de fertilidade e mortalidade. 45% da população tem menos de 15 anos. A alta taxa de pobreza em Moçambique é causada por desastres naturais, doenças, alto crescimento populacional, baixa produtividade agrícola e distribuição desigual de riqueza. A taxa de natalidade do país está entre as mais altas do mundo, com média de mais de 5 filhos por mulher, e é maior em áreas rurais, pelo menos nas últimas três décadas. O contínuo alto nível de fertilidade se reflete na desigualdade de gênero, baixo uso de contraceptivos, casamentos e gestações precoces, e uma falta de instrução, principalmente entre as mulheres. 

Por fim, Moçambique está entre os piores países no mundo para predomínio e mortes por HIV/AIDS. A expectativa de vida é de 60,2 anos. O Índice de Desenvolvimento Humano do país é de 0,446, o que classifica o país como subdesenvolvido. A população que vive abaixo da linha da pobreza, com 1,90 dólares por dia, é de 62%. 

O cristianismo foi introduzido em Moçambique por católicos romanos dominicanos em 1506. Monges jesuítas e agostinianos depois ajudaram os dominicanos a estabelecer a Igreja Católica Romana em Moçambique. Em 1881, o cristianismo protestante chegou a Moçambique por meio de missionários da Junta Americana de Comissários para Missões Estrangeiras. Como resultado do Tratado de Berlim, de 1885, as autoridades se tornaram mais abertas a admitir missionários não católicos. Em 1889, o bispo William Taylor, da Igreja Episcopal Metodista, se mudou para o país. 

45% da população tem menos de 15 anos

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